Tag: EUA

  • Guerra no Oriente Médio encarece diesel e coloca em risco a colheita no Brasil

    Guerra no Oriente Médio encarece diesel e coloca em risco a colheita no Brasil

    Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã elevaram os preços internacionais do petróleo e jogaram sobre o agronegócio brasileiro uma ameaça imediata: o encarecimento do diesel em plena colheita de soja e no início do plantio da segunda safra de milho , operações que não admitem atraso.

    O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome. Isso expõe os produtores rurais diretamente às oscilações do mercado internacional de combustíveis. Representantes de grandes entidades do agronegócio confirmam que os preços internos já sobem no rastro da alta do petróleo, mesmo sem um anúncio formal de reajuste pela Petrobras.

    “No momento, a principal preocupação é o preço do diesel. Vimos o petróleo subir de cerca de US$ 80 para a faixa dos US$ 100 por barril, o que causou apreensão no campo”, afirmou Bruno Lucchi, diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    O barril do Brent chegou a ultrapassar US$ 119 na segunda-feira antes de recuar. No início da tarde, ainda subia mais de 7%, sendo negociado perto de US$ 100.

    Problema imediato, sem possibilidade de adiamento

    O conflito geopolítico atinge a agricultura brasileira num momento crítico. Produtores transportam soja para os mercados, concluem a colheita das últimas áreas e terminam o plantio do milho safrinha, cultura que responde pela maior parte do cereal produzido no país. Todas essas operações dependem de diesel, assim como a aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas.

    “Os produtores precisam de combustível agora para manter as operações no campo”, disse Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Ele lembra que diesel e lubrificantes costumam representar cerca de 5% dos custos operacionais das fazendas, uma fatia que pode crescer rapidamente com a alta dos preços.

    Lucchi relatou aumentos de aproximadamente R$ 1 por litro nas bombas das regiões Centro-Oeste e Sul, com alguns casos chegando a R$ 1,50. Além disso, distribuidores no Rio Grande do Sul teriam começado a restringir vendas diante da escalada dos custos.

    Fertilizantes e logística também sentem a pressão

    Cerca de 70% dos fertilizantes utilizados no Brasil chegam de fora do país e percorrem rodovias até o interior. Com o diesel mais caro, o custo logístico de distribuição pode subir entre R$ 80 e R$ 150 por tonelada no frete. Valor que tende a repassar para os preços finais dos insumos.

    Por ora, Lucchi avalia que os riscos associados às importações de fertilizantes nitrogenados do Irã, especialmente diante de eventuais bloqueios no Estreito de Ormuz, ainda são administráveis. Os produtores garantiram estoques para a safra atual e podem adiar novas compras. O diesel, no entanto, não espera.

    O cenário se agrava porque os produtores já operam com margens comprimidas. Projeções para a safra 2025/2026 indicam queda expressiva na rentabilidade: a margem bruta da soja deve recuar 36,7%, enquanto no milho a redução pode chegar a 92,2%. Custos elevados, preços internacionais estagnados e produtividade incerta formam um tripé desfavorável.

    Brasil no epicentro do mercado global de grãos

    O país lidera as exportações mundiais de soja e ocupa posição de destaque no fornecimento global de milho. Qualquer interrupção nas operações agrícolas brasileiras reverbera nos mercados internacionais de grãos. O que torna o impacto do conflito no Oriente Médio sobre o agronegócio nacional uma preocupação que vai além das fronteiras.

    A dependência do transporte rodoviário amplifica o problema. Cerca de 90% do fluxo de grãos no Brasil passa pelas estradas, o que faz do diesel um insumo estratégico para toda a cadeia produtiva. Quando o combustível encarece, o custo do frete até os portos sobe, a rentabilidade das lavouras cai e a competitividade das exportações se reduz.

    Biocombustíveis e bioinsumos como estratégias de mitigação

    O debate sobre biocombustíveis ganha força nesse contexto. A política energética brasileira prevê ampliar a mistura obrigatória de biodiesel para 15% em 2026, o que pode reduzir parte da dependência externa. Contudo, a medida gera efeitos colaterais: a maior demanda por óleo de soja para produção de biodiesel pressiona os preços da commodity no mercado interno. O milho enfrenta dinâmica semelhante, com usinas de etanol competindo pelo grão com a cadeia alimentar.

    Paralelamente, os bioinsumos avançam como alternativa para reduzir custos dentro da porteira. O mercado brasileiro do setor alcançou R$ 4,35 bilhões na safra 2024/2025, crescimento de 18% em relação ao ciclo anterior. Nos últimos cinco anos, o segmento praticamente quadruplicou, impulsionado pela busca por eficiência e pela necessidade de diminuir a dependência de insumos químicos importados.

