Tag: EUA

  • Tarifas de 50% dos EUA disparam preço do café e ameaçam consumidor americano

    Tarifas de 50% dos EUA disparam preço do café e ameaçam consumidor americano

    As tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros provocaram uma explosão nos preços internacionais do café. Os futuros de arábica dispararam quase 35% desde o início de agosto, registrando a maior alta mensal desde 2014.

    O movimento surpreende especialistas por ocorrer justamente durante o pico da colheita brasileira. Tradicionalmente, o aumento na oferta de grãos deveria pressionar as cotações para baixo. O Brasil responde por cerca de um terço das importações americanas de café.

    Mercado em “curto-circuito” força rearranjo global

    O tarifaço americano detonou o que analistas chamam de “curto-circuito” no mercado mundial. Os futuros do café arábica na ICE subiram 1,8%, chegando a US$ 2,98 por libra-peso.

    O Brasil, maior produtor global, precisa redirecionar cargas e renegociar contratos. Esse rearranjo elevou fretes, prêmios por lotes isentos de tarifas e reprecificou toda a cadeia produtiva.

    Safra brasileira em números

    A Conab estima a safra brasileira de 2025 entre 51,8 e 55,7 milhões de sacas. A produção enfrenta um cenário de recuperação após desafios climáticos dos anos anteriores.

    Segundo a Cooperativa de Guaxupé (Cooxupé), no sul de Minas Gerais, a colheita já alcançou 91% das lavouras. O café arábica fechou o pregão em R$ 2.390 por saca, conforme dados da Minasul de Varginha (MG).

    Indústria americana prepara reajustes

    As grandes torrefadoras americanas já sinalizam repasses aos consumidores. A J.M. Smucker, dona das marcas Folgers e Café Bustelo, planeja novos aumentos “no começo do inverno” para compensar as tarifas impostas.

    A Keurig Dr Pepper alertou que o impacto ficará mais evidente no segundo semestre. A Westrock Coffee também indicou que repassará os custos adicionais aos clientes.

    Cerca de 66% dos adultos americanos consomem café diariamente, com média de três xícaras por dia. Esse padrão permanece estável há quatro anos, mesmo com inflação e preços elevados.

    Projeções indicam aumento acumulado de 9% no valor médio de uma xícara nos EUA em 2025. O impacto pode alterar hábitos de consumo em médio prazo.

    Analistas projetam que os preços do café robusta encerrem 2025 em US$ 3.500 por tonelada, queda de 27% em relação aos valores atuais. As previsões baseiam-se na expectativa de safras maiores no Brasil e Vietnã.

    Em condições climáticas normais, o preço do café arábica na ICE se estabilizaria entre 220 e 250 centavos por libra-peso. Mesmo assim, representaria alta de 45% em relação aos patamares históricos.

    O cenário atual contraria a lógica de mercado. Agosto marca o auge da colheita brasileira, quando maior disponibilidade de grãos deveria reduzir preços. As tarifas americanas inverteram essa dinâmica tradicional.

     

  • Brasil revoluciona mercado global da soja e quebra tradição de 30 anos

    Brasil revoluciona mercado global da soja e quebra tradição de 30 anos

    Agosto de 2025 entrou para a história do agronegócio mundial. O Brasil quebrou uma regra comercial que durava três décadas. Navios carregados de soja brasileira partiram dos portos nacionais rumo à China durante o período que tradicionalmente pertencia aos Estados Unidos.

    A matemática do mercado global sempre funcionou como um relógio suíço. De fevereiro a agosto, Brasil e Argentina alimentavam o gigante asiático. De setembro a dezembro, os americanos assumiam o controle das exportações. Esta lógica acaba de ser reescrita.

    China escolhe segurança do fornecimento brasileiro sobre produtos dos EUA

    Os números oficiais comprovam a reviravolta histórica. O Brasil exportou 77,2 milhões de toneladas de soja nos primeiros sete meses de 2025. Este volume representa um recorde absoluto para o período. A China absorveu 73% de toda a produção brasileira exportada.

    As projeções para o ano inteiro impressionam ainda mais. As exportações brasileiras de soja para a China podem atingir US$ 40 bilhões em 2025. Este valor representa um salto de US$ 7 bilhões comparado aos números anteriores.

