Tag: EUA

  • Conselho Monetário Nacional amplia crédito para afetados por tarifaço

    Conselho Monetário Nacional amplia crédito para afetados por tarifaço

    O Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliou o acesso ao crédito emergencial para empresas prejudicadas pelo tarifaço dos Estados Unidos. O órgão aprovou nesta quinta-feira as mudanças anunciadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

    As novas regras facilitam o acesso às linhas, reforçam os critérios de elegibilidade e incluem fornecedores de exportadoras entre os beneficiários. O CMN criou as linhas emergenciais em agosto, com R$ 30 bilhões, para proteger empregos, sustentar a produção e preservar liquidez nos setores afetados.

    Fornecedores entram no programa

    A resolução liberou crédito para fornecedores de exportadoras. Esses fornecedores precisam ter pelo menos 1% do faturamento ligado a empresas exportadoras. Essas exportadoras, por sua vez, devem comprovar impacto de 5% no faturamento por causa das tarifas norte-americanas, considerando o período de julho de 2024 a junho de 2025.

    O Ministério da Fazenda afirmou que a mudança evita gargalos nas cadeias produtivas e amplia o alcance das medidas emergenciais. A pasta destacou que o objetivo é atender toda a cadeia exportadora, não apenas empresas que vendem diretamente ao exterior.

    Regras ficam mais flexíveis para exportadoras

    O CMN reduziu de 5% para 1% o impacto mínimo necessário no faturamento para acessar o crédito. A mudança facilita o acesso de empresas que integram grupos econômicos complexos e que tinham dificuldade em comprovar o requisito anterior.

    A resolução também determinou que a lista de produtos elegíveis será definida em ato conjunto dos ministros da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A medida busca alinhar o programa às diretrizes da política industrial e comercial.

    As taxas de remuneração ao Fundo de Garantia à Exportação agora variam de 1% a 6% ao ano. Os percentuais dependem do porte da empresa e da finalidade do financiamento. O BNDES e instituições financeiras habilitadas executarão as medidas.

    Portaria antecipou mudanças

    As pastas da Fazenda e do MDICA definiram as alterações por portaria conjunta na quarta-feira. O CMN precisava regulamentar o texto para permitir a ampliação efetiva do Plano Brasil Soberano.

    O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin afirmou que o governo atua em negociação diplomática e apoio direto ao setor produtivo. Ele destacou que o governo segue atento às necessidades da indústria e ampliou o critério de faturamento para incluir fornecedores.

    O CMN é presidido pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e tem como integrantes Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e Simone Tebet, mi

  • Brasil aguarda retorno dos EUA para avançar no acordo

    Brasil aguarda retorno dos EUA para avançar no acordo

    O Brasil espera, nos próximos dias, a resposta dos Estados Unidos sobre o “mapa do caminho” que orientará as negociações comerciais entre os dois países. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a definição é essencial para solucionar pendências acumuladas nos últimos anos.

    Vieira se reuniu em Washington com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, após encontros durante o G7 no Canadá. O chanceler relatou que Rubio demonstrou interesse em avançar rapidamente nas conversas técnicas. “Apresentamos nossas propostas para a solução das questões. Agora esperamos a resposta deles”, afirmou Vieira após a reunião.

    O encontro ocorre após a primeira reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizada em 26 de outubro. Na ocasião, os países decidiram iniciar negociações técnicas para reverter o tarifaço imposto pelo governo Trump sobre produtos brasileiros.

    O chanceler explicou que, em 4 de novembro, Brasil e Estados Unidos realizaram uma reunião virtual de alto nível. Nela, o governo brasileiro apresentou uma resposta detalhada à lista de temas enviada por Washington em outubro. Segundo Vieira, Rubio sinalizou que a análise americana deve terminar até esta semana ou no início da próxima.

    Vieira afirmou que Brasil e Estados Unidos buscam concluir, até o fim deste mês, um acordo provisório. Esse documento deve definir o roteiro das negociações para os próximos um ou dois anos. As discussões ocorrem em meio às tarifas adicionais de 50% aplicadas pelos EUA a diversos produtos brasileiros.

