Tag: Ministério da Agricultura

  • Fiscalização do mapa apreende 7,2 milhões de litros de cachaça

    Fiscalização do mapa apreende 7,2 milhões de litros de cachaça

    Uma das maiores apreensões de bebidas do ano no interior paulista foi realizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Uma operação de fiscalização resultou na apreensão de impressionantes 7,28 milhões de litros de aguardente de cana e cachaça em um estabelecimento na região de Ribeirão Preto, um dos principais polos do agronegócio e da produção sucroalcooleira do país.

    A ação foi conduzida por auditores fiscais federais agropecuários das unidades do Mapa sediadas em Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Durante a vistoria, os fiscais identificaram que a empresa operava como padronizador e atacadista das bebidas sem possuir o registro obrigatório junto ao órgão federal, uma exigência prevista na legislação brasileira para garantir a qualidade e a procedência dos produtos.

    Como medida administrativa cautelar, o Mapa determinou a suspensão imediata e temporária das atividades de padronização e da comercialização atacadista da cachaça e aguardente no local. A decisão encontra respaldo no artigo 198, inciso III, do Decreto nº 12.709/2025, que regulamenta a fiscalização de produtos de origem vegetal.

    Além da apreensão, foi lavrado um auto de infração contra a empresa. Ela responderá administrativamente pelo exercício irregular das atividades sem o devido cadastro no Ministério da Agricultura. A legislação concede à empresa um prazo de 20 dias para apresentar defesa administrativa referente às irregularidades constatadas durante a fiscalização.

    Por que a bebida irregular é um risco

    O consumidor pode não perceber, mas por trás de um rótulo falso ou da ausência de registro, pode haver um coquetel de substâncias químicas perigosas.

    Nesses casos, o principal vilão é o metanol, um álcool altamente tóxico que a indústria utiliza como solvente e anticongelante e que seres humanos não devem ingerir.

    Diferentemente do etanol,o álcool comum das bebidas, o organismo metaboliza o metanol e o transforma em formaldeído e ácido fórmico, substâncias que atacam o sistema nervoso central e o nervo óptico. Os riscos são imediatos e graves:

    • Cegueira irreversível: apenas 10 ml (cerca de duas colheres de chá) podem causar danos permanentes à visão.
    • Morte: a ingestão de 30 ml ou mais pode ser fatal.
    • Danos neurológicos e falência de órgãos: o metanol provoca acidose no sangue, ataca os rins e pode levar ao coma.

    Casos históricos no Brasil escancaram essa tragédia. Nos anos 1990, na Bahia, mais de 50 pessoas morreram após consumirem cachaça contaminada com metanol em dois surtos distintos, deixando dezenas de sobreviventes com sequelas permanentes. Mais recentemente, em 2025, o estado de São Paulo registrou mortes e casos de cegueira causados por destilados adulterados, envolvendo bebidas como gin, uísque e vodca.

    Como identificar e se proteger?

    Especialistas alertam que o metanol é incolor e tem cheiro semelhante ao do etanol, tornando impossível identificá-lo apenas pelo sabor ou aparência. A única forma segura de consumo é comprando produtos de origem legalizada.

    A Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) recomenda um passo a passo para evitar o risco:

    • Verifique o rótulo: bebidas legalizadas comercializadas no Brasil possuem contrarrótulo em português, com o número do registro no Ministério da Agricultura (MAPA). Esse é exatamente o documento que faltava no estabelecimento fiscalizado.
    • Desconfie de preços muito baixos: ofertas muito abaixo da média de mercado são um forte indicador de irregularidade.
    • Examine a embalagem: verifique a vedação, se o lacre está intacto e se o nível do líquido parece correto. Rótulos com má qualidade ou erros ortográficos são sinais de alerta.
    • Compre em locais confiáveis: prefira estabelecimentos com boa reputação e que forneçam nota fiscal.

