Tag: rio grande do sul

  • Ibama apreende 307 toneladas de pescado ilegal

    Ibama apreende 307 toneladas de pescado ilegal

    A ação ocorreu em uma empresa de grande porte da indústria pesqueira. Foto: Divulgação/Ibama

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreendeu 307 toneladas de pescado pronto para comercialização no município de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, durante uma ação de fiscalização realizada na última terça-feira (24). A Operação Decapoda resultou na autuação de uma empresa em R$ 10,6 milhões por armazenamento de pescado de origem ilícita.

     

    ​Segundo o Ibama, esta é a maior apreensão de pescado já registrada no estado, consolidando um marco na fiscalização pesqueira do Rio Grande do Sul. A ação contou com apoio do Comando de Polícia Ambiental da Brigada Militar (CPAmb/BM). Que identificou irregularidades nos comprovantes de origem do pescado da espécie corvina (Micropogonias furnieri).

    ​Esquema de fraude na cadeia de custódia do pescado

    Entre agosto e novembro de 2025, a empresa fiscalizada adquiriu 514 toneladas de pescado, em sua maioria corvina. No Relatório de Auditoria de Origem do Pescado, os fiscais do Ibama apontaram graves inconsistências na emissão de notas fiscais, indicando fraudes envolvendo a associação de diferentes empresas para ocultar a verdadeira origem do produto.

    ​As irregularidades na cadeia de custódia tinham como objetivo mascarar o pescado capturado ilegalmente. Foram identificadas práticas como declaração de embarcações sem autorização ou sem capacidade operacional e uso de veículos inexistentes ou inadequados para o transporte. Além de, ocultação do verdadeiro primeiro comprador, simulação de venda direta à indústria, subfaturamento dos valores comercializados e realização de cruzeiros de pesca em áreas e com técnicas proibidas. Além de mais de 20 outros indícios de irregularidades.

    ​A corvina apreendida tinha como destino o mercado externo, reforçando o impacto econômico do esquema de fraude. A destinação do pescado ainda aguada decisão judicial e está sob efeito de liminar, permanecendo armazenado na empresa, que foi nomeada fiel depositária até a conclusão do processo.

    ​Pesca irregular atinge período crítico de reprodução da corvina

    De acordo com o Ibama, o pescado apreendido teve origem na pesca de cerco durante o período reprodutivo da corvina na costa do Rio Grande do Sul. E tambem na pesca de arrasto de trolha no interior da Lagoa dos Patos, focada na captura de exemplares juvenis. Ambas as modalidades são proibidas pela legislação vigente por ocorrerem em fase crítica do ciclo de vida da espécie, quando a pressão sobre o estoque causa maior impacto ambiental.

    ​Mesmo ilícitas, essas práticas seguem recorrentes durante a safra da corvina, na primavera, entre setembro e dezembro, período de maior vulnerabilidade para a reposição natural dos estoques pesqueiros. A continuidade da pesca irregular em plena fase reprodutiva agrava o risco de colapso da população da espécie na região.

    Corvina ganha relevância econômica, mas enfrenta queda de estoque

    Atualmente, a corvina (Micropogonias furnieri) está entre as cinco espécies mais relevantes na pauta de exportações do pescado brasileiro. O que reforça sua importância econômica para a cadeia produtiva da pesca nacional. Ao mesmo tempo, estudos apontam um cenário preocupante para a sustentabilidade do estoque. Com redução superior a 30% da população da espécie nos últimos três ciclos geracionais.

    Em razão desse declínio, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) avalia a inclusão da corvina na Portaria MMA nº 445/2014, atualizada pela Portaria MMA nº 148/2022. Ela define a lista nacional de espécies marinhas ameaçadas de extinção. Especialistas podem enquadrar a espécie na categoria Vulnerável (VU), classificação que tende a endurecer as regras de manejo e ampliar as medidas de proteção.

    A possível mudança de status da corvina acende um alerta para o setor pesqueiro. Que terá de conciliar a importância econômica da espécie com a necessidade de recuperação do estoque e de maior controle contra a pesca ilegal.

