A produção de azeite de oliva no Rio Grande do Sul recuou em 2025. O estado, que responde por 80% do azeite nacional, produziu 190,3 mil litros. O número representa uma queda significativa frente aos 580,2 mil litros de 2023. Problemas climáticos explicam a baixa produtividade.
A informação é do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). A entidade divulgou os dados nesta segunda-feira (1º/09), durante a Expointer, em Esteio (RS). Apesdo do recuo, o setor projeta uma forte retomada nos próximos ciclos.
O excesso de umidade no Sul do país prejudicou a safra gaúcha. A expectativa inicial para 2024 era atingir 1 milhão de litros em todo o Brasil. A produção nacional ficou em 343 mil litros, puxada principalmente por São Paulo e Minas Gerais.
O frio intenso dos últimos meses, no entanto, trouxe otimismo. “O clima recente favoreceu os pomares. Agora precisamos que a chuva não atrapalhe na florada”, disse Flávio Obino Filho, presidente do Ibraoliva. Santa Catarina e Paraná surgem como novos polos de produção, impulsionando a expansão da olivicultura no país.
Pesquisa é o maior desafio
O Brasil cultiva atualmente 10 mil hectares de oliveiras. Metade dessa área já está em produção plena. O maior gargalo para o crescimento do setor, segundo Obino Filho, é a falta de investimento em pesquisa.
“Produtores desenvolvem suas próprias pesquisas. Queremos parcerias público-privadas e com universidades”, explicou. A variedade Arbequina, de origem espanhola, é a que melhor se adaptou ao Brasil. Ela é a base para a produção de azeites puros ou blends.
Olivoturismo: potencial adormecido
O setor também enxerga no turismo uma grande oportunidade. O “olivoturismo” já é realidade em cidades como Sant’Ana do Livramento (RS), que possui a Rota das Oliveiras. Encruzilhada do Sul, dona da maior área de cultivo do estado, também planeja desenvolver a atividade.
O coordenador do Programa Pró-Oliva da Secretaria de Agricultura do RS, Paulo Lipp João, vê um potencial enorme. “É um potencial ainda adormecido. Podemos criar rotas turísticas muito interessantes em municípios como Encruzilhada, Pelotas e Bagé”, observou.
Para fomentar o setor, o Ibraoliva promove em dezembro, em Bagé (RS), o Seminário Binacional e o 6º Encontro Estadual de Olivicultura. O evento trará especialistas e produtores do Uruguai, cujas pesquisas servem de referência para a região da Campanha e Fronteira Oeste gaúchas.
O preço do azeite no Brasil caiu nos últimos meses de 2025. A tendência mostra um retorno aos valores de antes da forte alta registrada entre 2023 e 2024. Atualmente, é possível encontrar azeite de 500 ml por cerca de R$ 27 em várias regiões do país.
A principal razão para essa redução foi a safra recorde na Europa em 2024/25. Países como Espanha, Itália e Portugal produziram até 32% mais azeite que na safra anterior. O aumento da oferta global ajudou a baixar os preços internacionais do produto.
Outro fator importante foi a isenção da alíquota de importação de 9% para o azeite. Essa medida diminuiu os custos para os importadores e beneficiou o consumidor final. Mesmo assim, o preço cai lentamente devido a custos logísticos, impostos internos e variação cambial.
Durante 2023 e 2024, o preço do azeite subiu cerca de 50%, afetado por uma seca severa na Europa. Isso elevou o custo no varejo brasileiro, que chegou a valores em torno de R$ 50 por litro. Com a safra atual, porém, a situação mudou.
Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo
A redução do preço impulsiona a recuperação do consumo de azeite no Brasil. Após uma queda de quase 20% em 2024, o setor espera crescimento nas vendas com preços mais acessíveis neste ano.
Em resumo, o mercado de azeite mostra sinais claros de recuperação. Os preços recuam gradativamente, voltando a níveis mais próximos aos de meses anteriores à crise. O consumidor brasileiro pode esperar preços melhores para o restante de 2025.
