Tag: EUA

  • Por que a banana pode desaparecer da merenda escolar

    Por que a banana pode desaparecer da merenda escolar

    A banana é uma das frutas mais consumidas do planeta, custa pouco e as crianças adoram. Mas uma proposta no Congresso americano pode tirá-la do cardápio de milhões de estudantes nos Estados Unidos.

    A Farm, Food, and National Security Act of 2026, a nova Farm Bill americana, aprovada pela Câmara dos Representantes em 30 de abril de 2026, traz uma mudança silenciosa com impacto barulhento: o projeto propõe codificar um teto de 5% para compras de alimentos não domésticos nos programas federais de merenda escolar, como o National School Lunch Program e o School Breakfast Program.

    O problema é simples: os Estados Unidos não produzem bananas em escala comercial. A fruta vem quase inteiramente da América Latina e do Caribe. Se o limite entrar em vigor, escolas públicas que dependem de verbas federais precisarão repensar o cardápio.

    O que diz a lei

    Entre as chamadas cláusulas “Buy American”, o projeto proíbe a compra de determinados alimentos importados em programas de alimentação apoiados pelo governo federal. A lógica por trás da medida é clara: estimular o agronegócio americano e reduzir a dependência de cadeias de suprimento estrangeiras. Um argumento que ganhou força no contexto das disputas comerciais e das preocupações com segurança alimentar.

    O 119º Congresso já iniciou os trabalhos na nova Farm Bill, que reautorizaria os programas de nutrição até 30 de setembro de 2031. O texto ainda precisa passar pelo Senado, onde o caminho está longe de ser tranquilo. A proposta enfrenta um trajeto incerto na câmara alta.

    Por que a banana importa tanto

    A banana ocupa um papel central nos programas de nutrição escolar porque atende a múltiplos critérios que os administradores escolares precisam: alto valor nutricional, boa aceitação pelas crianças e baixo desperdício alimentar, um desafio persistente nas cantinas.

    Especialistas em nutrição infantil alertam que restrições ao cardápio podem ter consequências práticas imediatas. Quando crianças recusam substitutos menos conhecidos ou menos atrativos, frequentemente acabam sem comer nada. Ou optam por alternativas menos saudáveis.

    Dados mostram que crianças de baixa renda dependem das refeições escolares para a maior parte da alimentação que consomem durante a semana. Para essas famílias, a merenda não é complemento, é a principal refeição do dia.

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    O campo de batalha político

    A disputa vai além da fruta. A mudança reflete um movimento mais amplo de priorizar produtos agrícolas domésticos em programas financiados pelo governo federal. Defensores da medida argumentam que o dinheiro público americano deve fortalecer o agricultor americano.

    Do outro lado, nutricionistas e grupos de defesa da infância contestam que a geografia não pode se sobrepor à saúde das crianças. Cortes superiores a US$ 600 milhões no programa de merenda escolar já geraram preocupações sobre o valor nutricional das refeições oferecidas nas escolas públicas.

    O contexto econômico complica ainda mais o quadro: os preços dos alimentos subiram mais rápido do que a inflação geral entre maio de 2024 e maio de 2025, com alta de quase 3%. Substituir a banana por frutas produzidas domesticamente, como maçãs, peras, pêssegos, em geral sai mais caro e enfrenta menor aceitação entre os estudantes.

    O que vem por aí

    A proposta ainda depende do Senado para virar lei. Historicamente, a Farm Bill sofre alterações significativas entre as duas câmaras, e a versão final costuma ser resultado de negociações longas. Grupos de nutrição escolar já organizam resistência e devem pressionar por exceções para frutas tropicais que simplesmente não têm equivalente doméstico.

    Por enquanto, a banana permanece nas cantinas. Mas a discussão que se abriu em Washington expõe uma contradição difícil de resolver: em um país que gasta bilhões para alimentar crianças nas escolas, uma lei pensada para proteger o produtor rural pode acabar prejudicando justamente quem mais depende dessa refeição.