    Foto: Divulgação – Aprosoja Brasil

    Os Estados Unidos sentem o impacto direto desta mudança. As exportações americanas de produtos agrícolas para a China caíram de US$ 40 bilhões para US$ 25 bilhões. Na soja especificamente, os americanos perderam ainda mais terreno. Suas vendas despencaram para US$ 15 bilhões.

    Tensões comerciais criam vantagem competitiva de 20% para o Brasil

    A explicação para esta reviravolta está nas tensões comerciais entre Washington e Pequim. A China impôs tarifas que encarecem os produtos americanos em 20%. Esta sobretaxação inclui 10% de tarifa geral e mais 10% especificamente sobre a soja.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    O resultado prático beneficia diretamente os produtores brasileiros. Eles ganharam uma vantagem competitiva substancial no maior mercado consumidor do mundo. A China prefere pagar este “prêmio de segurança” ao fornecimento brasileiro.

    Produtores nacionais ganham 40% mais tempo de comercialização

    A nova realidade transforma completamente a estratégia comercial dos produtores brasileiros. Eles agora contam com uma janela de comercialização 40% maior que antes. Esta extensão permite um planejamento financeiro mais eficiente ao longo do ano.

    O fluxo de caixa dos produtores se distribui de forma mais equilibrada. Anteriormente, as vendas se concentravam nos primeiros oito meses do ano. Agora, os contratos se estendem até outubro e novembro.

    Esta mudança também aumenta o poder de barganha dos exportadores nacionais. Eles negociam em posição de força com compradores chineses que buscam garantir fornecimento estável.

    Infraestrutura brasileira enfrenta pressão positiva sem precedentes

    A logística portuária nacional precisa se adaptar rapidamente ao novo cenário. Os portos brasileiros operam sob pressão positiva constante. A demanda por carregamentos se mantém alta durante todo o ano.

    Os contratos de longo prazo ganham prioridade absoluta entre as trading companies. Esta preferência gera estabilidade para toda a cadeia de exportação. Empresas de logística precisam reposicionar suas estratégias operacionais.

    A infraestrutura de armazenagem também sente os efeitos desta transformação. Os silos precisam manter estoques por períodos mais longos. Esta necessidade exige investimentos em tecnologia de conservação e gestão de qualidade.

    Mercado chinês consolida dependência do fornecimento brasileiro

    A China demonstra preferência clara pelo fornecimento brasileiro de commodities agrícolas. Esta escolha se baseia em critérios de estabilidade e previsibilidade comercial. O gigante asiático valoriza parcerias de longo prazo com fornecedores confiáveis.

    As importações chinesas de soja brasileira cresceram 13,9% em julho de 2025 comparado ao mesmo período de 2024. Este aumento comprova a consolidação da parceria comercial entre os dois países.

    A dependência chinesa do agronegócio brasileiro se aprofunda mês após mês. Esta tendência beneficia produtores, exportadores e toda a cadeia logística nacional. O Brasil se posiciona como parceiro estratégico indispensável da segunda maior economia mundial.

    Agosto marca o início de uma nova era para o agronegócio brasileiro. A quebra da tradição comercial de 30 anos abre oportunidades sem precedentes. Produtores, exportadores e empresas de logística colhem os frutos desta transformação histórica.

    O Brasil assume definitivamente a posição de principal fornecedor agrícola da China. Esta conquista resulta de décadas de investimento em produtividade, qualidade e infraestrutura. O país se consolida como potência global no setor de commodities agrícolas.

  • Mercado mundial de carne bovina à beira de transformação histórica

    Mercado mundial de carne bovina à beira de transformação histórica

    Uma conjuntura inédita no mercado global de proteína animal está em formação e promete redefinir os fluxos de exportação e os preços da carne bovina nos próximos anos. Pela primeira vez na história moderna, os três maiores exportadores mundiais, Brasil, Estados Unidos e Austrália, estão movendo-se em sincronia dentro do ciclo de produção pecuária, um fenômeno que especialistas alertam para uma significativa contração da oferta global a partir de 2025, com pico de pressão sobre os preços em 2026.

    O que é o ciclo da pecuária?

