Tag: Ministério da Agricultura

  • Vacinas contra clostridioses: Mapa libera mais 2,4 milhões de doses para pecuária

    Vacinas contra clostridioses: Mapa libera mais 2,4 milhões de doses para pecuária

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou a liberação de 2.470.600 doses de vacinas contra clostridioses para o mercado nacional entre os dias 25 e 29 de maio de 2026.

    A medida reforça o abastecimento de imunizantes destinados à pecuária e busca atender à demanda dos produtores rurais em diferentes regiões do país.

    Do total disponibilizado, 1.360.800 doses, equivalentes a 55,08%, saíram da indústria nacional. Já as vacinas importadas somaram 1.109.800 doses, o que representa 44,92% da oferta liberada no período.

    Governo intensifica ações para ampliar a oferta

    Segundo o ministério, a iniciativa faz parte de um conjunto de medidas desenvolvidas em parceria com a indústria de insumos veterinários.

    Vacinação preventiva segue como uma das principais ferramentas para preservar a saúde dos rebanhos — Foto: MAPA

    Além disso, o governo trabalha para ampliar a produção nacional. Também busca facilitar as importações e acelerar os processos de fiscalização e liberação dos imunizantes.

    Essas ações ganharam força nos últimos meses diante da necessidade de garantir o fornecimento regular das vacinas ao setor pecuário.

    Volume acumulado supera 41 milhões de doses

    Os números mais recentes mostram um avanço importante na disponibilidade de vacinas para o campo.

    Com as liberações realizadas desde março, o volume ofertado ao mercado brasileiro já ultrapassa 41 milhões de doses. O total inclui tanto produtos fabricados no país quanto imunizantes importados.

    Por isso, a expectativa do setor é de melhora gradual no abastecimento ao longo de 2026.

    Projeção aponta mais de 100 milhões de doses até dezembro

    Na semana passada, o ministério divulgou uma nota com estimativas apresentadas pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan).

    Em 5 de maio de 2026, a entidade projetou a entrega de 8 milhões a 10 milhões de doses por mês até dezembro.

    “A entrega de 8 milhões a 10 milhões de doses por mês até dezembro, com possibilidade de ampliação no segundo semestre”, informou o órgão ao reproduzir a projeção do setor.

    Dessa forma, o mercado poderá receber mais de 100 milhões de doses até o final do ano. O volume reforça os esforços para proteger os rebanhos e fortalecer a sanidade animal nas propriedades rurais brasileiras.

  • Plano Safra 2026/27 pode ter juros abaixo de 10% para custeio, diz Ministério da Agricultura

    Plano Safra 2026/27 pode ter juros abaixo de 10% para custeio, diz Ministério da Agricultura

    O Ministério da Agricultura e Pecuária trabalha para viabilizar linhas de custeio rural com taxas de juros de um dígito no Plano Safra 2026/27. A informação foi confirmada pelo secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, durante entrevista à CNN Brasil.

    Segundo o secretário, o governo negocia a proposta junto ao Tesouro Nacional, ao Ministério da Fazenda e à Casa Civil. O objetivo é reduzir o peso financeiro sobre os produtores rurais e ampliar o acesso ao crédito oficial.

    “Nosso pleito junto ao Tesouro, Ministério da Fazenda e Casa Civil é uma taxa de juros para custeio de um dígito”, afirmou Campos.

    A discussão ocorre em um momento de preocupação crescente com o custo do financiamento agropecuário. Além disso, produtores têm relatado dificuldades para acessar recursos subsidiados diante do atual cenário de juros elevados.

    No ciclo vigente, a taxa de custeio empresarial alcançou 14% ao ano, enquanto a Selic estava em 15% ao ano quando o programa foi anunciado. Para o secretário, o encarecimento do crédito se consolidou como um dos principais entraves para o desenvolvimento da atividade agropecuária.

    Além disso, Campos destacou que experiências recentes demonstram uma maior procura por financiamentos quando as condições são mais acessíveis. Como exemplo, ele mencionou as linhas destinadas à agricultura familiar.

