Categoria: Sustentabilidade

  • Máquinas inteligentes ajudam produtor contra mudanças climáticas

    Máquinas inteligentes ajudam produtor contra mudanças climáticas

    As mudanças climáticas têm alterado de forma significativa a rotina no campo. Secas prolongadas, chuvas irregulares e variações bruscas de temperatura impactam diretamente o planejamento das safras. Diante desse cenário, cresce o uso de máquinas inteligentes e tecnologias embarcadas para apoiar o produtor rural.

    Essas soluções já fazem parte da chamada agricultura de precisão. Elas permitem maior controle das operações, uso mais eficiente de insumos e tomada de decisão mais rápida. Como resultado, o produtor consegue reduzir perdas e melhorar o desempenho das lavouras mesmo em condições adversas.

    Além disso, a conectividade no campo amplia a capacidade de monitoramento em tempo real. Isso facilita o ajuste das operações conforme o clima muda ao longo do ciclo produtivo.

    Tecnologia amplia eficiência e reduz desperdícios

    Entre as principais ferramentas utilizadas estão piloto automático, telemetria, monitoramento remoto, controle de seções e aplicação em taxa variável. Esses recursos ajudam a adequar o manejo às características de cada área da propriedade.

    Com isso, há redução de sobreposição de insumos e menor desperdício de sementes, fertilizantes e defensivos. Ao mesmo tempo, o produtor ganha precisão nas operações e melhora o aproveitamento dos recursos disponíveis.

    Outro ponto relevante é a geração de dados pelas máquinas conectadas. Essas informações permitem analisar o desempenho das operações e planejar as próximas safras com mais segurança.

    De acordo com Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produto da Massey Ferguson, a tecnologia tem papel direto na adaptação da agricultura às mudanças climáticas.

    “As tecnologias embarcadas nas máquinas agrícolas permitem transformar dados em inteligência, ajudando a otimizar recursos, aumentar a eficiência operacional e reduzir riscos ao longo do ciclo produtivo”, afirma.

    Agricultura de precisão fortalece resiliência no campo

    Segundo o especialista, o uso dessas ferramentas já se tornou estratégico para o setor. A combinação entre automação, conectividade e análise de dados amplia a capacidade de resposta do produtor diante das variações do clima.

    “Quando utilizamos recursos como aplicação em taxa variável, piloto automático e monitoramento remoto, conseguimos produzir de forma mais eficiente, reduzindo desperdícios e aproveitando melhor cada janela de operação. Isso contribui não apenas para a rentabilidade do produtor, mas também para uma agricultura mais resiliente diante das mudanças climáticas”, destaca.

    A Massey Ferguson tem ampliado seu portfólio de soluções digitais para apoiar a gestão das propriedades rurais. A integração entre máquinas e plataformas de monitoramento permite uma visão mais completa da operação.

    Dessa forma, o produtor consegue tomar decisões mais estratégicas ao longo do ciclo produtivo. Além disso, melhora a eficiência operacional e reduz riscos associados ao clima.

    “A tecnologia é uma das principais aliadas da agricultura para enfrentar os desafios do presente e do futuro. Quanto mais informações o produtor tiver sobre sua operação, maior será sua capacidade de se adaptar às condições climáticas, preservar recursos e manter altos níveis de produtividade”, conclui Zanetti.

  • Maior reserva ambiental do Piauí protege 560 hectares de Caatinga

    Maior reserva ambiental do Piauí protege 560 hectares de Caatinga

    lgO Piauí acaba de ganhar sua maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de gestão estadual: a RPPN Flor da América, localizada em Colônia do Piauí. Com 560 hectares de Caatinga sob proteção permanente, a nova unidade de conservação representa um avanço histórico para a preservação do bioma, o único exclusivamente brasileiro. E um passo importante para o fortalecimento da conservação privada no país.

    A criação da reserva foi oficializada durante solenidade em Teresina (PI), em celebração ao Dia Nacional das RPPNs, comemorado em 31 de janeiro, data que ressalta o papel estratégico dessas áreas para a proteção da biodiversidade e o incentivo à preservação ambiental em propriedades particulares.

    Refúgio ecológico e legado ambiental

    A RPPN Flor da América, criada pela Auren Energia, funcionará como um verdadeiro santuário ecológico para diversas espécies da fauna e flora típicas do semiárido. Entre os animais protegidos estão aves, mamíferos, répteis e anfíbios que dependem da vegetação nativa para sobreviver.

    Além de abrigar a vida silvestre, a reserva exerce papel fundamental na regulação climática, na conservação do solo e na recarga hídrica da região. Sua localização estratégica contribui para a formação de corredores ecológicos. Permitindo o fluxo genético das espécies e fortalecendo a resiliência ambiental da Caatinga frente às mudanças climáticas.

    Avanço para a conservação do semiárido

    A criação da RPPN Flor da América integra um conjunto de ações voltadas à restauração e ao manejo sustentável da Caatinga no estado. Nessas áreas, monitoramentos recentes registraram mais de 170 espécies nativas, incluindo o periquito-da-caatinga, o pompeu e o gato-do-mato-pequeno. Todos classificados como vulneráveis pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).


