Tag: EUA

  • Alerta: parasita da alface que causa diarreia explosiva afeta milhares de pessoas

    Alerta: parasita da alface que causa diarreia explosiva afeta milhares de pessoas

    O número de infecções por ciclosporíase associadas ao consumo de alface contaminada ultrapassa 27 mil casos nos Estados Unidos, segundo estimativas de autoridades sanitárias americanas. A doença, causada pelo parasita microscópico Cyclospora cayetanensis, provoca sintomas gastrointestinais intensos, mas raramente evolui para óbito.

    “Você mal consegue chegar ao banheiro”, descreve o epidemiologista Alejandro Macías, da Universidade de Guanajuato, ao comentar os episódios de diarreia explosiva e vômitos que caracterizam o quadro clínico.

    O surto também ultrapassou as fronteiras americanas. A UKHSA (Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido) confirmou 67 casos entre viajantes britânicos que visitaram recentemente o território mexicano e retornaram ao país de origem já infectados, em 2026.

    Como o parasita contamina alimentos e provoca a infecção

    A contaminação humana acontece pela ingestão de água ou alimentos crus lavados de forma inadequada. Diferentemente de vírus e bactérias comuns, o Cyclospora cayetanensis precisa permanecer um período no ambiente depois de eliminado nas fezes antes de se tornar infeccioso. Essa característica torna a transmissão direta entre pessoas incomum, segundo especialistas.

    A ciclosporíase provoca diarreia intensa e aquosa, cólicas abdominais, náuseas, cansaço extremo e perda de peso. Em casos sem tratamento adequado, os sintomas podem persistir por semanas, com períodos de melhora seguidos de recaídas.

    A agência britânica orienta viajantes que visitam áreas de risco a consumir apenas água engarrafada e evitar vegetais crus ou frutas com casca. A recomendação vale especialmente para quem passa pelo México e por regiões dos EUA atingidas pelo surto, hoje concentrado sobretudo em Michigan e em estados vizinhos do Centro-Oeste americano.

    O Brasil corre risco de importar o surto?

    Segundo levantamento do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de São Paulo, o Brasil não importa vegetais frescos de consumo cru dos Estados Unidos nem do México. O que reduz significativamente a chance de o país “importar” diretamente o surto atual. A alface suspeita de originar o surto, fornecida pela empresa Taylor Farms e distribuída, entre outras redes, à Taco Bell, circula apenas no mercado americano.

    Mesmo assim, o país já enfrentou um episódio semelhante: em 2000, um surto de ciclosporíase atingiu cerca de 350 pessoas na cidade de General Salgado, no interior paulista, com o parasita confirmado em análises do Hospital das Clínicas da USP.

    Especialistas também apontam um problema à parte: a subnotificação. Exames de fezes de rotina, usados na maior parte dos postos de saúde brasileiros, frequentemente não detectam o Cyclospora. A identificação exige colorações especiais de laboratório ou testes moleculares (PCR de painel gastrointestinal), pouco disponíveis fora de centros de referência. O que sugere que casos isolados no Brasil podem passar despercebidos mesmo fora de um cenário de surto.

    Grupos de maior risco e cuidados de prevenção

    Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas apresentam maior risco de desidratação e complicações. A lavagem cuidadosa de frutas e verduras reduz o risco de contaminação, mas não elimina totalmente o parasita, resistente aos desinfetantes de uso doméstico mais comuns.

    Para viajantes que se dirigem a áreas afetadas, a recomendação médica soma-se à da UKHSA: preferir água engarrafada, evitar saladas prontas ou vegetais crus de origem duvidosa e descartar folhas externas de hortaliças antes do preparo.

  • Cota de açúcar vira novo capítulo da crise comercial entre Brasil e Estados Unidos

    Cota de açúcar vira novo capítulo da crise comercial entre Brasil e Estados Unidos

    O governo de Donald Trump condicionou a devolução de uma cota de exportação de açúcar brasileira de quase 60 mil toneladas à apresentação de “propostas comerciais satisfatórias” por parte do Brasil. Caso o país não atenda à exigência, os Estados Unidos ameaçam redistribuir o volume a outros exportadores.

    plantação de cana de açúcar
    Foto: Nilza Patricia Ramos/Embrapa

     

    O subsecretário de Agricultura dos Estados Unidos, Stephen Vaden, fez a declaração durante um simpósio da American Sugar Alliance (Aliança Americana do Açúcar), na última segunda-feira (3). A adida do Ministério da Agricultura na embaixada brasileira em Washington, Ana Lucia Viana, registrou as falas de Vaden em um comunicado urgente enviado a Brasília. A Folha obteve o documento, que a equipe do Agro em Campo confirmou.

    Como funciona a cota americana de açúcar

    Os EUA abrem anualmente uma cota de importação de 1,1 milhão de toneladas de açúcar bruto de cana, com base em compromissos assumidos junto à OMC (Organização Mundial do Comércio). Uma tarifa reduzida incide sobre o volume que entra no país dentro desse montante, enquanto uma barreira de aproximadamente US$ 340 por tonelada afeta o que fica de fora. Um obstáculo que, segundo o setor, compromete fortemente a competitividade do produto brasileiro.

    Ao anunciar as cotas para o próximo ciclo, a gestão Trump reduziu a parcela destinada ao Brasil de 155,9 mil toneladas para 100 mil toneladas, uma queda de 35,9%.

    Brasil pode recuperar volume ou perdê-lo para concorrentes

    Segundo o relato da representante do Ministério da Agricultura, Vaden afirmou durante o evento que o volume retirado do Brasil poderá retornar ao país, mas apenas mediante propostas comerciais consideradas satisfatórias pelos EUA. Na ausência de um entendimento, as 55.993 toneladas métricas em valor bruto poderão ir para outros países.