    De acordo com o secretário, “as taxas oferecidas para a agricultura familiar, de até 4% ao ano e 6% ao ano, foram todas tomadas”.

    Crédito disponível nem sempre chega ao produtor

    No atual Plano Safra, o governo anunciou R$ 516,2 bilhões destinados à agropecuária. No entanto, o Tesouro Nacional conseguiu equalizar os juros de apenas R$ 113,8 bilhões desse montante, volume que representa menos de um quarto dos recursos anunciados.

    Para Guilherme Campos, a preocupação vai além do valor total disponibilizado. Segundo ele, o desafio está em garantir que os recursos cheguem efetivamente aos produtores rurais.

    Além disso, o secretário alertou que o problema pode se repetir no próximo ciclo caso temas como seguro rural e endividamento dos produtores não sejam discutidos em conjunto com o Plano Safra.

    Dessa forma, o governo busca construir uma solução mais ampla para melhorar o acesso ao crédito e fortalecer a capacidade de investimento do setor.

    Governo mantém cronograma de lançamento

    Apesar das negociações ainda estarem em andamento, o Ministério da Agricultura garante que o anúncio do Plano Safra 2026/27 será realizado dentro do calendário previsto.

    Segundo Campos, os prazos de plantio seguem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), o que impede alterações motivadas por questões políticas ou administrativas.

    “Não há possibilidade de adiamento do anúncio, porque o tempo de plantar é independente de qualquer coisa. Está no ZARC (Zoneamento Agrícola de Risco Climático). Esse calendário nem a política consegue mudar”, declarou.

    Sobre o volume de recursos previsto para a próxima temporada, o secretário informou que a proposta em análise pelo governo está próxima da demanda apresentada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    A entidade sugeriu um Plano Safra de R$ 623 bilhões, valor 53,5% superior aos R$ 405,9 bilhões disponibilizados no ciclo anterior. Conforme Campos, “está muito próximo daquilo que a CNA deliberou”.

  • MAPA apreende azeite falso e alerta consumidores; entenda os motivos

    MAPA apreende azeite falso e alerta consumidores; entenda os motivos

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) emitiu um alerta aos consumidores após identificar irregularidades em um lote de azeite de oliva extravirgem da marca San Paolo. Segundo o órgão, o produto do lote 260289 foi considerado impróprio para consumo humano depois de análises realizadas pela fiscalização federal.

    A investigação foi conduzida pela Superintendência Federal de Agricultura em São Paulo (SFA-SP). Durante a operação, os fiscais recolheram amostras do produto, que passaram por testes no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Goiás. Os exames confirmaram a presença de mistura de outros óleos vegetais, prática que caracteriza fraude contra o consumidor.

    Diante do resultado, o Mapa determinou o recolhimento imediato do lote adulterado.

    Além da irregularidade na composição do alimento, os fiscais encontraram problemas cadastrais considerados graves. O CNPJ e o endereço informados nos rótulos e nas notas fiscais não foram localizados pelas autoridades. Ainda conforme o ministério, a empresa responsável pela importação e comercialização do azeite foi notificada, porém não respondeu ao chamado e deverá sofrer sanções administrativas.

    Azeite da marca San Paolo

    O governo federal também alertou os estabelecimentos comerciais. Isso porque manter o produto à venda, mesmo após a determinação de recolhimento, pode gerar responsabilização e punições.

    Enquanto isso, consumidores que compraram o azeite devem interromper o uso imediatamente e solicitar a substituição do produto, direito previsto no Código de Defesa do Consumidor. Denúncias sobre a venda irregular podem ser registradas na plataforma Fala.BR.

    Como identificar um azeite verdadeiro?

    Grande parte das apreensões feitas pelo Mapa ocorre por causa da descaracterização do produto, especialmente quando há mistura de óleos vegetais mais baratos. Por isso, entender as diferenças entre as categorias ajuda o consumidor a evitar fraudes.