O azeite de oliva extra virgem é um dos ingredientes favoritos dos brasileiros para dar sabor e sofisticação aos pratos. Seja para temperar saladas, finalizar receitas ou preparar molhos, ele é indispensável na cozinha. No entanto, assim como em outros produtos nobres, o azeite enfrenta um problema sério: a falsificação. “O azeite extra virgem é um dos produtos mais falsificados no mundo”, alerta Eduardo Casarin, country manager Brasil & Latam da Filippo Berio.
Diante da variedade imensa de produtos nas prateleiras, o consumidor pode se sentir perdido. Como garantir a qualidade e levar para casa um azeite autêntico? A resposta começa pela leitura atenta do rótulo. Casarin recomenda priorizar as expressões “extra virgem”, “extração a frio” ou “primeira prensagem a frio”. Esses termos indicam que o óleo passou por processos cuidadosos que mantêm o frescor, os nutrientes e o sabor original das azeitonas.
Outro ponto crucial é verificar o índice de acidez, um dos principais indicadores de qualidade. A legislação determina que o azeite extra virgem deve ter, no máximo, 0,8% de acidez. “Quanto menor a acidez, menor a oxidação e melhor a preservação dos componentes benéficos do azeite, como antioxidantes e ácidos graxos saudáveis”, explica Casarin.
O especialista alerta também para os chamados “óleos compostos”. Muitas marcas comercializam azeites extra virgem misturados com óleos vegetais mais baratos, como soja ou girassol. Embora não representem riscos à saúde, esses produtos perdem as propriedades positivas do azeite puro. Para evitar decepções, “é fundamental ler o rótulo com atenção e verificar a composição completa do produto”, recomenda.
Procedência
Além disso, a procedência importa muito na hora da escolha. Azeites provenientes de países ou regiões com tradição — como Itália, Espanha e Portugal — e marcas reconhecidas internacionalmente costumam seguir rigorosos padrões de qualidade. A Filippo Berio, por exemplo, mantém um controle rigoroso para garantir autenticidade e segurança.
Outro fator que passa muitas vezes despercebido é a embalagem. O azeite extra virgem é sensível à luz, por isso deve ser vendido em garrafas de vidro escuro ou latas. Embalagens transparentes expõem o óleo à luz, acelerando a oxidação e deterioração das características sensoriais. Em casa, o ideal é conservar o azeite em local fresco, seco, longe do fogão e da luz direta, com temperatura entre 15°C e 23°C.
Muitos consumidores ainda se guiam pela cor do azeite na hora da compra, mas Casarin faz um alerta: “A cor não é um indicativo confiável de qualidade. Ela varia conforme o tipo e o grau de maturação da azeitona. Além disso, há relatos de uso ilegal de corantes para alterar a aparência do produto”.
Por fim, o aroma do azeite é uma das melhores formas de avaliar seu frescor e pureza. Um azeite de boa qualidade tem cheiro de azeitona fresca, com nuances frutadas que lembram maçã verde, alcachofra e amêndoas. “O olfato é um parâmetro muito eficiente para identificar um azeite autêntico”, diz o country manager.
Por que toda essa atenção é necessária? O azeite extra virgem é reconhecido por seus benefícios à saúde, incluindo a proteção cardiovascular, cerebral e metabólica. Produtos adulterados podem conter óleos inferiores ou até contaminantes, que comprometem esses efeitos positivos.
“O nosso compromisso é garantir que o consumidor brasileiro tenha acesso a um azeite de oliva autêntico e seguro. Cada cuidado na escolha evita desperdício e protege a saúde”, conclui Eduardo Casarin.
O mercado brasileiro de azeite de oliva tem experimentado crescimento expressivo nos últimos anos, consolidando-se como um dos segmentos mais promissores do agronegócio nacional. Segundo dados do setor, o consumo de azeites extravirgens cresceu aproximadamente 25% entre 2023 e 2024, impulsionado pela busca crescente por alimentos funcionais e pela valorização de produtos premium nacionais.