    O relatório da diplomata brasileira destaca que a coincidência exata entre o volume reduzido da cota brasileira. E a quantidade ainda não alocada reforça a percepção de que o governo americano usa a medida como instrumento de negociação comercial.

    No mesmo documento, a funcionária da Agricultura afirma ter procurado o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) para saber se o corte era permanente ou se haveria possibilidade de recomposição, ainda que parcial. Ela argumentou ao USTR que o Brasil preencheu integralmente a cota atual de quase 160 mil toneladas. Portanto, demonstra capacidade de fornecimento, confiabilidade e demanda por parte da indústria americana. O lado americano, segundo o relato, não forneceu detalhes adicionais aos já anunciados publicamente.

    Etanol pode entrar na negociação

    O comunicado da adida agrícola não especifica o que constituiria uma proposta comercial satisfatória para os EUA. Washington, porém, pressiona o Brasil há anos para reduzir a tarifa de 18% cobrada sobre a compra de etanol americano.

    De acordo com levantamento da Unica, que representa o setor, competitividade do biocombustível está no maior nível desde 2018 (Foto: Divulgação/Agência GOV)

    O governo Lula já sinalizou que aceitaria discutir a redução dessa barreira caso os EUA incluíssem nas conversas uma abertura comercial para o açúcar. Mas as partes nunca fecharam acordo nesse ponto.

    O Ministério da Agricultura e o Departamento de Agricultura dos EUA não responderam até a publicação desta reportagem aos questionamentos do Agro em Campo.

    Novas cotas entram em vigor em outubro

    As novas cotas tarifárias americanas vigorarão a partir de outubro, com duração de um ano. A República Dominicana recebeu o maior volume, com cerca de 189 mil toneladas de açúcar de cana em condições mais vantajosas, seguida pelas Filipinas, com 145 mil toneladas. O Brasil ficou com a terceira maior alocação.

    No ano passado, o Brasil exportou 292,4 mil toneladas de açúcar bruto para os EUA, segundo dados da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia). Produtores do Nordeste preenchem a cota, enquanto o Sudeste, com colheita mais mecanizada, fornece a maior parte do volume exportado acima dela.

    A tarifa aplicada às exportações fora da cota já dificultava o acesso do açúcar brasileiro ao mercado americano. E a situação piorou com os sucessivos tarifaços que Trump impôs ao Brasil. Além dos US$ 340 por tonelada, o produto que entra no mercado americano fora da cota também enfrenta sobretaxas cumulativas de 37,5%, aplicadas com base em duas investigações comerciais conduzidas pelo USTR. O volume dentro da cota, por sua vez, paga uma tarifa extra de 25%, referente a uma das apurações do USTR.

    Corte se soma a crise diplomática entre Brasil e EUA

    A ameaça de Vaden representa mais um capítulo da crise diplomática e comercial entre os governos Lula e Trump. E que foi agravada pela revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Semanas antes, o governo Lula havia negado vistos a funcionários do Departamento de Estado que, segundo auxiliares do petista, pretendiam interferir nas eleições brasileiras. O Itamaraty também não autorizou o início da missão em Brasília de Daniel Perez, embaixador indicado por Trump.

    No campo comercial, os EUA impuseram ao Brasil, no ano passado, um tarifaço de até 50%, sob a justificativa de que o governo Lula e o Judiciário promoviam uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A Suprema Corte dos EUA declarou ilegal a maior parte dessas sobretaxas. Mas Trump impôs novas sanções, de 25% e 12,5% em julho, agora amparadas pelo USTR.

    Questionada sobre o tema, a Unica classificou o Brasil como parceiro confiável para os EUA, capaz de assegurar um fornecimento regular e consistente de açúcar de alta qualidade. A entidade afirmou esperar que as tratativas avancem de forma construtiva. Assim, evitando a adoção de medidas que criem novas barreiras ao comércio entre os dois países.

  • EUA impõem nova tarifa e ampliam pressão ao agro brasileiro

    EUA impõem nova tarifa e ampliam pressão ao agro brasileiro

    O governo dos Estados Unidos ampliou as restrições comerciais contra o Brasil. A medida entrou em vigor nesta sexta-feira (24). O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu as investigações da Seção 301 sobre trabalho forçado.

    Como resultado, o órgão aplicou uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. O USTR avaliou 60 parceiros comerciais, responsáveis por 99,4% das importações norte-americanas. Segundo o governo americano, o Brasil não proíbe nem aplica de forma efetiva restrições à importação de bens produzidos com trabalho forçado. A decisão prevê exceções para determinados produtos e situações específicas.

    Medida cria nova frente de pressão comercial

    O USTR inaugurou uma nova estratégia ao relacionar o acesso ao mercado americano ao combate ao trabalho forçado. Diferentemente da investigação encerrada em 15 de julho, a nova medida alcança 60 economias. A tarifa aplicada exclusivamente ao Brasil permanece válida e continua produzindo efeitos.

    Brasil integra grupo de países com maior tarifa

    O USTR classificou o Brasil entre 54 economias que, segundo sua avaliação, não aplicam proibição efetiva às importações ligadas ao trabalho forçado. Outras seis economias possuem mecanismos de controle, mas ainda não os aplicam plenamente. Entre elas estão Canadá, México, União Europeia, Equador, Indonésia e Paquistão. O órgão estabeleceu tarifas de 10% para alguns países e de 12,5% para os demais, incluindo o Brasil.

