Autor: Beto Ribeiro

  • “Isis Valverde”, a vaca de R$ 4 milhões

    “Isis Valverde”, a vaca de R$ 4 milhões

    Uma vaca que leva o nome de uma das atrizes mais conhecidas do Brasil acaba de chamar a atenção dentro e fora do agronegócio. A matriz Ísis Valverde FIV da RS, da raça Nelore, foi avaliada em cerca de R$ 3,9 milhões após a venda de metade de sua propriedade em um dos leilões mais concorridos da pecuária nacional.

    A negociação aconteceu durante a quinta edição do Leilão Fazenda Terra Prometida & Convidados Especiais, realizado em Porto Nacional (TO). Na ocasião, a dupla sertaneja César Menotti & Fabiano adquiriu 50% da vaca por R$ 1,98 milhão. Com isso, passou a dividir a propriedade do animal com Henrique & Juliano.

    Além disso, o negócio reforça um movimento que vem ganhando força nos últimos anos. Animais de genética superior deixaram de ser apenas campeões de pista para se transformar em ativos de alto valor dentro da pecuária brasileira. Hoje, eles representam investimentos capazes de gerar retorno durante muitos anos.

    O que faz a vaca valer milhões?

    infografico sobre a vaca Isis

    O preço de uma matriz como Ísis Valverde não está ligado apenas à aparência ou aos títulos conquistados. Na verdade, o maior patrimônio está na capacidade de transmitir características desejadas para as próximas gerações.

    Cada embrião produzido, cada prenhez comercializada e cada filho nascido carregam parte desse valor genético. Dessa forma, o retorno financeiro pode continuar por muitos anos, tornando o investimento altamente atrativo para criadores que buscam elevar o nível de seus rebanhos.

    Ísis Valverde reúne justamente esse conjunto de atributos. Até o momento, a Nelore conquistou oito títulos em exposições realizadas entre 2025 e 2026 e vem sendo apontada como uma das matrizes mais promissoras da raça. Ao mesmo tempo, seu padrão racial, equilíbrio morfológico, habilidade materna e potencial de transmissão genética explicam o interesse despertado entre grandes investidores.

    Genética movimenta cifras cada vez maiores

    A pecuária de elite vive um momento de expansão. Nos últimos anos, tornou-se comum a negociação de cotas de animais, em vez da venda integral, nos principais leilões do país.

    https://www.instagram.com/p/DYkV1FDx8My/

    Assim, diferentes criadores compartilham os direitos sobre matrizes e reprodutores de alto valor. Enquanto isso, o animal continua produzindo embriões e descendentes. Consequentemente, todos os sócios participam dos resultados econômicos gerados pela genética.

    Paralelamente, a tecnologia reprodutiva acelerou esse mercado. Técnicas como fertilização in vitro e transferência de embriões permitem multiplicar rapidamente os melhores indivíduos do rebanho. Com isso, o potencial de retorno sobre o investimento aumenta de forma significativa.

    Famosos ajudam a aproximar o público da pecuária

    A presença de artistas nesse segmento também ampliou a visibilidade da pecuária de elite. Henrique & Juliano estão entre os criadores que mais investem em genética Nelore. Agora, César Menotti & Fabiano passam a integrar esse mercado ao adquirir participação em uma das matrizes mais valorizadas do país.

    https://www.instagram.com/p/DYqpbUOOGSe/

    Como resultado, essa aproximação desperta a curiosidade de quem normalmente não acompanha os leilões rurais. Afinal, cifras milionárias, celebridades e animais campeões formam uma combinação que chama atenção até de quem está distante do campo. Além disso, esse movimento ajuda a aproximar o agronegócio de um público cada vez mais amplo.

    Mercado segue em crescimento

    A valorização da genética bovina acompanha uma demanda crescente por rebanhos mais produtivos, férteis e eficientes. Ao mesmo tempo, produtores buscam animais capazes de transmitir características superiores para as futuras gerações. Por isso, investir em genética deixou de ser apenas uma questão de prestígio e passou a integrar a estratégia econômica das principais fazendas do país.

    Nesse cenário, casos como o de Ísis Valverde tendem a se tornar cada vez mais frequentes. Em outras palavras, a Nelore representa muito mais do que uma campeã de exposições. Ela simboliza um modelo de negócio que reúne ciência, tecnologia, inovação e melhoramento genético para impulsionar a produtividade da pecuária brasileira.

  • Projeto pode pagar R$ 100 por cada javali abatido no Brasil

    Projeto pode pagar R$ 100 por cada javali abatido no Brasil

    Os javalis voltaram ao centro do debate no campo brasileiro. Desta vez, não por uma nova invasão de lavouras ou ataques a rebanhos, mas por um projeto de lei que pode colocar dinheiro no bolso de quem ajuda a controlar a espécie. A proposta prevê o pagamento de R$ 100 por javali abatido.

