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  • Governo avalia criar lista de ‘agrotóxicos altamente perigosos’

    Governo avalia criar lista de ‘agrotóxicos altamente perigosos’

    O governo federal avalia a criação de uma lista de Agrotóxicos Altamente Perigosos (AAP) baseada em critérios internacionais relacionados à toxicidade para seres humanos e aos riscos para o meio ambiente.

    A proposta, porém, ainda está em análise e não significaria automaticamente a proibição dos produtos enquadrados na lista. Mesmo assim, representantes de produtores e fabricantes de defensivos temem que a classificação provoque restrições indiretas e impactos econômicos sobre a agricultura brasileira.

    Uma minuta de portaria conjunta dos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde, do Ibama e da Anvisa reúne 42 ingredientes ativos já proibidos no Brasil e outros 39 registrados e atualmente utilizados no país, segundo informações publicadas pelo Valor Econômico.

    Lista atingiria centenas de defensivos agrícolas

    De acordo com a Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários (Aenda), os 39 ingredientes ativos registrados aparecem em 864 produtos comerciais de 89 fabricantes.

    Segundo nota técnica da entidade citada pelo Valor, eles representam 26,3% das formulações comerciais de herbicidas, inseticidas e fungicidas disponíveis no país.

    Esses defensivos são utilizados no manejo de diferentes problemas fitossanitários, entre eles:

    • ferrugem asiática da soja;
    • bicudo-do-algodoeiro;
    • antracnose;
    • mofo-branco no feijão;
    • percevejos;
    • cigarrinha-do-milho.

    Governo diz que classificação não significa proibição

    Segundo o material-base, a minuta foi assinada em abril pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Ibama. Desde então, entidades ligadas ao agronegócio vêm se mobilizando contra a publicação.

    A Casa Civil informou que avaliações técnicas e jurídicas continuam sendo realizadas e que, diante da complexidade do assunto, a proposta permanece sob análise do governo federal.

    O Ministério do Meio Ambiente também afirmou que a inclusão de um ingrediente ativo na lista não implicaria vedação automática de seu uso.

    “A categorização de ingredientes ativos de agrotóxicos constitui importante subsídio para a formulação e o aprimoramento de políticas públicas voltadas à redução da exposição a agrotóxicos altamente perigosos ao meio ambiente e à saúde no Brasil”, afirmou a Pasta.

    O Ministério da Saúde informou que ainda não havia recebido o documento.

    Proposta está ligada ao Pronara

    A iniciativa está relacionada ao Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), política federal voltada à redução progressiva do uso desses produtos e ao estímulo a alternativas de menor impacto.

    O programa foi instituído pelo Decreto 12.538/2025 e prevê ações como monitoramento de resíduos em alimentos, incentivo à produção de base ecológica, pesquisa e desenvolvimento de bioinsumos.

    A discussão sobre os chamados Highly Hazardous Pesticides (HHPs) utiliza como referência critérios adotados internacionalmente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), conforme o material analisado.

    Uma ata do comitê gestor do Pronara também aponta que a classificação poderia auxiliar na priorização de alternativas e no incentivo à inovação tecnológica.

    Produtores temem restrições indiretas

    A Aprosoja Brasil classificou a proposta como um “banimento indireto disfarçado”.

    Segundo a entidade, mesmo sem uma proibição formal, a utilização da lista em políticas públicas poderia provocar consequências em áreas como:

    • crédito rural;
    • seguros agrícolas;
    • programas de certificação;
    • compras públicas;
    • comércio exterior;
    • cadeias de exportação.

    A associação também considera possível o surgimento de novas restrições estaduais ou municipais.

    A posição recebeu apoio de aproximadamente 50 entidades ligadas ao Instituto Pensar Agropecuária (IPA).

    Parte do setor também questiona a participação do Ministério da Agricultura na elaboração da medida e a compatibilidade da proposta com a Lei 14.785/2023, que estabeleceu novas regras para registro, controle e fiscalização de agrotóxicos no país.

    A legislação de 2023 efetivamente disciplina pesquisa, produção, registro, classificação, controle, inspeção e fiscalização dos agrotóxicos no Brasil.

    Setor estima impacto bilionário sobre soja e milho

    Um dos principais argumentos contrários à medida envolve eventuais efeitos sobre a produtividade agrícola.