    Produtos poderão acumular tarifas de até 37,5%

    A nova medida difere da tarifa adicional de 25% aplicada ao Brasil em outra investigação da Seção 301.
    As listas de exceções das duas decisões não são iguais. Por isso, alguns produtos antes isentos da tarifa de 25% agora pagarão a nova alíquota de 12,5%.

    Quando um produto estiver sujeito às duas medidas, as tarifas serão cumulativas. Nesse caso, a taxação adicional chegará a 37,5%. Entre os exemplos estão café solúvel sem adição de sabor, mel orgânico, tilápia, produtos específicos de madeira, couros e peles.

    Mais da metade das exportações do agro segue isenta

    A análise da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostra impactos distintos sobre o agronegócio. Segundo a entidade, 53,14% das exportações agropecuárias brasileiras para os Estados Unidos permanecem isentas das duas medidas. Outros 12,34% pagarão apenas a nova tarifa de 12,5%.
    Já 32,91% das exportações enfrentarão a tributação acumulada de 37,5%. Além disso, 1,61% dos produtos continuam sujeitos exclusivamente às medidas da Seção 232.

    Café e carne seguem protegidos

    Entre os principais produtos exportados aos Estados Unidos, o café em grão continua totalmente isento das novas medidas. A carne bovina congelada também permanece fora das tarifas adicionais da Seção 301.
    Por outro lado, parte dos produtos de madeira poderá enfrentar tributação de até 37,5%. Alguns sucos também passam a recolher a nova tarifa de 12,5%.

    CNA critica decisão dos Estados Unidos

    A CNA informou que acompanhou toda a investigação iniciada em março de 2026. A entidade apresentou contribuições técnicas, participou das audiências públicas e coordenou o setor agropecuário durante o processo.
    Nas manifestações enviadas ao USTR, a confederação afirmou que o Brasil possui uma legislação robusta contra o trabalho análogo à escravidão.

    Segundo a CNA, o país adota regras mais amplas que as convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A entidade destacou que o sistema brasileiro inclui prevenção, fiscalização, responsabilização e transparência. Além disso, a CNA argumentou que as tarifas não fortalecem a proteção aos trabalhadores.
    Para a confederação, a medida penaliza produtores que cumprem a legislação e reduz a competitividade do agronegócio brasileiro.

    Medida poderá sofrer alterações

    O USTR encerrou a fase ordinária das investigações abertas em março deste ano.
    Mesmo assim, o governo americano poderá alterar as listas de exceções ou promover novos ajustes nas tarifas.
    A CNA informou que continuará acompanhando o tema e defenderá os interesses dos produtores rurais brasileiros.

  • EUA taxam Brasil em 12,5% por trabalho forçado na cadeia de importação

    EUA taxam Brasil em 12,5% por trabalho forçado na cadeia de importação

    Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) justifica a medida pela suposta falha do Brasil em fiscalizar a importação de bens fabricados com trabalho forçado.

    O USTR atribui a taxação à falha do Brasil em proibir e fiscalizar a entrada, no mercado doméstico, de produtos feitos total ou parcialmente com trabalho forçado em outros países. A cobrança abrange a totalidade das exportações brasileiras, sem isenções, diferentemente da tarifa de 25% aplicada por “práticas desleais”, que reserva uma lista de 2.100 exceções.

    A nova alíquota substitui a taxa adicional de 10% prevista na Seção 122 da legislação comercial americana, que expirava justamente nesta data.

    Países afetados

    O governo dos Estados Unidos also aplicou sobretaxas a outros parceiros comerciais. Cinquenta e quatro países receberam a taxação de 12,5%. Enquanto outros cinco países e o bloco da União Europeia, formado por 27 nações, sofreram tarifa de 10% por terem adotado proibições ao trabalho forçado, ainda que com fiscalização considerada insuficiente. A investigação que embasou a medida seguiu a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

    O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, classificou a situação como inaceitável. “A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens fabricados com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores norte-americanos a competir em um campo desigual”, declarou.

    A CNI (Confederação Nacional da Indústria) estima que a medida pode afetar 4.187 produtos brasileiros. Os setores atingidos somam US$ 14,9 bilhões em vendas anuais aos Estados Unidos. Segundo a entidade, a combinação das duas tarifas pode adicionar 37,5 pontos percentuais sobre esses bens, dos quais 62% funcionam como insumos intermediários em processos produtivos.

    USTR aponta indícios de trabalho forçado na pecuária brasileira

    O relatório do USTR reconhece as medidas adotadas pelo governo brasileiro para inibir a compra de bens produzidos com trabalho forçado. Mas classifica como “injustificada” a dificuldade do país em implementar compromissos assumidos em acordos de livre comércio.

    O documento aponta indícios de trabalho forçado na produção de carne no Brasil e associa a prática ao crescimento das exportações do setor na última década. “É notório que o trabalho forçado é utilizado na produção de gado no Brasil”, registra o relatório.

    China entra no radar do governo americano

    O relatório do USTR também destaca a relação comercial entre Brasil e China. As vendas de carne bovina congelada para o mercado chinês saltaram de 94 mil toneladas para 1,65 milhão de toneladas entre 2015 e 2025. Ou seja, um salto de mais de 17 vezes, enquanto as exportações americanas para a China registraram tendência de queda no mesmo período.

    “A falha da China em impor e aplicar efetivamente uma proibição de importação de carne bovina congelada do Brasil com base em trabalho forçado conferiu uma vantagem de custo à carne bovina brasileira e distorceu a concorrência”, diz o relatório.

    Governo brasileiro rebate a decisão

    O Itamaraty já havia criticado a possibilidade de sanções antes do anúncio oficial. Em comunicado, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, alertou que a investigação da Seção 301 pode prejudicar políticas internas de combate ao trabalho escravo.