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou o Projeto de Lei 287/2026, que cria um incentivo financeiro para pessoas físicas e jurídicas autorizadas a controlar a população de javalis.

    Os deputados votaram a matéria durante uma sessão do programa Alesc Itinerante, realizada em Araranguá, no Sul catarinense. A comissão aprovou o parecer por unanimidade.

    O deputado Camilo Martins (PL) apresentou o projeto com o objetivo de fortalecer o combate a uma espécie que ameaça a agropecuária e o meio ambiente em diversas regiões do País.

    Se o projeto avançar nas próximas etapas, o governo utilizará os recursos para compensar despesas com combustível, deslocamentos, equipamentos, munições e outros custos operacionais do manejo.

    Quem poderá receber o pagamento

    O projeto permite a participação apenas de pessoas físicas e jurídicas devidamente autorizadas.

    Além disso, os interessados deverão manter cadastro junto ao órgão ambiental competente e comprovar o abate conforme critérios que o governo definirá em regulamento específico, com pagamento de R$ 100 por javali abatido.

    Como funcionará o pagamento por javali abatido

    Em propriedades privadas, os controladores precisarão obter autorização formal do proprietário, possuidor ou arrendatário da área.

    O texto também permite que o governo estadual firme convênios com municípios e entidades parceiras para ampliar as ações de controle. Ao mesmo tempo, o Estado poderá definir regiões prioritárias de atuação conforme o nível de infestação.

    Como os javalis chegaram ao Brasil

    Espécie chegou ao Brasil nas décadas de 1980 e 1990 e hoje está presente em praticamente todo o território nacional
    Foto: Divulgação – FAEP/Senar-PR/CNA

    A história dos javalis no Brasil começou há décadas e ajuda a explicar por que o problema se tornou tão difícil de controlar.

    Criadores trouxeram os primeiros exemplares da Europa principalmente a partir da década de 1980 para produzir carne considerada exótica e de alto valor agregado.

    Com o passar dos anos, muitos criadouros encerraram as atividades ou perderam animais por falhas de contenção. Além disso, alguns proprietários abandonaram exemplares deliberadamente.

    A partir daí, a espécie iniciou uma rápida expansão pelo território nacional.

    Quando cruzaram com porcos domésticos, os javalis deram origem aos chamados javaporcos. Esses animais herdaram a rusticidade dos javalis e a alta capacidade reprodutiva dos suínos. Como resultado, produtores rurais e autoridades ambientais passaram a enfrentar um desafio ainda maior.

    Hoje, os registros da espécie alcançam praticamente todas as regiões brasileiras.

    Prejuízos que vão muito além das lavouras

    No campo, os prejuízos aparecem de forma evidente.

    Durante a noite, grupos de javalis avançam sobre plantações e deixam um rastro de destruição. Milho, soja, trigo, arroz e hortaliças figuram entre os principais alvos.

    https://www.instagram.com/reel/DZ-DXv-Ssai/?igsh=YmF4d2R3Z3J4a2Ji

    Entretanto, os danos não se limitam às lavouras.

    Os animais revolvem o solo em busca de alimento, destroem nascentes, degradam áreas de preservação e disputam espaço com espécies nativas. Em algumas regiões, produtores relatam ataques a cordeiros recém-nascidos, aves e pequenos animais.

    Além disso, a presença dos javalis amplia os riscos sanitários.

    Especialistas alertam que a espécie pode disseminar doenças capazes de atingir a produção pecuária brasileira. Entre as principais preocupações estão enfermidades que afetam rebanhos de suínos e podem comprometer mercados de exportação.

    Por esse motivo, os órgãos ambientais autorizam o controle populacional e tratam a medida como estratégica para proteger a agropecuária nacional.

    Santa Catarina concentra preocupação crescente

    Santa Catarina convive há anos com o avanço dos javalis.

    A combinação de áreas agrícolas, fragmentos florestais e condições climáticas favoráveis impulsionou a expansão da espécie. Em várias regiões, produtores acumulam perdas e enfrentam dificuldades para conter a proliferação.

    Nesse contexto, surgiu a proposta de incentivo financeiro.

    Os defensores do projeto argumentam que os custos do manejo afastam parte dos controladores habilitados. Por isso, eles acreditam que o pagamento poderá estimular novas ações de controle e reduzir os prejuízos acumulados no campo.

  • Parto raro: Ovelha dá à luz trigêmeos em Santa Catarina

    Parto raro: Ovelha dá à luz trigêmeos em Santa Catarina

    A manhã ainda amanhecia fria em Rancho Queimado, na Serra Catarinense, quando uma ovelha começou a dar sinais de que o parto estava próximo. Pouco depois, vieram os primeiros balidos. Então, uma surpresa atrás da outra: nasceram três cordeiros, um macho e duas fêmeas.