    “A agricultura brasileira vive uma transformação silenciosa, porém significativa, com a crescente adoção dos bioinsumos”, afirma Fellipe Parreira, da área de Portfólio e Acesso do Grupo GIROAgro. Segundo ele, produtos biológicos como bioinseticidas, biofungicidas e bionematicidas se consolidam como alternativas sustentáveis aos insumos sintéticos tradicionais.

    A área tratada com bioinsumos saltou de cerca de 22% para 46,7% nas principais culturas do país. Estados como Mato Grosso e Goiás já superam 50% de adoção. Embora não substituam o diesel nas máquinas e no transporte, esses produtos reduzem a pressão de custos ao diminuir o uso de fertilizantes sintéticos e defensivos químicos. Um alívio relevante num momento em que cada real conta.

    Douglas Vaz-Tostes, especialista da GIROAgro, reforça a visão sistêmica: “Nutrir corretamente a lavoura é mais do que aumentar a produtividade. A qualidade do grão impacta a eficiência da ração, o desempenho animal e a previsibilidade de custos. Um manejo bem feito gera retorno ao produtor e estabilidade à cadeia como um todo.”

  • Guerra no Oriente Médio vai encarecer diesel, comida e insumos agrícolas no Brasil

    Guerra no Oriente Médio vai encarecer diesel, comida e insumos agrícolas no Brasil

    Na madrugada deste sábado, EUA e Israel deflagraram ataques aéreos simultâneos contra Teerã, Qom, Isfahan, Tabriz e Kermanshah. O Irã respondeu com mísseis em bases americanas no Golfo e em Tel Aviv. O conflito não é apenas uma crise diplomática. Para o Brasil, representa uma ameaça concreta à cadeia produtiva do agronegócio, ao preço do combustível e à estabilidade do câmbio.

    O canal mais imediato entre a guerra e o bolso do brasileiro passa pelo barril de petróleo. Com o Estreito de Ormuz, por onde circula entre 20% e 30% de todo o petróleo do mundo, sob ameaça, analistas projetam que o preço pode saltar dos atuais US$ 71 para uma faixa entre US$ 120 e US$ 150. Cenários extremos, que envolvem o fechamento total do estreito, chegam a projetar valores acima de US$ 300.

    O Brasil depende fortemente do transporte rodoviário para escoar a produção do campo. Qualquer alta no diesel chega ao produtor rural antes mesmo de chegar ao consumidor final, e chega rápido. A inflação que começa no frete termina na prateleira do supermercado.

    Há um ângulo positivo, mas limitado: a Petrobras e os exportadores brasileiros de petróleo bruto ganham com a alta do barril. O risco, porém, é a pressão política por reajuste nos preços domésticos da gasolina, o que retroalimenta o ciclo inflacionário.

    Agronegócio: dois golpes em sequência

    O setor que mais sente o choque é o agronegócio, e por dois caminhos distintos. O primeiro é a dependência de fertilizantes importados. O Brasil compra do exterior cerca de 80% dos insumos que usa no campo. E o Irã figura entre os principais fornecedores de ureia, essencial para as safras de soja e milho. Um bloqueio nas rotas marítimas ou sanções ao comércio iraniano encarece esses insumos, aumenta o custo de produção e, no médio prazo, pressiona os preços dos alimentos.

    O segundo golpe vem do lado das exportações. O Irã foi, em 2025, o segundo maior destino do agronegócio brasileiro em volume, com US$ 2,9 bilhões em compras. O milho sozinho respondeu por US$ 1,9 bilhão, quase 68% do total. E a soja contribuiu com outros 19,3%. Um conflito prolongado fecha esse mercado de maneira abrupta, sem substituto imediato no horizonte.

    Câmbio e juros: o impacto macroeconômico

    Crises geopolíticas globais favorecem o dólar em detrimento de moedas emergentes. O real tende a se desvalorizar, o que encarece as importações, entre elas, os fertilizantes. E obriga o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa na condução da política monetária.

    O cenário mais preocupante é aquele em que o conflito se prolong. Nesse caso, o Fed americano deve manter os juros na faixa entre 3,5% e 3,75% por mais tempo, reduzindo o fluxo de capital para países emergentes. O PIB brasileiro, que já enfrenta projeção de crescimento de apenas 1,8% em 2026, ficaria ainda mais pressionado.

    Há algum lado positivo?

    Sim, mas circunscrito. Uma mudança de regime no Irã poderia, no médio prazo, ampliar a oferta global de petróleo e derrubar os preços. O que favoreceria a competitividade do agronegócio brasileiro. Por ora, porém, a incerteza domina o cenário e os riscos superam as oportunidades.