    Destino da apreensão e sintomas de alerta

    Apesar do volume expressivo, os fiscais não removeram do local os mais de 7,2 milhões de litros de bebidas alcoólicas apreendidos. A empresa mantém o produto armazenado em suas próprias instalações, após assumir a condição de fiel depositária. A mercadoria permanecerá retida até a conclusão do processo administrativo instaurado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que definirá o destino final da carga.

    Caso você ou alguém próximo consuma uma bebida e apresente sintomas como dor de cabeça intensa, náuseas, vômitos, dor abdominal, confusão mental, visão turva ou dificuldade para respirar, procure imediatamente um atendimento médico de urgência. O socorro rápido é essencial para evitar sequelas permanentes.

  • Mapa intercepta 17 toneladas de insumos agrícolas ilegais em ação nacional

    Mapa intercepta 17 toneladas de insumos agrícolas ilegais em ação nacional

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apreendeu mais de 17 toneladas de agrotóxicos e fertilizantes irregulares durante a Operação Defense (Ronda Agro CXXVII), realizada nos dias 3 e 4 de fevereiro de 2026, em Boa Esperança (MG). A ação faz parte do Programa Vigifronteiras, voltado ao combate de ilícitos agropecuários em regiões de fronteira e polos de distribuição.

    Foto: Mapa

    A operação contou com o apoio do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), da Polícia Civil de Minas Gerais, da Superintendência de Inteligência Integrada da Secretaria de Segurança Pública de Goiás, do Centro Integrado de Inteligência, Segurança Pública e Proteção Ambiental (CIISPA) e do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA-SP).

    Produtos irregulares e risco à saúde pública

    Durante a fiscalização, os agentes encontraram produtos armazenados de forma precária e sem registro oficial, além de rótulos adulterados e embalagens em línguas estrangeiras que não coincidiam com as traduções apresentadas. As análises preliminares com espectrômetro de infravermelho portátil apontaram a presença de ingredientes ativos como fipronil, diuron, piraclostrobina, tiametoxam e benzoato de emamectina, substâncias cujo uso o país controla ou restringe com rigor.

    Conforme o Mapa, os responsáveis manipulavam e fracionavam os insumos clandestinamente em um galpão sem condições adequadas. E vendiam os produtos sem receituário agronômico ou bula técnica. O que representa grave risco à saúde pública e ao meio ambiente.

    Prejuízo milionário e responsabilização

    O valor estimado dos produtos apreendidos ultrapassa R$ 3 milhões, segundo cálculos do Mapa. Os responsáveis foram conduzidos à Delegacia de Polícia Civil de Boa Esperança (MG). E responderão por infrações administrativas e crimes contra a saúde pública, o meio ambiente e de contrabando.

    “Operações como essa mostram a importância de observar corretamente a origem dos produtos adquiridos e checar o seu número de registro, disponível nos rótulos. É fundamental que produtores rurais, no momento da compra, avaliem se aquela cooperativa ou distribuidora está devidamente credenciais aos órgãos estaduais ou federais, tanto para resguardo próprio, quanto para evitar o mercado ilegal. Produtos agrícolas, sobretudo químicos, não podem ser adquiridos pela internet”, ressaltou o gerente de Combate a Produtos Ilegais da CropLife Brasil, Nilto Mendes.

    De acordo com o Ministério, ações como a Operação Ronda Agro têm como objetivo principal proteger o setor produtivo nacional. Além de garantir a segurança dos alimentos e impedir a concorrência desleal no comércio de insumos agrícolas.

  • Brasil bate recorde de registros de bioinsumos

    Brasil bate recorde de registros de bioinsumos

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) encerrou 2025 com recorde histórico de registros de bioinsumos e avanços na modernização regulatória de agrotóxicos. Segundo dados publicados no Ato nº 63 da Coordenação-Geral de Agrotóxicos e Afins (CGAA/SDA/Mapa), o país registrou 912 novos produtos ao longo do ano, consolidando a liderança brasileira em inovação e segurança fitossanitária.

