Tag: EUA

  • Soja vira novo campo de batalha na guerra comercial EUA–China

    Soja vira novo campo de batalha na guerra comercial EUA–China

    A guerra comercial entre Estados Unidos e China chegou ao campo da soja. Até o momento, a China não comprou nenhum carregamento de soja americana durante a colheita principal deste ano.

    Esse congelamento nas compras gerou forte crise entre os produtores de soja dos EUA, que dependem fortemente do mercado chinês.

    Analistas e autoridades enxergam esse cenário como um “embargo de fato”, embora não formalizado. Enquanto isso, os EUA preparam medidas emergenciais para socorrer os agricultores.

    Com as tarifas americanas em vigor, a China optou por comprar soja de países como Brasil e Argentina. Recentemente, Buenos Aires vendeu mais de 2,5 milhões de toneladas de soja à China após suspender temporariamente seu imposto de exportação sobre o grão.

    O movimento complica a estratégia dos EUA de prestar ajuda econômica à Argentina, já praticada no contexto de alianças políticas recentes.

    Produtores americanos exigem ação urgente

    “É frustrante ver que estão socorrendo nossa concorrência enquanto nos deixam à beira do colapso”, disse Caleb Ragland, presidente da Associação Americana de Sojicultores.

    Agricultores esperam que o presidente Donald Trump negocie um acordo com a China que revogue o boicote não declarado. Do lado chinês, a retomada das compras depende da retirada de tarifas consideradas “irresistíveis”.

    “Quanto ao comércio de soja, os EUA devem remover tarifas irracionais, expandir o comércio bilateral e trazer mais estabilidade à economia global”, disse He Yadong, porta-voz do Ministério do Comércio Chinês.

    Resposta dos EUA e o dilema Argentina

    O governo estadunidense promete medidas para socorrer os produtores, especialmente os que dependem da soja. A agenda inclui apoio para a próxima safra e negociações que colocarão a soja no centro das conversas com o governo chinês.

    A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, confirmou que a instabilidade enfrentada pelos agricultores é real e que ela e Trump mantêm contato frequente sobre o tema. Enquanto isso, a estratégia de política externa dos EUA trava-se também na Argentina.

    Com a paralisação das exportações americanas para a China, os agricultores argentinos preencheram a lacuna. E, enquanto isso, os americanos assistem a bilhões em ajuda econômica serem destinados à Argentina.

    Na semana passada, veio à tona uma mensagem de texto atribuída a autoridades do governo americano que acusava que, após a ajuda à Argentina, o país vizinho removeu tarifas de exportação e vendeu soja à China, possivelmente prejudicando os produtores americanos.

  • China dispara e compra 51% mais alimentos do Brasil enquanto EUA aplicam sobretaxa

    China dispara e compra 51% mais alimentos do Brasil enquanto EUA aplicam sobretaxa

    O Brasil exportou US$ 5,9 bilhões em alimentos industrializados durante agosto, registrando queda de 4,8% em relação a julho e de 1% comparado ao mesmo mês de 2024. O recuo interrompe a sequência de crescimento e reflete diretamente o impacto da tarifa adicional de 50% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

    Os dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) mostram uma clara mudança no cenário exportador: enquanto os EUA reduziram drasticamente suas importações, a China consolidou sua posição de maior comprador, adquirindo US$ 1,32 bilhão em produtos brasileiros – alta de 51% em relação a agosto de 2024.

    EUA perdem protagonismo com nova política tarifária

    A sobretaxa americana atingiu em cheio os principais produtos da pauta exportadora brasileira. Os açúcares foram os mais afetados, com queda brutal de 82,3% comparado a agosto de 2024, praticamente zerando as vendas no período. As proteínas animais, segundo item mais relevante nas exportações para os EUA, despencaram 43,3% na mesma comparação.

    “O resultado das exportações para os EUA em agosto reforça a necessidade de diversificação de mercados”, analisa João Dornellas, presidente executivo da ABIA. A participação norte-americana no total exportado pelo setor caiu de 7,4% para 7%.