    O impacto mais imediato e certo já chegou: o preço do petróleo sobe e o diesel encarece. O risco mais grave, ainda incerto, é a combinação entre a perda do mercado iraniano para milho e soja e o encarecimento dos fertilizantes. Tudo depende de quanto tempo o conflito durar e se o Estreito de Ormuz de fato fechar. O Brasil torce para que seja uma crise curta. O agronegócio, mais do que qualquer outro setor, sabe o que está em jogo.

  • Setor de café solúvel avalia nova tarifa dos Estados Unidos

    Setor de café solúvel avalia nova tarifa dos Estados Unidos

    A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS) avalia com otimismo e cautela a nova tarifa dos Estados Unidos. O governo dos Estados Unidos anunciou taxa de 10% sobre importações globais. A medida também vale para o café solúvel brasileiro. Antes, os EUA aplicavam tarifa de 50% desde agosto de 2025. Como resultado, o volume exportado caiu cerca de 50% nos últimos seis meses.

    De volta ao jogo

    Agora, a nova alíquota restaura parte da competitividade do produto nacional. Os Estados Unidos mantêm parceria histórica com o Brasil há mais de 60 anos. Atualmente, o país responde por 20% das exportações brasileiras de café solúvel. Além disso, as compras anuais superam US$ 220 milhões.

    Com a nova tarifa, o Brasil volta a competir em condições semelhantes a outros fornecedores globais. O México permanece como exceção, pois mantém tarifa zero. Assim, o setor considera a mudança um passo relevante para reequilibrar o comércio.

    Cautela

    Apesar do avanço, a entidade mantém cautela diante das incertezas da Seção 301. O Brasil está entre os países sob investigação nesse mecanismo. Por isso, novas medidas tarifárias podem atingir produtos brasileiros. A associação defende diálogo e harmonia entre os dois governos. Segundo a entidade, previsibilidade e estabilidade garantem segurança nas relações comerciais.

    Expectativa para reunião entre Lula e Donald Trump

    A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente Donald Trump está prevista para março. O setor considera o encontro uma oportunidade estratégica para incluir o café solúvel nas pautas bilaterais.

    Atualmente, café verde e café torrado entram no mercado norte-americano com tarifa zero. Por isso, a entidade busca tratamento semelhante para o café solúvel brasileiro. O setor vive momento de apreensão, atenção e esperança.

    A indústria quer retomar protagonismo nos Estados Unidos, seu principal e mais tradicional cliente. Além disso, o segmento busca preservar o papel estratégico desse mercado na cadeia de valor.

  • Soja brasileira segue mais competitiva que a dos EUA

    Soja brasileira segue mais competitiva que a dos EUA

    O Brasil consolidou sua vantagem competitiva na soja em relação aos Estados Unidos entre 2020 e 2024, combinando custos menores em nível de fazenda, câmbio favorável e forte demanda da China para sustentar a rentabilidade do produtor.

    Análise da Universidade de Purdue, com dados padronizados da rede Agribenchmark, mostra que a lucratividade da soja brasileira permaneceu positiva durante todo o período, enquanto fazendas típicas nos EUA registraram anos de prejuízo e maior pressão financeira.

    A crescente participação do Brasil no mercado global de soja já é vista como ameaça direta pelos agricultores americanos. Em janeiro de 2026, 44% dos produtores dos EUA declararam estar “muito preocupados” e 36% “preocupados” com a competitividade das exportações de soja do país frente ao Brasil, de acordo com o Ag Economy Barometer, da Universidade de Purdue. Desde 2018, quando ultrapassou os Estados Unidos como maior produtor mundial de soja, o Brasil vem ampliando sua presença como principal fornecedor global do grão.

    Mato Grosso x Iowa: como se comparam os custos da soja

    O estudo compara uma fazenda típica de soja em Mato Grosso com uma propriedade representativa em Iowa, ambos polos relevantes da produção nos dois países. Juntos, Brasil e Estados Unidos respondem por cerca de 70% da produção mundial de soja, o que torna a comparação dos custos de produção e da rentabilidade um indicador-chave da competitividade no mercado internacional.

    Na fazenda de Mato Grosso, a área média cultivada com soja foi de 5.900 acres entre 2020 e 2024, contra 1.800 acres na fazenda de Iowa, retratando a maior escala produtiva no Cerrado brasileiro. Todos os valores foram convertidos para dólares, permitindo comparação direta de custos e receitas entre os países.

    Custos de produção: insumos pesam no Brasil, terra pesa nos EUA

    A principal diferença na estrutura de custos de produção da soja está no peso dos insumos no Brasil e no peso da terra nos Estados Unidos. No caso brasileiro, os custos diretos, como sementes, fertilizantes, defensivos, seguro e secagem, responderam em média por mais de 60% do custo total entre 2020 e 2024, refletindo a forte dependência de insumos na agricultura tropical do Cerrado. Já na fazenda americana, os custos fixos, especialmente ligados ao valor da terra, foram o maior componente, representando quase metade do custo total no período.

