Tag: Ministério da Agricultura

  • UE começa auditoria no Brasil a dias de possível bloqueio às exportações

    UE começa auditoria no Brasil a dias de possível bloqueio às exportações

    Técnicos da União Europeia (UE) iniciam nesta segunda-feira (24) uma missão de duas semanas no Brasil para avaliar os sistemas de produção, processamento e fiscalização de carne de aves e mel. A visita acontece a poucos dias da entrada em vigor de uma medida que pode interromper parte das exportações brasileiras de produtos de origem animal ao bloco.

    O principal foco da missão será verificar como o Brasil controla o uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas. A avaliação poderá pesar no processo para que o país volte a integrar a lista de fornecedores considerados aptos a exportar esses produtos para o mercado europeu.

    A medida europeia passa a valer em 3 de setembro e alcança categorias como carne bovina, carne de aves, pescado e mel. A decisão de retirar o Brasil da lista foi tomada em maio e posteriormente formalizada em regulamento publicado pela Comissão Europeia. O bloco alegou não ter recebido garantias suficientes sobre o cumprimento das exigências relacionadas ao uso de determinados medicamentos antimicrobianos.

    Em julho, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que as negociações técnicas continuavam e afirmou que o Brasil não havia pedido flexibilização das normas sanitárias europeias, mas buscava demonstrar o cumprimento integral das exigências do mercado.

    Setor de aves espera resultado positivo

    Entre representantes da cadeia de aves, a expectativa é de que a auditoria transcorra sem grandes problemas.

    Segundo fontes ouvidas sob reserva, as empresas que vendem para a Europa já adotam há bastante tempo procedimentos específicos para esse mercado, incluindo a segregação dos animais destinados à UE e a não utilização de antimicrobianos como promotores de crescimento.

    A inspeção, portanto, será uma oportunidade para que os técnicos europeus acompanhem essas práticas diretamente nas unidades brasileiras.

    Ainda assim, um eventual retorno do país à lista de exportadores autorizados dependerá exclusivamente de uma nova decisão das autoridades europeias.

    Exportações podem ser interrompidas em setembro

    Mesmo com a presença da missão no país, existe a possibilidade de os embarques serem interrompidos a partir de 3 de setembro, ainda que temporariamente.

    Equipes oficiais que atuam nos frigoríficos já receberam orientação para não certificar, a partir dessa data, mercadorias que não estejam em conformidade com os requisitos europeus referentes ao uso de antimicrobianos.

    A legislação que retira o Brasil da relação de fornecedores habilitados tem aplicação prevista justamente para 3 de setembro de 2026.

    Para que o país volte à lista, será necessária uma decisão do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff), ligado à Comissão Europeia. Reuniões extraordinárias podem ser convocadas, mas o próximo encontro regular está previsto apenas para novembro, segundo fonte a par das negociações.

    Mercado europeu movimenta milhões para o frango brasileiro

    O impasse ocorre em um mercado relevante para a avicultura nacional.

    Em 2026, o Brasil já exportou 226,2 mil toneladas de carne de frango para a União Europeia, com faturamento próximo de US$ 680 milhões, segundo dados do Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura.

    Somente em julho, os embarques alcançaram 36,8 mil toneladas, movimentando aproximadamente US$ 104,2 milhões.

    Uma interrupção nas vendas, portanto, pode afetar frigoríficos habilitados para atender ao mercado europeu, mesmo que a paralisação seja revertida posteriormente.

    Missão vai visitar empresas em três estados

    A agenda dos técnicos europeus começa com reuniões com representantes do Ministério da Agricultura em Brasília.

    Na sequência, a equipe deve visitar quatro empresas de carne de aves habilitadas a exportar para a União Europeia, localizadas no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

    A missão também inclui inspeções em apiários paranaenses, uma indústria de processamento de mel no interior de São Paulo e agências estaduais de defesa agropecuária.

    Os representantes europeus permanecem no Brasil até 4 de setembro, quando está prevista uma reunião de encerramento em Brasília.

  • Governo avalia criar lista de ‘agrotóxicos altamente perigosos’

    Governo avalia criar lista de ‘agrotóxicos altamente perigosos’

    O governo federal avalia a criação de uma lista de Agrotóxicos Altamente Perigosos (AAP) baseada em critérios internacionais relacionados à toxicidade para seres humanos e aos riscos para o meio ambiente.

    A proposta, porém, ainda está em análise e não significaria automaticamente a proibição dos produtos enquadrados na lista. Mesmo assim, representantes de produtores e fabricantes de defensivos temem que a classificação provoque restrições indiretas e impactos econômicos sobre a agricultura brasileira.

    Uma minuta de portaria conjunta dos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde, do Ibama e da Anvisa reúne 42 ingredientes ativos já proibidos no Brasil e outros 39 registrados e atualmente utilizados no país, segundo informações publicadas pelo Valor Econômico.