  • Carne bovina dispara e rebanho atinge menor nível em 75 anos

    Carne bovina dispara e rebanho atinge menor nível em 75 anos

    A carne bovina nos Estados Unidos vive um cenário de alta persistente, sustentado por uma combinação de oferta apertada e restrições sanitárias. O USDA informou que o rebanho norte-americano caiu para 86,2 milhões de cabeças em 1º de janeiro de 2026, o menor patamar em 75 anos.

    A redução do plantel limita a reposição de animais para abate e mantém a indústria sob pressão. No mesmo relatório, o governo americano apontou 27,6 milhões de vacas de corte. Uma queda de 1% ante o ano anterior, além de um recuo de 2% na safra de bezerros e de 3% nos animais em confinamento.

    As restrições sanitárias também pesaram sobre a oferta. Em fevereiro de 2025, o USDA retomou as importações de gado e bisões do México sob um novo protocolo, depois de suspender os embarques em novembro de 2024 por causa da deteção de New World screwworm no sul do país vizinho.

    Na prática, esse ambiente reduz o fluxo de animais para os frigoríficos e sustenta a valorização da carne ao longo da cadeia. O resultado aparece no bolso do consumidor e reforça a possibilidade de mudanças nos fluxos internacionais de carne e gado, com impacto direto sobre comércio, consumo e preços.

  • Demanda por suco desafia setor citrícola em 2026/27

    Demanda por suco desafia setor citrícola em 2026/27

    A safra brasileira de laranja 2025/26 caminha para o encerramento. No entanto, o setor já volta as atenções para os desafios de 2026/27. Os pesquisadores do Cepea afirmam que a principal preocupação deixa de ser a oferta de fruta. Agora, o foco está na recuperação da demanda global por suco de laranja.

    Mesmo com a expectativa de menor produção brasileira na próxima temporada, as exportações seguem em ritmo limitado. Além disso, a demanda europeia ainda apresenta recuperação lenta. Entre julho de 2025 e maio de 2026, o Brasil exportou 749,1 mil toneladas de suco de laranja em equivalente concentrado. O volume ficou apenas 2,8% acima do registrado na safra anterior.

    Os dados da ComexStat mostram crescimento modesto nos embarques. Porém, a receita cambial recuou 27,6% no período. Segundo o Cepea, a queda ocorreu devido à forte desvalorização dos preços internacionais. Ao longo da safra, as cotações externas caíram quase 30%.

    Enquanto isso, os Estados Unidos ampliaram sua relevância para o setor citrícola brasileiro. O país consolidou sua posição como principal suporte das exportações nacionais. A participação norte-americana na receita das vendas externas subiu de 39% para 44%. Já a fatia da União Europeia recuou de 51% para 47%.

    De acordo com os pesquisadores, esse movimento evidencia as dificuldades da recuperação do consumo europeu. Historicamente, o bloco representa o principal destino do suco brasileiro.

    De olho nas tarifas norte-americanas

    Além da demanda internacional, o mercado monitora as discussões tarifárias nos Estados Unidos. O tema ganhou importância ao longo da atual temporada.

    Para a safra 2026/27, o desempenho do mercado dependerá de vários fatores. Entre eles estão a retomada do consumo na Europa e nos Estados Unidos. Além disso, o setor aguarda definições sobre o ambiente regulatório e tarifário norte-americano. Esse cenário deve influenciar diretamente as exportações brasileiras de suco de laranja.

  • Snake yoga: aula relaxante com cobras é febre nos EUA

    Snake yoga: aula relaxante com cobras é febre nos EUA

    A verdade é que os animais estão a cada dia mais imerso na rotina dos humanos. Os “pais de pet” já dominam as cidades e demonstram uma conexão emocionante. E, é claro, a yoga também entra nisso. Provavelmente você já viu alguém fazendo a postura do cachorro olhando para baixo ao lado de um cachorro de verdade, por exemplo. No Alasca, chegaram a fazer ioga com renas. Parecia que o limite havia sido atingidom, mas Portland, nos Estados Unidos, discorda.