    Segundo o levantamento, a valorização expressiva das terras agrícolas nos EUA nos últimos anos elevou o peso dos custos fixos e reduziu a flexibilidade dos produtores americanos diante da volatilidade dos preços das commodities. No Brasil, embora a terra também tenha valorizado em algumas regiões, o peso relativo da posse da área nos custos da fazenda típica analisada foi de aproximadamente 25%, bem abaixo do observado em Iowa.

    Custos da soja dobram no Brasil, mas margem se sustenta

    Os custos totais de produção da soja na fazenda típica de Mato Grosso praticamente dobraram entre 2020 e 2024. Saltando de 172 para 337 dólares por tonelada. O aumento foi puxado principalmente pela disparada dos fertilizantes e de outros insumos importados após 2021, em função da guerra entre Rússia e Ucrânia e dos gargalos nas cadeias de suprimentos.

    O Brasil importa cerca de 85% de suas necessidades de fertilizantes. Isso deixou o produtor exposto à alta das cotações internacionais e à desvalorização do real frente ao dólar naquele período. Ainda assim, a combinação entre câmbio favorável, preços elevados da soja e forte demanda externa garantiu que as receitas brutas acompanhassem ou superassem o avanço dos custos. Portanto, mantendo a rentabilidade da soja brasileira em terreno positivo.

    Nos Estados Unidos, os custos de produção também aumentaram. Mas em ritmo mais moderado, passando de 399 para 448 dólares por tonelada entre 2020 e 2024. O estudo destaca, porém, que a alta de custos operacionais (mão de obra, maquinário, serviços e diesel) somada à valorização da terra reduziu as margens e aumentou a vulnerabilidade financeira das fazendas americanas.

    China consolida papel de maior compradora da soja brasileira

    A China seguiu como principal destino da soja brasileira, consolidando o país como fornecedor prioritário do maior importador mundial do grão. Entre 2020 e 2024, as exportações brasileiras de soja para o mercado chinês responderam, em média, por 71% do total exportado pelo país. Isso segundo o estudo citado. Em 2023, o volume de soja brasileira enviado à China atingiu recordes. Enquanto os embarques dos Estados Unidos ficaram em torno da metade do volume exportado pelo Brasil.

    Esse padrão reforça o papel do Brasil no chamado “triângulo da soja” entre Estados Unidos, Brasil e China, em que o país sul-americano passou a capturar a maior parte do crescimento da demanda chinesa, enquanto os EUA diversificam seu uso interno de soja e perdem participação relativa no mercado chinês.

    ​Margens positivas no Brasil e volatilidade nos EUA

    Os dados de lucros econômicos indicam que a soja brasileira manteve margens positivas em todos os anos analisados. Embora com alguma redução após 2022 quando os preços internacionais começaram a se estabilizar depois do pico de alta. No caso da fazenda de Iowa, a rentabilidade foi mais volátil, com anos de margem forte, como 2021 e 2022, mas também com registros de prejuízo em 2020 e 2024.

    A pesquisa aponta que, desde 2023, produtores americanos vêm enfrentando aumento da pressão financeira. Isso é fruto do encarecimento dos insumos, da compressão das margens e do maior uso de crédito operacional carregado de safras anteriores. Essa combinação torna o produtor dos EUA mais exposto a choques de preços e à competição com a soja de menor custo produzida no Brasil.

    Expansão em novas fronteiras pode reforçar liderança brasileira

    Na avaliação dos autores, a competitividade da soja brasileira tende a se manter ou até se ampliar nos próximos anos. Impulsionada pela expansão em regiões de fronteira agrícola com custos mais baixos e pela gradual melhoria da infraestrutura logística. Estradas, ferrovias e portos mais eficientes têm potencial para reduzir o chamado “custo Brasil”. E aumentar ainda mais a atratividade da soja do país no mercado global.

    Para os Estados Unidos, o desafio será preservar competitividade em um ambiente de custos elevados de terra e insumos. Ao mesmo tempo em que enfrenta concorrência crescente da América do Sul. O estudo destaca que o futuro da soja americana passa por ganhos de produtividade, gestão de custos e uso de estratégias de gestão de risco de preços e de comercialização, em um cenário de maior incerteza no mercado internacional.

  • EUA perdem 15 mil fazendas em 2025 e registram menor número em mais de um século

    EUA perdem 15 mil fazendas em 2025 e registram menor número em mais de um século

    A crise na pecuária e as tarifas comerciais impulsionadas pelo governo Donald Trump voltaram a impactar o campo norte-americano. O número de propriedades rurais nos Estados Unidos diminuiu mais uma vez em 2025, de acordo com o relatório Farms and Land in Farms 2025 Summary, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

    O país encerrou o ano com 1,865 milhão de fazendas, cerca de 15 mil a menos que em 2024, mantendo uma tendência de retração observada na última década. Segundo o USDA, a área total dedicada à agricultura caiu para 353,7 milhões de hectares. O que representa uma redução anual de 1,02 milhão de hectares.