    Em estudo apresentado ao Ministério da Agricultura, a CropLife Brasil estimou que um cenário de restrição significativa na eficácia do controle fitossanitário poderia provocar perda de 12,8 milhões de toneladas de soja, com impacto financeiro de aproximadamente R$ 23,5 bilhões.

    Para o milho, a entidade projetou redução potencial de 92,9 milhões de toneladas, equivalente a cerca de R$ 102 bilhões.

    Somadas, as projeções chegam a R$ 125,5 bilhões.

    Os números, no entanto, são estimativas produzidas pelo setor de defensivos para um cenário hipotético de restrição relevante e não representam uma previsão oficial do governo ou uma consequência já estabelecida da criação da lista.

    Exportações também preocupam o setor

    A CropLife argumenta ainda que a classificação poderia produzir efeitos comerciais e reputacionais sobre produtos agrícolas brasileiros em mercados com regras ambientais mais rígidas, como a União Europeia.

    Segundo a entidade, a existência da lista poderia alimentar novos questionamentos sobre sustentabilidade e padrões produtivos brasileiros durante negociações comerciais e relações com compradores internacionais.

    Em manifestação técnica encaminhada à Casa Civil, o Ministério da Agricultura apresentou críticas à minuta.

    Segundo o documento, a Pasta avaliou que a proposta “apresenta graves inconsistências técnicas, jurídicas e institucionais, configurando risco a um sistema regulatório consolidado, ameaçando a segurança jurídica e a competitividade do agronegócio brasileiro”.

    Já o Ministério do Desenvolvimento Agrário se posicionou favoravelmente à publicação da portaria em manifestação técnica mencionada no processo.

  • Comprou lombo suíno recentemente? Anvisa recolhe lote por risco à saúde

    Comprou lombo suíno recentemente? Anvisa recolhe lote por risco à saúde

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta segunda-feira (17/8) a suspensão da venda, da distribuição e do consumo do Lombo Tipo Canadense 1 kg, da marca Suinco, pertencente à Linha Cozinha Premiada. A medida atinge especificamente o lote 070726 e consta na Resolução nº 3.243/2026, publicada no Diário Oficial da União.

    Lombo Tipo Canadense 1 kg, da marca Suinco
    Foto: Divulgação

    A Suinco – Cooperativa de Suinocultores Ltda. (CNPJ 06.067.949/0003-57) comunicou à Anvisa que o lote apresentou concentração de nitritos e nitratos acima dos limites estabelecidos pela legislação sanitária brasileira. Diante da irregularidade, a própria empresa decidiu recolher o produto de forma voluntária das prateleiras.

    Nitritos e nitratos são aditivos amplamente usados na indústria de carnes processadas para prolongar a validade, evitar a proliferação de micro-organismos e manter a coloração avermelhada característica de produtos como presunto, salame e lombo defumado. Quando ingeridos em quantidade acima do recomendado, porém, esses compostos podem se converter no organismo em substâncias N-nitrosas, associadas por estudos científicos a maior risco de câncer, principalmente colorretal e gástrico.

    Consumidores devem verificar o lote em casa

    Quem já comprou o produto deve conferir a embalagem antes de consumir. Os dados de identificação são:

    • Produto: Lombo Tipo Canadense 1 kg – Linha Cozinha Premiada
    • Marca: Suinco
    • Lote: 070726
    • Data de fabricação: 7/7/2026
    • Data de validade: 5/10/2026

    A Anvisa orienta que consumidores que tenham o lote em casa não consumam o produto e procurem o ponto de venda para orientações sobre troca ou devolução, conforme os canais de atendimento da fabricante.

    Recolhimentos de alimentos se tornam mais frequentes em 2026

    O caso da Suinco se soma a uma série de recolhimentos determinados pela Anvisa ao longo de 2026. Em janeiro, a agência havia mandado recolher um lote de molho de tomate da marca Passata di Pomodoro De Puglia após identificar a presença de pedaços de vidro no produto, depois de um alerta da rede europeia de segurança alimentar RASFF. Já  junho, a Anvisa também suspendeu a fabricação, a divulgação e o uso de suplementos alimentares da Sanibras Medicamentos e Nutrição após uma inspeção sanitária encontrar falhas graves e sistêmicas nas boas práticas de fabricação da empresa.

    Em maio, produtos de limpeza da marca Ypê também entraram na lista de recolhimentos, com risco de contaminação por micro-organismos. Já em julho, a agência havia determinado o recolhimento de um lote de repelente por reprovação em teste de eficácia.

