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  • Festival do Chocolate e Cacau reúne produtores do Brasil e exterior

    Festival do Chocolate e Cacau reúne produtores do Brasil e exterior

    Altamira (PA) recebe, entre os dias 11 e 14 de junho, a 5ª edição do Festival Internacional do Chocolate e do Cacau. O evento reúne produtores, especialistas e visitantes do Brasil e do exterior no Centro de Convenções Vilmar Soares, na Região de Integração do Xingu. A abertura oficial ocorre nesta quinta-feira (11), às 19h.

    A programação ganha força a partir de sexta-feira (12), com visitação aberta ao público das 14h às 22h. Conhecido como Chocolate Xingu, o festival resulta de uma parceria entre o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), e a Prefeitura de Altamira.

    O Fundo de Apoio ao Desenvolvimento da Cacauicultura do Pará (Funcacau) financia o evento e garante a participação de produtores de diversas regiões do estado. A iniciativa busca fortalecer a cadeia produtiva e ampliar oportunidades de negócios para os cacauicultores paraenses.

    Segundo o coordenador do festival e do Procacau, Ivaldo Santana, o evento se consolidou como um dos mais relevantes da América Latina. “O festival atrai mais de 100 mil visitantes e movimenta produtores e empreendedores do setor. A expectativa para esta edição é alta, com novidades e oportunidades”, afirma.

    Experiências e negócios impulsionam o evento

    A programação inclui exposição de chocolates de origem, derivados de cacau, experiências sensoriais e peças de artesanato que valorizam a cultura amazônica. Os visitantes também percorrem espaços inspirados no sistema agroflorestal, destaque da produção sustentável no Pará.

    Entre as atrações, o chef e chocolatier Léo Vilela comandará a criação de uma escultura feita integralmente de chocolate, produzida ao vivo. O evento também oferece Cozinhas Show e atividades para o público infantil, além de demonstrações do processo de fabricação do chocolate.

    Fórum e tendências do mercado de cacau

    Além das atividades culturais e gastronômicas, o festival promove debates técnicos sobre a cadeia produtiva. Na sexta-feira (12), o Fórum do Cacau reúne especialistas e produtores em palestras voltadas ao setor. No sábado (13), o Chocoday apresenta painéis sobre tendências globais do mercado de chocolate.

    Foto: Rose Barbosa/Divulgação

    A programação inclui ainda o II Concurso de Melhor Chocolate Artesanal e Produtos Derivados de Cacau e Chocolate, que reconhece a qualidade e a inovação da produção amazônica.

    Serviço

    • Evento: Festival Internacional do Chocolate e do Cacau
    • Data: 11 a 14 de junho
    • Local: Centro de Eventos Vilmar Soares, Altamira (PA)
    • Abertura: 11 de junho, às 19h
    • Visitação: 12 a 14 de junho, das 14h às 22h
  • Mulheres da Amazônia transformam cacau orgânico em chocolate artesanal

    Mulheres da Amazônia transformam cacau orgânico em chocolate artesanal

    Na Comunidade da Missão, a cerca de 8 quilômetros de Tefé (AM), 22 mulheres transformam cacau orgânico colhido na floresta em barras de chocolate e ovos de Páscoa artesanais. O grupo alia técnicas herdadas de gerações anteriores a um modelo agroecológico certificado, produzindo chocolates que chegam ao mercado mais baratos que os industrializados. E com história dentro da embalagem.

    Foto: Tácia Melo/Instituto Mamirauá

    A produção segue o ritmo da floresta. Em dezembro, as produtoras adentram a mata para colher os frutos. Com a chegada do verão amazônico, retiram as amêndoas e iniciam a secagem. A partir daí, cada etapa, fermentação, torra, moagem, acontece nas próprias casas, com fornos artesanais e moinhos manuais. O resultado são bombons de castanha com chocolate, barras de cacau e ovos de Páscoa que chegam à comunidade e à cidade de Tefé.

    “Esse trabalho vem das nossas mães, dos nossos antepassados. A gente aprendeu com elas a cuidar da terra, a produzir sem destruir e a valorizar o que é nosso”, diz Bernadete Araújo, coordenadora do Grupo de Produção Orgânica da Comunidade. “Hoje, com ajuda de parceiros e instituições, a gente continua fazendo com muito orgulho.”

    Certificação pioneira

    O grupo não apenas produz, ele também abriu caminho. Em 2021, tornou-se o primeiro da região de Tefé a conquistar a certificação orgânica, resultado de um processo iniciado em 2019 que incluiu visitas de verificação, avaliação de pares e o preenchimento do Plano de Manejo Orgânico (PMO), exigido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O coletivo se formalizou primeiro como Organização de Controle Social (OCS) e depois evoluiu para Sistema Participativo de Garantia (SPG).

    O Instituto Mamirauá acompanha a iniciativa desde 2020, oferecendo assessoria técnica em manejo agroecológico, apoio nas etapas de certificação e acesso a políticas públicas.

    “Temos contribuído com o fortalecimento da produção orgânica, com cursos que envolvem a prática do manejo agroecológico de diversas espécies frutíferas naquela região, incluindo o cacau”, afirma Fernanda Viana, coordenadora do Programa de Manejo de Agroecossistemas do Instituto Mamirauá.