    Para entender o impacto, é crucial compreender o chamado “ciclo da pecuária”. É um movimento natural de oferta e demanda dentro da cadeia. Quando os preços estão altos e há expectativa de lucro, os pecuaristas retêm fêmeas (vacas e novilhas) para reproduzir e expandir o rebanho futuro. Essa retenção momentânea retira animais do ciclo de abate (já que essas fêmeas não viram carne imediatamente), reduzindo a oferta disponível no curto prazo e mantendo os preços elevados.

    Anos depois, com o rebanho ampliado, há um aumento natural na oferta de animais para abate, o que tende a pressionar os preços para baixo. O que torna o momento atual extraordinário é que essa fase de retenção de fêmeas está ocorrendo simultaneamente nas três principais potências exportadoras.

    Um fenômeno de causas múltiplas e simultâneas

    O alinhamento atual não é uma coincidência. Mas o reflexo de condições de mercado favoráveis e de eventos climáticos que afetaram os três países quase ao mesmo tempo.

    • Vendas de máquinas agrícolas sobem mesmo com tarifaço
    • Descoberta brasileira pode salvar produção de bananas no mundo de doença

    Brasil: após um período de liquidação de rebanho, impulsionado por altos preços internacionais e pela recuperação de pastagens após secas severas, o produtor brasileiro iniciou um forte processo de retenção de matrizes. A perspectiva de valorização futura e a demanda internacional aquecida são os principais motores.

    Estados Unidos: o país vem registrando um encolhimento histórico de seu rebanho, o menor em décadas. Secas prolongadas em importantes estados pecuaristas forçaram o abate de milhares de matrizes. Agora, com a melhora nas condições climáticas e preços recordes no varejo, os produtores norte-americanos iniciaram a reconstrução de seus plantéis, retendo cada vez mais fêmeas.

    Austrália: após anos de abate intensivo devido a secas devastadoras, o retorno das chuvas e a recomposição das pastagens permitiram que os australianos também entrassem em um ciclo de retenção de fêmeas para reconstruir seus rebanhos, que haviam chegado a mínimas históricas.

    O impacto no mercado global: oferta apertada e preços em alta

    A análise do renomado analista de mercado norte-americano Dennis Smith, da Archer Financials, publicada no Beef Magazine, é clara. O efeito imediato dessa sincronia global será a redução progressiva da oferta exportável de carne bovina.

    “Quando essas três potências decidem segurar fêmeas ao mesmo tempo, a quantidade de carne disponível no mercado internacional encolhe drasticamente. É uma equação simples de oferta e demanda”, explica o analista.

    A consequência direta será uma pressão ascendente adicional nos preços internacionais, que já operam em patamares elevados. Especialistas do setor projetam que o ápice desse movimento deve ser sentido em 2026, quando a escassez de produto para exportação estará mais evidente.

    Importadores tradicionais, como China, Chile, Egito e países do Sudeste Asiático, poderão enfrentar um cenário de competição ainda mais acirrada por volumes limitados de carne, o que tende a inflacionar ainda mais as cotações.

    E no longo prazo?

    O ciclo é dinâmico. A retenção atual significa que, no médio prazo (a partir de 2027/2028), esses rebanhos expandidos começarão a gerar uma maior oferta de animais terminados. O que poderá levar a um aumento na produção de carne e uma eventual moderação nos preços. No entanto, o período até lá promete ser de volatilidade e altas significativas, marcando uma nova era para o comércio global de carne bovina.

  • BNDES dará crédito a exportadores com perdas acima de 5%

    BNDES dará crédito a exportadores com perdas acima de 5%

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou prioridade para empresas que perderam mais de 5% do faturamento bruto. O impacto decorre das tarifas impostas pelos Estados Unidos. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, apresentou nesta sexta-feira (22) os detalhes das linhas de crédito do Plano Brasil Soberano. O programa contará com R$ 40 bilhões em financiamentos para exportadores prejudicados.

    Origem do recurso

    Do montante total, R$ 30 bilhões virão do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões dos recursos do banco. O crédito financiará capital de giro, aquisição de máquinas, adaptação produtiva e prospecção de novos mercados. Segundo Mercadante, muitas empresas perderam até 80% do faturamento de forma repentina. Ele comparou o impacto à pandemia de covid-19 e às enchentes no Rio Grande do Sul.

