Autor: PH Lopes

  • Congresso Andav debate gestão de pessoas no agro

    Congresso Andav debate gestão de pessoas no agro

    A transformação do agronegócio brasileiro também passa pela forma como as empresas lidam com seus profissionais. Em um setor marcado por mudanças constantes e maior exigência de competitividade, temas como retenção de talentos, formação de lideranças, cultura organizacional e sucessão ganham espaço na agenda estratégica. Essas questões estarão entre os assuntos debatidos no 15º Congresso Andav 2026, que será realizado de 11 a 13 de agosto, no Transamerica Expo Center, em São Paulo.

    A programação reunirá especialistas e lideranças para discutir os desafios relacionados à gestão de pessoas na distribuição de insumos agropecuários. O objetivo é ampliar o debate sobre desenvolvimento humano, engajamento e construção de ambientes organizacionais capazes de acompanhar as transformações do setor.

    Um dos destaques será a palestra “Transforme Negócios Através de Pessoas!”, marcada para 12 de agosto. A apresentação será conduzida por Paulo Camargo, mentor de CEOs, conselheiro, ex-CEO do McDonald’s e colunista do UOL Economia.

    No dia seguinte, 13 de agosto, Izabela Mioto, professora associada da Fundação Dom Cabral (FDC), ministrará a palestra “Gestão de Pessoas que Transforma Organizações”. A especialista abordará estratégias relacionadas ao fortalecimento da cultura organizacional e ao desenvolvimento de lideranças, com foco em inovação, desempenho e engajamento das equipes.

    “Os desafios da distribuição vão além dos aspectos econômicos e tecnológicos. As pessoas são o principal ativo das empresas. Investir em liderança, cultura organizacional e desenvolvimento humano é investir na sustentabilidade dos negócios e na evolução de todo o setor”, afirma Paulo Tiburcio, presidente executivo da Andav.

    Premiações reconhecem nomes do agronegócio

    A programação do Congresso Andav também terá espaço para o reconhecimento de profissionais e personalidades que contribuem para o desenvolvimento da distribuição de insumos e do agronegócio brasileiro.

    O tradicional Prêmio Andav de Reconhecimento será realizado ao longo dos três dias do evento. Em 11 de agosto, a advogada especializada em Direito Socioambiental Samanta Pineda, do escritório Pineda e Krahn, receberá a homenagem na categoria Defesa do Setor.

    Já no dia 12, a premiação será dedicada à categoria Personalidades do Agro, que reconhecerá importantes lideranças da distribuição de insumos agropecuários.

    Encerrando as homenagens, Letícia Jacintho, presidente do movimento De Olho no Material Escolar (DONME), será reconhecida no dia 13, na categoria Educação e Comunicação. A homenagem considera sua atuação relacionada à valorização da educação e da comunicação junto à sociedade.

    Congresso reúne debates sobre futuro do setor

    Com o tema “Agroeconomia Brasileira: Reflexões para o Futuro”, o 15º Congresso Andav 2026 terá uma programação voltada aos principais desafios e oportunidades do agronegócio.

    Além da gestão empresarial e das discussões sobre pessoas e liderança, o evento reunirá economistas, executivos, pesquisadores, especialistas e lideranças do setor. Entre os assuntos previstos estão economia, geopolítica, crédito, mercado financeiro, reforma tributária, inteligência de mercado, bioenergia, inovação e distribuição de insumos.

    A edição de 2026 contará com quatro pavilhões e mais de 24 mil metros quadrados de área de exposição. O espaço reunirá centenas de empresas, instituições e especialistas em uma programação voltada à geração de conhecimento, relacionamento e oportunidades de negócios.

    Durante o Congresso, também será apresentada a Pesquisa Nacional da Distribuição Andav 2026, desenvolvida em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP). O levantamento é apontado como uma das principais referências sobre o mercado brasileiro de distribuição de insumos agropecuários.

    Serviço

    Congresso Andav 2026
    Data: 11 a 13 de agosto de 2026
    Horário da plenária: dias 11 e 12, das 10h às 16h45; dia 13, das 10h às 16h
    Horário da exposição: dias 11 e 12, das 9h às 21h; dia 13, das 9h às 18h
    Local: Transamerica Expo Center
    Endereço: Avenida Dr. Mário Villas Boas Rodrigues, 387, Santo Amaro, São Paulo-SP – entrada pelo Pavilhão G
    Outras informações: eventosandav.com.br

  • Automação redefine logística de peças no agronegócio

    Automação redefine logística de peças no agronegócio

    A automação passa a ocupar um novo espaço na logística de peças agrícolas brasileira. A Stara colocou em operação, em Aparecida de Goiânia (GO), o primeiro Centro de Distribuição de Peças Agrícolas do País equipado com o sistema AutoStore. A tecnologia utiliza robôs para armazenar, organizar e separar componentes. Com isso, a empresa pretende reduzir o tempo de expedição e ampliar a eficiência no atendimento aos produtores rurais.

