Tag: Anvisa

  • Nova estratégia da Anvisa reduz tempo de análise de agrotóxicos

    Nova estratégia da Anvisa reduz tempo de análise de agrotóxicos

    A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) lançou uma estratégia inédita de fiscalização no setor de agrotóxicos. A iniciativa inclui visitas técnicas às indústrias para verificar in loco se as informações dos processos de registro correspondem ao processo produtivo real e atendem às normas vigentes.

    A primeira inspeção ocorreu entre 16 e 18 de dezembro de 2025, na empresa Nortox, em Arapongas (PR). Com essa visita, a Anvisa finalizou a implementação das etapas da metodologia otimizada de análise de produtos agrotóxicos formulados a partir de produto técnico equivalente, conforme estabelece a Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) 950/2024.

    A agência elaborará um cronograma de visitas técnicas para 2026, que será acordado previamente com as empresas selecionadas.

    Metodologia reduz tempo de análise sem comprometer segurança

    A RDC 950/2024 reduziu significativamente o tempo que a Anvisa dedica às análises toxicológicas baseadas apenas em documentação, sem comprometer o rigor técnico. A medida permite que a agência direcione esforços para atividades de pós-mercado, como as visitas técnicas que verificam a conformidade das informações apresentadas no registro.

    Até 2 de janeiro de 2026, a Anvisa concluiu cerca de 750 avaliações toxicológicas de agrotóxicos formulados obtidos a partir de produtos técnicos equivalentes. O resultado representa uma redução de 75% na fila desses produtos.

    Estratégia se expande para outros tipos de produtos

    Diante dos resultados expressivos, a Diretoria Colegiada da Anvisa aprovou a RDC 1.005/2025, que estende a mesma estratégia aos produtos formulados obtidos a partir de produto técnico não equivalente.

    A nova resolução promove harmonização na análise para diferentes tipos de produtos formulados. A medida mantém os benefícios da otimização sem aumentar o risco sanitário ou o custo regulatório.

    Ferramentas digitais e novos prazos

    A Anvisa aprimora o procedimento de avaliação toxicológica sem alterar os critérios técnicos já estabelecidos. O processo utiliza a Ferramenta de Leitura Otimizada no Registro de Agrotóxicos (FLORA) e a Declaração de Constituição e Informação de Perigo do Agrotóxico (DCIPA).

    As empresas devem apresentar a DCIPA e a FLORA para todos os processos previstos na RDC 1.005/2025, incluindo os já protocolados e os novos. Para petições anteriores à vigência da resolução, as empresas têm até 2 de julho de 2026 para protocolar os documentos via Sistema Solicita.

    A agência disponibilizou uma Nota Técnica com diretrizes para a correta classificação dos produtos formulados obtidos a partir de produto técnico não equivalente. As empresas registrantes declararão a classificação de perigo do produto formulado por meio da DCIPA.

    Controle sanitário mais rigoroso

    O protocolo dos novos requisitos não substitui a submissão dos demais documentos previstos nos regulamentos sanitários vigentes. A Anvisa pode analisar a documentação integral protocolada a qualquer momento, mesmo com a avaliação otimizada.

    A resolução estabelece que inconsistências nas informações podem resultar na revisão das decisões adotadas sob o novo procedimento, a qualquer tempo.

    A Anvisa espera atuar de forma mais efetiva com as novas medidas, fortalecendo o controle sanitário e garantindo maior segurança sobre a veracidade dos dados utilizados na avaliação toxicológica. O objetivo é criar um ambiente regulatório mais robusto e ativo, com impacto direto na proteção da saúde da população.

  • Anvisa determina recolhimento de lote contaminado de chá

    Anvisa determina recolhimento de lote contaminado de chá

    A Anvisa determinou, nesta segunda-feira (5), o recolhimento do lote 6802956 do Chá de Camomila Lavi Tea, da marca Água da Serra, após identificar falhas graves nas boas práticas de fabricação. O órgão também suspendeu a comercialização, distribuição, divulgação e consumo do produto em todo o país.