    • Compras públicas vão apoiar setores afetados por tarifaço dos EUA
    • Preço do café atinge maior nível em três meses

    O BNDES deve receber até 8 de setembro a lista das empresas atingidas, elaborada pelo MDIC, Receita e Serpro. Com esse calendário, as primeiras aprovações estão previstas a partir de 15 de setembro.

    Quatro linhas de crédito disponíveis

    O banco anunciou quatro modalidades de crédito:

    Capital de Giro: financiamento de gastos operacionais, com juros de 1,15% ao mês e prazo de até cinco anos.

    Giro Diversificação: busca de novos mercados, com taxa de 0,29% ao mês, acrescida de variação cambial.

    Bens de Capital: aquisição de máquinas e equipamentos, com juros de até 0,58% ao mês e carência de um ano.

    Investimento: inovação tecnológica e adaptação produtiva, com taxa igual à anterior e prazo de até dez anos.

    Nas duas últimas modalidades, cada empresa poderá contratar até R$ 150 milhões.

    Critérios para acesso ao crédito

    O cálculo das perdas considerará o período entre julho de 2024 e junho de 2025. Empresas de todos os portes que perderam mais de 5% poderão acessar a linha Giro Diversificação.

    Micro, pequenas e médias empresas terão garantia adicional pelo Programa Emergencial de Acesso ao Crédito (PEAC), via Fundo Garantidor para Investimentos (FGI). Empresas que registrarem perdas superiores a 20% terão acesso às quatro linhas de crédito. Micro e pequenas companhias nesse grupo também contarão com garantias do PEAC, FGI e Fundo de Garantia de Operações (FGO).

    Em todos os casos, as empresas deverão manter o número de empregados para receber os recursos. Os critérios foram definidos pelos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Mercadante destacou o esforço conjunto do governo. “É um esforço fiscal, de crédito e de operação. Vamos acelerar as aprovações”, disse.

    Contexto do tarifaço

    As tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros estão entre as mais elevadas da atual guerra comercial. A medida, adotada pelo governo de Donald Trump, afeta diretamente setores estratégicos da economia nacional.

  • Carne atinge R$ 150,00/kg nos EUA e pode impactar Brasil

    Carne atinge R$ 150,00/kg nos EUA e pode impactar Brasil

    A carne bovina nos Estados Unidos virou um luxo cada vez mais caro. O preço da proteína subiu a patamares históricos, impulsionado por secas prolongadas, custos elevados de ração e tarifas sobre importações brasileiras. Assim, o movimento incomoda o consumidor americano e, ao mesmo tempo, coloca pressão extra sobre o Federal Reserve (Fed), que resiste a cortar juros cedo demais.

    Carne inflada e mesa mais vazia

    Nos supermercados americanos, o quilo da carne moída bateu US$ 13,48 (cerca de R$ 74,14), enquanto cortes nobres ultrapassaram os US$ 25 (aproximadamente R$ 137,50). Desse modo, cada churrasco de domingo parece custar um pedaço da inflação. Além disso, analistas afirmam que o cenário deve se prolongar: o rebanho dos EUA está no menor nível desde 1951 e, portanto, a recomposição pode levar anos.

    Enquanto isso, a carne brasileira — historicamente mais competitiva — enfrenta barreiras adicionais. A tarifa imposta por Washington, que chega a 50%, praticamente fechou a porta para os frigoríficos do Brasil. Como consequência, as exportações despencaram quase 80% em apenas quatro meses.

    O Fed no fogo cruzado

    O Fed, que já atua num cabo de guerra contra a inflação, agora vê a carne como mais um ingrediente indesejado no caldeirão de preços. Em ata recente, a autoridade monetária foi taxativa: “Os efeitos das tarifas sobre os preços ao consumidor estão agora claramente visíveis”.

    Na prática, isso significa que a taxa básica de juros, hoje entre 4,25% e 4,50%, pode continuar firme por mais tempo. Afinal, cortar cedo demais seria como apagar a churrasqueira enquanto a carne ainda está crua.

    Reflexos no Brasil

    E o Brasil nessa história? A queda nas vendas para os EUA cria sobra de carne no mercado interno. Sendo assim, num primeiro momento, isso até pode segurar preços por aqui. Entretanto, como tudo no agronegócio funciona em cadeia, o jogo é de xadrez: os frigoríficos buscam outros destinos, sobretudo a China, e o consumidor brasileiro pode não sentir tanto alívio.