    A entidade estima que as vendas de alimentos atingidos pela tarifa para o mercado americano podem despencar até 80% entre agosto e dezembro, representando perda potencial de US$ 1,35 bilhão.

    China assume liderança absoluta no ranking de destinos

    Contrastando com o cenário americano, a China disparou nas compras de alimentos brasileiros. Com US$ 1,32 bilhão em agosto, o gigante asiático representa agora 22,4% de todas as exportações do setor, puxado principalmente por proteínas animais (US$ 909,7 milhões, +67%) e açúcares (US$ 326,7 milhões, +20,2%).

    O crescimento chinês demonstra a capacidade do mercado asiático de absorver a produção brasileira, oferecendo alternativa concreta às barreiras comerciais americanas.

    México emerge como surpresa positiva

    Uma das principais novidades do cenário exportador foi o salto das vendas para o México, que totalizaram US$ 221,15 milhões em agosto (3,8% do total exportado). O crescimento foi impulsionado especialmente por proteínas animais, com alta impressionante de 368,5% em relação a agosto de 2024.

    “O avanço do México coincide com a retração das vendas aos Estados Unidos, indicando possível redirecionamento de fluxos comerciais”, explica Dornellas.

    Setor mantém dinamismo interno apesar de pressões

    Mesmo enfrentando turbulências no mercado externo, a indústria alimentícia brasileira mantém performance sólida no mercado interno. Nos primeiros sete meses de 2025, o faturamento alcançou R$ 780 bilhões, representando crescimento nominal de 10,2% comparado ao mesmo período de 2024.

    As vendas reais cresceram 2,8%, enquanto a produção física avançou 2% – números que contrastam positivamente com a desaceleração da economia brasileira no segundo trimestre.

    O setor de alimentos registrou 2,114 milhões de postos de trabalho formais em julho, crescimento de 3,3% em relação a julho de 2024. Foram criadas 67,1 mil novas vagas no período, totalizando 226 mil empregos em toda a cadeia produtiva.

    Atualmente, a cadeia da indústria alimentícia emprega 10,5 milhões de pessoas, correspondendo a 10,3% da população ocupada no país.

    Pressão de custos desafia competitividade

    O setor enfrenta pressão crescente nos custos de produção. Insumos como milho, leite, cacau e café mantiveram preços elevados no primeiro semestre, enquanto embalagens subiram mais de 15% no comparativo anual.

    O custo industrial de produção de alimentos acumulou alta de 7,9%, ligeiramente superior à inflação de alimentos e bebidas do IPCA (7,27%) no período janeiro-agosto.

    A ABIA projeta que as exportações gerais do setor podem recuar 4,5% no pior cenário entre agosto e dezembro, com queda anual de 2%. O faturamento da indústria deve ter recuo de 0,6% no ano.

    “A relação comercial Brasil-Estados Unidos no setor de alimentos é sustentada por cadeias produtivas integradas. Preservá-la por meio de diálogo equilibrado é fundamental para garantir empregos e segurança alimentar em ambos os países”, destaca o dirigente da ABIA.

    Principais números de agosto 2025:

    • Exportações totais: US$ 5,9 bilhões (-4,8% vs julho)
    • China: US$ 1,32 bilhão (+51% vs agosto 2024)
    • EUA: US$ 332,7 milhões (-27,7% vs julho)
    • México: US$ 221,15 milhões (+368,5% em proteínas)
    • Empregos: 2,114 milhões de postos (+3,3% anual)
  • Projeção do USDA para soja mostra avanço dos EUA e estabilidade do Brasil

    Projeção do USDA para soja mostra avanço dos EUA e estabilidade do Brasil

    O USDA elevou a projeção para a safra global de soja em 2025/26, destacando o aumento da colheita nos EUA. O Brasil mantém seu recorde, enquanto exportações mundiais também avançam.

