Categoria: Pecuária

  • Preço do leite sobe 33% no primeiro semestre

    Preço do leite sobe 33% no primeiro semestre

    O preço do leite pago ao produtor voltou a subir em junho e acumulou alta de 33,1% no primeiro semestre de 2026. Levantamento do Cepea, da Esalq/USP, mostra que o valor médio chegou a R$ 2,7464 por litro na Média Brasil líquida.

    O preço avançou 3,02% em relação a maio. No entanto, ficou 0,86% abaixo do registrado em junho de 2025, considerando os valores corrigidos pelo IPCA de junho de 2026. Além disso, a média do primeiro semestre alcançou R$ 2,4659 por litro. Apesar da recuperação, esse valor permanece 14% inferior ao do mesmo período do ano passado.

    Segundo o Cepea, a valorização ocorreu porque o mercado de derivados permaneceu firme. Ao mesmo tempo, a captação de leite cresceu abaixo do esperado em algumas regiões. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) aumentou 2,76% entre maio e junho na Média Brasil. Entretanto, no acumulado de 2026, o indicador ainda registra queda de 11,4%.

    Custo Operacional Efetivo

    Enquanto isso, o Custo Operacional Efetivo (COE) permaneceu praticamente estável em junho. O índice avançou apenas 0,24% na Média Brasil. Esse resultado reflete a queda dos preços das matérias-primas usadas nas rações. Por outro lado, a maior demanda pelo produto contribuiu para limitar esse movimento. No acumulado do primeiro semestre, o COE registrou alta de 2,04%.

    Mercado de derivados

    No mercado de derivados, os preços da muçarela e do leite em pó ficaram praticamente estáveis em junho. Pesquisa do Cepea, com apoio da OCB, aponta altas de 0,08% e 0,38%, respectivamente. Com isso, a muçarela foi negociada, em média, a R$ 35,19 por quilo. Já o leite em pó atingiu R$ 31,89 por quilo.

    Por outro lado, o leite UHT registrou queda de 3,07% frente a maio. O preço médio ficou em R$ 4,53 por litro.

    Importações

    No mercado internacional, as importações brasileiras de lácteos recuaram 4,17% entre maio e junho. Segundo dados da Secex, o volume totalizou 216,76 milhões de litros em equivalente leite.

    Na comparação anual, porém, as compras externas cresceram 35,11%. Além disso, o volume importado no primeiro semestre ficou 14% acima do registrado no mesmo período de 2025.

    Para os próximos meses, o Cepea avalia que os estoques reduzidos e o avanço mais lento da captação mantêm elevada a concorrência pela matéria-prima. Por isso, a expectativa é de estabilidade com viés de alta nos preços. Ao mesmo tempo, o terceiro trimestre deve registrar aumento gradual da oferta de leite.

  • Boi gordo abre a semana estável

    Boi gordo abre a semana estável

    O mercado do boi gordo iniciou a semana com pouca movimentação e preços praticamente estáveis em todo o país. Levantamento divulgado pela Scot Consultoria nesta segunda-feira (28) mostra que, das 33 regiões acompanhadas, 29 mantiveram as cotações inalteradas.

    As únicas altas foram registradas no norte de Minas Gerais, no sudoeste de Mato Grosso e no Rio de Janeiro. Já a única queda ocorreu em Roraima.

    Preço do boi gordo segue em R$ 344 nas principais praças

    Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), que servem de referência para o mercado nacional, o boi gordo permaneceu cotado em R$ 344 por arroba, considerando o pagamento a prazo.

    As cotações do chamado “boi China”, além da vaca gorda e da novilha, também permaneceram estáveis ao longo do dia.

    Segundo a Scot Consultoria, parte das indústrias ainda não retomou as compras nesta semana e concentrou esforços na definição das estratégias comerciais. Entre os frigoríficos que atuaram no mercado, prevaleceram as mesmas referências de preços observadas na sexta-feira anterior.

    Algumas unidades chegaram a oferecer valores inferiores, mas não houve fechamento de negócios nesses patamares.

    Atacado registra valorização da carne bovina

    Enquanto o mercado do boi gordo permaneceu estável, o atacado apresentou alta nas cotações da carcaça bovina.

    De acordo com a Scot, o movimento foi impulsionado pela combinação entre maior procura e menor oferta de carne, resultado da redução no ritmo dos abates.

    Mesmo com o avanço dos preços, os atacadistas mantiveram as compras de forma moderada para evitar excesso de estoques. A expectativa é que os valores permaneçam firmes até o início de agosto.

    Exportações seguem em ritmo forte

    O desempenho das exportações continua sendo um dos principais fatores de sustentação do mercado pecuário brasileiro.

    Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, nos primeiros 18 dias úteis de julho, o Brasil embarcou 195,214 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 10,845 mil toneladas.

    Além do elevado volume exportado, o preço médio pago pelo produto segue em um dos maiores patamares do ano, alcançando US$ 6.368,90 por tonelada.

    Brasil avança para abrir mercado na Coreia do Sul

    Outro fator acompanhado pelo setor é o avanço das negociações para ampliar os mercados compradores da carne bovina brasileira.

    Uma missão técnica da Coreia do Sul deve visitar o Brasil em agosto para inspecionar frigoríficos nacionais. A etapa é considerada decisiva para a abertura do mercado sul-coreano às exportações brasileiras.

    Caso o processo seja concluído, o país poderá ampliar sua presença na Ásia e diversificar ainda mais os destinos da carne bovina produzida no Brasil, fortalecendo a competitividade do setor no comércio internacional.

  • Vacas tokenizadas viram garantia para crédito rural na B3

    Vacas tokenizadas viram garantia para crédito rural na B3

    O agronegócio brasileiro deu um passo inédito ao transformar vacas leiteiras monitoradas em garantias digitais registradas oficialmente na B3, ampliando as possibilidades de acesso ao crédito rural. A primeira operação formal movimentou R$ 100 mil e foi estruturada pela fintech Target FIDC com tecnologia desenvolvida pela agtech brasileira Cowmed.

    Na prática, produtores podem utilizar animais monitorados como garantia em operações financeiras, reduzindo a necessidade de vistorias presenciais e aumentando a confiança das instituições de crédito.

    Como funciona a tokenização das vacas

    O sistema utiliza coleiras inteligentes e sensores instalados nos animais para coletar informações em tempo real sobre saúde, comportamento e localização do rebanho.

    Esses dados são convertidos em um código digital exclusivo para cada vaca, conhecido como token. Esse registro eletrônico acompanha o contrato de financiamento e é oficialmente registrado na B3, funcionando como uma garantia financeira do ativo biológico.

    Segundo Thiago Martins, CEO da Cowmed, a tecnologia permite que um bem físico seja integrado ao mercado financeiro de forma segura e compatível com as exigências de compliance das instituições.

    “Transformamos um ativo real em um ativo digital monitorado continuamente. Isso cria uma nova alternativa de garantia justamente em um momento de maior restrição ao crédito no agronegócio”, afirma.

    Tecnologia reduz riscos para bancos e instituições financeiras

    Um dos principais desafios para aceitar rebanhos como garantia sempre foi a dificuldade de acompanhar a localização e as condições dos animais.

    De acordo com Humberto Brenner, diretor da Target FIDC, essa falta de informações fazia com que bancos aplicassem grandes descontos sobre o valor do rebanho.

    Com o monitoramento em tempo real, o financiador consegue acompanhar a situação dos animais durante toda a vigência da operação, permitindo que a garantia seja avaliada mais próxima do seu valor de mercado.

    Segundo Brenner, uma vaca avaliada em R$ 20 mil poderia ser aceita anteriormente como garantia por apenas R$ 8 mil. Com a digitalização e o acompanhamento contínuo, essa diferença tende a diminuir.

    Produtor ganha maior acesso ao crédito rural

    A nova modalidade oferece vantagens diretas ao pecuarista, como maior valor de garantia usando o mesmo rebanho, acesso ao crédito facilitado, recursos com livre utilização e redução da burocracia nas operações financeiras.

    Dessa forma, os recursos podem ser utilizados para compra de máquinas, investimentos na fazenda, aquisição de insumos ou cobertura de despesas do ciclo produtivo.

    Sistema também reduz riscos de fraude

    Outro benefício apontado pelas empresas é a segurança jurídica da operação.

    Cada animal recebe um código digital exclusivo registrado na B3, impedindo que o mesmo rebanho seja utilizado simultaneamente como garantia em diferentes financiamentos.

    Além disso, caso algum animal morra durante o contrato, o produtor pode substituir rapidamente a garantia por outro integrante do rebanho.

    Segundo a Cowmed, as operações já são estruturadas com aproximadamente 20% de animais adicionais justamente para reduzir riscos biológicos e manter a segurança do financiamento.

    Mercado pode movimentar centenas de milhões de reais

    Atualmente, a Cowmed monitora cerca de 100 mil vacas leiteiras em mais de 1 mil propriedades rurais.

    O patrimônio estimado desses animais chega a aproximadamente R$ 2 bilhões.

    A expectativa da empresa é que cerca de 20% desse rebanho utilize a nova modalidade de crédito, o que representa um potencial de R$ 400 milhões em operações financeiras.