    A nova unidade marca a expansão da estrutura logística da fabricante para fora do Rio Grande do Sul. Além disso, reforça a estratégia de aproximar os estoques das regiões com maior demanda. Enquanto o centro de distribuição da matriz, em Não-Me-Toque (RS), permanece responsável pela metade sul do Brasil, a unidade de Goiás passa a atender concessionárias e clientes da Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins.

    Segundo a empresa, essa divisão reduz distâncias e fortalece o suporte pós-venda. Dessa forma, aumenta a disponibilidade de peças e contribui para que o produtor rural tenha mais rapidez no atendimento durante as operações no campo.

    Robôs automatizam a separação de peças

    O principal diferencial da nova estrutura está no sistema AutoStore. Ao todo, sete robôs automatizam as etapas de armazenagem e separação dos produtos. Além disso, a tecnologia organiza as peças de acordo com a frequência de utilização, posicionando os itens de maior demanda nas partes superiores da estrutura.

    Segundo o gerente de Peças da Stara, Filipe Flores Quincoses, esse modelo reduz significativamente o tempo necessário para localizar e disponibilizar os componentes.

    “São sete robôs que automatizam as etapas de armazenagem e separação de produtos. O sistema organiza os itens conforme a frequência de apontamentos, posicionando os de alta frequência na parte superior do equipamento. Isso agiliza a coleta das caixas que precisam ser apresentadas ao operador, permitindo que o processo aconteça em um tempo médio de 15 segundos”, explica.

    Além da automação, o centro reúne sistemas integrados de gestão de estoque, monitoramento eletrônico, dispositivos de segurança e ferramentas de rastreabilidade. Com isso, a empresa amplia o controle operacional e torna a preparação dos pedidos mais eficiente.

    A estrutura possui 3.504,95 metros quadrados de área construída, pé-direito de 15 metros, seis docas e 18.144 posições de armazenagem. Ao mesmo tempo, tem capacidade para estocar 15.604 tipos diferentes de peças e expedir até 14 mil itens por dia.

    Centro de Distribuição da Stara em Goiás – Foto: Divulgação

    Centro fortalece a logística no Norte, Nordeste e Centro-Oeste

    A escolha de Goiás levou em conta a posição estratégica do estado na malha logística nacional. Por isso, a nova unidade concentrará a distribuição de peças para os estados da metade norte do País, enquanto o Rio Grande do Sul continuará responsável pelo atendimento da região sul.

    Segundo a Stara, a nova operação permitirá reduzir o tempo de entrega. Em algumas situações, conforme a disponibilidade da peça e a modalidade de transporte, os componentes poderão chegar ao destino em poucas horas.

    Para garantir esse desempenho, a empresa selecionou transportadoras preparadas para atuar de forma integrada ao novo sistema. Além disso, promoveu treinamentos específicos para os colaboradores da unidade, incluindo movimentação de materiais, desenho técnico, sistemas e operação do AutoStore. Gerentes de peças e compradores das concessionárias também participaram da preparação para a nova dinâmica logística.

    Durante a inauguração da unidade, realizada em 18 de junho, o diretor-presidente da Stara, Átila Stapelbroek Trennepohl, destacou que o investimento busca aproximar a empresa dos produtores rurais e fortalecer o atendimento às concessionárias.

    “Estamos ampliando nossa estrutura para estarmos ainda mais próximos dos produtores rurais e das concessionárias. Nosso objetivo é garantir que o cliente tenha a peça necessária exatamente quando precisa, contribuindo para que suas operações no campo sigam com máxima produtividade”, afirma.

  • Lenços do Agro mobiliza rede de apoio a pacientes com câncer

    Lenços do Agro mobiliza rede de apoio a pacientes com câncer

    A campanha Lenços do Agro deu início à mobilização para a edição 2026 com um novo chamado à solidariedade. Neste ano, o movimento destaca a importância da rede de apoio formada por empresas, entidades, profissionais e voluntários que atuam ao lado de pacientes em tratamento contra o câncer. Além disso, a iniciativa celebra 12 anos de atuação nacional, consolidando-se como uma das principais ações sociais ligadas ao agronegócio brasileiro.

    Criado em 2014 por Andrea Cordeiro, o Lenços do Agro nasceu com o objetivo de arrecadar lenços para mulheres em tratamento oncológico. Desde então, a campanha ampliou sua atuação e passou a reunir doações de acessórios, perucas, sutiãs, próteses mamárias externas e itens voltados ao bem-estar. Com isso, fortaleceu uma corrente de acolhimento que beneficia instituições assistenciais em diferentes regiões do País.

    Solidariedade cresce junto com o movimento

    Ao longo de sua trajetória, o Lenços do Agro reuniu mais de 190 empresas apoiadoras e 25 entidades representativas. Além disso, participou de mais de 220 eventos e desenvolveu ações que atenderam diretamente mais de 27 instituições assistenciais.

    A campanha também ultrapassou a marca de 14 mil lenços arrecadados. Somam-se a esse resultado mais de 15 mil peças de bijuterias e acessórios, mais de 300 sutiãs e próteses mamárias externas, mais de 85 perucas e mais de 20 mil itens destinados ao autocuidado e ao acolhimento de pacientes.