    Por lá, uma loja especializada em répteis passou a oferecer aulas de yoga com cobras.

    Aula exótica

    A aula dura uma hora e conta com a participação de várias pítons e de uma jiboia filhote chamada Mango. Os animais variam bastante em tamanho: de tímidos trinta centímetros a impressionantes dois metros de comprimento.

    Snake yoga é a nova tendência que mistura meditação com cobras vivas subindo pelo corpo — (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

    Os tratadores de répteis da loja colocam as cobras sobre os ombros ou barrigas dos participantes, mas não demora muito para os animais tomarem a iniciativa. Aparentemente, o instinto que leva algumas cobras a escalar árvores também se aplica perfeitamente a escalar humanos.

    Quem aparece nas aulas?

    Segundo um jornal local, cerca de 80% dos participantes são fãs assumidos de cobras e aparecem por escolha própria. Os outros 20% chegam como terapia de exposição ou, em muitos casos, arrastados por algum familiar entusiasmado que achou que seria uma boa ideia para um domingo de manhã.

    Seja por curiosidade, superação de fobias ou puro amor por répteis, as aulas têm viralizado nas redes sociais e atraído cada vez mais aventureiros dispostos a testar os próprios limites.

     

  • Caçador americano morre pisoteado por 5 elefantes durante safari

    Caçador americano morre pisoteado por 5 elefantes durante safari

    Um caçador experiente dos EUA encontrou um fim trágico na floresta africana. Ernie Dosio, de 75 anos, morreu atacado por uma manada de elefantes durante safari no Gabão. O incidente expõe os perigos imprevisíveis de caçadas legais em áreas selvagens.

    Tragédia no parque nacional

    Ernie Dosio participava de uma caçada licenciada no Parque Nacional de Lopé-Okanda, no Gabão. O grupo buscava antílopes raros, como o duiker de dorso amarelo, e bufalos-anões. Tudo custava cerca de 30 mil libras esterlinas. De repente, cinco elefantes fêmeas com um filhote surgiram da vegetação densa. Eles atacaram sem aviso.

    O guia profissional foi jogado ao chão e desarmado. Dosio, armado apenas com um rifle leve para presas menores, não resistiu. A morte veio rápida, sob as patas dos animais. A Collect Africa Safaris, operadora do tour, confirmou o fato e organizou o repatriamento do corpo aos EUA.

    “Enquanto estavam na floresta, Ernie e seu caçador profissional surpreenderam cinco fêmeas de elefante da floresta com filhotes e, sentindo-se ameaçados, os elefantes os atacaram imediatamente.” — Caçador aposentado na Cidade do Cabo, em entrevista ao jornal britânico The Mirror.

    Foto de arquivo – Ernie Dosio, em 2014
    Imagem: Reprodução/bobbyhansensafaris.com

    “Ernie havia agendado uma caçada de búfalos anões da floresta e duikers, em particular o duiker de dorso amarelo, e sob leis rigorosas de licenciamento ele não podia levar suas próprias armas”, afirmou o mesmo caçador.

    Veterano das caçadas troféu

    Ernie Dosio era dono da Pacific AgriLands Inc, empresa ligada à gestão de vinhedos na Califórnia. Entusiasta, colecionava troféus em casa. Suas salas exibiam centenas de animais empalhados, incluindo elefantes de caçadas passadas. Aos 75 anos, ele optou por uma caçada seletiva na floresta pluvial. No entanto, elefantes protegidos transformaram o passeio em fatalidade. Familiares e amigos lamentam a perda de um apaixonado pela aventura.

    Morte de Ernie Dosio expõe perigos.          Imagem: Reprodução/Flickr

    “Ernie realizava um evento de caridade lá todo mês, onde comida era servida aos membros das lojas Elk e cidadãos respeitáveis da comunidade”, afirmou um amigo à imprensa britânica.

    O corpo do caçador vai ser repatriado para a Califórnia, com apoio da embaixada dos EUA no Gabão. A informação foi relatada por pessoas próximas à família.