    Esse aumento no número de ações reforça a importância de os consumidores conferirem regularmente comunicados da Anvisa sobre produtos alimentícios, cosméticos e de higiene. Especialmente antes de itens perecíveis chegarem à mesa.

    O que diz a ciência sobre nitrito e nitrato em excesso

    Segundo pesquisas citadas por entidades de saúde, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde, classifica as carnes processadas como comprovadamente associadas ao aumento do risco de câncer colorretal. O órgão francês de segurança sanitária ANSES recomenda, inclusive, limitar o consumo desse tipo de alimento a no máximo 150 gramas por semana. Isso justamente pela presença desses conservantes.

    Por isso, órgãos reguladores como a Anvisa fixam limites máximos de nitrito e nitrato permitidos em produtos cárneos, justamente para reduzir a exposição da população a esses compostos ao longo da vida.

  • Chá é proibido pela Anvisa junto com linha “Milagroso Ervas”

    Chá é proibido pela Anvisa junto com linha “Milagroso Ervas”

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta sexta-feira (14/8), a apreensão do medicamento Chá Sarapião, fabricado pela empresa Natural Ervas Produtos Naturais Ltda. (Farmagon), inscrita no CNPJ 03.021.976/0001-39. A medida também suspende a comercialização, distribuição, fabricação, divulgação e uso do produto em todo o território nacional.

    Foto: Divulgação

    A decisão consta na Resolução (RE) nº 3.161, assinada em 12 de agosto e publicada dois dias depois no Diário Oficial da União (DOU). Segundo a Anvisa, os itens eram anunciados e vendidos sem registro, notificação ou cadastro junto à agência reguladora. Além da ausência de registro, a fabricante do chá não possui autorização sanitária para funcionar. O que, para a agência, agrava o risco à saúde do consumidor.

    Anvisa também mira falsos “emagrecedores”

    A mesma resolução determinou a apreensão de uma série de produtos vendidos como emagrecedores, fabricados por empresa não identificada. Vários deles trazem em seus nomes referências diretas a canetas emagrecedoras de sucesso no mercado, como o Mounjaro, medicamento aprovado no Brasil para o tratamento do diabetes tipo 2 e também associado à perda de peso.

    Confira a lista completa dos itens proibidos:

    • Milagroso Ervas Black
    • Milagroso Ervas Mounjaro Turbo
    • Milagroso Ervas Mounjaro 3x Turbo
    • Milagroso Ervas Detox
    • Mounfor X Emagrecedor
    • Milagroso Ervas Cápsula Azul
    • Milagroso Ervas Mounjaro Rosa
    • Milagroso Ervas Mounjaro
    • Milagroso Ervas Vermelho
    • Milagroso Ervas

    Todos os lotes desses produtos não podem ser fabricados, distribuídos ou vendidos. Além disso, as empresas não podem divulgá-los nem utilizá-los em qualquer parte do país.  A Anvisa recomenda que consumidores que tenham algum desses itens em casa interrompam o uso imediatamente e busquem atendimento médico em caso de efeitos colaterais.

    Uma nova frente na guerra contra emagrecedores irregulares

    A apreensão desta sexta-feira não é um caso isolado. A Anvisa vem intensificando, ao longo de 2026, as ações de fiscalização contra produtos que exploram a popularidade das canetas emagrecedoras à base de semaglutida e tirzepatide. Em janeiro, a agência já havia proibido a venda, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso de medicamentos à base de tirzepatide produzidos por empresas sem licença. Um movimento que abriu o ciclo de fiscalizações mais rígidas do ano contra falsificações e produtos clandestinos ligados ao mercado do emagrecimento.

    Produtos como chás, cápsulas e fórmulas “naturais” que prometem resultados semelhantes aos de medicamentos registrados representam um risco duplo: além de não terem eficácia comprovada, muitas vezes contêm substâncias não declaradas no rótulo, sem controle de dosagem ou qualidade. Por não passarem pelo processo de registro sanitário, a Anvisa não tem como garantir a segurança desses itens. O que pode incluir contaminação, interações medicamentosas perigosas ou reações adversas graves.

    A agência orienta o consumidor a sempre verificar, antes da compra, se o produto possui número de registro visível na embalagem. E reforça que qualquer suspeita de venda irregular, em lojas físicas ou plataformas digitais deve ser denunciada aos canais de fiscalização sanitária.

