Tag: Páscoa

  • Conheça a língua do bacalhau, prato típico da Europa nessa época

    Conheça a língua do bacalhau, prato típico da Europa nessa época

    Preparado com batatas, azeitonas, azeite e outros ingredientes, o bacalhau faz parte de muitas refeições familiares nessa época do ano. A espécie mais conhecida do peixe, cientificamente chamada de gadus morhua, presente ao longo do oceano atlântico, pode atingir mais de 1 metro de comprimento e pesar até 90 quilos.

    Considerado um peixe nobre, o modo de preparo clássico é a salga, tradição que remonta aos tempos medievais. O método permitia conservar a carne por mais tempo, sobretudo durante longas viagens.

    No Brasil, o consumo do bacalhau pode ser atribuído à herança portuguesa. No país europeu, o Conselho de Produtos do Mar, em 2025, estimou o consumo anual em torno de 16 quilos per capita. Já a Noruega, grande exportadora do peixe, calcula um comércio de 35 mil toneladas com os portugueses. O rei das mesas pascais é quase um imperador anual na terra de Cabral.

    A cabeça ninguém vê. Mas e a língua?

    A ausência da cabeça do bacalhau, por vezes, vira motivo de piada. Contudo, razões práticas explicam essa falta. O peixe encontrado nos mercados brasileiros já passou pelo processo de salga, retirada das vísceras e de outras partes menos consumidas no país.

    Isso não significa, porém, que essa parte seja desprezada. Na Europa, a cabeça é utilizada no preparo de caldos ou na fabricação de ração e óleos.

    A língua é outro caso. Embora a cabeça não tenha carne que justifique o amplo aproveitamento, a língua do peixe, desde aqueles tempos medievais, é consumida como petisco, geralmente empanada, com acompanhamento de molho tártaro, ou mesmo cozida.

    Feijoada de sames e línguas de bacalhau. Foto: Um Prato Português / A Portuguese Dish/Flickr

    Em restaurantes portugueses especializados, não é raro encontrar pratos como “Língua de bacalhau à mediterrânea”, “Al pil-pil” ou “com arroz das mesmas”. Constituída sobretudo de pele e músculo, ricas em colágeno, essas línguas pesam até 30 gramas e medem cerca de 8 centímetros. Há algumas semanas, no Mercado Municipal de São Paulo, um antigo comerciante chegou a lembrar que o produto já foi bastante procurado.

    Famosa pelo sabor e maciez, a língua do bacalhau é um ítem requisitado pelos chefs europeus e ilustra a variedade de preparos de um peixe com longa tradição culinária e presença  garantida nas celebrações pascais no Brasil.

    Boa Páscoa!

  • Por que não se come carne na Sexta Feira Santa? Entenda a tradição

    Por que não se come carne na Sexta Feira Santa? Entenda a tradição

    Por que não se come carne na Semana Santa? Entenda a origem da tradição

    Todos os anos, durante a Semana Santa, milhões de pessoas mudam seus hábitos à mesa e evitam o consumo de carne, especialmente na Sexta-feira Santa. A tradição é tão comum que atravessa gerações, mas nem todo mundo sabe o verdadeiro motivo por trás desse costume.

    A prática, no entanto, vai muito além da alimentação.

    Uma tradição ligada ao sacrifício de Jesus

    A Sexta-feira Santa marca, para os cristãos, o dia da crucificação de Jesus Cristo. Por isso, a data é considerada um momento de luto, reflexão e respeito.

    Nesse contexto, a Igreja Católica orienta os fiéis a praticarem o jejum e a abstinência de carne como forma de se aproximar espiritualmente desse momento. A ideia é lembrar o sacrifício de Cristo e viver um período de maior introspecção.

    Por que justamente a carne?

    A escolha de evitar a carne não é aleatória. Historicamente, esse alimento sempre esteve associado a festas, abundância e prazer.

    Por isso, abrir mão da carne representa um gesto simbólico de renúncia. Ao evitar um alimento considerado mais “nobre”, o fiel pratica um pequeno sacrifício em sinal de respeito e devoção.

    Além disso, algumas tradições também relacionam a abstinência ao derramamento de sangue, já que a carne vem de animais abatidos, o que reforça o simbolismo com a morte de Cristo.

    E por que o peixe é permitido?

    Uma das dúvidas mais comuns é sobre o consumo de peixe. Mesmo sendo um tipo de carne, ele costuma ser liberado.

