Tag: azeite

  • Prêmio define o melhor azeite, cachaça e doce de leite do Brasil

    Prêmio define o melhor azeite, cachaça e doce de leite do Brasil

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) recebe até 30 de abril as inscrições para o Prêmio Brasil Artesanal (PBA). O concurso avalia e valoriza a produção artesanal de azeite, cachaça e, pela primeira vez em 2026, doce de leite. A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) integra o grupo de instituições que apoiam a iniciativa.

    A novidade deste ano traz especial relevância para Minas Gerais, já que o doce de leite representa uma sobremesa tradicional da culinária mineira. Produtores de todo o país podem participar das três categorias do certame.

    A Epamig, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e o Sebrae elaboram o edital do Concurso de Azeite de Oliva. Essas instituições também fornecem conhecimento técnico e científico para avaliar e aprimorar os produtos participantes.

    “A Epamig atua de forma consistente em todas as etapas do cultivo da oliveira como empresa pioneira nas pesquisas com essa cultura. O concurso atesta, em mais uma edição, a qualidade dos azeites nacionais”, afirma Luiz Fernando, coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig.

    Concurso beneficia consumidores e produtores

    O coordenador destaca que a sociedade ganha acesso a informações sobre a qualidade dos produtos. Os produtores, por sua vez, associam suas marcas a um concurso que conta com instituições de referência no país.

    O Prêmio Brasil Artesanal estimula a profissionalização de pequenos e médios produtores rurais. A iniciativa também promove a melhoria contínua dos processos produtivos e agrega valor aos alimentos que chegam ao mercado.

    Os produtores devem enviar as amostras até 15 de maio. Os produtos passam por avaliação do júri técnico, análise da história, votação do júri popular e etapa final de premiação. Cada produtor pode inscrever um produto por categoria, nas modalidades blend ou monovarietal.

    O Prêmio Brasil Artesanal oferece certificados, premiação em dinheiro e divulgação nos canais digitais e redes sociais do Sistema CNA/Senar. Os interessados devem acessar o site oficial da CNA para realizar a inscrição.

  • Azeite Terra das Oliveiras tem venda proibida pelo governo

    Azeite Terra das Oliveiras tem venda proibida pelo governo

    O governo federal proibiu a venda de todos os lotes do azeite da marca Terra das Oliveiras. A decisão foi publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária no Diário Oficial da União, nesta quinta-feira (22).
    Somente em 2025, mais de 20 azeites já foram banidos ou tiveram lotes proibidos no Brasil.

    Decisão da Anvisa

    A Anvisa determinou a apreensão e a proibição imediata do produto em todo o país. Além disso, o órgão vetou a fabricação, distribuição, importação, propaganda e uso do azeite. Segundo a agência, o produto apresenta origem desconhecida. A Anvisa identificou a comercialização do azeite na plataforma Shopee. Por isso, a medida busca proteger o consumidor contra produtos irregulares.

    Empresa responsável pela importação

    A agência informou que a importadora é a JJ – Comércio de Alimentos Limitada. Segundo a Anvisa, a empresa encerrou suas atividades por liquidação voluntária. O encerramento ocorreu em 8 de janeiro de 2025, conforme registro na Receita Federal. O site Agro em Campo tenta contato com a marca Terra das Oliveiras. A reportagem também aguarda um posicionamento oficial da plataforma Shopee.

    Como escolher um bom azeite

    O Cadastro Geral de Classificação permite verificar empresas registradas no Ministério da Agricultura. O consumidor pode acessar a ferramenta e pesquisar pelo nome no campo “Estabelecimento”. Segundo o Ministério, o registro no CGC é obrigatório para empresas do setor. Além disso, as empresas registradas ficam sujeitas à fiscalização oficial.

    Consulta de produtos irregulares

    A Anvisa oferece uma ferramenta para verificar produtos irregulares ou falsificados.
    Para usar, basta inserir o nome da marca no campo “Produto”. Assim, o consumidor reduz riscos ao comprar azeite no mercado brasileiro.

  • Azeitech 2026 promete movimentar o polo da olivicultura em Maria da Fé

    Azeitech 2026 promete movimentar o polo da olivicultura em Maria da Fé

    O Campo Experimental de Maria da Fé, no Sul de Minas, será o epicentro da olivicultura brasileira em 10 de abril, quando a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) realiza o Azeitech 2026. Em sua 6ª edição, o evento gratuito reunirá produtores, técnicos e apaixonados por azeite para discutir inovação, tecnologia e práticas sustentáveis no cultivo de oliveiras.