    A Resolução RE nº 3.161/2026 pode ser consultada na íntegra no Diário Oficial da União (DOU).

  • Anvisa proíbe venda de sal “para atletas” sem registro sanitário

    Anvisa proíbe venda de sal “para atletas” sem registro sanitário

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta semana a apreensão de seis marcas de sal comercializadas pela internet: Quanqton Ocean Salts, Sal Integral Quanqton, Sal Perfeito, New Quantic, Endurance e Sal Marinho Integral. A agência atribui a fabricação dos produtos a uma empresa não identificada e proíbe, a partir de agora, sua produção, importação, distribuição, venda, divulgação e uso em todo o território nacional.

    Lojas virtuais anunciavam os itens em embalagens de 250g, 1kg e 2kg, mas nenhum deles possui registro junto à Anvisa. A ausência de regularização impede a agência de garantir a segurança e a qualidade do que estava sendo vendido ao consumidor.

    Rótulos traziam promessas não autorizadas

    A fiscalização também identificou propagandas que extrapolam o que a legislação permite para esse tipo de produto. Os fabricantes descreviam os sais como fórmulas “com concentração elevada de magnésio”, voltadas a atletas que precisam de “reposição mineral real durante e após o esforço físico intenso”.

    Outras alegações prometiam benefícios como prevenção de cãibras e fadiga muscular, reposição mineral em treinos longos e provas, “hidratação celular real” e recuperação mais rápida após exercícios intensos. Esse tipo de promessa terapêutica ou de desempenho físico exige comprovação técnica e aprovação prévia da Anvisa, o que não ocorreu nos casos analisados.

    Com a medida, comerciantes e plataformas de e-commerce devem retirar os seis produtos de circulação imediatamente. Consumidores que já compraram esses itens não devem consumi-los, já que a agência não pode assegurar sua composição nem sua segurança sanitária.

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  • Herbicida banido na Suíça e na UE avança no Brasil. Saiba qual

    Herbicida banido na Suíça e na UE avança no Brasil. Saiba qual

    Um agrotóxico proibido na Europa vem ampliando sua presença no mercado brasileiro desde que autoridades nacionais baniram, há oito anos, outro pesticida da mesma família química por riscos associados a mutações genéticas e à doença de Parkinson.

    O Brasil proibiu o paraquate em 2017, após avaliação toxicológica da Anvisa apontar riscos de mutagenicidade e associação com Parkinson entre trabalhadores expostos ao produto. A decisão colocou o país na lista de mais de 70 nações que já haviam banido o herbicida.

    Produtores rurais brasileiros passaram então a recorrer ao diquate, herbicida quimicamente aparentado ao paraquate e também fabricado pela Syngenta. A substância, no entanto, segue proibida na Suíça e no restante da União Europeia por preocupações semelhantes com a saúde humana. Segundo o monitoramento do Ibama, o uso do diquate multiplicou-se por dez no Brasil entre 2017 e 2024.

    SUS registra 250 casos de intoxicação e ao menos 40 mortes

    Dados oficiais do SUS, levantados por uma investigação conjunta da Repórter Brasil e da organização suíça Public Eye, mostram que o país registrou 250 casos de intoxicação por diquate entre 2018 e 2025. Do total, ao menos 40 pessoas morreram. Foram seis em acidentes e 34 por ingestão intencional do produto, em casos de suicídio.

    Uma apuração anterior, publicada pela Unearthed e pela Public Eye em parceria com a Repórter Brasil, já havia identificado 36 casos oficiais de intoxicação por diquate no Brasil entre 2018 e 2022, dos quais 17 eram tentativas de suicídio e quatro resultaram em morte. Pesquisadores ouvidos pela reportagem descreveram uma mudança no perfil das notificações, com o diquate substituindo progressivamente o paraquate nos registros de intoxicação em regiões agrícolas.

    Caso semelhante já se repetiu na China

    O Brasil não é o único país a enfrentar esse padrão. A China baniu o paraquate em 2016 e, desde então, o diquate se consolidou como o substituto mais usado no país. Porém, com centenas de mortes por intoxicação relatadas por médicos chineses após a proibição do paraquate entrar em vigor.

    Especialistas apontam que o diquate provoca predominantemente quadros de baixa gravidade, afetando principalmente pele e olhos, mas a ingestão do produto continua representando risco grave à saúde, sobretudo em casos de autoextermínio, dada a facilidade de acesso ao produto em propriedades rurais.