    A cena rapidamente virou motivo de comemoração na propriedade rural. Afinal, embora os partos de gêmeos sejam relativamente comuns na ovinocultura, a chegada de trigêmeos é uma raridade até para criadores mais experientes.

    A mãe dos filhotes pertence à raça East Friesian, originária da Alemanha e considerada uma das principais raças leiteiras do mundo. Os animais são conhecidos pela elevada produção de leite e pela capacidade reprodutiva superior à de muitas outras raças ovinas.

    O médico-veterinário Leonardo Käufer, responsável pelo manejo da propriedade, afirma que os partos gemelares fazem parte da rotina do rebanho. Ainda assim, a chegada de três cordeiros saudáveis em um mesmo nascimento continua sendo um acontecimento incomum.

    Embrapa considera partos trigemelares uma ocorrência excepcional

    Imagens de ovelhas trigêmeas com a mãe em Santa Catarina
    Reprodução: Arquivo Pessoal

    A Embrapa Pecuária Sul também classifica esse tipo de nascimento como uma ocorrência excepcional. No estudo “A Prolificidade e a Produção Ovina”, os pesquisadores José Carlos Ferrugem Moraes e Carlos José Hoff de Souza classificam os partos de trigêmeos como “uma ocorrência excepcional, com uma prevalência de menor que 1 parto em cada mil registrados”.

    Os pesquisadores também destacam que os nascimentos múltiplos são influenciados por diversos fatores, entre eles a raça, a genética, a idade e a condição nutricional das matrizes.

    No campo, a natureza costuma trabalhar em silêncio. Primeiro, a ovelha entra em melhores condições corporais. Depois, os hormônios fazem sua parte. Meses mais tarde, a surpresa pode surgir no aprisco.

    Genética e alimentação contribuíram para o nascimento raro

    Segundo Leonardo Käufer, a genética da raça East Friesian e o manejo nutricional conhecido como flushing favoreceram o nascimento dos trigêmeos.

    Nesse manejo, os produtores aumentam a oferta de energia na alimentação da ovelha antes do período reprodutivo. Com isso, estimulam a ovulação e, consequentemente, elevam as chances de prenhezes múltiplas.

    Embora a gestação de três filhotes imponha maior exigência física à matriz, tanto a mãe quanto os cordeiros estão em bom estado de saúde. Os filhotes nasceram menores do que o habitual, algo considerado esperado em partos desse tipo.

    Por isso, a propriedade adotou um acompanhamento mais próximo e reforçou o suporte nutricional da ovelha para auxiliar sua recuperação e garantir o desenvolvimento dos cordeiros.

    Propriedade aposta na produção de leite e derivados artesanais

    A fazenda de Rancho Queimado abriga cerca de 130 ovinos, divididos entre animais destinados à produção de carne e de leite. Além disso, a família investe na produção de derivados artesanais, como queijos e doces de leite, agregando valor à atividade.

    Agora, entre os campos verdes da Serra Catarinense, os três novos moradores roubam a cena. Pequenos e ainda cambaleando sobre as pernas finas das primeiras horas de vida, eles lembram uma velha lição do campo: por mais que a rotina seja marcada por planejamento e técnica, a natureza sempre encontra uma maneira de surpreender.

  • Anac muda regras de drones e abre caminho para uma revolução no campo

    Anac muda regras de drones e abre caminho para uma revolução no campo

    Os drones ganharam mais espaço para decolar no campo brasileiro. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou o novo Regulamento Brasileiro de Aviação Civil (RBAC) 100, um conjunto de regras que atualiza a operação de aeronaves não tripuladas e promete reduzir a burocracia nas áreas rurais.

    A Diretoria Colegiada da agência aprovou a proposta por unanimidade. Agora, o texto passará por ajustes finais de redação e, em seguida, seguirá para publicação no Diário Oficial da União. Depois disso, o novo regulamento entrará em vigor e substituirá o RBAC-E 94, que rege o setor desde 2017.

    A principal mudança está na forma de avaliar as operações. Até aqui, a Anac definia as exigências principalmente pelo peso do drone. Com o RBAC 100, porém, a agência passará a considerar também o ambiente de operação, a presença de pessoas, a energia envolvida no voo e as medidas de segurança adotadas pelo operador.

    Na prática, a mudança beneficia diretamente o campo. Afinal, fazendas e lavouras costumam reunir grandes áreas abertas e menor circulação de pessoas. Assim, drones maiores poderão operar sob exigências mais proporcionais ao risco real de cada atividade.