    Diferente dos anos anteriores, o Azeitech será realizado em abril. Uma mudança estratégica que busca facilitar a participação dos produtores durante o período pós-colheita. Segundo o pesquisador Pedro Moura, da comissão organizadora, a alteração atende a uma demanda antiga do setor.

    “Com a alta expectativa para a safra deste ano, decidimos aproximar a data do fim da colheita, garantindo a presença dos produtores sem interferir nas atividades de campo”, explica Moura.

    A organização dividirá a programação entre o 21º Dia de Campo de Olivicultura e a 11ª Mostra Tecnológica de Olivicultura. Palestras inéditas e estações práticas vão abordar desde o manejo moderno das oliveiras até o uso de novos insumos e tecnologias de processamento.

    Além das apresentações técnicas, empresas e instituições do setor vão expor soluções inovadoras em maquinários, produtos e serviços voltados à produção e à indústria de azeites. O evento reforça o papel de Maria da Fé como referência nacional na pesquisa e produção de azeite extravirgem de qualidade.

    O Azeitech soma-se aos esforços da Epamig para ampliar o conhecimento técnico. Além de fortalecer a competitividade do setor olivícola mineiro, que vem conquistando espaço no cenário nacional e internacional.

  • Acordo Mercosul-UE não reduz preço do azeite no Brasil, afirma Ibraoliva

    Acordo Mercosul-UE não reduz preço do azeite no Brasil, afirma Ibraoliva

    O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia não reduzirá o preço do azeite de oliva importado nem elevará a qualidade do produto disponível ao consumidor brasileiro. O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) divulgou a avaliação em nota oficial, após acompanhar as negociações e apoiar o tratado de livre comércio entre os blocos.

    A União Europeia aprovou recentemente o texto-base do acordo, o que indica a proximidade da formalização do tratado. O setor brasileiro defende o movimento, mas ressalta que a assinatura não altera o cenário atual do mercado de azeite no país.

    Tarifa zero vigora desde março de 2025

    O Ibraoliva esclarece que os azeites europeus já entram no Brasil com alíquota zero desde março de 2025. A entidade considera incorretas as informações que associam o acordo a uma queda no valor do produto nas gôndolas dos supermercados, já que nenhum impacto tributário adicional ocorrerá.

    “Desde março de 2025, os azeites provenientes da Europa já ingressam no Brasil com alíquota de importação zero. Dessa forma, não procedem as informações de que o acordo resultará em redução do preço do azeite importado”, destaca o comunicado oficial.

    Qualidade do produto importado permanece questionável

    O instituto também contesta a tese de que o tratado melhorará a qualidade do azeite europeu comercializado no Brasil. Segundo a entidade, o país continuará recebendo produtos sem identificação clara de procedência e safra, frequentemente rotulados como extravirgem, mas com defeitos sensoriais que os desqualificam para essa classificação.

    O Ibraoliva caracteriza o azeite brasileiro como extravirgem de qualidade premium, resultado de rigor técnico, rastreabilidade e cuidado em todas as etapas produtivas. O produto nacional não concorre diretamente com os azeites importados de baixa qualidade destinados ao mercado brasileiro.

    Setor brasileiro enfrenta desvantagens competitivas

    A entidade cobra do governo brasileiro políticas de reciprocidade em relação aos produtores europeus. O setor na União Europeia conta com subsídios, incentivos à produção e menor carga tributária. Enquanto a cadeia produtiva brasileira enfrenta elevada tributação interna e ausência de políticas públicas de fomento.

    “Os produtores europeus contam com subsídios, políticas públicas de incentivo à produção e baixa carga tributária, enquanto o setor brasileiro enfrenta elevada carga tributária interna e a ausência de políticas públicas de fomento”, afirma o instituto na nota.

    O Ibraoliva acompanha as negociações entre Mercosul e União Europeia há mais de duas décadas e sempre defendeu a integração comercial como instrumento para o desenvolvimento econômico. No entanto, a entidade considera essencial a redução das assimetrias competitivas para fortalecer o azeite brasileiro no mercado interno.