    Mesmo com menos propriedades e menor área produtiva, o tamanho médio das fazendas aumentou para 190 hectares, frente a 189 hectares no ano anterior. O dado evidencia a ampliação da concentração fundiária, que avança à medida que pequenos produtores deixam a atividade e grandes grupos agropecuários expandem sua presença.

    Especialistas apontam que a alta nos custos de produção, as incertezas de mercado e as medidas protecionistas adotadas pelo governo Trump desde 2025 têm pressionado o setor. As tarifas sobre importações e o enfraquecimento das exportações de carne bovina e grãos para mercados como China e México contribuíram para agravamento da crise rural.

    De acordo com o USDA, o número de fazendas nos Estados Unidos já é o menor registrado em mais de 170 anos. Refletindo um movimento estrutural de consolidação e mecanização no campo norte-americano. Estados do Meio-Oeste, como Iowa, Kansas e Nebraska, concentram a maior parte das propriedades e áreas agrícolas do país.

  • Just Bare ultrapassa US$ 1 bilhão e lidera mercado de frango nos EUA

    Just Bare ultrapassa US$ 1 bilhão e lidera mercado de frango nos EUA

    A Just Bare, marca de frango da Pilgrim’s, controlada pela JBS, ultrapassou US$ 1 bilhão em vendas anuais no varejo em 2025. Com uma expansão de 45% ao ano, a empresa consolidou-se como líder no segmento de frango congelado e fresco nos Estados Unidos.

    O CEO da Pilgrim’s, Fabio Sandri, destacou que o marco reflete o resultado dos investimentos em inovação e foco no consumidor. “A conquista simboliza a força da marca e o compromisso da equipe em desenvolver um portfólio moderno de alimentos preparados e de alto valor”, afirmou.

    Nos últimos três anos, a Just Bare aumentou sua participação na categoria de frango totalmente cozido de 1% para 13%. A marca atingiu a posição nº 1 em vendas e ampliou significativamente sua presença em grandes redes varejistas, clubes de compras e supermercados.

    O crescimento veio impulsionado pelo sucesso da linha de produtos cozidos congelados, responsável por mais de US$ 750 milhões em receitas anuais. A linha Oven Roasted, com preparo rápido e ingredientes naturais, também se tornou destaque entre consumidores que buscam conveniência sem abrir mão da qualidade.

    Fortalecimento do grupo

    Segundo Sergio Nahuz, Head de Alimentos Preparados da JBS, a trajetória da Just Bare mostra como a escala global e o investimento constante em inovação fortalecem o desempenho da companhia. “Estamos acelerando a transformação das nossas marcas por meio de pessoas, fábricas e tecnologia”, ressaltou.

    Foto: Divulgação JBS

    O avanço da Just Bare integra a estratégia de longo prazo da JBS, que busca ampliar seu portfólio de produtos de alto valor agregado. A empresa está construindo uma nova fábrica em Walker County, na Geórgia (EUA), para expandir a produção da linha Just Bare e atender à crescente demanda por proteínas práticas e de qualidade.

    Durante o Cagny 2026, a JBS apresentou detalhes sobre os planos de inovação, liderança de categoria e crescimento global da Just Bare, reforçando seu papel central na expansão do negócio de alimentos preparados do grupo.

  • Diferença no preço da terra fortalece Brasil e pressiona agricultura americana

    Diferença no preço da terra fortalece Brasil e pressiona agricultura americana

    A diferença no preço das terras agrícolas está redesenhando o mapa global da produção de alimentos. Enquanto o custo por hectare dispara nos Estados Unidos, o Brasil amplia sua área cultivável, atraindo investimentos e consolidando sua liderança na produção de soja.

    Nos Estados Unidos, o preço médio das terras agrícolas atingiu US$ 5.830 por acre em 2025, recorde histórico. Em Iowa, um dos estados mais produtivos, o valor ultrapassa US$ 20 mil por acre. Já no Brasil, terras desenvolvidas custam cerca da metade e áreas ainda não usadas valem a partir de US$ 3 mil.

    Essa diferença impulsiona uma migração de investimentos para mercados mais baratos e produtivos. “Não dá para falar em valor de terra sem olhar o cenário internacional”, observa Scott Gerlt, economista da Associação Americana de Soja (ASA). Segundo ele, foi justamente o baixo custo de terras brasileiras que transformou o país no principal exportador mundial de soja.