  • Brasil atinge quase 80% da cota de carne bovina na China

    Brasil atinge quase 80% da cota de carne bovina na China

    O Brasil já utilizou 78,86% da cota anual de exportação de carne bovina para a China, segundo dados divulgados pelo governo chinês. O avanço do volume importado pelo principal comprador da proteína brasileira fez exportadores considerarem que o limite está praticamente esgotado, o que já provoca mudanças na rotina dos frigoríficos.

    As informações da Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC) e do Ministério do Comércio (Mofcom) mostram que 872,2 mil toneladas de carne bovina in natura produzida no Brasil foram internalizadas no país asiático entre janeiro e junho. Somente em junho, entraram 148,7 mil toneladas.

    A cota brasileira para 2026 é de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de importação de 12%. Acima desse limite, os embarques ficam sujeitos a sobretaxa de 55%, além da possibilidade de devolução das cargas ou atraso na liberação aduaneira.

    Frigoríficos já reduzem produção e embarques

    Mesmo antes do preenchimento total da cota, frigoríficos habilitados a exportar para a China começaram a adaptar suas operações.

    Entre as medidas adotadas estão:

    • redução do ritmo de abates;
    • férias coletivas;
    • ajustes na produção;
    • suspensão de cortes específicos destinados ao mercado chinês;
    • diminuição dos embarques durante julho.

    A estratégia busca evitar que a carne chegue à China após o esgotamento do limite tarifário, o que elevaria significativamente os custos de importação.

    Diferença entre embarques e cargas já internalizadas

    Existe uma diferença entre os dados brasileiros de exportação e os números divulgados pelas autoridades chinesas.

    Enquanto o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) registra 774,1 mil toneladas exportadas em 2026, o governo chinês contabiliza volumes embarcados ainda em 2025 que foram desembarcados somente neste ano.

    Segundo exportadores, cerca de 227,7 mil toneladas seguem em trânsito para a China. Considerando esse volume, restariam aproximadamente 5,9 mil toneladas livres dentro da atual cota.

    Mercado espera esgotamento da cota em agosto

    A expectativa do setor é que a China confirme ainda nesta semana o preenchimento de 80% da cota brasileira e alcance 100% durante agosto.

    O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou na semana passada que o Brasil deve encerrar 2026 com aproximadamente 900 mil toneladas exportadas para o mercado chinês.

    A previsão é que a produção destinada ao país asiático seja retomada em outubro, com novos embarques previstos para novembro, já considerando a abertura da cota de 2027.

    Analistas acompanham ritmo da logística

    O mercado também monitora o ritmo de internalização das cargas.

    Para Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras e Mercado, o Brasil deveria ter alcançado esse percentual anteriormente.

    Segundo ele, o atraso pode estar relacionado ao tempo maior de transporte marítimo ou à demora nos procedimentos alfandegários realizados pelas autoridades chinesas.

    Outros países ainda utilizam pequena parte de suas cotas

    Enquanto o Brasil se aproxima do limite anual, outros grandes fornecedores ainda utilizam apenas parte das cotas disponíveis.

    No primeiro semestre:

    • Estados Unidos: 876 toneladas (0,53% da cota);
    • Nova Zelândia: 59,5 mil toneladas (29%);
    • Uruguai: 82,3 mil toneladas (25,4%);
    • Argentina: 239,5 mil toneladas (47%).

    Já a Austrália ultrapassou sua cota e registrou 588 toneladas acima do limite estabelecido.

    Cenário pode beneficiar concorrentes

    A Safras e Mercado avalia que o esgotamento da cota brasileira poderá abrir espaço para o aumento das exportações de países como Argentina, Uruguai e Nova Zelândia.

    A consultoria também observa crescimento da demanda por carne bovina brasileira em mercados como Estados Unidos, Hong Kong, Uruguai e Argentina. Segundo a análise, parte desse movimento pode indicar operações de triangulação comercial, permitindo que o produto alcance o mercado chinês de forma indireta.

    Ao todo, a China importou 1,5 milhão de toneladas de carne bovina in natura entre janeiro e junho, o equivalente a 56,9% da cota global de 2,6 milhões de toneladas destinada aos fornecedores internacionais em 2026. Esse cenário reforça a importância do mercado chinês para o agronegócio brasileiro e mantém o setor atento aos próximos anúncios sobre o limite de importações.

  • Seca acelera confinamento e muda a pecuária brasileira

    Seca acelera confinamento e muda a pecuária brasileira

    A seca no Brasil já transforma a pecuária e acelera investimentos em sistemas mais resilientes. Além disso, produtores reforçam o confinamento para manter a produtividade e reduzir riscos climáticos. O movimento ganhou força após 2024 registrar uma das secas mais severas das últimas quatro décadas.