    Lista atingiria centenas de defensivos agrícolas

    De acordo com a Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários (Aenda), os 39 ingredientes ativos registrados aparecem em 864 produtos comerciais de 89 fabricantes.

    Segundo nota técnica da entidade citada pelo Valor, eles representam 26,3% das formulações comerciais de herbicidas, inseticidas e fungicidas disponíveis no país.

    Esses defensivos são utilizados no manejo de diferentes problemas fitossanitários, entre eles:

    • ferrugem asiática da soja;
    • bicudo-do-algodoeiro;
    • antracnose;
    • mofo-branco no feijão;
    • percevejos;
    • cigarrinha-do-milho.

    Governo diz que classificação não significa proibição

    Segundo o material-base, a minuta foi assinada em abril pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Ibama. Desde então, entidades ligadas ao agronegócio vêm se mobilizando contra a publicação.

    A Casa Civil informou que avaliações técnicas e jurídicas continuam sendo realizadas e que, diante da complexidade do assunto, a proposta permanece sob análise do governo federal.

    O Ministério do Meio Ambiente também afirmou que a inclusão de um ingrediente ativo na lista não implicaria vedação automática de seu uso.

    “A categorização de ingredientes ativos de agrotóxicos constitui importante subsídio para a formulação e o aprimoramento de políticas públicas voltadas à redução da exposição a agrotóxicos altamente perigosos ao meio ambiente e à saúde no Brasil”, afirmou a Pasta.

    O Ministério da Saúde informou que ainda não havia recebido o documento.

    Proposta está ligada ao Pronara

    A iniciativa está relacionada ao Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), política federal voltada à redução progressiva do uso desses produtos e ao estímulo a alternativas de menor impacto.

    O programa foi instituído pelo Decreto 12.538/2025 e prevê ações como monitoramento de resíduos em alimentos, incentivo à produção de base ecológica, pesquisa e desenvolvimento de bioinsumos.

    A discussão sobre os chamados Highly Hazardous Pesticides (HHPs) utiliza como referência critérios adotados internacionalmente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), conforme o material analisado.

    Uma ata do comitê gestor do Pronara também aponta que a classificação poderia auxiliar na priorização de alternativas e no incentivo à inovação tecnológica.

    Produtores temem restrições indiretas

    A Aprosoja Brasil classificou a proposta como um “banimento indireto disfarçado”.

    Segundo a entidade, mesmo sem uma proibição formal, a utilização da lista em políticas públicas poderia provocar consequências em áreas como:

    • crédito rural;
    • seguros agrícolas;
    • programas de certificação;
    • compras públicas;
    • comércio exterior;
    • cadeias de exportação.

    A associação também considera possível o surgimento de novas restrições estaduais ou municipais.

    A posição recebeu apoio de aproximadamente 50 entidades ligadas ao Instituto Pensar Agropecuária (IPA).

    Parte do setor também questiona a participação do Ministério da Agricultura na elaboração da medida e a compatibilidade da proposta com a Lei 14.785/2023, que estabeleceu novas regras para registro, controle e fiscalização de agrotóxicos no país.

    A legislação de 2023 efetivamente disciplina pesquisa, produção, registro, classificação, controle, inspeção e fiscalização dos agrotóxicos no Brasil.

    Setor estima impacto bilionário sobre soja e milho

    Um dos principais argumentos contrários à medida envolve eventuais efeitos sobre a produtividade agrícola.

    Em estudo apresentado ao Ministério da Agricultura, a CropLife Brasil estimou que um cenário de restrição significativa na eficácia do controle fitossanitário poderia provocar perda de 12,8 milhões de toneladas de soja, com impacto financeiro de aproximadamente R$ 23,5 bilhões.

    Para o milho, a entidade projetou redução potencial de 92,9 milhões de toneladas, equivalente a cerca de R$ 102 bilhões.

    Somadas, as projeções chegam a R$ 125,5 bilhões.

    Os números, no entanto, são estimativas produzidas pelo setor de defensivos para um cenário hipotético de restrição relevante e não representam uma previsão oficial do governo ou uma consequência já estabelecida da criação da lista.

    Exportações também preocupam o setor

    A CropLife argumenta ainda que a classificação poderia produzir efeitos comerciais e reputacionais sobre produtos agrícolas brasileiros em mercados com regras ambientais mais rígidas, como a União Europeia.

    Segundo a entidade, a existência da lista poderia alimentar novos questionamentos sobre sustentabilidade e padrões produtivos brasileiros durante negociações comerciais e relações com compradores internacionais.

    Em manifestação técnica encaminhada à Casa Civil, o Ministério da Agricultura apresentou críticas à minuta.

    Segundo o documento, a Pasta avaliou que a proposta “apresenta graves inconsistências técnicas, jurídicas e institucionais, configurando risco a um sistema regulatório consolidado, ameaçando a segurança jurídica e a competitividade do agronegócio brasileiro”.