    O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para cima a estimativa da safra mundial de soja na temporada 2025/26, que agora chega a 425,87 milhões de toneladas, um crescimento de 0,1% em relação ao relatório de agosto. As expectativas para as exportações globais de soja subiram 0,2%, atingindo 187,78 milhões de toneladas.

    Pelo segundo mês seguido, o destaque veio da produção norte-americana. O USDA aumentou em 0,2% a projeção da colheita nos EUA, para 117,05 milhões de toneladas. Esse número surpreendeu o mercado, que previa 116,24 milhões, apesar das dificuldades climáticas em certas regiões. O órgão atribui a alta ao aumento da área plantada para o ciclo 2025/26.

    Outros ajustes importantes no relatório incluem a elevação das exportações americanas em 1,2%, para 45,86 milhões de toneladas, e dos estoques finais em 3,5%, para 8,17 milhões. Mesmo com dados robustos, os contratos futuros em Chicago apresentam leve alta de 0,24% para a posição de novembro.

    O Brasil, maior exportador mundial, manteve a projeção da safra em 175 milhões de toneladas e das exportações em 112 milhões. Na Argentina, a colheita ficou estável em 48,5 milhões de toneladas, contudo a estimativa para as exportações subiu 3,4%, alcançando 6 milhões. A China, principal importadora global, manteve a expectativa de compras em 112 milhões de toneladas.

  • Exportações para os EUA caem com tarifaço em agosto

    Exportações para os EUA caem com tarifaço em agosto

    As exportações brasileiras de produtos atingidos pelo tarifaço americano caíram 22,4% em agosto frente ao mesmo mês de 2024. Já as vendas de itens sem sobretaxa recuaram 7,1%, segundo a Amcham Brasil.

    O Monitor de Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham, mostra os impactos da medida. O estudo usa dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O órgão já havia apontado queda de 18,5% nas exportações para os Estados Unidos no mês.

    Tarifaço derruba vendas brasileiras

    A Amcham avalia que as sobretaxas impostas pelos EUA provocaram forte queda nas exportações brasileiras. Além disso, contribuíram para a desaceleração das importações. No caso dos produtos não taxados, a retração de 7,1% ocorreu principalmente pela menor demanda americana por petróleo e derivados.
    Ou seja, o resultado de agosto foi a maior queda mensal de 2025. “O tarifaço influenciou as decisões empresariais”, afirmou a Amcham.

    Comércio entre Brasil e EUA

    Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. De janeiro a agosto, o fluxo bilateral somou US$ 56,6 bilhões. As exportações brasileiras chegaram a US$ 26,6 bilhões, alta de 1,6% sobre 2024.
    Apesar disso, o déficit comercial brasileiro em agosto alcançou US$ 1,2 bilhão, salto de 188% na comparação anual. No acumulado até agosto, o déficit soma US$ 3,4 bilhões.

    Tarifaço

    O governo de Donald Trump aplicou tarifas de até 50% sobre cerca de 35,9% das exportações brasileiras. A medida entrou em vigor em 6 de agosto. Cerca de 700 produtos ficaram de fora. Entre eles estão suco de laranja, combustíveis, fertilizantes, aeronaves, celulose e metais preciosos.

    Trump alegou déficit comercial dos EUA com o Brasil. No entanto, os números oficiais mostram o contrário. Além disso, ele também citou o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe.

    Importações desaceleram

    As importações brasileiras vindas dos Estados Unidos cresceram 4,6% em agosto. O ritmo, porém, foi inferior ao de julho (18,1%) e junho (18,8%).
    Segundo a Amcham, a desaceleração atinge setores integrados à indústria americana, como o carvão mineral usado pela siderurgia brasileira. “As tarifas impactam o comércio intrafirma entre as duas maiores economias das Américas”, destacou o presidente da Amcham, Abrão Neto.