    Licenças de caça e elefantes-da-floresta no Gabão

    Caçadas no Gabão seguem regras rígidas locais sobre armas e espécies permitidas. Um caçador aposentado defendeu as atividades do grupo. “Embora muitos discordem da caça de grandes animais, todas as caçadas de Ernie eram estritamente licenciadas e legais, e registradas como conservação no controle do número de animais”, afirmou ele.

    O Gabão abriga uma das maiores populações de elefantes-da-floresta do planeta, com cerca de 50 mil animais. Esse número representa aproximadamente 60% da população remanescente da espécie. A concentração eleva os riscos em safáris na região.

    Riscos em safáris africanos

    Incidentes assim não são isolados na África. Elefantes protegem crias com fúria extrema em habitats densos. Caçadores pagam fortunas por licenças legais, mas a natureza ignora regras. No Gabão, o parque Lopé-Okanda abriga populações ameaçadas, elevando tensões.

    Operadoras como Collect Africa enfatizam guias treinados. Ainda assim, ataques surpresa persistem. Para turistas e caçadores, o alerta é claro: o luxo esconde perigos letais.

  • Exportações de soja dos EUA afundam 18% e abrem brecha no mercado

    Exportações de soja dos EUA afundam 18% e abrem brecha no mercado

    Você, produtor, já sentiu essa freada no mercado de soja? O USDA jogou um balde de água fria nos números americanos. As vendas externas despencaram 18% no acumulado, e isso mexe direto no tabuleiro global do grão.

    Como a queda na soja americana impacta a sua safra?
    (Foto: Embrapa)

    Números que preocupam o produtor

    Na semana encerrada em 16 de abril, os EUA venderam 364,6 mil toneladas de soja. O volume cresceu 47% ante a semana anterior, mas ficou 7% abaixo da média das últimas quatro semanas. O Japão liderou as compras, embora o mercado contasse com algo entre 200 mil e 600 mil toneladas.

    O acumulado da temporada pinta o quadro real. Os americanos bateram 38,517 milhões de toneladas até agora, 18% menos que no mesmo período do ano passado.

    Soja patina, milho dispara

    Enquanto a soja americana engasga, o milho decola. Os EUA exportaram 1,316 milhão de toneladas na mesma semana, puxados pela Coreia do Sul, e o total da temporada já supera o ano anterior em 28%.

    Esse descompasso cria instabilidade. O Brasil ganha espaço, especialmente na China, mas a concorrência acirrada pressiona preços e estoques em todo lado.

    Motivos da freada nos EUA

    Tarifas entre EUA e China travam as compras chinesas de soja americana. Produtores do outro lado do oceano lidam com estoques parados e vendas mornas para a nova safra.

    O USDA estima exportações totais em 41,9 milhões de toneladas pros EUA. Aqui no Brasil, isso impulsiona nossos embarques, mas aperta a oferta interna para esmagamento.

    Oportunidade e risco para o Brasil

    Nossos exportadores avançam na Ásia com força. No entanto, esse ritmo acelerado pode encarecer o grão para a indústria local e corroer margens no esmagamento. Fique ligado nos próximos dados do USDA. Uma virada americana ameaça nossa fatia, mas por ora, o jogo favorece quem embarca mais rápido

  • Agro redireciona rotas e usa Mar Vermelho após bloqueio no Estreito de Ormuz

    Agro redireciona rotas e usa Mar Vermelho após bloqueio no Estreito de Ormuz

    O agronegócio brasileiro mergulha em um verdadeiro pesadelo logístico. O Estreito de Ormuz, essa artéria vital do comércio global, fechou no fim de fevereiro de 2026 em meio às tensões entre Irã, EUA e Israel. Remessas de frango, grãos e soja agora desviam para o Mar Vermelho, um caminho que dobra custos de frete e acende temores de atrasos que pesam direto no seu bolso.