    Entretanto, os organizadores ressaltam que o principal legado da iniciativa vai além dos números. Ao longo de 12 anos, o movimento aproximou empresas, cooperativas, indústrias, tradings, entidades, organizadores de eventos, profissionais da comunicação e voluntários em torno de uma causa comum.

    Segundo Andrea Cordeiro, idealizadora da campanha, o Lenços do Agro passou a representar um patrimônio construído de forma coletiva.

    “Há 12 anos idealizei o Lenços do Agro. Hoje, tenho a alegria de ver que ele se transformou em um patrimônio afetivo do agronegócio brasileiro. A campanha é de todos aqueles que doam seu tempo, sua voz, seus recursos, seu conhecimento e seu coração para levar acolhimento a quem mais precisa.”

    Rede de apoio será o tema da edição 2026

    Neste ano, a campanha adota como tema central Rede de Apoio. A proposta presta homenagem às pessoas que acompanham pacientes durante o tratamento e contribuem para transformar desafios em esperança.

    De acordo com Andrea Cordeiro, a escolha do tema reflete a própria história do movimento. Afinal, a campanha cresceu graças ao envolvimento de pessoas e organizações comprometidas com a solidariedade.

    “Ninguém faz nada sozinho. E talvez essa seja uma das maiores lições que o próprio Lenços do Agro nos deixou ao longo de sua trajetória. Ao longo desses anos vimos uma verdadeira rede de apoio ser construída pelo agronegócio brasileiro, pela comunicação, pelas instituições, pelos voluntários e por milhares de pessoas que escolheram fazer a diferença na vida de outras pessoas.”

    Agora, durante o mês de julho, o movimento inicia oficialmente as ações da edição 2026. Além disso, abrirá em 15 de julho o cadastro de empresas, entidades, eventos, veículos de comunicação, lideranças e parceiros interessados em integrar a campanha.

    Como participar da campanha

    Empresas, entidades, organizadores de eventos, profissionais, veículos de comunicação e voluntários interessados em integrar a edição 2026 do Lenços do Agro podem obter informações ou manifestar interesse pelos canais oficiais da campanha.

    WhatsApp: (41) 98775-7171

    Instagram: @mulheresdoagronegociobrasil

  • Projeto brasileiro usa nanotecnologia para restaurar florestas

    Projeto brasileiro usa nanotecnologia para restaurar florestas

    A bio e a nanotecnologia estão ampliando as alternativas para recuperar áreas degradadas na Amazônia. Nesse contexto, o projeto NanoRad’s reúne empresas e instituições de pesquisa para acelerar o desenvolvimento de plantios florestais. A iniciativa é liderada pela Krilltech em parceria com a Shell Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), a Bioflore e outros parceiros estratégicos. Além disso, o projeto conquistou a medalha de prata no Energy Summit Awards, durante evento realizado em junho, no Rio de Janeiro.

    O reconhecimento reforça o potencial da tecnologia brasileira para apoiar a restauração ambiental. Ao mesmo tempo, evidencia a importância da cooperação entre ciência e iniciativa privada. Com isso, o projeto ganha visibilidade como uma solução voltada à recuperação de ecossistemas amazônicos.

    Tecnologia busca acelerar a recuperação florestal

    O NanoRad’s utiliza soluções de biotecnologia e nanotecnologia para estimular o crescimento das plantas. Dessa forma, o projeto pretende tornar mais eficiente o processo de restauração florestal. Além disso, a tecnologia contribui para a regeneração de áreas degradadas na Amazônia.

    Segundo os responsáveis pela iniciativa, a proposta amplia o desempenho dos plantios florestais. Ao mesmo tempo, fortalece ações voltadas à conservação ambiental. Por isso, o projeto integra um conjunto de soluções baseadas na natureza para recuperar ecossistemas.

    O NanoRad’s também faz parte do Centro de Inovação Biotecnológica para Recuperação de Áreas Degradadas (Cibrad). O centro foi lançado em abril de 2026 com investimento da Shell Brasil. Os recursos são provenientes da cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

    Centro reúne pesquisadores e empresas

    O Cibrad reúne pesquisadores, empresas, startups e instituições científicas. Assim, cria uma rede colaborativa voltada ao desenvolvimento de tecnologias para a recuperação ambiental. O trabalho contempla os nove estados da Amazônia Legal.

    Além disso, o centro conecta pesquisa científica, inovação tecnológica e soluções baseadas na natureza. Com isso, busca ampliar iniciativas voltadas à recuperação de áreas degradadas. Ao mesmo tempo, fortalece projetos com potencial de gerar impactos ambientais positivos.

    A conquista no Energy Summit Awards reforça esse trabalho conjunto. Segundo a Krilltech, o reconhecimento demonstra o potencial da inovação brasileira para enfrentar desafios ambientais. Além disso, destaca a importância da colaboração entre empresas e instituições de pesquisa.