     

  • EUA retiram tarifa de 10% sobre celulose brasileira

    EUA retiram tarifa de 10% sobre celulose brasileira

    O governo dos Estados Unidos retirou a tarifa de 10% sobre a celulose brasileira exportada ao país desde abril. A medida, segundo analistas, pressionava produtores americanos que dependem da matéria-prima para fabricar papéis “tissue”, como papel higiênico e lenços umedecidos.

    A fibra já havia escapado da alíquota adicional de 40%. Na sexta-feira (5), o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva sobre política tarifária. A Casa Branca publicou o novo documento na segunda-feira (8), redefinindo parâmetros para negociações comerciais.

    Detalhes da isenção

    O Anexo II da ordem atualizou a lista de produtos isentos da tarifa de 10%. O texto incluiu três descrições de celulose no SH4 4703: 4703.11.00, 4703.21.00 e 4703.29.00. Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), essas categorias representam mais de 90% do volume exportado em 2024. O total enviado foi de 3 milhões de toneladas.

    O novo decreto não alterou tarifas adicionais sobre papéis em geral e painéis de madeira, como MDF e MDP. Esses produtos seguem com alíquotas de 50% (10% + 40%) e 40%, respectivamente.

    O anúncio das tarifas em abril movimentou o mercado global de celulose. Os preços perderam fôlego e clientes adiantaram pedidos para reduzir custos. Entre janeiro e junho, as exportações brasileiras para os EUA caíram 15,2% em valor e 8,5% em volume, segundo a Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Apenas em maio, a queda em valor chegou a 35%.

     

  • Exportação de café para EUA cai 46% em agosto com tarifa de Trump

    Exportação de café para EUA cai 46% em agosto com tarifa de Trump

    As exportações de café do Brasil para os Estados Unidos sofreram uma queda abrupta de 46% em agosto de 2020. Impactadas diretamente pela tarifa de 25% imposta pelo governo de Donald Trump sobre o produto. Os dados, divulgados pelo Café (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), revelam uma significativa reconfiguração no fluxo comercial do grão.

    Enquanto as vendas para o maior consumidor mundial despencaram para 301 mil sacas de 60 kg (ante 562 mil em 2019), os países da América Latina emergiram como destinos em crescimento explosivo. As exportações para a Colômbia tiveram um aumento extraordinário de 578%, e para o México, a alta foi de 90%.

    A Alemanha manteve sua posição de liderança, se consolidando como o maior importador individual de café brasileiro no período, com a compra de 414.109 sacas, mesmo com uma ligeira contração no volume.

    Em nota, o presidente da Cecafe, Márcio Ferreira, atribuiu a turbulência diretamente às medidas tarifárias. “As tarifas perturbaram o mercado e abriram a porta para movimentos especulativos”, afirmou. Ferreira também descartou a possibilidade de o setor usar rotas de terceiros países, como México ou Colômbia, para burlar a tarifa e acessar o mercado americano, classificando a prática como de fácil detecção pelas autoridades dos EUA.

    Café solúvel e inflação em alerta

    O segmento de café solúvel foi um dos mais atingidos. De acordo com a ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel), as exportações para os EUA desse produto caíram 59,9% em agosto.

    A escalada da tensão comercial preocupa entidades globais e nacionais. Tanto a Organização Internacional do Café (OIC) quanto a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) já alertaram que as tarifas podem elevar os preços globais da commodity. Para o Brasil, que é o segundo maior consumidor do mundo, o aumento dos custos internacionais pode se refletir na inflação doméstica. Como destacou Celirio Inácio, da ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café). “O café está ficando mais caro… e isso contribuirá diretamente para a inflação aqui no Brasil”, projetou.

  • Mercado: oferta abundante pressiona preços do milho e trigo

    Mercado: oferta abundante pressiona preços do milho e trigo

    O cenário macroeconômico global mantém foco nas expectativas sobre a política monetária dos Estados Unidos. O Federal Reserve sinaliza possíveis cortes de juros a partir de setembro. Esse movimento impactaria diretamente o fluxo cambial global.