    Reunião teve delegações ampliadas

    A reunião em Washington incluiu uma rodada ampliada de trabalho com negociadores e diplomatas dos dois países. Representaram o Brasil:
    • Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil em Washington;
    • Joel Sampaio, chefe da Assessoria Especial de Comunicação Social;
    • Ricardo Monteiro, chefe de gabinete e embaixador;
    • Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty;
    • Fernando Sena, ministro-conselheiro da embaixada brasileira.

     

  • China restabelece licenças de importação de soja para empresas dos EUA

    China restabelece licenças de importação de soja para empresas dos EUA

    A China voltará a conceder licenças de importação de soja para três empresas norte-americanas. Assim, encerrará a suspensão das importações de toras de madeira dos Estados Unidos a partir de 10 de novembro, informou a autoridade aduaneira chinesa nesta sexta-feira. A decisão representa mais um sinal de alívio nas tensões comerciais entre os dois países.

    As suspensões de licenças aplicadas à cooperativa agrícola CHS, à exportadora global de grãos Louis Dreyfus Company Grains Merchandising e à operadora de terminais de exportação EGT haviam sido impostas em março, em meio ao agravamento das disputas comerciais.

    A interrupção das importações de toras dos EUA ocorreu como medida de retaliação após a ordem do então presidente norte-americano Donald Trump, em 1º de março, para investigar as importações de madeira.

    O sentimento dos investidores melhorou depois que Trump se reuniu com o líder chinês Xi Jinping, na Coreia do Sul. Reduzindo os temores de que as duas maiores economias do mundo abandonassem os esforços para resolver seus impasses comerciais.

    Após o encontro, Pequim suspendeu tarifas sobre alguns produtos agrícolas norte-americanos impostas em março. E retomou compras modestas de commodities dos EUA, incluindo duas cargas de trigo. A estatal chinesa COFCO também adquiriu três embarques de soja dos Estados Unidos antes da reunião entre os líderes.

    Mesmo assim, os operadores permanecem cautelosos, já que ainda vigora uma tarifa de 10% sobre todas as importações norte-americanas, inclusive produtos agrícolas. O que limita as expectativas de uma recuperação mais ampla no fluxo comercial.

  • Soja: China sinaliza compras dos EUA; decisão afeta Brasil

    Soja: China sinaliza compras dos EUA; decisão afeta Brasil

    A sinalização de que a China pode retomar parte das compras de soja dos Estados Unidos reduziu os prêmios de exportação no Brasil, segundo o Cepea.

    O Centro de Pesquisas informou que os contratos para embarque em 2026 voltaram a registrar patamares negativos, movimento que não ocorria desde julho. Mesmo com essa pressão, as cotações da oleaginosa no mercado físico permaneceram firmes durante a última semana.

    Os produtores brasileiros preferiram negociar lotes para entrega imediata e pagamento a prazo, buscando garantir os preços atuais, explicam os pesquisadores.

    Para a safra 2025/26, a Conab estima produção recorde de 177,6 milhões de toneladas de soja. A projeção já considera uma possível queda de produtividade no Centro-Oeste, por causa dos efeitos do fenômeno La Niña.
    Em contrapartida, as chuvas registradas nos últimos dias trouxeram alívio e otimismo ao setor, reforçando as expectativas de um ciclo produtivo favorável.

  • Brasil e EUA abrem diálogo sobre tarifas do café; setor se manifesta

    Brasil e EUA abrem diálogo sobre tarifas do café; setor se manifesta

    O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) comemorou o diálogo realizado neste domingo (26), na Malásia, entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. A conversa marcou um passo importante para fortalecer as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

    Importância do mercado americano

    Os EUA importam 16% de todo o café exportado pelo Brasil, o que correspondeu a 8,1 milhões de sacas em 2024. O país é o principal destino do café brasileiro e um parceiro estratégico para o setor.

    Durante a missão oficial à Indonésia e à Malásia, o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, participou de reuniões com a equipe do governo federal. Ele apresentou informações estratégicas e defendeu a isenção das tarifas aplicadas aos cafés brasileiros.