    Syngenta mantém fabricação e exportação do produto

    A Syngenta, multinacional suíça responsável pela fabricação do diquate, segue produzindo o herbicida mesmo com a proibição de uso vigente em seu país de origem. A empresa também mantém unidades de produção do paraquate no Reino Unido, ainda que o uso doméstico britânico do produto esteja proibido há mais de 15 anos. Portanto, isso caracteriza um padrão de exportação de agrotóxicos vetados nos mercados de origem para países com regulação mais permissiva, como o Brasil.

    Passados oito anos da proibição do paraquate, o diquate segue autorizado para uso agrícola no Brasil, sem sinalização pública de reavaliação toxicológica por parte da Anvisa. Enquanto isso, o crescimento no número de registros de intoxicação reacende o debate sobre os critérios de liberação de agrotóxicos já vetados por autoridades sanitárias europeias.

    Nota: este texto trata de dados sobre suicídio em contexto informativo e jornalístico. Se você ou alguém que você conhece estiver passando por sofrimento emocional, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.

  • Anvisa suspende venda de queijo minas e molho pesto

    Anvisa suspende venda de queijo minas e molho pesto

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta quarta-feira (29/7) a suspensão da venda, da distribuição e do consumo do Queijo Minas Artesanal da marca Militão da Canastra. Um dia antes, a agência já havia suspendido a comercialização do Molho Pesto Vermelho com Mascarpone, da marca Cecco. As duas determinações foram publicadas no Diário Oficial da União por meio das resoluções RE 2.937/2026 e RE 2.938/2026.

    A medida contra o queijo atinge exclusivamente o Lote 42 do produto, fabricado em 30 de junho de 2026 e com validade até 30 de setembro de 2026. A Queijaria Militão da Canastra, identificada pelo SIF 5256, comunicou à Anvisa que realiza o recolhimento de forma voluntária.

    O recolhimento foi motivado pela identificação de contagem de coliformes a 30°C e de coliformes termotolerantes a 45°C acima dos limites estabelecidos pela legislação sanitária, resultado obtido por análise oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). A presença desses microrganismos acima do permitido costuma indicar falhas no processo de higienização ou na conservação do alimento, o que pode representar risco de contaminação alimentar para quem consome o produto.

    Molho pesto Cecco é retirado por falha na rotulagem

    No caso do Molho Pesto Vermelho com Mascarpone, a fabricante Cia Bel de Alimentos (Festval), CNPJ 78.116.670/0005-99, vai recolher o Lote 07225288. Diferentemente do queijo, o problema não está relacionado a contaminação microbiológica: o rótulo do produto não informa a presença do alergênico “nozes”, item de declaração obrigatória pela legislação sanitária brasileira.

    A omissão dessa informação é considerada grave porque pode expor consumidores alérgicos a oleaginosas a reações que vão de leves a potencialmente graves, já que eles não têm como saber, pela embalagem, que o produto contém esse ingrediente.

    Como o consumidor deve agir

    A Anvisa orienta que consumidores que tenham em casa os produtos das marcas Militão da Canastra e Cecco verifiquem o número do lote impresso na embalagem antes de consumir. Caso o lote corresponda ao que está sob restrição, 42 no caso do queijo e 07225288 no caso do molho, o produto não deve ser consumido nem devolvido às prateleiras de estabelecimentos comerciais.

    Estabelecimentos que ainda tenham unidades dos lotes afetados em estoque também estão proibidos de comercializar ou distribuir os itens até que a situação seja regularizada junto à vigilância sanitária.

    Recolhimentos frequentes reforçam papel da Anvisa

    As duas ações fazem parte da rotina de fiscalização da Anvisa, que atua tanto a partir de denúncias e inspeções quanto de resultados de análises laboratoriais oficiais, como as conduzidas pelo MAPA no caso do queijo mineiro.

    Recolhimentos voluntários, como os das marcas Militão da Canastra e Cecco, ocorrem quando a própria empresa identifica ou é informada sobre uma não conformidade e decide retirar o lote do mercado antes de uma determinação compulsória da agência.