  • Inovação e IA marcam Abertura da Colheita do Arroz

    Inovação e IA marcam Abertura da Colheita do Arroz

    A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas destaca tecnologia e inteligência artificial.
    O Eixo Inovação reúne debates entre 24 e 26 de fevereiro. A programação ocorre na Arena de Inovação, na Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão, no Rio Grande do Sul.

    O evento aborda startups, dados, crédito inteligente e novos modelos de negócio no agronegócio.
    Os painéis tratam de temas ligados à cadeia orizícola.

    South Summit e desafios do agro brasileiro

    Em 25 de fevereiro, o painel “Trilha do Agro no South Summit 2026” terá palestra de Donário Lopes de Almeida.
    O produtor rural atua como curador da Trilha Agro do South Summit Brazil.

    Segundo Almeida, a proposta conecta desafios do agro brasileiro às soluções em desenvolvimento. Ele afirma que o setor enfrenta pressão por produtividade, eficiência e gestão de risco. Além disso, os produtores buscam maior acesso a crédito. Nesse cenário, tecnologia e inteligência artificial tornam-se ferramentas práticas no campo.

    IA, dados e crédito no centro dos debates

    No painel “IA, Dados e Produtividade no Campo”, Almeida mostrará como dados apoiam decisões rurais.
    Ele também explicará como a inteligência artificial reduz incertezas e amplia a produtividade. Já o painel “Dados, Crédito e Financiamento Inteligente” discutirá a evolução do crédito rural.

    Os debatedores analisarão como tecnologias fortalecem a relação entre produtor e sistema financeiro. Almeida destaca que a trilha agro conecta produtores, startups e investidores. Ele reforça que essa integração acelera a evolução do agronegócio nos próximos anos.

    Lideranças e cases práticos na Arena de Inovação

    A programação inclui lançamento conduzido pelo CEO do South Summit Brazil, Wagner Lopes.
    O evento contará com José D’Amico, da Scicrop, e Volzear Longaray. Emerson Peres apresentará um case prático ao público.

    No painel sobre crédito inteligente, participam Marcelo Maisonnave, Frederico Wolf e José Corral, da Creditares.
    A Arena de Inovação inicia em 24 de fevereiro, às 10h. O painel de abertura destaca parcerias entre iTEC/FURG e Agrifence Brasil. Às 10h30, especialistas debatem soluções práticas e oportunidades no campo. Às 14h, o painel “Agro Unido” reúne lideranças do setor público e privado.

    Entre os participantes estão Paulo Herrmann, Rodrigo Alarcon Pardo e Edivilson Brum. Também participam Domingos Velho Lopes e Luiz Augusto Dumoncel.

    Tecnologia, comunicação e sucessão familiar

    No dia 26, o painel “O Protagonismo Vai Além do Campo” terá palestra de Paulo Cesar Tinga.
    Às 10h40, especialistas discutem tecnologia, comunicação e sucessão familiar no agro.
    Produtores rurais e criadores de conteúdo debatem inovação e continuidade no campo.
    A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz traz o tema “Cenário atual e perspectivas: conectando campo e mercado”.
    A Federarroz realiza o evento. A Embrapa e o Senar atuam como correalizadores. O Irga patrocina a iniciativa.
    Os organizadores oferecem inscrições gratuitas no site oficial do evento.

  • Demanda pontual sustenta preços do arroz

    Demanda pontual sustenta preços do arroz

    Os preços do arroz em casca seguem firmes no Rio Grande do Sul. A demanda pontual para recompor estoques sustenta os valores atuais. Segundo o Cepea, a oferta ajustada também colabora para manter o mercado equilibrado.

    Mesmo assim, o ritmo de negócios permanece lento no estado. Compradores e vendedores ainda mostram desacordo nas negociações. Esse cenário gera cautela entre os agentes de toda a cadeia.

    Negociação

    Os produtores adotam estratégias diferentes na comercialização do cereal. Os mais capitalizados seguram as vendas e aguardam melhores condições. Outros produtores direcionam o arroz ao armazenamento nas propriedades. Eles tomam essa decisão por causa da proximidade da safra 2025/26.