    Já o Ministério do Desenvolvimento Agrário se posicionou favoravelmente à publicação da portaria em manifestação técnica mencionada no processo.

  • Operação apreende 217 toneladas de fertilizantes adulterados em MT

    Operação apreende 217 toneladas de fertilizantes adulterados em MT

    Uma operação realizada em Mato Grosso apreendeu aproximadamente 217 toneladas de fertilizantes adulterados, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

    A Operação Safra Paralela foi deflagrada na terça-feira (18) e os produtos apreendidos foram avaliados em cerca de R$ 645 mil.

    A ação faz parte da Operação Ronda Agro CXLVI, realizada no âmbito do Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteiras), do MAPA.

    Fiscalização encontrou irregularidades nos fertilizantes

    Durante a fiscalização, as equipes constataram que o estabelecimento envolvido não tinha registro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

    Também foram identificadas irregularidades relacionadas à rotulagem e à rastreabilidade dos fertilizantes.

    De acordo com o Mapa, havia ainda indícios de manipulação dos produtos com componentes não autorizados, além da utilização de sacarias pertencentes a terceiros.

    Amostras dos materiais foram coletadas e serão encaminhadas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) para análise.

    Investigação apura possíveis crimes

    Além das irregularidades encontradas nos produtos, a investigação apura a possível ocorrência de crimes relacionados às atividades investigadas, como organização criminosa, furto qualificado e estelionato.

    Segundo o Mapa, o nome Safra Paralela faz referência à suspeita da existência de um mercado clandestino relacionado à adulteração de fertilizantes e à subtração de grãos.

    Operação reuniu forças de segurança em Mato Grosso

    A operação foi conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso (FICCO/MT).

    A ação contou ainda com apoio do Comando Regional da Polícia Militar de Mato Grosso, em Primavera do Leste, e da Polícia Rodoviária Federal, em Rondonópolis.

    A fiscalização integra as ações de defesa agropecuária voltadas à regularidade da cadeia produtiva e ao controle dos insumos comercializados no setor rural.

  • Brasil pode voltar à lista de exportadores da UE em 2026

    Brasil pode voltar à lista de exportadores da UE em 2026

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou nesta terça-feira (18) que acredita que o Brasil será reincluído ainda em 2026 na lista de países autorizados a exportar proteínas animais e derivados para a União Europeia (UE).

    A expectativa ocorre após o bloco europeu retirar o Brasil da relação de países autorizados a fornecer determinados produtos de origem animal. A medida, relacionada às exigências sobre o controle do uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas, está prevista para entrar em vigor em 3 de setembro de 2026.

    No entanto, a eventual reinclusão na lista não significa que todas as cadeias voltarão a exportar imediatamente.

    Carne bovina pode demorar mais para retornar

    André de Paula explicou que o prazo para a retomada dos embarques dependerá do ciclo de produção de cada cadeia animal.

    No caso da carne bovina, por exemplo, o ministro afirmou que não há expectativa de retorno imediato, porque o ciclo de produção do gado é mais longo.

    “O que nós estamos brigando é para que nós sejamos reincluídos na lista porque na lista, quando inclui um país, não quer dizer que vai comprar do país, quer dizer que o país está habilitado a lhe fornecer. Se voltarmos, como vamos voltar à lista, aí você terá a sinalização para que, em tendo a carne nas condições em que o mercado europeu exige, você fornece”, afirmou em entrevista à rádio Nova Brasil Recife.

    O ministro também destacou que a reinclusão depende da adequação dos produtos brasileiros às exigências sanitárias europeias.

    “A luta no primeiro momento, que estamos trabalhando e tenho certeza que vamos ter sucesso, é para realistar o Brasil. No segundo momento, vamos ter o produto de acordo com as exigências colocadas pelo mercado europeu e vamos voltar a fornecer nossa carne bovina, nossas aves, nosso pescado, nosso mel, nossos ovos”, acrescentou.

    Exigências sobre antimicrobianos

    A retirada do Brasil da lista europeia está relacionada à necessidade de comprovação de que os requisitos do bloco sobre antimicrobianos são cumpridos ao longo da cadeia produtiva.

    A questão envolve mecanismos de controle, certificação e rastreabilidade capazes de demonstrar a conformidade dos produtos destinados ao mercado europeu. A decisão europeia não equivale, por si só, à constatação de contaminação da carne brasileira.

    Além disso, o ministro salientou que ficar fora da lista pode gerar impactos além do mercado europeu.

    Outros países podem seguir exigências da UE

    Segundo André de Paula, entre 10 e 18 países também seguem exigências sanitárias baseadas nas regras europeias e poderiam adotar medidas semelhantes.

