Autor: Deuseane Queiroz

  • Brasil é um dos maiores produtores de limão do mundo, mas doença ameaça a oferta da fruta

    Brasil é um dos maiores produtores de limão do mundo, mas doença ameaça a oferta da fruta

    O Brasil está entre os maiores produtores mundiais de limão, mas a citricultura nacional enfrenta um desafio crescente: o avanço do greening, doença sem cura que compromete a produtividade dos pomares e pode levar à erradicação de plantas infectadas. A cultura representa 8% da produção citrícola nacional, e a variedade Tahiti responde por 97% desse total.

    “A doença é causada pela bactéria Candidatus Liberibacter spp, transmitida pelo psilídeo Diaphorina citri. Apesar de medir apenas até 3 milímetros e viver de 12 a 43 dias, o inseto possui elevado potencial reprodutivo: as fêmeas depositam de 600 a 800 ovos. Ao se alimentar da seiva dos limoeiros, o psilídeo também enfraquece as plantas e libera uma substância que atrai formigas”, explica Fabio Kagi, gerente de assuntos regulatórios do Sindiveg.

    Sintomas aparecem nas folhas e comprometem os frutos

    Conhecido também como Huanglongbing (HLB), o greening apresenta sinais como folhas amareladas ou com manchas irregulares. Os frutos não amadurecem normalmente e podem ficar pequenos, deformados e assimétricos. A doença compromete totalmente plantas jovens em um ou dois anos, enquanto árvores adultas levam de três a cinco anos para morrer.

    “Sem um tratamento disponível, a única alternativa para conter o avanço da patologia é eliminar completamente as árvores infectadas, o que pode gerar impactos econômicos e reduzir a oferta da fruta e de seus derivados”, alerta Kagi.

    Prevenção e manejo integrado ajudam a conter o avanço

    Segundo o gerente, a estratégia para reduzir a disseminação da doença começa pelo acompanhamento frequente das lavouras e pela adoção do manejo integrado do psilídeo. Nesse processo, os produtores devem usar inseticidas com diferentes mecanismos de ação, medida importante para evitar o desenvolvimento de resistência. Os rótulos e as bulas dos produtos trazem, logo abaixo da marca, um quadro com números que indicam o respectivo modo de ação. Como orientação adicional para o manejo da resistência, a indústria também disponibiliza um folheto elaborado pelo IRAC-BR.

    “O diagnóstico precoce e o controle do vetor são fundamentais para reduzir os impactos do greening sobre os pomares. Por isso, o acompanhamento das plantas e a adoção de medidas de manejo devem fazer parte da rotina do produtor”, afirma Kagi.

    Os produtores também precisam ficar atentos ao uso de mudas sadias e certificadas, medida essencial para evitar a proliferação da doença. O site do Sindiveg reúne mais informações sobre a defesa dessa e de outras culturas na página de proteção de cultivos.

  • Consevitis-RS abre edital de R$ 120 mil para eventos sobre vinho e uva; inscrições até setembro

    Consevitis-RS abre edital de R$ 120 mil para eventos sobre vinho e uva; inscrições até setembro

    O Instituto de Gestão, Planejamento, Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do RS (Consevitis-RS) abriu, neste mês de agosto, um novo edital de chamada pública para apoio institucional e financeiro a ações técnicas voltadas à vitivinicultura gaúcha. A iniciativa busca promover a capacitação e a qualificação da produção de uvas, vinhos, espumantes e sucos de uva no estado.

    Os interessados devem enviar as inscrições e os documentos por e-mail até o dia 14 de setembro, para ações realizadas entre 1º de outubro de 2026 e 31 de março de 2027. O edital contempla ações técnicas como eventos, feiras, seminários, congressos, livros, artigos, revistas e documentários, entre outras iniciativas voltadas a viticultores, vinicultores, estudantes e técnicos do setor. Os interessados podem acessar o edital completo no site do Consevitis-RS.

    Valor de apoio chega a R$ 20 mil por projeto

    O Consevitis-RS vai destinar, no máximo, R$ 20 mil por projeto, valor limitado a até 50% do orçamento total da ação. Um comitê técnico avaliará cada proposta e emitirá parecer conforme os critérios de seleção definidos no edital. O montante total do edital soma R$ 120 mil.