    Para os pecuaristas, o risco é de margens mais apertadas. Já para o governo, fica a missão de equilibrar a balança entre proteger produtores e evitar alta nos preços domésticos.

    O fio da navalha

    Ou seja, a carne mais cara nos EUA simboliza um mundo econômico que perdeu o tempero da previsibilidade. Se o churrasco americano custa caro, o brasileiro pode, em breve, acabar pagando a conta.

    📌 Box Informativo — Carne mais cara nos EUA

    Por que a carne subiu nos Estados Unidos?

    • Rebanho bovino no menor nível desde 1951

    • Secas prolongadas em estados produtores

    • Custos elevados de ração e insumos

    • Tarifas adicionais sobre carne brasileira

    Preços atuais no varejo americano

    • Carne moída: US$ 13,48/kg (+12% em 12 meses)

    • Bifes: US$ 25/kg (+8%)

    Impactos no Brasil

    • Exportações para os EUA caíram 80% entre abril e julho

    • Frigoríficos buscam compensar perdas em mercados como a China

    • Possível sobra de carne no mercado interno pode segurar preços ao consumidor

    O que diz o Fed

    • “Os efeitos das tarifas sobre os preços ao consumidor estão agora claramente visíveis”

    • Juros seguem entre 4,25% e 4,50% ao ano

    • Expectativa de manutenção por mais tempo para conter a inflação

  • Brasil exporta 3 de cada 4 navios de soja para a China

    Brasil exporta 3 de cada 4 navios de soja para a China

    A China ampliou seu protagonismo no comércio global de soja em 2025 e passou a responder por três em cada quatro navios carregados no Brasil. O dado, que representa 75% das exportações totais, reforça a relevância da parceria bilateral no agronegócio e consolida o Brasil como principal fornecedor do grão ao maior mercado consumidor do mundo.

    A ascensão chinesa acontece em um momento delicado para os Estados Unidos. Enquanto os produtores americanos enfrentam queda nas vendas e gargalos logísticos, o Brasil avança com colheita recorde, logística mais eficiente e portos cada vez mais preparados para grandes embarques. Essa combinação vem garantindo competitividade e atraindo o apetite de Pequim.

    Segundo analistas, o movimento chinês não se explica apenas por preço e escala. Há também uma estratégia política: diversificar fornecedores e reduzir riscos diante de mercados considerados instáveis. Nesse cenário, o Brasil ocupa posição privilegiada, já que alia estabilidade climática recente e forte avanço tecnológico no campo.

    A concentração, no entanto, gera riscos. Embora fortaleça a balança comercial e injete bilhões no agronegócio, a dependência crescente de um único mercado limita o poder de negociação brasileiro. Para alguns especialistas, esse vínculo torna o país vulnerável a decisões políticas de Pequim.

    Mesmo assim, a tendência aponta para expansão. A soja segue como insumo essencial para a produção de ração animal, e a China dificilmente reduzirá sua demanda nos próximos anos. Para o Brasil, o desafio será equilibrar ganhos econômicos com a necessidade de diversificar destinos, mantendo a liderança sem abrir mão da autonomia comercial.

  • Produtores de soja dos EUA pedem socorro a Trump

    Produtores de soja dos EUA pedem socorro a Trump

    A guerra comercial entre Estados Unidos e China está redefinindo o mercado global de soja, com o Brasil emergindo como grande beneficiário às custas dos produtores americanos. A American Soybean Association (ASA), principal entidade representativa do setor nos EUA, enviou uma carta urgente ao presidente Donald Trump nesta terça-feira (19 de agosto) alertando que os agricultores americanos estão “à beira de um precipício comercial e financeiro”.

    O documento, assinado pelo presidente da ASA, Caleb Ragland, revela que a China substituiu sistematicamente a soja americana pela brasileira. Isso devido às tarifas de retaliação de 20% impostas por Pequim aos produtos agrícolas americanos. Segundo dados atualizados, o Brasil já representa mais de 70% das exportações de soja para a China. Assim, consolidando sua posição dominante no maior mercado consumidor mundial do grão.