    As autoridades adotaram a medida depois que a Água da Serra Industrial de Bebidas S.A. comunicou o recolhimento voluntário do lote ao constatar irregularidades no chá. Esse tipo de ação ocorre quando a própria fabricante identifica problemas que podem comprometer a qualidade ou segurança do produto.

    De acordo com análises laboratoriais, o ensaio de identificação de elementos histológicos detectou presença de talos, ramos e sementes estranhas ao chá de camomila. Outro teste, voltado à pesquisa de matérias estranhas, encontrou 14 larvas inteiras e 224 fragmentos de insetos em apenas 25 gramas do produto, ultrapassando amplamente o limite máximo permitido de 90 fragmentos por amostra.

    Os resultados indicam falhas significativas no controle de qualidade e nas boas práticas de fabricação do lote específico.

    Pomada cicatrizante também é proibida

    A Anvisa também proibiu a comercialização da Pomada Cicatrizante Inkdraw Aftercare, indicada para cuidados pós-tatuagem. O produto, de origem desconhecida, não possui registro ou notificação sanitária junto à agência. O que inviabiliza sua venda, fabricação, importação, e uso no território nacional.

  • Anvisa lança página sobre riscos de exposição a agrotóxicos

    Anvisa lança página sobre riscos de exposição a agrotóxicos

    A Anvisa lançou uma nova página dedicada à avaliação dos riscos de exposição a agrotóxicos para operadores, trabalhadores, residentes e transeuntes. A iniciativa amplia o acesso público a informações técnicas e regulatórias sobre os impactos desses produtos na saúde humana.

    O espaço digital reúne materiais essenciais para compreender como a Agência realiza as análises de risco, incluindo instrumentos normativos como a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 998/2025, que estabelece diretrizes para avaliação da exposição a agrotóxicos e produtos de controle ambiental. Também estão disponíveis o Guia nº 84/2025, um documento de Perguntas e Respostas, e a calculadora avaliAR, com manual, apêndices e vídeos explicativos.

    A página apresenta os principais conceitos utilizados na análise do risco ocupacional e da exposição ambiental, explicando de forma acessível como a Anvisa identifica e avalia diferentes formas de contato com agrotóxicos durante e após a aplicação no campo.

    Segundo a Agência, o conteúdo busca esclarecer o processo regulatório e fortalecer ações preventivas voltadas à proteção da saúde da população rural. A medida também reforça a transparência da Anvisa na condução de avaliações técnicas que orientam políticas públicas e práticas seguras no uso de defensivos agrícolas.

    Com a publicação, a Anvisa pretende ampliar o entendimento da sociedade sobre a importância de critérios científicos rigorosos na análise de agrotóxicos. Além de contribuir para a redução de riscos à saúde humana em áreas agrícolas.

  • Anvisa proíbe adoçante até avaliação de segurança

    Anvisa proíbe adoçante até avaliação de segurança

    A Anvisa proibiu nesta semana a comercialização e o uso do produto Alulose, fabricado pela empresa Sainte Marie Importação e Exportação. A decisão, publicada em resolução no Diário Oficial da União, também veta a distribuição, importação e propaganda do produto.

    Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a substância alulose não faz parte da lista de ingredientes aprovados para uso em alimentos ou adoçantes no Brasil. Por isso, o produto não pode ser vendido nem utilizado. Pelo menos até que passe por avaliação de segurança e eficácia.

    Segundo a Anvisa, todo ingrediente considerado novo, sem histórico de consumo seguro no país, precisa passar por avaliação antes de chegar ao mercado. Nessa análise, a agência examina o processo de fabricação e verifica se o alimento pode conter substâncias prejudiciais à saúde ou quantidades acima dos limites seguros de consumo.

    O que é alulose?

    A alulose é um açúcar de baixa caloria naturalmente encontrado em pequenas quantidades em alimentos como figos, uvas e trigo. Quimicamente semelhante à frutose, ela fornece cerca de 0,2 a 0,4 kcal por grama, o que representa apenas 10% das calorias do açúcar comum.

    Diversos países, como Estados Unidos e Japão, já aprovaram o uso da alulose como adoçante em produtos industrializados. Pesquisas indicam que a substância não eleva significativamente os níveis de glicose ou insulina no sangue. O que a torna uma alternativa promissora para pessoas que procuram reduzir o consumo de açúcar.