    Produtores e interessados podem encaminhar dúvidas ao Setor Técnico do Consevitis-RS pelo WhatsApp (54) 99677-1458.

  • Tem Peixe na Vila: SP recebe festa gratuita com gastronomia, ciência e música em setembro

    Tem Peixe na Vila: SP recebe festa gratuita com gastronomia, ciência e música em setembro

    O Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, realiza a 4ª edição da Festa Tem Peixe na Vila nos dias 12 e 13 de setembro, na sede da instituição, na Vila Mariana, em São Paulo. O evento integra a Semana do Pescado, campanha nacional que incentiva o consumo de pescado no Brasil.

    Com a proposta de valorizar o pescado e estimular seu consumo, a festa reúne gastronomia, ciência, cultura e lazer. A programação também fortalece o setor pesqueiro e aproxima a população da pesquisa produzida pelo IP e por outras instituições da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

    Programação inclui gastronomia, música e atividades infantis

    Durante os dois dias de evento, o público vai encontrar pratos à base de pescado e outras opções gastronômicas, apresentações musicais, feira criativa, espaço infantil e atividades de divulgação científica. A festa oferece estacionamento gratuito e recebe pets. Para entrar, os visitantes devem doar 1 kg de alimento não perecível, as doações vão para instituições que apoiam pessoas em situação de vulnerabilidade social.

    Marcelo Ricardo, diretor do Núcleo de Inovação Tecnológica do Instituto de Pesca (NIT-IP) e idealizador do evento, espera ampliar ainda mais o alcance da festa nesta quarta edição. “O Tem Peixe na Vila vem crescendo a cada edição. E se consolidando como um espaço de encontro entre o pescado, a gastronomia, a ciência e a sociedade. Neste ano, com a parceria da Associação de Moradores da Vila Mariana e o apoio da Prefeitura de São Paulo, estamos preparando uma edição ainda maior, com diversidade gastronômica e uma programação para toda a família”, afirma.

    Evento integra a 23ª Semana do Pescado

    A Semana do Pescado chega à 23ª edição em 2026 e ocorre todos os anos entre os dias 1º e 15 de setembro. A campanha mobiliza participantes de todo o país para realizar ações voltadas ao fomento do consumo de pescado.

    Serviço

    Festa Tem Peixe na Vila: www.tempeixenavila.com.br
    Local: Instituto de Pesca – Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252 – Vila Mariana – SP
    Datas: 12 e 13 de setembro.
    Horário: 11h às 20h
    Entrada: 1 kg de alimento não perecível.
    Estacionamento: gratuito
    Pet friendly: sim

  • Embrapa lança nova opção de pastagem para solos ácidos e pouco férteis

    Embrapa lança nova opção de pastagem para solos ácidos e pouco férteis

    A chegada da BRS Carinás ao mercado amplia as opções de forrageiras para pecuaristas que trabalham em áreas com solos ácidos e de baixa fertilidade. Pesquisadores da Embrapa apresentaram as principais características da nova cultivar durante uma live realizada no último dia 17, voltada especialmente aos produtores rurais do Cerrado.

    A cultivar foi desenvolvida pela Embrapa, em parceria com a Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto). O novo material combina rusticidade com maior produção de folhas e forragem, além de apresentar potencial para elevar a produtividade animal.

    A BRS Carinás é a primeira cultivar brasileira de Urochloa decumbens disponibilizada comercialmente.

    Tolerância a solos encharcados ainda está em teste

    Uma das principais dúvidas dos produtores é sobre o comportamento da BRS Carinás em áreas sujeitas ao encharcamento.

    Em experimentos realizados em casa de vegetação pela Embrapa Amazônia Oriental, a variedade apresentou desempenho superior ao capim-xaraés. Os primeiros resultados apontam que a cultivar possui tolerância média ao excesso de água.

    Segundo Sanzio Barrios, pesquisador da Embrapa Gado de Corte (MS), novos testes serão realizados em condições mais severas e diretamente no campo, na Embrapa Acre (AC).

    Em condições opostas, como as encontradas no semiárido brasileiro, o pesquisador Gustavo Braga, da Embrapa Cerrados (DF), explica que a cultivar precisa de precipitação próxima a 800 milímetros de chuva por ano para apresentar bom desenvolvimento.