Em um cenário onde o Brasil ainda importa cerca de 95% do azeite consumido internamente, as variações cambiais têm impactado significativamente os preços ao consumidor. Nos últimos 18 meses, o mercado registrou oscilações de até 40% nos valores de azeites importados, criando oportunidades para produtores nacionais que conseguem oferecer produtos de qualidade internacional a preços mais estáveis.
É neste contexto que surge uma inovação inédita no agronegócio brasileiro: a produção de azeite específico para o público infantil. O azeite de oliva extravirgem pode integrar a alimentação de bebês a partir dos seis meses de idade, conforme recomendação de pediatras e nutricionistas. Rico em ácidos graxos essenciais, vitaminas e antioxidantes naturais, o alimento contribui para o desenvolvimento cerebral, fortalecimento do sistema imunológico e proteção contra processos inflamatórios.
Olival mais alto do Mundo
A Vinícola Essenza, reconhecida por suas experiências enogastronômicas em Santo Antônio do Pinhal (SP), identificou esta lacuna no mercado. E assim, desenvolveu uma solução técnica inovadora. Utilizando oliveiras cultivadas no olival mais alto do Brasil, em Maria da Fé (MG), a 1.900 metros de altitude, a empresa domina todas as etapas do processo produtivo – do plantio ao manejo, da colheita à extração.
A variedade espanhola Arbequina, escolhida para este projeto, demonstrou excelente adaptação às condições de solo e clima da Serra da Mantiqueira. “A escolha pela versão monovarietal garante rastreabilidade e consistência ao produto, além de assegurar o controle de todas as etapas de produção. O cultivo é feito em pequenos lotes. E o processo de extração ocorre poucas horas após a colheita, para preservar os compostos bioativos”, explica Herbert Sales, fundador da Vinícola Essenza.
Do ponto de vista técnico, o diferencial está no perfil sensorial desenvolvido especificamente para crianças. Com baixa acidez (0,08%) e sabor delicado, sem amargor ou picância, o produto mantém todas as propriedades funcionais do azeite extravirgem tradicional. Estudos apontam que o azeite de oliva é fonte natural das vitaminas A, D, E e K, essenciais para o crescimento ósseo, desenvolvimento cognitivo e absorção de nutrientes durante a infância, além de ser rico em polifenóis com propriedades anti-inflamatórias.
A credibilidade da Vinícola Essenza no mercado de azeites premium foi consolidada em 2024, quando a empresa se tornou a produtora de azeites e vinhos mais premiada do Brasil, acumulando 30 medalhas e honrarias em competições internacionais. Em 2025, os reconhecimentos continuaram: no Prémio CA Ovibeja (Portugal), o azeite Mantikir Blend Summit Premium conquistou, pelo segundo ano consecutivo, o título do melhor do Hemisfério Sul. No Guía ESAO (Espanha), o Mantikir Coratina recebeu o título The Best in Show Brasil, e o Summit Premium foi incluído na lista dos 100 melhores azeites do mundo no Guide Top 100 Evooleum Awards.
Benefícios do azeite na alimentação infantil
O uso do azeite de oliva extravirgem na alimentação infantil conta com amplo respaldo científico e médico. Segundo especialistas, “não há nenhuma contraindicação” para o consumo de azeite por bebês e crianças. Ele pode ser introduzido com segurança a partir dos 6 meses de idade, período em que se inicia a introdução alimentar.
Os benefícios nutricionais são significativos para o desenvolvimento infantil. O azeite é “fonte de vitaminas A, D, E e K, o alimento ajuda no desenvolvimento dos ossos. Também fortalece o sistema imunológico, regula a flora intestinal e contribui para o desenvolvimento da criança”. Além disso, o azeite de oliva “ajuda a absorver a vitamina D, importante para bebês e crianças em crescimento, pois regula o cálcio e o fósforo e favorece a ingestão de minerais essenciais ao processo de ossificação”.
Além disso, do ponto de vista do desenvolvimento cerebral, pesquisas internacionais indicam que “ao introduzir o azeite extravirgem no início da vida, os pais podem apoiar o crescimento infantil, desenvolvimento cerebral e saúde geral” das crianças.
