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  • Azeites europeus vendidos como extravirgens podem esconder fraude fiscal, aponta denúncia

    Azeites europeus vendidos como extravirgens podem esconder fraude fiscal, aponta denúncia

    O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) encaminhou uma denúncia aos órgãos de fiscalização da Receita Federal para apurar possível fraude tributária em azeites importados da Europa e vendidos no Brasil como extravirgens.

    A entidade baseia a suspeita na diferença de tributação entre as categorias: produtos extravirgens entram no país com alíquota de importação zero, enquanto os virgens pagam 9% de imposto.

    Análises judiciais motivaram a denúncia

    O Ministério da Agricultura realizou análises em azeites vendidos em supermercados brasileiros por determinação judicial, no âmbito de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de São Paulo. Os exames classificaram como virgens amostras de marcas comercializadas como extravirgens, entre elas Andorinha, Gallo, Borges, Gomes da Costa, Cocinero, Fillipo Berio e Carrefour.

    O Ibraoliva, que representa produtores brasileiros, já apontava havia anos divergências entre a qualidade informada nos rótulos e as características reais dos azeites importados. A entidade também questionava a compatibilidade entre os preços praticados e a classificação como extravirgem.

    Entidade defende separação entre categorias

    O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, defende a permanência do azeite virgem nas prateleiras, desde que corretamente identificado. “Sempre defendemos que o azeite virgem é uma gordura saudável que deve estar nas prateleiras dos supermercados brasileiros, ao lado, em gôndola separada, dos verdadeiros azeites extravirgens, todos com a rotulação correta e com preços compatíveis”, afirma.

    Olivas. Foto: Divulgação

    Segundo o Ibraoliva, alguns fatores explicam a perda de qualidade dos produtos. Entre eles, importadoras compram lotes antigos e mais baratos na Europa, sem informação clara sobre a data de produção. E o transporte transatlântico ocorre em contêineres sem refrigeração. Essas condições podem degradar o azeite e tirá-lo da categoria extravirgem antes de chegar ao consumidor.

    Diferença tributária ganha peso na discussão

    Assim, sendo, a questão fiscal passou a integrar o debate após mudanças recentes nas alíquotas de importação. O Acordo Comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor de forma provisória desde 1º de maio de 2026, prevê a eliminação gradual da tarifa sobre o azeite europeu ao longo de 15 anos.

    A Resolução GECEX 391, de agosto de 2022, havia fixado em 9% a alíquota para extravirgem, virgem e refinado. Já a Resolução GECEX 709, de março de 2025, zerou a tarifa apenas para os extravirgens importados da Europa e manteve os 9% para os virgens. Portanto, abrindo, segundo o Ibraoliva, uma brecha para a fraude.

    Obino Filho resume o raciocínio da entidad. “Sempre denunciamos que, mesmo que na origem o azeite tenha um laudo físico-químico que o classifique como extravirgem, caso chegue ao Brasil com defeitos sensoriais, precisa ser reclassificado para virgem. Se vendido como extravirgem, estamos diante de uma fraude de rotulagem, mas agora o cenário também inclui a questão tributária.”

    Ibraoliva pede apuração à Receita Federal

    Na denúncia, o Ibraoliva solicita que a Receita Federal investigue os casos em que o produto entrou no país como extravirgem, com alíquota zero. Mas apresentou características de virgem segundo os laudos do Ministério da Agricultura, categoria sujeita a 9% de imposto. Para a entidade, essa discrepância configura indício que merece apuração formal.

    Obino Filho relaciona ainda a escassez de azeites rotulados como virgens nas gôndolas brasileiras a esse desequilíbrio tributário. A situação, segundo ele, “talvez explique por que não são encontrados nas prateleiras dos supermercados azeites rotulados como virgens”.

    O presidente também compara a carga tributária entre o produto importado e o nacional. “Um rótulo que não corresponde ao produto, além de enganar o consumidor, pode levar a uma redução de 9% para 0% de impostos no azeite importado da Europa. Enquanto isso, a alíquota padrão de ICMS nas vendas internas do azeite brasileiro é de 12%. Precisamos defender os produtores e a indústria nacional do azeite e não podemos compactuar com possíveis fraudes.”

    Entidade propõe mudanças na tributação

    Além da denúncia, o Ibraoliva vai levar ao Governo Federal uma proposta para reverter a alíquota do azeite extravirgem importado a 9%. E seguindo depois a redução gradual prevista no acordo Mercosul-União Europeia.

    Além disso, a entidade também sugere zerar a tarifa do azeite virgem importado da Europa e manter a isenção de ICMS nas vendas interestaduais de azeites brasileiros.

  • Anvisa recolhe ricota Vaidosa e amplia lista de produtos proibidos em julho

    Anvisa recolhe ricota Vaidosa e amplia lista de produtos proibidos em julho

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a venda, a distribuição e o consumo da Ricota Fresca da marca Vaidosa. A decisão integra uma sequência de ações que a agência tomou nas últimas duas semanas contra alimentos, cosméticos e produtos de limpeza com irregularidades. E reforça o alerta sobre os riscos de consumir itens sob suspeita.