    Mercado perdido para o Brasil

    A situação é ainda mais dramática quando analisados os números específicos. Os estados americanos de Iowa, Illinois e Minnesota – principais produtores de soja – venderam coletivamente cerca de US$ 12,8 bilhões em soja para a China em 2024. Valor que agora está em risco devido às medidas de retaliação de Pequim.

    Na carta enviada a Trump, a ASA é categórica ao afirmar que “historicamente, os Estados Unidos eram o fornecedor de preferência dos clientes chineses. No entanto, devido à retaliação tarifária em curso, nossos clientes de longa data na China têm recorrido — e continuarão recorrendo — aos nossos concorrentes na América do Sul para atender sua demanda”.

    A entidade destaca que a China foi responsável, em média, por 61% de todas as importações globais de soja nos últimos cinco anos e está evitando compras nos EUA para os próximos meses, tendo contratado os volumes necessários com o Brasil.

    Brasil fortalece parceria com China

    Do outro lado do Atlântico, o Brasil não apenas mantém sua vantagem competitiva como a expande. A parceria sino-brasileira se fortaleceu ainda mais em 2025 com o lançamento da iniciativa “Soy China”, que visa impulsionar cadeias de suprimento sustentáveis de soja.

    Uma força-tarefa recentemente facilitou um acordo inovador para entregar 1,5 milhão de toneladas de soja sustentável certificada do Brasil para a China. Portanto, demonstrando que a relação comercial vai além da simples substituição de fornecedores e inclui aspectos de sustentabilidade que podem ser decisivos no futuro.

    O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que o Brasil produzirá 169 milhões de toneladas de soja para o ano comercial 2024/2025. Com exportações alcançando 109 milhões de toneladas, números que evidenciam a capacidade brasileira de atender à crescente demanda chinesa.

    Agricultores americanos em crise

    A carta da ASA descreve um quadro preocupante para os produtores americanos. Qu e já enfrentam uma combinação letal de preços em queda e custos crescentes de insumos e equipamentos. “Os sojicultores dos EUA não podem sobreviver a uma disputa prolongada com o nosso maior cliente”, alerta o documento.

    Você também pode gostar:

    + Agro em Campo: São Paulo recebe R$ 1,1 bilhão do Banco Mundial para agricultura sustentável
    + Agro em Campo: Grupo J&F compra única mina de potássio em operação do Brasil

    “As tarifas sobre a China podem nos tirar do negócio até 2027. Todo o nosso sangue, suor e trabalho pode desaparecer com o traço de uma caneta”, declarou um produtor de soja que votou em Trump, ilustrando o desespero do setor.

    O timing da carta é especialmente crítico, considerando que os EUA se aproximam rapidamente da época de colheita no Hemisfério Norte. Um estudo de 2024 da National Corn Growers Association descobriu que, se as tarifas da China se expandirem para milho e soja americanos, os agricultores americanos podem arcar com os custos.

    Impactos econômicos duradouros

    A situação atual representa uma inversão dramática na balança comercial agrícola. O Brasil já ultrapassou os EUA como maior fornecedor de soja da China. Uma mudança que tem causado preocupação entre os agricultores americanos que temem perder seu maior mercado.

    A American Soybean Association enfatiza que “a China não adquiriu nenhuma soja dos EUA para os próximos meses, enquanto nos aproximamos rapidamente da colheita. Quanto mais avançarmos no outono sem chegar a um acordo com a China sobre a soja, piores serão os impactos para os produtores norte-americanos”.

    O documento alerta que a guerra comercial criou uma “desvantagem competitiva” permanente para os americanos. Com consequências que podem se estender muito além do setor agrícola. Portanto, afetando comunidades rurais inteiras que dependem da agricultura como principal atividade econômica.

    Com o Brasil consolidando sua posição no mercado chinês e estabelecendo parcerias estratégicas de longo prazo, a recuperação da participação americana no mercado de soja chinês pode se tornar cada vez mais desafiadora. Mesmo após uma eventual resolução da guerra comercial.