    Pedido por ambiente regulatório equilibrado

    Segundo o instituto, o fortalecimento da olivicultura brasileira depende de condições internas mais justas, com incentivos adequados e tratamento tributário compatível com a qualidade do produto nacional. A entidade reafirma o compromisso com a defesa da qualidade do azeite comercializado no país. E espera apoio do Estado por meio de políticas públicas eficazes e ambiente regulatório equilibrado.

    “O azeite produzido no Brasil é de qualidade amplamente superior ao azeite importado que chega aos supermercados nacionais. Para que esse setor estratégico continue a se desenvolver, é indispensável o apoio do Estado brasileiro”, conclui a diretoria do Ibraoliva.

  • Preço do azeite acumula queda de 23% em 12 meses

    Preço do azeite acumula queda de 23% em 12 meses

    O azeite segue em trajetória de queda de preços no Brasil, acumulando dez meses consecutivos de deflação, segundo o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), da Associação Paulista de Supermercados (APAS) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE).

    Em novembro, o produto teve recuo médio de 0,37% nas gôndolas. No acumulado de 2025, a redução chega a 22,69%, enquanto a deflação dos últimos 12 meses alcançou 23,32%. O comportamento do mercado reflete tanto fatores externos quanto medidas internas adotadas para conter aumentos de preços nos alimentos importados.

    Retomada europeia e isenção de impostos impulsionam queda

    De acordo com o economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz, a retomada da produção de azeite em países europeus, especialmente Espanha, Portugal e Itália, ampliou a oferta global e contribuiu diretamente para a queda dos preços.

    Além disso, a isenção da alíquota de 9% sobre a importação, adotada pelo governo federal em 2025, facilitou o acesso do produto importado ao mercado nacional, reduzindo repasses ao consumidor.

    Segundo dados do Conselho Oleícola Internacional (COI), a produção europeia deve crescer cerca de 30% em relação à safra 2024/25. Com destaque para a recuperação dos olivais espanhóis após um período de seca severa.

    Impacto nos preços dos óleos e inflação

    A queda expressiva do azeite ajuda a aliviar a inflação do grupo de óleos no varejo. Embora o segmento tenha registrado alta de 2,63% em novembro, acumula retração de 4,23% no ano. E recuo de 1,01% nos últimos 12 meses, segundo a APAS.

    Com maior competitividade de preços, o azeite deve continuar contribuindo para o controle inflacionário nos alimentos industrializados e nas gôndolas dos supermercados no início de 2026.

  • Ibraoliva projeta novo ciclo de crescimento

    Ibraoliva projeta novo ciclo de crescimento

    O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) encerrou 2025 com avanços marcantes e inicia 2026 com metas ambiciosas para fortalecer a olivicultura nacional. Após um ano de ampliação de parcerias e atuação política, o presidente Flávio Obino Filho afirmou que o próximo ciclo será dedicado à integração regional, inovação tecnológica e defesa da qualidade do azeite brasileiro.

    Durante o balanço anual, Obino destacou que o Ibraoliva consolidou sua representatividade institucional e ampliou sua presença em todo o país. “Fortalecemos os laços com produtores do Sudeste, Santa Catarina e Paraná, além de estreitar a parceria com a Assolive. Hoje somos, de fato, uma entidade nacional”, afirmou.

    Entre os marcos de 2025, o dirigente ressaltou a visita de autoridades do Conselho Oleícola Internacional (COI). A agenda incluiu encontros em Campos do Jordão (SP), Maria da Fé (MG) e Porto Alegre (RS), com foco em desafios técnicos e na valorização do azeite extravirgem entre consumidores e especialistas. “Essas ações ajudaram a ampliar a visibilidade do produto e reforçar a credibilidade da produção brasileira”, acrescentou Obino.

    O Ibraoliva também intensificou o diálogo com o COI para aproximar o Brasil da futura adesão ao conselho, promovendo eventos com restaurantes, supermercadistas e profissionais de degustação. Outro avanço relevante veio com o convênio firmado com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) e a Asolur, entidade que reúne produtores do Uruguai. O acordo prevê pesquisas conjuntas para o desenvolvimento técnico da olivicultura e apoio à criação de um centro de referência no Rio Grande do Sul.