    Dos registros concedidos, 323 correspondem a produtos técnicos, destinados ao uso industrial, enquanto 162 são bioinsumos, o maior volume já contabilizado no Brasil. A categoria inclui produtos biológicos, microbiológicos, bioquímicos, extratos vegetais e reguladores de crescimento, com aplicações inclusive na produção orgânica.

    Além disso, o Mapa aprovou seis ingredientes ativos inéditos (Ipflufenoquina, Fluoxastrobina, Fluazaindolizine, Isopirazam, Fenpropidin e Ciclobutrifluram) e 19 formulações baseadas em moléculas novas, reforçando a modernização da base de defensivos agrícolas no país.

    Inovação e competitividade no campo

    A introdução de novos ingredientes ativos fortalece o manejo integrado de pragas, reduz riscos de resistência e amplia as opções de controle fitossanitário. Segundo o ministério, essas incorporações estimulam a pesquisa nacional e colocam o agronegócio brasileiro em posição de destaque no mercado global.

    Os produtos equivalentes, versões genéricas que promovem concorrência e reduzem custos, representaram a maior parte dos registros. Parte dessas liberações resultou de decisões judiciais associadas a processos antigos, protocolados entre 2015 e 2016.

    Modernização do marco regulatório

    Para garantir maior transparência e eficiência, o Mapa publicou o Ato nº 62, de 22 de dezembro de 2025, que centraliza o protocolo de registros por meio do Sistema Eletrônico de Informações (SEI/Mapa). Desde setembro, todos os novos pedidos passaram a tramitar exclusivamente pela plataforma digital, substituindo registros diretos na Anvisa e no Ibama.

    A medida também prioriza produtos com menor impacto ambiental e à saúde humana. Porém, sem alterar a tramitação dos processos antigos, o que reforça a segurança jurídica do setor.

    O ministério reforça que o número de registros não indica aumento automático no uso de defensivos. A aplicação depende de fatores técnicos, como área plantada, manejo de pragas e condições climáticas. Em 2024, 58,6% das marcas comerciais de agrotóxicos químicos e 13,6% dos ingredientes ativos registrados não chegaram a ser comercializados.

    Mais fiscalização e controle

    Em 2025, o Mapa intensificou a fiscalização e a revisão técnica de produtos, publicando chamamentos públicos e o Ato nº 61, que suspendeu 34 registros de agrotóxicos. As ações envolveram revisões sobre ingredientes como Glifosato, 2,4-D, Atrazina e Acefato, além da apreensão de 1.946 litros de produtos ilegais durante operações de campo.

    O registro no Brasil continua a seguir um processo tripartite rigoroso, com avaliações da Anvisa, Ibama e Mapa, que consideram impactos à saúde, ao meio ambiente e à eficácia agronômica.

    O balanço de 2025 integra as ações iniciadas pela Lei nº 14.785/2023, que introduziu o modelo de protocolo único e rastreabilidade. Para 2026, o ministério planeja lançar o Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (SISPA), em parceria com Anvisa e Ibama, consolidando o avanço digital da regulação.

    Segundo a diretora do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, Edilene Cambraia Soares, “o país reforça sua liderança global ao combinar transparência, segurança e inovação. Com destaque para a expansão dos bioinsumos como pilar da agricultura sustentável”.

  • Café contaminado: Ministério ordena recolhimento de lotes em todo o país

    Café contaminado: Ministério ordena recolhimento de lotes em todo o país

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) emitiu um alerta aos consumidores brasileiros sobre a identificação de irregularidades graves em lotes de café torrado comercializados no mercado nacional. A fiscalização, conduzida pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal da Secretaria de Defesa Agropecuária, resultou na desclassificação de 23 lotes do produto.

    As análises laboratoriais realizadas pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA) revelaram a presença de matérias estranhas e impurezas em concentrações superiores aos limites estabelecidos pela legislação vigente. A constatação levou ao recolhimento imediato dos lotes comprometidos.

    Como os consumidores devem proceder

    O Mapa orienta que os consumidores que adquiriram produtos incluídos na lista de lotes irregulares interrompam imediatamente o consumo. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, os compradores têm direito à substituição do produto sem custos adicionais.