    Rotas redirecionadas

    Enquanto os exportadores correm para manter os produtos rolando, grandes transportadoras redirecionam navios carregados com os 95 mil contêineres de frango brasileiro do ano passado, rumo ao Oriente Médio. Ricardo Santin, do comando da ABPA, diz que nenhum rompimento grande aconteceu ainda; navios em trânsito tentam passagem, enquanto o Ministério da Agricultura ajusta papéis para novos portos. Ainda assim, fretes de contêineres refrigerados quase dobraram da noite pro dia, corroendo lucros em cada etapa.

    Mudança de rotas após bloqueio pressiona fretes, atrasa cargas e afeta insumos agrícolas

    O desvio pelo Mar Vermelho salva alguns negócios, mas armazéns lotam com cargas congeladas que não esperam pra sempre. Negociantes miram portos turcos como rota alternativa esperta pra Ásia Central, burlando o bloqueio do Golfo por completo.

    Escassez de fertilizantes já é um problema

    O Brasil importa 85% dos fertilizantes, e 20-30% do suprimento mundial passa por Ormuz. Preços da ureia saltaram 36% em dias, enquanto o enxofre pros fosfatos atrasa, encarecendo soja, milho e algodão em todo o Cerrado.

    Daniel Kümmel, da Abitrigo, alerta pro baque imediato. “Esse fechamento do Estreito de Ormuz já impacta diretamente nossos negócios, porque fretes marítimos vão mudar, a questão dos seguros e a questão também do petróleo em si.” Estoques de trigo aguentam três meses, mas pães podem subir de preço no país todo se o rolo se arrastar. Um dólar mais forte engorda a receita de exportação em reais, mas agrotóxicos e máquinas importadas mordem de volta.

    Produtor rural vive momento de tensão

    O agro fica de olho em cada faísca do conflito. Problemas logísticos dominam sobre proibições totais, somando-se aos engasgos globais de navios. Especialistas da UFG apontam a falta de ureia e enxofre como as verdadeiras assassinas de produtividade na próxima safra.

    Produtores se viram onde dá, mas o tabuleiro segue instável. Uma guerra prolongada pode forçar cortes no plantio ou margens de navalha. Todo mundo acompanha os fios diplomáticos, torcendo por um alívio antes do próximo ciclo de cultivo decolar.

  • Brasil mira México, Colômbia e Peru para diversificar exportações de tilápia

    Brasil mira México, Colômbia e Peru para diversificar exportações de tilápia

    A piscicultura brasileira vive um momento de inflexão. Diante de novas barreiras comerciais e da concorrência internacional crescente, o setor intensifica a busca por mercados alternativos para a tilápia, hoje concentrada nos Estados Unidos, destino de cerca de 92% das exportações.

    O presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, vê o cenário atual como um catalisador de mudanças. “Estamos entrando nos anos de ouro da tilapicultura nacional. Não é um caminho sem desafios, mas é um período com mais oportunidades para quem estiver preparado”, afirma.

    Apesar da forte dependência do mercado norte-americano, o desempenho recente surpreendeu. O pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Xavier Pedroza Filho, destaca que as exportações cresceram cerca de 2% no último ano, mesmo com a adoção de novas tarifas a partir de agosto. Para ele, o dado comprova a resiliência do setor, mas não elimina o risco. “A dependência de um único mercado exige atenção”, alerta.

    América Latina entra no radar

    Com o cenário em transformação, países da América Latina ganham peso na estratégia de expansão. O México lidera as atenções: o país importa cerca de 92 mil toneladas de tilápia por ano, mais da metade do volume adquirido pelos Estados Unidos. Ainda assim, a presença brasileira no país segue tímida.

    “É um mercado que começou a ser explorado mais recentemente, ainda com volumes modestos, mas com grande potencial de crescimento”, avalia Pedroza.

    Colômbia e Peru também figuram como oportunidades concretas. Além do volume expressivo de importações, a proximidade geográfica pode dar ao Brasil vantagem logística frente a concorrentes asiáticos.

    Gargalo industrial trava avanço nos mercados de maior volume

    O principal entrave para avançar nesses mercados não está na produção, está no produto. O Brasil exporta majoritariamente filé fresco, item de maior valor agregado, mas de menor escala. No mercado global, quem domina o volume é o produto congelado, mais barato e amplamente controlado por China e Vietnã.