    Isso acontece porque, historicamente, o peixe foi associado à simplicidade e à humildade, além de ter forte ligação simbólica com o cristianismo desde seus primeiros séculos.

    Por esse motivo, ele se tornou a principal alternativa nas refeições durante esse período.

    É obrigatório não comer carne?

    Apesar de ser uma tradição forte, a prática não é obrigatória para todas as pessoas em todos os contextos. A Igreja recomenda a abstinência como forma de disciplina espiritual, mas também permite adaptações.

    Em alguns casos, o fiel pode substituir esse gesto por outras formas de sacrifício, como ações de caridade ou renúncia a outros hábitos

    Tradição que vai além da religião

    Mesmo para quem não segue a religião, o costume acabou se incorporando à cultura em muitos países, incluindo o Brasil.

    Assim, a tradição de evitar carne na Semana Santa se mantém viva não apenas pela fé, mas também pelo hábito e pela influência cultural ao longo do tempo.

  • Do cacau ao ovo de chocolate: como a crise global explica os preços altos

    Do cacau ao ovo de chocolate: como a crise global explica os preços altos

    A aproximação da Páscoa aquece não só as vendas de ovos de chocolate, mas também o comércio exterior do principal insumo da data: o cacau. E, neste ano, o consumidor brasileiro sente esse movimento no bolso com mais intensidade. O chocolate em barra e bombom acumula alta de 24,77% em 12 meses até janeiro de 2026. Mais de cinco vezes acima da inflação geral de 4,44%, segundo o IPCA.

    chocolate amargo
    Foto: Sigmund/Unsplash

    Para Ahmed El Khatib, professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FECAP, o aumento não é pontual nem exclusivamente sazonal. “Antes mesmo do efeito Páscoa, o chocolate já vinha encarecendo forte no Brasil. Isso revela que o problema é estrutural, envolvendo matéria-prima, energia, frete e embalagens”, explica.

    O choque do cacau em 2024 ainda ressoa

    O principal gatilho foi a crise histórica no mercado de cacau em 2024, quando a cotação internacional ultrapassou US$ 10 mil por tonelada, mais que o triplo da média histórica. Quebras sucessivas de safra na África Ocidental, sobretudo na Costa do Marfim e em Gana, responsáveis por cerca de 60% da produção mundial, derrubaram a oferta global.

    “Doenças nas lavouras, eventos climáticos extremos associados ao El Niño e o envelhecimento dos cacaueiros reduziram drasticamente a oferta. Como o cacau representa entre 30% e 40% do custo industrial do chocolate, o repasse foi inevitável”, afirma Ahmed.

    Mesmo com a correção dos preços internacionais para a faixa de US$ 5 mil por tonelada, o consumidor ainda não sente alívio. “A indústria trabalha com contratos futuros e estoques. Muitas empresas travaram preços quando o cacau estava muito caro. O reflexo na gôndola ocorre com defasagem”, explica. Outro fator que amplifica o custo doméstico: o cacau tem cotação em dólar, e qualquer desvalorização do real encarece ainda mais a matéria-prima para a indústria nacional.

    Brasil exporta cacau, mas ainda depende de importações

    Esse cenário global se conecta diretamente à posição contraditória do Brasil no comércio exterior do setor. Embora o país figure como produtor e exportador relevante de cacau e derivados,com exportações que cresceram mais de 86% entre 2021 e 2025, aproximando-se de US$ 1 bilhão, ele ainda recorre ao mercado externo para abastecer a própria indústria.

    Em 2024, o Brasil importou cerca de 41 mil toneladas de derivados de cacau, entre manteiga, pó e pasta, com investimento superior a US$ 160 milhões. Costa do Marfim, Gana e Malásia lideraram o fornecimento. No segmento de chocolates prontos, o país importou mais de 20 mil toneladas, vindas principalmente de países europeus e da Argentina.

    Para a CEO da Accrom Consultoria em Logística Internacional, Cristiane Fais, a Páscoa escancarou a complexidade dessa cadeia. “O Brasil exporta derivados, mas ainda depende da importação para equilibrar a produção interna. Em datas como esta, a logística precisa ser ainda mais eficiente para evitar rupturas no abastecimento e aumento de custos.”