    “Esta investigação da Seção 301, e quaisquer ações dos Estados Unidos que possam dela resultar, ameaçam minar o progresso alcançado por tais iniciativas brasileiras. E portanto, comprometer os objetivos do USTR ao iniciar esta investigação”, afirmou Vieira.

    O Itamaraty sustenta que a cobrança contraria as normas de comércio da OMC (Organização Mundial do Comércio). E defende o sistema brasileiro de combate ao trabalho escravo, que nos últimos anos aprimorou o conceito de “condição análoga à de escravo” no Código Penal e criou a chamada “lista suja” do trabalho escravo.

  • Como o calor extremo está mudando a produção do parmesão mais famoso do mundo

    Como o calor extremo está mudando a produção do parmesão mais famoso do mundo

    As ondas de calor que atingem a Itália em 2026 já afetam diretamente a produção do Parmigiano Reggiano, queijo com mais de 800 anos de história e um dos símbolos gastronômicos mais conhecidos do país.

    Parmigiano Reggiano
    Foto: Gelisite/Flickr

    Temperaturas acima de 40 °C fazem as vacas comerem menos, permanecerem mais tempo deitadas e produzirem menos leite. Essa combinação preocupa produtores, fabricantes e administradores dos armazéns responsáveis pelo envelhecimento do queijo.

    A indústria do Parmigiano Reggiano movimenta cerca de 4,5 bilhões de euros por ano e sustenta milhares de empregos na Itália. A Reuters mostrou, em reportagem publicada em 13 de julho de 2026, como o calor extremo passou a pressionar toda a cadeia produtiva, da fazenda ao armazém.

    Calor acima de 40 °C reduz em até 10% a produção de leite

    Há cerca de 50 anos, os agricultores da região da Emília-Romanha abriam as janelas dos celeiros apenas durante as noites de verão. Hoje, essas mesmas janelas permanecem abertas 24 horas por dia para proteger o gado das temperaturas recordes que atingem a região.

    Parmigiano Reggiano
    Foto: Crissy Terawaaki/Flickr

    Nicola Bertinelli, presidente do Consórcio do Parmigiano Reggiano, afirma que o calor compromete tanto a qualidade quanto a quantidade do leite. As vacas passam mais tempo deitadas nos períodos mais quentes e reduzem o consumo de alimento, o que pode derrubar a produção de leite em até 10%.

    O impacto preocupa porque o Parmigiano Reggiano usa apenas três ingredientes:

    • Leite cru de vaca
    • Sal
    • Coalho

    Portanto, qualquer redução na oferta de leite interfere diretamente no ritmo da fabricação.

    Produtores só podem fabricar o autêntico Parmigiano Reggiano em cinco províncias italianas, a maioria delas na Emília-Romanha, e precisam alimentar as vacas exclusivamente com capim e feno cultivados dentro dessa área autorizada. Períodos prolongados sem chuva representam, portanto, outra ameaça à cadeia produtiva: sem água, o capim não cresce, o que compromete a produção de feno e reduz ainda mais a quantidade de leite disponível para o queijo.

    Ventiladores e nebulizadores fazem os custos dispararem

    Para reduzir a temperatura dentro dos celeiros, os produtores instalaram ventiladores e sistemas de nebulização de água, medidas que ajudam a proteger os animais, mas que também aumentam significativamente o consumo de energia elétrica.

    Os gastos também cresceram nos depósitos onde as rodas de queijo permanecem durante a maturação, processo que dura pelo menos 12 meses e que, em alguns casos, se estende por três anos ou mais. Durante todo esse período, as instalações precisam manter temperatura e umidade controladas.

    Mais de 500 mil rodas aguardam maturação em depósitos climatizados

    Dois grandes depósitos especializados guardam mais de 500 mil rodas de Parmigiano Reggiano, em um estoque avaliado em mais de 300 milhões de euros. A Magazzini Generali delle Tagliate, unidade ligada ao banco Credito Emiliano, opera as estruturas, localizadas nas províncias de Reggio Emilia e Modena.

    Segundo o diretor Giancarlo Ravanetti, o consumo diário de energia aumentou cerca de 30% durante os picos de calor de 2026. Para conter os custos, a empresa modernizou os sistemas de refrigeração e as caldeiras, melhorou o isolamento dos edifícios e ampliou a geração de energia renovável.

    Tecnologia e tradição protegem a qualidade do queijo

    Produtores e especialistas apelidaram coletivamente esses armazéns climatizados de “Banco do Parmigiano”. As instalações combinam tecnologia moderna e métodos tradicionais de inspeção. Assim, cada roda passa por controles rigorosos de qualidade durante a maturação, incluindo exames de raio X que ajudam a identificar defeitos internos.

    Parmigiano Reggiano
    Foto: Scott Dickey/Flickr

    Além disso, especialistas também batem pequenos martelos nas peças e analisam o som produzido, técnica que permite detectar falhas surgidas durante o envelhecimento. Ravanetti reforça que o trabalho humano continua essencial para garantir a qualidade final do produto.

    Tarifas dos EUA agravam o cenário para as exportações

    As exportações responderam por mais de 50% das vendas globais do Parmigiano Reggiano em 2025, com os Estados Unidos como principal mercado internacional. Mas esse mercado ficou mais instável: no fim de 2025, novas tarifas elevaram a carga tributária total sobre o queijo importado nos EUA para 25%, com possibilidade de novos aumentos.

    Diante da incerteza regulatória, importadores americanos suspenderam pedidos no início de 2026 para avaliar o impacto das tarifas e das pressões econômicas. Assim, essa decisão ajudou a derrubar em 10% o volume de vendas da Itália em 2025.