    “A União Europeia é um mercado importante e muitos países regulam as exigências sanitárias que fazem a partir da regulação da UE. Não poder fornecer para a UE tem como implicação também não fornecer para [uma lista de] 10 a 18 países que seguem essas regras. Ainda não estão definidos, mas como seguem as regras, podem seguir no mesmo caminho”, afirmou André de Paula.

    Recentemente, a Noruega decidiu acompanhar a decisão europeia e não comprar os produtos a partir de 3 de setembro.

    Governo espera retomar fornecimento

    Questionado sobre o restabelecimento do fornecimento, o ministro disse que a normalização do comércio pode demorar para algumas cadeias.

    “Trabalhamos para realistar, sim, nesse semestre. O fornecimento depende muito do período da cadeia”, completou.

    “Imagino que a carne bovina não [volte em setembro] porque temos um ciclo do boi muito maior que o da ave. Essas pactuações permitem que rapidamente, como o ciclo da ave é 45 dias, possamos ter aves que estejam aptas a voltar a ter o status de estar na lista de países que fornecem a Europa”, explicou.

    Negociações envolvem diferentes áreas do governo

    André de Paula afirmou que o governo brasileiro trabalha em diferentes frentes para tentar solucionar a questão.

    Segundo ele, a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura participa das negociações técnicas, enquanto o chanceler Mauro Vieira atua na frente diplomática e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa das negociações em nível de Estado.

    “Estamos trabalhando intensamente para que isso [interrupção no fornecimento] não ocorra. Tenho expectativa favorável em relação a essa questão”, disse.

    “É uma questão tão importante que envolve todos os níveis do governo (…) Tem a esfera diplomática, e o chanceler Mauro Vieira está envolvido, e próprio presidente Lula participa dessas questões com negociações diretas com as maiores autoridades da comunidade europeia. É um esforço que envolve o país todo”, completou.

    Ministro cita interesses comerciais nas negociações

    André de Paula disse ainda que “por trás das questões técnicas tem questões econômicas e políticas” e, por isso, as negociações são intensas.

    “A carne bovina brasileira tem competitividade enorme. Muitos países da Europa têm carne oito vezes mais cara que a nossa. É evidente que por trás de exigências sanitárias também existem interesses que a gente compreende. Todo país luta para proteger seus produtores e isso exige diálogo”, explicou.

    O ministro também lembrou que há interesses de países europeus em manter o comércio de seus produtos com o Brasil e afirmou que o governo brasileiro possui “instrumentos importantes” nas negociações.

    “A França tem interesse na exportação de vinho, a Espanha do azeite. Todos têm seu interesse. É uma pactuação que envolve o governo todo”, concluiu.

  • Governo libera R$ 1,3 bilhão para combater efeitos do El Niño

    Governo libera R$ 1,3 bilhão para combater efeitos do El Niño

    O avanço do El Niño sobre o clima brasileiro colocou o Governo Federal em alerta para os possíveis impactos na produção agropecuária durante a safra 2026/27. Diante do risco de alterações nas chuvas e nas temperaturas, o Executivo prepara ações para reduzir os efeitos do fenômeno e evitar problemas de abastecimento.

    O governo anunciou um pacote de R$ 1,335 bilhão para medidas relacionadas ao fenômeno. O planejamento inclui a formação de estoques públicos, distribuição de alimentos, monitoramento de rios, ações de saúde e prevenção e combate a incêndios florestais.

    No entanto, um dos principais instrumentos de proteção do produtor ainda enfrenta restrições. O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) permanece com R$ 461,7 milhões bloqueados em 2026.

    Seguro rural entra no centro das preocupações

    O orçamento original do PSR para este ano era de aproximadamente R$ 1,01 bilhão. Depois de cancelamentos e do bloqueio de recursos, a disponibilidade operacional caiu para cerca de R$ 473,8 milhões.

    A situação preocupa porque o seguro rural permite ao produtor reduzir parte do risco financeiro provocado por eventos climáticos. Além disso, o período entre julho e setembro concentra uma parcela importante das operações de custeio e da contratação de apólices para a safra de verão.

    Segundo dados da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), as contratações de seguro agrícola caíram 13,9% entre janeiro e maio de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

    O cenário pode se tornar ainda mais delicado caso o El Niño apresente forte intensidade.

    Governo monitora impactos sobre a agricultura

    O Ministério da Agricultura e Pecuária criou um grupo de trabalho para acompanhar os possíveis efeitos do fenômeno sobre o setor agropecuário. A iniciativa envolve órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

    A equipe deve avaliar vulnerabilidades regionais e por cultura, além de propor estratégias de adaptação e redução dos impactos. Entre as atividades analisadas estão lavouras de soja, milho, trigo, feijão, cana-de-açúcar, café e mandioca.

    A preocupação é justificada porque o El Niño pode provocar efeitos diferentes conforme a região. No Sul, por exemplo, o fenômeno costuma aumentar o risco de chuvas acima da média. Já em áreas do Norte e do Nordeste, pode favorecer condições mais secas. No Centro-Oeste, as alterações no regime de chuvas também podem afetar o calendário e o desenvolvimento das lavouras.