    Nos testes realizados em Cocos, no Oeste da Bahia, em solo arenoso, a BRS Carinás produziu 11% mais forragem total do que a tradicional braquiarinha, cultivar Basilisk, após dois anos de experimento.

    Os estudos continuam tanto na região amazônica quanto no semiárido.

    Baixa exigência em fertilidade é um dos destaques

    Os pesquisadores destacam que a BRS Carinás foi desenvolvida justamente para condições semelhantes àquelas em que os produtores tradicionalmente utilizam a Urochloa decumbens.

    A forrageira possui baixa exigência em fertilidade e consegue se adaptar a sistemas produtivos com menor utilização de corretivos e fertilizantes.

    “Conseguimos chegar agora no mercado com um material que, além daquilo que o produtor já conhece de bom na decumbens, entrega mais resultado, mais forragem, mais folha e mais lotação”, resume Barrios.

    Para Gustavo Braga, a combinação entre baixa exigência nutricional e capacidade de responder a condições melhores de cultivo está entre os principais diferenciais da cultivar.

    “É essa característica de versatilidade da planta em ser pouco exigente e, ao mesmo tempo, bastante responsiva.”

    Manejo correto garante o potencial produtivo

    Para transformar o potencial genético da BRS Carinás em produtividade no campo, o manejo da pastagem continua sendo fundamental.

    Em sistemas de lotação contínua, os pesquisadores recomendam manter o pasto entre 20 e 30 centímetros de altura.

    Já no pastejo rotacionado, a orientação é colocar os animais quando o pasto estiver próximo de 30 centímetros e retirá-los quando a altura atingir aproximadamente 15 centímetros.

    A prática ajuda a evitar tanto o superpastejo, que pode dar início ao processo de degradação da pastagem, quanto o crescimento excessivo das plantas, que provoca perda de forragem.

    BRS Carinás pode ser alternativa na integração lavoura-pecuária

    Produtores interessados em sistemas integrados de produção também podem encontrar uma alternativa na BRS Carinás.

    A cultivar não exige solos de alta fertilidade e apresenta resultados mesmo em condições mais simples. Segundo Roberto Guimarães Júnior, pesquisador em sistemas de produção sustentáveis da Embrapa Cerrados, a variedade pode substituir o capim-ruziziensis em sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP).

    Entre os diferenciais estão a produção de forragem durante a entressafra, a velocidade de rebrota e a ciclagem de nutrientes proporcionada pela decomposição da palhada.

    “Nas avaliações realizadas durante três anos, a produção da BRS Carinás chegou, em algumas situações, a superar em 80% a da ruziziensis na entressafra.”

    Outro resultado observado pelos pesquisadores foi a capacidade de rebrotação.

    Após o corte de uniformização e o início do período chuvoso, a BRS Carinás produziu, em média, 60% mais forragem nos primeiros 60 a 70 dias do que a ruziziensis comum, segundo Guimarães.

    A palhada produzida pela cultivar também pode contribuir para a ciclagem de nutrientes.

    Em uma área experimental no Distrito Federal, cerca de 80% da palhada da Carinás foi decomposta ao longo de 120 dias de cultivo de soja. O processo devolve nutrientes ao sistema e indica potencial para auxiliar na construção e manutenção da fertilidade do solo.

    Pesquisa avança também na pecuária leiteira

    Embora o foco inicial da BRS Carinás esteja na pecuária de corte, a Embrapa já estuda o desempenho da cultivar em outros ambientes e sistemas produtivos.

    Pesquisas realizadas pela Embrapa Gado de Leite (MG), na Zona da Mata mineira, buscam gerar informações que possam permitir futuramente a ampliação da recomendação para o bioma Mata Atlântica e também para a pecuária leiteira.

    Segundo Carlos Gomide, pesquisador em manejo, resultados preliminares obtidos em 11 cortes mostraram que a produção acumulada de forragem da Carinás ficou cerca de 9% acima da Basilisk.

    Em determinados cortes realizados durante o outono, a diferença chegou a aproximadamente 24%.

    O pesquisador pondera, no entanto, que a equipe ainda precisa aprofundar a análise de parte dos dados relacionados à qualidade da forragem.

    Produtores interessados em conhecer melhor a nova tecnologia e esclarecer dúvidas sobre implantação, manejo e utilização podem acompanhar a live completa promovida pela Embrapa.