    Cristiane Fais, CEO da Accrom Consultoria em Logística Internacional. Foto: Divulgação

    Ela destaca que câmbio, frete e instabilidades climáticas nos países produtores pressionam diretamente o preço final ao consumidor. “Qualquer oscilação na produção internacional ou no transporte pode refletir rapidamente nas prateleiras. Empresas que atuam com importação e exportação precisam estar preparadas para cenários voláteis.”

    Alta apareceu nas prateleiras

    Levantamentos em grandes varejistas confirmam o impacto. Um ovo de 277g que custava em média R$ 45 passou para R$ 56,99, alta superior a 26%. Outros produtos registraram aumentos entre 16% e 25%.

    O consumidor pode perceber essa pressão de três formas, segundo Ahmed: aumento nominal do preço, redução da gramatura com valor semelhante, ou promoções mais seletivas. O professor lembra ainda que o ovo de Páscoa concentra custos além do chocolate. “O consumidor não paga apenas pelo chocolate, mas por toda a estrutura sazonal que envolve o produto” (embalagem especial, marketing e logística refrigerada).

    A antecipação das vendas, cada vez mais comum desde janeiro, também segue uma lógica clara. “A Páscoa representa de 25% a 30% do faturamento anual do setor de chocolates. Antecipar as vendas dilui risco, melhora o giro de estoque e ajuda no fluxo de caixa”, explica Ahmed.

    Quando os preços podem cair?

    Há expectativa de superávit global de cacau até o fim de 2026. Se o cenário se confirmar, parte do alívio pode chegar ao consumidor ao longo de 2027. Mas sem retorno aos patamares anteriores ao choque.

    Ahmed Sameer El Khatib  é professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP). Foto: Divulgação

    Ahmed ilustra a dimensão desse possível alívio: em um ovo de R$ 70, cerca de 30% do preço final tem ligação direta com o cacau. “Se o preço internacional cair 30% e o movimento for totalmente repassado, o impacto máximo seria cerca de R$ 6 de redução. Na prática, como o repasse costuma ser parcial, a queda poderia ser de aproximadamente R$ 3, levando o produto de R$ 70 para cerca de R$ 67. “Mesmo com superávit, dificilmente veremos uma volta aos preços antigos. Há rigidez para baixo no varejo e outros custos continuam elevados”, conclui.

    Como economizar nesta Páscoa

    Apesar do cenário adverso, o consumidor pode adotar estratégias simples. A principal dica do professor é comparar o preço por grama, não o valor total do ovo. “Comparar alternativas como barras e caixas de bombom pode gerar economia relevante.”

    Outra saída é montar kits alternativos. “Combinar uma barra de chocolate com uma caixa menor e um mimo adicional costuma sair mais barato do que um ovo grande, que concentra custo de embalagem e sazonalidade.” Pesquisar em supermercados, atacarejos e e-commerce também ajuda, já que a dispersão de preços tende a crescer em anos de alta.

    Ahmed encerra com um alerta direto: “A última semana antes da Páscoa costuma ser emocionalmente mais cara. Em um cenário de preços elevados, planejamento deixa de ser apenas uma boa prática e passa a ser uma necessidade financeira.”

  • Salmão vira alternativa e impulsiona vendas na Páscoa

    Salmão vira alternativa e impulsiona vendas na Páscoa

    O consumo de pescados deve crescer na Quaresma de 2026, impulsionado pela busca por alternativas mais acessíveis e práticas no dia a dia. Uma multinacional do varejo projeta aumento de 11% nas vendas, com destaque para o salmão.

    Salmão ganha espaço na mesa

    Nos últimos anos, o salmão passou a ocupar um espaço maior nas refeições durante a Páscoa. Isso acontece porque o produto combina preço mais competitivo com facilidade no preparo.
    Além disso, o peixe aparece com mais frequência em promoções, o que amplia o acesso e incentiva o consumo. Com isso, o salmão se consolida como uma alternativa ao bacalhau, tradicionalmente mais caro.

    Consumo mais diversificado

    O comportamento do consumidor também vem mudando. Em vez de concentrar as compras em um único tipo de peixe, as famílias passaram a diversificar o cardápio.

    Por isso, além do salmão, outros pescados frescos ganham espaço. Ao mesmo tempo, o varejo amplia a oferta para atender diferentes perfis de consumo, com opções que vão desde cortes mais acessíveis até produtos premium.

    Varejo amplia oferta

    Para acompanhar essa demanda, redes de supermercado reforçam o estoque e ampliam a variedade de produtos.