    A carta da ASA representa um apelo direto para que a Casa Branca priorize o tema nas negociações com Pequim. Mas os especialistas alertam que, uma vez perdidas, as relações comerciais estabelecidas podem ser difíceis de reconquistar. Especialmente quando os concorrentes demonstram capacidade de fornecimento sustentável e competitivo.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Queijaria conquista certificação oficial e triplica faturamento

    + Agro em Campo: Salário no agro paranaense supera média nacional em 58%

  • Carne bovina atinge preços recordes nos EUA

    Carne bovina atinge preços recordes nos EUA

    Os preços da carne bovina nos Estados Unidos alcançaram níveis recordes em agosto de 2025, com a carne moída atingindo US$ 6,34 por libra em julho. Enquanto bifes não cozidos também bateram máxima histórica de US$ 11,88 por libra.

    O Departamento de Agricultura americano (USDA) registra o menor rebanho bovino desde a década de 1950. Sâo apenas 27,9 milhões de cabeças de gado para produção de carne, uma queda de 13% em relação a 2019. O preço médio do varejo para toda carne bovina fresca atingiu um recorde de US$ 8,50 por libra em abril de 2025, registrando 23 meses consecutivos de aumentos anuais.

    Bernt Nelson, economista agrícola da American Farm Bureau Federation, alerta que a oferta permanece limitada mesmo após o período tradicional de churrascos devido à redução histórica do rebanho e às secas nos principais estados produtores.

    Tarifas restringem importações brasileiras

    A situação se agrava com a política comercial restritiva do governo Trump. O presidente americano anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em julho, adicionais aos 10% já impostos desde abril.

    Os dados da Secex/Brasil mostram o impacto imediato das tarifas: as exportações de carne bovina para os EUA despencaram de 48 mil toneladas em abril para 18 mil toneladas em junho, uma queda de 62%.

    O Brasil representava parcela significativa das importações americanas de carne bovina. Mas enfrentava anteriormente uma cota anual de 65 mil toneladas com tarifa zero, que agora passa a ter tarifa mínima de 10%.

    Projeções indicam pressão contínua nos preços

    O USDA ajustou para cima as projeções de preços para 2025 com base nos dados reais até junho, mantendo inalterada a previsão para 2026. A CattleFax projeta que o mercado de bezerros deve ter média de US$ 3,30 a US$ 3,40 por bezerro macho em 2025, comparado aos US$ 3,10 de 2024.

    Você também pode gostar:

    + Agro em Campo: Extrato Pirolenhoso –  vender fumaça vira ouro no agronegócio
    + Agro em Campo: Achachairu – saiba como ganhar dinheiro com fruta da Bolívia

    Para 2025, o déficit comercial americano de carne bovina deve atingir 1,8 bilhão de libras. O maior desde 2006, quando as exportações ainda se recuperavam de restrições comerciais temporárias.

    Empresas enfrentam desafios operacionais

    Para empresas do setor alimentício e redes varejistas, o cenário atual representa desafios complexos no gerenciamento de preços, disponibilidade de produtos e composição do mix de proteínas oferecidas aos consumidores.

    Dados do setor mostram que o americano médio deve consumir 59,1 libras de carne bovina em 2025, comparado a 102,5 libras de frango e 50,3 libras de suíno. Indicando que a demanda permanece robusta apesar dos preços elevados.

    A nova tarifa de 50% deve reduzir drasticamente as importações brasileiras. E forçar compradores americanos a buscar fornecedores alternativos no Mercosul, incluindo Argentina, Uruguai e Paraguai.

    A combinação de oferta doméstica restrita, política comercial protecionista e demanda sustentada mantém o setor sob pressão inflacionária. Com perspectivas de que os preços recordes persistam ao longo do segundo semestre de 2025.

    Leia mais:

    + Agro em Campo: Cade abre processo contra Moratória da Soja por suspeita de cartel na exportação

    + Agro em Campo: Ataques de abelhas crescem 80% e já matam mais que serpentes

  • Apicultores cobram medidas contra tarifa dos EUA

    Apicultores cobram medidas contra tarifa dos EUA

    A Confederação Brasileira de Apicultura (CBA) se reuniu com o governo federal em Brasília. O encontro contou com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e sua equipe. A pauta central foi a taxação imposta pelos Estados Unidos ao mel brasileiro. Em geral, a medida ameaça diretamente apicultores e meliponicultores, que dependem fortemente das exportações para os norte-americanos.

    Impacto na agricultura familiar

    A CBA representa cerca de 500 mil criadores de abelhas. A maioria pertence à agricultura familiar e integra cooperativas e associações. A reunião foi articulada pela Federação Mineira de Apicultura (FEMAP) com apoio de parlamentares de Minas Gerais e Santa Catarina. Também participaram representantes da Codevasf.