    Os pesquisadores Sanzio Barrios, da Embrapa Gado de Corte; Gustavo Braga e Roberto Guimarães Júnior, da Embrapa Cerrados; e Carlos Gomide, da Embrapa Gado de Leite, reforçaram que a escolha da semente representa uma das primeiras etapas para alcançar bons resultados no campo.

    “Tudo começa pela semente, e o pasto, por uma boa formação da pastagem.”

    As sementes da BRS Carinás já estão disponíveis comercialmente por meio das empresas associadas à Unipasto.

  • Novo sistema do Ibama vai checar seu CAR antes de liberar crédito rural; entenda

    Novo sistema do Ibama vai checar seu CAR antes de liberar crédito rural; entenda

    Proprietários e empreendedores rurais ganharam um novo motivo para revisar os dados declarados ao governo. Desde o final de julho, o Ibama cruza automaticamente as informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR) com camadas geoespaciais por meio do Sistema Prisma, criado pela Portaria nº 151 do órgão.

    A ferramenta vai apoiar bancos e outras instituições em processos de concessão de crédito rural e auditorias, funcionando como uma camada adicional de verificação sobre a situação ambiental dos imóveis.

    O Centro Nacional de Monitoramento e Informações Ambientais (Cenima) administra o novo sistema. A plataforma permite consultar e visualizar dados do CAR e informações geoespaciais dos imóveis, além de emitir um Relatório de Indicadores de Integridade Ambiental.

    Na prática, instituições financeiras cadastradas poderão utilizar a ferramenta como uma verificação adicional da situação ambiental das propriedades.

    “O Prisma amplia a capacidade de cruzamento das informações ambientais dos imóveis rurais. Para proprietários e empreendedores, isso reforça a necessidade de verificar se os dados declarados no CAR estão atualizados e consistentes, porque eventuais divergências poderão ser identificadas a partir da comparação com outras bases públicas”, afirma Solange Cunha, coordenadora da área de Direito Ambiental e Mudanças Climáticas do Silveiro Advogados.

    Sistema aponta sobreposições entre bases de dados

    O Relatório de Indicadores de Integridade Ambiental reúne dados cadastrais e a representação cartográfica do imóvel, além das camadas em que o sistema identifica sobreposições e dos resultados dos cruzamentos geoespaciais.

    O documento também informa quais bases de dados foram utilizadas e apresenta elementos que permitem verificar sua autenticidade e rastreabilidade.

    O acesso ao Prisma não será aberto ao público em geral. Somente instituições públicas e privadas previamente cadastradas e autorizadas pelo Ibama poderão utilizar a plataforma, com login pelo Gov.br. Entre elas estão, principalmente, as instituições financeiras.

    “Para as instituições financeiras, o Prisma passa a representar uma camada adicional de informação na análise dos imóveis. Isso também traz consequências para quem busca crédito: inconsistências cadastrais ou ambientais podem aparecer durante esse processo”, explica Solange.

    Segundo a especialista, a recomendação é que proprietários e empreendedores façam uma revisão prévia das informações registradas no CAR e, quando necessário, regularizem possíveis imprecisões antes que os dados sejam submetidos aos cruzamentos realizados pela plataforma.

    Relatório não comprova regularidade ambiental

    Apesar de ampliar o acesso a informações sobre os imóveis rurais, os relatórios emitidos pelo Prisma possuem caráter exclusivamente informativo.

    Isso significa que o documento não substitui análises técnicas, jurídicas ou regulatórias sobre a regularidade ambiental de uma propriedade.

    “O relatório não deve ser interpretado isoladamente como uma certificação de regularidade ou irregularidade ambiental. A própria Portaria do Ibama estabelece expressamente o seu caráter informativo”, ressalta Solange.

    Caso o sistema apresente algum apontamento, será necessário compreender sua origem e avaliar a situação concreta de forma técnica e jurídica, com apoio de outros documentos e informações disponíveis.

    Com o sistema já em vigor, instituições financeiras podem iniciar o cadastramento junto ao Cenima e avaliar a incorporação da ferramenta aos seus protocolos de análise.

    Para proprietários e empreendedores rurais, a recomendação é verificar a regularidade e a consistência das informações registradas no CAR antes que eventuais divergências sejam identificadas nos cruzamentos feitos pela plataforma.