    Azeite extravirgem

    É produzido apenas com azeitonas e extraído por processos mecânicos, sem alterações químicas. Além disso, possui a menor acidez entre as categorias. Para ser considerado extravirgem, o produto deve apresentar:

    • Acidez menor que 0,8%
    • Índice de peróxidos menor ou igual a 20 meq O2/kg

    Azeite virgem

    Também é obtido exclusivamente de azeitonas e por processos mecânicos. No entanto, possui acidez um pouco maior. Os limites permitidos são:

    • Acidez menor que 2,0%
    • Índice de peróxidos igual ou inferior a 20 meq O2/kg

    Azeite de oliva tipo único

    Os produtos das categorias “azeite de oliva” e “azeite de oliva refinado” costumam ser mais indicados para preparações em altas temperaturas, como frituras. Nesses casos, os parâmetros devem ser:

    • Acidez menor que 1,0%
    • Índice de peróxidos igual ou inferior a 15 meq O2/kg

    O Mapa reforça que produtos com índices acima desses limites ou com mistura de óleos de sementes não podem ser comercializados legalmente como azeite.

  • Urgente: China retoma compras de carne bovina brasileira após suspensão

    Urgente: China retoma compras de carne bovina brasileira após suspensão

    A China autorizou, nesta quarta-feira (20), a retomada das exportações de carne bovina de três frigoríficos brasileiros que estavam suspensos desde março de 2025. A decisão foi confirmada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) após uma reunião entre autoridades brasileiras e chinesas realizada em Pequim.

    A medida representa um avanço importante para o setor pecuário brasileiro, principalmente porque o país asiático segue como o principal destino da carne bovina produzida no Brasil.

    Unidade da JBS em Goiás está entre as liberadas

    Entre os frigoríficos autorizados a voltar a exportar está a unidade da JBS em Mozarlândia, no estado de Goiás. A empresa é considerada a maior processadora de carne bovina do mundo.

    Além da planta goiana, a China também retirou as restrições sobre uma unidade da Frisa, localizada em Nanuque, em Minas Gerais, e uma planta da Bon-Marte, em Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

    Segundo o presidente da Abiec, Roberto Perosa, a retomada reforça a confiança do mercado chinês na qualidade da carne brasileira e no sistema sanitário adotado pelo país.

    Suspensão ocorreu por “não conformidade”

    Os frigoríficos haviam sido bloqueados pela Administração-Geral de Aduanas da China (GACC) em março de 2025. Na época, o órgão chinês alegou “não conformidade” em relação aos requisitos exigidos para o registro de estabelecimentos estrangeiros habilitados a exportar ao país.

    Apesar da suspensão, o governo chinês não detalhou quais critérios específicos estariam fora do padrão estabelecido pelas autoridades sanitárias locais.

    A decisão gerou preocupação no setor frigorífico brasileiro, já que a China concentra uma parcela significativa das exportações nacionais de carne bovina.

    Governo brasileiro busca ampliar exportações

    Além da retomada das três unidades, o Ministério da Agricultura também solicitou à China a habilitação de 33 novos frigoríficos brasileiros para exportação.

    Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais da pasta, Luis Rua, o pedido inclui 20 plantas de carne bovina, 11 unidades de aves e duas de carne suína.

    A iniciativa faz parte da estratégia brasileira para ampliar a presença no mercado asiático e fortalecer o agronegócio nacional no exterior.

    China segue como principal mercado da carne brasileira

    O Brasil ocupa atualmente a posição de maior exportador mundial de carne bovina, enquanto a China lidera entre os principais compradores do produto brasileiro.

    A retomada das habilitações ocorre durante a viagem oficial do ministro da Agricultura, André de Paula, ao país asiático. O governo brasileiro busca estreitar relações comerciais e abrir novas oportunidades para o setor agropecuário.

    Especialistas do mercado avaliam que a reabertura das plantas pode impulsionar novamente os embarques brasileiros e trazer maior estabilidade para a cadeia produtiva da carne bovina.