    A perspectiva de queda na taxa americana tende a fortalecer moedas emergentes, especialmente o real. A ampliação do diferencial de juros favorece essa tendência. O real apresenta trajetória de valorização desde janeiro, movimento que pode se intensificar nos próximos meses.

    O Brasil enfrenta fatores adicionais de risco. O processo eleitoral de 2026 já começa a influenciar o mercado. Historicamente, a proximidade do calendário eleitoral gera maior volatilidade cambial, principalmente no último trimestre do ano anterior.

    Tensões comerciais globais mantêm incertezas relevantes. As medidas protecionistas e retaliações entre EUA e China afetam os fluxos internacionais de commodities.

    “O mercado de grãos opera sob forte influência não apenas de fundamentos agrícolas, mas também do ambiente macroeconômico”, avalia Thais Italiani, gerente de Inteligência de Mercado de Grãos & Oleaginosas da Hedgepoint Global Markets.

    Milho 2025/26 inicia com expectativa de oferta robusta

    A produção mundial deve crescer mais de 60 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior. Os Estados Unidos puxam esse crescimento. A demanda também avança significativamente, sustentada pelo consumo para ração e crescimento do uso industrial, principalmente para etanol.

    O quadro global sinaliza abundância de oferta, mas apresenta nuances importantes. Qualquer descompasso climático na América do Sul ou aumento inesperado da demanda chinesa pode alterar o balanço.

    Brasil revisa safra de milho para 138,2 milhões de toneladas

    A Hedgepoint revisou a safra total 24/25 para 138,2 milhões de toneladas. O número fica acima da estimativa de junho (+3,7 milhões de toneladas) e do USDA (132 milhões de toneladas). Produtividades recordes em várias regiões do Centro-Oeste explicam essa revisão, segundo Luiz Roque, coordenador de Inteligência de Mercado.

    A empresa projeta estoques finais de 11,6 milhões de toneladas, mais folgados que o ciclo anterior. O consumo interno em expansão impulsiona o setor de etanol de milho. Na temporada 2024/25, cerca de 24 milhões de toneladas devem abastecer a produção de etanol. Esse volume pode dobrar em poucos anos com novas usinas entrando em operação.

    As exportações alcançam estimativa de 42 milhões de toneladas, mas enfrentam risco de redução. A forte competitividade do milho americano explica essa pressão.

    A comercialização da segunda safra segue lenta (43% versus 50% da média histórica). Produtores seguram parte do volume esperando preços melhores.

    Os preços domésticos em Campinas ficam em torno de R$ 64-65 por saca. A ampla oferta pressiona esses valores (dados até 29/08).

    O Brasil terá de competir também com a Argentina, que deve ampliar exportações no próximo ciclo, avalia o analista.

    Estados Unidos projetam safra recorde de 425 milhões de toneladas

    O USDA surpreendeu o mercado em agosto ao projetar safra recorde de 425 milhões de toneladas. Essa estimativa fica muito acima das expectativas médias (406-407 milhões de toneladas). Trata-se da maior safra já registrada no país.

    Os estoques devem subir de 33 milhões de toneladas para 53 milhões de toneladas. Isso amplia a pressão sobre os contratos em Chicago, que já romperam o piso de US$ 4,30 por bushel. Atualmente trabalham próximos a US$ 4,00 por bushel.

    As exportações mantêm ritmo forte. Mais de 18 milhões de toneladas já foram vendidas para 2025/26, praticamente o dobro do ano anterior no mesmo período.

    O clima favoreceu todo o desenvolvimento da safra. Os índices vegetativos (NDVI) ficaram acima da média histórica. Boas condições marcaram o início da colheita.

    Eventuais revisões de produtividade pelo USDA em setembro/outubro podem reduzir parcialmente a estimativa. Ainda assim, o quadro permanece confortável.