    A expectativa é que o volume comercializado fique entre 2.500 e 3.000 toneladas de pescados durante o período. Esse aumento reflete não só a procura maior, mas também a estratégia de fortalecer a presença de produtos frescos nas lojas.

    Mudança reflete no agro e na cadeia produtiva

    Esse movimento também impacta a cadeia produtiva. Com o aumento da demanda, produtores, distribuidores e importadores precisam ajustar a oferta.

    Além disso, o crescimento do consumo de pescados abre espaço para novas oportunidades dentro do setor, especialmente em áreas ligadas à produção, logística e comercialização.

    Tendência deve continuar

    A diversificação no consumo de peixes deve se manter nos próximos anos.
    Isso acontece porque o consumidor busca cada vez mais praticidade, variedade e melhor custo-benefício. Dessa forma, a Páscoa deixa de depender de um único produto e passa a refletir um consumo mais amplo.

  • Mulheres da Amazônia transformam cacau orgânico em chocolate artesanal

    Mulheres da Amazônia transformam cacau orgânico em chocolate artesanal

    Na Comunidade da Missão, a cerca de 8 quilômetros de Tefé (AM), 22 mulheres transformam cacau orgânico colhido na floresta em barras de chocolate e ovos de Páscoa artesanais. O grupo alia técnicas herdadas de gerações anteriores a um modelo agroecológico certificado, produzindo chocolates que chegam ao mercado mais baratos que os industrializados. E com história dentro da embalagem.

    Foto: Tácia Melo/Instituto Mamirauá

    A produção segue o ritmo da floresta. Em dezembro, as produtoras adentram a mata para colher os frutos. Com a chegada do verão amazônico, retiram as amêndoas e iniciam a secagem. A partir daí, cada etapa, fermentação, torra, moagem, acontece nas próprias casas, com fornos artesanais e moinhos manuais. O resultado são bombons de castanha com chocolate, barras de cacau e ovos de Páscoa que chegam à comunidade e à cidade de Tefé.

    “Esse trabalho vem das nossas mães, dos nossos antepassados. A gente aprendeu com elas a cuidar da terra, a produzir sem destruir e a valorizar o que é nosso”, diz Bernadete Araújo, coordenadora do Grupo de Produção Orgânica da Comunidade. “Hoje, com ajuda de parceiros e instituições, a gente continua fazendo com muito orgulho.”

    Certificação pioneira

    O grupo não apenas produz, ele também abriu caminho. Em 2021, tornou-se o primeiro da região de Tefé a conquistar a certificação orgânica, resultado de um processo iniciado em 2019 que incluiu visitas de verificação, avaliação de pares e o preenchimento do Plano de Manejo Orgânico (PMO), exigido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O coletivo se formalizou primeiro como Organização de Controle Social (OCS) e depois evoluiu para Sistema Participativo de Garantia (SPG).

    O Instituto Mamirauá acompanha a iniciativa desde 2020, oferecendo assessoria técnica em manejo agroecológico, apoio nas etapas de certificação e acesso a políticas públicas.

    “Temos contribuído com o fortalecimento da produção orgânica, com cursos que envolvem a prática do manejo agroecológico de diversas espécies frutíferas naquela região, incluindo o cacau”, afirma Fernanda Viana, coordenadora do Programa de Manejo de Agroecossistemas do Instituto Mamirauá.

    Outras instituições também integram essa rede de apoio: IFAM, Sebrae, Sempa, Prefeitura de Tefé, a Rede Maniva de Agroecologia (Rema) e a empresa Na’Kau.

    Páscoa com sabor de floresta

    Para este ano, as produtoras apostam na expansão das vendas. Com preços abaixo dos chocolates industriais e o diferencial orgânico e artesanal, os produtos ganham cada vez mais espaço fora da comunidade.

    Foto: Tácia Melo/Instituto Mamirauá

    Além da comercialização, a Páscoa de 2025 marca uma estreia: no dia 4 de abril, a Comunidade da Missão realiza a 1ª Caça aos Ovos de Páscoa para as crianças locais, com estande de venda de ovos de chocolate. A iniciativa transforma a produção em celebração. E mostra que, na Amazônia, chocolate também é cultura.