  • Brasil conquista mercado de ovos na Coreia do Sul

    Brasil conquista mercado de ovos na Coreia do Sul

    O agronegócio brasileiro celebra um novo marco histórico em sua expansão internacional. O governo federal anunciou a conclusão das negociações que permitem ao Brasil exportar ovos e produtos derivados para a Coreia do Sul. Esta abertura estratégica amplia significativamente o alcance da avicultura nacional, permitindo que produtos brasileiros atendam tanto ao consumo direto quanto à robusta indústria de alimentos sul-coreana.

    Com este novo anúncio, o Brasil atinge a impressionante marca de 602 aberturas de mercado desde o início de 2023. Este resultado é fruto de um esforço coordenado entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) para diversificar o portfólio exportador e consolidar a presença brasileira em mercados de alto valor agregado.

    Os principais produtos do comércio entre Brasil e Coreia do Sul

    A relação comercial entre as duas nações é sólida e demonstra um crescimento contínuo. Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro para a Coreia do Sul totalizaram o montante de US$ 2,4 bilhões.

    Entre os produtos que lideram a pauta exportadora e são essenciais para o mercado sul-coreano, destacam-se:

    • Farelo de soja;
    • Carne de aves;
    • Café;
    • Soja em grão;
    • Milho;
    • Fumo;
    • Algodão;
    • Couro.

    Embora o volume total financeiro tenha atingido os US$ 2,4 bilhões no setor agrícola, a inclusão de ovos e derivados agora se soma a esta lista, prometendo elevar ainda mais o volume de negócios nos próximos anos.

    Cooperação e inovação: o futuro das relações bilaterais

    A expansão do mercado não se limita apenas à venda de commodities. Durante a missão presidencial à República da Coreia, realizada em fevereiro de 2026, foram assinados memorandos de entendimento (MOUs) focados em áreas críticas para o futuro do campo.

    Os acordos visam a cooperação em:

    • Inovação e desenvolvimento rural;
    • Medidas sanitárias e fitossanitárias;
    • Bioinsumos.

    Essa agenda reforça o diálogo sanitário entre os países, facilitando a resolução de tratativas técnicas e garantindo que o setor agrícola brasileiro continue a avançar com segurança e tecnologia no mercado asiático.

  • Cléber Soares assume cargo-chave no Ministério da Agricultura; veja quem é

    Cléber Soares assume cargo-chave no Ministério da Agricultura; veja quem é

    O governo federal oficializou a nomeação de Cléber Oliveira Soares como novo secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária. Com isso, ele passa a ocupar um dos cargos mais importantes da pasta.

    A função representa o segundo posto na hierarquia do ministério. Além disso, o cargo tem papel direto na coordenação de políticas públicas para o agronegócio, setor essencial para a economia brasileira.

    Quem é Cléber Soares, novo secretário-executivo do Mapa

    Cléber Soares construiu carreira na Embrapa e já atuava como secretário-executivo adjunto. Por isso, ele chega ao cargo com experiência consolidada em ciência, tecnologia e inovação no agro.

    Ele se formou em medicina veterinária e concluiu doutorado em Ciências Veterinárias. Ao longo da trajetória, direcionou seu trabalho para a gestão pública e o desenvolvimento do setor agropecuário.

    Além disso, participou de projetos estratégicos e representou o Brasil em iniciativas de cooperação internacional. Dessa forma, ampliou sua atuação no cenário global.

    Mudança ocorre em momento estratégico para o agronegócio

    A troca na Secretaria-Executiva acontece em um período de reorganização interna do ministério. Nesse contexto, o governo busca manter a continuidade das políticas públicas.

    Cléber Soares assume o cargo após a saída do antigo secretário-executivo, que decidiu disputar as eleições. Com isso, a gestão passa por um ajuste natural.

    A expectativa é de continuidade administrativa. Ao mesmo tempo, o ministério deve avançar em pautas como inovação, sustentabilidade e aumento das exportações.

    Qual é a função do secretário-executivo do Ministério da Agricultura

    O secretário-executivo coordena as ações administrativas do ministério. Além disso, ele atua diretamente na implementação das políticas públicas.

    Entre as principais funções, estão a articulação entre secretarias e a gestão de programas estratégicos. Também cabe ao cargo apoiar o ministro e acompanhar projetos prioritários.