    “A indústria brasileira passa por um momento de reorganização. A expectativa é que novas regras ampliem a competitividade no filé congelado, o que pode mudar o posicionamento do país no mercado internacional”, explica Pedroza.

    A possível flexibilização de normas industriais aparece como ponto-chave nessa equação. Para Medeiros, o impacto pode ser rápido. “Ajustes industriais têm potencial de gerar resultados em curto prazo, ao contrário de avanços produtivos, que levam anos”, ressalta. Segundo ele, a vantagem dos concorrentes asiáticos está diretamente ligada à eficiência industrial. E é essa diferença que o Brasil precisa reduzir para disputar mercados de maior volume.

    O setor enfrenta ainda outro obstáculo relevante: o fechamento do mercado europeu para o pescado brasileiro desde 2017. Na avaliação de Medeiros, a reabertura depende de negociações diplomáticas e adequações sanitárias que fogem do alcance direto do setor produtivo. “Esse bloqueio reforça ainda mais a necessidade de diversificar mercados e reduzir riscos”, completa Pedroza.

    Coordenação e inteligência de mercado ganham protagonismo

    Com o ambiente mais competitivo, a articulação entre indústria, associações e pesquisa passa a ocupar papel central na estratégia do setor. A atuação conjunta entre PEIXE BR e Embrapa orienta a identificação de mercados e o direcionamento das empresas.

    Diego Vargas / Seapa MG

    “A associação organiza informações, aponta caminhos e antecipa tendências. A decisão é do empresário, mas é fundamental ter clareza sobre onde estão as oportunidades”, reforça Medeiros.

    A próxima fase da produção de tilápia brasileira aponta para maior inserção internacional e pressão crescente por competitividade. Além da tilápia, espécies nativas como o tambaqui despontam como vetor de crescimento. Principalmente no mercado interno e, no longo prazo, nas exportações.

    “A palavra-chave para 2026 é ampliação de mercado, dentro e fora do Brasil”, resume Pedroza.

  • Café do Brasil reage a investigação dos Estados Unidos

    Café do Brasil reage a investigação dos Estados Unidos

    Os exportadores de café do Brasil intensificam a defesa após nova investigação comercial dos Estados Unidos. O governo de Donald Trump acusa países, incluindo o Brasil, de falhas contra trabalho forçado. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mobiliza estratégias para responder à investigação baseada na seção 301.

    O diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, afirma que o setor já dialoga com a Associação Americana de Café. Além disso, a entidade pretende atuar diretamente nos debates e apresentar dados sobre o Brasil.

    Investigação acende alerta no mercado

    Matos reconhece que a apuração gera preocupação entre exportadores brasileiros. Ele cita um caso recente no México, onde a Justiça americana condenou uma fazenda por irregularidades trabalhistas. Por isso, o Cecafé estruturou um plano estratégico para proteger a imagem do café brasileiro.

    Estratégia inclui documentos e legislação

    O setor prepara documentos técnicos para explicar a legislação trabalhista brasileira aos Estados Unidos. Também destaca fiscalizações em fazendas e regras rígidas adotadas no país. Além disso, o Brasil possui a lista suja do trabalho análogo à escravidão, usada como referência internacional. Segundo Matos, essas informações serão apresentadas diretamente no processo.

    Apoio do governo e reforço na fiscalização

    O Cecafé também auxilia o governo brasileiro na produção de documentação técnica. Esse trabalho ocorre por meio do Pacto Social do Café com o Ministério do Trabalho. Matos afirma que a contratação de mais de 800 auditores fiscais, prevista para 2025, fortalece a defesa.

    Tarifas e riscos comerciais entram no radar

    Atualmente, o café em grão e o torrado do Brasil permanecem fora de tarifas nos Estados Unidos. Por outro lado, o café solúvel enfrenta taxa de 10%, com risco de subir para 15%. Matos avalia que a investigação aumenta os riscos para o setor exportador.