Quanto à dosagem recomendada, nutricionistas orientam que “os bebês podem consumir azeite, desde que com moderação. Recomenda-se não ultrapassar a quantidade de 15 ml ao dia, iniciando com 5 ml e acrescendo-se aos poucos até o limite”.
A comunidade médica também reconhece os benefícios preventivos do alimento. Uma vez que o azeite reduz os níveis de colesterol total no sangue, colesterol LDL e triglicerídeos, médicos recomendam a substituição de gorduras animais por azeite. Portanto, isso vai ajudar a combater o aumento da obesidade em crianças, estabelecendo desde cedo hábitos alimentares mais saudáveis.
O lançamento do MantiKids
O MantiKids representa a materialização de uma necessidade real identificada pelo próprio fundador da empresa. “Queria oferecer ao meu filho de três anos um alimento saudável, de alta qualidade, mas que ele gostasse de consumir. Desenvolvemos um azeite com perfil delicado, mas que mantém todas as propriedades funcionais”, revela Herbert Sales.
O desenvolvimento do produto envolveu pesquisas sensoriais e testes com diferentes proporções de azeitonas até alcançar um azeite com sabor neutro, ideal para introdução alimentar. “Nossa preocupação foi criar um produto que pudesse ser consumido puro ou misturado às papinhas, frutas e alimentos do dia a dia. Sem causar rejeição”, destaca o produtor.
Foto: Divulgação
O lançamento oficial do MantiKids está programado para o dia 23 de agosto, das 11h às 15h, na Vinícola Essenza. O evento contará com programação diferenciada para adultos e crianças. Enquanto os pais participam de um brunch e uma conversa com especialista sobre os benefícios do azeite na infância, as crianças terão acesso a oficinas de jardinagem, atividades de colorir, contação de histórias e brincadeiras com brinquedos Montessori, acompanhadas por monitores recreativos.
“O azeite pode e deve fazer parte da mesa das famílias com crianças pequenas. E queremos que ele esteja presente nos momentos afetivos e nas refeições em casa”, reforça Herbert Sales.
A Vinícola Essenza fica a 14 quilômetros de Santo Antônio do Pinhal (SP), oferecendo experiências de enoturismo com harmonização, degustação e enoboutique.
O azeite extravirgem gaúcho acaba de subir mais um degrau na escada da excelência. A nova safra chega com 28 azeites certificados como “Produtos Premium Origem e Qualidade RS”, um selo que não é apenas um carimbo bonito na garrafa — é, acima de tudo, um atestado de origem, pureza e sabor.
Criado pelo governo do Rio Grande do Sul em parceria com o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), o selo atesta que os produtos passaram por rigorosos testes físico-químicos e sensoriais. Além disso, garante ao consumidor aquilo que muita gente anda procurando: rastreabilidade e procedência local. Tudo é feito com azeitonas colhidas e processadas no próprio estado — sem atalhos, sem disfarces.
Aliás, isso não é pouca coisa. O Rio Grande do Sul concentra 75% de toda a produção nacional de azeite de oliva e vem, ano após ano, se consolidando como a terra onde o olival dá frutos dourados. Por esse motivo, 14 marcas conquistaram o direito de ostentar o selo premium em 2025. Entre elas estão nomes já conhecidos dos apreciadores da boa gastronomia, como Estância das Oliveiras, Capolivo, Fazenda Quintana e Olivas de Gramado.