    Por esse motivo, o governo costuma escolher profissionais com perfil técnico e experiência no setor.

    Impacto da nomeação para o agronegócio

    A escolha de Cléber Soares reforça a presença de técnicos na condução do Ministério da Agricultura. Dessa maneira, o governo sinaliza continuidade na gestão.

    Especialistas avaliam que essa estabilidade pode beneficiar o setor. Isso ocorre porque o agronegócio enfrenta alta demanda global e novos desafios sustentáveis.

    Portanto, a expectativa é de avanços consistentes nos próximos meses.

  • Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí ganha regulamentação e poderá ser vendido em todo o país

    Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí ganha regulamentação e poderá ser vendido em todo o país

    O Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí alcançou um marco histórico com a criação do Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ), oficializado nesta semana em São Pedro do Suaçuí, no Leste de Minas. O documento padroniza a produção do queijo, garante segurança sanitária e libera sua comercialização em todo o Brasil, desde que o produto possua o registro no Ministério da Agricultura (SIF), o Selo Queijo Artesanal ou o SISBI-POA (Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal).

    Foto: Diego Vargas/Seapa

    Durante o evento, os dirigentes da Emater e da Secretaria de Agricultura entregaram simbolicamente o Certificado do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), com aporte de R$ 192 mil. E 560 toneladas de fertilizante agrosilício destinados aos municípios do Vale do Suaçuí.

    Queijo com sabor e identidade mineira

    Produzido há cerca de 50 anos, o Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí tem massa cozida a até 45 °C, que garante textura semidura e sabor semelhante ao do parmesão. A regulamentação deve beneficiar aproximadamente 200 produtores, permitindo que comercializem o produto formalmente e ampliem o alcance de mercado.

    “O RTIQ elimina barreiras e abre novos caminhos de comercialização dentro e fora de Minas”, destacou Gilson Sales. Na região, 66 agroindústrias familiares produzem mais de 678 toneladas anuais. Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Thales Fernandes, o reconhecimento “estimula o desenvolvimento econômico, turístico e gastronômico, fortalecendo o queijo como símbolo do Vale do Suaçuí”.

    Trabalho conjunto e tradição preservada

    A conquista resulta de uma ação integrada entre a Secretaria de Agricultura, Emater-MG, Epamig e IMA. A Emater caracterizou a região e comprovou o vínculo cultural da produção. A Epamig realizou pesquisas de campo e análises laboratoriais que identificaram as particularidades do produto. Já o IMA elaborou o RTIQ, com os parâmetros de identidade, inspeção e qualidade exigidos.

    De acordo com Tâmara Temponi, extensionista da Emater em Santa Maria do Suaçuí, a tradição começou nos anos 1980. Foi quando um ex-funcionário de uma indústria de laticínios do Sul de Minas levou à região a receita do queijo tipo parmesão. “O novo modo de fazer se espalhou rápido, pois o queijo é mais resistente e mantém a qualidade em viagens longas”, contou.

    Produtores comemoram conquista

    Entre os produtores, a regulamentação representa valorização e esperança. Francélio Fernandes Otoni, de 47 anos, produz cerca de mil quilos por mês com a receita ensinada pelo avô. “Meu sonho é ter um rótulo e levar nosso queijo para novos mercados”, afirmou.

    Fotos: Diego Vargas/Seapa

    Já Ester Jardim dos Anjos, que fabrica ao lado do marido e do filho cerca de 700 quilos mensais, acredita que o reconhecimento mudará a realidade dos produtores. “Agora poderemos vender para grandes centros a preços melhores e mostrar o potencial do Vale do Suaçuí”, celebrou.

    Hoje, a produção se concentra principalmente em São Pedro do Suaçuí, Santa Maria do Suaçuí, José Raydan, Água Boa e São Sebastião do Maranhão.