  • Cachaça paulista: inscrições para concurso estadual vão até setembro

    Cachaça paulista: inscrições para concurso estadual vão até setembro

    Produtores de cachaça de todo o Estado de São Paulo podem inscrever suas amostras na terceira edição do Concurso Estadual de Qualidade da Cachaça Paulista. As inscrições são gratuitas e seguem abertas até 21 de setembro.

    Uma comissão avaliará os produtos inscritos por meio de análise sensorial e divulgará os vencedores em dezembro. Os interessados podem se inscrever pelo site da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

    Sete categorias de cachaça

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo promove o concurso, que chega à terceira edição ampliando de cinco para sete categorias:

    • Cachaça Branca (inox);
    • Cachaça Armazenada em tonéis de madeira;
    • Cachaça Envelhecida em barris de Carvalho;
    • Cachaça Envelhecida Premium em barris de Carvalho;
    • Cachaça Envelhecida Extra Premium em barris de Carvalho;
    • Cachaça Envelhecida em barris de Madeiras Brasileiras;
    • Blend.

    Cada produtor pode inscrever uma amostra por categoria.

    Em 2025, a segunda edição do concurso recebeu 113 amostras, 40% a mais que na primeira edição. Agora, a organização espera ampliar a participação neste ano e dar ainda mais visibilidade à diversidade e à qualidade da produção paulista.

    Como participar?

    Para participar, o produtor deve preencher o formulário eletrônico de inscrição e apresentar a documentação prevista no regulamento. Os documentos solicitados incluem: registro do estabelecimento e do produto junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), laudo de análise química do lote, termo de compromisso, autorização de uso de imagem e ficha de inscrição.

    Depois da habilitação, os produtores poderão entregar as amostras em unidades da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) distribuídas pelo Estado. A organização prevê realizar o julgamento sensorial em outubro.

    Rede capacitada para orientar os produtores

    Para apoiar os produtores durante o período de inscrições e garantir o correto recebimento das amostras, a Secretaria também vem capacitando suas equipes técnicas.

    Nos dias 13 e 14 de agosto, servidores da CATI, da Defesa Agropecuária e da APTA Regional participaram, em Torrinha, de um treinamento específico sobre o concurso.  Durante a capacitação, os profissionais receberam orientações sobre boas práticas de fabricação e regras para recebimento e direcionamento das amostras, participaram de um treinamento de análise sensorial e visitaram a Destilaria Octaviano Della Coletta, na Fazenda Basalto.

    Cachaça paulista ganha espaço

    São Paulo ocupa a posição de segundo maior produtor de cachaça do Brasil, com aproximadamente 230 estabelecimentos produtores e 1.185 produtos registrados. O Estado também vem ampliando as ações de valorização da bebida, como o Selo Agro SP – Cachaça Paulista, lançado neste ano, e as Rotas da Cachaça, que integram produção, turismo rural e valorização dos territórios.

    Em julho, a cachaça de alambique do Circuito das Águas Paulista conquistou a primeira Indicação Geográfica (IG) de cachaça do Estado, beneficiando produtores de nove municípios.

  • Falta de silos força produtor brasileiro a vender safra mais barato

    Falta de silos força produtor brasileiro a vender safra mais barato

    Empresas e produtores enfrentam um gargalo estrutural que vem redesenhando a comercialização de grãos no Brasil: a falta de silos. O descompasso entre a capacidade estática de armazenagem e o volume total colhido a cada safra consolidou-se como um dos principais fatores de instabilidade do setor.

    O problema ganha contornos mais críticos no segundo semestre, quando milho e algodão escoam simultaneamente e disputam espaço nos armazéns disponíveis.

    Enquanto os Estados Unidos guardam 65% de sua produção dentro das propriedades rurais, o Brasil armazena apenas 15% na origem, afirma a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Essa escassez empurra o produtor para uma venda compulsória logo após a colheita, o que pressiona as cotações internas e reduz o poder de negociação do produtor.

    Franklin Oliveira, diretor comercial da AGI Brasil, fornecedora de soluções em armazenamento e movimentação de grãos, defende que o cenário exige uma análise que vai além do espaço físico disponível.