    Agora, a previsão de retorno do El Niño aumenta a preocupação no campo. O fenômeno altera os padrões de chuva e amplia os desafios para a produção agropecuária. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), 2024 entrou para a história como um dos anos mais secos das últimas quatro décadas. O órgão também alerta que esse cenário pode voltar durante novos ciclos climáticos adversos.

    Impactos das mudanças climáticas na pecuária

    As mudanças climáticas já afetam diretamente a pecuária de corte, um dos principais segmentos do agronegócio brasileiro. Além da redução das chuvas, os incêndios agravam os prejuízos nas propriedades rurais.

    Um estudo do Climate Policy Initiative, da PUC-Rio e do projeto Amazônia 2030, estima perdas de R$ 14,7 bilhões no campo em 2024. Desse total, R$ 8 bilhões atingiram diretamente a pecuária e as pastagens. Os pesquisadores atribuem o agravamento dos incêndios à influência do El Niño.

    Impactos da seca na pecuária

    Segundo Bruno Nolasco, gerente de negócio agro da Belgo Arames, os impactos da seca começam antes dos incêndios. Ele explica que a falta de chuva reduz a qualidade das pastagens e limita a oferta de alimento. Com isso, os pecuaristas precisam adaptar o manejo para preservar o desempenho do rebanho.

    Nesse cenário, o confinamento avança como uma das principais estratégias da pecuária brasileira. O sistema garante alimentação balanceada, acelera o ganho de peso e reduz o tempo até o abate. Além disso, melhora a previsibilidade da produção e otimiza o uso das áreas disponíveis.

    Entretanto, o confinamento exige planejamento nutricional, água disponível e manejo sanitário eficiente. A infraestrutura também exerce papel decisivo para o sucesso da atividade. Segundo Nolasco, cercamentos bem planejados organizam a operação, reduzem o estresse animal e evitam perdas.

    Além disso, materiais mais resistentes aumentam a segurança e diminuem a necessidade de manutenção. As estruturas de sombreamento também ganharam importância nos confinamentos. Elas proporcionam conforto térmico e bem-estar animal durante períodos de temperaturas elevadas. Por isso, essas estruturas exigem materiais duráveis e preparados para as condições do ambiente rural.

    Soluções focadas na eficiência

    Diante desse cenário, soluções voltadas à resistência e à eficiência operacional ganham espaço na pecuária. A Belgo Arames desenvolve cordoalhas Belgo Cordaço e Belgo Remanga para suportar condições adversas. Para Bruno Nolasco, a escolha dos materiais influencia diretamente a segurança da operação e a durabilidade das estruturas.

  • Preços da carne bovina e suína caem; frango sobe

    Preços da carne bovina e suína caem; frango sobe

    O mercado atacadista da Grande São Paulo registra queda nos preços das carnes bovina e suína nesta parcial de julho. Em contrapartida, o frango resfriado acumula alta no mesmo período. O levantamento do Cepea considera as negociações realizadas entre 30 de junho e 14 de julho.

    O consumo doméstico moderado explica a retração das cotações das carnes bovina e suína. Além disso, o atacado costuma repor estoques com mais cautela na primeira quinzena de julho.

    No mercado bovino, a queda do preço da arroba reduz o ritmo das negociações. Ao mesmo tempo, a dificuldade para repassar os preços ao varejo também limita os negócios. Por outro lado, a oferta mais restrita de animais terminados e o bom desempenho das exportações impedem desvalorizações mais acentuadas da carne bovina.

    Carnes suína e de frango

    Na carne suína, as exportações seguem aquecidas. Entretanto, a demanda doméstica enfraquecida continua pressionando as cotações no mercado interno.

    Já o frango apresenta desempenho mais favorável. Conforme o Cepea, a proteína mantém preço mais competitivo que as demais carnes.

    Com isso, muitos consumidores substituem a carne bovina e a suína pelo frango. Como resultado, a demanda permanece firme e sustenta os preços.

    O que vem pela frente?

    Para a segunda quinzena de julho, o Cepea avalia que o mercado da carne bovina dependerá da demanda doméstica e da oferta de animais para abate. Se o consumo não reagir de forma consistente, a pressão sobre os preços das carnes bovina e suína deve continuar no atacado. Enquanto isso, o frango poderá manter a valorização caso a procura permaneça aquecida.

