Tag: Agricultura sustentável

  • El Niño e produtividade em risco impulsionam mercado de insumos

    El Niño e produtividade em risco impulsionam mercado de insumos

    A combinação do fenômeno El Niño e a expectativa de uma queda na produtividade agrícola moldam um cenário desafiador para a safra 2025/2026. Este contexto, no entanto, abre caminho para um crescimento seletivo no mercado de insumos, com destaque para bioestimulantes, inoculantes e fertilizantes de alta concentração. Produtores buscam essas tecnologias para proteger as lavouras contra adversidades climáticas e garantir rentabilidade em um ano de margens apertadas.

    A previsão de uma safra de grãos cerca de 3,7% menor que o recorde de 2025 e os veranicos (períodos de seca durante a estação chuvosa) projetados para o Centro-Oeste aceleram a adoção de soluções específicas. Produtores da região já antecipam a compra de fertilizantes foliares para correções nutricionais rápidas, prática que pode elevar a eficiência da adubação em até 20%.

    “O manejo adequado com fertilizantes líquidos de alta concentração é o ponto de partida para obter produtividade, qualidade e rentabilidade. Eles melhoram o desempenho das plantas e ajudam a controlar problemas fitossanitários, fortalecendo a imagem do Brasil como líder mundial”, afirma Leonardo Sodré, CEO da GIROAgro.

    Mercado em transformação: biológicos e precisão no centro da estratégia

    A demanda por resiliência impulsiona o mercado de bioinsumos a um novo patamar. Especialistas preveem que produtos como bioestimulantes e inoculantes, que mitigam estresses hídricos e térmicos, podem alcançar 50% da área plantada com grãos no país. Em 2025, registros recordes de novos produtos já sinalizavam essa maturidade.

    A adaptação é regional. No Sul, o excesso de chuvas amplia o mercado de fungicidas para soja e trigo. Já no Matopiba, biofortificantes ganham importância para sustentar a produtividade em solos arenosos sob seca prolongada.

    A integração desses insumos com a agricultura de precisão – usando drones e sensores – se torna crucial. Essa combinação otimiza custos, reduz perdas e atende à crescente pressão por sustentabilidade.

    Crescimento moderado e volatilidade exigem cautela

    Apesar do otimismo com os biológicos, o mercado total de insumos enfrenta ventos contrários. A volatilidade nos preços internacionais dos fertilizantes, pressionada por tensões geopolíticas e demanda global, pode limitar o volume total aplicado. Estratégias nacionais, como o Plano Nacional de Fertilizantes, buscam estabilizar a oferta, mas o poder de compra do produtor ainda depende da recuperação dos preços das commodities.

    As projeções refletem esta dualidade: enquanto o mercado de fertilizantes tradicionais pode crescer modestamente 1% a 2%, o setor de bioinsumos mira uma expansão robusta acima de 13% ao ano, com potencial para atingir R$ 40 bilhões em sete anos.

    “Levamos tecnologia e inovação para o campo com soluções que impulsionam o trabalho do produtor. O investimento em pesquisa, aliado ao seu conhecimento, é o caminho para uma agricultura mais sustentável e produtiva”, conclui Sodré.

    O ano de 2026 se configura, portanto, como um período de ajustes, onde a alta seletiva em insumos com alto retorno por hectare moldará um mercado agrícola mais eficiente e resiliente.

  • Agro brasileiro adota fertilizantes de baixo carbono para conter custos

    Agro brasileiro adota fertilizantes de baixo carbono para conter custos

    O mercado brasileiro de fertilizantes demonstra forte resiliência e crescimento, impulsionado pela busca do produtor por soluções mais inteligentes e sustentáveis. Dados da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA) mostram que as entregas ao mercado atingiram 40,95 milhões de toneladas entre janeiro e outubro de 2025, um crescimento significativo de 8,4% frente ao mesmo período de 2024.

    Este movimento ocorre em um cenário de custos elevados e grande dependência de importações, que somaram 35,8 milhões de toneladas no mesmo período. A alta demanda evidencia uma mudança estratégica no campo: os produtores agora priorizam insumos que ofereçam maior eficiência nutricional, melhor custo-benefício e menor impacto ambiental.

    Especialistas do setor apontam que esta é uma resposta direta às pressões econômicas e à necessidade de uma agricultura mais sustentável. George Fernandes, CEO da Morro Verde Fertilizantes, confirma a tendência. “Mesmo diante de um cenário desafiador, tivemos um ano muito positivo. Isso demonstra claramente que o produtor está adotando alternativas mais eficientes e sustentáveis”, afirma.

    A busca por soberania produtiva e redução da pegada de carbono está colocando as soluções nacionais em destaque. Produtos como fosfato natural reativo (FNR), calcário dolomítico e bioinsumos minerais ganham espaço por combinarem produtividade e sustentabilidade.