    Novo regulamento cria categorias para operações com drones

    Infográfico explica as categorias do novo regulamento para drones agrícolas

    O RBAC 100 estabelece três categorias operacionais: Aberta, Específica e Certificada. Entre elas, a Categoria Específica surge como a principal novidade e deverá abranger boa parte das operações aeroagrícolas.

    Nesse modelo, a Anac adotará a metodologia internacional SORA (Specific Operations Risk Assessment), utilizada em cerca de 70 países para avaliar riscos operacionais.

    Durante a apresentação da proposta, o gerente técnico de Normas e Inovação da Superintendência de Aeronavegabilidade da Anac, Marcos Santim, destacou que as novas regras favorecem principalmente as operações agrícolas, além de missões de segurança pública e voos além da linha de visada em áreas rurais de baixo risco.

    Drones ganham espaço e se tornam ferramentas estratégicas no campo

    O zumbido das hélices já faz parte da paisagem de muitas propriedades rurais. Os drones deixaram de ser novidade e passaram a integrar a rotina do produtor.

    Hoje, os equipamentos pulverizam defensivos, monitoram lavouras, mapeiam áreas e identificam falhas no plantio. Além disso, ajudam a reduzir desperdícios e permitem decisões mais rápidas e precisas.

    Drone agrícola realiza pulverização e monitoramento de lavoura no Brasil.
    Reprodução/ Divulgação

    Por isso, a atualização das regras chega em um momento decisivo. O novo regulamento acompanha a evolução tecnológica do setor e, ao mesmo tempo, reconhece uma realidade que já se impôs no campo: os drones se transformaram em uma das principais ferramentas da agricultura de precisão no Brasil.

  • Touro mais caro do mundo é brasileiro e vale mais que mansão de luxo

    Touro mais caro do mundo é brasileiro e vale mais que mansão de luxo

    Quase R$ 10 milhões. Esse foi o valor alcançado pelo touro Nelore INDHU FIV HRO, que acaba de entrar para a história como o reprodutor mais valorizado da raça Nelore no Brasil e no mundo.

    O recorde foi registrado durante o HRO Experience 2026, realizado na Fazenda Tapijara, em Arandu (SP). Quando o martelo bateu, porém, não era apenas um touro mudando de mãos. Na prática, um novo capítulo estava sendo escrito na genética de corte nacional.

    Nascido em 27 de setembro de 2024, INDHU FIV HRO pesa 431 quilos e carrega uma linhagem que desperta atenção até entre os criadores mais experientes. O reprodutor é filho de Viatina 19, uma das matrizes mais premiadas e valorizadas da história da raça, e de Astutto FIV Brun, reconhecido por transmitir desempenho e qualidade produtiva.

    Foto de Viatina, a vaca nelore mais cara do mundo
    Viatina 19, mão do touro mais caro do mundo – Foto: Casa Branca

    Mas pedigree, sozinho, não explica um investimento desse tamanho.

    Em pista, INDHU FIV HRO já mostrou atributos que o colocam em outro patamar. Além disso, o animal reúne estrutura corporal imponente, equilíbrio racial, qualidade de carcaça e elevado potencial reprodutivo. Em outras palavras, concentra características que o mercado procura e está disposto a pagar caro para multiplicar.

    Um touro capaz de influenciar gerações

    https://www.instagram.com/reel/DZv_8Tds3lY/?igsh=MXNuYmxwdG5oNDFmYw==

    Na pecuária de elite, um grande reprodutor vale muito mais pelo que pode produzir do que pelo que pesa na balança. Afinal, um único touro pode gerar milhares de descendentes por meio de sêmen, embriões e programas de reprodução assistida.

    Cada filho carrega a possibilidade de ganhar mais peso, converter melhor os alimentos e produzir carcaças de maior qualidade. Por isso, a genética se transformou em um dos ativos mais estratégicos do agronegócio brasileiro.

    Infográfico com detalhes do touro mais caro do mundo.

     

    A valorização de INDHU FIV HRO também ajuda a explicar a transformação do mercado nas últimas décadas. Antes, os leilões de elite movimentavam milhares de reais. Hoje, alcançam cifras milionárias. Nesse cenário, a genética passou a ser vista como tecnologia aplicada ao campo e ferramenta para elevar a produtividade.

    Propriedade compartilhada

    A participação no touro está dividida entre alguns dos principais nomes da pecuária nacional. A Cabaña Santiago, a Casa Branca Agropastoril e a Agropecuária Paranã detêm, juntas, 75% do animal. Os outros 25% permanecem com a Nelore HRO, criadora original do reprodutor.