    Ricota recolhida pela Anvisa
    Foto: Reprodução

    A empresa Vaidosa Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. informou à Anvisa que recolherá voluntariamente os lotes 148, 153, 166 e 167 da Ricota Fresca. A companhia não comprovou documentalmente que o hidróxido de sódio usado no processo de fabricação atende à especificação de grau alimentício.

    A substância funciona como coadjuvante de tecnologia para corrigir o pH durante a produção do queijo. E o uso de um insumo fora do padrão adequado pode representar risco à saúde do consumidor.

    Anvisa também mirou azeite, doces e cosméticos

    A ricota não é o único produto que a Anvisa retirou de circulação recentemente. Na quarta-feira (22/7), a agência determinou o recolhimento de todos os lotes do Azeite de Oliva Extra Virgem da marca San Oliveto. Ele apresentou resultado insatisfatório em teste de índice de refração, parâmetro que avalia a qualidade e a autenticidade do produto. No mesmo dia, a Anvisa apreendeu os produtos da Indústria e Comércio de Doces Fatti a Mano. Os itens não possuíam registro nem regularização junto ao órgão. E eram fabricados em local sem licença de funcionamento.

    Azeite San Oliveto
    Foto: Reprodução

    Também na semana, a agência publicou a Resolução-RE nº 2.895/2026 e proibiu a comercialização de cinco produtos, entre eles um cosmético à base de cúrcuma e itens das empresas Biopharcos e Aptos Brasil, por veicularem alegações terapêuticas irregulares. Em todos esses casos, a empresa responsável e o CNPJ aparecem como desconhecidos, e a motivação da proibição é a venda sem registro ou notificação junto à Anvisa.

    A lista de recalls recentes inclui ainda dez produtos de limpeza e um purificador de ar sem autorização de fabricação, retirados do mercado por meio de cinco novas resoluções publicadas no Diário Oficial da União. A Anvisa orienta consumidores e comerciantes a interromperem imediatamente a comercialização e o uso desses itens.

    Quais riscos o consumo de produtos suspeitos representa

    Produtos recolhidos por falhas de composição, ausência de registro ou irregularidades no processo produtivo podem conter substâncias tóxicas, contaminantes ou concentrações fora do permitido pela legislação sanitária. No caso de insumos como o hidróxido de sódio fora da especificação alimentícia, a exposição pode causar irritação ou lesões no trato digestivo, dependendo da concentração residual no produto final.

    Casos anteriores mostram a gravidade do problema: a Anvisa já recolheu fórmulas infantis por risco de contaminação por toxina bacteriana e um lote de molho de tomate importado após a identificação de fragmentos de vidro na composição. Por isso, a agência recomenda que o consumidor nunca ignore um alerta de recall, mesmo que o produto pareça normal.

    O que fazer com um produto recolhido em casa

    O consumidor que tiver em casa qualquer item incluído em uma resolução de recolhimento deve parar de usá-lo ou consumi-lo imediatamente. A orientação da Anvisa é verificar o número do lote na embalagem, guardar o produto em local seco e fechado até descartá-lo corretamente. Além de buscar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) do fabricante para solicitar troca ou reembolso. Denúncias e dúvidas também podem ser registradas diretamente no site da Anvisa.

  • Produção de azeite de oliva no Brasil bate recorde histórico

    Produção de azeite de oliva no Brasil bate recorde histórico

    A produção brasileira de azeite de oliva alcançou 1,434 milhão de litros em 2026, o maior volume já registrado no país. O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) divulgou os dados nesta terça-feira (14), durante coletiva de imprensa em Porto Alegre (RS).

    O resultado representa alta de 496,75% em comparação com os 240,3 mil litros produzidos em 2025, ano marcado por condições climáticas adversas. O volume também superou em 123,98% o recorde anterior, de 640.228 litros, registrado em 2023.

    Rio Grande do Sul concentra a maior parte da produção nacional

    O Rio Grande do Sul liderou a produção do país, com 1,17 milhão de litros de azeite. O estado registrou aumento de 514,82% sobre os 190,3 mil litros produzidos em 2025 e superou em 101,64% o recorde estadual anterior, de 580.228 litros, obtido em 2023. O território gaúcho reúne 31 lagares (unidades que processam as azeitonas e extraem o azeite) e cerca de 390 produtores, conforme estimativa do Ibraoliva.

    Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo

    A região da Mantiqueira ocupou a segunda posição no ranking nacional, com 250 mil litros produzidos em 2026. Santa Catarina produziu 10 mil litros, seguida pelo Paraná, com 2,5 mil litros, e pelo Espírito Santo, com 1,5 mil litros.

    Ibraoliva destaca aprendizado acumulado pelos produtores

    A vice-presidente do Ibraoliva, Solange Neves, destacou que o resultado de 2026 superou a melhor marca já obtida pela olivicultura brasileira. “Tivemos uma safra muito boa em 2023, com 580 mil litros no Rio Grande do Sul. Agora, o estado supera esse recorde em 101,64%, enquanto o Brasil fica 123,98% acima da melhor marca anterior”, afirmou.