    Paolo Ganzerli, diretor internacional de vendas da GranTerre, que registrou receita consolidada de 1,87 bilhão de euros em 2025, afirma que eventos climáticos mais intensos podem elevar ainda mais os custos e afetar a quantidade e a qualidade do leite nos próximos anos.

    O que pode acontecer com o Parmigiano Reggiano nos próximos anos?

    O Parmigiano Reggiano existe há mais de 800 anos e representa uma das tradições alimentares mais conhecidas da Itália. As ondas de calor mostram que até processos preservados por séculos podem enfrentar dificuldades diante de temperaturas extremas, secas e agora também de barreiras comerciais.

    Portanto, produtores precisam equilibrar tradição, tecnologia e custos crescentes para manter a fabricação do queijo. Ganzerli resumiu a preocupação do setor com uma declaração direta:

    “Não queremos ser a última geração a comer esse queijo.”

  • Tarifa dos EUA deve atingir 36,5% do agro brasileiro

    Tarifa dos EUA deve atingir 36,5% do agro brasileiro

    A tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos deve atingir 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para o mercado americano, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A medida entra em vigor na próxima quarta-feira (22).

    A entidade informou que a ampliação da lista de produtos isentos reduziu o impacto da medida sobre o setor. Mesmo assim, parte das vendas brasileiras continuará sujeita à cobrança. A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, afirmou que a entidade recebeu com preocupação o resultado da investigação conduzida pelo governo americano. Segundo ela, a inclusão de novos produtos na lista de exceções preservou 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos Estados Unidos.

    Isentos da tarifa

    Entre os produtos excluídos da tarifa estão pescados, mel e café solúvel. De acordo com Mori, a ampliação das exceções ocorreu após atuação técnica da CNA e de outras entidades do setor privado junto ao governo americano. “Esse resultado é fruto do trabalho realizado pela CNA e por outros representantes do setor privado, que atuaram diretamente junto ao governo americano na defesa técnica dos interesses do agro brasileiro”, afirmou.

    Madeira, arroz, ovos e açúcar continuam tarifados

    Apesar das exceções, produtos como madeira, arroz, uva, ovos e açúcar permanecem sujeitos à tarifa adicional de 25%. Segundo a CNA, esses produtos movimentaram cerca de US$ 4,6 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2025.

    A entidade também destacou a justificativa apresentada pelo governo americano para ampliar a lista de exceções. As autoridades dos EUA afirmaram que alguns produtos brasileiros são essenciais para a indústria americana. Além disso, alegaram oferta insuficiente no mercado interno e risco de impactos em setores estratégicos da economia.

    CNA continuará defendendo o agronegócio brasileiro

    Sueme Mori informou que a CNA acompanhou toda a investigação comercial. A entidade apresentou estudos técnicos e participou de consultas públicas e audiências realizadas em Washington.

    Segundo a diretora, a confederação demonstrou que a competitividade do agronegócio brasileiro resulta de produtividade, inovação e investimentos realizados ao longo de décadas. Além disso, a CNA defendeu a exclusão dos produtos agropecuários da medida. Para a entidade, Brasil e Estados Unidos mantêm cadeias produtivas complementares e uma relação comercial estratégica para ambos os países.

    Mori afirmou que a confederação continuará acompanhando o caso. Também buscará alternativas para reduzir os impactos da tarifa sobre o agronegócio brasileiro. “A CNA acredita no diálogo construtivo e continuará trabalhando em defesa do setor agropecuário brasileiro, apoiando as cadeias produtivas afetadas e buscando soluções que preservem e fortaleçam a relação comercial entre o Brasil e os EUA”, concluiu.

  • Tarifaço de Trump isenta café, carne, petróleo e celulose

    Tarifaço de Trump isenta café, carne, petróleo e celulose

    O governo dos Estados Unidos confirmou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Apesar disso, o tarifaço de Trump isentou café, carne bovina, petróleo, aeronaves e celulose. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou a medida nesta quarta-feira (15). A nova tarifa passa a valer em 22 de julho.

    A decisão encerra uma investigação comercial iniciada há um ano. O processo teve como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o USTR, esse mecanismo permite investigar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos.

    Durante a investigação, o governo Donald Trump alegou que o Brasil mantém práticas que restringem o comércio bilateral. O governo norte-americano citou o PIX, o mercado de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria entre os principais pontos da investigação.

    Café, carne, petróleo e aeronaves escapam da tarifa dos EUA

    Mesmo com as críticas, o tarifaço de Trump preservou uma ampla lista de produtos brasileiros. Entre os produtos isentos da tarifa dos EUA estão café, carne bovina, petróleo, aeronaves e celulose. Esses produtos ocupam posição estratégica na pauta de exportações brasileiras para o mercado americano.

    Segundo o governo dos Estados Unidos, os itens isentos podem pressionar preços internos. Além disso, a produção doméstica não atende toda a demanda. Com isso, parte dos principais produtos exportados pelo Brasil continuará sem a cobrança da tarifa adicional.

    A investigação foi concluída após negociações entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Representantes de diversos setores econômicos também participaram das audiências públicas promovidas neste mês.

    O USTR afirmou que tentou negociar mudanças com o Brasil ao longo do último ano. Entretanto, o órgão declarou que não conseguiu eliminar as práticas consideradas injustas.

    Integrantes do governo brasileiro informaram que três temas concentraram os maiores impasses. As negociações envolveram o PIX, a ampliação do acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e uma proposta sobre plataformas digitais. A proposta previa uma moratória de quatro anos para isentar essas empresas do pagamento de tributos e multas.