Lista dos azeites certificados como Produtos Premium RS – Safra 2025
A seguir, confira a lista completa dos azeites extravirgens certificados como Produtos Premium Origem e Qualidade RS, organizada por marca, variedade e lote:
Marca
Monovarietal / Blend
Lote
Capela da Santana
Blend Arbequina, Koroneiki
Único
Capolivo
Koroneiki
2
Capolivo
Picual
3
Capolivo
Coratina
4
Estância das Oliveiras
Blend Los Dos (Coratina, Lecchino)
25/005
Estância das Oliveiras
Blend Signature (Koroneiki, Picual, Coratina)
25/006
Estância das Oliveiras
Koroneiki
25/002
Estância das Oliveiras
Arbequina
25/001
Estância das Oliveiras
Blend Exclusivo (Arbequina, Arbosana, Koroneiki)
25/003
Estância das Oliveiras
Picual
25/008
Estância das Oliveiras
Coratina
25/004
Estância do Forte
Blend (Koroneiki, Picual, Coratina, Arbequina)
0525
Fazenda Quintana
Arbequina
10125
Fazenda Quintana
Koroneiki
20125
Fazenda Quintana
Picual
40125
Fazenda Quintana
Blend (Koroneiki, Arbequina)
50125
Milonga
Arbequina
20251
Olivas Alto Bonito
Blend Ouro da Campanha (Arbequina, Picual, Manzanilla, Frantoio)
Do campo à mesa: o caminho do azeite extravirgem gaúcho
Além de tudo, os azeites certificados estarão disponíveis em e-commerces, redes sociais das marcas, supermercados selecionados e lojas especializadas. Para quem prefere conhecer de perto, uma boa oportunidade é visitar a tradicional Feira do Azeite Gaúcho, que ocorre quinzenalmente no pátio da Secretaria da Agricultura, em Porto Alegre.
A cerimônia oficial de entrega dos certificados está marcada para o dia 1º de setembro, durante a Expointer, em Esteio. Segundo o secretário-adjunto de Inovação, Ciência e Tecnologia, Mário Augusto Gonçalves, o objetivo do evento vai muito além da entrega de prêmios: “Queremos ampliar a divulgação dessas marcas, fortalecer o setor e incentivar o consumo de produtos gaúchos de alta qualidade”, afirmou.
O selo premium como símbolo de tradição, inovação e terroir
Com isso, mais do que um simples título, o selo é fruto de uma cultura que mistura cuidado com a terra, técnica apurada e paixão genuína pelo que se faz. Os critérios de avaliação incluem desde o perfil sensorial — frutado, amargo e picante na medida certa — até análises laboratoriais minuciosas, que não deixam escapar nenhum detalhe.
Por fim, vale lembrar: quando o campo fala com verdade e o sabor confirma, o reconhecimento vem como consequência. Assim, o azeite extravirgem gaúcho se firma, cada vez mais, como referência nacional e, quem sabe, internacional.
Se você acha que azeitonas pretas e verdes são variedades diferentes, prepare-se para uma surpresa. Na realidade, elas são o mesmo fruto, mas em estágios distintos de maturação e processamento. Entenda os segredos por trás desses dois tipos de azeitona e descubra por que algumas versões escuras não são tão naturais quanto parecem.
Botanicamente, tanto a azeitona preta quanto a verde são drupas, um tipo de fruto com caroço, assim como pêssegos e ameixas. A diferença está no momento da colheita:
Azeitonas verdes → Colhidas antes da maturação, quando ainda estão firmes e com tons esverdeados.
Azeitonas pretas naturais → Deixadas no pé até amadurecer, adquirindo tons escuros (roxo, preto ou marrom).
No entanto, nem toda azeitona preta que você consome vem desse processo natural. Muitas passam por tratamentos químicos para ganhar cor e sabor mais suave.
Por que azeitonas verdes são amargas?
Se você já mordeu uma azeitona verde direto da árvore, sabe que o gosto é extremamente amargo e adstringente. Isso acontece por causa da oleuropeína, um composto que precisa ser removido antes do consumo.
Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar
No processamento industrial, as azeitonas verdes são:
Tratadas com soda cáustica (hidróxido de sódio) para neutralizar o amargor.
Lavadas para eliminar açúcares que poderiam fermentar.
Curadas em salmoura para desenvolver sabor e textura.
Azeitonas pretas artificiais
Muitas azeitonas pretas de supermercado, especialmente as “estilo Califórnia” ou “maduras”, não amadurecem naturalmente. Elas são:
Colhidas ainda verdes.
Tratadas com soda cáustica.
Escurecidas artificialmente com gluconato ferroso (um aditivo de ferro que dá a cor preta uniforme).
O resultado? Um produto de sabor mais suave e cor intensa, ideal para massas, pizzas e aperitivos, mas com menos complexidade de sabor do que as azeitonas maduradas no pé.