    Segundo Solange, o crescimento também reflete o aprendizado acumulado pelos produtores, a evolução do manejo e o trabalho desenvolvido pela cadeia produtiva. “Essa é uma conquista conjunta, construída com a organização dos produtores e a parceria entre instituições públicas e iniciativa privada. Temos avançado no manejo, compreendido melhor os efeitos das condições climáticas e trabalhado para produzir azeites de qualidade”, acrescentou.

    A vice-presidente também apontou que o desenvolvimento da olivicultura gera efeitos que vão além das propriedades rurais, especialmente nas regiões que concentram pomares, lagares e empreendimentos ligados ao turismo. Para ela, conhecer essas áreas amplia o consumo e a percepção sobre a produção nacional. “O Rio Grande do Sul concentra a maior área plantada e uma produção expressiva. Quando uma região se torna exemplo de produção, ela agrega valor para toda a comunidade, movimenta o município e cria oportunidades ligadas ao turismo. Precisamos conhecer mais as regiões produtoras do próprio estado e também de outras partes do Brasil, como a Mantiqueira”, observou.

    Governo gaúcho relaciona resultado a duas décadas de estruturação do setor

    O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, Marcio Madalena, associou o resultado à evolução da olivicultura desde o início de sua estruturação no estado, há pouco mais de duas décadas. “Trabalhávamos com uma projeção abaixo de 1 milhão de litros e não havia, até então, a expectativa de superar essa marca neste ano. Estamos falando de uma cultura que começou a ser trabalhada por volta de 2005 no Rio Grande do Sul e que, em pouco mais de 20 anos, consolidou o estado na produção brasileira”, afirmou.

    Madalena também relacionou o crescimento do volume ao reconhecimento que os azeites gaúchos vêm obtendo em competições internacionais. Segundo o secretário, a expansão acompanha a organização do setor produtivo e o trabalho conjunto entre iniciativa privada e poder público. “Não é apenas crescimento de produção. Ultrapassamos 1 milhão de litros justamente no momento em que começamos a acumular medalhas internacionais, consolidando o reconhecimento da qualidade do azeite de oliva gaúcho em nível global. É um setor que tem crescido de forma organizada, tanto da porteira para dentro quanto na representação da cadeia e na articulação com o serviço público”, concluiu.

  • Gordura do azeite pode reduzir risco de diabetes tipo 2

    Gordura do azeite pode reduzir risco de diabetes tipo 2

    Uma nova revisão científica publicada na revista Trends in Endocrinology & Metabolism sugere que a qualidade da gordura consumida pode influenciar diretamente o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

    O estudo reuniu evidências sobre dois ácidos graxos presentes na alimentação: o ácido palmítico, encontrado em diversos alimentos industrializados e de origem animal, e o ácido oleico, principal componente do azeite de oliva.

    Segundo os pesquisadores, os dois compostos exercem efeitos bastante diferentes sobre o metabolismo.

    O que a pesquisa descobriu

    O trabalho foi conduzido por cientistas da Universidade de Barcelona e da área de Diabetes e Doenças Metabólicas Associadas do Ciberdem.

    A análise apontou que o ácido palmítico está associado à redução da sensibilidade à insulina, condição considerada um dos principais fatores para o surgimento da diabetes tipo 2.

    Já o ácido oleico apresentou efeitos considerados mais favoráveis para o organismo.

    “O ácido palmítico, um ácido graxo saturado amplamente encontrado nos alimentos, está associado à diminuição da sensibilidade à insulina, enquanto o ácido oleico, abundante no azeite de oliva, pode ter um efeito protetor contra esses distúrbios metabólicos”, afirmou Manuel Vázquez-Carrera, um dos autores da revisão.

    Leia mais: Como nasce um bom azeite?

    Gordura saturada pode favorecer alterações metabólicas

    De acordo com os pesquisadores, o ácido palmítico desencadeia uma série de processos celulares relacionados ao desenvolvimento da diabetes tipo 2.

    A revisão indica que essa gordura favorece o acúmulo de compostos associados a danos metabólicos e estimula processos inflamatórios persistentes.

    Além disso, pode comprometer o funcionamento de estruturas essenciais para o equilíbrio celular.

    “Em nível molecular, o ácido palmítico promove a acumulação de lípidos bioativos potencialmente tóxicos, fomenta uma inflamação crônica de baixo grau e contribui para a disfunção de organelas celulares”, explicou Xavier Palomer, primeiro autor do artigo.

    Esses mecanismos podem reduzir a capacidade do organismo de responder adequadamente à insulina.

    Azeite de oliva aparece como aliado da saúde metabólica

    Os resultados observados para o ácido oleico foram diferentes.

    Presente principalmente no azeite de oliva, essa gordura monoinsaturada ajuda o corpo a armazenar gordura de forma menos prejudicial e pode contribuir para preservar a ação da insulina.

    Segundo os autores, o composto demonstrou benefícios em tecidos importantes para o metabolismo, incluindo fígado, músculos e tecido adiposo.