  • Páscoa agridoce: chocolate fica mais caro mesmo com queda de 60% no preço do cacau

    Páscoa agridoce: chocolate fica mais caro mesmo com queda de 60% no preço do cacau

    O consumidor brasileiro vai pagar mais pelo chocolate nesta Páscoa. E a queda de cerca de 60% nos preços internacionais do cacau ainda não explica o contrário. O mercado vive um cenário agridoce em 2026: as cotações das amêndoas recuaram nas bolsas, mas os efeitos não chegaram às prateleiras. A razão é direta; boa parte da indústria comprou a matéria-prima quando os preços ainda estavam nas máximas históricas.

    Ao longo de 2025, fabricantes reajustaram portfólios, reformularam produtos e repassaram custos ao consumidor. Com a demanda ainda pressionada, o setor entra na principal data do calendário chocolateiro sem folga de margem.

    Os dados confirmam o movimento. Na Europa, produtos à base de cacau atingem os maiores preços dos últimos anos. Nos Estados Unidos, os índices de preços ao produtor e ao consumidor seguem elevados, mesmo com correções recentes. No Brasil, chocolates em barra e doces registraram variações acima do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Um sinal claro de que o consumidor vai sentir o impacto no bolso.

    Brasil entre os maiores processadores do mundo

    O país ocupa a oitava posição no ranking mundial de processamento de cacau, posição que mantém nas últimas cinco safras. Esse peso global torna ainda mais relevantes as discussões sobre abastecimento e fluxo comercial. Especialmente agora, quando o setor acumula desafios em diversas frentes.

    A capacidade de processamento brasileira supera a produção doméstica. Para cobrir a diferença, o país recorre às importações: em média, 17% das amêndoas processadas vieram do exterior nos últimos cinco anos, com cerca de 80% originárias da Costa do Marfim.

    É justamente nesse ponto que o cenário se complica. A suspensão das importações de amêndoas do principal fornecedor africano, combinada com mudanças no regime de drawback, aumenta as preocupações com a atividade de moagem no país e eleva as incertezas sobre o abastecimento de médio e longo prazo.

    Exportações mostram comportamento misto em 2026

    No comércio exterior, os primeiros dois meses do ano revelam um quadro dividido. As exportações de pó de cacau caíram 23% entre janeiro e fevereiro na comparação com o mesmo período de 2025, enquanto as de manteiga avançaram 37%. O movimento é inverso ao do ano passado, quando o pó cresceu 21% e a manteiga recuou 13%.

    Mesmo com exportações de manteiga e pó ainda acima da média histórica em fevereiro, o setor opera sob pressão crescente.

    “A Páscoa deste ano reforça um cenário agridoce para o mercado de cacau. Embora a recente correção das cotações internacionais possa sinalizar algum alívio adiante, os efeitos ainda não chegam de forma clara ao consumidor final”, afirma Carolina França, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets. “Enquanto isso, a indústria segue lidando com um ambiente de demanda fragilizada e desafios adicionais para o abastecimento e a operação no Brasil.”

  • Ovos de Páscoa custam mais que o dobro do chocolate em barra, aponta Procon

    Ovos de Páscoa custam mais que o dobro do chocolate em barra, aponta Procon

    Os ovos de Páscoa devem pesar ainda mais no bolso do consumidor em 2026. Um levantamento do Procon-SP aponta que o produto pode custar mais que o dobro do chocolate em barra, mesmo quando a composição é semelhante.

    Diferença de preço chama atenção

    De acordo com a pesquisa, o quilo do chocolate em tablete custa, em média, cerca de R$ 131. Já os ovos de Páscoa chegam a aproximadamente R$ 291 por quilo. Na prática, isso representa uma diferença média de mais de 120% entre os produtos.

    Além disso, o levantamento identificou variações significativas entre estabelecimentos, o que reforça a importância de pesquisar antes da compra.

    O que encarece os ovos de Páscoa?

    Apesar de utilizarem o mesmo chocolate, os ovos possuem características que elevam o preço final.
    Entre os principais fatores estão:

    • embalagens mais elaboradas
    • licenciamento de marcas
    • apelo sazonal da data
    • inclusão de brindes e itens voltados ao público infantil

    Por isso, o consumidor acaba pagando mais pelo formato e pela experiência do produto, e não apenas pelo chocolate.

    Preço já reflete custos mais altos

    Além desses fatores, o cenário global também influencia. Nos últimos anos, o mercado de cacau enfrentou uma forte crise global.

    Problemas climáticos em países como Costa do Marfim e Gana reduziram a produção, após períodos de seca e chuvas irregulares. Além disso, doenças nas lavouras agravaram o cenário e diminuíram ainda mais a oferta.