    Para Marcelo Rodrigues, CEO da Krilltech, a premiação reconhece o esforço coletivo para desenvolver novas tecnologias voltadas à restauração ambiental.

    “O reconhecimento do NanoRad’s evidencia a força da colaboração entre diferentes atores do ecossistema de inovação. Acreditamos que tecnologias sustentáveis, aliadas ao conhecimento científico, são fundamentais para acelerar a restauração da Amazônia e construir novos caminhos para uma economia de baixo carbono”, destaca.

    Por fim, a premiação amplia a visibilidade de iniciativas brasileiras voltadas ao desenvolvimento de tecnologias sustentáveis. Dessa maneira, projetos como o NanoRad’s reforçam o papel da inovação na recuperação de áreas degradadas e na conservação da Amazônia.

  • Tecnologia reforça combate a incêndios em canaviais

    Tecnologia reforça combate a incêndios em canaviais

    As queimadas na cana representam um dos principais desafios para a produção sucroenergética. Além de comprometerem a produtividade, elas colocam em risco trabalhadores, comunidades vizinhas e o meio ambiente. Nesse cenário, investimentos em prevenção, monitoramento e resposta rápida ganham cada vez mais importância para reduzir os impactos do fogo nas lavouras.

    A bp bioenergy informou que, entre 2019 e 2025, reduziu em 50% o número de incêndios registrados nas regiões próximas às suas 11 unidades agrícolas. No mesmo período, a área atingida pelo fogo caiu 77%, enquanto o tempo médio de resposta às ocorrências foi reduzido em 66%.

    Segundo a empresa, os resultados são consequência do Programa Brigada 4.0, criado em 2019 para integrar ações de prevenção, detecção e combate a incêndios nas áreas agrícolas. Desde então, mais de R$ 100 milhões foram investidos na iniciativa.

    Tecnologia amplia prevenção contra queimadas na cana

    O combate às queimadas na cana começa antes mesmo do surgimento das chamas. Por isso, a bp bioenergy ampliou as tecnologias voltadas à identificação precoce dos focos de incêndio durante a safra 2025/26.

    Além disso, a empresa atualizou o sistema de monitoramento em oito unidades. A equipe revisou as áreas de cobertura e instalou novos equipamentos em pontos estratégicos. Com isso, aumentou a capacidade de detecção e reduziu áreas com baixa visibilidade.

    Segundo o diretor agrícola da bp bioenergy, Rogério Bremm, a empresa definiu as melhorias após analisar os aprendizados acumulados nas últimas safras.

    “Esse trabalho nos permitiu ampliar a cobertura das imagens, reduzir pontos com menor visibilidade e aumentar significativamente a confiabilidade das informações utilizadas pelas equipes em campo. Quanto mais rápida e precisa é a identificação de um foco, maior também é nossa capacidade de resposta”, afirma.

    O sistema combina inteligência artificial com câmeras térmicas de alta definição instaladas em torres de monitoramento distribuídas pelas 11 unidades. Os equipamentos identificam colunas de fumaça em poucos segundos e monitoram um raio de até 50 quilômetros. Além disso, funcionam durante a noite e também sob neblina.

    SmartHub, centro integrado de monitoramento da bp bioenergy em São José do Rio Preto (SP) – Foto: Divulgação/ bp bioenergy

    Em seguida, o sistema envia todas as informações ao SmartHub, centro integrado de monitoramento localizado em São José do Rio Preto (SP). A equipe acompanha a operação agrícola durante 24 horas por dia e aciona imediatamente as brigadas responsáveis pelo combate aos incêndios.

    Dessa forma, o tempo de resposta diminui. Ao mesmo tempo, a operação reduz os impactos ambientais e operacionais provocados pelo fogo.

    Conectividade fortalece o combate aos incêndios

    A conectividade também desempenha papel importante na estratégia de prevenção. Para isso, a empresa expandiu sua infraestrutura digital nas regiões onde atua.

    Hoje, o projeto utiliza a rede 4G da TIM por meio de 98 torres instaladas nas áreas agrícolas. Assim, as equipes acessam informações em tempo real e conseguem tomar decisões com mais rapidez durante as ocorrências.

    Segundo a companhia, a cobertura alcança aproximadamente 3 milhões de hectares. Além disso, o sinal permanece disponível para usuários da operadora nas regiões atendidas.

    Capacitação reforça a atuação das brigadas

    A tecnologia, sozinha, não resolve o problema. Por esse motivo, a empresa também investe na qualificação permanente das equipes de combate ao fogo.

    Desde o fim de 2025, a bp bioenergy passou a realizar internamente o treinamento dos brigadistas. Para isso, supervisores e lideranças operacionais participam de uma formação com cerca de 70 horas. O conteúdo reúne técnicas de prevenção, combate e condução dos treinamentos.

    Capacitação interna prepara brigadistas para atuar com mais agilidade e segurança na prevenção e no combate a incêndios – Foto: Divulgação/bp bioenergy

    Desde fevereiro deste ano, os 22 multiplicadores formados pela companhia já capacitaram mais de 750 brigadistas. Além disso, a expectativa é treinar aproximadamente 900 profissionais por ano.