    Jarbas Amaro, gerente de Sustentabilidade, e Rafael Campolina, gerente executivo de Sustentabilidade da Auren Energia, participam da cerimônia de assinatura para a criação da RPPN. Foto: Narcílio Costa/ Ascom Semarh/PI

    A iniciativa reforça o compromisso com a preservação de biomas estratégicos e demonstra o papel crescente do setor privado na ampliação das áreas de conservação voluntária no Brasil.

  • Produtor rural planta 12 mil árvores nativas em Minas e cria modelo de renda sustentável

    Produtor rural planta 12 mil árvores nativas em Minas e cria modelo de renda sustentável

    Um projeto de reflorestamento em Pouso Alegre, sul de Minas Gerais, demonstra como produtores rurais podem gerar renda com preservação ambiental. O engenheiro mecânico Fábio Garcia, proprietário da Fazenda Copaíba, plantou cerca de 12 mil mudas nativas em áreas que não geravam receita com lavoura ou pecuária. E transformou o passivo em ativo ambiental lucrativo.

    O advogado tributarista do agro Fernando Melo de Carvalho analisa o caso e aponta que a iniciativa revela o potencial do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Segundo ele, existe um caminho possível para conciliar produtividade, preservação e renda no campo, mas a falta de regulamentação ainda impede que o benefício alcance os mais de 6,3 milhões de pequenos produtores brasileiros.

    Pequenos produtores preservam mais, mas recebem menos incentivos

    O Brasil registra 6.382.832 propriedades rurais pequenas (com menos de 100 hectares), o que representa 93,2% do total de imóveis rurais do país, segundo dados oficiais do INCRA. As propriedades médias somam 343.977 unidades (5%) e as grandes, 123.579 (1,8%).

    “Quem mais preserva no Brasil recebe menos incentivo fiscal”, afirma Fernando Melo de Carvalho. O tributarista explica que, mesmo quando conservam áreas relevantes, os pequenos e médios produtores enfrentam barreiras para transformar a preservação ambiental em renda.

    “O produtor rural tem interesse direto em preservar o meio ambiente. Mas ele precisa de segurança jurídica e de incentivo real. Enquanto a legislação continuar incompleta, o país perde produtividade e sustentabilidade ao mesmo tempo”, destaca o advogado.

    Lei do PSA existe desde 2021, mas regulamentação emperra

    A Lei nº 14.119/2021 criou a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) para remunerar propriedades rurais que conservam florestas, água, solo e biodiversidade. Na prática, porém, a ausência de regulamentação e de um cadastro nacional estruturado impede que os produtores usufruam completamente do benefício fiscal.

    “Temos mecanismos de proteção ambiental que funcionam como normas indutoras no direito. Se a lei oferecesse isenção de imposto pelas receitas geradas com preservação ou plantio de mata nativa, o produtor naturalmente se adequaria para ter ganho financeiro. Isso desonera, estimula e preserva ao mesmo tempo”, explica Fernando.

    O especialista aponta que atualmente o produtor rural que deseja restaurar áreas degradadas e fazer uso econômico dispõe quase que apenas do modelo baseado em créditos de carbono. Esses certificados custam caro, exigem validação no exterior e focam em projetos de grande escala.

    Como funciona o projeto de reflorestamento da Fazenda Copaíba

    A Fazenda Copaíba possui 275 hectares. Desse total, 70 hectares já abrigam matas nativas preservadas. Outros 30 hectares apresentam trechos de alta inclinação, áreas alagadiças e margens de represas — espaços que não geram receitas com lavoura ou pecuária.

    “A área era inviável economicamente para lavoura de soja e milho. Tenho 15% das minhas terras que não servem para plantio e só geram despesas de manutenção com zero de receita. Pensei: ‘Por que não transformá-las em ativos ambientais de matas nativas e obter receitas com elas?’”, relata Fábio Garcia.

    O produtor conta que encontrou referência na Prefeitura de Extrema (MG), que remunera pequenas propriedades por serviços ambientais desde 2001 com grande sucesso. “Pelo que conheço do Brasil, essa terra ociosa existe em quase todas as pequenas propriedades rurais. Nós adaptamos o modelo para o B2B”, explica.

    Contratos com empresas e prefeitura viabilizam o negócio

    Fábio criou uma empresa específica para plantar árvores em sua fazenda. Em seguida, ofereceu a área como solução de compensação ambiental para empresas com passivos ambientais — entre elas, indústrias, empreendimentos logísticos e o poder público municipal.

    Foto: Arquivo pessoal

    “Rapidamente fechamos três contratos com duas empresas de galpões logísticos e com a Prefeitura de Pouso Alegre, que tinham obrigações de plantios de compensação para licenciamentos ambientais. Desde 2024, plantamos 12 mil mudas e mantemos incrível índice de sobrevivência de 99%”, comemora o produtor.

    Tributarista orienta enquadramento jurídico como PSA

    Para transformar o projeto em modelo juridicamente sustentável, Fábio seguiu orientação do tributarista Fernando Melo de Carvalho. O advogado enquadrou a receita recebida pelo produtor como Pagamento por Serviços Ambientais — e não como prestação de serviço comum — com base na Lei nº 14.119/2021.

    O especialista aplicou a isenção prevista no contrato com ente público e sugeriu que a Fazenda Copaíba fizesse consulta específica à Receita Federal sobre outros contratos de PSA.