  • Gestão da pecuária de corte ganha sistema com rastreabilidade

    Gestão da pecuária de corte ganha sistema com rastreabilidade

    O Broto e a agtech iRancho lançaram o Broto Gestão Pecuária, novo sistema de gestão da pecuária de corte. A plataforma oferece rastreabilidade individual dos animais e uma visão completa da produção. A solução permite ao pecuarista controlar o rebanho com mais eficiência. Além disso, melhora a produtividade e apoia decisões baseadas em dados confiáveis.

    Segundo empresas responsáveis pelo sistema, clientes relatam redução de até 50% no tempo dedicado ao manejo. Além disso, informam aumento de até duas vezes no giro de caixa com o abate precoce. De acordo com o CEO da iRancho, Thiago Parente, a ferramenta busca transformar a gestão da pecuária brasileira.

    Segundo ele, o sistema ajuda o produtor a identificar perdas financeiras. Também permite conhecer os custos reais e tomar decisões baseadas em informações concretas. Ainda conforme Parente, muitos pecuaristas movimentam altos valores. No entanto, enfrentam dificuldades para acompanhar a gestão interna da propriedade.

    Para Alberto Martinhago, diretor de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, o Broto Gestão Pecuária fortalece o ecossistema de inovação no campo. Ele afirma que sistemas de gestão ajudam a reduzir riscos na atividade rural. Além disso, incentivam uma pecuária mais rentável, eficiente e sustentável.

    José Evaldo Gonçalo, presidente do Broto, destaca que a plataforma amplia o acesso dos pecuaristas à tecnologia. Segundo ele, a gestão eficiente e a rastreabilidade definirão o futuro da pecuária brasileira. A integração da tecnologia da iRancho amplia esse acesso.

    Sistema organiza dados da fazenda

    O Broto Gestão Pecuária reúne informações que antes permaneciam dispersas na propriedade. Assim, o produtor consegue organizar melhor a gestão da fazenda.

    A plataforma funciona mesmo sem conexão com a internet. Dessa forma, o manejo e a coleta de dados podem ocorrer totalmente offline. Além disso, o sistema apresenta interface simples. Com isso, equipes de diferentes tamanhos podem adotar a gestão digital com facilidade.

    Rastreabilidade bovina avança no Brasil

    O lançamento ocorre em um momento de mudanças na pecuária. A rastreabilidade deixa de ser diferencial e passa a integrar as exigências do mercado. Em 2025, a Federação Brasileira de Bancos publicou norma para impedir o financiamento de atividades ligadas ao desmatamento ilegal.

    Além disso, a Lei Antidesmatamento da União Europeia proibirá, a partir de dezembro de 2026, produtos provenientes de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. Ao mesmo tempo, o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos estabelece a identificação individual obrigatória dos animais até 2032. A iniciativa, criada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, busca ampliar a rastreabilidade dos bovinos e búfalos em todo o país.

  • Touros Angus passam por estudo para produção de carne mais macia

    Touros Angus passam por estudo para produção de carne mais macia

    A Associação Brasileira de Angus iniciará um estudo inédito para identificar quais touros da raça têm maior potencial para produzir animais cruzados de melhor qualidade com vacas zebuínas, principalmente Nelore.

    A iniciativa pretende aumentar a previsibilidade da qualidade da carne, elevar a eficiência da pecuária e ampliar o número de bovinos certificados pelo Programa Carne Angus.

    O projeto utilizará informações genéticas e dados de carcaça para entender como características desejáveis da raça Angus são transmitidas aos animais meio-sangue, hoje responsáveis pela maior parte dos abates certificados pelo programa.

    Pesquisa começa em julho

    A fase de campo terá início amanhã, 14 de julho, com a coleta de aproximadamente 6 mil amostras genéticas de fêmeas meio-sangue que passarão pela certificação.

    A expectativa da Associação Brasileira de Angus é divulgar uma primeira relação preliminar de touros melhoradores em 2027.

    Em uma etapa posterior, o projeto pretende ampliar as coletas para 10 mil animais e realizar análises físico-químicas em 3 mil amostras de carne.

    Segundo Carolina Silveira, assistente de fomento e coordenadora da Instituição Científica Tecnológica (ICT) da Associação Brasileira de Angus, o objetivo é entender como ocorre a transmissão das características da raça pura para os animais oriundos do cruzamento industrial.

    “Todas as informações de carcaça que temos hoje dentro da raça Angus foram desenvolvidas com base na raça pura. Queremos entender como essas características passam para os bezerros quando ocorre essa heterose.”

    Tecnologia inédita para coleta das amostras

    O estudo utilizará um protocolo desenvolvido a partir da tecnologia TSU, permitindo retirar amostras diretamente do tecido muscular das carcaças resfriadas.