    Segundo Bremm, essa mudança aproxima os treinamentos da realidade enfrentada pelas equipes.

    “Quando a formação é conduzida por profissionais que conhecem profundamente os desafios e procedimentos da própria operação, o aprendizado se torna mais aderente à prática. Isso fortalece a preparação das equipes e contribui para decisões mais rápidas e assertivas durante as ocorrências”, destaca.

    Programa reúne tecnologia, estrutura e equipes

    Atualmente, o Programa Brigada 4.0 conta com mais de 1.050 brigadistas. Além disso, a estrutura inclui 97 caminhões-bombeiro com jatos de água automatizados, 16 caminhões-pipa e 12 caminhões-tanque.

    Segundo a empresa, a combinação entre tecnologia, conectividade e capacitação fortalece a prevenção. Como resultado, a operação reduz a área atingida pelo fogo, acelera o combate aos incêndios e amplia a segurança no campo.

    Por fim, Bremm afirma que a prevenção precisa fazer parte da gestão permanente das operações agrícolas.

    “Cada melhoria implementada aumenta nossa capacidade de antecipar riscos e responder com mais precisão quando necessário. Esse é um trabalho permanente, que combina tecnologia, preparo das equipes e aprendizado em campo para tornar nossas operações cada vez mais seguras e responsáveis”, conclui.

  • Máquinas inteligentes ajudam produtor contra mudanças climáticas

    Máquinas inteligentes ajudam produtor contra mudanças climáticas

    As mudanças climáticas têm alterado de forma significativa a rotina no campo. Secas prolongadas, chuvas irregulares e variações bruscas de temperatura impactam diretamente o planejamento das safras. Diante desse cenário, cresce o uso de máquinas inteligentes e tecnologias embarcadas para apoiar o produtor rural.

    Essas soluções já fazem parte da chamada agricultura de precisão. Elas permitem maior controle das operações, uso mais eficiente de insumos e tomada de decisão mais rápida. Como resultado, o produtor consegue reduzir perdas e melhorar o desempenho das lavouras mesmo em condições adversas.

    Além disso, a conectividade no campo amplia a capacidade de monitoramento em tempo real. Isso facilita o ajuste das operações conforme o clima muda ao longo do ciclo produtivo.

    Tecnologia amplia eficiência e reduz desperdícios

    Entre as principais ferramentas utilizadas estão piloto automático, telemetria, monitoramento remoto, controle de seções e aplicação em taxa variável. Esses recursos ajudam a adequar o manejo às características de cada área da propriedade.

    Com isso, há redução de sobreposição de insumos e menor desperdício de sementes, fertilizantes e defensivos. Ao mesmo tempo, o produtor ganha precisão nas operações e melhora o aproveitamento dos recursos disponíveis.

    Outro ponto relevante é a geração de dados pelas máquinas conectadas. Essas informações permitem analisar o desempenho das operações e planejar as próximas safras com mais segurança.

    De acordo com Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produto da Massey Ferguson, a tecnologia tem papel direto na adaptação da agricultura às mudanças climáticas.

    “As tecnologias embarcadas nas máquinas agrícolas permitem transformar dados em inteligência, ajudando a otimizar recursos, aumentar a eficiência operacional e reduzir riscos ao longo do ciclo produtivo”, afirma.

    Agricultura de precisão fortalece resiliência no campo

    Segundo o especialista, o uso dessas ferramentas já se tornou estratégico para o setor. A combinação entre automação, conectividade e análise de dados amplia a capacidade de resposta do produtor diante das variações do clima.

    “Quando utilizamos recursos como aplicação em taxa variável, piloto automático e monitoramento remoto, conseguimos produzir de forma mais eficiente, reduzindo desperdícios e aproveitando melhor cada janela de operação. Isso contribui não apenas para a rentabilidade do produtor, mas também para uma agricultura mais resiliente diante das mudanças climáticas”, destaca.

    A Massey Ferguson tem ampliado seu portfólio de soluções digitais para apoiar a gestão das propriedades rurais. A integração entre máquinas e plataformas de monitoramento permite uma visão mais completa da operação.

    Dessa forma, o produtor consegue tomar decisões mais estratégicas ao longo do ciclo produtivo. Além disso, melhora a eficiência operacional e reduz riscos associados ao clima.

    “A tecnologia é uma das principais aliadas da agricultura para enfrentar os desafios do presente e do futuro. Quanto mais informações o produtor tiver sobre sua operação, maior será sua capacidade de se adaptar às condições climáticas, preservar recursos e manter altos níveis de produtividade”, conclui Zanetti.

  • Diagnóstico molecular fortalece combate à brucelose

    Diagnóstico molecular fortalece combate à brucelose

    O diagnóstico molecular da brucelose ganha cada vez mais espaço na pecuária brasileira. A tecnologia acelera a identificação da doença e fortalece as ações de vigilância sanitária. Dados do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT), atualizados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) em outubro de 2025, mostram que a enfermidade ainda apresenta diferentes níveis de ocorrência entre os estados. Por isso, especialistas defendem métodos mais rápidos e precisos para ampliar o controle da doença.