    Expansão brasileira é acelerada e consistente

    O fazendeiro Matthew Kruse, de Iowa, investe no Brasil desde o início dos anos 2000, quando o hectare brasileiro custava até 15 vezes menos que em sua região. “Na época, o Brasil produzia cerca de 35 milhões de toneladas de soja. Agora deve alcançar 180 milhões. É um crescimento de 500% em 23 anos”, afirma.

    O Brasil superou os EUA na produção de soja em 2017 e hoje responde por 40% do mercado global, segundo a ASA. A expectativa é que o país continue expandindo, enquanto os norte-americanos enfrentam limitações físicas e custo crescente. “Os EUA chegaram ao limite. Se algo muda, é para menos. O Brasil, ao contrário, aumenta sua fatia todos os anos”, explica Kruse.

    Pressão tecnológica reduz a área agrícola dos EUA

    Além dos preços altos, o avanço tecnológico contribui para a redução de terras agrícolas nos Estados Unidos. A expansão de usinas solares, centros de dados e projetos urbanos ocupa cada vez mais espaço rural. De acordo com a American Farmland Trust, se o ritmo continuar, o país pode perder 18 milhões de acres de área agrícola até 2050.

    “Nos últimos 20 anos, a área de cultivo americana caiu 1,5% por causa da competição com projetos de bioenergia e urbanização”, afirma Joana Colussi, economista agrícola da Universidade Purdue. “No Brasil isso não acontece, porque há mais terra disponível.”

    O Brasil converte rapidamente pastagens em lavouras. Em seis anos, o país aumentou a produção de soja em 40% e ainda tem potencial para converter mais 100 milhões de acres. Um aumento de 35% sobre a área atual.

    Competitividade e impacto global

    O custo da terra explica por que o produtor americano trabalha com margens menores. “O preço da soja nos EUA é mais alto porque a terra custa muito mais caro”, destaca Colussi.

    Essa dinâmica influencia as decisões de grandes compradores, como a China, responsável por 60% do comércio global de soja, com mais de 100 milhões de toneladas importadas por ano. Segundo Chad Hart, economista da Universidade Estadual de Iowa, o aumento da capacidade brasileira dá aos chineses poder de negociação. “Eles podem escolher quem oferece o melhor preço. Isso é vantagem estratégica.”

    Infraestrutura ainda diferencia os EUA

    Os Estados Unidos mantêm vantagem em logística e infraestrutura agrícola, atributos que agregam valor à produção. “Não é só produzir, é conseguir transportar”, explica Todd Kuethe, da Purdue.

    O sistema americano permite escoar grãos pelos rios e ferrovias até os portos, algo que o Brasil ainda tenta desenvolver. Aqui, o escoamento depende principalmente de caminhões, o que encarece o transporte. A ausência de seguro agrícola e a demora no crédito rural também aumentam o risco. “No Brasil, um empréstimo pode levar seis meses. Nos EUA, leva cinco dias”, compara Kruse.

    Mesmo assim, investidores internacionais seguem de olho no potencial brasileiro. O Conselho Empresarial Brasil-China estima que, desde 2007, a China já investiu US$ 77,5 bilhões em logística, energia e agricultura no país. Esses aportes devem acelerar a competitividade brasileira nos próximos anos.

    Encruzilhada para a agricultura americana

    Enquanto o Brasil amplia sua presença global, os produtores norte-americanos enfrentam um dilema entre expansão e restrição ambiental. “Hoje, dependemos fortemente da demanda chinesa. Isso nos deixa vulneráveis”, diz Hart.

    Com a disputa por espaço e o crescimento de rivais como o Brasil, o futuro da agricultura americana pode depender do quanto ela conseguirá inovar dentro de suas próprias limitações territoriais e políticas.

  • Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump e impacta o agro

    Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump e impacta o agro

    A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que tornou ilegal o tarifaço do governo Donald Trump já repercute no agronegócio brasileiro. Os setores com negócios nos Estados Unidos receberam a notícia de forma positiva e, ao mesmo tempo, cautelosa.

    Os especialistas afirmam que o mercado ainda precisa entender como o governo americano cumprirá a decisão. Por seis votos a três, a Corte decidiu que a legislação não permite ao presidente criar tarifas sem autorização do Congresso. Com isso, os ministros derrubaram as tarifas aplicadas desde abril de 2025.

    Devolução de valores?

    O governo dos Estados Unidos pode ter que devolver parte dos valores arrecadados. As estimativas apontam que o montante supera US$ 175 bilhões. A decisão produz efeitos a partir da data do julgamento e invalida a cobrança desde então. No entanto, o reembolso não ocorre de forma automática.

    As empresas que pagaram as tarifas precisarão ingressar com ações na Justiça americana. Cada pedido de devolução passará por análise individual. Os analistas destacam que apenas quem sofreu prejuízo direto poderá propor ação. Ou seja, somente o importador que pagou a tarifa nos Estados Unidos poderá pedir reembolso ou indenização.