    Para registrar denúncias sobre a comercialização desses lotes ou relatar problemas relacionados, os consumidores podem utilizar a plataforma Fala.BR. É necessário informar o nome do estabelecimento comercial e o endereço completo onde a compra foi realizada.

    Fiscalização e segurança alimentar

    A ação faz parte do trabalho contínuo de fiscalização do Ministério da Agricultura para garantir a qualidade e segurança dos alimentos consumidos pela população brasileira. A detecção de impurezas acima dos limites permitidos no café representa risco potencial à saúde dos consumidores e configura infração às normas sanitárias do setor.

  • Operação apreende 21 toneladas de café irregular

    Operação apreende 21 toneladas de café irregular

    Uma operação de fiscalização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) resultou na apreensão de mais de 21 toneladas de café torrado e moído irregulares em compras públicas na capital paranaense. A ação, realizada no início de dezembro, expôs fraudes que colocam em risco a saúde do consumidor e reforça a necessidade de fiscalização rigorosa no setor.

    Durante a operação, foram recolhidas embalagens de 500 gramas de diversos lotes. Um deles já foi condenado por laudo laboratorial que o classificou como impróprio para consumo humano. O exame identificou teor de matérias estranhas e impurezas quatro vezes acima do limite de 1% estabelecido pela Portaria SDA nº 570/2022, normativa que define o padrão oficial de classificação do café torrado no Brasil.

    Os demais lotes permanecem apreendidos aguardando a conclusão das análises laboratoriais para determinar se também apresentam irregularidades que comprometam a qualidade e segurança do produto.

    Fraudes em série na região metropolitana

    Outra fiscalização, realizada em compra pública na Região Metropolitana de Curitiba, identificou fraude ainda mais grave. Além do excesso de matérias estranhas e impurezas em quantidade três vezes acima do permitido, a equipe do Mapa constatou a ausência de informação sobre a espécie de café na rotulagem e o uso indevido de selo de qualidade de entidade associativa, caracterizando informação enganosa ao consumidor.

    Em órgão público federal na capital, foram apreendidos mais de 1.500 pacotes de café torrado e moído de 500g. Os laudos confirmaram fraude com teor de impurezas mais de sete vezes acima do limite legal. Todos os produtos serão encaminhados para destruição.

    80 mil pacotes retirados do mercado

    Somente em 2025, as fiscalizações realizadas no Paraná já apreenderam 40 toneladas de café torrado e moído, volume equivalente a 80 mil pacotes de 500 gramas. A ação representa a retirada do mercado de aproximadamente 3,2 milhões de xícaras de café de baixa qualidade.

    O trabalho é coordenado pelo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (SIPOV-PR), que vem intensificando esforços para coibir fraudes e proteger o consumidor desde a entrada em vigor da Portaria SDA nº 570/2022.

    Cenário preocupante: 65% de irregularidades

    Entre 2023 e 2025, foram realizadas 186 coletas de amostras no Paraná, com 168 laudos laboratoriais concluídos. Desse total, 89 amostras – representando 53% – foram desclassificadas por apresentarem matérias estranhas e impurezas acima do limite legal. Em casos extremos, o teor chegou a ser 21 vezes superior ao permitido.

    Ao todo, 107 empresas e 137 marcas foram fiscalizadas, com mais da metade apresentando irregularidades. A evolução dos dados é alarmante: enquanto 50% das amostras apresentaram fraude em 2023 e 43% em 2024, em 2025 o índice voltou a subir, atingindo 65%.

    Cascas e resíduos misturados ao café

    As fiscalizações identificaram que a principal origem das irregularidades está na baixa qualidade da matéria-prima utilizada por algumas torrefadoras. Empresas inescrupulosas empregam cascas, palhas e resíduos do beneficiamento do café, materiais provenientes principalmente de grandes grupos processadores que são comercializados indevidamente para mistura no produto final.