    No entanto, no Brasil, a alulose ainda não é regulamentada pela Anvisa como ingrediente alimentar. E nem como adoçante. Portanto, seu uso depende de aprovação após análise técnico-científica detalhada.

  • Revista científica retira estudo sobre segurança do glifosato após 25 anos

    Revista científica retira estudo sobre segurança do glifosato após 25 anos

    A revista científica norte-americana Regulatory Toxicology and Pharmacology despublicou oficialmente um artigo de 2000 que defendia a segurança do glifosato, agrotóxico mais utilizado no mundo. A decisão expõe problemas éticos, falta de integridade científica e levanta dúvidas sobre os resultados da pesquisa que influenciou políticas regulatórias em diversos países, incluindo o Brasil.

    Gary M. Williams, Robert Kroes e Ian C. Munro assinaram o estudo publicado em abril de 2000, que concluía que o glifosato não representava risco de desenvolvimento de câncer em humanos. No entanto, documentos internos da Monsanto divulgados em 2017 durante processos judiciais nos Estados Unidos, conhecidos como “Monsanto Papers”, revelaram que funcionários da empresa ajudaram a redigir o artigo sem o devido reconhecimento como coautores.

    Em um e-mail de 2015, William Heydens, executivo da Monsanto, sugeriu repetir a estratégia adotada no artigo de 2000. “Uma opção seria manter os custos baixos fazendo nós mesmos a redação e eles apenas editariam e assinariam seus nomes, por assim dizer. Lembre-se que foi assim que lidamos com Williams, Kroes e Munro, 2000”, escreveu Heydens, segundo documentos judiciais.

    O editor-chefe da revista, Martin van den Berg, destacou em comunicado de dezembro de 2025 várias “preocupações” e “problemas críticos” no estudo. Entre eles, a falta de clareza sobre os verdadeiros autores do texto e a ausência de menção ao envolvimento de funcionários da Monsanto, atualmente parte do grupo Bayer, na redação do artigo.

    O artigo também baseou suas conclusões exclusivamente em estudos não revisados por pares e fornecidos pela própria Monsanto. Portanto, ignorando pesquisas já publicadas à época que contradiziam suas conclusões. Além disso, investigações indicam que os autores podem ter recebido compensações financeiras não divulgadas da empresa.

    Estudo influenciou regulamentação do glifosato no Brasil e no mundo

    A pesquisa exerceu influência significativa em debates regulatórios sobre o uso de agrotóxicos globalmente. No Brasil, o artigo foi um dos estudos científicos citados no processo de reavaliação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que manteve a substância autorizada no país. O processo iniciou em 2008 e concluiu em 2019, quando a Anvisa determinou que o agrotóxico não causava prejuízos à saúde.

    Pesquisadores Alexander Kaurov, da Universidade Victoria de Wellington, na Nova Zelândia, e Naomi Oreskes, historiadora da ciência da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, solicitaram formalmente a retratação do artigo. Em análise publicada em setembro de 2024, eles descobriram que o artigo está entre os 0,1% mais citados na literatura acadêmica sobre glifosato.

    Van den Berg tentou, sem sucesso, obter esclarecimentos do único autor ainda vivo, Gary M. Williams. Robert Kroes faleceu em 2006 e Ian Munro em 2011. A despublicação seguiu uma análise cuidadosa das diretrizes do COPE (Committee on Publication Ethics), que regem o comportamento acadêmico.

    Anvisa utilizou estudo controverso na reavaliação do agrotóxico no Brasil

    O glifosato serve como base para mais de cem produtos disponíveis no mercado brasileiro, com uso em plantações agrícolas e também em jardins. Em 2015, durante o processo de reavaliação no Brasil, a IARC (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer), ligada à OMS (Organização Mundial da Saúde), classificou a substância como “provavelmente cancerígena” em humanos.

    Procurada pela imprensa, a Anvisa informou que “qualquer consideração seria necessário a avaliação da área técnica”. E destacou que o artigo em questão “não foi o único dado, pesquisa ou informação utilizada para avaliação da Anvisa”. A agência afirmou que, para o processo de reavaliação, analisa um conjunto extenso de dados e estudos relacionados ao tema.