    Onde será aplicado o R$ 1,3 bilhão

    Do total anunciado pelo governo, R$ 850 milhões serão destinados à compra de arroz e milho para formação de estoques públicos. A medida busca aumentar a capacidade de resposta do país diante de uma eventual redução da oferta de alimentos.

    Outros R$ 65 milhões estão previstos para a aquisição e distribuição de 350 mil cestas de alimentos. A ação contempla povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.

    Também foram previstos recursos para monitoramento de rios e ações na área de saúde. Além disso, R$ 337 milhões, autorizados anteriormente por crédito extraordinário, serão utilizados em fiscalização ambiental e prevenção e combate a incêndios florestais.

    Apesar do volume anunciado, a principal crítica do setor está na ausência de uma recomposição imediata do orçamento destinado ao seguro rural.

    FGV alerta para redução da área protegida

    O Observatório do Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) avalia que, caso os recursos atualmente disponíveis sejam mantidos, a área agrícola protegida pelo seguro pode cair para aproximadamente 2,7 milhões de hectares em 2026.

    O número representaria menos de 3% da área agrícola brasileira. Para o observatório, o cenário aumenta a exposição dos produtores aos eventos climáticos justamente em um período de maior risco para a próxima safra.

    A instituição defende não apenas o desbloqueio dos recursos, mas também uma suplementação do orçamento. A proposta é elevar o PSR para cerca de R$ 2,3 bilhões, o que permitiria ampliar novamente a área protegida.

    A urgência está no calendário agrícola. Quanto mais próxima a decisão estiver do plantio, maior é a necessidade de que os recursos estejam disponíveis para que o produtor consiga contratar a proteção antes de assumir o risco climático.

  • Crédito rural despenca no início da safra 2026/27

    Crédito rural despenca no início da safra 2026/27

    O crédito rural começou a safra 2026/27 em ritmo muito abaixo do esperado. Dados do Banco Central mostram que os desembolsos somaram apenas R$ 12,7 bilhões em julho, uma queda superior a 55% em relação aos R$ 28,3 bilhões liberados no mesmo mês do ano passado. O resultado acende um sinal de alerta para produtores e instituições do setor, que já projetam uma temporada marcada por maior dificuldade de acesso ao financiamento.

    Mesmo com a redução das taxas de juros anunciada no novo Plano Safra, o atraso na regulamentação da equalização dos financiamentos pelo Tesouro Nacional e a postura mais conservadora das instituições financeiras limitaram a liberação dos recursos logo no primeiro mês da temporada.

    Queda atingiu todas as modalidades de financiamento

    A retração foi registrada em todas as principais linhas de crédito.

    As operações de custeio, utilizadas para financiar despesas da produção agrícola, passaram de R$ 19,9 bilhões para R$ 9,2 bilhões. Já os financiamentos destinados a investimentos tiveram uma redução ainda mais intensa, recuando de R$ 4,1 bilhões para menos de R$ 1 bilhão.

    Também houve queda nas linhas voltadas para comercialização, que passaram de R$ 1,8 bilhão para R$ 1,4 bilhão, e para industrialização, que diminuíram de R$ 2,3 bilhões para R$ 1,1 bilhão.

    Além do menor volume financeiro, o número de contratos também caiu significativamente. Foram 77,2 mil operações registradas em julho, contra 179,2 mil no mesmo período da safra anterior.

    Os dados foram extraídos do sistema do Banco Central e ainda podem sofrer alterações, já que operações contratadas, mas ainda não desembolsadas, não aparecem nas estatísticas. As informações também não incluem as emissões de Cédulas de Produto Rural (CPRs).

    Recursos controlados concentraram a maior parte dos desembolsos

    Como tradicionalmente ocorre no início da safra, os recursos de fontes controladas responderam pela maior parte do crédito liberado.

    Segundo os dados, aproximadamente R$ 9,1 bilhões vieram de depósitos à vista, fundos constitucionais, poupança rural e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) com equalização. Outros R$ 3,5 bilhões foram provenientes de fontes não controladas, com juros livres.

    Atraso na equalização dificultou liberações

    Para especialistas, um dos principais fatores para o desempenho fraco foi a demora na publicação da portaria que autorizou o pagamento da equalização das operações, divulgada apenas em 23 de julho.

    A sócia-gerente da consultoria Agroicone, Leila Harfuch, avalia que o crédito rural já vinha perdendo força desde o Plano Safra 2023/24, embora a produção agropecuária tenha continuado crescendo com maior participação de instrumentos privados de financiamento.

    Segundo ela, o principal desafio agora será reduzir o endividamento do produtor para ampliar novamente o acesso ao crédito, seja por meio dos bancos ou das empresas que atuam no financiamento do agronegócio.