    Imagem de Asttuto FIV Brun
    Astutto FIV Brun, pai do touro mais caro do mundo – Foto: CRL Agropecuária

    O lote negociado incluiu ainda uma prenhez do touro Brutão ARF. Com isso, os investidores passam a ter acesso imediato a uma combinação genética considerada promissora para programas de seleção.

    Ou seja, em um país onde o Nelore responde por cerca de 80% do rebanho de corte, o recorde de INDHU FIV HRO vai além de uma cifra impressionante. Afinal, ele simboliza a aposta crescente da pecuária brasileira em conhecimento, tecnologia e melhoramento genético. No fim das contas, o touro de quase R$ 10 milhões representa uma ideia simples: no campo de hoje, o futuro também pode nascer dentro de um centro de genética.

  • BNDES destina R$ 834 milhões para plantar 108 milhões de árvores

    BNDES destina R$ 834 milhões para plantar 108 milhões de árvores

    O Brasil acaba de abrir mais uma frente na recuperação de suas florestas. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou cinco operações de crédito do Fundo Clima Florestas. Ao todo, os financiamentos somam R$ 834 milhões e devem destravar R$ 2,7 bilhões em investimentos.

    Os projetos abrangem Amazônia, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. Juntos, eles preveem a recuperação de mais de 65,6 mil hectares de áreas degradadas. Além disso, incluem o plantio de mais de 108 milhões de árvores nativas e a criação de mais de 27 mil empregos verdes.

    Fundo Clima mobiliza R$ 2,7 bilhões para recuperar áreas degradadas

    A imagem mostra a sede do BNDES e com árvores na frente
    Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

    Com as novas operações, o BNDES alcança R$ 8,2 bilhões em recursos mobilizados para reflorestamento desde a criação do Fundo Clima.

    O anúncio ocorreu durante a Semana do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto, na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o banco assinou contrato com a BTG Pactual Timberland Investment Group (TIG). Além disso, entregou cartas de aprovação aos grupos Systemica, Biomas, Courageous e RRG Soluções Baseadas na Natureza.

    Segundo a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, a restauração florestal deixou de ser apenas uma agenda ambiental. Hoje, também representa uma oportunidade econômica.

    “Não estamos falando de plantar uma única espécie. Estamos falando de reconstruir florestas nativas, gerar emprego, produzir alimentos e capturar carbono”, afirmou.

    Projetos vão plantar 108 milhões de árvores e criar 27 mil empregos verdes

    Os projetos também devem gerar receitas com créditos de carbono, produtos florestais e bioeconomia. Ao mesmo tempo, os investimentos transformam áreas degradadas em ativos produtivos.

    Plantação de árvores e Cupuaçu
    Foto: Embrapa/Vinicius Braga Soares

    No Mato Grosso do Sul, a Camapuã Agropecuária, controlada pela BTG Pactual TIG, receberá R$ 200 milhões. O objetivo é restaurar e conservar 49,4 mil hectares de Cerrado. Desse total, 24,8 mil hectares serão recuperados. Outros 24,6 mil hectares permanecerão preservados. Além disso, a iniciativa poderá gerar cerca de 36 milhões de créditos de carbono.

    Como resultado dessa estratéfia, a Systemica contará com R$ 180 milhões para recuperar a Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu, no Pará. O projeto prevê o plantio de 1,5 milhão de mudas e o uso de 100 toneladas de sementes nativas.

    Crédito de carbono, cacau e sistemas agroflorestais ganham impulso

    Ministro do Ambiente, João Paulo Capobianco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, ao fundo, com chefe do Departamento Jurídico da RRG Soluções, Stefano Gianini, o diretor financeiro da Courageous, Frederico Oliveira, a diretora da Carbon2Nature, Flávia Antunes, o presidente da Biomas, Fábio Sakamoto, e o diretor de desenvolvimento da Systêmica, Cyril Perrin, após a assinatura das cartas de aprovação no valor total de R$ 633,5 milhões para projetos de SAF e restauro florestal
    Foto: Divulgação BNDES

    Na Bahia, o Projeto Muçununga receberá R$ 87,2 milhões. A iniciativa é desenvolvida pelos grupos Biomas e Carbon2Nature Brasil em áreas da Veracel Celulose. Mais de 100 espécies nativas serão plantadas. Assim, a proposta pretende recriar corredores ecológicos e favorecer espécies ameaçadas de extinção.

    Em Roraima, a Courageous Land implantará sistemas agroflorestais em 2 mil hectares degradados em Rorainópolis. O projeto combinará a produção de café, açaí e espécies madeireiras. Além disso, a iniciativa prevê capturar cerca de 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono em 42 anos.