    Karen Friedrich, toxicologista do Grupo Temático de Saúde e Ambiente da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), observa que a prática de “ghostwriting” aparece diversas vezes nos Monsanto Papers. Indicando que funcionários da Monsanto teriam escrito outros artigos assinados posteriormente por cientistas e publicados em revistas científicas.

    Bayer afirma que glifosato é seguro e usado há mais de 40 anos

    A Bayer, em nota enviada à imprensa, afirmou que o glifosato tem sido usado “com segurança e sucesso em todo o mundo há mais de 40 anos”. A empresa declarou ainda acreditar que “o envolvimento da Monsanto foi adequadamente citado nos agradecimentos”. E que “o consenso entre órgãos reguladores em todo o mundo que conduziram suas próprias avaliações independentes baseadas no peso das evidências é que o glifosato pode ser usado com segurança conforme orientado e não é cancerígeno”.

    A Bayer adquiriu a Monsanto em 2018 por US$ 63 bilhões e herdou um passivo de mais de 67 mil processos judiciais nos Estados Unidos. Ações movidas por vítimas de câncer resultaram em bilhões de dólares em indenizações, e a empresa já pagou US$ 11 bilhões para resolver extrajudicialmente mais de 100 mil processos.

    Em janeiro de 2024, um júri da Pensilvânia condenou a Bayer ao pagamento de US$ 2,25 bilhões após concluir que a Monsanto “não alertou sobre os perigos” do Roundup. A empresa aguarda decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre a admissibilidade de um novo recurso relacionado aos litígios do glifosato.

    Especialistas pedem nova reavaliação do produto no país

    Alan Tygel, membro da coordenação da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, afirma que a despublicação do artigo “coloca em xeque o próprio resultado da reavaliação da Anvisa”. Ele defende que a reavaliação de agrotóxicos no Brasil deve ser iniciada quando há informações científicas novas sobre os produtos que estão em uso. E propõe que a venda desses agrotóxicos seja liminarmente suspensa para proteger a saúde das pessoas.

    Karen Friedrich também defende que “a Anvisa deveria colocar o glifosato em reavaliação novamente, porque as pessoas estão adoecendo e morrendo por conta desse agrotóxico”.

    A despublicação reforça as suspeitas sobre os danos da substância à saúde humana. E abre caminho para novos questionamentos à comercialização do produto no Brasil e no mundo. O advogado Brent Wisner, que representou vítimas em processos contra a Monsanto, classificou o estudo como “o exemplo por excelência de como empresas como a Monsanto podem minar fundamentalmente o processo de revisão por pares através de ghostwriting, seleção tendenciosa de estudos não publicados e interpretações enviesadas”.

  • Anvisa proíbe venda de vinagre popular

    Anvisa proíbe venda de vinagre popular

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta quarta-feira (26/11) o recolhimento imediato de três produtos alimentícios do mercado brasileiro. As medidas incluem a suspensão da comercialização de vinagre de maçã com substância não declarada no rótulo, pó para preparo de bebida com ingrediente proibido e picolé contendo creatina.

    O Vinagre de Maçã da marca Castelo, fabricado pela Castelo Alimentos S/A, teve sua comercialização, distribuição e consumo proibidos após laudo do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) do Distrito Federal comprovar irregularidades.

    A análise fiscal definitiva reprovou o produto no ensaio quantitativo de dióxido de enxofre. Segundo o laudo, o vinagre apresenta quantidade da substância que não consta nas informações do rótulo, violando normas de rotulagem e segurança alimentar.

    A presença não declarada de dióxido de enxofre representa risco à saúde pública, especialmente para consumidores sensíveis ao composto químico, que podem desenvolver reações alérgicas graves ao consumir o produto sem conhecimento prévio da substância.

    Pó para bebida vegetal contém proteína não autorizada

    O “Pó para preparo de bebida vegetal” das marcas Livestrong e Essential Nutrition, produzido pela INP Indústria de Alimentos Ltda., também foi alvo de fiscalização. A Anvisa suspendeu toda a cadeia do produto, incluindo comercialização, distribuição, fabricação, divulgação e consumo.