    A revisão também sugere que o ácido oleico pode amenizar parte dos efeitos associados ao ácido palmítico.

    Dieta mediterrânea ganha reforço científico

    Os pesquisadores afirmam que os resultados ajudam a explicar por que a dieta mediterrânea costuma ser associada a menores índices de diabetes tipo 2.

    Esse padrão alimentar é caracterizado pelo consumo frequente de azeite de oliva, frutas, legumes, grãos e oleaginosas.

    Diversos estudos anteriores já apontaram benefícios desse modelo alimentar para a saúde cardiovascular e metabólica.

    Leia mais: Dieta nórdica: é anti-inflamatória, pode ajudar a dormir melhor e viver mais

    Qualidade da gordura pode ser mais importante que a quantidade

    Uma das principais conclusões da revisão científica é que o tipo de gordura consumida pode ser tão importante quanto a quantidade ingerida.

    Os autores ressaltam, porém, que ainda são necessários novos estudos para compreender melhor como diferentes fontes de gordura interagem com outros nutrientes e influenciam o risco de diabetes tipo 2.

    Fatores como processamento dos alimentos, origem dos ingredientes e hábitos alimentares também devem ser considerados na avaliação dos impactos sobre a saúde.

  • Da azeitona à garrafa: como nasce um bom azeite

    Da azeitona à garrafa: como nasce um bom azeite

    O rótulo promete “extra virgem” e “extração a frio”, mas poucos consumidores sabem o que essas palavras realmente significam. Entre a colheita da azeitona e o momento em que o azeite chega à mesa, o fruto passa por um processo rápido, mecânico e extremamente sensível à temperatura. Um atraso de poucas horas ou um aumento de poucos graus já compromete o sabor, o aroma e os benefícios nutricionais do produto final.

    azeite sendo derrubado em uma vasilha
    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    No Brasil, regiões como a Serra da Mantiqueira (MG/SP) e o Rio Grande do Sul lideram essa produção em expansão. Aline Coquieri Belli, responsável pela produção de azeite da Vinícola Guaspari, em Espírito Santo do Pinhal (SP), e Cláudia Santos, sommelière de azeites e mestra de lagar da Fazenda Serra dos Tapes, em Canguçu (RS), acompanham de perto cada etapa desse processo. A seguir, entenda o caminho que a azeitona percorre até virar azeite.

    A colheita: o relógio começa a contar

    Tudo começa no momento exato da colheita, geralmente feita à mão ou com auxílio de maquinário, nas primeiras horas da manhã, quando a fruta atinge o ponto ideal de maturação. A partir daqui, a azeitona entra em uma corrida contra o tempo: quanto mais cedo ela chegar ao lagar, o local onde acontece o processamento, melhor.

    Segundo Aline Coquieri Belli, o transporte rápido das azeitonas até o lagar evita a fermentação e a oxidação da fruta, dois processos que aumentam a acidez e derrubam a qualidade do azeite. Na avaliação da especialista, o ideal é que toda essa etapa, da colheita ao início do processamento, leve no máximo um dia. Algumas produtoras, como a própria Fazenda Serra dos Tapes, mantêm o lagar junto ao olival justamente para reduzir essa distância ao mínimo.

    Lavagem e moagem: a fruta vira pasta

    No lagar, as azeitonas passam primeiro por uma lavagem, que remove folhas, gravetos e impurezas. Em seguida, entram na moedora, que tritura o fruto inteiro, incluindo o caroço, até formar uma massa espessa e homogênea, conhecida como pasta de azeitona ou pasta de oliva.

    colheita de azeitonas
    Colheita de azeitonas para produção do azeite Mantikir. Foto: Régis Silva/Divulgação

    Essa etapa precisa acontecer logo depois da colheita. Quanto mais tempo a azeitona espera antes da moagem, maior o risco de fermentação, o que prejudica diretamente o sabor e a acidez do azeite.

    Malaxagem: a etapa que decide a qualidade

    Depois de moída, a pasta segue para a malaxagem (também chamada de batedura), um processo de mistura lenta e contínua que dura, em média, entre 30 e 60 minutos. A função dessa etapa é unir as pequenas gotículas de azeite espalhadas pela pasta, formando gotas maiores que a centrífuga consegue separar com mais eficiência depois.

    É exatamente aqui que mora o segredo da “extração a frio”: durante toda a malaxagem, a temperatura da pasta não pode ultrapassar 27°C. Acima desse limite, as reações químicas de oxidação se aceleram, e o azeite perde polifenóis, vitamina E e os compostos voláteis responsáveis pelo aroma. O calor até aumenta o volume de óleo extraído, mas reduz a qualidade sensorial e nutricional do produto. Uma troca que os bons produtores evitam.

    Na Fazenda Serra dos Tapes, batedeiras equipadas com sistema de refrigeração mantêm essa temperatura sob controle constante durante todo o processo, segundo explica Cláudia Santos. A especialista lembra ainda que o termo “prensado a frio”, comum em rótulos antigos, descreve um método já praticamente abandonado pela indústria: hoje, a extração não usa mais prensas mecânicas, e sim centrífugas, o que torna “extraído a frio” a expressão tecnicamente correta.