    Foto: MAPA

    Neste ano, mais de 80 toneladas de matéria-prima irregular foram apreendidas no Paraná, além de ocorrências registradas em redes varejistas, atacadistas e compras públicas. Houve destruição e inutilização oficial de produtos impróprios, conforme procedimentos da fiscalização federal agropecuária.

    Punições e auditorias rigorosas

    De acordo com Fernando Augusto Mendes, chefe do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal no Paraná, nos casos de fraude as torrefadoras são autuadas e penalizadas com multas. “As empresas são submetidas a auditorias detalhadas, que abrangem desde a estrutura física e a limpeza até o controle de qualidade das matérias-primas, do produto final e a rastreabilidade da produção”, explica.

    As ações estão alinhadas à Lei do Autocontrole, que estabelece a responsabilidade das empresas pela qualidade da matéria-prima, do processo produtivo e do produto oferecido ao consumidor.

    Revisão do padrão de qualidade

    Em resposta ao problema, o Mapa avança na revisão do padrão de identidade e qualidade do café cru em grãos, etapa anterior ao processamento industrial. A atualização envolve governo, universidades, entidades do setor, instituições públicas e a cadeia produtiva, com foco em fortalecer o controle e elevar a qualidade do café consumido no país.

    O Ministério reforça que os cafés produzidos no Paraná são amplamente reconhecidos pela alta qualidade, com produtores premiados e destaque nacional. As irregularidades identificadas estão concentradas em empresas específicas que adotam práticas fraudulentas.

    O Ministério da Agricultura orienta os consumidores a verificarem a procedência do café, observarem atentamente a rotulagem e desconfiarem de preços muito abaixo da média de mercado. Em caso de suspeita de irregularidade, denúncias podem ser registradas pelo canal oficial Fala.BR.

    A fiscalização continuará sendo intensificada, com foco em proteger o consumidor e preservar a reputação do café brasileiro, reconhecido internacionalmente pela excelência.

  • Operação Dose Limpa apreende 237 mil litros de bebidas falsificadas

    Operação Dose Limpa apreende 237 mil litros de bebidas falsificadas

    Uma megaoperação de combate ao comércio ilegal de bebidas alcoólicas resultou na apreensão de mais de 237 mil litros de produtos falsificados e clandestinos no Ceará. A Operação Dose Limpa, conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em duas etapas, identificou graves irregularidades na produção e comercialização de bebidas alcoólicas no estado.

    A segunda fase da operação ocorreu nos dias 4 e 5 de dezembro, focando em estabelecimentos suspeitos na Serra da Ibiapaba e em Fortaleza. Durante a fiscalização, foram apreendidos 21.230,25 litros de bebidas irregulares, incluindo gin, cachaça, vodka, cajuína e licor. Além disso, 5.000,2 litros de produtos impróprios para consumo humano foram destruídos imediatamente.

    Primeira etapa identificou uso de substância tóxica

    A primeira fase da Operação Dose Limpa, realizada em 22 e 23 de outubro, teve resultados ainda mais expressivos. A fiscalização concentrou-se no combate ao uso de metanol, substância altamente tóxica que pode causar cegueira e morte, além da produção clandestina de bebidas alcoólicas.

    Nessa etapa inicial, as equipes apreenderam 216 mil litros de bebidas fabricadas irregularmente, entre cachaça, vodka, gin, whisky e conhaque. Os responsáveis produziam os produtos em locais sem registro oficial ou em condições sanitárias inadequadas. A operação também recolheu insumos utilizados na fabricação irregular, como corantes, rótulos e álcool não autorizado.

    Ação integrada mobiliza múltiplos órgãos

    A coordenadora da operação no Ceará, Shirley Mapurunga, chefe do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal, avaliou os resultados como positivos e confirmou que as fiscalizações comprovaram as irregularidades investigadas.

    A Operação Dose Limpa II contou com uma ampla força-tarefa que reuniu a Receita Federal, Secretaria da Fazenda do Ceará (Sefaz-CE), Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), Vigilância Sanitária (Visa-CE), Secretaria da Saúde (Sesa), Polícia Civil, Polícia Militar e Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS).