    China mantém potencial para ampliar importações

    A China projeta estoques finais em queda. Produção estável e crescimento do consumo explicam esse cenário.

    As margens da suinocultura permanecem em patamares baixos. Isso limita estímulos para aumento imediato do uso de ração. O rebanho permanece elevado e estável.

    O governo chinês pode optar por recompor estoques estratégicos (em torno de 190-200 milhões de toneladas). Há espaço para importações adicionais, criando oportunidade para Brasil e Argentina. Em 2023/24, o Brasil exportou mais de 20 milhões de toneladas para a China.

    No curto prazo, o milho americano tende a continuar mais competitivo. Isso pode impactar as exportações brasileiras.

    Argentina ganha competitividade após unificação cambial

    A produção atual fica estimada em 50 milhões de toneladas, com possibilidade de aumento para 2025/26. As margens do milho superam as da soja. A expectativa é de crescimento da área.

    O câmbio unificado pelo governo argentino reduziu distorções e aumentou previsibilidade. Isso incentiva a comercialização antecipada. Produtores já venderam cerca de 5% da nova safra (versus 1% no mesmo período do ano passado).

    As exportações devem crescer, competindo diretamente com o milho brasileiro no segundo semestre.

    O risco climático permanece relevante. A NOAA projeta 60% de chance de La Niña ainda em 2025. Isso pode trazer seca na Argentina e Sul do Brasil, afetando produtividades.

    Trigo mundial apresenta oferta abundante com pressão baixista

    A produção tende a superar a do ano anterior. União Europeia e Rússia puxam principalmente esse crescimento. A Ucrânia permanece limitada pela guerra.

    Os estoques globais não crescem no mesmo ritmo e devem permanecer próximos aos níveis de 2024/25. Isso sugere equilíbrio, mas ainda com pressão baixista devido à oferta abundante, segundo a Hedgepoint.

    Estados Unidos mantêm produção estável

    A produção fica um pouco abaixo da safra passada, devido à menor área. Boas produtividades sustentam os números.

    As exportações podem crescer levemente (até 24 milhões de toneladas). Os estoques permanecem elevados.

    Chicago continua pressionado. O peso da ampla disponibilidade global e forte concorrência internacional explicam esse cenário.

    União Europeia amplia produção significativamente

    A safra alcança estimativa de 138 milhões de toneladas, contra 122 milhões de toneladas no ciclo anterior.

    As importações devem cair de 11 para cerca de 6 milhões de toneladas. As exportações devem aumentar.

    O ganho de competitividade europeia pressiona também as exportações da Ucrânia. Estas já sofrem com restrições logísticas e impostos reestabelecidos pela UE.

    A produção argentina fica projetada próxima de 20 milhões de toneladas, com exportações em crescimento.

    No Brasil, a área de trigo permanece limitada por margens pouco atrativas. Isso afeta especialmente o Sul (RS e PR). O país mantém dependência das importações de trigo argentino.

    Ucrânia enfrenta múltiplas limitações

    A produção fica estimada entre 20-23 milhões de toneladas, bem abaixo do pré-guerra (33 milhões de toneladas).

    Além das restrições logísticas, o retorno dos impostos de importação na UE reduz o acesso do trigo ucraniano ao mercado europeu. As exportações devem voltar a cair.

    Rússia consolida posição de maior exportador

    A produção permanece em expansão. As exportações ganham impulso com a retirada (quase total) dos impostos de exportação.

    Apesar de problemas pontuais de clima durante o desenvolvimento da safra, as colheitas indicam produtividades acima da média. Isso consolida a Rússia como maior exportador mundial.

  • Tarifaço: carne brasileira encarece nos EUA e agro busca novos mercados

    Tarifaço: carne brasileira encarece nos EUA e agro busca novos mercados

    Em agosto de 2025, o governo Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, incluindo carne bovina, café e pescados. A medida altera as dinâmicas comerciais entre os países e pressiona os preços nos Estados Unidos, enquanto o Brasil busca adaptar-se aos novos desafios.