    Segundo o Cecafé, ambos os governos demonstraram disposição em avançar nas negociações sobre as tarifas em vigor. Essas taxas reduzem a competitividade do café brasileiro nos Estados Unidos. Como resultado, elas aumentam os preços ao consumidor norte-americano e ameaçam a participação do Brasil no maior mercado importador e consumidor de café do mundo.

    A entidade reforçou que atua tanto no Brasil quanto em Washington para fortalecer a parceria bilateral. O objetivo é garantir competitividade nas exportações, previsibilidade ao mercado global e sustentabilidade à cadeia produtiva do café.

    O Cecafé espera resultados concretos para a eliminação das tarifas sobre o produto, medida que pode reduzir a pressão inflacionária nos EUA e estimular toda a cadeia produtiva brasileira.

    Cafés Especiais

    A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) também celebrou o encontro entre Lula e Trump. Para a entidade, a reunião representa uma oportunidade real de resolver o impasse tarifário e abrir novas frentes de cooperação entre os dois países.

    A BSCA destacou que os Estados Unidos são o principal destino dos cafés especiais do Brasil, com 2 milhões de sacas exportadas por ano e uma receita superior a US$ 550 milhões.

    A possível retirada do tarifaço de 50% sobre os cafés brasileiros tende a normalizar o comércio internacional do produto, especialmente entre o Brasil — maior fornecedor global — e os EUA — maiores importadores e consumidores do mundo.

    Como representante oficial do setor de cafés especiais, a BSCA defende que o diálogo entre os governos preserve empregos, renda e parcerias históricas construídas entre os dois países. A entidade reforçou que a eliminação das tarifas é essencial para proteger o setor brasileiro, a indústria cafeeira e os consumidores norte-americanos.

     

  • Trump amplia cota de carne argentina para reduzir preço nos EUA

    Trump amplia cota de carne argentina para reduzir preço nos EUA

    O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, decidiu quadruplicar a cota de importação de carne bovina da Argentina. O volume passa de 20 mil para 80 mil toneladas anuais com tarifas reduzidas.

    A Casa Branca afirma que o objetivo é frear a alta dos preços da carne e ampliar a oferta interna, em um momento de forte pressão inflacionária. Além disso, a medida faz parte de um plano econômico mais amplo para reduzir o custo de vida das famílias americanas.

    O Departamento de Agricultura (USDA) informou que o novo limite tarifário permitirá importações com tarifas preferenciais até 80 mil toneladas por ano. A partir desse ponto, voltam a vigorar alíquotas de 26,4%, aplicadas às quantidades excedentes.

    Escassez de gado pressiona preços e consumo

    Os Estados Unidos enfrentam o menor rebanho bovino em dez anos, resultado direto da seca prolongada em regiões produtoras, do aumento nos custos de ração e da perda de pastagens.

    Esse cenário reduziu a oferta de carne e elevou os preços no varejo, que subiram mais de 50% nos últimos cinco anos. O governo tenta reverter essa tendência antes que o aumento do custo dos alimentos afete de forma mais ampla a economia doméstica.

    Analistas lembram que o consumo americano de carne bovina ultrapassa 12 milhões de toneladas anuais. Por isso, a ampliação da cota argentina representa menos de 1% do total, mas tem valor simbólico no enfrentamento da inflação.

    Setor pecuário reage à decisão da Casa Branca

    Entidades ligadas aos pecuaristas reagiram com preocupação. A National Cattlemen’s Beef Association (NCBA) afirmou que a medida ocorre em um momento delicado para o setor e pode afetar a renda dos produtores.

    Além disso, lideranças rurais de estados como Kansas, Texas e Dakota do Sul cobram maior apoio federal para recompor o rebanho e compensar os efeitos da concorrência estrangeira. Segundo eles, os custos de produção continuam elevados e a abertura da cota tende a pressionar o mercado doméstico.

    No Congresso, parlamentares republicanos solicitaram ao governo que amplie as linhas de crédito e acelere os incentivos à pecuária. Eles defendem a adoção de políticas que garantam estabilidade de preços e sustentação de margens aos criadores.

    Governo americano promete incentivo à produção interna

    Para reduzir tensões com o setor, o USDA prepara um pacote de estímulos voltado à produção nacional. O plano prevê incentivos fiscais, ampliação do acesso a pastagens federais e financiamento de longo prazo para pequenos e médios produtores.