  • Anvisa recolhe ricota Vaidosa e amplia lista de produtos proibidos em julho

    Anvisa recolhe ricota Vaidosa e amplia lista de produtos proibidos em julho

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a venda, a distribuição e o consumo da Ricota Fresca da marca Vaidosa. A decisão integra uma sequência de ações que a agência tomou nas últimas duas semanas contra alimentos, cosméticos e produtos de limpeza com irregularidades. E reforça o alerta sobre os riscos de consumir itens sob suspeita.

    Ricota recolhida pela Anvisa
    Foto: Reprodução

    A empresa Vaidosa Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. informou à Anvisa que recolherá voluntariamente os lotes 148, 153, 166 e 167 da Ricota Fresca. A companhia não comprovou documentalmente que o hidróxido de sódio usado no processo de fabricação atende à especificação de grau alimentício.

    A substância funciona como coadjuvante de tecnologia para corrigir o pH durante a produção do queijo. E o uso de um insumo fora do padrão adequado pode representar risco à saúde do consumidor.

    Anvisa também mirou azeite, doces e cosméticos

    A ricota não é o único produto que a Anvisa retirou de circulação recentemente. Na quarta-feira (22/7), a agência determinou o recolhimento de todos os lotes do Azeite de Oliva Extra Virgem da marca San Oliveto. Ele apresentou resultado insatisfatório em teste de índice de refração, parâmetro que avalia a qualidade e a autenticidade do produto. No mesmo dia, a Anvisa apreendeu os produtos da Indústria e Comércio de Doces Fatti a Mano. Os itens não possuíam registro nem regularização junto ao órgão. E eram fabricados em local sem licença de funcionamento.

    Azeite San Oliveto
    Foto: Reprodução

    Também na semana, a agência publicou a Resolução-RE nº 2.895/2026 e proibiu a comercialização de cinco produtos, entre eles um cosmético à base de cúrcuma e itens das empresas Biopharcos e Aptos Brasil, por veicularem alegações terapêuticas irregulares. Em todos esses casos, a empresa responsável e o CNPJ aparecem como desconhecidos, e a motivação da proibição é a venda sem registro ou notificação junto à Anvisa.

    A lista de recalls recentes inclui ainda dez produtos de limpeza e um purificador de ar sem autorização de fabricação, retirados do mercado por meio de cinco novas resoluções publicadas no Diário Oficial da União. A Anvisa orienta consumidores e comerciantes a interromperem imediatamente a comercialização e o uso desses itens.

    Quais riscos o consumo de produtos suspeitos representa

    Produtos recolhidos por falhas de composição, ausência de registro ou irregularidades no processo produtivo podem conter substâncias tóxicas, contaminantes ou concentrações fora do permitido pela legislação sanitária. No caso de insumos como o hidróxido de sódio fora da especificação alimentícia, a exposição pode causar irritação ou lesões no trato digestivo, dependendo da concentração residual no produto final.

    Casos anteriores mostram a gravidade do problema: a Anvisa já recolheu fórmulas infantis por risco de contaminação por toxina bacteriana e um lote de molho de tomate importado após a identificação de fragmentos de vidro na composição. Por isso, a agência recomenda que o consumidor nunca ignore um alerta de recall, mesmo que o produto pareça normal.

    O que fazer com um produto recolhido em casa

    O consumidor que tiver em casa qualquer item incluído em uma resolução de recolhimento deve parar de usá-lo ou consumi-lo imediatamente. A orientação da Anvisa é verificar o número do lote na embalagem, guardar o produto em local seco e fechado até descartá-lo corretamente. Além de buscar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) do fabricante para solicitar troca ou reembolso. Denúncias e dúvidas também podem ser registradas diretamente no site da Anvisa.

  • Anvisa proíbe azeite San Oliveto e determina apreensão

    Anvisa proíbe azeite San Oliveto e determina apreensão

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição da comercialização de todos os lotes do azeite de oliva extra virgem da marca San Oliveto. A medida foi publicada nesta terça-feira (21) no Diário Oficial da União (DOU) e entrou em vigor imediatamente.

    Azeite San Oliveto
    Foto: Reprodução

    Além da venda, a resolução também proíbe a fabricação, importação, distribuição, propaganda e uso do produto em todo o território nacional.

    Segundo a Anvisa, a decisão foi tomada após a identificação de irregularidades que comprometem a segurança e a origem do alimento.

    Por qual motivo a Anvisa proibiu o azeite?

    De acordo com a agência, o azeite possui origem desconhecida, condição que impede a comprovação da procedência e da conformidade com as normas sanitárias brasileiras.