    “Com essa linha de produtos, buscamos contribuir para solos mais produtivos e ao mesmo tempo fortalecer a produção nacional”, explica Fernandes. A empresa mantém colaboração com instituições de pesquisa de ponta, como ESALQ, Embrapa e UFV, para integrar ciência e tecnologia no desenvolvimento dessas soluções.

    O executivo acredita que esta transformação veio para ficar. “O agro brasileiro está se adaptando a um novo patamar de custos e, consequentemente, a um novo nível de exigência. Soluções que aumentem o aproveitamento de nutrientes e a produtividade serão diferenciais competitivos nos próximos anos”, projeta.

  • Crédito rural e apoio técnico impulsionam produção orgânica

    Crédito rural e apoio técnico impulsionam produção orgânica

    Impulsionada pela demanda crescente por alimentos mais saudáveis e sustentáveis, a produção orgânica vem conquistando mercado entre consumidores paulistas. Essa mudança de hábitos, pautada por maior conscientização sobre segurança alimentar e sustentabilidade, também tem gerado novas oportunidades no campo, impulsionando pequenos e médios produtores a adotarem práticas agroecológicas mais responsáveis.

    Para fortalecer esse movimento, o Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, oferece duas frentes de apoio: o Projeto Orgânicos Agro SP, linha de crédito rural viabilizada pelo Fundo de Expansão do Agronegócio (FEAP), e o Protocolo de Transição Agroecológica (PTA), desenvolvido em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).

    Crédito FEAP impulsiona agricultores

    Criado em 2025, o crédito Orgânicos Agro SP reconhece o papel central da agricultura sustentável para o desenvolvimento econômico e social. A iniciativa oferece condições especiais para financiar insumos, equipamentos e infraestrutura voltados à produção orgânica, tornando o setor mais competitivo e os alimentos mais acessíveis à população.

    Entre os beneficiários, o produtor Samuel Squarize, de São José da Bela Vista, relata como o programa transformou sua rotina. “Graças a este incentivo, estou conseguindo entregar e vender minha mercadoria, além de reduzir a emissão de CO₂. Esse apoio do FEAP está sendo fundamental para o escoamento da minha produção”, afirma.

    Samuel cultiva mandioca e banana com manejo orgânico e destaca que o novo sistema garantiu aumento de produtividade e redução de custos. “Hoje produzo o dobro em áreas que antes tinham baixo rendimento, com apenas 15% dos gastos do sistema convencional”, diz o agricultor.

    Os valores financiáveis pelo FEAP são de até R$ 250 mil por produtor e R$ 800 mil para associações e cooperativas, com juros entre 2% e 4% ao ano. Em 2025, foram destinados R$ 3 milhões à linha de crédito. O prazo de pagamento chega a até 84 meses, podendo alcançar 120 meses com carência de dois anos em projetos que incluam componente florestal.

    Resultados no campo

    Outro exemplo é o produtor Gregório Martins, que há mais de 15 anos cultiva frutas e hortaliças orgânicas em Nazaré Paulista. Com o apoio do FEAP, ele adquiriu um veículo para facilitar o transporte e a comercialização dos produtos em feiras da Capital e da Grande São Paulo, além de fornecer para o programa de merenda escolar local. “Esse investimento foi essencial para manter e ampliar minha presença nas feiras. O crédito chegou na hora certa”, comenta.

    Os produtores interessados podem se informar sobre o acesso às linhas de financiamento nas Casas de Agricultura dos municípios ou nos escritórios do Itesp.

    Transição agroecológica e capacitação

    Além do suporte financeiro, o Estado oferece orientação técnica por meio do Protocolo de Transição Agroecológica (PTA), criado em 2016. A iniciativa visa ajudar agricultores na mudança da produção convencional para o modelo agroecológico, com ênfase em redução de insumos químicos, regularização ambiental das propriedades e manejo sustentável.

    Conforme explica Araci Kamiyama, gestora do PTA, o protocolo garante “assistência técnica, extensão rural e um processo completo para adoção de práticas mais saudáveis”. O produtor que adere ao programa recebe o certificado de transição agroecológica, facilitando o acesso a novos mercados e consumidores conscientes.

    Araci também destaca a importância do crédito do FEAP como apoio durante a etapa inicial, geralmente mais desafiadora. “O processo de conversão pode exigir mais mão de obra e elevar custos. Linhas de crédito com juros acessíveis são fundamentais para dar fôlego ao produtor nessa transição”, explica.

    Encontro reforça compromisso com a agroecologia

    Em dezembro de 2025, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) promoveu o 1º Encontro de Agroecologia, em Nazaré Paulista, com foco em ampliar o suporte técnico e fortalecer a rede de produção sustentável no estado. Durante o evento, a CATI apresentou as oportunidades do FEAP Orgânicos SP e entregou simbolicamente um cheque de apoio ao produtor Gregório Martins, reforçando o compromisso do governo paulista com uma agricultura mais saudável, eficiente e ambientalmente equilibrada.