    O governo também planeja investir na capacidade de abate e processamento dentro do território americano, com o objetivo de diminuir gargalos logísticos e fortalecer a cadeia de valor da carne bovina.

    Essas medidas devem ser anunciadas ainda neste trimestre, segundo fontes do Departamento de Agricultura. O pacote poderá incluir parcerias com o setor privado e subsídios para modernização de frigoríficos regionais.

    Argentina comemora avanço comercial com os EUA

    O governo de Javier Milei celebrou a ampliação da cota como um sinal de confiança na carne argentina. Segundo o Ministério da Agricultura, a decisão fortalece o comércio bilateral e, além disso, reforça a imagem do país como fornecedor confiável de proteína bovina de alta qualidade.

    A Argentina exportou mais de 700 mil toneladas de carne bovina em 2024 e, por isso, enxerga no mercado americano uma oportunidade estratégica de expansão. Além de ampliar as receitas do setor, a medida pode estimular investimentos em frigoríficos locais e elevar a competitividade internacional do produto argentino.

    Enquanto isso, parte dos embarques deve abastecer redes de fast food e processadores industriais nos Estados Unidos, o que, por sua vez, pode consolidar a presença da carne argentina em nichos de alto consumo e garantir contratos de longo prazo com grandes distribuidoras. Dessa forma, Buenos Aires aposta em uma reaproximação comercial com Washington, após anos de restrições e quotas limitadas impostas ao produto.

    Ações futuras e impactos políticos

    O governo Trump pretende monitorar os preços ao consumidor nas próximas semanas e reavaliar o mecanismo tarifário caso haja desajuste no mercado. Paralelamente, o gabinete econômico analisa novas parcerias com países do Mercosul para diversificar as fontes de abastecimento.

    Especialistas em política comercial afirmam que a medida tem impacto político imediato, por mostrar reação do governo diante da inflação alimentar. Ainda assim, o efeito econômico é limitado, já que o volume adicional cobre apenas uma pequena fração do consumo interno.

  • Setor reforça: etanol não é moeda de troca com EUA

    Setor reforça: etanol não é moeda de troca com EUA

    O setor sucroenergético brasileiro reafirmou que o etanol não deve ser usado como moeda de troca em negociações comerciais com os Estados Unidos. A declaração foi de Carlos Ubiratan Garms, presidente do Conselho da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), durante a 25ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.

    Garms destacou que o etanol brasileiro é um ativo estratégico de soberania nacional e deve ser tratado como política de Estado. Segundo ele, não há tratativas oficiais sobre possíveis concessões ao governo norte-americano.

    Tarcísio de Freitas reforçou o posicionamento. O governador de São Paulo defendeu a proteção da produção nacional. “Não precisamos fazer concessões naquilo que é reserva estratégica do Brasil. Pelo contrário, temos que proteger essa reserva e prestigiar quem investe em tecnologia”, declarou Freitas.

    Produção de etanol

    Atualmente, Brasil e Estados Unidos concentram 80% da produção mundial de etanol. Em 2024, os EUA produziram 16,1 bilhões de galões, enquanto o Brasil alcançou 8,8 bilhões, consolidando os dois países como principais players globais do setor.

    O acesso do etanol norte-americano ao mercado brasileiro está no centro de uma investigação aberta por Washington, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O processo questiona a revogação, em 2017, do regime quase isento de tarifas que beneficiava o biocombustível dos EUA.

    O governo norte-americano alega que a taxa de importação de 18% imposta atualmente cria uma barreira indevida. Já o setor brasileiro considera o imposto um instrumento legítimo de defesa comercial, essencial para garantir a competitividade frente a um produto fortemente subsidiado.

  • Empresas atingidas por tarifaço dos EUA ganham linha de crédito de R$ 1,6 bi

    Empresas atingidas por tarifaço dos EUA ganham linha de crédito de R$ 1,6 bi

    O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou R$ 1,6 bilhão em crédito para ajudar empresas brasileiras afetadas pelas altas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos. O objetivo principal é financiar a busca por novos mercados internacionais.