    Centrifugação: o fim das prensas tradicionais

    Até algumas décadas atrás, a separação do azeite acontecia por meio de prensas hidráulicas, que pressionavam fisicamente a pasta entre discos de fibra. O método funcionava, mas expunha o azeite a mais oxigênio e oferecia menos controle de higiene e eficiência.

    Os lagares modernos substituíram as prensas por decantadores centrífugos, equipamentos que giram a alta velocidade e separam o azeite da água de vegetação e do bagaço (a parte sólida da azeitona) em um processo contínuo, rápido e muito mais preciso. Essa centrifugação acontece, também, dentro do limite de temperatura da extração a frio.

    Decantação, filtragem e engarrafamento

    Depois de separado, o azeite ainda carrega pequenas partículas sólidas em suspensão. Algumas produtoras deixam o líquido em repouso por um período curto, permitindo que essas impurezas decantem naturalmente. Outras optam pela filtragem, que retira até os últimos resíduos e deixa o azeite mais límpido. Essa é apenas uma escolha estética, já que o azeite turvo (não filtrado) não perde qualidade por isso.

    A etapa final é o envase. As garrafas costumam ser de vidro escuro, e o motivo é técnico, não apenas estético: a luz acelera a oxidação do azeite e degrada seus compostos com a mesma rapidez que o calor. Embalagens escuras, frascos metálicos ou caixas protegem o produto até a abertura.

    Como saber se um azeite é mesmo de qualidade

    Os rótulos trazem alguns números que ajudam o consumidor a avaliar o que está comprando. A acidez, expressa em ácido oleico, não pode ultrapassar 0,8% para um azeite ser classificado como extravirgem. Porém, os de altíssima qualidade costumam ficar abaixo de 0,2%. Já o índice de peróxidos mede o grau de oxidação do produto: quanto mais baixo, mais fresca foi a azeitona e mais cuidadoso foi o processo de extração.

    Cláudia Santos destaca outro diferencial dos azeites brasileiros: por chegarem às prateleiras logo após a produção, eles preservam frescor e sabor que muitos importados, depois de meses em trânsito, já não conseguem manter.

    O Brasil entrando na rota do azeite extravirgem

    A olivicultura nacional é recente, mas cresce rápido. Maria da Fé, no Sul de Minas Gerais, é considerada o berço do azeite brasileiro. A cidade recebeu as primeiras mudas de oliveira na década de 1930, trazidas por um imigrante português que notou semelhanças entre o clima local e o de sua terra natal. Décadas depois, em 2008, pesquisas da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) resultaram na primeira extração de azeite extravirgem do país.

    produtor de azeite colhendo azeitonas
    Herbert Sales, produtor do azeite Mantikir, durante a colheita da safra 2026. Foto: Régis Silva/Divulgação

    Hoje, regiões como a Serra da Mantiqueira e o interior do Rio Grande do Sul reúnem produtores que aplicam tecnologia de ponta na produção. E seguem rigorosamente o controle de temperatura da extração a frio, para colocar o azeite brasileiro no mesmo patamar dos grandes produtores internacionais.

  • Receita Federal apreende R$ 1,5 milhão em vinhos e azeites argentinos contrabandeados

    Receita Federal apreende R$ 1,5 milhão em vinhos e azeites argentinos contrabandeados

    Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil desarticularam, na última sexta-feira (5), um esquema de contrabando de vinhos e azeite argentino no município de Barracão, no Sudoeste do Paraná. A operação resultou na apreensão de uma carga avaliada em mais de R$ 1,5 milhão e na prisão em flagrante de um suspeito.

    Foto: Sindireceita

    A ação integrou a Operação Brasil, iniciativa federal de combate ao crime organizado, e contou com a participação do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFRON), da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) e da Polícia Federal. Equipes monitoravam um imóvel na região com suspeita de servir como depósito de mercadorias ilícitas antes de a operação ser deflagrada.

    O que os agentes encontraram

    Durante a abordagem ao imóvel, os fiscais e policiais localizaram:

    • 216 galões de azeite de oliva (equivalente a 1.080 litros)
    • 1.321 caixas de vinho (totalizando 6.605 garrafas)

    Nenhum dos produtos tinha documentação legal para ingresso no território brasileiro, requisito obrigatório para importação regular, que inclui registro na Receita Federal, pagamento de impostos como II (Imposto de Importação) e IPI, além de autorização sanitária do Ministério da Agricultura. A ausência desses documentos configura crime de descaminho ou contrabando, sujeito a penas de um a quatro anos de reclusão, conforme o Código Penal brasileiro.

    Os agentes também identificaram três veículos utilizados na logística do esquema: um Fiat Siena, uma Volkswagen Amarok e uma Fiat Toro.

    Fronteira do Paraná com a Argentina, ponto estratégico para o contrabando

    Barracão faz fronteira seca com Bernardo de Irigoyen, na província argentina de Misiones, uma das rotas historicamente mais exploradas pelo contrabando no Sul do Brasil. A proximidade com a Argentina, aliada ao alto diferencial de preços de produtos como vinho e azeite entre os dois países, torna a região um alvo frequente de operações da Receita Federal e das forças de segurança.