    A classificação do PNCEBT considera o risco epidemiológico em cada estado. Para isso, o programa analisa a prevalência de focos e a efetividade das ações de defesa sanitária. Santa Catarina é o principal destaque. O estado registrou prevalência de apenas 0,9% dos focos e tornou-se o único do País enquadrado na categoria de menor risco para brucelose bovina e bubalina.

    Além dos prejuízos econômicos, a enfermidade preocupa por seu impacto na saúde pública. Isso ocorre porque a brucelose é uma zoonose e também pode atingir seres humanos.

    Diagnóstico molecular da brucelose amplia a precisão

    Segundo Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado – Agronegócio da Loccus, o Brasil avançou nos programas de controle. No entanto, ainda existem diferenças importantes entre as regiões.

    “Embora o Brasil tenha avançado nos programas de controle da brucelose, os dados mostram que a doença ainda apresenta comportamentos distintos entre os estados. Por isso, é cada vez mais importante investir em diagnósticos mais rápidos e precisos, capazes de apoiar decisões sanitárias em tempo oportuno e reduzir a circulação do agente nos rebanhos”, afirma.

    A rapidez na identificação dos animais infectados faz diferença no combate à enfermidade. Quanto menor o tempo entre a coleta da amostra e o resultado do exame, mais rapidamente as equipes sanitárias conseguem agir. Dessa forma, elas isolam os animais positivos, realizam a investigação epidemiológica e evitam novos focos nas propriedades.

    Os laboratórios ainda utilizam amplamente os métodos sorológicos tradicionais. Entretanto, em algumas situações, esses exames exigem análises complementares. Como consequência, o diagnóstico pode demorar mais. Nesse cenário, o diagnóstico molecular da brucelose permite identificar diretamente o material genético da bactéria. Assim, os profissionais obtêm resultados com mais rapidez e precisão.

    Tecnologia fortalece a vigilância sanitária

    A bactéria do gênero Brucella provoca a doença e afeta principalmente bovinos e bubalinos. Entre os principais prejuízos estão abortamentos, nascimento de animais debilitados, redução das taxas de prenhez, descarte precoce de matrizes e queda da produtividade nas propriedades rurais.

    Apesar dos avanços nos programas sanitários, o MAPA aponta desafios importantes. Entre eles estão o tamanho dos rebanhos, a cobertura vacinal, os diferentes sistemas de produção e a estrutura dos serviços veterinários. Esses fatores influenciam o controle da doença em todo o País.

    Ao mesmo tempo, cresce a demanda por exames laboratoriais. Por isso, a modernização dos laboratórios tornou-se estratégica. A automação e o diagnóstico molecular da brucelose ampliam a capacidade de processamento das análises. Além disso, padronizam procedimentos e reduzem o tempo necessário para a emissão dos resultados.

    “As ferramentas moleculares e os sistemas automatizados estão transformando a rotina laboratorial ao permitir maior produtividade, padronização dos processos e rapidez na obtenção dos resultados. Isso fortalece os programas de vigilância sanitária e amplia a capacidade de resposta diante de doenças que impactam tanto a produção animal quanto a saúde pública”, destaca Tatiani.

    Por fim, especialistas avaliam que a combinação entre vacinação, monitoramento epidemiológico, fiscalização e diagnóstico molecular da brucelose fortalece o controle da enfermidade. Com isso, o setor reduz a circulação do agente infeccioso, protege os rebanhos e amplia a competitividade da pecuária brasileira.

  • Produtor rural vive dia inesquecível ao lado do goleiro Marcos

    Produtor rural vive dia inesquecível ao lado do goleiro Marcos

    Um produtor rural de Santo Antônio do Aracanguá, no interior de São Paulo, teve a oportunidade de acompanhar uma partida da Seleção Brasileira ao lado de um dos maiores ídolos do futebol nacional. Aos 74 anos, Edemir Rubens Doná recebeu o ex-goleiro Marcos, pentacampeão mundial em 2002, após vencer a campanha “Pronto Pro Jogo”, promovida pela Massey Ferguson.

    O encontro aconteceu no dia 24 de junho, durante a partida entre Brasil e Escócia. Na ocasião, Edemir reuniu familiares para um churrasco em sua propriedade rural. Assim, acompanhou o jogo e compartilhou momentos de descontração com o ex-jogador.

    Com mais de 50 anos de atuação no agronegócio, o produtor cultiva soja, milho e cana-de-açúcar. Além disso, é cliente da Massey Ferguson há vários anos. Ele já utilizava um trator MF 275 e garantiu a participação na campanha ao adquirir um MF 4408.

    Encontro com ídolo marcou a família

    Palmeirense, Edemir conta que recebeu a notícia de que havia sido contemplado com a promoção com muita alegria. Segundo ele, a oportunidade de conhecer Marcos pessoalmente tornou a experiência ainda mais especial.