    O setor defende medidas urgentes. Entre as propostas estão campanhas de incentivo ao consumo interno e abertura de novas linhas de crédito. A estratégia imediata é redirecionar parte da produção ao mercado interno. Em médio e longo prazo, o objetivo é diversificar exportações.

    Você também pode gostar:
    + Agro em Campo: Câmara Árabe propõe ampliar exportações brasileiras para países árabes
    + Agro em Campo: Setor de cafés especiais busca isenção de tarifa dos EUA

    Documento com dez ações prioritárias:

    Entre elas, campanhas publicitárias sobre a importância do mel, mudanças em normas de acesso ao Pronaf e fortalecimento das cooperativas. Além disso, o setor pede ainda suspensão de financiamentos em 2025, revisão da política de alimentação escolar e compras governamentais de mel em sachê.

    Outra demanda é incluir a apicultura no Programa Federal de Pagamento por Serviços Ambientais, reconhecendo sua contribuição à preservação da natureza. Ao mesmo tempo, a CBA também cobra isenção de impostos federais para cooperativas da agricultura familiar. O pedido inclui IPI, PIS e Cofins.

    O último ponto trata do projeto de lei 4139/2023. O texto propõe restringir o uso da palavra “mel” em rótulos de alimentos. A entidade argumenta que a medida pode fortalecer o mercado interno e valorizar a produção nacional.

     

  • CNA rebate acusações dos EUA sobre comércio desleal

    CNA rebate acusações dos EUA sobre comércio desleal

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) protocolou, nesta sexta (15), defesa técnica contra acusações feitas pelos Estados Unidos.

    O governo americano abriu investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que permite apurar práticas consideradas desleais. Essa legislação autoriza o Executivo norte-americano a aplicar sanções unilaterais caso irregularidades sejam comprovadas.

    Os EUA listaram seis temas principais: comércio digital, tarifas preferenciais, práticas anticorrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

    A CNA apresentou dados e fundamentos jurídicos sobre três pontos: tarifas preferenciais, mercado de etanol e desmatamento ilegal. Segundo a entidade, as práticas brasileiras seguem regras da OMC e não prejudicam as exportações americanas.

    Tarifa preferencial

    O Brasil concede tratamento tarifário preferencial de forma restrita, apenas em acordos compatíveis com a OMC.  Esses acordos representam 1,9% das importações brasileiras e não prejudicam exportações dos Estados Unidos.

    A CNA lembra que os EUA mantêm acordos de livre comércio amplos com 20 países, o que não configura discriminação.

    Você também pode gostar:
    + Agro em Campo: Encalhe milionário: BYD Shark e Jac Hunter enfrentam rejeição
    + Agro em Campo: Tarifa dos EUA pressiona exportações da fruticultura brasileira

    Mercado de etanol

    De 2010 a 2017, o Brasil isentou tarifas sobre o etanol americano. Depois, aplicou tarifa de 18%, menor que a do Mercosul.

    O programa RenovaBio é acessível a produtores estrangeiros que cumpram critérios técnicos e ambientais. A CNA defende cooperação bilateral em bioenergia e combustíveis sustentáveis para acelerar a transição energética global.

    Desmatamento ilegal

    O Brasil possui legislação ambiental avançada, como o Código Florestal e a Lei de Crimes Ambientais. Além disso, ferramentas como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) garantem rastreabilidade da produção agropecuária. Ao mesmo tempo, sistemas oficiais, como o Sinaflor e o DOF+, controlam a origem dos produtos florestais com rastreabilidade e certificações reconhecidas.

    Relações comerciais

    Os EUA são o terceiro maior destino das exportações agropecuárias do Brasil e parceiro estratégico do setor. A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, destacou a competitividade do agro brasileiro. “O Brasil é grande exportador agrícola porque é produtivo e competitivo”, disse.

    Ela afirmou também que a investigação americana deve confirmar o compromisso brasileiro com um comércio justo e transparente.

    A CNA representa mais de 5 milhões de produtores rurais em todo o país. A entidade enviou a manifestação ao Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Em setembro, pretende participar presencialmente da audiência pública sobre a investigação.