    Governo brasileiro contesta tarifa de Trump

    O governo brasileiro afirmou que não existe justificativa para medidas unilaterais contra o país. Segundo dados do próprio governo americano, os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.

    O governo também destacou que, em 2025, 76% das importações americanas entraram no Brasil sem imposto de importação. Além disso, a alíquota média aplicada aos produtos dos Estados Unidos foi de apenas 3,1%.

    Na nota oficial, o governo brasileiro afirmou que não reconhece a legitimidade da investigação realizada fora das regras multilaterais do comércio.

    Apoio para setores atingidos

    ]O texto informa que o Plano Brasil Soberano protegerá os setores atingidos pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo o governo, as medidas buscam preservar empregos, investimentos e a capacidade produtiva nacional.

    Além disso, o Brasil iniciará imediatamente os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade. Por fim, o governo levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

  • Brasil apresenta defesa do agro em audiência sobre tarifas de Trump nesta segunda

    Brasil apresenta defesa do agro em audiência sobre tarifas de Trump nesta segunda

    O setor produtivo brasileiro finaliza a argumentação que vai levar a Washington nesta segunda-feira (6), véspera da audiência do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) sobre as tarifas comerciais impostas pelo governo Donald Trump com base na seção 301. A estratégia do Brasil aposta no impacto econômico da medida: com matérias-primas brasileiras sobretaxadas, a inflação deve pesar diretamente no bolso do consumidor americano.

    Mais de 70 brasileiros participam do encontro, entre representantes de cadeias produtivas, especialistas em diplomacia e economia, e políticos. O setor produtivo brasileiro terá 11 representantes com direito à fala, contra 12 do lado americano.

    Etanol dos EUA pressiona por tarifas recíprocas

    O agronegócio brasileiro enfrenta resistência de entidades setoriais americanas, especialmente do setor de biocombustíveis. A RFA (Renewable Fuels Association), que representa os produtores de etanol dos Estados Unidos, defende tarifas recíprocas e acusa o Brasil de praticar concorrência desleal.

    Uma pesquisa encomendada pela entidade mostra que os combustíveis renováveis ganharam apoio popular em meio ao debate sobre segurança energética e alta da gasolina. O levantamento indica que 74% dos eleitores registrados apoiam o RFS (programa federal que obriga a mistura de biocombustíveis aos combustíveis fósseis), o maior índice de aprovação em uma década de pesquisas trimestrais da associação. Apenas 12% dos entrevistados rejeitam a política.

    Os dados também revelam que 87% dos entrevistados consideram a independência energética uma prioridade para os EUA, enquanto 80% apontam o etanol como ferramenta relevante para alcançar esse objetivo. A RFA usa justamente esse argumento para sustentar a defesa de tarifas recíprocas.

    A entidade avalia que o etanol produzido internamente reduz a dependência americana de fontes externas de energia, fortalece a economia rural e barateia o preço dos combustíveis. Analistas de mercado, porém, contestam essa leitura e afirmam que os Estados Unidos ainda dependem de importações para suprir a demanda interna.

    Café brasileiro já mudou o blend americano

    Fontes ligadas às negociações apontam receio da indústria americana de perder espaço diante da qualidade e da competitividade dos produtos brasileiros. Alías, o que já acontece no setor de café.

    Aguinaldo Lima, diretor executivo da ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel), afirmou à imprensa que os torrefadores americanos já alteraram os blends de café por falta do produto brasileiro no mercado, e que qualquer nova tarifa vai elevar o preço do cafezinho nos Estados Unidos.

    Os EUA perderam o posto de maior comprador de café solúvel brasileiro para a Alemanha no fim do ano passado, já que as tarifas sobre o produto seguiram fixadas em 10%, segundo Lima.

    Rebanho americano na pior baixa em 70 anos

    O setor de carnes também entra na disputa. Mesmo que o Brasil perca a venda direta e sem tarifas aos EUA, frigoríficos brasileiros com plantas instaladas em países vizinhos da América Latina continuarão abastecendo o mercado americano. Isso justamente quando o rebanho bovino dos EUA enfrenta sua pior baixa em 70 anos.

    Analistas brasileiros destacam que o consumidor americano continuará, na prática, consumindo carne com origem brasileira, ainda que de forma indireta, através de hambúrgueres processados fora do Brasil.

    O Itaú BBA reforçou em relatórios recentes que a indefinição comercial, somada à instabilidade geopolítica, torna ainda mais complexo o custeio e o escoamento das safras agrícolas, enquanto o Brasil busca alternativas de mercado para reduzir prejuízos.

    Como funciona a audiência do USTR

    A audiência reúne 14 painéis sobre diferentes temas, além do agro, com início às 10h no horário de Washington. Cada representante setorial tem até cinco minutos para apresentar um sumário executivo em defesa da cadeia produtiva que representa.

    O USTR pode fazer perguntas aos representantes e abrir espaço para réplicas, mas fontes ouvidas indicam que a argumentação deve ser objetiva e concentrada nas consequências econômicas caso as tarifas entrem em vigor. Os setores tiveram até 1º de julho para enviar a argumentação por escrito, que serve de base para as apresentações desta segunda-feira (6).