    “Na medida em que pequenos e médios produtores reflorestarem partes inutilizadas de suas propriedades, eles podem celebrar contratos de PSA e receber os valores com isenção fiscal já prevista na legislação”, explica Fernando.

    O tributarista esclarece que esse tratamento tributário diferenciado aumenta a remuneração obtida com o reflorestamento como forma de incentivar o serviço ambiental prestado pelo produtor rural.

    “Esse produtor planta e conserva novas matas nativas em sua fazenda, em áreas que sofreram desmatamento nos séculos passados, quando isso era normal e até estimulado por políticas públicas. É justo e correto que o produtor tenha receitas pelos benefícios ambientais dos investimentos realizados. É um negócio limpo, sustentável e que deveria receber estímulo por lei”, afirma Carvalho.

    Cadastro Nacional de PSA ainda não existe

    O tributarista esclarece que produtores que trabalham para preservar o meio ambiente deveriam ter isenção sobre o valor recebido, mas a legislação prevê um mecanismo que o governo ainda não disponibilizou.

    “A Lei nº 14.119/2021 criou o PSA, mas sem a criação do Cadastro Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais, o incentivo não chega aos pequenos e médios produtores. Não conseguimos aplicá-lo nos contratos entre particulares”, esclarece Carvalho.

    Segundo o advogado, o caso da Fazenda Copaíba ilustra exatamente o potencial do PSA no campo. O modelo mostra que existe um caminho possível para conciliar produtividade, preservação e renda, desde que o arcabouço legal acompanhe essa realidade.

    O produtor planta, conserva e recebe para manter a floresta viva. Enquanto isso, empresas e prefeituras cumprem suas obrigações de compensação ambiental de forma simples, transparente e alinhada à realidade local.

    Falta de regulamentação impede expansão do modelo

    O tributarista aponta que a ausência de regulamentação da lei federal impede que o modelo seja expandido em larga escala com segurança jurídica. Isso impossibilita que todas as propriedades rurais do país sejam beneficiadas com esse incentivo em todos os contratos.

    “No caso concreto, diversas empresas e particulares demonstram interesse, mas muitas vezes não conseguimos realizar os negócios pelo custo e incerteza com a tributação. A Lei do PSA é de 2021 e até hoje não temos o cadastro nacional. Isso barra diversos contratos por onerar o recebimento pelo produtor rural, o que ao fim leva ao seu desinteresse”, conclui Fernando Melo de Carvalho.

  • Projeto Algimare promove mutirão de limpeza no rio Aratuá em Galinhos

    Projeto Algimare promove mutirão de limpeza no rio Aratuá em Galinhos

    No Dia Mundial de Limpeza dos Rios e Oceanos (Cleanup Day), o projeto Algimare promoveu um mutirão para limpeza do rio Aratuá, em Galinhos (RN). A ação uniu equipes do Centro AMA-GOA de Cultura e Meio Ambiente e da EMPARN. O mutirão contou ainda com apoio da Colônia de Pescadores Z-30, Prefeitura de Galinhos e patrocínio da Petrobras, parceira que aprovou o projeto no seu edital Socioambiental.

    O Algimare aposta na algicultura, o cultivo de algas marinhas, como motor de geração de renda para comunidades de marisqueiras e pescadoras da região. Além disso, o projeto atua na preservação ambiental, com foco na recuperação dos ecossistemas locais.

    A iniciativa pretende implantar duas unidades de cultivo da macroalga Gracilaria birdiae nas áreas de manguezal e braço de mar nas comunidades de Diogo Lopes, em Macau, e Galinhos. As unidades serão protegidas por costões arenosos e manguezais, ambientes propícios para o crescimento da alga.

    Sobre o projeto Algimare

    O projeto, desenvolvido pela EMPARN em parceria com o Centro AMA-GOA, recebeu investimento de R$ 3.939.726,00 pelo Programa Socioambiental da Petrobras. O montante será destinado à produção sustentável de macroalgas no litoral norte do Rio Grande do Norte, contemplando os municípios de Macau e Galinhos.

    Selecionado em 2023, o projeto aguardava a assinatura do convênio para iniciar as atividades, que terão duração prevista de três anos. A expectativa é que o investimento gere emprego e renda para a população local, incentivando a economia regional e promovendo a preservação dos recursos naturais.

    Ana Célia, pesquisadora da Unidade de Aquicultura da EMPARN, destaca que o Algimare reduzirá a colheita predatória em bancos naturais de algas, fortalecendo a conservação dos ecossistemas costeiros.

    A EMPARN fornecerá as recomendações técnicas para o Centro AMA-GOA executar as ações de cultivo e experimentos com as macroalgas. Segundo Josemir Neves, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da EMPARN, a produção das algas garantirá renda para pescadoras e marisqueiras, beneficiando comunidades tradicionais das duas localidades.

    Macroalgas e seus usos

    As macroalgas, organismos fotossintetizantes encontrados em ambientes marinhos e de água doce, podem ser consumidas frescas ou processadas. Seus produtos servem como estabilizantes e espessantes na indústria alimentícia, além de aplicações em fármacos, cosméticos, rações, fertilizantes e biotecnologia.