    A medida é uma resposta ágil à tarifa de 50% que o governo americano, sob o então presidente Donald Trump, aplicou a cerca de 3,8 mil produtos brasileiros a partir de 6 de agosto. Apesar de uma lista de isenções para quase 700 itens, setores importantes da pauta de exportação permaneceram sob a sobretaxa.

    Aceleração nos processos

    O banco encerrou a análise e aprovou os projetos em um tempo recorde. Enquanto o processo habitual no BNDES leva até 60 dias, as operações do “Plano Brasil Soberano” obtiveram aval em uma média de apenas 18 dias.

    Os R$ 1,6 bilhão financiaram 47 operações na linha Giro Diversificação. Os setores que mais receberam recursos foram:

    • Açúcar: R$ 220 milhões
    • Outros alimentos: R$ 249,7 milhões
    • Equipamentos elétricos: R$ 191,1 milhões
    • Café: R$ 108,9 milhões
    • Utensílios: R$ 79,5 milhões

    As exportações financiadas terão como destino países como Suíça, Reino Unido, Canadá, França, Argentina, Chile, Bolívia e Uruguai, entre outros.

    O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que a agilidade reflete o empenho da equipe em atender à determinação do presidente Lula de não deixar nenhuma empresa para trás. Mercadante também informou que o banco analisa outras 66 operações na mesma linha, que somam mais R$ 2 bilhões em projetos.

  • China impulsiona exportação recorde de carne bovina do Brasil em meio a guerra comercial

    China impulsiona exportação recorde de carne bovina do Brasil em meio a guerra comercial

    As exportações brasileiras de carne bovina atingiram um volume recorde em setembro, impulsionadas principalmente por um salto de 38,3% nas vendas para a China. De acordo com a associação Abrafrigo, o país asiático comprou 187.340 toneladas no período, consolidando-se como o principal destino do produto.

    Esse crescimento faz parte de uma estratégia chinesa para diversificar suas fontes de proteína animal, reduzindo a dependência de produtos agrícolas dos Estados Unidos em meio à disputa comercial entre as duas potências.

    O desempenho robusto ocorre mesmo após os Estados Unidos, que eram o segundo maior mercado para a carne brasileira no ano, imporem uma tarifa adicional de 50% em agosto. Como reflexo direto dessa medida, as exportações para os americanos caíram 41% em setembro, somando US$ 102,9 milhões.

    A Abrafrigo destacou que a demanda global permitiu ao setor contornar os efeitos dessas barreiras. A entidade enfatizou a “resiliência e a capacidade de aproveitar novas oportunidades comerciais” como fatores-chave para o resultado positivo.

    Diversificação e recorde de receita

    A União Europeia emergiu como o novo segundo maior destino em setembro, com compras lideradas por Itália, Holanda e Espanha. As importações do bloco europeu totalizaram US$ 131,7 milhões, um crescimento de 106% frente a setembro do ano anterior.

    No total, considerando carne fresca, processada, miúdos e sebo, o Brasil exportou 373.867 toneladas em setembro. Esse volume gerou uma receita de US$ 1,92 bilhão, representando altas notáveis de 49% em valor e 17% em volume na comparação anual.

    O cenário confirma uma tendência de reshuffling no comércio global, realocando o fluxo de produtos brasileiros. O fenômeno, também observado no mercado de soja, mostra a capacidade do agronegócio do Brasil em se adaptar ao cenário internacional. A Abrafrigo informou que, este ano, 130 países aumentaram suas compras de carne bovina brasileira, enquanto apenas 48 as reduziram.

  • China suspende compra de soja dos EUA e Brasil mantém liderança no mercado global

    China suspende compra de soja dos EUA e Brasil mantém liderança no mercado global

    A China praticamente paralisou as importações de soja dos Estados Unidos em 2025, abrindo uma oportunidade histórica para o Brasil consolidar sua posição como principal fornecedor do grão ao maior importador mundial. Os dados foram divulgados pela American Farm Bureau Federation, entidade que representa 6 milhões de agricultores norte-americanos desde 1919.

    Segundo o levantamento, a China adquiriu apenas 5,8 milhões de toneladas de soja americana em 2025, uma redução abrupta em comparação às 26,5 milhões de toneladas importadas em 2024 — quando o país representava metade de todas as compras chinesas do produto.