  • Fávaro deixa o Ministério da Agricultura: o que muda para o agronegócio brasileiro

    Fávaro deixa o Ministério da Agricultura: o que muda para o agronegócio brasileiro

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exonerou Carlos Fávaro do Ministério da Agricultura e Pecuária na última sexta-feira, 27 de março. A saída, publicada em edição extra do Diário Oficial da União, acontece em um momento sensível para o setor produtivo e, portanto, coloca o agronegócio diante de um período de incerteza institucional.

    A exoneração de Fávaro tem motivação política direta. O ex-ministro retorna ao Senado Federal para participar da votação do relatório final da CPMI do INSS, comissão que recomenda o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente.

    Com a volta de Fávaro ao Senado, sua suplente, Margareth Buzetti, alinhada à oposição, perde a vaga na comissão. Em seguida, o primeiro suplente, Beto Faro, do PT, assume o lugar. Dessa forma, o movimento busca garantir ao governo votos suficientes para rejeitar o relatório, que precisava ser votado até ontem, sábado, 28 de março, prazo limite de funcionamento da CPMI após o STF negar a prorrogação dos trabalhos.

    Além disso, Fávaro ainda tem agenda no Ministério na próxima terça-feira, 31 de março, quando deve se despedir formalmente da pasta.

    O impacto direto no agronegócio

    A troca no comando do Ministério da Agricultura ocorre em um momento delicado. O setor enfrenta juros ainda elevados, pressão sobre custos de produção e necessidade de previsibilidade em políticas estratégicas como crédito rural, seguro agrícola e apoio à comercialização.

    Para produtores e entidades do setor, mudanças no comando do Mapa fora do ciclo tradicional de transição de governo tendem a gerar cautela. Afinal, decisões sobre financiamento de safra, programas de seguro e abertura de mercados dependem de continuidade técnica e orçamentária. Mudanças abruptas, portanto, podem atrasar decisões e aumentar o risco no campo.

    Paralelamente, a Conab também passa por troca de comando. Sílvio Porto assume a presidência no lugar de Edegar Pretto, que deixa o cargo para disputar o governo do Rio Grande do Sul. A estatal é peça estratégica para o agronegócio, pois é responsável por levantamentos de safra, controle de estoques e execução de políticas de abastecimento que influenciam diretamente a formação de preços.

    Quem assume o Ministério da Agricultura?

    Nos bastidores, o PSD, partido de Fávaro liderado por Gilberto Kassab, atua para manter o controle da pasta. Por ora, o nome mais cotado é o do atual ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, visto como alternativa para garantir a continuidade da legenda em uma das pastas mais relevantes para a economia brasileira.

    A eventual troca, contudo, acontece em meio a uma relação ainda irregular entre o ministério e parte do setor produtivo. Ao longo da gestão, Fávaro enfrentou resistência de segmentos do agro, especialmente da Frente Parlamentar da Agropecuária, que cobrou maior alinhamento em pautas como política agrícola, defesa sanitária e abertura de mercados.

    Um momento de transição que o agro acompanha de perto

    A saída de Fávaro inaugura uma nova rodada de rearranjos políticos no governo. À medida que outros ministros deixam seus cargos para disputar as eleições, a “dança das cadeiras” na Esplanada tende a se intensificar nos próximos meses.

    Para o agronegócio, esse movimento ocorre em um cenário de margens mais apertadas e maior exposição a variáveis externas. Sendo assim, mais do que nomes, o que está em jogo é a condução da política agrícola em um momento de maior risco. E isso, o produtor rural acompanha com atenção redobrada.

  • Conflito no Oriente Médio dispara preços de fertilizantes e ameaça custos da safra brasileira

    Conflito no Oriente Médio dispara preços de fertilizantes e ameaça custos da safra brasileira

    Os desdobramentos do conflito no Oriente Médio começaram a se traduzir em alta expressiva nos preços dos fertilizantes nitrogenados em todo o mundo, com reflexos diretos no Brasil,país que importa cerca de 85% dos insumos agrícolas que consome. Nos portos brasileiros, a ureia registrou alta superior a 15% em uma semana, enquanto o nitrato de amônio avançou cerca de 28%, com valorização de mais de US$ 100 por tonelada no mesmo período, segundo dados da StoneX, empresa global de serviços financeiros.