    Por fim, a RRG Soluções Baseadas na Natureza receberá R$ 250 milhões para desenvolver 2,5 mil hectares de produção sustentável de cacau na Bahia. Parte da área ficará em Teixeira de Freitas e outra parte em Casa Nova. Dessa forma, o projeto reforça uma tendência crescente no agronegócio brasileiro: produzir, conservar e restaurar podem avançar juntos.

  • Cinco vacas abandonadas viraram rebanho selvagem de 2 mil animais

    Cinco vacas abandonadas viraram rebanho selvagem de 2 mil animais

    Cinco vacas abandonadas em uma ilha remota no sul do Oceano Índico deram origem a uma das histórias mais curiosas da evolução animal. Sozinhos, cercados pelo mar e expostos a ventos incessantes, os bovinos se multiplicaram até formar uma população de quase 2 mil cabeças e retomaram comportamentos típicos de animais selvagens.

    O caso ocorreu na Ilha Amsterdã, território francês localizado a cerca de 4,4 mil quilômetros de Madagascar. Sem rios permanentes, castigada por chuvas frequentes e rajadas de vento que varrem a paisagem, a ilha parecia um lugar improvável para a sobrevivência de um rebanho. Ainda assim, os animais prosperaram.

    Agora, um estudo baseado no material genético de 18 bovinos ajuda a explicar esse fenômeno e lança luz sobre os mecanismos que permitiram a adaptação de um grupo tão pequeno de animais a um ambiente tão hostil.

    Uma aposta fracassada que mudou a história da ilha

    Os registros históricos indicam que, em 1871, um fazendeiro chamado Heurtin e sua família deixaram a Ilha da Reunião e tentaram se estabelecer na Ilha Amsterdã para criar gado. A empreitada durou apenas alguns meses.

    O isolamento, o clima adverso e as dificuldades de adaptação fizeram a família desistir do projeto e retornar. As vacas ficaram para trás. O que parecia o fim de uma experiência malsucedida acabou se tornando o início de um experimento involuntário da natureza.

    DNA revela mistura de europeus e zebus

    As análises genéticas mostraram que o rebanho era formado por descendentes de duas linhagens distintas. Cerca de 75% de sua herança genética veio de bovinos taurinos europeus, próximos ao atual gado Jersey. Os outros 25% vieram de zebus originários do Oceano Índico.

    Essa combinação ajudou a explicar o sucesso dos animais. Os ancestrais europeus já estavam adaptados a condições climáticas semelhantes às encontradas na Ilha Amsterdã. Em outras palavras, parte do caminho já estava pavimentada antes mesmo de os bovinos desembarcarem no local.

    De animais domésticos a uma sociedade selvagem

    Ao longo de poucas gerações, o gado passou por um processo conhecido como feralização, quando animais domesticados recuperam comportamentos típicos da vida selvagem.

    Os pesquisadores identificaram sinais de seleção natural em genes ligados ao sistema nervoso, indicando mudanças comportamentais profundas. Além disso, observadores descreveram grupos organizados de forma semelhante aos de grandes herbívoros selvagens, com estruturas sociais complexas, separação entre machos e fêmeas e formação de grupos reprodutivos durante determinadas épocas do ano.

    As vacas, que um dia dependeram da ação humana, reaprenderam a viver sozinhas. O mugido do curral deu lugar ao silêncio de uma população totalmente adaptada à natureza.

    Infográfico vertical mostrando a evolução das vacas abandonadas

    Nem gigantes, nem miniaturas

    Alguns cientistas, no entanto, acreditavam que os animais haviam diminuído de tamanho para sobreviver aos recursos limitados da ilha, fenômeno conhecido como nanismo insular.

    A genética, porém, contou outra história. Os animais fundadores já eram naturalmente pequenos, semelhantes ao gado Jersey e ao zebu de Madagascar. A pesquisa não encontrou evidências de redução adicional no porte dos bovinos ao longo das gerações.

    O fim de uma população única

    O fim das vacas na ilha de Amsterdã
    Foto: François Cola

    Apesar de sua relevância científica, a população foi completamente abatida em 2010.

    Ambientalistas consideravam o gado uma ameaça ao ecossistema local por causa do pisoteio da vegetação e do potencial impacto sobre espécies endêmicas, como o albatroz-de-Amsterdã e a árvore Phylica arborea.

    Os autores do estudo, porém, observam que a decisão continua cercada de controvérsias. O rebanho prestava serviços ambientais, como a redução da vegetação rasteira e a manutenção de áreas que funcionavam como barreiras naturais contra incêndios. Além disso, medidas de controle de espécies invasoras, como roedores e gatos, só começaram anos depois da eliminação das vacas.

    Uma lição para a conservação

    Para os pesquisadores, o caso da Ilha Amsterdã deixa um alerta. Antes de erradicar populações de animais introduzidos que se tornaram selvagens, é preciso compreender sua história genética e seu potencial científico.