    Vinhos e azeites argentinos chegam a custar até 60% menos do que os similares comercializados legalmente no Brasil. Portanto, isso torna o contrabando financeiramente atrativo para organizações criminosas.

    O suspeito preso em flagrante foi levado à Delegacia da Polícia Federal. Já os três veículos apreendidos e toda a mercadoria seguiram para a unidade da Receita Federal em Dionísio Cerqueira, onde passam por procedimentos fiscais e administrativos. O prejuízo estimado ao esquema criminoso supera R$ 1,5 milhão.

  • Começa hoje a Olifeira, maior feira de azeite de oliva da América Latina

    Começa hoje a Olifeira, maior feira de azeite de oliva da América Latina

    O Preview da Olifeira, maior evento de celebração da cultura do azeite de oliva da América Latina, acontece nesta quinta-feira (28), em Guaíba (RS). O encontro reúne convidados, empresários, autoridades e imprensa, além de fortalecer relações institucionais com consulados e Câmaras de Comércio de países como Espanha, Portugal, Uruguai e Itália.

    Além disso, a iniciativa amplia a proposta de internacionalização da feira, que busca aproximar o público de diferentes tradições ligadas à olivicultura mundial.

    A 5ª edição da Olifeira ocorrerá entre os dias 14 e 18 de outubro de 2026, no Largo José Claudio Machado, na orla de Guaíba. Neste ano, o tema será “De Volta às Origens”, conceito que pretende reconectar visitantes à história, cultura, gastronomia e tradições da oliveira.

    O evento é promovido pela Abrazeite (Associação Brasileira de Consumidores e Azeite de Oliva e Derivados) com patrocínio master da Prefeitura de Guaíba. A feira também conta com apoio de empresas como Pinenge Empreendimentos Imobiliários, Azeites Prosperato, Tenuta do Bosque, Casa Perini e Hotel IBIS Style POA Centro.

    Evento terá expositores de diferentes estados

    A organização já confirmou o retorno de expositores que participaram da última edição. Com isso, produtores do Rio Grande do Sul, além de representantes de São Paulo e Minas Gerais, marcarão presença na feira.

    Ao mesmo tempo, novas marcas e parceiros seguem em negociação para integrar a programação. A expectativa é ampliar a diversidade de experiências, produtos e conexões ligadas ao setor.

    Olifeira movimentou mais de R$ 12 milhões em 2025

    A edição de 2025 consolidou a Olifeira como a principal feira da olivicultura latino-americana. O evento reuniu mais de 120 expositores e recebeu cerca de 150 mil visitantes durante quatro dias.

    Além disso, a feira movimentou mais de R$ 12 milhões na economia regional, impactando diretamente setores como turismo, hotelaria, gastronomia, comércio, agronegócio e serviços.

    Brasil projeta crescimento recorde na produção de azeite

    Segundo dados da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, o Rio Grande do Sul possui aproximadamente 6,5 mil hectares de oliveiras plantadas. Em todo o Brasil, o cultivo ocupa cerca de 10 mil hectares.

    Atualmente, o estado reúne cerca de 340 produtores distribuídos em mais de 100 municípios, respondendo por aproximadamente 75% da produção nacional de azeite de oliva.

    Para 2026, o setor projeta a maior safra da história do país. A expectativa é superar o volume registrado em 2023, quando a produção alcançou cerca de 640 mil litros.


    Produção brasileira de azeite de oliva deve crescer mais de 55% em 2026 — Foto: MAPA

    De acordo com a Abrazeite, a previsão aponta crescimento superior a 55%, impulsionado pelo avanço técnico da cadeia produtiva e pelas condições climáticas favoráveis.

    Com isso, consumidores poderão conhecer, degustar e adquirir azeites nacionais durante a realização da Olifeira.

    Reconhecida como o Portal da Rota das Oliveiras, Guaíba também reforça sua posição estratégica dentro da olivicultura gaúcha. A prefeita Claudinha Jardim destacou a importância da próxima edição do evento.

    “Em 2026, ano em que o município celebra seu centenário, a 5ª Olifeira prepara uma programação cuidadosamente pensada para valorizar história, cultura, turismo, gastronomia e as origens que aproximam o público do universo da oliveira”, afirmou.

  • Safra 2026 de azeitonas bate recorde na Serra Gaúcha

    Safra 2026 de azeitonas bate recorde na Serra Gaúcha

    O Olivas de Gramado alcançou um marco histórico na safra de azeitonas de 2026 e consolidou o melhor desempenho desde o início da produção, em 2020. Em cerca de 60 dias de colheita, o empreendimento colheu aproximadamente 80 toneladas de azeitonas, cultivadas em mais de 12,6 mil oliveiras distribuídas em 29 hectares, na Serra Gaúcha.