    “Os mercados de soja tornaram-se o sinal mais claro de estresse no comércio agrícola dos EUA”, afirmou a entidade em seu relatório. Durante os meses de junho, julho e agosto, praticamente não houve embarques de soja americana para território chinês, e nenhuma compra foi registrada para a próxima safra.

    Brasil domina o mercado com 77 milhões de toneladas

    Enquanto os produtores americanos enfrentam dificuldades, o Brasil registrou vendas superiores a 77 milhões de toneladas de soja para a China no período analisado de 2025. Os números evidenciam como a América do Sul assumiu a liderança absoluta no fornecimento, deslocando completamente os agricultores norte-americanos.

    A Argentina também buscou aumentar sua participação no mercado ao remover temporariamente o imposto de exportação de soja, restabelecendo-o dias depois após as receitas ultrapassarem US$ 7 bilhões.

    Governo Trump promete apoio aos produtores

    Diante da pressão crescente dos agricultores americanos, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou na semana passada que o governo Donald Trump prepara um “apoio substancial aos nossos agricultores, especialmente aos produtores de soja”, com possível anúncio nesta terça-feira.

    O próprio presidente Trump reconheceu o problema em sua rede social Truth Social: “Os produtores de soja do nosso país estão sendo prejudicados porque a China, por razões de ‘negociação’ apenas, não está comprando. Ganhamos tanto dinheiro com tarifas que vamos pegar uma pequena parte desse dinheiro e ajudar os nossos agricultores”.

    Durante a primeira guerra comercial com a China em 2019, Trump destinou mais de US$ 22 bilhões em pagamentos de ajuda aos agricultores americanos.

    Transformação estrutural no comércio global

    A American Farm Bureau Federation alerta que a situação vai além da disputa tarifária atual. As importações chinesas de soja não diminuíram — na verdade, atingiram níveis recordes. A diferença é que a demanda agora é atendida por concorrentes dos Estados Unidos.

    “Mesmo quando os agricultores americanos produzem safras com preços competitivos, a China tem reduzido gradualmente sua dependência dos Estados Unidos. Voltando-se para o Brasil, a Argentina e outros fornecedores”, destacou a entidade.

    Impacto nos preços e outros produtos agrícolas

    A ampla oferta global e a demanda reduzida estão pressionando os preços do milho, soja e trigo americanos, reduzindo as receitas agrícolas apesar das fortes colheitas. A situação é agravada pelos baixos níveis de água no Rio Mississippi, que elevam os custos de transporte.

    A mudança não se limita à soja. A China não comprou milho, trigo ou sorgo dos EUA em 2025, e as exportações de carne suína e algodão permanecem em níveis mínimos. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projeta que as exportações agrícolas totais para o país asiático alcançarão US$ 17 bilhões em 2025. Uma queda de 30% em relação a 2024 e mais de 50% comparado a 2022.

    Para 2026, a projeção é ainda mais preocupante: apenas US$ 9 bilhões, o menor patamar desde 2018.

    Histórico de dependência e diversificação

    Em 2012, a China comprava mais de US$ 25 bilhões em produtos agrícolas americanos, representando quase 20% de todas as exportações do setor. Em 2018, as vendas despencaram para aproximadamente US$ 9 bilhões, o menor nível em uma década.

    Embora tenha havido recuperação parcial em 2020 e 2021, o movimento foi temporário. “Desde então, a China tem diversificado constantemente seus fornecedores. Voltando-se mais para o Brasil e a Argentina em busca de soja, grãos e proteína”, informou a federação.

    “As metas de política interna da China, incluindo segurança alimentar e gestão de preços, também incentivam a distribuição das compras entre vários países para evitar a dependência dos Estados Unidos”, explicou a American Farm Bureau Federation.

    A entidade conclui que a desaceleração de 2025 não é um evento isolado. Mas parte de uma trajetória de longo prazo na qual a China se afasta estrategicamente da agricultura americana. “Para os agricultores americanos, essa mudança significou menos vendas, um crescente déficit comercial agrícola e maior incerteza sobre o futuro papel da China como mercado para a agricultura americana”, finalizou.