    O destino dessas vacas mostra que a biodiversidade nem sempre cabe em definições simples de “nativa” ou “invasora”. Às vezes, ela surge de forma inesperada, cresce em silêncio e deixa perguntas que continuam ecoando muito depois de o último animal desaparecer.

  • Europa coloca o café no foco do debate sobre sustentabilidade

    Europa coloca o café no foco do debate sobre sustentabilidade

    A xícara de café que chega às mesas dos europeus está no centro de uma nova discussão global. A União Europeia quer que as maiores empresas do setor adotem medidas concretas para garantir que os cafeicultores recebam uma remuneração considerada digna até 2029.

    Um relatório divulgado nesta semana mostra, porém, que nenhuma das principais companhias mundiais de café está preparada para atender plenamente às novas exigências.

    A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do bloco europeu para tornar as cadeias de abastecimento mais sustentáveis e socialmente responsáveis. O objetivo é reduzir desigualdades históricas e assegurar que produtores rurais tenham condições de vida adequadas, especialmente em países em desenvolvimento.

    Produção de café convive com desafios econômicos

    Embora o café seja uma das commodities agrícolas mais valiosas do planeta, milhões de pequenos produtores ainda enfrentam dificuldades para manter a atividade economicamente viável.

    A produção está concentrada em países tropicais, como Brasil, Vietnã, Colômbia e Etiópia, onde fatores como oscilações de preços, eventos climáticos extremos, aumento dos custos de produção e baixa capacidade de negociação frequentemente comprimem a renda das famílias produtoras.

    A situação cria um paradoxo. O consumo mundial de café segue em expansão, cafeterias se multiplicam e a bebida movimenta bilhões de dólares todos os anos. Na outra ponta da cadeia, muitos cafeicultores continuam operando com margens apertadas.

    Mudança pode alterar a relação entre indústrias e produtores

    As novas regras europeias podem acelerar transformações na maneira como empresas compram café e se relacionam com seus fornecedores.

    Especialistas avaliam que as companhias poderão ser pressionadas a ampliar programas de rastreabilidade, investir em assistência técnica, revisar contratos de fornecimento e desenvolver mecanismos que assegurem maior previsibilidade de renda aos produtores.

    Na prática, o mercado global do café passa a incorporar critérios sociais cada vez mais rigorosos e deixa de tratar a bebida apenas como uma commodity agrícola.

    A tendência também reforça um movimento já observado em outros mercados. Consumidores, principalmente nos países desenvolvidos, estão mais atentos à origem dos alimentos e às condições em que eles são produzidos.

    O que a nova regra pode significar para o Brasil

    Maior produtor e exportador mundial de café, o Brasil acompanha as discussões com atenção.

    Foto: Wenderson Araújo/Trilux/Sisterma CNA/Senar

    O mercado europeu é um dos principais destinos do café brasileiro e qualquer mudança regulatória tende a repercutir diretamente na cadeia nacional. Embora o País tenha avançado em práticas de sustentabilidade, rastreabilidade e certificações, especialistas apontam que novas exigências poderão demandar adaptações adicionais de produtores, cooperativas e exportadores.

    Ao mesmo tempo, o cenário também abre oportunidades.

    A crescente valorização de critérios socioambientais pode favorecer regiões e produtores que já investem em boas práticas, agregam valor ao produto e conseguem demonstrar compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade social.

    No fim das contas, a discussão que começou na Europa ultrapassa as fronteiras do continente. Ela levanta uma pergunta que deve ganhar cada vez mais espaço no agronegócio global: quem produz o café que o mundo consome está recebendo uma remuneração suficiente para continuar produzindo no futuro?

  • Parasita “comedor de carne” ameaça pecuária dos EUA

    Parasita “comedor de carne” ameaça pecuária dos EUA

    Parecia um problema enterrado nos livros de história da pecuária. Mas ele voltou. E voltou fazendo barulho.

    A reaparição do verme conhecido como bicheira do Novo Mundo, um parasita capaz de consumir tecido vivo de animais, colocou autoridades sanitárias e pecuaristas dos Estados Unidos em estado de alerta. Casos recentes registrados no sul do país reacenderam um temor que há décadas não rondava os ranchos americanos.

    O parasita, chamado cientificamente de Cochliomyia hominivorax, deposita seus ovos em feridas abertas. Quando as larvas eclodem, começam a se alimentar da carne do hospedeiro ainda vivo. O processo é rápido, doloroso e, se não houver tratamento imediato, pode levar o animal à morte.

    A descrição parece saída de um filme de terror. No campo, porém, ela é bastante real.