    A operação também teve participação do Programa Vigifronteiras. E apoio do Consórcio de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos da Região Metropolitana de Sobral, Que auxiliou no descarte adequado dos produtos apreendidos.

    Todas as bebidas precisam de registro obrigatório

    O Ministério da Agricultura reforça que todas as bebidas alcoólicas comercializadas no Brasil, incluindo produtos artesanais como licores, cachaças e destilados, devem obrigatoriamente possuir registro no Mapa. A ausência de registro caracteriza crime contra as relações de consumo e representa grave risco à saúde pública.

    A Operação Dose Limpa demonstra o compromisso do governo federal e dos órgãos estaduais com a proteção do consumidor e o enfrentamento às práticas ilegais no mercado de bebidas. A fiscalização continuará atuando para identificar e coibir a produção e comercialização de produtos falsificados e clandestinos em todo o território nacional.

    Consumidores devem sempre verificar se as bebidas possuem selo de fiscalização do Mapa e adquirir produtos apenas em estabelecimentos regularizados. A compra de bebidas de origem duvidosa ou sem registro oficial pode resultar em graves problemas de saúde.

  • Alho passa a integrar zoneamento climático oficial

    Alho passa a integrar zoneamento climático oficial

    A cultura do alho agora integra o Zoneamento Agrícola de Risco Climático no Brasil. O Zarc delimita áreas e épocas com menor risco para o plantio e a produção nacional. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou as portarias no Diário Oficial da União nesta terça-feira.

    Os pesquisadores da Embrapa Hortaliças lideraram os estudos em parceria com produtores e universidades. O zoneamento orienta agricultores, agentes financeiros e seguradoras no planejamento da lavoura. Além disso, o sistema reduz prejuízos causados por eventos climáticos adversos.

    O Zarc cobre regiões tropicais e subtropicais, onde o alho nobre predomina na produção brasileira. O plantio fora dos períodos indicados eleva significativamente o risco de perdas na colheita. Segundo o pesquisador Marcos Braga, o Zarc considera apenas fatores agroclimáticos. Por isso, o uso de manejo agronômico adequado continua essencial para bons resultados.

    Produção varia conforme clima

    O estudo analisou cultivares de alho nobre, que dominam o mercado nacional. Ou seja, essas variedades alcançam maior valor comercial e melhor aceitação do consumidor. O zoneamento separa as regiões conforme clima tropical e subtropical. Embora as cultivares sejam as mesmas, épocas e sistemas de produção mudam. Francisco Vilela destaca essa divisão como o ponto mais relevante do estudo.

    Clima define produtividade

    O alho exige condições específicas de temperatura e fotoperíodo para bom desenvolvimento. Ou seja, o fotoperíodo mede as horas diárias de luz solar recebidas pela planta. Cultivares nobres precisam de dias longos para formar bulbos comerciais. Portanto, quando falta luz, a planta cresce apenas vegetativamente, sem formar bulbos. Além disso, a cultura exige temperaturas controladas em cada fase do ciclo.

    No início, a planta precisa de 18°C a 20°C. Depois, requer de 10°C a 15°C na fase vegetativa e na bulbificação.
    Na maturação, as temperaturas ideais ficam entre 20°C e 25°C. O acúmulo de horas de frio favorece a resposta ao fotoperíodo e aumenta a produtividade.

    Limites térmicos e altitude orientam plantio

    No clima subtropical, a média deve ficar abaixo de 14°C. Além disso, a máxima não pode ultrapassar 31°C até a bulbificação. No clima tropical, a média deve ser inferior a 12°C. A temperatura máxima não pode passar de 32°C.
    O estudo também adotou a altitude como critério auxiliar. Em áreas subtropicais, o plantio exige mais de 600 metros de altitude. Em regiões tropicais, a exigência sobe para 750 metros.