    A Anvisa também informou que a empresa identificada na rotulagem como importadora e distribuidora, Comercial Alimentícia e Cerealista Vale do Carioca Ltda., está com o CNPJ inapto desde 23 de junho de 2026 e possui endereço considerado desconhecido.

    Outro fator que motivou a decisão foi um laudo laboratorial com resultado insatisfatório para o ensaio de determinação do índice de refração, parâmetro utilizado para verificar a qualidade e a autenticidade do azeite de oliva.

    O que acontece com os produtos?

    A resolução determina:

    • apreensão de todos os lotes;
    • proibição da comercialização;
    • suspensão da fabricação;
    • proibição da importação;
    • impedimento da distribuição;
    • proibição da propaganda e do uso.

    Consumidores que possuam o produto devem acompanhar as orientações divulgadas pelos órgãos de vigilância sanitária e evitar o consumo até que haja novas determinações das autoridades competentes.

    Anvisa também proibiu doces

    Em outra resolução publicada no mesmo dia, a Anvisa proibiu a fabricação, comercialização e distribuição de diversos produtos da marca Fatti a Mano.

    Segundo o órgão, a empresa fabricava e comercializava alimentos sem a regularização necessária junto às autoridades sanitárias e operava em estabelecimento sem licenciamento.

    Fiscalização busca proteger os consumidores

    As decisões integram as ações de fiscalização da Anvisa, que atua para retirar do mercado produtos com irregularidades sanitárias ou de origem não comprovada.

    O objetivo é reduzir riscos à saúde da população e garantir que alimentos comercializados no país atendam aos padrões de qualidade e segurança exigidos pela legislação brasileira.

  • ExpoCannabis Brasil destaca avanço da cannabis no agronegócio

    ExpoCannabis Brasil destaca avanço da cannabis no agronegócio

    A quarta edição da ExpoCannabis Brasil será realizada entre os dias 20 e 22 de novembro, em São Paulo, reunindo representantes do agronegócio, da ciência, da indústria, da pesquisa e da inovação para discutir o crescimento da cadeia produtiva da cannabis e do cânhamo industrial no país.

    O evento ocorre em um momento de expansão do setor, impulsionado pelos avanços regulatórios envolvendo o cultivo de cânhamo industrial para fins medicinais e industriais no Brasil.

    Segundo a CEO da feira, Larissa Uchida, a regulamentação abriu espaço para novas oportunidades de negócios e fortaleceu o interesse de diferentes segmentos econômicos.

    “O mercado amadureceu e a feira acompanhou essa transformação. Hoje a ExpoCannabis é um ambiente onde ciência, indústria, inovação e negócios se encontram”, afirma.

    Mercado da cannabis cresce no Brasil

    Dados da consultoria Kaya Mind mostram que o mercado brasileiro de cannabis medicinal movimentou R$ 971 milhões em 2025, atendendo cerca de 873 mil pacientes.

    Quando somados os segmentos de growshops, headshops e marcas especializadas, o mercado legal alcançou aproximadamente R$ 1,94 bilhão.

    Em um cenário de regulamentação mais ampla, a consultoria estima que essa cadeia produtiva poderá movimentar até R$ 51 bilhões por ano.

    Agronegócio amplia interesse pelo cânhamo industrial

    A edição deste ano da ExpoCannabis Brasil deve reunir entre 45 mil e 50 mil visitantes.

    A organização prevê um crescimento de 38% em relação ao ano anterior.

    Além da indústria farmacêutica, o evento contará com representantes do agronegócio, biotecnologia, universidades, construção civil, medicina veterinária, tecnologia, cosméticos, alimentos, comunicação, moda e serviços especializados.

    Embrapa reforça participação na cadeia produtiva

    Entre as instituições confirmadas está a Embrapa, que trabalha em estudos para ampliar a competitividade do Brasil na produção de cânhamo industrial.

    Segundo Larissa Uchida, a participação da empresa pública fortalece a importância da pesquisa científica para o desenvolvimento de uma cadeia produtiva segura, sustentável e baseada em evidências.

    A presença da Embrapa também reforça o interesse crescente do agronegócio por culturas alternativas voltadas à bioeconomia e à inovação agrícola.

    Evento discutirá experiências internacionais

    A programação também incluirá debates sobre os diferentes modelos regulatórios adotados em diversos países.