    Com isso, os preços do cacau dispararam e atingiram níveis históricos entre 2024 e 2025. Esse aumento pressionou toda a cadeia e ainda impacta os preços finais, mesmo com leves quedas recentes.

    Consumidor busca alternativas

    Com os preços mais altos, muita gente já começou a mudar o jeito de comprar na Páscoa.

    Em vez dos ovos tradicionais, cresce a procura por opções mais baratas, como chocolates em barra, caixas sortidas e até produtos artesanais. Também ganhou força a produção caseira, principalmente entre famílias e pequenos empreendedores que veem na data uma oportunidade de economizar ou gerar renda extra.

    Além disso, o consumidor está mais atento ao custo-benefício. Comparar preço por quilo, aproveitar promoções e substituir marcas mais caras por opções similares virou um hábito.

    Esse movimento já começa a mexer com o mercado. Para não perder vendas, empresas passaram a apostar em versões menores, linhas mais acessíveis e até kits promocionais.

     

  • Vendas de Páscoa devem crescer 2,7% em 2026, aponta APAS

    Vendas de Páscoa devem crescer 2,7% em 2026, aponta APAS

    As vendas de produtos de Páscoa nos supermercados paulistas devem crescer 2,7% em 2026, segundo o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), levantamento da Associação Paulista de Supermercados (APAS) em parceria com a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). O aumento reflete a melhora do mercado de trabalho e o avanço da renda real da população.

    O cenário econômico mais favorável impulsiona o consumo, mesmo com o impacto da alta do chocolate. Segundo o estudo, o preço médio da cesta de Páscoa deve subir 4,7% neste ano, a segunda menor variação registrada nos últimos cinco anos.

    Queda de preços em itens tradicionais

    Vários produtos típicos da Páscoa registram queda de preço e ajudam a equilibrar os custos da cesta em 2026. Entre eles estão azeite de oliva (-22%), frutas da estação (-11,38%), batata (-13,62%), ovos (-12,24%) e queijo muçarela (-8,05%).

    Essas reduções compensam parcialmente a alta de 20% no preço do chocolate, pressionada pela escalada do cacau no mercado internacional, que enfrenta quebras de safra e efeitos das mudanças climáticas.

    Impactos do setor e da economia

    Para o economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz, os diferentes comportamentos de preços refletem as particularidades de cada cadeia produtiva.

    “Quando analisamos itens essenciais, como o chocolate, percebemos o impacto direto das oscilações do cacau, afetadas por alterações climáticas e pela oferta limitada no mercado global”, explica.

    Mesmo com o aumento moderado da cesta e projeção positiva para o faturamento, o setor ainda enfrenta obstáculos como juros elevados e endividamento das famílias, fatores que limitam uma expansão mais acelerada das vendas.

    Pescados sobem com a Quaresma

    O levantamento também destaca o comportamento dos produtos consumidos durante a Quaresma, que registram alta de preços típica do período devido ao aumento da demanda. O estudo aponta elevação média de 9,13% nos pescados, com destaque para sardinha (5,85%), cação (11,16%), merluza (4,46%), bacalhau (8,58%) e atum em lata (4,27%).

    Segundo Queiroz, o movimento é esperado. “Durante a Quaresma, a maior procura por pescados eleva temporariamente os preços. Esse padrão cíclico se repete praticamente todos os anos”, afirma.

  • Páscoa: preço do bacalhau pressiona orçamento e impulsiona venda de carne suína

    Páscoa: preço do bacalhau pressiona orçamento e impulsiona venda de carne suína

    O bacalhau mantém a tradição na mesa dos brasileiros durante a Páscoa, mas o preço elevado tem levado o consumidor a reavaliar o cardápio do feriado. Com valores que ultrapassam os R$ 400 por quilo, o pescado importado enfrenta a concorrência direta da carne suína, que surge como uma alternativa viável para equilibrar sabor, qualidade e orçamento.

    Dados de levantamentos de mercado mostram uma grande variação nos preços do bacalhau no varejo brasileiro. Cortes mais acessíveis, como lascas e desfiados, partem de R$ 110 o quilo. Já postas do pescado podem chegar a R$ 239/kg. Em períodos de alta demanda, como a Páscoa, cortes nobres, como o lombo do bacalhau premium, superam facilmente os R$ 400/kg.