    Os compradores ajustam as estratégias para garantir o abastecimento. Essa movimentação ocorre, sobretudo, nas regiões com oferta limitada. Com isso, o mercado do arroz mantém estabilidade nos preços.

  • Colheita da cebola tem alta produtividade no RS

    Colheita da cebola tem alta produtividade no RS

    Os produtores do Rio Grande do Sul concluíram a colheita da cebola. As lavouras registraram bons índices de produtividade nesta temporada. O desempenho positivo ocorreu nos municípios de São José do Norte.
    O resultado também se repetiu em Tavares e Rio Grande. A Emater/RS-Ascar divulgou dados no Informativo Conjuntural. O órgão estima que 95% da safra já esteja comercializada. Ou seja, apenas 5% da produção ainda segue disponível no mercado.

    Clima favorece qualidade e rendimento

    O extensionista rural César Demenech avaliou a safra atual. Ele atua na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Pelotas. Segundo o técnico, a temporada figura entre as melhores recentes. A qualidade e a produtividade superaram expectativas dos produtores.

    As condições climáticas ajudaram o preparo do solo. O clima também favoreceu o plantio e o desenvolvimento.
    A região cultivou 1.440 hectares em São José do Norte. O município de Tavares plantou 225 hectares nesta safra.
    Rio Grande contabilizou 200 hectares de área cultivada.

    Cebola sustenta economia local

    O extensionista Pedro da Silva Farias analisou São José do Norte. Ele afirmou que a cebola lidera a produção agrícola municipal. A cultura possui grande tradição entre os agricultores locais. Cerca de mil agricultores familiares cultivam a hortaliça.

    A safra apresentou resultados considerados muito positivos. O clima favorável garantiu produtividades elevadas neste ciclo. As lavouras alcançaram média de 35 toneladas por hectare. Nas safras anteriores, o clima prejudicou os produtores. Chuvas excessivas e estiagens reduziram os rendimentos. Como resultado, esses fatores colaboraram com a descapitalização do setor. Para a próxima safra, agricultores devem manter as áreas.

    Desempenho regular em Tavares

    A extensionista Sarah Fiorelli avaliou a produção local. Ela informou que a produtividade ficou dentro da média.
    As lavouras alcançaram cerca de 35 toneladas por hectare. O município enfrentou períodos de chuva intensa.
    Mesmo assim, o clima não comprometeu a colheita. A técnica destacou a boa qualidade do produto final.

    Soja

    A semeadura da soja alcança 98% da área prevista. Produtores devem concluir o plantio após novas chuvas. Atualmente, 42% das lavouras estão em fase vegetativa. Outros 46% encontram-se no estágio de floração.
    Mais 12% das áreas já estão em enchimento de grãos.

    A Emater projeta 6.742.236 hectares para a safra. A produtividade média estimada chega a 3.180 quilos. O clima apresenta grande amplitude térmica no estado. O tempo seco aumenta a perda de umidade do solo. As chuvas ocorreram de forma isolada e irregular.

    O potencial produtivo ainda se mantém elevado. A regularização das precipitações será fundamental. O clima quente limita o avanço de doenças foliares. Mesmo assim, produtores precisam prevenir a ferrugem-asiática.

    Milho

    A cultura do milho apresenta fases fenológicas variadas. Predominam lavouras em enchimento de grãos e maturação. A área estimada alcança 785 mil hectares no estado. A produtividade média projetada chega a 7.370 quilos.

    A colheita avança e já atinge 28% da área. Os rendimentos variam conforme a distribuição das chuvas. Áreas com irrigação registram melhor desempenho produtivo. Algumas regiões relatam presença elevada de cigarrinha-do-milho.

    Milho silagem

    A colheita do milho silagem supera 40% da área. O estado projeta cultivo total de 366.067 hectares. A produtividade média estimada alcança 38.338 quilos.

    Feijão primeira e segunda safras

    O feijão primeira safra está quase todo semeado. A colheita já ultrapassa 60% em diversas regiões.
    A área estimada soma 26.096 hectares cultivados. A produtividade média prevista chega a 1.779 quilos.