    A metodologia adapta uma técnica antes utilizada apenas para coleta de cartilagem da orelha e conta com o apoio da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS).

    Novas ferramentas para o melhoramento genético

    A base de dados permitirá desenvolver novas Diferenças Esperadas de Progênie (DEPs), indicadores utilizados para estimar o desempenho genético dos descendentes.

    Entre os objetivos futuros está a criação de uma DEP voltada especificamente para a maciez da carne.

    De acordo com Carolina Silveira, a demanda do consumidor por carnes mais macias, suculentas e padronizadas reforça a importância desse tipo de pesquisa.

    Ela destaca que já existem excelentes animais meio-sangue, mas a iniciativa fornecerá informações mais precisas para orientar a escolha dos reprodutores.

    Segundo a pesquisadora, essa padronização aumenta as chances de certificação dos animais nos programas de qualidade, o que pode elevar a remuneração recebida pelos pecuaristas.

    Benefícios também para a sustentabilidade

    Além do ganho em qualidade, o projeto também pode contribuir para uma produção mais sustentável.

    Animais geneticamente mais eficientes tendem a atingir o peso de abate mais cedo, reduzindo o consumo de insumos, produção de dejetos e emissão de gases.

    Programa Carne Angus busca reduzir desclassificações

    Em 2024, o Programa Carne Angus registrou 612,2 mil abates certificados, crescimento de 20% em relação ao ano anterior.

    Apesar do avanço, cerca de um em cada quatro animais deixa de ser certificado por problemas relacionados ao acabamento de carcaça ou à idade.

    Segundo o gerente nacional do programa, Maychel Borges, identificar os touros com melhor desempenho no cruzamento com raças zebuínas permitirá aumentar tanto a qualidade quanto o número de animais certificados.

    “Com esses dados em mãos, nós conseguimos melhorar o jogo e trazer bons frutos ao produtor, que é o grande objetivo do programa”, resume Borges.

  • Novo software reduz consanguinidade e acelera ganho genético no Gir Leiteiro

    Novo software reduz consanguinidade e acelera ganho genético no Gir Leiteiro

    A pecuária leiteira brasileira ganhou um novo aliado tecnológico para equilibrar dois objetivos que, historicamente, competem entre si: acelerar o ganho genético e conter a consanguinidade dos rebanhos. A Embrapa Gado de Leite (MG) e a Associação Brasileira de Criadores de Gado Gir Leiteiro (ABCGIL) desenvolveram em parceria um sistema de simulação de acasalamentos que amplia a eficiência da seleção genética e monitora a endogamia na raça Gir Leiteiro.

    O pesquisador da Embrapa Gado de Leite João Cláudio Panetto descreve a ferramenta como um consultor digital para o produtor. O software cruza valores genéticos estimados e parentescos genômicos e indica, a partir desses dados, os acasalamentos mais produtivos e geneticamente seguros.

    Como a endogamia ameaça a produtividade do rebanho

    A endogamia surge como subproduto natural da seleção intensa, explica o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Marcos Barbosa da Silva. Quando o produtor utiliza repetidamente os touros líderes de sumários (catálogos técnicos que reúnem os resultados de avaliações genéticas de bovinos) para acelerar a produção de leite, a base genética da raça tende a estreitar. Esse processo abre espaço para a chamada depressão endogâmica, que produz o efeito inverso do desejado, segundo Silva.

    Foto: Rubens Neiva / Embrapa

    A depressão endogâmica reduz a fertilidade dos animais, diminui a persistência da lactação, encurta a longevidade das vacas e favorece o aparecimento de anomalias genéticas.

    O software identifica riscos antes da inseminação

    O novo sistema ataca esse problema na origem. Ao simular o acasalamento entre uma matriz e um touro do sumário, ou mesmo um touro que ainda não teve seus resultados publicados, o programa calcula instantaneamente o coeficiente de consanguinidade do futuro produto. Quando esse índice ultrapassa os limites biológicos recomendados, o sistema emite um alerta. E oferece ao produtor alternativas de reprodutores que mantêm o ganho genético sem comprometer a saúde do plantel.

    O Laboratório de Bioinformática e Genômica Animal (LBGA) da Embrapa Gado de Leite comanda o processamento dessa densa massa de dados. E transforma a ciência em recomendação prática para o campo. O avanço da genotipagem em larga escala multiplicou o volume de informações disponível por animal: de dezenas de dados de pedigree, os pesquisadores hoje analisam centenas de milhares de marcadores moleculares, os SNPs.