    A irregularidade identificada pela agência reguladora está na composição do produto, que contém proteína de fava hidrolisada. Este ingrediente ainda não passou por avaliação de segurança para uso em alimentos no Brasil. O que torna sua utilização não autorizada pela legislação sanitária vigente.

    Picolé com creatina é retirado do mercado

    A empresa J M J Re Torres Indústria de Alimentos Ltda. teve seu Picolé de Açaí, Guaraná e Canela Naturalle Ice suspenso pela Anvisa. A determinação abrange todos os estágios da cadeia: comercialização, distribuição, fabricação, divulgação e consumo.

    A presença de creatina na formulação do picolé motivou a ação fiscalizatória. Atualmente, a creatina não possui aprovação para uso em alimentos pela Anvisa, sendo autorizada exclusivamente em suplementos alimentares destinados ao público adulto.

    A agência reguladora reforça que a utilização de ingredientes sem avaliação prévia de segurança coloca em risco a saúde dos consumidores e viola as normas sanitárias brasileiras.

    Orientações aos consumidores

    A Anvisa orienta que consumidores que possuam os produtos mencionados não os consumam e entrem em contato com os fabricantes ou estabelecimentos comerciais onde realizaram a compra para solicitar informações sobre a devolução e reembolso.

    As empresas responsáveis devem proceder imediatamente com o recolhimento dos lotes irregulares e informar seus canais de distribuição sobre a suspensão determinada pela autoridade sanitária.

  • Anvisa autoriza Embrapa a realizar pesquisas com cultivo de Cannabis

    Anvisa autoriza Embrapa a realizar pesquisas com cultivo de Cannabis

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (19) uma autorização excepcional que permitirá à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) conduzir estudos sobre o cultivo da planta Cannabis sativa. A permissão é restrita à pesquisa científica e segue normas rígidas de segurança e rastreabilidade.

    Antes do início dos experimentos, a Embrapa passará por inspeção presencial da Anvisa e deverá comprovar o cumprimento de protocolos técnicos destinados ao controle e à integridade do material. Todo o processo será monitorado pela Agência, que poderá exigir ajustes adicionais sempre que necessário.

    A decisão proíbe a comercialização de qualquer produto ou derivado obtido durante os estudos. O material vegetal só pode ser enviado a outras instituições de pesquisa credenciadas e autorizadas especificamente a trabalhar com Cannabis.

    Ciência e autonomia tecnológica

    Para o diretor da Quinta Diretoria da Anvisa e relator do processo, Thiago Lopes Cardoso Campos, a medida reforça o compromisso da Agência com a ciência, a inovação e a segurança sanitária. “É a ciência quem deve guiar o país. Essa autorização permite que o Brasil produza conhecimento próprio, fortaleça sua autonomia tecnológica e cumpra seu dever com a saúde pública e o desenvolvimento nacional”, afirmou.

    Campos destacou também que pesquisas voltadas a desafios reais do país são fundamentais para gerar tecnologia própria, reduzir dependências externas e ampliar a competitividade brasileira no cenário global.

    Três linhas principais de pesquisa

    A autorização concedida à Embrapa contempla três frentes de investigação:

    • Conservação e caracterização de germoplasma, conduzida pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. O germoplasma é o material genético essencial para estudos de diversidade e melhoramento de espécies vegetais.
    • Bases científicas e tecnológicas para o uso medicinal da Cannabis, a cargo da Embrapa Clima Temperado.
    • Pré-melhoramento do cânhamo para produção de fibras e sementes, desenvolvido pela Embrapa Algodão.

    A Embrapa justificou o pedido destacando o crescimento do interesse internacional pela planta, que reúne potencial econômico, social, ambiental e medicinal. A empresa afirmou ainda estar preparada para atender todas as exigências técnicas e de biossegurança definidas pela Anvisa.

  • Anvisa proíbe suplementos e doce com creatina por irregularidades

    Anvisa proíbe suplementos e doce com creatina por irregularidades

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta terça-feira (18), a proibição e o recolhimento de 12 suplementos alimentares produzidos pela Liv Health Importação e Exportação Ltda. e distribuídos pela Lirius Suplementos Ltda. A medida indica que tais produtos não podem mais ser comercializados, distribuídos, fabricados, divulgados ou consumidos em todo o território nacional.