    O feijão segunda safra iniciou o plantio recentemente. Cerca de 15% da área já foi implantada. A estimativa total alcança 11.690 hectares no estado. A produtividade média projetada chega a 1.401 quilos.

    Arroz

    As lavouras de arroz seguem em desenvolvimento. Cerca de 57% estão em fase vegetativa atualmente.
    Outras 34% encontram-se no estágio de floração. Mais 9% já avançaram para enchimento de grãos.

    O Irga estima área de 920.081 hectares cultivados. A Emater projeta produtividade de 8.752 quilos. A boa radiação solar favorece o desenvolvimento. Entretanto, temperaturas mínimas ficaram mais baixas. Esse fator elevou o risco de esterilidade em áreas.

  • Turismo cultural cresce no Noroeste gaúcho com o Memorial da Evolução Agrícola

    Turismo cultural cresce no Noroeste gaúcho com o Memorial da Evolução Agrícola

    O Noroeste do Rio Grande do Sul consolida-se como um dos destinos de turismo cultural mais promissores do Sul do país. A região tem apostado em roteiros que conectam agricultura, patrimônio histórico e experiências culturais, atraindo turistas que buscam vivências autênticas e sustentáveis.

    Entre os principais atrativos estão o Salto do Yacumã, o Salto do Roncador e os circuitos rurais que valorizam a identidade agrícola e a diversidade natural. Nos últimos anos, municípios da região vêm ampliando o tempo de permanência dos visitantes e fortalecendo o turismo de curta duração e de fim de semana.

    Em Horizontina, o Memorial da Evolução Agrícola (MEA) tornou-se referência nacional em turismo cultural. O espaço, uma parceria entre o Instituto John Deere e o Ministério da Cultura via Lei de Incentivo à Cultura, celebra dois anos de funcionamento em 2026 como um dos principais polos de cultura, educação e lazer do Noroeste gaúcho.

    Com mais de 130 mil visitantes desde a inauguração, o MEA oferece programação gratuita, acessível e voltada a públicos diversos: estudantes, famílias, idosos, agricultores e turistas. A exposição permanente apresenta de forma imersiva a evolução da agricultura brasileira, estimulando reflexões sobre tecnologia, boas práticas no campo e sustentabilidade. O complexo também abriga Cozinha Experimental, Ateliê Educativo, quadras esportivas, área de patinação e espaços de convivência ao ar livre abertos de terça a domingo, das 8h às 22h.

    MEA Itinerante leva cultura a novas cidades

    O programa MEA Itinerante expande o alcance cultural do Memorial e fortalece o turismo de proximidade. Depois de visitar seis cidades em 2024, o projeto ampliou seu percurso em 2025 e prevê alcançar 18 municípios da região com 21 exposições e apresentações teatrais gratuitas.

    A mostra 2025–2026 apresenta uma versão lúdica e interativa da exposição principal, acompanhada do espetáculo Teatro do MEA. Protagonizado pelos personagens Joca e L.U.M.I., eles narram a história da agricultura brasileira com humor e interação.

    MEA Itinerante leva parte da experiência do Memorial a diferentes municípios do Noroeste gaúcho. Foto:
    Divulgação Sicredi Panambi.

    “Mais do que levar exposições, o MEA Itinerante estimula o turismo local e regional, conectando cultura, gastronomia e identidade”, define Karina Muniz Viana, diretora do MEA.

    Missões Jesuíticas e o patrimônio cultural do RS

    O turismo histórico-cultural no Noroeste gaúcho ganha ainda mais destaque com a celebração dos 400 anos da chegada dos jesuítas ao Rio Grande do Sul, em 2026. A região abriga o Sítio Histórico São Miguel Arcanjo, único Patrimônio Mundial da Humanidade reconhecido pela Unesco no estado, e o Museu Histórico das Missões, que preserva a herança missioneira.