    O laboratório funciona como o motor analítico do programa. Ele processa algoritmos complexos que predizem valores genéticos no formato de PTA (Predicted Transmitting Ability, ou Habilidade Prevista de Transmissão). E calculam os parentescos genômicos entre todos os pares possíveis de touros e vacas, o que garante ao produtor um teto seguro para os acasalamentos.

    Quatro funções ampliam o controle sobre o rebanho

    A inteligência analítica estruturada pelo Laboratório de Bioinformática entrega soluções que vão além do controle de parentesco, segundo Panetto. O sistema reúne quatro funções principais:

    • Otimização pelo novo IPGL — o sistema calibra as sugestões com base no Índice de Produção do Gir Leiteiro (IPGL) reformulado, que equilibra volume de leite, sólidos (gordura e proteína) e precocidade sexual.
    • Filtro de doenças hereditárias — o programa testa todos os touros e libera apenas animais sem mutações recessivas para enfermidades fatais ou debilitantes, como DUMPS (Deficiência da Uridina Monofosfato Sintase), CVM (Doença do Complexo de Má Formação Vertebral) e BLAD (Deficiência de Adesão Leucocitária Bovina).
    • Segmentação para qualidade do leite — o produtor filtra reprodutores com base na genotipagem para as variantes de beta-caseína, que definem a produção de leite A2, e de kappa-caseína, ligada diretamente ao maior rendimento na fabricação de queijos.
    • Predição para Fertilização In Vitro (FIV) — o software incorpora estimativas genéticas voltadas para a eficiência reprodutiva das doadoras, na produção de óvulos, e atende assim a uma demanda central dos criadores que utilizam biotecnologias de reprodução assistida.

    A ferramenta consolida a transição para a bioeconomia digital

    O papel do Laboratório de Bioinformática e Genômica Animal reforça a transição da pesquisa agropecuária tradicional para a era da bioeconomia digital. Ao centralizar as análises no LBGA, a Embrapa garante que os modelos preditivos acompanhem a evolução demográfica da raça em tempo real.

    Foto: Rubens Neiva / Embrapa

    Para os criadores associados à ABCGIL, a tecnologia representa a democratização do melhoramento genético de precisão. O acesso rápido a relatórios de simulação reduz o erro na fazenda e diminui custos com descartes involuntários. Além de consolidar a competitividade do Gir Leiteiro nos mercados nacional e internacional.

    Consanguinidade descontrolada cobra um preço alto do produtor

    Silva alerta que a busca por acelerar o ganho genético pode criar uma armadilha invisível para o rebanho quando o produtor recorre repetidamente a poucos reprodutores de destaque. O acasalamento entre animais aparentados estreita a base genética e origina a depressão endogâmica, um fenômeno biológico que afeta diretamente o bolso do produtor.

    A consanguinidade sem controle produz quatro impactos principais:

    • Queda na produção e na persistência — níveis elevados de endogamia reduzem a produção total por lactação e a capacidade da vaca de manter o pico de produção por mais tempo.
    • Prejuízos reprodutivos — a taxa de abortos aumenta significativamente, cresce a incidência de natimortos, repetem-se as crias e atrasa a idade ao primeiro parto das novilhas.
    • Vulnerabilidade imunológica — animais com endogamia elevada tendem a apresentar um sistema imune mais frágil. Isso eleva a incidência de doenças comuns no manejo leiteiro, como a mastite.
    • Manifestação de defeitos genéticos — genes recessivos prejudiciais, que normalmente ficariam ocultos, passam a se encontrar. Esse cruzamento resulta no nascimento de bezerros com malformações ou síndromes metabólicas fatais.

    Os pesquisadores da Embrapa Gado de Leite recomendam manter o coeficiente de consanguinidade individual de cada animal abaixo de 6,25%. Acima desse patamar, as perdas zootécnicas e econômicas tendem a se tornar evidentes no dia a dia da propriedade.

    O modelo se expande para além do Gir Leiteiro

    O software gerido pela ABCGIL atende, por enquanto, exclusivamente o universo do Gir Leiteiro. Ainda assim, a inteligência científica desenvolvida pela Embrapa Gado de Leite já funciona como matriz tecnológica para toda a cadeia pecuária nacional, e o modelo de predição de endogamia e seleção molecular avança em duas frentes:

    1. Plataforma Genômica Multirracial — uma iniciativa inédita vai integrar os bancos de dados da ABCGIL (Gir Leiteiro), da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando e da Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (ABCBRH). O produtor poderá simular e prever com precisão o resultado do cruzamento entre raças puras e sintéticas. E assim otimizar a formação do rebanho mestiço diretamente pelo sistema.
    2. Sistemas equivalentes no setor — o conceito de acasalamento dirigido por bioinformática já se replica nas principais entidades da pecuária. A Associação de Criadores da Raça Girolando mantém ferramentas dedicadas a monitorar a consanguinidade e fixar as frações de grau de sangue ideais (1/2, 3/4 e 5/8). A ABCBRH utiliza índices genômicos para gerenciar a diversidade genética de uma base com mais de 2 milhões de animais registrados. E a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) disponibiliza módulos de acasalamento que calculam a consanguinidade predita pelo pedigree, também para outras raças zebuínas de aptidão leiteira, como Guzerá e Sindi.