    A decisão foi tomada após inspeção sanitária identificar sérias falhas nas boas práticas de fabricação e decretar a interdição total da indústria. A fiscalização também constatou divulgação irregular dos produtos, com promessas não comprovadas de benefícios terapêuticos, como redução da inflamação, melhora da saúde de articulações e do sistema cardiovascular, função cerebral e ocular, emagrecimento e regulação dos níveis de açúcar no sangue, entre outros.

    Lista dos suplementos banidos pela Anvisa

    • Mistura para Preparo de Alimentos à Base de Ora-Pro-Nóbis + Mix Vitamina e Minerais + Magnésio + Cúrcuma em pó (todos os lotes)
    • Lirius Flora – Suplemento Alimentar Líquido (todos os lotes)
    • Power Pulse em Pastilhas Mastigáveis (todos os lotes)
    • Uro Redux em Cápsulas (todos os lotes)
    • Renova Lirius Gold em Cápsulas (todos os lotes)
    • Duo for Woman em Cápsulas (todos os lotes)
    • Duo for Men em Cápsulas (todos os lotes)
    • Carti Premium em Cápsulas (todos os lotes)
    • Lirius Vital Corpus em Cápsulas (todos os lotes)
    • Lirius Lumina em Cápsulas (todos os lotes)
    • Action 300 em Cápsulas (todos os lotes)
    • Lirius Ômega 3 em Cápsulas (todos os lotes)

    Segundo a Anvisa, além das falhas sanitárias, os suplementos continham ingredientes não autorizados para essa categoria, como ora-pro-nóbis, berinjela, boldo, figo, carqueja, camomila, amaranto e pimenta caiena, entre outros.

    Natufab Produtos Naturais também está proibida

    A fiscalização identificou irregularidades nos suplementos da marca Natufab Produtos Naturais, de origem desconhecida, determinando a proibição de comercialização, fabricação, distribuição, divulgação e consumo desses produtos. Entre os problemas estão o uso de ingredientes proibidos, como ora-pro-nóbis e maca peruana, além de promessas terapêuticas não aprovadas, voltadas inclusive para diabéticos e pessoas com colesterol e triglicerídeos elevados.

    Doce de amendoim com creatina: recolhimento nacional

    O Doce de Amendoim com Creatina da marca Senhora Paçoca também entrou na lista de produtos proibidos. A Anvisa determinou o recolhimento e suspensão da comercialização, alegando que não há avaliação de segurança para o uso de creatina em alimentos convencionais, liberando seu uso apenas em suplementos destinados à população adulta (a partir de 19 anos).

  • Anvisa proíbe fórmula infantil após suspeita de botulismo em bebês

    Anvisa proíbe fórmula infantil após suspeita de botulismo em bebês

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu nesta terça-feira (18/11) a importação, venda e uso da fórmula infantil ByHeart Whole Milk 720 ml, destinada a crianças de 0 a 12 meses. O produto é fabricado pela empresa americana ByHeart e foi alvo de investigação nos Estados Unidos após suspeita de associação com casos de botulismo em bebês.

    A medida, publicada no Diário Oficial da União, também determina a apreensão de todos os lotes comercializados e proíbe a propaganda e distribuição do produto em território nacional. Segundo a Anvisa, a ação tem caráter preventivo, já que a fórmula não possui registro sanitário no Brasil, o que torna sua venda irregular.

    O alerta foi emitido após comunicado da agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA), responsável por fiscalizar alimentos e medicamentos nos EUA. A FDA iniciou o recolhimento do produto naquele país após identificar possíveis ligações com casos de botulismo infantil. Em resposta, a Anvisa realizou uma busca em plataformas de comércio eletrônico e encontrou anúncios da fórmula sendo oferta no Brasil.

    Orientações a pais e responsáveis

    Até o momento, não há registros de casos de botulismo associados ao consumo do produto no Brasil. Mesmo assim, a Anvisa orienta que consumidores que tenham adquirido a fórmula não utilizem o alimento em hipótese alguma.