    “O déficit mensurado é mais agudo em regiões de expansão agrícola no segundo semestre, como o Matopiba e o norte de Mato Grosso. O armazenamento planejado protege o produtor contra a oscilação de preços. Mas demanda superar barreiras regulatórias locais, garantir eficiência energética e manter a estrita conformidade com as exigências técnicas de certificação”, explica o executivo.

    Gargalos regulatórios travam novos investimentos

    Atualmente, os produtores que querem investir em armazenagem própria esbarram em uma série de exigências. Precisam obter licenças ambientais estaduais, atender à Lei nº 9.973 que regulamenta o Sistema de Certificação de Armazéns do país e adequar as plantas às normas de segurança do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), caso da NR-33, voltada ao trabalho em espaços confinados.

    Nesse ambiente restritivo, o acesso a materiais de alta especificação passou a fazer diferença direta na viabilidade dos projetos. Silos construídos com aços de alta resistência estrutural e revestimentos galvanizados superiores suportam melhor a carga dinâmica de carregamentos contínuos, segundo Oliveira.

    “No entanto, para combater o estresse térmico severo no interior do silo, a engenharia de proteção do grão precisa ir além da barreira física do aço”, alerta o diretor.

    Projetos de alta performance, segundo ele, já integram sistemas de termometria digital e ventilação automatizada, capazes de controlar a temperatura e a umidade da massa de grãos.

    Essa combinação preserva as características físicas, sanitárias e comerciais do produto e atende aos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelo mercado exportador.

    Diante de safras que testam anualmente a eficiência logística nacional, a expansão tecnológica da armazenagem surge como o elo regulador capaz de proteger as margens do agronegócio.

    “A sustentabilidade financeira da porteira para dentro depende da autonomia de comercialização. E ela só se alcança quando o produtor dispõe de uma estrutura robusta e capaz de preservar a integridade biológica do seu patrimônio por longos períodos”, conclui o diretor comercial.

  • Milho consorciado com braquiária afeta produtividade

    Milho consorciado com braquiária afeta produtividade

    A escolha da braquiária no consórcio com milho não é um detalhe: ela pode preservar ou comprometer a produção de grãos. Um estudo da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP, em Jaboticabal, identificou diferenças significativas no desempenho do milho quando consorciado com a braquiária híbrida Mavuno e com a braquiária ruziziensis.

    Os resultados fazem parte do estudo “A consorciação com braquiárias e a adubação nitrogenada afetam o desempenho do milho?”. Ele foi conduzido pela engenheira agrônoma Tainá Garcia Paiares, sob orientação do professor Anderson Prates Coelho e coorientação do pesquisador Victor Augusto da Costa Escarela. O trabalho avaliou o desempenho agronômico e produtivo do milho consorciado com diferentes braquiárias e doses de nitrogênio em cobertura.

    O interesse pelo tema acompanha a expansão do uso de forrageiras em sistemas consorciados impulsionada pelos benefícios que essas espécies trazem à conservação do solo, à ciclagem de nutrientes, à formação de palhada e à sustentabilidade do sistema produtivo. Entender como cada material se comporta durante o desenvolvimento do milho tornou-se, assim, fundamental para reduzir riscos e aumentar a eficiência do sistema.

    Os pesquisadores conduziram o experimento entre outubro de 2025 e abril de 2026. E compararam três sistemas de cultivo: milho solteiro, milho consorciado com braquiária híbrida Mavuno e milho consorciado com braquiária ruziziensis, além de diferentes doses de nitrogênio em cobertura.

    Mavuno iguala produtividade do milho solteiro; ruziziensis reduz colheita em 13%

    O milho cultivado em consórcio com a braquiária híbrida Mavuno apresentou produtividade de grãos equivalente à do milho solteiro. Já o consórcio com ruziziensis reduziu a produção em aproximadamente 13%. Na comparação direta entre os dois consórcios, o milho consorciado com Mavuno rendeu 1.332 kg de grãos a mais por hectare do que o consorciado com ruziziensis. Ou seja, uma diferença equivalente a cerca de 22 sacas por hectare.