    Foto: ASCOM/EMPARN

    O Algimare alia a conservação ambiental à produção econômica, firmando-se como exemplo de desenvolvimento sustentável no litoral do Rio Grande do Norte.

  • Paraguaçu Paulista inaugura planta de biometano. Setor pode gerar até 20 mil empregos em SP

    Paraguaçu Paulista inaugura planta de biometano. Setor pode gerar até 20 mil empregos em SP

    O governador Tarcísio de Freitas participou da inauguração da segunda planta 100% de biometano no estado. O evento aconteceu no sábado (27) na usina Cocal, localizada em Paraguaçu Paulista, interior de São Paulo.
    A nova estrutura produz até 60 mil metros cúbicos de biocombustível por dia. Autoridades estaduais e municipais compareceram ao evento, incluindo o secretário executivo Alberto Amorim e deputados federais e estaduais.

    A planta utiliza vinhaça e torta de filtro, resíduos nobres da cana-de-açúcar, para produzir biogás. A empresa também aproveita esterco animal de granjas regionais no processo produtivo. “A unidade representa um marco na transição energética”, afirma Carlos Ubiratan Garms, membro do conselho da Cocal. “Com nossas duas plantas ativas, nossa região se torna uma das principais produtoras mundiais de biometano.”

    Estado lidera políticas públicas para biocombustíveis

    A Secretaria de Agricultura incentiva ativamente o uso do biometano como fonte renovável. Em 2024, parcerias com SEMIL e CETESB estabeleceram procedimentos de licenciamento ambiental para plantas do setor sucroenergético.

    Alberto Amorim, secretário executivo da SAA, destaca a posição estratégica paulista. “São Paulo ocupa apenas 3% da superfície brasileira, mas demonstra liderança em inovação e gestão energética.”

    A empresa distribui o biometano através de GNC (gás comprimido em cilindros). Caminhões transportam o combustível para clientes industriais e comerciais em todo o país. O objetivo da Cocal inclui substituir diesel por biometano nos veículos de transporte. Esta estratégia criará um ciclo completo com zero emissões desde a produção até a entrega final.

    “Pré-sal caipira” impulsiona economia verde

    São Paulo cultiva aproximadamente 5,5 milhões de hectares de cana-de-açúcar. O estado lidera a produção nacional e aproveitará resíduos como bagaço, palha e vinhaça para gerar energia.

    O setor ganhou relevância estratégica durante a Crise do Petróleo nos anos 1970. O etanol de cana reduziu a dependência brasileira do petróleo importado e consolidou alternativas energéticas.

    Biometano pode gerar 20 mil empregos até 2030

    O gás biometano resulta da purificação do biogás gerado pela decomposição orgânica. Após o tratamento, adquire propriedades similares ao gás natural convencional. Estudos da Fiesp e Governo de SP indicam potencial para criar 20 mil empregos diretos e indiretos. A produção pode aumentar de 0,4 milhão para 6,4 milhões de m³/dia.

    A expansão do biometano contribuirá para reduzir 16% das emissões previstas nas metas climáticas estaduais. A projeção estima cobertura de 40% da demanda atual de gás natural.
    Presidente Prudente receberá distribuição prioritária do biometano produzido. A estratégia fortalece a matriz energética regional e atrai investimentos sustentáveis.

  • Agricultores familiares podem receber R$ 28 mil por preservação ambiental na Amazônia

    Agricultores familiares podem receber R$ 28 mil por preservação ambiental na Amazônia

    Pequenos agricultores familiares da região amazônica têm a oportunidade de receber incentivos financeiros de até R$ 28 mil para manter suas propriedades preservadas através do projeto Floresta+ Amazônia. As inscrições para o segundo edital estão abertas e já contam com 100 produtores inscritos apenas em Mato Grosso.

    O programa conta com recursos de 96 milhões de dólares (aproximadamente R$ 480 milhões) e representa uma iniciativa conjunta do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com apoio do Fundo Verde para o Clima (GCF) e das Secretarias Estaduais de Agricultura Familiar e Meio Ambiente.

    O projeto Floresta+ Amazônia oferece pagamentos que variam entre R$ 1,5 mil e R$ 28 mil, dependendo do nível de regularização do Cadastro Ambiental Rural (CAR) da propriedade. O programa atende especificamente agricultores familiares com propriedades de até quatro módulos fiscais.

    Política de inclusão social e ambiental

    Além dos pequenos produtores rurais, o projeto também beneficia povos indígenas, ribeirinhos, extrativistas e quilombolas, funcionando como uma política de prevenção ao êxodo rural e valorização das comunidades tradicionais.

    “O Floresta+ Amazônia é um instrumento de justiça ambiental e social. Ao remunerar os pequenos produtores que conservam a floresta, o governo fortalece a agricultura familiar, garante a sustentabilidade e estimula que esses agricultores mantenham vivas as riquezas ambientais do nosso Estado”, explicou Andréa Fujioka, secretária de Estado de Agricultura Familiar de Mato Grosso.

    Como funciona o pagamento por serviços ambientais

    Segundo Patrícia Palermo, coordenadora local do Floresta+ Amazônia em Mato Grosso, o projeto representa um marco na política ambiental brasileira. “O produtor que conserva está prestando um serviço ambiental para o país, e por isso tem direito a receber. Esse incentivo fortalece o combate ao desmatamento e valoriza quem mantém a mata preservada”, destacou.