Qual é melhor: preta ou verde?
Depende do seu paladar e uso:
Azeitonas verdes → Mais firmes, sabor marcante e levemente ácido. Ideais para martinis, saladas e tapenade.
Azeitonas pretas naturais → Textura mais macia, sabor suave e adocicado. Perfeitas para molhos e pratos mediterrâneos.
Azeitonas pretas artificiais → Mais neutras, ótimas para coberturas e produções em larga escala.
Não existe “azeitona melhor” – apenas processamentos diferentes. Se você busca um sabor mais autêntico, prefira as pretas naturais ou verdes de boa qualidade. Mas se deseja praticidade, as versões enlatadas cumprem bem o papel.
Agora que você sabe a diferença, que tal experimentar os dois tipos e descobrir sua preferência?
O azeite Mantikir Coratina, da Vinícola Essenza, conquistou um feito histórico: foi eleito o melhor do Brasil e o terceiro melhor do mundo no Terraolivo IOOC 2025, um dos mais prestigiados concursos de azeite extravirgem. O anúncio ocorreu nesta quarta-feira (15), em Chipre, colocando o produto brasileiro no pódio ao lado de gigantes como Espanha e Itália.
A edição deste ano reuniu 556 azeites de 19 países, e o Brasil saiu com 38 medalhas. A Vinícola Essenza, de Santo Antônio do Pinhal (SP), foi a grande estrela, levando quatro medalhas Gran Prestige Gold (acima de 86 pontos) pelos azeites Mantikir Grappolo, Coratina, Koroneiki e Summit Premium.
“É a primeira vez que um produtor brasileiro chega ao Top 3 em uma competição do Mediterrâneo”, comemora Herbert Sales, proprietário da vinícola. “Isso prova que a Serra da Mantiqueira tem qualidade para competir com os melhores do mundo.”
Sabor premiado e harmonização perfeita
O Mantikir Coratina é feito com azeitonas da variedade italiana Coratina. Ele tem acidez de apenas 0,09% e um perfil sensorial marcante, com notas de folhas verdes, rúcula, amêndoas e frutas secas. Este azeite, ideal para acompanhar carnes vermelhas, queijos curados e pratos condimentados, conquistou prêmios este ano no London International Olive Oil Competition (Medalha de Platina) e no Guía ESAO, na Espanha.
A Essenza acumula conquistas:
Melhor do Hemisfério Sul no Prémio CA Ovibeja (Portugal)
Top 100 do mundo no Guide Evooleum (Espanha)
30 medalhas internacionais em 2024, tornando-se a produtora mais premiada do Brasil
Com sede em Santo Antônio do Pinhal, a vinícola oferece enoturismo, com degustações, harmonizações e passeios pelo olival mais alto do Brasil, em Maria da Fé (MG), a 1.910m de altitude.
O que é o Terraolivo?
Realizado em Israel, berço histórico da olivicultura, o concurso avalia rigorosamente aspectos sensoriais e químicos, sendo referência para importadores e chefs globais.
Herbert Sales, produtor de azeites, durante colheita. Foto: Régis Silva/Divulgação
A vitória do Mantikir Coratina consolida o Brasil como produtor de azeites de excelência mundial.
Após dois anos de preços elevados, o azeite de oliva finalmente começa a ficar mais acessível no Brasil. A queda, que já chega a 4,42% no acumulado do ano, segundo dados do IBGE. Isso é resultado da recuperação da produção europeia, além da estabilização do câmbio e de medidas governamentais que reduziram impostos sobre importações. Especialistas projetam que a redução pode chegar a 20% até o final do ano, aliviando o bolso dos consumidores que viram o produto se tornar um artigo de luxo em 2023 e 2024.
A principal razão para a queda no preço do azeite no Brasil está na recuperação da produção nos países mediterrâneos, responsáveis por abastecer mais de 95% do mercado nacional. Após uma severa seca que reduziu a colheita em 2023 e 2024, a safra 2024/25 registrou um aumento de 29% na Europa, com a Espanha – maior produtor mundial – elevando sua produção em 50%.