    O volume representa um crescimento de 220% em relação à safra de 2025, quando a produção somou 25 mil quilos. O resultado garantiu a extração de mais de 10 mil litros de azeite extravirgem no lagar próprio, destinado às linhas especiais aromatizadas e ao rótulo Terroir Serrano, já reconhecido em mais de dez concursos internacionais.

    O avanço na produção reflete o manejo preciso dos olivais, aliado às condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo. A equipe técnica também contribuiu diretamente para o desempenho, ao manter padrões elevados nas etapas de colheita e extração.

    Segundo o CEO e mestre lagareiro do Olivas de Gramado, André Bertolucci, a safra representa uma recuperação importante após anos desafiadores. “Depois de duas safras impactadas pelo clima, 2026 trouxe um recorde absoluto na quantidade de frutos colhidos, tanto no Olivas de Gramado quanto na maior parte dos olivais do Rio Grande do Sul”, afirma.

    Bertolucci destaca ainda o impacto do crescimento para o mercado. “O aumento da produção abre espaço para novos mercados. E fortalece o azeite brasileiro, que já se destaca pela qualidade e agora alcança um número maior de consumidores”, completa.

    Premiações internacionais

    A safra 2026 já conquistou reconhecimento fora do país. O azeite produzido pelo Olivas de Gramado recebeu medalha de ouro no Anatolian International Olive Oil Competition, na Turquia, e no Masters of Olive Oil, em Monte Carlo.

    O rótulo Terroir Serrano ainda participará de outras competições relevantes ao longo do ano, como o EVOO IOOC, na Itália, e o London IOOC, na Inglaterra.

    Olivoturismo em expansão

    Pioneiro no olivoturismo no Brasil, o Olivas de Gramado amplia sua atuação ao integrar produção agrícola e experiência turística. Localizado na Linha Nova, marco zero do município, o parque ocupa uma área cercada por Mata Atlântica e formações naturais com cristais de quartzo.

    O empreendimento oferece atrações que combinam lazer, gastronomia e educação. Entre as experiências disponíveis estão visitas guiadas pelos olivais, degustações sensoriais de azeite, trilhas ecológicas e atividades interativas.

    A estrutura inclui trattoria, cafeteria, áreas para piquenique e espaços temáticos. Os visitantes também podem participar de experiências como a criação de blends personalizados de azeite e imersões sobre a história e cultura da olivicultura.

  • Azeite é retirado do mercado por fraude; produto tem mistura de outros óleos

    Azeite é retirado do mercado por fraude; produto tem mistura de outros óleos

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) emitiu alerta de risco ao consumidor e determinou o recolhimento imediato de um lote de azeite de oliva extravirgem da marca San Paolo (lote 260289), após análise laboratorial confirmar adulteração no produto. O azeite está impróprio para consumo humano e não deveria estar sendo comercializado.

    Foto: Divulgação / Mapa

    Amostras do produto foram coletadas durante fiscalização conduzida pela Superintendência Federal de Agricultura em São Paulo (SFA-SP) e enviadas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Goiás. O laudo confirmou a presença de outros óleos vegetais misturados ao azeite, o que caracteriza fraude alimentar e desclassifica o produto como extravirgem.

    Com base no resultado, a Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) determinou o recolhimento imediato do lote em todo o território nacional.

    Empresa tem endereço e CNPJ não localizados

    Durante as apurações, o Mapa identificou irregularidades graves relacionadas à empresa importadora e comercializadora do produto. O endereço e o CNPJ constantes nos rótulos e nos documentos fiscais não foram localizados ou confirmados pelas autoridades.

    A SFA-SP notificou a empresa, mas ela não respondeu dentro do prazo legal e receberá autuação administrativa. A comercialização do produto irregular configura infração grave. Assim, os estabelecimentos que mantiverem o lote à venda também poderão responder administrativamente.

    O que fazer se você comprou o produto

    O Mapa orienta que consumidores que adquiriram o azeite San Paolo lote 260289 tomem as seguintes medidas:

    • Interrompam imediatamente o uso do produto;
    • O Código de Defesa do Consumidor garante ao consumidor o direito de solicitar a substituição ou o reembolso ao estabelecimento onde realizou a compra;
    • Registrem denúncias sobre a comercialização do lote na plataforma oficial Fala.BR.

    O Ministério recomenda ainda que, antes de comprar qualquer azeite, os consumidores verifiquem atentamente as informações dos rótulos. Especialmente marca, lote, CNPJ do fabricante/importador e o registro no Mapa.

  • Melhor azeite do mundo lança safra 2026 com produção recorde

    Melhor azeite do mundo lança safra 2026 com produção recorde

    A Vinícola Essenza lança no mercado nacional, em maio, a safra 2026 dos azeites Mantikir. E chega a ela com um feito inédito: o blend Summit Premium tornou-se o primeiro azeite brasileiro a ocupar o topo do ranking mundial da Escuela Superior del Aceite de Oliva (ESAO), sendo eleito simultaneamente o melhor do mundo e o melhor do Brasil.

    A safra reúne quatro rótulos; o blend Summit Premium e os monovarietais Coratina, Grappolo e Arbequina. E projeta produção de até 6 mil litros. Isso é o dobro do volume registrado em 2025, quando a vinícola extraiu cerca de 3 mil litros de azeite premium.