    Outras instituições também integram essa rede de apoio: IFAM, Sebrae, Sempa, Prefeitura de Tefé, a Rede Maniva de Agroecologia (Rema) e a empresa Na’Kau.

    Páscoa com sabor de floresta

    Para este ano, as produtoras apostam na expansão das vendas. Com preços abaixo dos chocolates industriais e o diferencial orgânico e artesanal, os produtos ganham cada vez mais espaço fora da comunidade.

    Foto: Tácia Melo/Instituto Mamirauá

    Além da comercialização, a Páscoa de 2025 marca uma estreia: no dia 4 de abril, a Comunidade da Missão realiza a 1ª Caça aos Ovos de Páscoa para as crianças locais, com estande de venda de ovos de chocolate. A iniciativa transforma a produção em celebração. E mostra que, na Amazônia, chocolate também é cultura.

  • Chocolate indígena do Pará recebe reconhecimento internacional de sustentabilidade

    Chocolate indígena do Pará recebe reconhecimento internacional de sustentabilidade

    A empreendedora indígena Katyana Xipaya conquistou reconhecimento internacional com sua marca de chocolates artesanais do Pará. O World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) selecionou a Sidjä Wahiü, que significa “Mulher Forte” na língua Xipaya, para integrar sua vitrine global de soluções sustentáveis.

    A coalizão mundial reúne empresas e iniciativas que aceleram a transição para um mundo sustentável. O conselho busca soluções para desafios como mudanças climáticas, conservação da natureza e equidade social.

    Cacau nativo vira modelo de negócio sustentável

    Katyana mora na comunidade ribeirinha de Jericoá 2, em Vitória do Xingu (PA). A líder indígena transformou o cacau nativo amazônico em produto de alto valor agregado desde 2023. O projeto conta com apoio da Norte Energia, concessionária da Usina Hidrelétrica Belo Monte.

    “Saber que o Sidjä Wahiü recebeu essa seleção me gratifica muito, porque ele não representa apenas meu trabalho. O chocolate mostra a força do empreendedorismo indígena, nossa cultura e o protagonismo das mulheres. Ocupamos nossos espaços e mostramos que não caminhamos sozinhos. Construímos essa história sementinha por sementinha”, afirma a empreendedora.

    Tradição familiar preserva floresta amazônica

    A produção dos chocolates mantém técnicas tradicionais que o avô de Katyana já utilizava às margens do Rio Xingu. “O Sidjä Wahiü carrega mais que sabor – ele carrega nossa raiz e a perseverança de manter o modo como meu avô trabalhava. Hoje produzimos chocolate fino com 72% de cacau e frutas como abacaxi e pitaia da nossa própria terra. Geramos renda para parentes ribeirinhos e para a agricultura familiar”, explica.

    Três famílias indígenas ribeirinhas da comunidade Jericoá 2 cultivam o cacau e as frutas desidratadas. Após a colheita e processamento inicial, a Cacauway, fábrica localizada em Medicilândia (PA), recebe a matéria-prima. A parceira técnica finaliza e refina os chocolates, garantindo o padrão de qualidade artesanal com acabamento para o mercado de chocolates finos.

    Pará lidera produção nacional de cacau

    A trajetória de Katyana inspira produtores de cacau no Pará, estado que concentra mais de 50% da produção nacional do fruto. A Embrapa aponta que a indústria cacaueira movimenta cerca de R$ 3,5 bilhões ao ano no Brasil.

    chocolate artesanal e indígena
    Foto: Divulgação

    Em 2024, as comunidades indígenas apoiadas pela Norte Energia colheram 23 toneladas de cacau. A safra representa avanço crucial para a autonomia financeira das famílias envolvidas.

    Programa empresarial impulsiona bioeconomia regional

    O programa Belo Monte Empreende, da Norte Energia, impulsionou o sucesso da Sidjä Wahiü. A iniciativa fomenta atividades produtivas e fortalece aspectos socioambientais nas comunidades do Médio Xingu.

    Outras marcas de empreendedores indígenas também receberam apoio da empresa: Yudjá, Karaum Paru, Iawá e Ita’Aka Akauwa. Os negócios consolidam o Médio Xingu como polo produtor de chocolate sustentável.

    “O reconhecimento da marca Sidjä Wahiü pelo WBCSD prova que o desenvolvimento sustentável na Amazônia, quando respeita saberes tradicionais, alcança escala e relevância global. Para a Norte Energia, apoiar lideranças como Katyana Xipaya integra nossa estratégia de deixar um legado de autonomia e prosperidade para as comunidades do Médio Xingu”, destaca Thomás Sottili, Gerente de Projetos de Sustentabilidade da Norte Energia.

    A companhia investe em capacitação e infraestrutura por meio de projetos socioambientais. As iniciativas ajudam comunidades a alcançarem autonomia financeira enquanto mantêm a floresta preservada. O case demonstra que a união entre conhecimento tradicional e suporte institucional impulsiona o futuro da economia verde no Brasil.