“A produção global deve atingir 3,1 milhões de toneladas, um crescimento de 23% em relação ao ciclo anterior. Isso já está refletindo nos preços internacionais, que caíram de US$ 10 mil para US$ 5,5 mil por tonelada desde o início do ano”, explica Eduardo Casarin, diretor da Filippo Berio no Brasil.
Além da maior oferta, dois fatores contribuíram para a queda: a desaceleração do dólar (que saiu de R$ 6,00 no início de 2024 para abaixo de R$ 5,60 em junho de 2025) e a isenção da tarifa de importação de 9%, medida adotada pelo governo para conter a inflação.
No entanto, os consumidores ainda não sentem todo o impacto da redução. “Os estoques comprados a preços altos ainda estão sendo liquidados. A queda mais expressiva deve ocorrer a partir do segundo semestre, quando os importadores renovarem seus contratos com valores mais baixos”, afirma Carlos Vian, professor da Esalq-USP.
Consumo em recuperação e o risco de fraudes
Com a queda nos preços, o consumo de azeite no Brasil já mostra sinais de recuperação. Dados da Nielsen indicam que, após uma retração de quase 20% em 2024, as vendas voltaram a crescer, especialmente nas marcas premium. O preço da garrafa de 500 ml, que ultrapassava R$ 50, agora varia entre R$ 35 e R$ 40.
Porém, especialistas alertam para o risco de fraudes. “O azeite é o segundo produto mais falsificado do mundo. Com a normalização dos preços, esperamos menos adulterações, mas a fiscalização precisa ser reforçada”, diz Flávio Obino Filho, presidente do Ibraoliva.
A expectativa é de que os preços continuem caindo gradualmente, mas sem retornar aos patamares de cinco anos atrás. “Dificilmente veremos azeite a R$ 20 ou R$ 25 novamente, porque houve um impacto inflacionário acumulado”, ressalta Casarin.
Para o consumidor, a dica é ficar atento às promoções em grandes redes e e-commerces, onde os primeiros reflexos da queda já começam a aparecer. Enquanto isso, o setor olivícola brasileiro busca ampliar sua produção, que hoje é de apenas 400 mil litros por ano. Apenas uma fração mínima diante da demanda nacional de mais de 100 milhões de litros.
O preço do azeite no Brasil tem perspectiva de queda de até 10% ao longo de 2025. Isso impulsionado por uma combinação de fatores favoráveis no mercado internacional e medidas fiscais adotadas pelo governo federal. A produção mundial de azeite na safra 2024/25 deve atingir cerca de 3,375 milhões de toneladas, um aumento de aproximadamente 32% em relação à safra anterior, segundo dados do International Olive Council (IOC). Esse volume recorde é um dos maiores dos últimos anos e tende a aliviar a pressão sobre os preços globais, que já recuaram significativamente nos últimos meses.
Além da recuperação produtiva, o governo brasileiro eliminou a alíquota de 9% do imposto de importação sobre o azeite. Essa medida contribuiu para a redução dos custos para os importadores. Eduardo Casarin, country manager Brasil & LATAM da Filippo Berio, destaca que essa combinação cria um cenário promissor para a queda gradual dos preços no país, embora o ajuste não seja imediato nem uniforme.
O Brasil depende quase totalmente das importações para abastecer seu mercado, o que torna o país sensível às variações do mercado internacional. A Itália, tradicional produtora e referência em qualidade, mantém sua produção em cerca de 240 mil toneladas nesta safra, representando 6,6% da produção mundial e influenciando especialmente o segmento premium valorizado pelos consumidores brasileiros.
Estrutura limita redução final
No entanto, fatores estruturais ainda limitam a transmissão integral dessa redução para o consumidor final. Entre eles estão os contratos de importação firmados anteriormente com preços mais altos, custos logísticos elevados, valorização do euro frente ao real, além da carga tributária interna, que inclui ICMS e PIS/COFINS. Também pesam as margens de distribuição e a presença de estoques adquiridos a preços antigos.