    Atuação em todas as área

    Na área regulatória, o instituto manteve posição firme contra o uso de herbicidas hormonais como o 2,4-D, defendendo o banimento desses produtos no país por seus riscos à fruticultura e à saúde pública. No campo jurídico, ingressou como amicus curiae em processo do Ministério Público de São Paulo que investiga fraudes em azeites importados. Sempre defendendo a realização de análises sensoriais para garantir a autenticidade do azeite extravirgem.

    O ano de 2025 também foi marcado por uma intensa agenda técnica e de promoção da cultura olivícola. Webinars e reuniões virtuais reuniram produtores brasileiros e uruguaios para discutir boas práticas desde o preparo do solo até o desenvolvimento das plantas. Além disso, o instituto apoiou e organizou eventos de destaque, como o Olivas no Cais, o primeiro Seminário Nacional de Olivoturismo. E o Simpósio Binacional de Olivoturismo, reforçando o potencial econômico, turístico e gastronômico do setor.

    Para 2026, Obino projeta continuidade e crescimento. “Construímos bases sólidas em 2025. Agora queremos ampliar a integração nacional, fortalecer a pesquisa e consolidar o azeite brasileiro no cenário internacional”, afirmou o presidente do Ibraoliva.

  • Azeite: preços caem pelo décimo mês seguido no Brasil

    Azeite: preços caem pelo décimo mês seguido no Brasil

    Os brasileiros que planejam preparar suas ceias de Natal e Réveillon podem comemorar: o azeite ficou significativamente mais barato em 2025. O produto acumula dez meses consecutivos de redução de preços, com deflação de 23,32% nos últimos 12 meses.

    Os dados são do Índice de Preços dos Supermercados (IPS), levantamento realizado pela APAS (Associação Paulista de Supermercados) em parceria com a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que monitora a variação de preços no setor ao longo do ano.

    Somente em novembro, o azeite apresentou redução de 0,37% nos preços. Quando analisado o acumulado de 2025, a queda chega a 22,69%, representando um alívio considerável para o orçamento das famílias brasileiras.

    “Esse comportamento vem sendo observado há dez meses consecutivos, principalmente em função da retomada da produção europeia e da isenção da alíquota de 9% sobre a importação do produto, adotada pelo governo federal”, explica Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS.

    O que explica a redução dos preços?

    Dois fatores principais contribuíram para a deflação do azeite no mercado brasileiro:

    Recuperação da produção europeia: após períodos de escassez causados por condições climáticas adversas, os principais países produtores da Europa voltaram a ter safras mais robustas, aumentando a oferta global do produto.

    Isenção de impostos: a medida do governo federal que zerou a alíquota de importação de 9% tornou o produto mais acessível no mercado interno. Permitindo que os supermercados repassassem parte dessa economia aos consumidores.

    Impacto positivo no setor de óleos

    Segundo o economista da APAS, a queda nos preços do azeite tem ajudado a conter a inflação no grupo de óleos vegetais. Embora o segmento tenha registrado alta de 2,63% em novembro, o acumulado anual apresenta deflação de 4,23%, com redução de 1,01% em 12 meses.

    A tendência de preços mais baixos para o azeite beneficia diretamente milhões de brasileiros que utilizam o produto tanto em receitas tradicionais das festas de fim de ano quanto no dia a dia. Consolidando 2025 como um ano de alívio para esse item essencial da cesta básica.

  • O azeite que nunca existiu: como arqueólogos foram enganados

    O azeite que nunca existiu: como arqueólogos foram enganados

    Durante décadas, arqueólogos ao redor do mundo celebraram descobertas de resíduos de azeite de oliva em cerâmicas antigas do Mediterrâneo como evidência do uso milenar deste ingrediente essencial. No entanto, uma pesquisa inovadora publicada no Journal of Archaeological Science questiona se essas identificações estavam realmente corretas.

    O novo estudo, liderado pela arqueóloga Rebecca Gerdes, da Universidade Cornell, demonstra que as características químicas dos solos ricos em cálcio encontrados na região mediterrânea podem ter levado a identificações equivocadas de azeite de oliva em artefatos da Idade do Bronze.

    O experimento que mudou perspectivas

    A pesquisa começou em 2019. Gerdes, então estudante de doutorado com formação em química e arqueologia, decidiu investigar como os resíduos orgânicos se comportam ao longo do tempo em diferentes tipos de solo.

    “Eu costumo descrever meu trabalho de maneira simples. Lavo pratos sujos antigos, guardo a água da enxágue e uso as moléculas nela para descobrir como as pessoas usavam suas panelas”, explicou Gerdes em comunicado oficial.