    As empresas brasileiras terão legitimidade se atuarem como importadoras nos Estados Unidos. Além disso, poderão agir se possuírem subsidiárias no país que tenham recolhido as tarifas. O ordenamento jurídico americano não reconhece, em regra, prejuízos indiretos. Assim, perdas de mercado ou redução de vendas não garantem direito automático à indenização.

    Reversão da decisão é difícil

    As decisões da Suprema Corte têm caráter final e efeito vinculante. Por isso, uma reversão pelo governo americano se torna improvável. Mesmo assim, analistas recomendam cautela diante da possível reação do governo Trump.

    Trump anuncia 10% de tarifa

    Após o julgamento, Trump anunciou tarifa global de 10% sobre produtos importados. A nova medida deve valer por 150 dias, segundo o governo. Caso a decisão judicial seja mantida, o comércio global pode passar por rearranjo.

    A queda das tarifas tende a enfraquecer políticas de retaliação comercial. Com isso, produtos americanos podem voltar a competir com os brasileiros em mercados estratégicos. Isso pode ocorrer tanto em novos destinos quanto naqueles onde houve substituição de fornecedores. Ao mesmo tempo, a decisão reduz incertezas no comércio internacional e nas cadeias de suprimentos.

    No caso do Brasil, a interrupção das tarifas amplia a competitividade dos produtos exportados. Ainda assim, a medida não garante aumento imediato das exportações ao mercado americano. Além disso, a Suprema Corte não detalhou como ocorrerá a devolução dos valores pagos. Essa ausência de regras claras pode gerar disputas judiciais prolongadas nos Estados Unidos.

    De modo geral, empresas expostas ao mercado americano já reavaliam suas estratégias.Agora, elas podem revisar políticas de preços sem considerar os custos adicionais das tarifas.

  • Tarifa dos EUA freia exportações de café solúvel

    Tarifa dos EUA freia exportações de café solúvel

    O tarifaço dos Estados Unidos interrompeu o ciclo de recordes das exportações brasileiras de café solúvel em 2025. O Brasil exportou 85,082 mil toneladas do produto no ano, segundo a ABICS. Esse volume equivale a 3,688 milhões de sacas de 60 quilos. Em resumo, o resultado representa queda de 10,6% frente a 2024. Apesar disso, a receita cambial cresceu e atingiu nível histórico.

    As exportações geraram US$ 1,099 bilhão, alta de 14,4% em relação ao ano anterior. Segundo a ABICS, a valorização do café sustentou os preços do solúvel.

    Preços compensam menor volume exportado

    A alta das cotações do arábica e do canéfora elevou o valor do café solúvel. Assim, mesmo com menos embarques, o faturamento externo avançou. O diretor da ABICS, Aguinaldo Lima, atribui o ganho à matéria-prima mais cara.

    Tarifa de 50% derruba vendas aos Estados Unidos

    A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos impactou fortemente os embarques brasileiros. As exportações ao mercado norte-americano caíram 28,2% em 2025. Entre agosto e dezembro, a retração chegou a 40%.

    Segundo Lima, a medida reduziu a competitividade do produto brasileiro. Além disso, importadores buscaram fornecedores com tarifas menores. Como resultado, o Brasil perdeu participação em um mercado estratégico.

    EUA seguem líderes, apesar da queda

    Mesmo com o tarifaço, os Estados Unidos lideraram as importações do café solúvel brasileiro. O país comprou 558.740 sacas em 2025. Na sequência, a Argentina importou 291.919 sacas, com crescimento de 40,2%. A Rússia ocupou o terceiro lugar, com 278.050 sacas, alta de 9,8%. Outros destinos relevantes foram Indonésia, México e Vietnã. A Colômbia ampliou as compras em 178,2%, alcançando 130.029 sacas. Segundo a ABICS, esses países também produzem café solúvel em larga escala. Redirecionamento enfrenta obstáculos comerciais

    A queda nas vendas aos EUA exige redirecionamento das exportações brasileiras. Entretanto, o cenário global impõe desafios ao setor. O Brasil possui poucos acordos comerciais amplos, segundo a ABICS. Além disso, outras tarifas reduzem a competitividade do café solúvel nacional. Lima afirma que redirecionar grandes volumes demanda tempo e investimentos. O processo exige marketing, adaptação regulatória e negociações comerciais.

    Consumo interno bate novo recorde

    Enquanto as exportações recuaram, o mercado interno apresentou forte crescimento. O consumo doméstico atingiu 27,008 mil toneladas em 2025. O volume equivale a 1,170 milhão de sacas. O resultado representa alta de 9,5% frente a 2024. Segundo Lima, o consumidor brasileiro aderiu mais ao café solúvel. A menor inflação do produto também estimulou a demanda interna.