    Coordenadora local do Floresta + Amazônia em Mato Grosso, Patrícia Palermo. Foto: Divulgação

    A coordenadora explicou que os produtores recebem valores correspondentes à área conservada em suas propriedades, funcionando como reconhecimento pelo serviço prestado ao meio ambiente.

    Estados participantes do programa

    O projeto Floresta+ Amazônia abrange todos os estados da Amazônia Legal:

    • Acre
    • Amapá
    • Amazonas
    • Mato Grosso
    • Pará
    • Rondônia
    • Roraima
    • Tocantins
    • Maranhão

    Passo a passo para inscrição

    Para participar do programa, o agricultor familiar deve:

    • Acessar o site oficial do projeto Floresta+ Amazônia
    • Criar conta Gov.br (disponível em www.gov.br ou via aplicativo mobile)
    • Preencher três formulários com dados pessoais, informações da propriedade e conta bancária
    • Concordar com o termo de adesão ao projeto
    • Aguardar análise da equipe técnica, que entrará em contato posteriormente

    Apoio para regularização

    A Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) oferece suporte aos produtores durante o processo de inscrição, enquanto a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) auxilia na regularização do Cadastro Ambiental Rural.

    Agricultores que ainda não possuem o CAR regularizado podem buscar orientação na coordenação local do projeto, localizada na rua Edgard Prado Arze, s/n, 2° Andar, Centro Político Administrativo, em Cuiabá.

    Informações para contato

    • Telefone: (65) 9 9620-2894
    • E-mail: [email protected]
    • Site oficial: [Portal Floresta+ Amazônia]
  • Agricultura regenerativa fortalece manejo e reduz emissões de CO2

    Agricultura regenerativa fortalece manejo e reduz emissões de CO2

    Na Fazenda Estância, em Pirassununga, interior de São Paulo, a agricultura regenerativa deixou de ser teoria para se tornar prática diária de manejo. Integrante do programa Bayer ForwardFarming, a propriedade conduzida por Nathalia Vick, administradora e gestora de agronegócios, e Aline Vick, economista, se tornou referência em sustentabilidade ao unir produtividade agrícola, conservação do solo e redução expressiva das emissões de gases de efeito estufa.

    Com 1.200 hectares dedicados às culturas de soja, milho, sorgo, mandioca e cana-de-açúcar, a fazenda tem mostrado resultados consistentes. As análises de pegada de carbono, realizadas entre fevereiro de 2024 e março de 2025, comprovaram que a média da safra 24/25 da soja atingiu 616,4 kg CO2 eq./t, valor 60% menor do que a média nacional (1.526 kg CO2 eq./t). Em um dos talhões avaliados, o índice chegou a 373 kg CO2 eq./t, redução de 76% em relação à média brasileira.

    Ferramenta inédita de medição por talhão

    O cálculo foi feito por meio da Footprint PRO Carbono, ferramenta desenvolvida pela Bayer em parceria com a Embrapa, baseada na metodologia internacional de avaliação do ciclo de vida (ACV). Dessa forma, a tecnologia permite calcular a pegada de carbono por talhão, diferencial em relação a outras ferramentas disponíveis no mercado.

    Aline e Nathalia Vick – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “É importante ressaltar que cada talhão possui um perfil de solo e histórico de manejo diferente, o que influencia a pegada. Ainda assim, o talhão com maior pegada registrada ainda representa 22% menos do que a média nacional”, afirma Felipe Albuquerque, diretor de Sustentabilidade da divisão agrícola da Bayer para a América Latina.

    No milho segunda safra, a análise também seguiu a mesma metodologia e concluiu que a média da Fazenda Estância foi de 751,71 kg CO2 eq./t, resultado 46% menor que a média brasileira da cultura (1.387 kg CO2 eq./t).

    Manejo regenerativo como caminho sustentável

    As irmãs Vick apostam em técnicas como sucessão milho-soja, integração com braquiária e manutenção da palhada para proteger o solo e melhorar sua fertilidade. “Falar em carbono é falar na medida de vida do solo. Onde tenho mais carbono, tenho mais produtividade”, resume Aline.

    Ela explica que pequenas mudanças fazem diferença. “No caso da soja, substituímos a aplicação de ureia pelo nitrato, que emite menos gases de efeito estufa. Também adotamos tecnologias de precisão que reduzem manobras de maquinário, gerando economia de combustível e, consequentemente, menor emissão”, diz.

    Palhada no solo garante proteção e mantém umidade – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    A transição exigiu convencimento dentro da família, mas hoje os resultados falam por si. “Foi um desafio mostrar que a mudança era positiva. Enfim, todos defendem as práticas regenerativas porque vemos na prática a resiliência da lavoura e os ganhos ambientais”, afirma Aline.

  • Cooperativa de Tomé-Açu impulsiona agrofloresta sustentável

    Cooperativa de Tomé-Açu impulsiona agrofloresta sustentável

    O cooperativismo na Amazônia assume múltiplas faces e mostra que há caminhos possíveis para conciliar produção agrícola, inclusão social e preservação ambiental. Enquanto na comunidade de Anã, em Santarém, o turismo ecológico fortalece famílias ribeirinhas e protege o ecossistema; em Tomé-Açu, no nordeste do Pará, agricultores encontraram na agrofloresta a resposta para frear a degradação causada pela expansão da pecuária e da soja. Neste município, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (CAMTA) se tornou símbolo de inovação, tradição e desenvolvimento sustentável — um modelo replicável para toda a Amazônia.