    Vernalização garante produtividade

    O alho nobre precisa passar pela vernalização antes do plantio. Esse processo submete o alho-semente ao frio controlado. A técnica reduz a exigência por baixas temperaturas e fotoperíodo longo. Assim, o cultivo se torna viável fora das regiões tradicionalmente frias.

    A vernalização ocorre entre 3°C e 5°C ou entre -1°C e -3°C. A umidade deve variar de 65% a 70%. Hoje, produtores usam a técnica do Paraná à Chapada Diamantina. No clima tropical, a vernalização é obrigatória.
    Já no Sul, produtores aplicam o método por segurança climática.

    Irrigação é indispensável

    A produção em sistema de sequeiro apresenta risco elevado. O sistema radicular superficial torna o alho sensível à falta de água. Mas o excesso também prejudica a qualidade e a produtividade. Por isso, irrigar corretamente é decisivo para o sucesso da lavoura. A demanda hídrica varia entre 400 mm e 850 mm por ciclo. No Brasil, o zoneamento considera apenas sistemas irrigados.

    Doença inviabiliza cultivo

    A podridão branca representa um dos maiores riscos à cultura. O fungo afeta todas as fases da planta.
    A doença se desenvolve entre 10°C e 20°C. O patógeno sobrevive por longos períodos no solo.
    Por isso, áreas contaminadas não devem receber novos plantios.

    Acesso ao crédito exige cumprimento do Zarc

    Produtores precisam seguir o Zarc para acessar o Proagro e o PSR. Esses programas garantem indenização em caso de perdas climáticas. Segundo Braga, o zoneamento protege o produtor. O sistema não impõe barreiras, mas aumenta a segurança financeira.

    Parcerias fortalecem o estudo

    O desenvolvimento do Zarc do alho contou com uma equipe multidisciplinar formada por especialistas da Embrapa Hortaliças, Embrapa Agricultura Digital, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina. Também participaram técnicos e representantes da Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa), da Associação Gaúcha de Produtores de Alho (Agapa), da Associação Mineira dos Produtores de Alho (Amipa) e da Wehrmann Agrícola.

  • CPR puxa alta de 31% na captação para custeio da safra

    CPR puxa alta de 31% na captação para custeio da safra

    O mercado de crédito rural demonstra vigor no iníco da safra, com as Cédulas de Produto Rural (CPR) apresentando crescimento expressivo. Dados do Boletim de Desempenho do Crédito Rural, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), revelam que os recursos captados por meio de CPR para custeio da safra atingiram R$ 86,2 bilhões entre julho e outubro de 2025. O valor representa um salto de 31% em comparação com o mesmo período de 2024.

    O instrumento consolida-se como uma fonte crucial de financiamento para o agronegócio. A análise considera apenas as CPRs emitidas diretamente por produtores rurais em favor de instituições financeiras, destacando a confiança do setor nesse título.

    Crédito rural mostra sólido crescimento no volume total

    Quando somados os recursos do custeio tradicional e os captados via CPR, o volume total direcionado ao campo no período chegou a R$ 156,9 bilhões. O montante é 4% superior ao registrado na safra 2024/2025, indicando um ambiente de financiamento robusto.

    No geral, o crédito rural contratado (incluindo todas as finalidades) entre julho e outubro de 2025 totalizou R$ 201,75 bilhões, com uma leve alta de 0,3% ante os R$ 201,16 bilhões do mesmo período do ano anterior.

    Industrialização e armazenagem são outros destaques positivos

    Além do forte desempenho da CPR, outros segmentos do crédito rural também registraram avanços significativos:

    • Industrialização: os recursos contratados para essa finalidade tiveram um crescimento robusto de 29%, alcançando R$ 11,7 bilhões.
    • Armazenagem: o Programa de Construção de Armazéns (PCA), voltado para investimento, registrou desempenho 22% superior ao do período anterior.
    • Procap-Agro: o programa destinado à comercialização da produção agrícola também apresentou alta, de 3%.