    “Gostamos demais da experiência. O Marcão é uma pessoa espetacular, muito simples e atenciosa. Ficamos muito felizes com a presença dele aqui. Foi um momento que vai ficar para sempre na memória da nossa família”, afirma.

    A campanha “Pronto Pro Jogo” foi criada pela Massey Ferguson para aproximar a marca dos produtores rurais, concessionários e clientes durante a Copa do Mundo. Dessa forma, a empresa uniu a paixão pelo futebol ao universo do agronegócio.

    De acordo com Breno Cavalcanti, diretor de Marketing da Massey Ferguson, a iniciativa buscou oferecer uma experiência diferenciada aos clientes da empresa.

    “Buscamos proporcionar uma experiência diferenciada para os nossos clientes, unindo entretenimento e a paixão nacional pelo futebol. Marcos representa atributos muito alinhados aos valores da Massey Ferguson, como confiança, proximidade e autenticidade”, destaca.

    Campanha fortalece relacionamento com clientes

    A ação faz parte das iniciativas de relacionamento desenvolvidas pela Massey Ferguson para fortalecer os vínculos com os produtores rurais. Além da comercialização de máquinas agrícolas, a empresa investe em campanhas que valorizam a proximidade com seus clientes. Também promove experiências ligadas ao cotidiano no campo.

    Atualmente, a Massey Ferguson integra o grupo AGCO e está presente no Brasil há seis décadas. A empresa fabrica tratores, colheitadeiras, plantadeiras, pulverizadores, implementos agrícolas e soluções de agricultura de precisão. Além disso, mantém mais de 200 concessionárias no País. Por fim, exporta máquinas para mais de 80 países.

  • Distribuição de insumos ganha destaque no Congresso Andav 2026

    Distribuição de insumos ganha destaque no Congresso Andav 2026

    A distribuição de insumos agropecuários estará no centro dos debates do 15º Congresso Andav 2026, que será realizado entre os dias 11 e 13 de agosto, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. Um dos destaques da programação será o painel “Distribuidor: Acesso ao Mercado”. O encontro reunirá empresários do setor para discutir os desafios e as oportunidades da atividade diante das mudanças econômicas e das novas demandas do agronegócio brasileiro.

    O debate está marcado para o dia 12 de agosto, às 11h. Na ocasião, executivos que atuam em diferentes regiões do País compartilharão experiências sobre expansão de mercado, relacionamento com a indústria, acesso ao crédito, gestão empresarial e estratégias para ampliar a competitividade das empresas de distribuição.

    Além disso, o painel busca apresentar soluções práticas para um segmento que desempenha papel estratégico na conexão entre a indústria e o produtor rural.

    Distribuição amplia papel no agronegócio

    A distribuição de insumos ocupa uma posição estratégica na cadeia do agronegócio. O segmento conecta a indústria ao produtor rural, levando tecnologia, assistência técnica, soluções financeiras e serviços especializados ao campo.

    Nos últimos anos, as empresas ampliaram sua atuação para atender às novas exigências do mercado. Além da comercialização de insumos, passaram a oferecer ferramentas de agricultura digital, gestão de risco e consultoria técnica.

    Segundo o presidente executivo da Andav (Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários), Paulo Tiburcio, o distribuidor deixou de atuar apenas na venda de insumos. Hoje, ele exerce uma função mais ampla no desenvolvimento da atividade agrícola.

    “Além da comercialização de insumos, as empresas ampliaram sua atuação na oferta de assistência técnica, agricultura digital, soluções financeiras, gestão de risco e serviços especializados, tornando-se parceiras estratégicas do produtor rural em um ambiente de negócios cada vez mais complexo”, afirma.

    Ao mesmo tempo, o segmento enfrenta desafios importantes. Entre eles estão o aumento do custo do capital, a maior seletividade na concessão de crédito, a necessidade de ganhos de escala, a profissionalização da gestão e o processo de consolidação do mercado.

    Nesse cenário, Tiburcio avalia que a competitividade depende cada vez mais da capacidade de oferecer soluções integradas ao produtor rural.

    “Hoje, a competitividade da distribuição vai muito além da capacidade comercial. Ela passa pela qualidade do relacionamento com a indústria, pela proximidade com o produtor, pela oferta de serviços, pela gestão financeira e pela capacidade de compreender as diferentes realidades do mercado brasileiro. É essa visão prática que queremos levar ao Congresso”, destaca.

    Programação aborda desafios e oportunidades

    O painel integra a programação do Congresso Andav 2026, que terá como tema “Agroeconomia Brasileira: Reflexões para o Futuro”. Durante os três dias de evento, representantes do agronegócio, da indústria, do mercado financeiro e da economia discutirão temas considerados estratégicos para o setor.

    Entre os assuntos previstos estão economia, crédito, reforma tributária, geopolítica, gestão de pessoas, bioenergia, inteligência de mercado e inovação. Além disso, será apresentada a Pesquisa Nacional da Distribuição Andav 2026, desenvolvida em parceria com o Cepea/Esalq-USP. O levantamento é considerado uma das principais referências sobre o mercado brasileiro de distribuição de insumos agropecuários.