    Quase um século de cooperação

    Fundada em 1929 por imigrantes japoneses, a cooperativa nasceu em meio ao desafio de adaptar cultivos tropicais ao clima e ao solo amazônicos. Com o tempo, consolidou-se como protagonista na difusão de técnicas agrícolas e na criação de alternativas sustentáveis para crises enfrentadas pela região. Hoje, reúne mais de 600 famílias cooperadas e alcança um faturamento anual superior a R$ 124 milhões.

    Alberto Oppata, Presidente da CAMTA – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Seu parque agroindustrial permite beneficiamento e exportação de cacau, açaí, pimenta-do-reino, cupuaçu, maracujá e outras frutas tropicais. Os produtos chegam a mercados como da Europa, Ásia e América do Norte. Cada um leva consigo não apenas qualidade e rastreabilidade, mas também a marca de uma agricultura que respeita o meio ambiente e valoriza a diversidade cultural local.

    “Estamos celebrando também os 96 anos da imigração japonesa, que trouxe conhecimento agrícola e visão de comunidade para esta região”, recorda o presidente da cooperativa, Alberto Oppata. Para ele, o segredo da longevidade está na resiliência: depois da praga que dizimou a pimenta-do-reino nos anos 1960, os produtores aprenderam que diversificação e inovação eram o único caminho.

    Agrofloresta como alternativa de futuro

    O grande diferencial da cooperativa está na difusão dos Sistemas Agroflorestais (SAFs), em que culturas agrícolas se misturam com espécies nativas da floresta. Essa integração recupera áreas degradadas, melhora o microclima, protege a biodiversidade e garante renda contínua ao agricultor.

    Ernesto Suzuki, Cooperado CAMTA/ CEO Casa Suzuki – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Um exemplo emblemático é o SAF dendê, conduzido pelo cooperado Ernesto Suzuki. Desde 2008, em parceria com a Natura, a Embrapa e instituições de pesquisa, ele testa técnicas de cultivo sustentável da palmeira, combinada a espécies como cacau, açaí e andiroba. O resultado é produção sem queimadas, com adubação orgânica e baixo custo de manutenção. “Hoje, conseguimos produzir dendê, cacau, açaí e andiroba juntos, mantendo equilíbrio ecológico e garantindo receita desde o primeiro ano”, explica Suzuki.

    Além da produção agrícola, Suzuki criou a Casa Suzuki em 2023, espaço dedicado à valorização da biodiversidade. Lá, cacau é transformado em chocolates finos, pesquisas com cogumelos avançam em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e turistas vivenciam experiências únicas, como o banho de floresta.

    Histórias que preservam a memória e a floresta

    A diversidade também marca a trajetória da família Mineshita, que há mais de três décadas aposta no sistema consorciado como forma de enfrentar pragas e garantir renda estável. Em 20 hectares, sendo 15 cultivados, o engenheiro agrônomo Armando Tamotsu Mineshita produz cacau, açaí, cupuaçu, banana, pitaya, rambutan e mangostão.

    Armando Mineshita, agricultor e cooperado CAMTA – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    O modelo adotado cria um microclima que mantém a umidade, reduz o uso de adubos químicos e proporciona conforto até na hora da colheita. “Trabalhar no sol é difícil, mas aqui, pela manhã ou à tarde, a temperatura é sempre agradável”, comenta o agricultor. A produção atual chega a 10 toneladas de cacau, 7 de açaí e 7 de cupuaçu por ano.

    Para Mineshita, a grande lição é que a diversificação gera riqueza. “Aqui, aprendemos que é possível produzir em grande escala e, ao mesmo tempo, cuidar da floresta. A diversidade protege e fortalece a produção.”

    Inovação, inclusão e bioeconomia

    A Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu não é apenas uma associação de produtores. É também espaço de pesquisa, formação técnica e valorização social. A organização promove cursos de capacitação, mantém parcerias com universidades e empresas privadas e incentiva a participação feminina na gestão, com um comitê voltado para mulheres cooperadas.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Com esse trabalho, a cooperativa se tornou exemplo da bioeconomia amazônica, em que biodiversidade e conhecimento científico se transformam em geração de renda e oportunidades. Reconhecida nacional e internacionalmente, a experiência de Tomé-Açu é estudada por universidades e organismos multilaterais como modelo de agricultura tropical sustentável.

    Símbolo da Amazônia que dá certo

    As histórias de Oppata, Suzuki e Mineshita mostram que o futuro da Amazônia pode ser construído com base em tradição, ciência e cooperação. Mais que produzir alimentos, a cooperativa e seus associados criam uma narrativa de resistência e esperança: a de que é possível conciliar floresta em pé, qualidade de vida no campo e desenvolvimento econômico.

    Com quase um século de história, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu permanece como símbolo vivo de que a agricultura amazônica não precisa repetir o modelo predatório. Ao contrário: pode ser inspiração para o Brasil e para o mundo.