    Diante do cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) emitiu nota oficial pedindo cautela ao mercado e orientando produtores rurais a evitar compras precipitadas. O ministro Carlos Fávaro foi direto: “É momento de cautela e de combate à especulação. A melhor forma de enfrentar a especulação é não comprar quando o preço está artificialmente elevado.”

    Por que os preços subiram tão rápido

    A volatilidade tem raízes tanto nas incertezas geopolíticas quanto em impactos concretos já verificados na cadeia global de fertilizantes. Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, explica que, nos dias seguintes ao início do conflito, muitos fornecedores retiraram ofertas do mercado à espera de maior clareza sobre a formação de preços. Ao mesmo tempo, ataques no Catar resultaram em redução da produção de nitrogenados no país, diminuindo a disponibilidade global de mercadorias.

    Outro fator de pressão é a situação logística na região. A navegação no Estreito de Hormuz, rota estratégica para o comércio global de insumos, foi prejudicada, comprometendo o escoamento de fertilizantes, gás natural e enxofre produzidos no Oriente Médio. A região responde por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia, segundo Pernías. “Qualquer interrupção prolongada pode gerar impactos significativos na oferta global, especialmente se o conflito se estender por semanas ou meses”, alerta o analista.

    A situação é agravada ainda pela interrupção temporária das exportações russas de nitrato de amônio, outro fator citado pelo próprio Mapa como elemento de instabilidade no mercado internacional.

    Brasil dependente e vulnerável

    A dependência brasileira de fertilizantes importados torna o país especialmente exposto a esse tipo de choque externo. Dados da Embrapa indicam que 85% dos fertilizantes usados no país vêm do exterior. E no caso específico da ureia, utilizada em culturas como milho, trigo, arroz, algodão e cana-de-açúcar, essa dependência chega a 90% do consumo nacional. Em 2025, o Brasil importou entre 7 e 8 milhões de toneladas do insumo, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior. Parte relevante dessas compras tem origem justamente em países do Oriente Médio.

    Para o advogado especialista em agronegócio Pedro Henrique Oliveira Santos, o cenário pode pressionar ainda mais os custos de produção agrícola. “O impacto esperado é o aumento do preço dos fertilizantes, podendo gerar uma elevação de 15% a 20% no valor desses insumos”, afirma.

    O efeito tende a chegar primeiro às regiões mais dependentes do transporte rodoviário. Municípios com grande produção de grãos como Sorriso, Rondonópolis e Lucas do Rio Verde (MT), Cascavel, Toledo e Londrina (PR), além de Dourados e Maracaju (MS), podem sentir mais rapidamente o impacto no custo de colheita e transporte da safra.

    Governo orienta: aguardar antes de comprar

    Com a safra de inverno já plantada ou em fase final de implantação, o Mapa avalia que não há necessidade imediata de aquisição de fertilizantes. A próxima grande demanda ocorrerá apenas com o início do plantio da safra de verão, tradicionalmente a partir de setembro. O que, na avaliação do ministério, abre uma janela para que o mercado se estabilize.

    “Quem precisava comprar fertilizante para a safra atual já o fez. Para a safra de verão ainda há tempo. Por isso, a orientação neste momento é aguardar o desenrolar do cenário internacional e evitar compras precipitadas”, afirmou o ministro Fávaro.

    O ministério também destacou que existem alternativas tecnológicas e estratégias de manejo capazes de otimizar o uso de nutrientes nas lavouras, reduzindo a exposição dos produtores às oscilações do mercado internacional.

    Incerteza permanece

    No curto prazo, os Estados Unidos tendem a sentir os efeitos da redução da oferta com mais rapidez, pois atravessam o período de preparação para a safra de primavera. Momento em que a demanda por fertilizantes costuma crescer de forma expressiva. Caso os preços internacionais mais elevados sejam repassados ao comprador norte-americano, existe risco de pressão sobre as margens dos agricultores em um momento sensível de planejamento.