Casarin ressalta que o consumidor começará a perceber a queda nos preços ao longo de 2025, especialmente nas marcas mais dependentes da importação europeia. Mas a redução será gradual devido à complexidade da cadeia de custos no Brasil.
Em resumo, a safra global recorde, somada à isenção do imposto de importação, cria condições para que o preço do azeite no Brasil diminua. Mas a queda será moderada por custos logísticos, cambiais e tributários que ainda pesam no mercado nacional.
A Serra da Mantiqueira está no centro de uma revolução agroindustrial: pesquisas da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) buscam consolidar a cadeia produtiva do azeite de abacate, utilizando o maquinário das oliviculturas durante a entressafra da oliveira. A iniciativa visa ampliar a renda dos produtores, otimizar equipamentos e diversificar a produção regional. Com isso, aproveitar o potencial do abacate como matéria-prima de alto valor agregado.
A safra da oliveira é curta, ocorrendo entre o fim de janeiro e o início de abril. Esse período deixa os lagares ociosos durante grande parte do ano. Pesquisadores da Epamig comprovaram que, com adaptações simples, é possível utilizar o mesmo maquinário para extrair o óleo do abacate. E assim, agregar valor e utilidade ao parque industrial já existente na região. Segundo Luiz Fernando de Oliveira, pesquisador da Epamig, cerca de 40 lagares do Sudeste podem ser adaptados para a extração do azeite de abacate. Para isso, basta ajustes como a despolpa da fruta e a regulagem das centrífugas horizontais (decanters), devido ao maior volume e teor de óleo do abacate em relação à azeitona.
Dois projetos em andamento no Campo Experimental de Maria da Fé, ambos financiados por editais da Fapemig e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, avaliam a produção e a qualidade do óleo de abacate, além de processos inovadores para a agroindústria. A modernização da unidade permitiu ampliar a capacidade de processamento e análise físico-química, essencial para garantir a qualidade do produto final.
Potencial produtivo e sustentabilidade
O abacate apresenta vantagens estratégicas: variedades como Hass e Fuerte podem atingir até 26% de óleo na polpa, com colheita distribuída ao longo do ano, Assim, permitindo abastecimento contínuo das agroindústrias. O aproveitamento de frutos fora do padrão de mercado, que seriam descartados, contribui para a sustentabilidade e reduz o desperdício. Além de abrir caminho para exportações. Atualmente, o Brasil exporta cerca de 150 mil litros de azeite de abacate por ano, principalmente para Estados Unidos, Itália e Japão, com expectativa de crescimento de 10% até 2025.
Reprodução – Mapa
Empresas como Jaguacy e Fazenda Irarema já investem em fábricas com capacidade para processar até 3 mil quilos de abacate por hora. Enquanto produtores independentes, como José Carlos Gonçalves, destinam parte da produção para cosméticos e exportação para mercados asiáticos e americanos.
Qualidade, benefícios e perspectivas de mercado
O azeite de abacate possui perfil graxo semelhante ao azeite de oliva, com alto teor de ácido oleico, gordura monoinsaturada benéfica à saúde, além de compostos fenólicos antioxidantes. O consumo do óleo auxilia na redução do colesterol ruim (LDL) e no aumento do colesterol bom (HDL). Deste forma, contribuindo para a prevenção de doenças cardiovasculares e oftalmológicas, como catarata e cegueira noturna. Além do uso culinário, o óleo é aplicado na indústria de cosméticos e pode ser misturado ao azeite de oliva para criar novos produtos.
O laboratório da Epamig, recentemente modernizado, realiza análises físico-químicas e sensoriais para assegurar a qualidade do azeite de abacate, seguindo padrões internacionais e buscando acreditação junto ao Inmetro e ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Com o avanço das pesquisas, a expectativa é que o azeite de abacate conquiste espaço no mercado nacional e internacional. Portanto, impulsionando a economia da Serra da Mantiqueira e promovendo a sustentabilidade da agroindústria mineira. As iniciativas da Epamig, em parceria com produtores e instituições de fomento, posicionam Minas Gerais como referência em inovação e diversificação agrícola.