    Dados do Bureau of Labor Statistics mostram que a carne bovina já subiu 7,2% nos últimos 12 meses nos EUA. Com as tarifas, analistas projetam altas entre 15% e 20% até 2026. Apesar disso, o impacto inflacionário tende a ser limitado, já que a carne representa apenas 0,5% do CPI (índice de inflação oficial americano).

    Nos supermercados dos EUA, o preço médio da carne moída atingiu US$ 6,504 por libra (cerca de R$ 77,71/kg), um aumento de 11,75% em seis meses . Essa alta ocorre em um contexto de escassez global de proteína animal, com os estoques pecuários americanos em seus níveis mais baixos em 70 anos.

    Leandro Avelar, CEO da JPA Agro, marketplace líder do setor, alerta: “Tarifa é imposto, e imposto é preço alto. Barreiras comerciais refletem-se no consumidor final e na competitividade dos exportadores”. A afirmação sintetiza o cenário de tensão que une política, comércio e agropecuária.

    Brasil: perda de mercado e competitividade

    Os Estados Unidos são o terceiro maior destino das exportações do agronegócio brasileiro, atrás apenas da China e da União Europeia. Em 2025, o país respondia por 12% das exportações brasileiras de carne bovina, com um faturamento estimado em US$ 1 bilhão .

    Com as tarifas, embora as vendas diretas aos EUA tenham caído, o Brasil aumentou as exportações para outros mercados, como México, Rússia e Chile. Em agosto de 2025, as exportações brasileiras de carne bovina atingiram uma média diária de US$ 74,55 milhões, alta de 70,1% em relação ao mesmo período de 2024.

    Ainda assim, especialistas alertam para riscos de perda de competitividade e margens. “O mercado americano é insubstituível para o Brasil em termos de rentabilidade”, afirma Leandro Avelar. Ele destaca que a dependência de alguns exportadores em relação aos EUA chega a 40% do faturamento.

    Efeitos distintos entre EUA e Brasil

    A percepção do aumento de preços varia significativamente entre os dois países:

    • Nos EUA, a carne bovina representa cerca de 1,3% do orçamento familiar médio. Cada 1% de aumento no preço eleva a inflação geral em apenas 0,05 ponto percentual.
    • No Brasil, a carne tem peso de 3,5% no IPCA, e famílias comprometem mais de 5% da renda mensal com o produto.

    Essa diferença explica por que os americanos absorvem melhor os aumentos, enquanto no Brasil qualquer alta é sentida de forma imediata.

    A questão de percepção e a diplomacia

    Avelar destaca a importância da percepção pública sobre os preços. “Se o aumento da carne cair no inconsciente popular americano, a pressão sobre o governo vai crescer”, avalia. Essa dimensão psicológica pode influenciar revisões da medida.

    O executivo defende que o Brasil separe questões políticas de comerciais nas negociações. “Os EUA são o segundo maior cliente do Brasil e o que deixa margens mais atraentes. É irracional colocar isso em risco por disputas alheias ao comércio”.

    Além das respostas diplomáticas, o Brasil precisa enfrentar gargalos domésticos:

    • Alta carga tributária
    • Legislação trabalhista complexa
    • Deficiências em infra estrutura logística

    “O problema não é só a tarifa americana. Precisamos olhar para dentro e reduzir impostos, modernizar leis e melhorar nossa logística”, afirma Avelar. Somente com ganhos de eficiência interna o país manterá sua posição global diante de concorrentes como Austrália e Argentina.

    A dependência dos EUA de importações de carne – o país importa 26,6% de sua carne bovina do Brasil  – sugere que as exportações brasileiras manterão relevância. No entanto, o ambiente exige cautela e inteligência estratégica.