    A especialista também demonstrou preocupação com a previsão de um El Niño mais intenso, que poderá aumentar os riscos para a produção em um cenário já marcado pelo elevado custo do capital, alto endividamento e baixa cobertura do seguro rural.

    “Este ano o que preocupa muito é o El Niño mais forte. Ainda com custo de capital caro para o produtor, endividamento elevado e instrumentos de gestão de riscos como seguro rural com baixa penetração e pouco recurso para subvenção, teremos uma safra com exposição ao risco elevado.”

    Governo prevê maior cautela na contratação de financiamentos

    O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, reconheceu a redução no volume de financiamentos e afirmou que as instituições financeiras deverão atuar com mais cautela diante do atual cenário econômico.

    “É preciso ter cautela e muita responsabilidade. Quem pegar crédito, tem que ter muita responsabilidade em assumir a dívida, porque o financiamento está caro. O produtor tem que estar com convicção de que a conta fecha no final.”

    Segundo Campos, a falta de recursos para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) pode reduzir o estímulo ao plantio em algumas regiões. Embora ele não espere diminuição da área cultivada, acredita que muitos produtores deverão cortar investimentos em adubação e em outras práticas de manejo para reduzir custos.

    “Os produtores vão investir menos para não gerar um custo muito alto já que não há perspectivas de melhora nos preços das commodities.”

    Renegociação das dívidas pode aliviar o mercado

    O governo também aposta na renegociação das dívidas autorizada pela Medida Provisória 1.376/2026 para ampliar a capacidade de contratação de novos financiamentos.

    Entretanto, o processo ainda depende da regulamentação da equalização dos juros e da definição dos procedimentos junto às instituições financeiras. Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, cerca de R$ 20 bilhões poderão ser renegociados nessa modalidade. Também será necessário um remanejamento de aproximadamente R$ 130 milhões para reforçar o caixa do Tesouro Nacional e permitir o avanço das operações.

    Especialistas alertam para problema estrutural no crédito rural

    Na avaliação de Pedro Loyola, coordenador do Observatório do Crédito e do Seguro Rural da FGV Agro, a retração observada nos últimos anos evidencia um problema estrutural do sistema de financiamento do agronegócio.

    Entre os fatores apontados estão o aumento da inadimplência, maior seletividade dos bancos, redução da cobertura do seguro rural e dificuldades relacionadas às garantias exigidas nas operações de crédito.

    “O Plano Safra recorde deixou de ser sinônimo de política agrícola forte. Quando os anúncios crescem, mas o produtor acumula recordes de alavancagem, inadimplência, crédito problemático, leilões e recuperações judiciais, o que se revela não é sucesso, mas o esgotamento de um modelo sem funding de qualidade, direção estratégica e proteção securitária.”

    Para Loyola, a redução das taxas de juros representa um avanço, mas não resolve os problemas estruturais do sistema.

    “Juro menor reduz o custo financeiro, mas não cria funding, não recompõe garantias e não reduz automaticamente o risco da produção.”

    Cooperativas ganham espaço no financiamento do agro

    Os dados também mostram uma mudança no perfil das instituições que lideram as liberações de crédito.

    As cooperativas de crédito responderam pelo maior volume de desembolsos em julho, enquanto as instituições públicas perderam participação. O Banco do Brasil, por exemplo, liberou R$ 2,3 bilhões, bem abaixo dos R$ 10,9 bilhões registrados em julho de 2025.

    Segundo a instituição, o atraso na equalização impactou diretamente as operações, embora o volume efetivamente contratado seja superior ao já desembolsado.

  • Governo tenta reverter restrição da UE para manter exportações brasileiras

    Governo tenta reverter restrição da UE para manter exportações brasileiras

    O governo federal intensificou as negociações com a União Europeia para evitar que o Brasil seja retirado da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco. A medida preocupa o agronegócio brasileiro, principalmente a cadeia da carne bovina, já que as novas exigências entram em vigor a partir de setembro.

    Durante o Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), realizado em São Paulo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que o governo atua em diferentes frentes para reverter a decisão.

    “Estamos trabalhando do ponto de vista técnico, diplomático e político para encontrar uma solução. Representantes brasileiros já participaram de reuniões com a Comissão Europeia para discutir alternativas.”

    Por que a União Europeia impôs novas exigências?

    A União Europeia informou que o Brasil não comprovou integralmente o cumprimento das regras relacionadas ao uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação.

    O bloco europeu proíbe a utilização desses produtos como promotores de crescimento e exige um sistema capaz de comprovar que os animais não receberam substâncias vetadas desde o nascimento até o abate.

    Caso não haja acordo, o Brasil poderá deixar de exportar determinados produtos de origem animal para o mercado europeu a partir de 3 de setembro.