    No Brasil, o impacto deve ser mais gradual. As compras de fertilizantes nitrogenados geralmente se intensificam apenas nos meses finais do ano, em antecipação ao plantio da safrinha de milho. Diante disso, muitos importadores podem adotar postura mais cautelosa no curto prazo.

    Ainda assim, Pernías alerta que o nível de incerteza é alto. “A falta de previsibilidade no cenário geopolítico torna o comportamento do mercado de fertilizantes especialmente difícil de antecipar neste momento”, conclui o analista. O Mapa informou que seguirá monitorando permanentemente a cadeia de suprimentos e dialogando com atores do setor para avaliar alternativas de logística, importação e abastecimento.

  • Brasil garante rota alternativa via Turquia meio à crise no Estreito de Ormuz

    Brasil garante rota alternativa via Turquia meio à crise no Estreito de Ormuz

    O Brasil garantiu uma rota alternativa para manter o fluxo das exportações do agronegócio diante da crise no Estreito de Ormuz. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) concluiu negociação com a Turquia que permite o trânsito e o armazenamento temporário de cargas brasileiras em solo turco, possibilitando que os produtos cheguem ao Oriente Médio e à Ásia Central sem precisar cruzar o Golfo Pérsico.

    A estrutura portuária turca, que já era utilizada por exportadores brasileiros, ganhou um novo respaldo jurídico com a criação do Certificado Veterinário Sanitário para Produtos Sujeitos a Controles Veterinários em Trânsito Direto pela República da Turquia ou para Armazenamento Temporário. O documento foi a solução encontrada após o país passou a exigir novas regras sanitárias para produtos de origem animal.

    Na prática, o certificado garante que mercadorias como carnes, lácteos e outros produtos de origem animal possam atravessar o território turco ou ficar armazenadas temporariamente antes de seguir ao destino final. Isso sem burocracia extra e sem riscos de bloqueio sanitário.

    A medida traz mais segurança e previsibilidade ao setor exportador brasileiro em um momento de forte instabilidade nas rotas marítimas internacionais, reforçando a atuação do Mapa para manter o comércio agropecuário em funcionamento.

    Por que o Estreito de Ormuz ameaça as exportações brasileiras?

    A crise que motivou a busca por rotas alternativas tem origem em um dos pontos mais estratégicos do planeta. O Estreito de Ormuz é a única passagem do Golfo Pérsico para o mar aberto, conectando ao sul o Oriente Médio ao Mar Arábico. Ao contrário de canais como o Panamá, Ormuz funciona como um beco sem saída. Portanto, quem entra pelo sul precisa sair pelo mesmo caminho.

    Sua importância econômica é difícil de contabilizar. A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que cerca de 25% do comércio global de petróleo passe por Ormuz. Isso é o equivalente a 20 milhões de barris por dia em 2025, com 80% desse volume destinado à Ásia. Além disso, cerca de 19% do comércio mundial de gás natural liquefeito também transita pelo estreito, representando 93% da produção do Catar.

    A crise atual teve início em 28 de fevereiro de 2026. Após ataques militares conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos, incluindo a morte do líder supremo Ali Khamenei, o Irã fechou o Estreito de Ormuz a navios estrangeiros. A Guarda Revolucionária Islâmica transmitiu avisos proibindo qualquer embarcação de atravessar a passagem.

    O impacto foi imediato nos mercados globais. Os preços do petróleo ultrapassaram US$ 100 por barril, e o bloqueio ameaça provocar forte inflação caso se prolongue. Grandes transportadoras como Maersk e Hapag-Lloyd suspenderam operações na área.

    O estreito não está formalmente fechado para todos os países. O chanceler iraniano Seyed Abbas Araqchi declarou que Ormuz segue aberto apenas para nações consideradas amigas do Irã, como China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão. Para cargas com origem ou destino em países aliados dos Estados Unidos, a rota pelo Golfo Pérsico tornou-se inviável.

    Para o agronegócio brasileiro, que tem no Oriente Médio e na Ásia Central destinos estratégicos, o acordo com a Turquia representa uma salvaguarda concreta enquanto a situação geopolítica na região permanece indefinida.