    Impedida de viajar a Chipre devido às restrições da pandemia de COVID-19, a pesquisadora trouxe amostras do solo cipriano para o Laboratório de Saúde do Solo da Cornell. Ali, em parceria com a engenheira química Jillian Goldfarb, desenvolveu um experimento inovador para simular condições de preservação arqueológica.

    A equipe criou pellets cerâmicos de argila terracota, mergulhou-os em azeite de oliva e os enterrou em dois tipos de solo: um de Chipre, rico em cálcio e alcalino, e outro dos campos agrícolas de Nova York, levemente ácido. As amostras permaneceram em incubadoras a 50°C por até um ano, acelerando o processo de degradação.

    “Conseguimos fazer isso no laboratório em uma taxa acelerada, para que eu não tivesse que esperar 3.000 anos para terminar meu doutorado”, brincou a pesquisadora.

    Resultados surpreendentes

    Os resultados foram reveladores: o solo alcalino e rico em cálcio de Chipre degradou significativamente os resíduos de azeite de oliva. Os biomarcadores específicos de óleos vegetais, conhecidos como ácidos dicarboxílicos, apresentaram perdas consideráveis em comparação com as amostras enterradas no solo de Nova York.

    Mais preocupante ainda. À medida que o azeite se degrada nessas condições, sua composição molecular começa a se assemelhar à de gorduras animais. Criando potencial para identificações completamente equivocadas.

    “Há definitivamente um sentimento entre os arqueólogos de querer acreditar que você encontrou azeite de oliva, porque faz uma boa história”, admitiu Gerdes. “E porque é um produto mediterrâneo economicamente tão importante, há uma suposição padrão de que, se você encontrou moléculas que correspondem ao azeite de oliva, então você deve ter encontrado azeite de oliva.”

    Implicações para a arqueologia mediterrânea

    A descoberta tem implicações profundas para a compreensão do comércio e da alimentação na Idade do Bronze Tardia (aproximadamente 1650 a 1100 antes da Era Comum). Muitas cerâmicas escavadas há anos, antes do desenvolvimento de tecnologias mais avançadas de análise, podem precisar ser reavaliadas.

    O estudo não testou diretamente artefatos preservados, mas oferece uma metodologia para reexaminar descobertas anteriores. Pode haver outros óleos vegetais ou gorduras animais nas relíquias arqueológicas esperando para serem corretamente identificados.

    “Uma das coisas que percebi no início do meu doutorado era que as pessoas faziam todo tipo de afirmação sobre o que encontraram em potes no Mediterrâneo Oriental. E havia muito espaço para embasar essas afirmações com experimentação mais sólida”, disse Gerdes.

    O futuro da análise de resíduos orgânicos

    A análise de resíduos orgânicos já é uma subdisciplina estabelecida da arqueologia, unindo químicos e arqueólogos para estudar a composição molecular de restos vegetais e animais. No entanto, este estudo destaca a importância de revisitar descobertas antigas com tecnologias modernas e considerar as condições ambientais específicas de cada sítio arqueológico.

    O trabalho de Gerdes demonstra que o contexto geológico é crucial para interpretar corretamente os vestígios químicos do passado. O solo de Chipre, comum em grande parte do Mediterrâneo Oriental, afeta múltiplos períodos históricos importantes, particularmente aqueles relacionados ao comércio e conectividade regional.

    Com estas descobertas, arqueólogos terão agora a oportunidade de reexaminar artefatos já catalogados. Revelando uma imagem mais precisa da dieta e das práticas culinárias das civilizações antigas. A pesquisa também serve como alerta para futuros estudos: a preservação de resíduos orgânicos varia drasticamente dependendo das condições do solo.

    Portanto, como concluiu Gerdes, ainda há muito trabalho pela frente. Parece que ela precisará continuar “lavando esses pratos sujos” para desvendar os verdadeiros segredos da culinária antiga do Mediterrâneo.

  • Azeite: mitos e verdades que você precisa conhecer

    Azeite: mitos e verdades que você precisa conhecer

    Você já parou pra pensar na história por trás daquela garrafa de azeite na sua cozinha? A oliveira não é só uma árvore qualquer, mas sim um verdadeiro símbolo de resistência que atravessou milênios produzindo um dos ingredientes mais versáteis da gastronomia.