    Os sintomas de botulismo podem demorar a surgir e incluem pálpebras caídas, dificuldade para engolir, respirar ou sustentar a cabeça, além de fala arrastada em adultos. Em casos graves, a doença pode causar paralisia muscular e morte. O tratamento exige atendimento médico imediato e administração de antitoxina botulínica para conter a ação da toxina no corpo.

    Pais e responsáveis devem procurar o pronto-socorro ao primeiro sinal dos sintomas e informar ao médico qual alimento foi ingerido. Caso possível, recomenda-se levar uma amostra da embalagem.

    Suspeitas de intoxicação devem ser comunicadas à Anvisa pelo site oficial. Informações adicionais sobre o uso seguro de fórmulas infantis estão disponíveis aqui.

    O que é o botulismo?

    O botulismo é uma doença rara e grave causada pela toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Essa toxina compromete o sistema nervoso e pode provocar fraqueza muscular progressiva, dificuldade para engolir, visão dupla e insuficiência respiratória.

    A transmissão acontece, principalmente, quando a pessoa ingere alimentos que contêm a toxina, como conservas caseiras mal preparadas, enlatados danificados, embutidos e mel cru. Aliás, mel não deve ser oferecido a crianças menores de um ano. O botulismo infantil acontece quando os esporos da bactéria se desenvolvem no intestino do bebê e passam a liberar a toxina no organismo.

    A rápida identificação dos sintomas e o tratamento imediato são fundamentais para evitar complicações. Portanto, a prevenção depende do consumo de alimentos seguros, devidamente registrados e com origem comprovada.

    Cuidados do agronegócio

    O botulismo está diretamente relacionado ao setor agropecuário e representa um desafio sanitário tanto para a produção animal quanto para a segurança de alimentos de origem agrícola. Trata-se de uma toxinfecção grave provocada pela bactéria Clostridium botulinum, presente no solo, na água, em forragens e em restos vegetais decompostos no ambiente rural.​

    Surtos de botulismo são frequentes em rebanhos bovinos, ocorrendo principalmente quando os animais consomem silagem, pastagem ou água contaminada por toxinas bacterianas, ou ingerem carcaças de animais mortos encontradas nas fazendas. A deficiência nutricional, como a falta de fósforo, pode levar bovinos à osteofagia, o hábito de consumir ossos, aumentando o risco de intoxicação.​

    Portanto, o botulismo demanda atenção permanente de produtores e profissionais do agro para evitar prejuízos econômicos e riscos à saúde coletiva. É fundamental investir em processos seguros de produção animal, armazenamento de alimentos e controle sanitário rigoroso no campo.

  • Anvisa proíbe produtos de Cannabis  e dipirona. Conheça as marcas restritas

    Anvisa proíbe produtos de Cannabis  e dipirona. Conheça as marcas restritas

    Nesta quinta-feira, 6 de novembro de 2025, a Anvisa determinou a proibição da comercialização e divulgação dos produtos de Cannabis oferecidos pela empresa Ricardo Pimenta Bastos Guimarães/CBD Brasil, registrada sob o CNPJ 50.762.809/0001-29. A medida suspende a venda de todos os lotes das linhas Rare Cannabinoid, Canna River e CBDFX.

    A agência explica que a CBD Brasil não possui autorização para importar e comercializar esses produtos, apesar de anunciá-los em seu site.

    Dipirona com lote adulterado tem comercialização suspensa

    Além da proibição dos produtos de Cannabis, a Anvisa ordenou o recolhimento do lote 26585333 do medicamento Dipirona 500 mg/ml Solução Injetável (CT 120 AMP VD AMB X 2 ml), fabricado pelo Laboratório Teuto Brasileiro S/A. A suspensão abrange a comercialização, distribuição e uso deste lote.

    O lote apresenta alteração na cor, ficando amarelado após aspiração, caracterizando desvio de qualidade, conforme o artigo 4º da RDC 658/2022.

    Profissionais de saúde que identificarem o lote irregular devem informar a Anvisa pelos canais oficiais ou denunciar à Vigilância Sanitária local, acessível via portal da agência reguladora.