    Por fim, a edição deste ano contará com quatro pavilhões e mais de 24 mil metros quadrados de área de exposição. O congresso reunirá centenas de empresas, instituições e especialistas. Dessa forma, reforça seu papel como ambiente voltado à geração de conhecimento, relacionamento e oportunidades de negócios para o agronegócio.

    Serviço

    15º Congresso Andav 2026

    Data: 11 a 13 de agosto de 2026.

    Horário da plenária: 11 e 12 de agosto, das 10h às 16h45; 13 de agosto, das 10h às 16h.

    Horário da exposição: 11 e 12 de agosto, das 9h às 21h; 13 de agosto, das 9h às 18h.

    Local: Transamerica Expo Center.

    Endereço: Avenida Dr. Mário Villas Boas Rodrigues, 387, Santo Amaro, São Paulo (SP), entrada pelo Pavilhão G.

    Outras informações: eventosandav.com.br

  • Fórum internacional debate agro regenerativo em Piracicaba

    Fórum internacional debate agro regenerativo em Piracicaba

    A cidade de Piracicaba (SP) recebeu na última terça-feira (23) o Fórum de Agricultura Regenerativa 2026, que colocou em debate a relação entre produção agrícola, preservação ambiental e financiamento de práticas sustentáveis. O encontro, realizado pela primeira vez no Brasil, reuniu 350 participantes presenciais e mais de 3 mil conectados online, com representantes de mais de 20 países entre produtores rurais, cientistas, investidores e formuladores de políticas públicas.

    O evento discutiu caminhos para ampliar a adoção de modelos produtivos baseados na regeneração do solo, conservação da biodiversidade e fortalecimento da segurança alimentar. O tom das falas foi de alerta sobre a necessidade de acelerar a transição no campo, diante de desafios climáticos, econômicos e regulatórios.

    Ensino, políticas públicas e lacunas estruturais

    Um dos pontos centrais do debate foi a crítica à formação acadêmica e à ausência de políticas públicas mais robustas para incentivar a agricultura regenerativa.

    A diretora estratégica para a América Latina na Naia Trust, Analí Bustos, afirmou que há um descompasso entre ensino e prática no setor. “Quando descobri que no meu país e na maior parte do mundo os estudantes de agronomia ou agricultura não estudam ecologia, fiquei espantada. Para mim, não existe agro sem ecologia e não pode existir ensino de agronomia sem ecologia”, disse.

    A especialista também defendeu maior participação do poder público na transição. “Faltam políticas públicas e incentivos para uma maior adoção da agricultura regenerativa. É essencial que seja promovido um cenário mais favorável, com benefícios e crédito, para que haja interesse por parte dos produtores”, completou.

    Brasil no centro do debate global sobre alimentos

    Outro ponto de destaque foi o papel estratégico do Brasil no cenário agrícola internacional. O cientista e ex-CEO do Crop Trust, Geoffrey Hawtin, afirmou que o país tende a ganhar ainda mais relevância na produção de alimentos.

    “O Brasil é um dos países agrícolas mais importantes do mundo, e provavelmente se tornará ainda mais importante”, declarou. Segundo ele, mudanças climáticas podem alterar a dinâmica global de produção e consumo. “Podemos ver ao longo do tempo uma necessidade de transformação em parte dos mercados de exportação, destinando menos à pecuária intensiva e mais à alimentação humana direta”, afirmou.

    O especialista também reforçou a necessidade de cooperação em diferentes níveis para avançar na agenda sustentável.

    Aumento de insumos e desafio da transição

    Dados apresentados durante o fórum indicaram preocupações com o uso crescente de defensivos agrícolas no mundo. O cientista-chefe da CABI, Ulrich Kuhlmann, citou aumento de 70% no uso de agrotóxicos entre 2000 e 2023, segundo dados da FAO.

    “O aumento do uso de agrotóxicos no mundo de 2000 a 2023 foi de 70%, segundo dados da FAO, e isto é muito preocupante”, afirmou. Para ele, a agricultura regenerativa pode ser uma alternativa viável, mas ainda enfrenta barreiras econômicas e estruturais.

    Kuhlmann destacou a falta de retorno financeiro claro ao produtor como um dos entraves à adoção de novas práticas. Ele também citou limitações da extensão rural e sugeriu o uso de ferramentas digitais de assistência técnica como alternativa para ampliar o acesso ao conhecimento.

    Mudança de paradigma no campo

    A diretora de Sustentabilidade da Daterra, Isabela Pascoal Becker, defendeu uma revisão na forma como a sociedade enxerga o setor agrícola.

    “É essencial que enxerguemos a agricultura como parte da natureza, não como um vilão ou algo separado”, afirmou. Para ela, a mudança precisa ser estrutural e envolver toda a cadeia produtiva.

    O fórum foi promovido pelo Global Landscapes Forum (GLF), pela Sustainable Agriculture Network (SAN), pelo Imaflora e pelo CABI BioProtection Portal. O encontro teve transmissão em quatro idiomas e contou com apoio institucional e do setor privado.