    Como a bicheira do Novo Mundo ameaça a produção

    A bicheira foi considerada erradicada dos Estados Unidos no fim do século passado, após um longo e custoso programa de controle biológico. Por isso, o surgimento de novos casos despertou preocupação não apenas sanitária, mas também econômica.

    O alerta ocorre em um momento delicado para a pecuária americana. Os Estados Unidos atravessam o menor ciclo de oferta de gado em mais de 70 anos, consequência de secas prolongadas, custos elevados de produção e redução do rebanho. Nesse cenário, qualquer ameaça adicional ganha proporções ainda maiores.

    Além das perdas diretas nas fazendas, o temor é de que o avanço da bicheira provoque restrições sanitárias, aumente os custos de manejo e pressione ainda mais os preços da carne bovina. Nos Estados Unidos, o valor da proteína já opera em níveis historicamente elevados.

    Autoridades reforçam vigilância sanitária

    As autoridades intensificaram a vigilância em regiões de fronteira e reforçaram protocolos de inspeção em propriedades rurais. O objetivo é identificar rapidamente novos focos e evitar que o parasita encontre condições favoráveis para se espalhar.

    Para os pecuaristas, o episódio também funciona como um lembrete de uma velha máxima do campo: ameaças sanitárias raramente dão aviso prévio.

    Enquanto os técnicos ampliam o monitoramento, produtores acompanham cada novo boletim com atenção redobrada. O inimigo é pequeno, quase invisível a olho nu. Ainda assim, seu potencial de causar prejuízos bilionários faz dele uma das maiores preocupações da pecuária americana neste momento.

    Efeitos podem ultrapassar as fronteiras dos Estados Unidos

    Em um mercado global cada vez mais conectado, o que acontece nos pastos do Texas dificilmente fica apenas no Texas. Os desdobramentos do surto podem repercutir nas cadeias internacionais de carne, influenciar o comércio global e acender um sinal de atenção também entre produtores e exportadores brasileiros.

  • Papagaio raro volta a nascer após mais de 100 anos no Nordeste

    Papagaio raro volta a nascer após mais de 100 anos no Nordeste

    Após mais de um século, periquito-cara-suja volta a nascer na Serra da Ibiapaba Nascimento de 43 filhotes no Parque Nacional de Ubajara reacende a esperança para uma das aves mais ameaçadas do Brasil.

    Há histórias que parecem improváveis até para quem trabalha diariamente com conservação ambiental. A do periquito-cara-suja é uma delas.

    A cena pode passar despercebida para quem visita a serra. No entanto, para os especialistas que acompanham o projeto, cada filhote nascido carrega um significado enorme. Afinal, durante décadas, a presença da espécie na região existia apenas nos registros históricos.

    O retorno não aconteceu por acaso. Por trás dele existe um esforço que reúne ciência, monitoramento e persistência.  O projeto de reintrodução é conduzido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por meio do Parque Nacional de Ubajara e do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), em parceria com a organização não governamental Aquasis.

    Além disso, caixas-ninho foram instaladas para estimular a reprodução em ambiente natural.

    O resultado começou a aparecer de forma silenciosa, como costuma acontecer na natureza.

    Primeiro vieram os sinais de adaptação. Depois, a ocupação dos ninhos. Agora, chegaram os filhotes.

    Ciclo reprodutivo

    Segundo os técnicos envolvidos no projeto, o nascimento das aves mostra que a espécie conseguiu se estabelecer na região e iniciar um ciclo reprodutivo considerado fundamental para a formação de uma população autossustentável.

    A conquista ganha ainda mais relevância quando se observa o passado recente da espécie.

    Por isso, o nascimento dos filhotes tem um peso que vai além da biologia. É como se a serra recuperasse uma peça que faltava em sua própria história.

    Depois de décadas de silêncio, o voo do periquito-cara-suja volta a fazer parte da rotina das matas da Ibiapaba.

    Especialistas destacam que o acompanhamento dos animais continuará sendo fundamental.

    Foto: ICMBio
    Foto: ICMBio

    O monitoramento permanente, a proteção dos habitats e o combate ao tráfico de aves ainda são desafios que exigem atenção constante.

    A diferença é que agora existe um motivo concreto para acreditar.

    Os 43 filhotes que nasceram neste ano representam mais do que uma vitória dos programas de conservação. Eles simbolizam a possibilidade de que uma espécie ameaçada volte, aos poucos, a ocupar o espaço que nunca deveria ter perdido.

    Parque está entre os mais visitados do Brasil.

    Quem percorre suas trilhas costuma se encantar com as cavernas, os mirantes e a vegetação exuberante.

    Agora, há também uma nova razão para olhar com atenção para as copas das árvores.

    Em algum ponto da floresta, uma geração inteira de periquitos-cara-suja começa a escrever um capítulo que parecia impossível há poucos anos.