    Quem representa o agro brasileiro na audiência
    • Andressa Silva — Associação Brasileira da Indústria do Arroz
    • Vinicius Vanzella — Associação dos Fabricantes de Gelatina da América do Sul
    • Marcelo Schunn Junqueira — Sociedade Rural Brasileira
    • Fernanda Carneiro — Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
    • Marcos Matos — Conselho dos Exportadores de Café do Brasil
    • José Luiz Pimenta Junior — Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel
    • João Marcelo Messas — Associação Brasileira dos Exportadores de Mel
    • Andrea Almeida — União Nacional do Etanol de Milho
    • Welber Barral — União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia e Indústria Brasileira de Árvores
    • Gian Carlo Almeida Marodin — Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente
  • Praga reaparece nos EUA após 60 anos e ameaça pecuária do Texas

    Praga reaparece nos EUA após 60 anos e ameaça pecuária do Texas

    Autoridades americanas confirmaram o primeiro caso do verme da bicheira do Novo Mundo (screwworm) em solo americano em seis décadas. O diagnóstico positivo veio de uma amostra colhida em um bezerro de três semanas de idade em La Pryor, no condado de Zavala, próximo à fronteira com o México. A secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, anunciou o caso durante coletiva de imprensa em 3 de junho.

    A mosca, que deposita seus ovos em ferimentos abertos de animais vivos, representa uma ameaça direta à indústria pecuária do Texas, avaliada em cerca de US$ 15 bilhões por ano. Até o momento, as autoridades não registraram novos casos, mas o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) já mobilizou equipes em campo e trabalha em conjunto com parceiros locais para conter um possível avanço da praga.

    O órgão reforçou que a bicheira não contamina carne, frutas ou vegetais e não deve afetar diretamente a cadeia de abastecimento de alimentos. Ainda assim, estimativas do próprio USDA apontam que um surto pode gerar prejuízos de até US$ 1,8 bilhão apenas no Texas, pressionando ainda mais os preços da carne bovina, que já operam em patamares recordes.

    O que é o verme da bicheira?

    O verme da bicheira do Novo Mundo pertence a uma espécie de mosca varejeira que se diferencia das demais por depositar ovos em tecido vivo, e não em matéria em decomposição. Pequenos ferimentos, como picadas de carrapato, já atraem as fêmeas, que podem depositar entre 200 e 300 ovos por vez. E até 3 mil ao longo de uma vida que dura entre 10 e 30 dias.

    As bicheiras do Novo Mundo são a forma larval carnívora de Cochliomyia hominivorax, uma espécie de mosca varejeira — Foto: Michael Miller/Texas A&M

    Após a eclosão, as larvas penetram na ferida e se alimentam da carne viva do hospedeiro. No estágio final de desenvolvimento, elas formam estruturas semelhantes a ganchos e se aprofundam ainda mais no tecido, o que originou o nome “screwworm” (verme parafuso, em tradução livre). Depois de cerca de sete dias se alimentando, as larvas caem no solo, se enterram e emergem como moscas adultas, reiniciando o ciclo.

    Infestações múltiplas costumam ocorrer na mesma ferida, com larvas em diferentes estágios de desenvolvimento, o que acelera a destruição dos tecidos.

    Historicamente, a praga concentrava sua presença na América do Sul e em partes do Caribe. Desde 2023, porém, ela vem avançando para o norte, atravessando a América Central até chegar ao México, movimento que levou as autoridades a intensificar o monitoramento a partir do ano seguinte.

    A praga pode infectar humanos e animais domésticos?

    A maior parte dos casos atinge mamíferos como bovinos, animais domésticos e fauna silvestre, mas humanos também podem ser infectados.

    Cães e gatos apresentam vulnerabilidade especial, já que pequenos ferimentos já são suficientes para atrair as moscas. O Texas Farm Bureau recomenda que tutores inspecionem os animais diariamente, com atenção redobrada a áreas com picadas antigas, mau cheiro, lesões visíveis ou sinais de larvas. A entidade também orienta que os tutores avaliem o ambiente onde os pets circulam, evitando objetos que possam causar ferimentos, como cercas de arame ou vegetação cortante. Sem tratamento, a infestação pode matar o animal rapidamente.

    Em humanos, os casos permanecem raros e costumam estar associados a viagens para regiões onde a praga é comum, como América do Sul, Cuba, Haiti e República Dominicana. Pequenos ferimentos, picadas de insetos e até incisões cirúrgicas podem servir de porta de entrada, e a infestação também pode atingir nariz, boca e olhos. Entre os sinais estão feridas que não cicatrizam, dor, sangramento e, em alguns casos, a sensação de movimento causada pela presença das larvas. A prevenção passa por manter feridas limpas e cobertas e usar roupas que protejam a pele.

    Por que a bicheira preocupa tanto o setor pecuário?

    A presença do verme em um animal provoca danos severos, já que o ciclo contínuo de deposição de ovos amplia progressivamente a ferida e pode levar o animal à morte. Mesmo quando o animal sobrevive, a infestação costuma deixar prejuízos significativos à saúde e ao couro.

    vaca leiteira

    Os bovinos enfrentam risco particularmente alto, pois não conseguem proteger feridas abertas e seu porte físico permite o surgimento de múltiplos focos de infestação simultâneos.

    Embora os Estados Unidos tenham erradicado a praga na década de 1960, um ressurgimento entre 1972 e 1976 afetou dezenas de milhares de animais em seis estados e gerou custos milionários ao setor. Produtores americanos não enfrentam essa praga há mais de 40 anos, fator que aumenta a vulnerabilidade atual do setor. O Texas, maior produtor de bovinos do país, movimenta cerca de US$ 15 bilhões por ano com a atividade.

    Como a praga chegou até o Texas?

    A disseminação pela América Central ocorreu de forma rápida, avançando centenas de quilômetros em poucas semanas. Especialistas acreditam que esse deslocamento não se deu apenas por vias naturais, mas também por meio do transporte de animais já infestados. Uma hipótese reforçada pelo fato de a praga não tolerar bem climas muito secos, quentes ou frios por longos períodos.