    Serra da Mantiqueira: o olival mais alto do mundo

    A produção acontece na Fazenda Tuiuva, em Maria da Fé (MG), onde 3.500 oliveiras em plena produção, de um total de 6.000 plantas distribuídas em cerca de 51 hectares, crescem entre 1.700 m e 1.910 m de altitude. Essa faixa posiciona a área como o olival mais alto do mundo.

    O portfólio de variedades inclui Arbequina, Coratina, Grappolo, Koroneiki, Picual e Maria da Fé, com Frantoio e Oleana previstas para entrar em produção em 2027. As plantas têm, em média, cinco anos de idade, e o avanço fisiológico delas explica boa parte do salto produtivo desta safra.

    O proprietário e produtor de azeite, Herbert Sales, no olival mais alto do mundo, em Maria da Fé, Minas. Foto: Régis Silva/Divulgação

    “O ganho de volume acompanha a entrada das plantas em um estágio mais produtivo e a capacidade de ajustar o manejo ao comportamento do ambiente”, afirma Herbert Sales, proprietário da Vinícola Essenza. “A produção de azeite depende de decisões tomadas ao longo de todo o ciclo. E o refinamento técnico permite reduzir variações e melhorar a previsibilidade da safra.”

    Temporada internacional de prêmios começa antes da comercialização

    Antes de chegar às prateleiras, o Mantikir 2026 já acumulou conquistas expressivas no circuito internacional de concursos de azeites extravirgens.

    No CINVE Group, o Summit Premium e o Coratina receberam medalhas de Ouro, tornando a Vinícola Essenza a única representante do Sudeste brasileiro entre os premiados da edição. No Evooleum Awards 2026, o maior guia espanhol de azeites do mundo, dois rótulos da vinícola entraram para o Top 100 global. O Summit Premium conquistou o título de “Best of Brazil” e o 11º lugar na categoria de larga escala, com 93 pontos e acidez de 0,12%. E o Grappolo Epamig estreou no Top 20 da categoria de produção limitada até 2.500 litros, com 92 pontos e acidez de 0,07%.

    O ponto alto da temporada veio com a vitória na ESAO. O Mantikir Summit Premium sagrou-se o melhor azeite do mundo, a primeira vez que um produto brasileiro alcança essa posição no guia.

    “Abrir a safra com dois rótulos premiados em um concurso internacional como o CINVE insere o produto no mercado já validado sob critérios técnicos reconhecidos, o que amplia a leitura sobre consistência de qualidade e precisão no processo produtivo”, comemora Herbert Sales.

    Colheita em duas etapas: concursos e mercado têm perfis distintos

    Para participar dos primeiros concursos do ano, a Vinícola Essenza antecipou parte da colheita ainda em janeiro, com volume reduzido destinado exclusivamente às avaliações. Nessa fase, azeitonas em estágio mais precoce de maturação resultam em azeites com perfil mais herbáceo, maior concentração de clorofila e menor desenvolvimento de notas frutadas.

    A colheita comercial da safra 2026 teve início em março, após um verão mais frio e chuvoso que retardou o desenvolvimento da fruta. Cerca de 50 dias de colheita manual, com manejo diário ajustado ao clima e ao estágio de maturação das azeitonas, marcaram o ciclo.

    “Existe uma diferença clara entre o azeite produzido para envio aos concursos e aquele destinado ao mercado, tanto no ponto de colheita quanto no perfil sensorial. Antecipar essa produção permite atender as exigências dos concursos sem comprometer o restante da safra, que segue outro ritmo de maturação. E resulta em azeites mais completos do ponto de vista estrutural”, explica Sales.

    Extração em baixa escala preserva qualidade extravirgem

    A extração acontece no lagar de Quelemém (MG), com capacidade de processamento de 100 kg por hora, uma escala intencional que garante maior controle sobre as etapas de batimento e separação. Esse ritmo preserva compostos voláteis e antioxidantes naturais, determinantes para a classificação como azeite extravirgem.

    O rendimento entre azeitona colhida e azeite extraído varia conforme o estágio de maturação da fruta. No início da colheita, com menor concentração de óleo na polpa, cada 100 kg de azeitona gera entre 10 e 12 litros de azeite. No meio e no final do ciclo, com maior acúmulo lipídico, esse rendimento sobe para 14% a 15%. Ou seja, até 15 litros por 100 kg processados.

    Terroir de altitude: decisões que não seguem calendário

    Na Serra da Mantiqueira, altitude, amplitude térmica, relevo e manejo se combinam para definir o ritmo de maturação, o teor de óleo e o ponto ideal de colheita de cada lote. Pequenas variações de temperatura, insolação e umidade alteram tanto a concentração de óleo quanto o perfil sensorial do azeite.

    “O terroir aqui impõe uma leitura contínua do ambiente. A decisão de colheita não segue um calendário fixo. ela depende do comportamento da fruta em diferentes áreas do olival e define simultaneamente rendimento, estabilidade e características aromáticas do produto”, conclui Herbert Sales.