    Iniciativas como o MEA fortalecem a integração entre memória, território e desenvolvimento, diversificando a oferta turística e impulsionando o crescimento regional. Ao unir história, cultura e natureza, o Noroeste gaúcho se consolida como destino estratégico para o turismo regional, nacional e internacional.

    Serviço – Memorial da Evolução Agrícola (MEA)

    • Localização: Horizontina (RS)
    • Atendimento:
    • Memorial: quarta a domingo e feriados, das 9h às 17h (entrada até 16h30)
    • Área externa: terça a domingo e feriados, das 8h às 22h
    • Entrada: gratuita e livre para todos os públicos
    • Estacionamento: gratuito e exclusivo para visitantes
    No MEA, o público conhece a evolução da agricultura em uma exposição interativa e tecnológica. Foto:
    Felipe Pacheco/Divulgação MEA.

    O MEA ocupa uma área de 64 mil m² e reúne espaços destinados à arte, cultura, educação, esporte e lazer. O local também abriga a John Deere Store e a unidade Senai Horizontina (RS).

  • Inmet alerta para tempestades e ventos no Sul

    Inmet alerta para tempestades e ventos no Sul

    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu neste sábado (10) alerta laranja para tempestades na Região Sul do Brasil. O aviso vale até as 12h deste domingo (11) e indica risco moderado a elevado para a população.

    O alerta laranja representa perigo e fica entre os níveis amarelo e vermelho, conforme a classificação do Inmet.
    Segundo o instituto, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul devem registrar chuva intensa nas próximas horas.

    A previsão aponta volumes entre 30 e 60 milímetros por hora ou até 100 milímetros por dia. Além disso, o Inmet prevê ventos intensos, com rajadas entre 60 e 100 quilômetros por hora. Também há possibilidade de queda de granizo em diferentes áreas da Região Sul.

    Danos às plantações

    O cenário oferece risco de corte de energia elétrica e danos às plantações agrícolas. Há ainda possibilidade de queda de árvores, alagamentos urbanos e prejuízos à infraestrutura.

    No Rio Grande do Sul, a região da Lagoa dos Patos deve enfrentar intensificação dos ventos costeiros.
    As rajadas podem deslocar dunas de areia e atingir construções localizadas na orla. Durante ventos fortes, o Inmet orienta não se abrigar sob árvores e evitar áreas abertas.

    A recomendação inclui não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda. O instituto também orienta evitar o uso de aparelhos eletrônicos conectados à tomada. Em situações de emergência, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199. O Corpo de Bombeiros atende ocorrências pelo número 193.

  • Verão aquece mercado de frutas com melancia, morango e abacaxi

    Verão aquece mercado de frutas com melancia, morango e abacaxi

    O verão impulsiona o consumo de frutas frescas no Rio Grande do Sul. Agricultores familiares assistidos pela Emater/RS-Ascar cultivam melancia, morango, abacaxi, uva, pêssego e outras variedades que abastecem feiras e mercados em todo o Estado. Os consumidores buscam essas frutas in natura, em sucos, sobremesas e smoothies durante a temporada de calor, que se estende até 20 de março.

    “O Rio Grande do Sul produz uma diversidade de frutas que colorem as mesas e o dia a dia de quem produz, mas também dos consumidores”, destaca Luis Bohn, gerente técnico estadual e diretor técnico em exercício da Emater/RS-Ascar. Ele observa aumento na procura durante o verão, especialmente nas feiras realizadas em quase todos os municípios gaúchos, com destaque para o Litoral.

    Clima desafia produtores e beneficia culturas específicas

    As temperaturas elevadas e a baixa umidade relativa do ar prejudicaram algumas culturas, como melancia e melão, mas beneficiaram as videiras, o abacaxi e o morango, segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar. Bohn ressalta que a irrigação se tornou fundamental para os produtores enfrentarem períodos de seca.

    “A irrigação nesse momento, em especial para a viticultura ou mesmo as melancias e melões, é fundamental, pela necessidade fisiológica dessas frutíferas, pois permite que as frutas se desenvolvam a um tamanho de boa aparência”, avalia o diretor técnico.