    Governo negocia período de transição

    O Ministério da Agricultura tenta negociar um período de adaptação para que os produtores possam atender às novas exigências sem interromper o fluxo comercial.

    Além disso, o governo avalia ampliar as restrições ao uso desses insumos em todo o território nacional, medida que hoje é aplicada principalmente às propriedades habilitadas para exportação ao mercado europeu.

    Para André de Paula, manter o Brasil entre os fornecedores da União Europeia é fundamental.

    “É inaceitável para o Brasil estar fora da lista.”

    O ministro ressaltou que o país exporta alimentos ao bloco europeu há décadas e também atende mercados considerados igualmente ou até mais rigorosos em relação às normas sanitárias.

    Setor teme impactos nas exportações

    O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que existe preocupação com o prazo necessário para adequação das propriedades.

    Segundo ele, comprovar todo o histórico sanitário de um bovino exige acompanhar o animal desde o nascimento até o abate, processo que pode levar entre dois e três anos.

    “Hoje há risco, mas temos esperança de que o governo brasileiro consiga negociar uma transição maior para manter o fluxo comercial com a Europa.”

    Diversificação dos mercados segue como estratégia

    Enquanto negocia com a União Europeia, o governo também busca ampliar a presença da proteína animal brasileira em novos mercados.

    Entre as iniciativas está uma missão técnica da Coreia do Sul, prevista para agosto, que poderá abrir novas oportunidades para o setor.

    Segundo André de Paula, essa estratégia reduz a dependência de compradores específicos e fortalece o agronegócio brasileiro diante de mudanças nas regras internacionais.

    Brasil mantém presença global

    O ministro destacou que o Brasil exporta produtos agropecuários para cerca de 180 países e territórios e já conquistou 664 aberturas de mercado.

    De acordo com ele, esse desempenho demonstra a competitividade da produção nacional, a qualidade da carne brasileira e a credibilidade do sistema de defesa sanitária do país.

  • Conheça Tereza Cristina, querida por Flávio Bolsonaro e pelo agronegócio

    Conheça Tereza Cristina, querida por Flávio Bolsonaro e pelo agronegócio

    A senadora Tereza Cristina (PP-MS) voltou ao centro das articulações políticas após ter seu nome associado à possível composição da chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).

    Ex-ministra da Agricultura durante o governo de Jair Bolsonaro, ela é considerada uma das principais representantes do agronegócio brasileiro e possui forte influência entre produtores rurais e lideranças do setor.

    Apesar das especulações, o Partido Progressistas (PP) decidiu manter neutralidade na disputa presidencial e descartou oficialmente a participação da senadora como candidata a vice-presidente.

    Quem é Tereza Cristina

    Nascida em Campo Grande (MS), Tereza Cristina é engenheira agrônoma e empresária.

    Sua trajetória política ganhou projeção nacional principalmente pela atuação em pautas ligadas ao agronegócio, setor que representa uma das principais atividades econômicas do país.

    Ao longo da carreira, ocupou cargos importantes em Brasília e consolidou sua imagem como uma das principais vozes do agro no Congresso Nacional.

    Principais cargos ocupados

    • Deputada federal entre 2015 e 2023;
    • Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA);
    • Ministra da Agricultura entre 2019 e 2022;
    • Senadora por Mato Grosso do Sul desde 2023.

    Conversa com Flávio Bolsonaro

    Na quinta-feira (30), Tereza Cristina revelou que conversou pela primeira vez com Flávio Bolsonaro sobre uma possível candidatura à vice-presidência.

    O encontro ocorreu em Brasília e, segundo a parlamentar, nenhuma definição havia sido tomada naquele momento.

    Ela destacou que qualquer decisão dependeria de negociações políticas e do posicionamento dos partidos envolvidos.

    PP veta participação na chapa

    Na sexta-feira (31), o Progressistas divulgou nota oficial informando que permanecerá neutro na eleição presidencial.

    Com isso, o partido descartou a possibilidade de Tereza Cristina integrar a chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro.

    Segundo a direção nacional da legenda, a decisão foi tomada após consulta aos diretórios estaduais e já foi comunicada à senadora.

    A manifestação ocorreu poucas horas depois de Flávio Bolsonaro afirmar publicamente que a ex-ministra havia aceitado o convite para compor a chapa presidencial.

    Referência do agronegócio

    Mesmo fora da disputa pela vice-presidência, Tereza Cristina continua sendo uma das figuras mais influentes do agronegócio brasileiro.

    Sua passagem pelo Ministério da Agricultura fortaleceu a relação com produtores rurais, cooperativas e entidades do setor, consolidando sua posição como uma das lideranças políticas mais relevantes ligadas ao agro no país.

    Nos bastidores, a senadora segue sendo apontada como um dos principais nomes do PP para ocupar posições estratégicas nas próximas legislaturas e nas discussões sobre políticas voltadas à agropecuária brasileira.