  • Cooperativa fortalece mulheres e cultura amazônica

    Cooperativa fortalece mulheres e cultura amazônica

    Fundada em 2009, a Cooperativa Turiarte nasceu da união de mulheres que transformam sementes, fibras vegetais, escamas de peixe e argila marajoara em peças artesanais únicas. Localizada em comunidades ribeirinhas de Santarém, no oeste do Pará, a cooperativa se tornou um espaço de resistência cultural e inclusão social, garantindo renda e reconhecimento para mulheres amazônicas.

    Com 180 cooperados — sendo 114 mulheres artesãs — a Turiarte atua em 12 comunidades, entre áreas de assentamento e reservas extrativistas. Além do artesanato, a cooperativa apoia iniciativas ligadas à agricultura familiar, piscicultura, meliponicultura e turismo comunitário.

    A viagem até Anã

    O portal Agro em Campo partiu de Alter do Chão ainda pela manhã. A chuva da madrugada havia deixado o céu encoberto e o rio Tapajós revolto, com ondas que batiam no casco do barco a motor e o jogava de um lado para o outro. Durante cerca de duas horas, a embarcação cortou as águas verdes e densas, margeadas pela floresta. Ao entrar no rio Arapiuns, o cenário se transformou: o ritmo do motor se misturou ao canto de pássaros e à calmaria da mata, revelando a entrada na comunidade de Anã.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    De acordo com informações obtidas no site da Prefeitura de Santarém, Anã é composta por 87 famílias, com um total de 342 moradores. A comunidade se organiza em torno do turismo comunitário, hospedarias, trilhas, culinária regional e atividades ligadas ao manejo de peixes e abelhas, que são oferecidas aos visitantes que desejam vivenciar a floresta e suas águas cristalinas de maneira próxima aos moradores.

    Piscicultura e meliponicultura como sustento

    Um dos pilares da comunidade é a piscicultura. O projeto, iniciado em 2000 e reforçado em 2004 pelo grupo Mulheres Sonhadoras em Ação (Musas), envolve 12 famílias. A produção abastece a alimentação local e o turismo, garantindo equilíbrio entre consumo e renda.

    Outra atividade em destaque é a meliponicultura. Vinte e duas famílias chegaram a cuidar de 700 enxames da abelha Canudo, espécie sem ferrão. A seca de 2024 reduziu a produção, mas, em média, chegam a extrair 400 quilos de mel orgânico por ano. O produto é uma das joias da comunidade. “Essa abelha não aceita alimento artificial, só néctar e pólen. É um mel puro e único da Amazônia”, explicou o meliponicultor Aldair José Goudinho Imbiriba, enquanto mostrava os potes dourados aos visitantes.

    Voz feminina no cooperativismo

    Natália Dias Viana, 24 anos, presidente da Turiarte, carrega no discurso a força de quem cresceu vendo a mãe construir o cooperativismo. Nascida na Vila Brasil, às margens do rio Arapiuns, ela foi secretária da cooperativa ainda adolescente e hoje lidera 180 cooperados.

    Natália Dias Viana, presidente da Cooperativa Turiarte – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “Trabalhamos com artesanato e turismo, mas também apoiamos indiretamente outros projetos, como a piscicultura, a meliponicultura e a agricultura familiar. Nosso papel é valorizar a cultura e garantir que as mulheres tenham renda e autonomia”, afirmou.

    Ela detalha a gestão descentralizada da Turiarte: cada comunidade tem um coordenador responsável por trazer demandas e compartilhar informações. “O cooperado precisa entender seus direitos e deveres. O artesanato é mais que um produto, é nossa história e nossa cultura. Se não houver comercialização, corremos o risco de perder esse legado”, ressaltou.

    Segundo Natália, a demanda pelo artesanato cresceu com a aproximação da COP 30 e com a participação em feiras internacionais. “Estamos quase sem espaço para novos pedidos. Nosso trabalho é manual, exige tempo e dedicação. Por isso precisamos de estratégias para crescer com qualidade”, destacou.

    Tradição que atravessa gerações

    Entre as mãos que mantêm viva essa herança está a de Ivaneide de Oliveira, a Dona Neide, 47 anos. Sentada em frente a sua casa na comunidade de Urucureá, ela trançava pacientemente a palha do tucumã, transformando-a em cestos e peças que carregam a identidade amazônica.

    Dona Neide realiza o tingimento da palha do tucumã – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “Aprendi com minha mãe, que aprendeu com a dela. Hoje já ensinei à minha filha. É um trabalho que passa de geração em geração. O artesanato é nossa marca e precisa ser valorizado”, contou.

    O gesto repetido ao longo dos anos, segundo ela, é também uma forma de resistência. “A cooperativa trouxe muitos benefícios para nossas famílias. Além da renda, nos deu independência. Cada peça é mais que um objeto, é a continuidade da nossa cultura”, completou.

    Reconhecimento internacional

    Com apoio do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) e da ApexBrasil, a Turiarte avançou no posicionamento digital, participou da Expotextil em Bogotá, na Colômbia, e realizou sua primeira exportação em 2023. O passo reforça a capacidade de o cooperativismo amazônico acessar mercados globais sem abrir mão da preservação cultural e ambiental.