    Abacaxi de Terra de Areia conquista pelo sabor único

    Terra de Areia, município tradicional na produção de abacaxi no Litoral gaúcho, cultiva a fruta em 360 hectares com 120 famílias. A variedade Pérola se diferencia pelo sabor sempre doce, resultado de uma característica especial: os produtores colhem o abacaxi bem maduro.

    “O abacaxi é uma fruta não climatéria, ou seja, colhemos ele bem maduro. Depois de desconectado da planta-mãe, ele pode mudar de cor, mas não acrescenta mais açúcares”, explica o extensionista Wolnei Marcio Fenner. Essa particularidade impede o transporte de longa distância, diferentemente do abacaxi de outros estados, colhido verde e com sabor inferior.

    A safra 2025/2026 prevê colheita de 7,5 milhões de frutos. “O clima neste ano tem sido muito favorável. Quem comprar não vai se arrepender”, garante Fenner.

    Morango gaúcho atinge pico de qualidade

    O Rio Grande do Sul cultiva morango em 588 hectares com 2.631 famílias de agricultores. O Levantamento Frutícola de 2025 da Emater/RS-Ascar identifica a Serra, o Vale do Caí e Pelotas como principais regiões produtoras.

    No Vale do Caí e em Pelotas, os produtores comercializam morango entre outubro e dezembro. Na Serra, o auge ocorre do final de dezembro até fevereiro. As cultivares de dias neutros, como San Andrés e Álbio, ocupam maior área, enquanto as variedades de dias curtos — Fênix, Fronteiras e Caminho Real — se destacam pela precocidade.

    “As frutas deste ano estão com ótima qualidade, demonstrando uma excelente safra, com colaboração do clima”, destaca o extensionista Thompsson Benhur Didoné. Ele menciona pequeno atraso no início da safra devido a fortes geadas, mas a produção se recuperou completamente.

    Em Pelotas, a cultura mantém plena produção com frutos de excelente qualidade, calibre, coloração e sabor. Bom Princípio, conhecido como Terra do Moranguinho, celebra anualmente a Festa Nacional do Moranguinho em setembro e mantém colheita com boa qualidade e demanda satisfatória.

    Melancia amplia área cultivada no Estado

    A colheita de melancia atinge o auge no Rio Grande do Sul. Os bons preços na safra anterior motivaram produtores da região de Pelotas a aumentar a área plantada. Na região de Soledade, municípios como Rio Pardo, General Câmara e Encruzilhada do Sul intensificam a colheita em área estimada de 1.800 hectares.

    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    São Jerônimo concentra 60 produtores que cultivam 800 hectares de melancia, com expectativa de produtividade de 35 toneladas por hectare. “Porém a falta de chuvas afeta algumas lavouras que não têm sistema de irrigação”, ressalta o extensionista Marcelo da Silva Fortes. Ele também atende 35 produtores em Arroio dos Ratos, onde cultivam 350 hectares.

    As variedades Manchester, Braba, Karistan, Top Gun e Talismã dominam a produção nos dois municípios, basicamente através do sistema convencional com aração e gradagem.

    Irrigação multiplica produtividade por cinco

    Fortes identifica tendência de aumento da área cultivada com melancia em plantio consorciado com florestas de acácia-negra e eucalipto, fomentadas por empresas florestais. Alguns produtores de soja migraram para a melancia devido à descapitalização, atraídos pela rentabilidade em área menor.

    O uso de tecnologias como irrigação por aspersão e fertirrigação por gotejamento aumenta significativamente a produtividade. Atualmente, os produtores irrigam 60% das áreas de melancia em São Jerônimo e Arroio dos Ratos. “Temos exemplos bem claros das vantagens de irrigar, com um produtor produzindo 15 toneladas por hectare e outro, do outro lado da estrada, produzindo 75 toneladas por hectare”, compara Fortes.

    Os produtores também adotam outras técnicas, como protetor solar à base de caulim, que evita queimaduras e escaldaduras nas frutas. “Hoje o pessoal é adepto e já inclui o protetor solar no seu orçamento”, afirma. Ele desmistifica a mancha branca na casca: “Não é veneno. É efeito do protetor solar, à base de caulim, uma rocha, sendo, portanto, um produto natural”.