    A oliveira carrega consigo uma história de longevidade impressionante. Ela cresce devagar, quase como se não tivesse pressa nenhuma, mas quando decide produzir, não para mais. Algumas dessas árvores continuam dando frutos depois de 150 anos, e existem exemplares milenares que seguem firmes até hoje.

    A Jornada surpreendente: da flor ao azeite

    Mas a história fica ainda mais interessante quando você descobre que essa árvore não entrega seus tesouros facilmente. Uma oliveira leva pelo menos cinco anos pra começar a dar frutos. É quase como se ela precisasse amadurecer primeiro, ganhar experiência.

    E aqui vem uma revelação que surpreende muita gente: não existe pé de azeitona verde separado do pé de azeitona preta. Toda azeitona nasce verdinha e vai escurecendo conforme amadurece. Simples assim. Mas esse detalhe aparentemente pequeno faz toda diferença no sabor final do azeite.

    Frutos colhidos ainda verdes geram azeites mais intensos, com aquele gostinho picante e amargo que divide opiniões. Já as azeitonas maduras produzem azeites mais suaves e delicados. é a natureza mostrando como um timing perfeito transforma tudo.

    Do campo à garrafa: um processo que exige precisão

    Produzir azeite é quase uma arte. São necessarios de cinco a seis quilos de azeitonas pra extrair apenas um litro de azeite. Isso mesmo, é 100% suco de azeitona, sem misturas ou atalhos. A marca Andorinha, por exemplo, faz a colheita de forma mecânica nos seus olivais, preservando a qualidade do fruto, e leva as azeitonas pro lagar em questão de horas.

    “Muitas pessoas não fazem a ligação direta entre a oliveira e a complexidade sensorial de um bom azeite”, explica Vasco Martins, Diretor Geral da Nutrifarms, empresa agrícola do Grupo Sovena. “Entender que o clima, o momento da colheita e a rapidez da extração são vitais para a qualidade do que chega à mesa valoriza todo o trabalho no campo. A oliveira é a verdadeira protagonista dessa história.”

    Mitos e verdades: o que você precisa saber

    • ✓ VERDADE: o mediterrâneo é o paraíso da oliveira

    Invernos amenos e chuvosos combinados com verões quentes e secos criam o ambiente perfeito pra oliveira prosperar. Não é atoa que a região mediterrânea domina a produção mundial.

    • ✗ MITO: azeitona Direto do Pé é Deliciosa

    Se você tiver a ideia de colher uma azeitona e comer na hora, prepare-se pra uma surpresa desagradável. O fruto in natura é extremamente amargo e precisa passar por um longo processo de cura antes de ficar comestível.

    • ✗ MITO: azeite não serve pra fritar

    Esse é um dos maiores equívocos. O azeite é uma das gorduras mais estáveis e saudáveis pra altas temperaturas, resistindo ao calor sem perder suas propriedades benéficas.

    • ✓ VERDADE: acidez é Coisa Séria (Mas Não do Jeito Que Você Pensa)

    A acidez é sim um parâmetro químico importante pra determinar a qualidade do azeite, mas você não consegue perceber isso no paladar. É uma medida técnica, não sensorial.

    • ✗ MITO: quanto mais velho, melhor

    Ao contrário do vinho, o azeite não melhora com o tempo. Na verdade, quanto mais novo, mais preservados estarão seus aromas, sabores e benefícios à saúde. Não guarde aquela garrafa especial pra daqui há cinco anos!

    • ✗ MITO: azeite na geladeira

    Não precisa. O ideal é manter em temperatura ambiente, num local fresco e principalmente protegido da luz. Por isso que as embalagens escuras funcionam melhor.

    Quer ver de perto? visite um olival em Portugal

    Pra quem curte experiências autênticas, existe uma oportunidade incrível: visitar o olival e o Lagar de Marmelo, na região de Ferreira do Alentejo, em Portugal. É lá que nascem os azeites Andorinha.

    A visita é gratuita e oferece uma imersão completa no universo do azeite. Um guia acompanha os visitantes explicando todas as fases de produção, e no final rola uma degustação onde você aprende a distinguir as diferenças entre os azeites.

    As visitas acontecem de segunda a sexta-feira, das 11h às 13h e das 14h às 17h. O agendamento pode ser feito pelo e-mail [email protected].