    Após a confirmação de casos no México em novembro de 2024, os Estados Unidos chegaram a fechar a importação de gado vivo pela fronteira sul, medida que também impactou a oferta no Texas. As restrições passaram por ajustes ao longo de 2025. Até o momento, as autoridades ainda não determinaram exatamente como a infestação chegou ao sul do estado.

    Quais medidas as autoridades estão adotando?

    O governo federal já investiu US$ 100 milhões em pesquisas, armadilhas e reforço da vigilância na fronteira. A principal estratégia de combate continua sendo a técnica do inseto estéril: machos esterilizados são liberados no ambiente para cruzar com fêmeas, gerando ovos inviáveis e reduzindo gradualmente a população da praga. O método já provou eficácia ao longo de décadas, com base operacional no Panamá.

    Novas instalações estão em implementação no México e no Texas, incluindo centros de dispersão de moscas estéreis. As autoridades também estabeleceram uma zona de quarentena e intensificaram a vigilância, com monitoramento que inclui a fauna silvestre. Produtos veterinários emergenciais já foram autorizados para tratamento em diversas espécies.

    Quais sinais os produtores devem observar?

    Especialistas recomendam monitoramento constante dos animais. Entre os principais sinais de alerta estão:

    • Feridas com mau cheiro e presença de larvas
    • Animais lambendo ou mordendo ferimentos com insistência
    • Lesões visíveis e comportamento anormal, como agitação ou apatia

    As larvas podem ser identificadas por pequenos espinhos ao redor do corpo. O tratamento envolve a remoção manual das larvas, limpeza da ferida e uso de produtos prescritos por veterinários. Atualmente há 12 produtos aprovados nos EUA para esse fim, embora ainda não exista ração medicamentosa disponível no mercado.

    Produtores devem comunicar casos suspeitos a veterinários ou autoridades sanitárias imediatamente. Segundo o USDA, o controle da praga é possível com cooperação do setor e cumprimento rigoroso das medidas sanitárias, evitando que a bicheira volte a se estabelecer no país.

  • Vaca “Melania” rouba a cena na feira de Trump em Washington

    Vaca “Melania” rouba a cena na feira de Trump em Washington

    A Great American State Fair, evento organizado pelo presidente Donald Trump para celebrar o 250º aniversário dos Estados Unidos, enfrentou uma sequência de contratempos desde sua abertura. Condições climáticas adversas forçaram os organizadores a cancelar atividades, e alguns artistas musicais desistiram de suas apresentações principais. Em meio a esse cenário, porém, uma participante conquistou a atenção do público: uma vaca batizada com o nome da primeira-dama Melania Trump.

    Piper Stolipher, aluna que apresentou o animal nas exposições da feira, contou ao The Washington Post como surgiu a ideia. Ela e os colegas da National FFA Organization, entidade anteriormente conhecida como Future Farmers of America, buscavam nomes que remetessem ao espírito patriótico da celebração dos 250 anos dos EUA.

    “Estávamos tentando criar nomes patrióticos para o 250º aniversário dos Estados Unidos, e achamos que Melania seria uma boa ideia porque é o nome da primeira-dama e as cores do cabelo combinam mais ou menos”, explicou Stolipher. “Simplesmente fez sentido.”

    Além de cuidar da apresentação do animal, a estudante celebrou a oportunidade de visitar a capital do país pela primeira vez durante um momento tão simbólico para o calendário nacional.

    “Melania” também cresceu como nome de bebê

    O nome escolhido pelos estudantes não é isolado. Dados da Administração da Seguridade Social dos Estados Unidos mostram que “Melania” ficou em quinto lugar entre os nomes femininos que mais cresceram em popularidade entre 2016 e 2017, período que coincide com o início do primeiro mandato de Trump. Na lista, o nome ficou atrás de outras escolhas em ascensão, como “Ensley” e “Oaklynn”.

    De origem grega e latina, o nome Melania significa “escura” ou “negra”, segundo o site especializado TheBump.com.

    Feira registra fechamentos por calor e chuva

    As exposições de animais figuram entre as atrações mais concorridas da Great American State Fair até o momento. Ainda assim, o público no National Mall pareceu reduzido ao longo do evento. Os organizadores precisaram fechar temporariamente as atividades na tarde de domingo devido ao calor extremo combinado com chuva forte.

    Quedas de energia também atingiram o evento, provocando o fechamento de uma roda-gigante e o derretimento de sorvetes vendidos na área de alimentação.

    Apesar dos contratempos, o presidente usou sua rede social, a Truth Social, na segunda-feira, 29 de junho, para defender o sucesso da feira. Ele questionou se o público reconhecia o “trabalho fantástico” de sua administração na organização do evento e comparou a iniciativa às gestões anteriores, afirmando que nem o ex-presidente Barack Obama nem o ex-presidente Joe Biden teriam conseguido promover uma celebração semelhante.

    Búfalo “sósia” de Trump vira atração em Bangladesh

    Além disso, a repercussão de animais associados ao presidente americano não ficou restrita aos Estados Unidos. Em uma fazenda de Narayanganj, cidade a cerca de 16 quilômetros da capital de Bangladesh, Dhaka, um búfalo albino de 700 quilos passou a atrair turistas e comerciantes pela semelhança com Trump.

    Foto: Montagem LightRocket via Getty Images

    O animal, de pele rosada, ganhou notoriedade nas redes sociais depois que os proprietários publicaram fotos no Facebook. Segundo o dono, o búfalo pertence a uma espécie de temperamento pacífico e só demonstra agressividade quando provocado.

    Uma visitante relatou ao jornal a primeira impressão ao ver as imagens do animal on-line. “Quando vi as fotos dele no Facebook, ele era a cara do Donald Trump. A estrutura facial e até o penteado dele são iguais aos do Trump.”