    “O Rio Grande do Sul tem a fruticultura como uma de suas vocações produtivas, uma das suas grandes tradições, com característica a produção dentro de uma diversidade, diante do clima que temos nas regiões. A safra de verão de 2026 está ofertando frutas com sensacional aparência, qualidade e sabor”, conclui Bohn.

  • Nota fiscal eletrônica passa a ser obrigatória para produtores rurais

    Nota fiscal eletrônica passa a ser obrigatória para produtores rurais

    A emissão de nota fiscal eletrônica (NF-e) tornou-se obrigatória para todos os produtores rurais do Rio Grande do Sul a partir desta semana, atendendo à norma estabelecida pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). A exigência vale para todas as operações internas no Estado e passa a abranger cerca de 800 mil produtores. Nas transações interestaduais, a obrigatoriedade já estava em vigor.

    Com a mudança, o tradicional Modelo 4 da Nota Fiscal, o conhecido talão de produtor, deixa de ser aceito. Quem deixar de emitir o documento eletrônico passa a ficar em situação irregular, sem comprovação fiscal das transações.

    A modernização da documentação fiscal visa tornar o processo mais rápido e seguro, com menos burocracia e menor risco de erros no preenchimento dos dados. O novo sistema também reduz perdas de documentos e antecipa o cenário após a Reforma Tributária, que deve eliminar completamente o uso de notas em papel.

    Emissão via aplicativo e portal da Sefaz

    A Secretaria da Fazenda (Sefaz-RS) oferece duas ferramentas gratuitas para emissão das notas. A principal é o aplicativo Nota Fiscal Fácil (NFF), disponível para download em celulares, que utiliza login pelo gov.br. O aplicativo permite emissão mesmo em áreas sem internet, pelo modo off-line, com limite de até 30 notas, R$ 300 mil em operações ou 168 horas de uso desconectado. Após esse prazo, o sistema precisa ser reconectado para novas emissões.

    A segunda opção é a Nota Fiscal Avulsa Eletrônica (NFA-e), indicada para operações mais complexas, como exportações. Informações detalhadas estão disponíveis no Manual de Uso do NFF, no site da Receita Estadual.

    Implementação gradual

    A obrigatoriedade foi implantada de forma escalonada. Desde 2021, produtores com faturamento acima de R$ 4,8 milhões já estavam obrigados ao uso da nota eletrônica. Em janeiro de 2025, a medida passou a incluir aqueles com receita bruta anual a partir de R$ 360 mil, além de todas as operações interestaduais.

    A Receita Estadual dialogou com o setor e adiou a aplicação da regra em alguns momentos. Especialmente após as enchentes de 2024, que causaram prejuízos significativos ao setor rural. Durante o último ano, a Sefaz realizou mais de 100 encontros de capacitação, levando treinamento e orientações sobre o uso do NFF a representantes e entidades do campo.

  • Chuvas intensas freiam plantio, mas favorecem lavouras de soja no RS

    Chuvas intensas freiam plantio, mas favorecem lavouras de soja no RS

    O plantio da soja no Rio Grande do Sul alcançou 93% da área prevista para a safra 2025/2026, estimada em 6,74 milhões de hectares, segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar em 30 de dezembro. As chuvas intensas e frequentes desaceleraram o avanço da semeadura, impedindo a redução adequada da umidade do solo e limitando a operação das semeadoras.

    Mesmo com o atraso, a maioria das lavouras apresenta bom desenvolvimento vegetativo. Cerca de 93% das áreas estão nessa fase, e 7% já iniciam o florescimento. As lavouras semeadas no início do ciclo mostram vigor elevado, resultado da combinação entre boa disponibilidade hídrica, temperaturas altas e radiação solar adequada.