    “Se a carne passar a ser vista como ‘cara demais’ nos EUA e esse discurso ganhar corpo, a tarifa pode entrar no centro do debate e abrir caminho para negociações”, conclui Avelar. Até lá, o Brasil deve reforçar sua competitividade e diversificar mercados.

  • Pecuaristas dos EUA pressionam governo por embargo total à carne brasileira

    Pecuaristas dos EUA pressionam governo por embargo total à carne brasileira

    A National Cattlemen’s Beef Association (NCBA), principal associação de pecuaristas dos Estados Unidos, intensificou sua campanha contra a carne brasileira. O grupo pede ao governo americano um embargo total e imediato às importações do produto vindas do Brasil.

    A entidade alega falhas graves do Brasil na área de saúde animal. O principal argumento envolve um caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), a “doença da vaca louca”. Segundo a NCBA, o Brasil levou 35 dias para notificar um caso atípico à Organização Mundial de Saúde Animal em 2023. O protocolo internacional exige notificação em até 24 horas.

    A associação também cita preocupações históricas com febre aftosa. Eles afirmam que o país não é um parceiro comercial confiável e que uma auditoria completa no sistema sanitário brasileiro é necessária.

    Resposta brasileira: protecionismo disfarçado

    O Ministério da Agricultura do Brasil rebateu as acusações. A pasta reforçou que o país nunca registrou um caso clássico da doença da vaca louca. Todos os casos foram atípicos, de ocorrência espontânea e sem risco à população.

    O Brasil mantém o status de “risco insignificante” para a doença desde 2012. Para o governo, as alegações dos pecuaristas americanos são uma medida protecionista clássica. O objetivo real, dizem, é eliminar a concorrência do mercado americano.

    Impacto econômico imediato

    A pressão da NCBA já surte efeito. O Mato Grosso do Sul, grande exportador, suspendeu temporariamente suas vendas para os EUA. O estado exportou US$ 235 milhões em carne bovina para o mercado americano apenas em 2024.

    A disputa ocorre mesmo com as altas tarifas de importação que os EUA já impõem sobre a carne brasileira. A NCBA considera as tarifas um bom começo, mas insuficiente. Eles querem o banimento completo.

  • Exportadores de café alertam sobre riscos da retaliação aos EUA

    Exportadores de café alertam sobre riscos da retaliação aos EUA

    Exportadores de café pedem cautela ao governo brasileiro diante da retaliação contra os Estados Unidos pelo tarifaço de 50%.

    O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) considera prematura a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica. Ou seja, a entidade defende manter o diálogo com autoridades americanas e representantes do setor para evitar novos impasses comerciais.

    Negociações em risco

    O Cecafé alerta que a retaliação pode prejudicar negociações diretas entre exportadores brasileiros e compradores de café nos Estados Unidos. A comitiva do setor, liderada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), cumprirá extensa agenda em Washington na próxima semana. Em resumo, o grupo se reunirá com escritórios de advocacy, a National Coffee Association (NCA), autoridades do Departamento de Estado e representantes da indústria. Os encontros também incluem evento da Câmara de Comércio Brasil-EUA e audiência pública sobre a taxação de exportações brasileiras de café.

    A importância do nosso café para os EUA

    Segundo o Cecafé, 30% do mercado americano depende do café brasileiro, que responde por 16% das exportações nacionais. A entidade afirma que a medida do governo pode acirrar ânimos e abrir espaço para nova retaliação dos Estados Unidos. O segmento lembra ainda que os cafés verdes não receberam apoio em programas federais, o que aumenta a preocupação com os impactos.

    Avaliação da reciprocidade

    O Itamaraty formalizou a abertura de consultas na Camex, que terá 30 dias para avaliar contramedidas.
    Em ofício, o ministério afirmou que as tarifas americanas representam tentativa de ingerência em assuntos internos do Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou a aplicação da lei, sancionada em abril, mas disse não ter pressa. Segundo Lula, a medida apenas inicia o processo necessário para notificar oficialmente os Estados Unidos sobre a resposta brasileira.