    Em termos econômicos, essa diferença mostra que a escolha da braquiária pode pesar muito mais no bolso do produtor do que apenas o preço da semente. Tomando como referência o preço médio de R$ 65,55 por saca apurado pelo Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Cepea) em julho de 2026, as 22 sacas extras por hectare do sistema com Mavuno podem representar cerca de R$ 1.450 a mais por hectare em receita bruta. Em uma área de 100 hectares, essa vantagem pode chegar a R$ 143 mil adicionais apenas na produção de grãos, na comparação com o sistema com ruziziensis.

    Por que o desempenho muda entre as forrageiras

    O estudo atribui o melhor resultado do Mavuno ao seu desenvolvimento inicial mais equilibrado. O que reduz a competição com o milho por luz, água e nutrientes justamente na fase em que a cultura define seu potencial produtivo. A Urochloa ruziziensis, por outro lado, cresce de forma inicial mais agressiva. E compromete características agronômicas importantes, como altura de plantas, diâmetro de colmo e componentes de produção — o que reduz a produtividade final.

    Sistema radicular da braquiária híbrida Mavuno alcança mais de 4 metros de profundidade. Foto: Divulgação / Unesp

    O trabalho também revelou o potencial forrageiro da braquiária híbrida Mavuno em cultivo exclusivo. Ela acumulou 14.280 kg de matéria seca por hectare, contra 9.603 kg/ha da ruziziensis. Ou seja, um indicativo de alto potencial para formação de biomassa em sistemas de integração lavoura-pecuária.

    Para Tiago Penha Pontes, engenheiro agrônomo e gerente técnico da Wolf Seeds empresa responsável pelo desenvolvimento da braquiária híbrida Mavuno, os resultados reforçam a importância de tratar a escolha da forrageira como parte da estratégia produtiva da propriedade.

    “O consórcio deixou de ser apenas uma ferramenta para formação de palhada. Hoje, o produtor precisa pensar em um sistema que preserve a produção de grãos do milho. E ao mesmo tempo, entregue benefícios para o solo e para a produção de forragem”, explica.

    Segundo Pontes, a pesquisa amplia a discussão sobre o papel das forrageiras nos sistemas de produção. “O consórcio não é uma receita única. Cada material tem um comportamento agronômico diferente e isso precisa ser considerado na tomada de decisão”,  conclui.

  • Nova lei permite pagar até 25% a mais por milho e soja para pequenos criadores

    Nova lei permite pagar até 25% a mais por milho e soja para pequenos criadores

    Pequenos criadores rurais ganham mais opções para alimentar seus rebanhos. A Lei 15.490/26, sancionada pela Presidência da República, amplia a lista de produtos disponíveis no Programa de Venda em Balcão (ProVB).

    Até então, o programa oferecia apenas milho aos pequenos criadores. Com a mudança, a lista passa a incluir também sorgo, caroço de algodão, farelo de soja, farelo de milho e outros insumos usados na alimentação animal.

    Como funciona a compra pela Conab

    A nova lei amplia o rol de produtos que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) pode comprar para revender pelo ProVB. Com isso, a estatal facilita o acesso dos pequenos criadores aos estoques públicos que administra.

    Podem participar do programa:
    • pequenos criadores com Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ativo;
    • pequenos criadores sem o cadastro que atendam aos limites de renda do Programa Nacional de
    • Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e explorem imóvel rural de até 10 módulos fiscais; e
    • cooperativas agropecuárias e associações de agricultores familiares com CAF ativo.
    • Conab pode pagar até 25% acima do preço mínimo

    A lei também altera a Lei 8.171/91 e cria leilões públicos para formar estoques de produtos agrícolas. Por meio desses leilões, a Conab poderá comprar de produtores rurais e cooperativas produtos da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) pagando até 25% acima do preço mínimo estabelecido.

    A estatal também ganha autorização para vender estoques públicos diretamente a ações de abastecimento e segurança alimentar, incluindo pequenas empresas, associações e cooperativas.

    Limites de compra e novas regras de gestão

    O limite mensal de compra continua em 27 toneladas para pequenos criadores e sobe para até 80 toneladas no caso de cooperativas e associações.

    Por outro lado, a lei extingue o teto anual de 200 mil toneladas para as compras do ProVB. A partir de agora, o Poder Executivo definirá o volume a cada ano, conforme a disponibilidade orçamentária e financeira.

    A gestão do programa também muda: os ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, da Agricultura e Pecuária e da Fazenda passam a exercer juntos as competências relacionadas ao ProVB.