    As melhores condições de desenvolvimento ocorrem em solos bem estruturados, ricos em matéria orgânica e com boa cobertura vegetal, que favorecem a infiltração e o armazenamento de água. Em áreas mais compactadas ou com pouca cobertura, há registro de erosão superficial e falhas de emergência. Em regiões que sofreram déficit hídrico seguido por chuvas intensas, técnicos observaram desuniformidade e necessidade pontual de replantio.

    No Noroeste do estado, os volumes de chuva de dezembro ultrapassaram a média histórica, provocando alagamentos, danos à infraestrutura rural e erosão em áreas de relevo acentuado.

    Milho e milho silagem apresentam recuperação

    O milho avança sobre 92% da área planejada, de 785 mil hectares, e apresenta recuperação após a estiagem registrada em novembro. O desenvolvimento das lavouras é considerado satisfatório, com expectativa de produtividade próxima à média histórica. A maior parte das plantações está na fase de enchimento de grãos, e a colheita inicial já começou em algumas regiões.

    A cultura de milho para silagem também reagiu bem às chuvas. A Emater estima 366 mil hectares plantados, com rendimento médio de 38,3 toneladas por hectare. Apenas na Fronteira Noroeste, o excesso de chuva e a alta umidade do solo paralisaram temporariamente o corte.

    Arroz encerra semeadura e mantém bom desenvolvimento

    A semeadura do arroz chega a 97% da área estimada pelo Irga, totalizando 920 mil hectares. As precipitações volumosas limitaram o andamento de semeaduras tardias e tratos culturais, mas favoreceram a recuperação de mananciais e reduziram a necessidade imediata de irrigação. A maior parte das lavouras encontra-se em fase vegetativa (97%) e 3% já iniciam o florescimento.

    Em algumas regiões, especialmente no Centro do estado, a nebulosidade constante reduziu a radiação solar e moderou o crescimento das plantas. Apesar disso, o desenvolvimento é considerado adequado.

    Feijão 1ª safra se recupera após estiagem

    As chuvas também favoreceram o feijão da primeira safra, cultivado em 26 mil hectares no estado. Após o déficit hídrico de novembro, as plantas retomaram o crescimento e o ciclo avança de forma satisfatória. A produtividade média projetada pela Emater é de 1.779 kg/ha. Em algumas localidades, a frequência das chuvas ainda impõe restrições pontuais ao plantio e à colheita.

    As precipitações regulares trouxeram desafios para o manejo e o cronograma das lavouras, mas garantiram recuperação da umidade do solo e boas condições para o desenvolvimento das principais culturas de verão no Rio Grande do Sul.

  • Plano Estadual busca qualificar o setor da erva-mate no Rio Grande do Sul

    Plano Estadual busca qualificar o setor da erva-mate no Rio Grande do Sul

    O Governo do Rio Grande do Sul oficializou, nesta segunda-feira (29), a criação do Plano Estadual para Qualificação e Desenvolvimento Estratégico da Cadeia Produtiva do Mate Gaúcho (Planimate-RS). Instituído pelo Decreto nº 58.554, assinado pelo governador Eduardo Leite, o programa tem como meta fortalecer e modernizar todos os elos da cadeia produtiva da erva-mate, um dos símbolos da cultura gaúcha.

    Sob a coordenação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), o Planimate-RS reunirá esforços de entidades públicas e privadas para aprimorar a competitividade do setor. As ações abrangem desde o Cadastro Florestal Estadual e o Sistema de Defesa Agropecuária até fundos de desenvolvimento, câmaras setoriais, programas de qualidade, monitoramento de pragas e pesquisa florestal.

    Entre os principais objetivos estão o fortalecimento institucional, o incentivo à agricultura familiar, a promoção de boas práticas agrícolas e industriais, além do fomento à pesquisa, inovação e consumo da erva-mate. O plano também busca ampliar o acesso a novos mercados, nacionais e internacionais, e facilitar a captação de recursos para investimentos no setor.

    A gestão do Planimate-RS será conduzida por três comitês temáticos — Desenvolvimento, Cultura e Institucional — que contarão com representantes de diferentes segmentos da cadeia produtiva. O decreto estabelece ainda revisões periódicas para garantir que o plano acompanhe as transformações e as demandas do setor.