    Reforma Tributária eleva custos do setor

    A Reforma Tributária trará impactos relevantes à indústria de café solúvel. A partir de 2027, o setor perderá o crédito presumido de 7,4%. A medida elevará o custo implícito das exportações durante a transição tributária.

    Segundo a ABICS, a indústria pode perder R$ 430 milhões por ano. O valor representa 7,4% das exportações de 2025. Por saca, o custo adicional equivale a US$ 19,89.

    Perspectivas exigem estratégia para 2026

    O setor enfrenta contraste entre mercado interno forte e comércio externo desafiador. A possível perda do mercado norte-americano exige resposta estratégica. A diversificação de destinos e novos acordos comerciais tornam-se prioritários.

    A União Europeia surge como alternativa promissora no médio prazo. Além disso, o setor busca diálogo para mitigar efeitos da Reforma Tributária. Segundo Lima, investimentos de R$ 2,5 bilhões reforçam a resiliência da indústria.

     

  • Lula sanciona lei que torna açaí fruta nacional

    Lula sanciona lei que torna açaí fruta nacional

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 15.330/2026, publicada no Diário Oficial da União em 8 de janeiro de 2026, que reconhece oficialmente o açaí como fruta nacional do Brasil. A medida integra um regime especial de proteção jurídica contra tentativas de apropriação por empresas estrangeiras e busca impedir registros de marcas ou patentes internacionais sobre produtos nativos da Amazônia.

    A nova legislação altera a Lei 11.675/2008, que já havia declarado o cupuaçu como fruta nacional após a empresa japonesa Asahi Foods registrar a marca em 1998, impedindo produtores brasileiros de usarem o nome em exportações. O registro japonês foi cancelado em 2004, após pressão do governo brasileiro.

    O projeto teve origem no PLS 2/2011, do ex-senador Flexa Ribeiro, aprovado pelo Senado em 2011 e votado pela Câmara dos Deputados no final de 2025. Na Câmara, o projeto recebeu impulso do ex-deputado Paulo Bengtson, da bancada do Pará, em 2021.

    Pará lidera produção nacional

    O açaí representa um pilar fundamental da economia amazônica. O Pará concentra mais de 90% da produção nacional de açaí, segundo dados do IBGE, com média anual superior a 1,7 milhão de toneladas. Em 2024, o estado produziu cerca de 1,61 milhão de toneladas, volume que cresceu para quase 2 milhões de toneladas em 2025.

    Nove dos dez municípios maiores produtores de açaí estão no Pará, com destaque para Igarapé-Miri, responsável por 21,7% da produção nacional, equivalente a 422,7 mil toneladas anuais. Outros municípios importantes incluem Cametá, Abaetetuba, Limoeiro do Ajuru, Bagre, Mocajuba, Anajás, Bujaru e Barcarena.

    Mercado bilionário em expansão

    O açaí consolidou sua posição como ativo bilionário no mercado global. A produção de açaí no Brasil aumentou 70% nos últimos cinco anos, segundo o IBGE. Uma pesquisa da Scantech revelou crescimento de 12,9% no mercado de açaí entre janeiro e julho de 2024, em comparação com o ano anterior.

    Projeções indicam que o mercado global de açaí deve superar US$ 1,9 bilhão até 2028, com taxa média de crescimento superior a 8% ao ano. O Brasil responde por 85% da produção mundial de açaí.

    Os Estados Unidos consolidam-se como principal destino do açaí brasileiro, onde o fruto integra smoothies, tigelas e sobremesas, valorizado por suas propriedades nutricionais. Outros mercados importantes incluem Japão, Austrália e países europeus como Alemanha, França, Bélgica, Holanda e Portugal.

    Versatilidade e sustentabilidade

    Típico da Amazônia, o açaí é fruto do açaizeiro. Sua polpa serve como alimento e matéria-prima para cosméticos. As sementes alimentam o artesanato e substituem madeira como fonte de energia. Do caule extrai-se palmito, enquanto as raízes funcionam como vermífugo.

    Foto: Mauricilia Silva/Embrapa

    O consumo de açaí no Brasil aumenta 15% a cada ano, gerando mais de R$ 40 milhões em receita, segundo dados da Embrapa. Mais de 300 mil pessoas dependem diretamente do fruto, desde a coleta até o beneficiamento e distribuição.

    Expectativas da nova lei

    A expectativa é que a lei fortaleça a posição do Brasil em fóruns internacionais de propriedade intelectual e ofereça respaldo jurídico adicional para impedir que empresas estrangeiras registrem marcas ou patentes indevidas envolvendo o nome e características do fruto.

    Para produtores e comerciantes, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, o reconhecimento legal abre espaço para maior valorização da cadeia produtiva, que movimenta bilhões de reais anualmente, e pode auxiliar na promoção do produto no mercado internacional com garantias de autenticidade e origem brasileira.