    Origem da lei

    A nova legislação tem origem no Projeto de Lei 1384/11, apresentado pelo ex-deputado e atual senador Beto Faro (PT-PA). A Câmara dos Deputados aprovou o texto em maio e o Senado, em agosto.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Baristas de todo o Brasil disputam título nacional dentro do Mercadão de SP

    Baristas de todo o Brasil disputam título nacional dentro do Mercadão de SP

    A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) promove, entre os dias 3 e 5 de setembro, os Campeonatos Brasileiros de Latte Art e de Coffee in Good Spirits (CIGS) 2026. São Paulo sedia as disputas no Espaço de Eventos do Mercado Municipal Paulistano, o Mercadão, com o Santuário do Café à frente da organização das etapas.

    Na modalidade Latte Art, os baristas desenham com leite vaporizado sobre o café especial e colocam à prova tanto a técnica quanto a criatividade. Cada competidor envia previamente uma foto do desenho que pretende reproduzir e tem oito minutos para criar dois pares de xícaras baseados nessa arte.

    Os jurados avaliam a técnica e o resultado visual dos desenhos. Quem apresentar a melhor performance leva o título de campeão brasileiro e assume a vaga de embaixador dos cafés especiais do país no Campeonato Mundial de Latte Art, marcado para 17 a 19 de junho de 2027, em Lisboa, durante a feira World of Coffee Lisbon.

    Como funciona o Coffee in Good Spirits

    Já o Campeonato Brasileiro de Coffee in Good Spirits testa as habilidades de mixologia dos participantes. Cada barista tem dez minutos para preparar quatro bebidas por rodada (duas quentes ou mornas idênticas e duas frias idênticas), sempre combinando café, que precisa ser a base da receita, com álcool.

    Tomate, café e leite elevam preços dos alimentos em abril, aponta IBGE. Leia e fique por dentro do levantamento.
    Foto: Divulgação – Mapa

    Na fase final, os competidores preparam dois Irish Coffees e dois drinks autorais. Assim como na Latte Art, o vencedor representa o Brasil na etapa mundial da categoria, também disputada em Lisboa, dentro da programação da World of Coffee Lisbon.

    Quem disputa o título de Latte Art:
    • Ruan Kalebe Lopes Maltez (Campinas, SP)
    • Eduardo Olímpio dos Santos (São Paulo, SP)
    • George Leonardo Monte de Mesquita (Rio de Janeiro, RJ)
    • Ramon Dallabona (Curitiba, PR)
    • Gabriel Moreira Diniz (Rio de Janeiro, RJ)
    • Gabriel Bohn de Oliveira (Torres, RS)
    • Jeferson Luís Amaral da Rosa (Porto Alegre, RS)
    • João Victor Santos Camargo (Curitiba, PR)
    • Isis Dayene Rodrigues Correa (Gravataí, RS)
    • Tiago Gonçalves da Rocha (São Paulo, SP)
    • Felipe Silva Santos (São Paulo, SP)
    Quem disputa o título de CIGS:
    • Henrique Maruyama Wogel (Curitiba, PR)
    • Thiago Luiz dos Santos (São Paulo, SP)
    • Amanda Albuquerque (Curitiba, PR)
    • Tasmin Pereda Kihara (São José do Rio Preto, SP)
    • Emerson Nascimento (Rio de Janeiro, RJ)
    • Leonardo de Souza Oliva (Curitiba, PR)
    • Luiz Felipe Rocha da Silva (Brasília, DF)
    • Victor César Martins Cordeiro Silva (Salvador, BA)
    • Gustavo Machado Leão (Porto Alegre, RS)
    • Guilherme Barbosa Lima (Curitiba, PR)

    Sobre os Campeonatos Brasileiros de Barismo

    Desde 2016, a BSCA representa oficialmente o Brasil junto à World Coffee Events (WCE), entidade que organiza o World Barista Championship (WBC) e detém os direitos das competições em todo o mundo.

    Essa condição autoriza a Associação a realizar as etapas classificatórias que levam os campeões brasileiros às finais internacionais em sete modalidades: Barista, Latte Art, Brewers, Coffee in Good Spirits, Cup Tasters, Roasters e Cezve Ibrik, esta última sem etapa nacional no Brasil.