    “Nosso sonho é consolidar as exportações. Já estamos nos preparando com cursos e treinamentos. O mercado internacional é exigente, mas queremos levar a arte da floresta para o mundo”, afirmou Natália.

    Mais que artesanato: desenvolvimento local

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    A Turiarte integra artesanato, turismo e inclusão social, ao mesmo tempo em que fortalece políticas públicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos Indígenas (PAA Indígena). O modelo mostra como o cooperativismo pode ser solução local para desafios globais, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como igualdade de gênero, trabalho decente e combate às mudanças climáticas.

    “É muito mais do que só o artesanato. Para nós é a nossa história, nossa riqueza, nossa cultura”, concluiu Natália.

  • Força do cooperativismo transforma economia e comunidades no Brasil

    Força do cooperativismo transforma economia e comunidades no Brasil

    Unir para fortalecer. Esse é o princípio que guia o cooperativismo brasileiro, um modelo socioeconômico que vem transformando comunidades em todas as regiões do país. Com mais de 25,8 milhões de cooperados e a geração de 578 mil empregos diretos, o setor demonstra força ao combinar crescimento econômico, inclusão social e impacto comunitário.

    Segundo o presidente do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), Márcio Lopes de Freitas, os resultados comprovam a resiliência do modelo. “Chegamos a um crescimento de 66% no número de cooperados desde 2019. Mais do que números, entregamos dignidade, renda e desenvolvimento sustentável”, afirmou. Em 2024, as cooperativas brasileiras movimentaram R$ 757,9 bilhões, com expansão de 9,5% em relação ao ano anterior.

    Modelo centrado em pessoas

    O cooperativismo se diferencia por colocar os associados no centro do negócio. Cada cooperado é, ao mesmo tempo, dono e participante ativo das decisões. “Nossa governança é democrática: cada pessoa tem direito a um voto, independente do quanto investe. Não falamos em lucro, mas em sobras, que são reinvestidas na própria cooperativa ou na comunidade”, explicou Samara Araujo, gerente de Marketing e Comunicação do Sistema OCB.

    Samara Araujo, gerente de Marketing e Comunicação do Sistema OCB – Foto: Pedro H. Lopes/Agro Em Campo

    Esse modelo gera impacto direto nas regiões em que atua. Em muitas localidades, as sobras são revertidas em melhorias nas escolas, infraestrutura e programas sociais. Além das cooperativas de crédito, destacam-se iniciativas ligadas ao artesanato, reciclagem, turismo, agricultura e meliponicultura, que têm impulsionado cadeias produtivas e promovido inclusão econômica.

    Exemplos da Amazônia

    No Pará, duas experiências demonstram como o cooperativismo atua na prática. Em Santarém, a Cooperativa Turiarte, localizada na comunidade do Anã, fortalece o turismo de base comunitária e o artesanato local, garantindo renda para dezenas de famílias. A iniciativa valoriza a cultura amazônica e atrai visitantes interessados em vivências sustentáveis.

    Já em Tomé-Açu, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (CAMTA) é referência em produção agrícola sustentável. Com forte atuação na diversificação de culturas e no uso de sistemas agroflorestais, a cooperativa combina geração de renda com preservação ambiental, transformando o município em um polo de inovação no agronegócio.

    Esses exemplos regionais reforçam o caráter plural do cooperativismo, capaz de unir tradição e modernidade, pequenas comunidades e grandes cadeias produtivas.

    Estrutura de apoio e capilaridade nacional

    Criado em 1969, durante o IV Congresso Brasileiro do Cooperativismo, o Sistema OCB unificou a representação nacional e hoje atua em três frentes:

    Organização das Cooperativas Brasileiras  – OCB – responsável pela representação política junto ao Executivo, Legislativo e Judiciário;

    Confederação Nacional das Cooperativas – CNCoop – entidade sindical de grau máximo, que defende os interesses das cooperativas;

    Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo – Sescoop – braço de formação e capacitação, voltado ao desenvolvimento humano, gestão e promoção social.

    Esse tripé garante que as cooperativas recebam suporte em inteligência de dados, capacitação, inovação, ESG, comunicação e negócios. “Levamos tecnologia e assistência técnica até os cooperados no interior do país, ajudando a fortalecer sua competitividade”, reforçou Samara.

    Futuro sustentável e reconhecimento internacional

    O ano de 2025 marca um momento simbólico: a ONU destacou o cooperativismo como modelo essencial para um futuro mais justo e sustentável. Para o presidente da OCB, o reconhecimento fortalece a posição do setor no Brasil e no mundo. “Distribuímos R$ 51,4 bilhões em sobras em 2024, que retornam para as comunidades e alimentam novos sonhos. O cooperativismo é um ciclo virtuoso de prosperidade compartilhada”, disse.

    Com presença em todos os estados, o movimento segue em expansão e incorporando novas práticas. Hoje, 52% da força de trabalho do setor é feminina, e cresce o número de jovens interessados em integrar cooperativas, principalmente em áreas ligadas à inovação e à economia verde.

    Em síntese, o cooperativismo se consolida como uma alternativa concreta frente aos desafios sociais, econômicos e ambientais. Mais do que números, representa a força da união coletiva para transformar realidades. Como resume o lema do Sistema OCB: unidos somos mais fortes e vamos mais longe.