Mulheres da Amazônia transformam cacau orgânico em chocolate artesanal

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Na Comunidade da Missão, a cerca de 8 quilômetros de Tefé (AM), 22 mulheres transformam cacau orgânico colhido na floresta em barras de chocolate e ovos de Páscoa artesanais. O grupo alia técnicas herdadas de gerações anteriores a um modelo agroecológico certificado, produzindo chocolates que chegam ao mercado mais baratos que os industrializados. E com história dentro da embalagem.

Foto: Tácia Melo/Instituto Mamirauá

A produção segue o ritmo da floresta. Em dezembro, as produtoras adentram a mata para colher os frutos. Com a chegada do verão amazônico, retiram as amêndoas e iniciam a secagem. A partir daí, cada etapa, fermentação, torra, moagem, acontece nas próprias casas, com fornos artesanais e moinhos manuais. O resultado são bombons de castanha com chocolate, barras de cacau e ovos de Páscoa que chegam à comunidade e à cidade de Tefé.

“Esse trabalho vem das nossas mães, dos nossos antepassados. A gente aprendeu com elas a cuidar da terra, a produzir sem destruir e a valorizar o que é nosso”, diz Bernadete Araújo, coordenadora do Grupo de Produção Orgânica da Comunidade. “Hoje, com ajuda de parceiros e instituições, a gente continua fazendo com muito orgulho.”

Certificação pioneira

O grupo não apenas produz, ele também abriu caminho. Em 2021, tornou-se o primeiro da região de Tefé a conquistar a certificação orgânica, resultado de um processo iniciado em 2019 que incluiu visitas de verificação, avaliação de pares e o preenchimento do Plano de Manejo Orgânico (PMO), exigido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O coletivo se formalizou primeiro como Organização de Controle Social (OCS) e depois evoluiu para Sistema Participativo de Garantia (SPG).

O Instituto Mamirauá acompanha a iniciativa desde 2020, oferecendo assessoria técnica em manejo agroecológico, apoio nas etapas de certificação e acesso a políticas públicas.

“Temos contribuído com o fortalecimento da produção orgânica, com cursos que envolvem a prática do manejo agroecológico de diversas espécies frutíferas naquela região, incluindo o cacau”, afirma Fernanda Viana, coordenadora do Programa de Manejo de Agroecossistemas do Instituto Mamirauá.

Outras instituições também integram essa rede de apoio: IFAM, Sebrae, Sempa, Prefeitura de Tefé, a Rede Maniva de Agroecologia (Rema) e a empresa Na’Kau.

Páscoa com sabor de floresta

Para este ano, as produtoras apostam na expansão das vendas. Com preços abaixo dos chocolates industriais e o diferencial orgânico e artesanal, os produtos ganham cada vez mais espaço fora da comunidade.

Foto: Tácia Melo/Instituto Mamirauá

Além da comercialização, a Páscoa de 2025 marca uma estreia: no dia 4 de abril, a Comunidade da Missão realiza a 1ª Caça aos Ovos de Páscoa para as crianças locais, com estande de venda de ovos de chocolate. A iniciativa transforma a produção em celebração. E mostra que, na Amazônia, chocolate também é cultura.

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