    A padronização dessas ferramentas de precisão pela Embrapa garante que, independentemente da raça escolhida, o produtor brasileiro tenha acesso a decisões baseadas em dados. E consiga mitigar prejuízos econômicos antes mesmo da inseminação ou da transferência de embrião.

  • Brasil busca acordo para evitar veto da UE à carne brasileira

    Brasil busca acordo para evitar veto da UE à carne brasileira

    Representantes da indústria da carne, pecuaristas e integrantes do Ministério da Agricultura se reúnem nesta quarta-feira (8), na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, para definir uma estratégia que evite um bloqueio da União Europeia às exportações brasileiras de proteínas animais. Se não houver acordo, o impacto comercial poderá chegar a US$ 1,8 bilhão por ano.

    A União Europeia passou a exigir que carnes e derivados importados sejam produzidos sem determinados antimicrobianos. Por isso, o bloco poderá barrar produtos brasileiros a partir de setembro caso o país não comprove o cumprimento das novas regras.

    Governo tenta unificar posição da cadeia pecuária

    O tema divide a cadeia pecuária há vários meses. De um lado, os frigoríficos defendem o banimento dos antimicrobianos exigidos pela União Europeia para preservar o acesso ao mercado europeu. Do outro, os pecuaristas rejeitam a proposta por temerem prejuízos à produtividade.

    Enquanto isso, o Ministério da Agricultura passou a exigir, desde a semana passada, o controle de todo o ciclo produtivo dos animais destinados à Europa. Além disso, determinou a segregação desses rebanhos.

    A senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina articulou a reunião para aproximar governo, indústria e produtores. Assim, ela busca construir uma estratégia única para enfrentar o impasse.

    Ministério cobra participação do setor produtivo

    Na terça-feira (7), o ministro da Agricultura, André de Paula, respondeu ao requerimento apresentado pelo deputado Evair de Melo sobre o risco de o Brasil perder a autorização para exportar carnes e derivados à União Europeia.

    Segundo o ministério, a solução depende também do setor produtivo. A pasta explicou que alguns antimicrobianos proibidos pelos europeus continuam registrados para uso na bovinocultura, avicultura e suinocultura brasileiras.

    Dessa forma, os próprios produtores precisam criar sistemas capazes de separar os animais destinados ao mercado europeu e comprovar que cumprem todas as exigências sanitárias.

    Governo afirma que alertou o setor desde 2023

    O Ministério da Agricultura informou que mantém reuniões e trocas de informações com entidades da cadeia pecuária desde 2023.

    Ao todo, o governo realizou pelo menos 32 encontros para discutir o tema. Além disso, a pasta afirmou que alertou o setor sobre a necessidade de desenvolver mecanismos próprios de controle.

    Segundo o ministério, não existia perspectiva de proibir esses medicamentos no Brasil. Por isso, o setor privado precisaria organizar sistemas de rastreabilidade e segregação para atender às exigências europeias.

    Pecuaristas rejeitam banimento da monensina

    A principal discussão envolve a monensina, substância utilizada para melhorar o desempenho e a eficiência alimentar do rebanho.

    A CNA mantém posição contrária ao banimento do produto. Segundo representantes dos pecuaristas, a retirada da monensina pode comprometer a produção de animais destinados ao chamado boi China.

    Esse mercado exige bovinos abatidos com até 30 meses de idade. Como a substância acelera o ganho de peso, muitos produtores acreditam que a proibição dificultará o atendimento desse requisito.

    Países vizinhos já adotaram outro modelo

    Argentina e Uruguai proibiram o uso dos antimicrobianos exigidos pela União Europeia. Entretanto, laboratórios desses países passaram a oferecer produtos alternativos aos pecuaristas.

    No Brasil, por outro lado, representantes do setor afirmam que ainda não existem substitutos economicamente viáveis.

    Além disso, a pecuária brasileira utiliza principalmente zebuínos. Essas raças levam mais tempo para atingir o peso ideal de abate do que as raças europeias criadas na Argentina e no Uruguai. Por esse motivo, muitos produtores consideram a monensina uma ferramenta importante para manter a competitividade das exportações brasileiras.