  • Brasil deve superar meta histórica de 700 mercados abertos para o agro, diz ministro

    Brasil deve superar meta histórica de 700 mercados abertos para o agro, diz ministro

    O Brasil deve ultrapassar a meta de alcançar 700 aberturas de mercado para produtos agropecuários antes do fim do atual governo. A projeção foi feita nesta quinta-feira (30) pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, durante a abertura da primeira edição do Outlook Agro Brasil, em Brasília.

    Segundo o ministro, o desempenho das exportações brasileiras reflete a confiança internacional na qualidade dos produtos agropecuários do país e na eficiência do sistema de defesa sanitária nacional.

    Credibilidade sanitária impulsiona expansão do agro

    Durante o evento, André de Paula destacou que o Brasil vem acumulando recordes sucessivos de abertura de mercados e afirmou que a tendência é de continuidade desse avanço.

    “Nós temos como desafio chegar a 700 mercados até o fim do governo, e nós vamos passar essa meta”, declarou.

    Para o ministro, a conquista é resultado da reputação construída pelo agronegócio brasileiro junto aos compradores internacionais.

    “As aberturas de mercado são fruto da credibilidade dos nossos produtos e da qualidade deles”, afirmou.

    Defesa agropecuária seguirá como prioridade

    André de Paula ressaltou que o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação representa uma conquista histórica para o setor.

    Segundo ele, o novo status sanitário amplia oportunidades comerciais para os produtores brasileiros, mas exige monitoramento constante para preservar a confiança dos parceiros internacionais.

    O ministro afirmou que o país possui estrutura para responder rapidamente a eventuais ocorrências da doença e destacou a capacidade nacional de produção de antígenos.

    Governo busca ampliar presença do agro no comércio global

    O Ministério da Agricultura pretende manter a estratégia de abertura comercial como uma das principais ferramentas para impulsionar as exportações do agronegócio.

    De acordo com André de Paula, o objetivo é ampliar o acesso dos produtos brasileiros a novos destinos e fortalecer as relações comerciais já existentes.

    O ministro também destacou a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na promoção internacional do agronegócio brasileiro.

    Segundo ele, a atuação do governo busca consolidar a imagem do Brasil como fornecedor confiável de alimentos, ampliando a competitividade do setor e reforçando sua presença no mercado global.

  • Dia do Agricultor: Entenda a origem da data

    Dia do Agricultor: Entenda a origem da data

    Todos os anos, em 28 de julho, o Brasil celebra o Dia do Agricultor. A data homenageia os milhões de trabalhadores responsáveis pela produção de alimentos, fibras e matérias-primas essenciais para o dia a dia da população. No entanto, poucas pessoas conhecem a verdadeira origem dessa comemoração.

    Ela não surgiu por acaso nem está ligada ao calendário agrícola. A escolha do dia faz referência a um momento histórico que ajudou a organizar a administração da agricultura brasileira ainda durante o Império.

    Homenagem criada para lembrar um marco da agricultura

    O Dia do Agricultor foi instituído em 1960, por decreto do então presidente Juscelino Kubitschek, durante as comemorações do centenário do Ministério da Agricultura.

    A origem da pasta, porém, é ainda mais antiga. Em 28 de julho de 1860, Dom Pedro II criou a Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, responsável por coordenar políticas voltadas ao desenvolvimento do setor em um período de expansão econômica do país.

    Ao oficializar a homenagem, Juscelino destacou a importância dos trabalhadores que transformam os recursos naturais em riqueza e impulsionam o crescimento nacional

    Agricultura moldou a economia brasileira

    Na segunda metade do século XIX, a agricultura era a principal atividade econômica do Brasil. O café liderava as exportações e impulsionava o desenvolvimento de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.

    Ao lado do café, culturas como cana-de-açúcar, algodão e tabaco também sustentavam boa parte da economia brasileira, consolidando o país como um importante produtor agrícola desde o período imperial.

    O agro continua sendo um dos pilares do Brasil

    Mais de 160 anos após a criação da estrutura que deu origem ao Ministério da Agricultura, o setor segue desempenhando papel decisivo na economia nacional.

    Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que o PIB do agronegócio alcançou R$ 2,72 trilhões em 2024, respondendo por 23,2% da economia brasileira.

    Além da geração de empregos e renda, o campo abastece indústrias de alimentos, vestuário, papel, energia e biocombustíveis, demonstrando que sua importância vai muito além das lavouras.

    Brasil alimenta milhões

    A relevância da agricultura brasileira ultrapassa as fronteiras nacionais. Um levantamento da Embrapa estima que a produção agropecuária do país seja capaz de alimentar aproximadamente 10% da população mundial.

    O estudo aponta que, somente em 2020, a produção brasileira de grãos e oleaginosas foi suficiente para abastecer cerca de 212 milhões de brasileiros e outros 424 milhões de pessoas em diferentes países.