    Setor aposta em diálogo para reduzir impactos

    Na semana passada, representantes do Cecafé participaram da Convenção da Associação Americana de Café, na Flórida. O evento reuniu cerca de 800 profissionais e discutiu incertezas no mercado global. Por fim, Matos afirma que o setor mantém atuação ativa para reduzir ameaças. Ele defende maior aproximação entre empresas brasileiras e americanas para sustentar decisões comerciais.

  • Exportações brasileiras aos EUA despencam e atingem pior nível desde 2023

    Exportações brasileiras aos EUA despencam e atingem pior nível desde 2023

    As exportações brasileiras para os Estados Unidos enfrentam um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos. Segundo dados inéditos do Monitor do Comércio Brasil–EUA, divulgado pela Amcham Brasil, o valor embarcado para o país norte-americano no primeiro bimestre de 2026 foi o menor para o período desde 2023.

    Entre janeiro e fevereiro, as vendas externas para os EUA totalizaram US$ 4,9 bilhões, uma queda expressiva de 23,2% em comparação com o mesmo intervalo de 2025. A retração representa US$ 812 milhões a menos na balança comercial bilateral.

    Somente em fevereiro, o recuo foi de 20,3% na comparação anual, atingindo US$ 2,5 bilhões. Com esse resultado, o fluxo de exportações para o mercado americano acumula agora sete meses consecutivos de queda livre. Um movimento iniciado em agosto de 2025, quando os EUA impuseram sobretaxas de importação que variaram entre 40% e 50% para uma vasta gama de produtos brasileiros.

    O efeito das tarifas e a virada na corte americana

    É importante ressaltar que os números divulgados ainda não refletem a recente reviravolta judicial. No final de fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu pôr fim às sobretaxas de 40% e 50%. Substituindo-as por uma nova tarifa global de 10%. Como a decisão saiu apenas no fim do mês, os seus efeitos práticos no comércio bilateral devem começar a ser percebidos nas estatísticas a partir de março.

    “Os dados de fevereiro ainda não capturam os efeitos da redução das sobretaxas decorrente da decisão da Suprema Corte. Será importante acompanhar, nos próximos meses, em que medida essa mudança contribuirá para melhorar o desempenho das exportações”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

    Petróleo e café puxam queda, mesmo sem tarifas

    A pressão sobre a pauta exportadora em fevereiro veio, surpreendentemente, de setores que não estavam sujeitos às tarifas. O petróleo bruto, principal item da pauta, sofreu uma queda abrupta de 80,7% nas vendas. Os combustíveis derivados também recuaram 42,2%, influenciados por questões conjunturais de mercado.

    Outro destaque negativo foi o café, que, apesar de isento das sobretaxas desde novembro, viu suas exportações caírem 40% em relação a fevereiro do ano passado, contribuindo significativamente para o resultado negativo.

    Já os produtos que estavam sob o guarda-chuva das tarifas mais pesadas (entre 40% e 50%) registraram uma queda de 27,4% no mês. Itens de madeira, enquadrados nas tarifas da Seção 232, tiveram retração ainda mais severa.

    Déficit comercial explode

    A situação é agravada pela dinâmica das importações. Embora as compras brasileiras de produtos americanos também tenham caído em fevereiro (-16,5%), a retração foi menos intensa do que a das exportações. Como resultado, o déficit do Brasil no comércio bilateral com os EUA saltou para US$ 900 milhões no bimestre. Um aumento colossal de 142,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Portanto, com esse movimento, os Estados Unidos perderam uma posição no ranking de fornecedores do Brasil, caindo para o terceiro lugar, atrás de China e Coreia do Sul.

    Enquanto o mercado aguarda para ver se a nova tarifa global de 10% amenizará o impacto sobre os produtos brasileiros, a Amcham faz um alerta para o futuro. “É fundamental que os governos dos dois países avancem em entendimentos para evitar novas restrições comerciais. Especialmente no âmbito da investigação da Seção 301”, conclui Abrão Neto, destacando a necessidade de diálogo para evitar novos solavancos no comércio entre as duas nações.