    Especialistas apresentarão experiências relacionadas ao desenvolvimento da cadeia produtiva da cannabis, incluindo políticas públicas, pesquisa científica, produção agrícola e regulamentação.

    Entre os destaques está o modelo adotado pelo Uruguai, considerado uma das principais referências internacionais na regulamentação da cannabis.

    Setor atrai novos investimentos

    Segundo Larissa Uchida, a cannabis deixou de ser vista exclusivamente como um tema ligado à saúde e passou a despertar interesse de diferentes setores da economia.

    “A cannabis deixou de ser vista apenas como uma pauta medicinal. Hoje ela desperta interesse da indústria, do agro, da pesquisa, da tecnologia e dos investidores”, conclui.

    Essa expansão acompanha o avanço das discussões sobre inovação, bioeconomia e novas cadeias produtivas que podem ganhar espaço no agronegócio brasileiro, especialmente com o desenvolvimento do mercado de cânhamo industrial.

  • Anvisa proíbe energéticos e recolhe lotes de água contaminados

    Anvisa proíbe energéticos e recolhe lotes de água contaminados

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu, nesta quinta-feira (16/7), a venda de dois lotes da Água Mineral Mamba Water e de todos os energéticos da marca Mister Hemp. As determinações foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) e proíbem a comercialização, a distribuição e o uso dos produtos em todo o país.

    Agua Mineral Mamba Water

    A empresa HNK BR Indústria de Bebidas Ltda. (CNPJ: 50.221.019/0001-36), responsável pela marca Mamba Water, comunicou à Anvisa o recolhimento voluntário dos lotes 13 e 14 da Água Mineral sem Gás Mamba Water 350 ml. Testes de controle de qualidade, realizados pela própria fabricante, identificaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa no produto.

    A parceira industrial Bebidas Poty S.A. produziu os lotes afetados em 3 e 4 de abril de 2026, com validade até 3 e 4 de abril de 2027, respectivamente. Segundo a Mamba Water, a empresa bloqueou preventivamente cerca de 82% do volume desses lotes antes mesmo da publicação da medida. E não há registro de consumidores afetados até o momento.

    A legislação sanitária brasileira determina que a água mineral destinada ao consumo humano esteja livre da presença de Pseudomonas aeruginosa. A bactéria é um microrganismo oportunista, encontrado naturalmente em ambientes como água e solo. E pode causar gastroenterite, com sintomas como diarreia, náusea, vômito e dor abdominal, além de infecções mais graves em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido.

    Terceiro episódio da mesma bactéria em poucos meses

    Este é o terceiro caso envolvendo a Pseudomonas aeruginosa identificado em produtos brasileiros desde abril. O primeiro ocorreu com mais de 100 lotes de produtos de limpeza da marca Ypê, que motivou o recolhimento de detergentes, sabão líquido e desinfetantes e levou à suspensão da produção na fábrica da Química Amparo, no interior de São Paulo. O segundo episódio, em junho, envolveu um lote da água mineral Crystal, também recolhido pela Anvisa.

    O que fazer com os produtos recolhidos

    A Anvisa orienta quem possui unidades dos lotes 13 e 14 da Mamba Water a interromper imediatamente o consumo. Inclusive para preparo de alimentos ou bebidas, e a verificar o número do lote impresso na embalagem antes de qualquer uso. Os demais lotes da marca não foram incluídos na medida e seguem à venda normalmente.

    Para solicitar troca ou reembolso, a fabricante disponibiliza atendimento. Ou pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone 0800 888 1090, de segunda a sábado, das 9h às 21h.

    Anvisa suspende toda a linha de energéticos Mister Hemp

    Uma segunda resolução publicada no mesmo dia determina o recolhimento e suspende a venda, a fabricação, a distribuição, a divulgação e o uso de todos os energéticos da marca Mister Hemp, fabricados pela G. Freitas Alimentos (CNPJ: 20.945.688/0001-90).

    Mr. Hemp

    A Anvisa constatou que as empresas comercializaram os produtos sem realizar estudos de estabilidade capazes de comprovar a manutenção das características de segurança, composição e qualidade até o fim do prazo de validade informado nos rótulos. A agência também apontou que o fabricante não comprovou a regularização da linha junto ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), condição obrigatória para a fabricação e a venda de bebidas energéticas no país.

    Diferentemente do caso da Mamba Water, a suspensão dos energéticos Mister Hemp abrange a totalidade da linha, sem distinção entre lotes.