    Em contrapartida, a carne suína apresenta preços mais estáveis e ampla oferta no mercado interno. O filé mignon suíno, um corte nobre, custa entre R$ 25 e R$ 35 o quilo, podendo atingir R$ 39,90 em pontos de venda premium. O lombo suíno mantém a faixa média entre R$ 22 e R$ 30 o quilo. A diferença de custo entre as duas proteínas pode chegar a oito vezes, dependendo do corte escolhido.

    Para a chef e especialista em cortes suínos Flávia Brunelli, esse cenário altera o comportamento do consumidor. “Quando existe uma diferença de preço tão expressiva, o consumidor amplia o olhar sobre outras proteínas. A carne suína entra nesse cenário como uma opção que atende tecnicamente à proposta de um almoço de Páscoa”, afirma.

    Pressão econômica

    A substituição de proteínas em momentos de pressão econômica torna-se uma tendência ainda mais forte durante a Páscoa, período que concentra as compras em um curto intervalo. O consumidor busca alternativas que unam custo-benefício, rendimento e qualidade.

    Flávia Brunelli é a quarta geração de uma família ligada à criação de suínos. Foto: Divulgação

    “Existe uma mudança de comportamento que vai além do preço. O consumidor passa a avaliar o conjunto da experiência e entende que pode construir um prato principal completo com outras proteínas”, diz Flávia Brunelli.

    Além do fator econômico, a versatilidade da carne suína amplia sua presença no cardápio da Páscoa. Cortes como lombo e filé mignon permitem desde assados tradicionais até receitas com técnicas de cocção controlada, adaptando-se a diferentes perfis de consumo e formatos de refeição.

    “A carne suína permite construir um almoço de Páscoa completo, com técnica, variedade e adaptação ao orçamento, sem depender exclusivamente de uma proteína tradicional”, conclui a especialista.

  • Cacau sobe 6,89% em abril com efeito sazonal da Páscoa

    Cacau sobe 6,89% em abril com efeito sazonal da Páscoa

    O preço internacional do cacau apresentou alta de 6,89% em abril, segundo relatório mensal de commodities da GEP Costdrivers. O movimento já era esperado devido à sazonalidade da Páscoa, que historicamente impulsiona a demanda por chocolates e seus derivados. Apesar da recuperação no mês, a commodity ainda acumula queda de 17,53% em relação ao mesmo período do ano passado, quando os preços estavam em nível recorde.

    No mercado interno, o efeito sazonal também influenciou o desempenho: os preços domésticos subiram 47,39% em abril, com avanço acumulado de 31,46% nos últimos 12 meses. Já as importações brasileiras de cacau, em valores, aumentaram 155,61% na comparação anual, indicando maior dependência externa da amêndoa para abastecimento da indústria.

    “A alta de abril reflete um momento pontual de demanda aquecida, mas os contratos futuros continuam projetando queda, com base na expectativa de uma safra global mais robusta ao longo do ano”, explica Isadora Araújo, economista da GEP Costdrivers. “Além disso, a previsão de queda na moagem mundial indica um ritmo mais lento no consumo, o que reforça o viés de baixa para os preços no médio prazo.”

    Outros destaques do mês:

    • Café: registrou queda de -3,80% no preço internacional, relacionada aos impactos da Guerra Tarifária sobre o mercado de commodities. Apesar disso, a tendência de alta anual se mantém, com previsão de demanda externa crescente e recuo dos estoques globais.
    • Milho: os preços seguem em retração mensal, em linha com a chegada da colheita da segunda safra no Brasil. No entanto, na comparação anual, permanecem elevados, com crescimento das exportações brasileiras e balanço global desequilibrado.
    • Algodão: os contratos internacionais registraram leve alta, mas seguem mostrando queda na comparação anual, sustentada pelas projeções do USDA de balanço global positivo. Vale lembrar que o produto também pode gerar mais receita de exportação para o Brasil, impulsionado pela Guerra Comercial entre EUA e China.
    • Soja: no mercado internacional foi observada alta mensal de +2,06%, com queda de -11,61% em relação ao mesmo período de 2024. Já o preço doméstico apresentou alta mensal de +1,58%, o que se refletiu em uma elevação anual de +5,96%. Assim como ocorreu com o café e o milho, a demanda externa mais aquecida elevou o preço da soja. Isso está diretamente relacionado à guerra comercial entre EUA e China.

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