    Apesar do crescimento nos valores captados, o relatório do Mapa aponta uma redução em dois indicadores operacionais:

    • Contratos Firmados: houve uma queda de 29% no número total de operações, que passou de 300.346 para 212.801.
    • Valores Efetivamente Concedidos: os recursos que já foram para as mãos dos produtores registraram uma retração de 7%, somando R$ 187,81 bilhões.

    Os dados sugerem uma concentração de valor por operação, onde produtores, especialmente os de maior porte, estão acessando linhas de crédito com volumes individuais mais elevados, com a CPR sendo um instrumento-chave nesse movimento.

  • Ministério da Agricultura proíbe venda de quatro marcas de azeite

    Ministério da Agricultura proíbe venda de quatro marcas de azeite

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) determinou o recolhimento de azeites de oliva de quatro marcas após identificar fraude na composição dos produtos. As fiscalizações detectaram a mistura irregular com óleos vegetais de outras espécies em produtos das marcas Royal, Godio, La Vitta e Santa Lucia.

    O Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal da Secretaria de Defesa Agropecuária conduziu as ações de fiscalização. Os técnicos coletaram amostras dos produtos suspeitos e encaminharam para análise laboratorial.

    Os Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA) confirmaram a presença de óleos vegetais de outras espécies na composição dos azeites analisados. A descoberta caracteriza fraude, segundo o ministério, já que os produtos não atendem aos padrões de identidade e qualidade que a legislação brasileira estabelece.

    O Mapa desclassificou os azeites fraudados com base nos resultados laboratoriais. As empresas responsáveis precisam recolher imediatamente os lotes identificados do mercado.

    O órgão emitiu um alerta de risco ao consumidor sobre a comercialização desses produtos. A medida visa proteger os brasileiros que compram azeite de oliva e esperam receber um produto puro e de qualidade.

    A fiscalização segue ativa para identificar outras possíveis irregularidades no mercado de azeites. O Mapa orienta consumidores a verificarem a procedência dos produtos e denunciarem suspeitas de fraude.

  • LCA bate recorde, consolidando-se como maior fonte para o agro

    LCA bate recorde, consolidando-se como maior fonte para o agro

    O mercado de crédito do agronegócio mostra forte expansão, com a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) alcançando um estoque recorde de R$ 608,13 bilhões em setembro. Os dados, divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em seu último Boletim de Finanças do Agro, revelam um crescimento robusto de 23% em relação a setembro do ano anterior.

    O desempenho consolida a LCA como o título de maior peso no financiamento privado do setor. Em um intervalo de apenas quatro anos, entre setembro de 2021 e setembro de 2025, seu estoque mais do que quadruplicou, saltando de R$ 148 bilhões para o patamar atual.

    LCA lidera o financiamento do crédito rural

    A LCA, um título emitido por bancos e lastreado em direitos creditórios do agro, consolidou-se como a principal fonte de recursos para o campo. Dados preliminares do Banco Central indicam que, apenas no terceiro trimestre de 2025 (julho a setembro), a LCA respondeu por cerca de 37% de todo o crédito rural direcionado ao agronegócio.

    O relatório do Mapa também destaca a performance de outros títulos:

    • Cédula de Produto Rural (CPR): seu estoque chegou a R$ 527,43 bilhões em setembro, um aumento de 27% na comparação anual.
    • Emissões da Safra 2025/26: De julho a setembro, as emissões de CPR totalizaram R$ 105,64 bilhões. Volume 1% superior ao do mesmo período da safra anterior. O Banco Central informa que 65% dessas emissões beneficiaram instituições financeiras, enquanto 35% seguiram para o mercado de capitais.
    • Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA): apresentaram estoque de R$ 162 bilhões, com alta de 17% em doze meses.
    • Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA): totalizaram R$ 32 bilhões, registrando uma queda de 17% no período.

    O boletim informa que a atualização dos dados dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro) está suspensa temporariamente. A divulgação retornará após o período de adaptação desses fundos às novas regras do Anexo VI da Resolução CVM 175.