  • São Paulo premia municípios por boas práticas no agro

    São Paulo premia municípios por boas práticas no agro

    O Governo de São Paulo entregou, nesta segunda-feira (15), no Palácio dos Bandeirantes, o Prêmio Município Agro Paulista – Edição 2025, que certificou 125 prefeituras por boas práticas de gestão no campo. Ao mesmo tempo, o Estado destinou R$ 6 milhões em repasses financeiros para fortalecer políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural.

    Nesta edição, 90 municípios receberam recursos financeiros, enquanto outros 35 foram certificados sem premiação em dinheiro. O programa reconhece iniciativas ligadas à governança, sustentabilidade, planejamento territorial, inovação e capacidade de execução no meio rural.

    Durante a cerimônia, o governador Tarcísio de Freitas destacou a relevância do setor agropecuário paulista. “São Paulo é grande porque o agro de São Paulo é forte. Produzimos mais, preservamos mais e avançamos com tecnologia”, afirmou.

    Divisão por PIB garante equilíbrio entre municípios

    Para garantir comparação justa entre cidades de diferentes portes, o Prêmio Município Agro Paulista mantém a divisão dos participantes em três grupos, definidos pelo Produto Interno Bruto (PIB) municipal.

    O Grupo 1 reúne municípios com PIB entre R$ 3 bilhões e R$ 90 bilhões. Já o Grupo 2 contempla cidades com PIB entre R$ 500 milhões e R$ 3 bilhões. Por fim, o Grupo 3 inclui prefeituras com PIB entre R$ 30 milhões e R$ 500 milhões.

    Dentro de cada grupo, os três primeiros colocados receberam R$ 200 mil, R$ 150 mil e R$ 100 mil, respectivamente. Além disso, outras cidades foram contempladas com valores entre R$ 50 mil e R$ 70 mil, conforme a pontuação obtida.

    Veja os vencedores do Prêmio Município Agro Paulista 2025

    Grupo 1

    • 1º Piracicaba
    • 2º Limeira
    • 3º Jundiaí

    Grupo 2

    • 1º Adamantina
    • 2º Pedreira
    • 3º Itápolis

    Grupo 3

    • 1º Joanópolis
    • 2º Timburi
    • 3º Pracinha

    Recursos reforçam ações estruturantes no campo

    Os valores repassados costumam financiar projetos como modernização das Casas da Agricultura, conservação de solo e água, recuperação de estradas rurais e ações de segurança alimentar. Além disso, os recursos ampliam o acesso dos produtores a mercados formais.

    Nesse contexto, mais de 60% da pontuação do programa considera critérios de gestão. Entre eles estão eficiência dos serviços agropecuários, atuação das equipes técnicas e qualidade da assistência oferecida ao produtor rural.

    Programa amplia alcance e investimentos

    Criado para estimular agendas estratégicas no meio rural, o programa ganhou novo formato em 2024. A divisão por PIB ampliou o alcance dos recursos e aumentou a competitividade entre os municípios.

    Em 2023, o Estado certificou 107 cidades. No ano seguinte, esse número subiu para 118. Agora, em 2025, o Prêmio Município Agro Paulista atinge o maior patamar da história, com 125 certificações, 90 municípios premiados e R$ 6 milhões investidos.

    Além disso, o governo firmou parceria com o Instituto Áquila para modernizar a metodologia do programa. A iniciativa prevê novos indicadores e uso de inteligência artificial na avaliação.

    Regularização fundiária e novos investimentos

    Durante o evento, o Estado assinou o decreto que cria o novo Programa Paulista de Regularização de Terras. A medida moderniza procedimentos e amplia a atuação da Fundação Itesp.

    Ao mesmo tempo, o governo anunciou o Projeto Agro Paulista Mais Verde – Microbacias III, que deve mobilizar R$ 1,2 bilhão em seis anos. A iniciativa deve beneficiar mais de 120 mil produtores, com foco na agricultura familiar.

    Por fim, o Estado firmou convênios para novas unidades do Cozinhalimento e apresentou ações ligadas à sustentabilidade e à infraestrutura rural.

  • Tambaqui com curimba aumenta produção em 25% na Amazônia

    Tambaqui com curimba aumenta produção em 25% na Amazônia

    A criação integrada de tambaqui com curimba representa uma revolução sustentável para a piscicultura amazônica. Levantamento inédito da Embrapa Pesca e Aquicultura demonstra que esse modelo de produção é 25% mais produtivo do que o cultivo isolado de tambaqui, além de reduzir significativamente os impactos ambientais da atividade.

    Foto: Embrapa

    Publicado na revista científica Aquaculture, o estudo avaliou os benefícios da aquicultura multitrófica integrada (AMTI) – sistema que cultiva diferentes espécies aquáticas no mesmo ambiente, imitando ecossistemas naturais para otimizar o aproveitamento de nutrientes.

    Vantagens ambientais superam outras atividades agropecuárias

    Os números impressionam quando comparados a outras formas de produção de proteína animal. Para gerar 1 kg de proteína, a pecuária bovina demanda 434,88% mais terra do que a piscicultura de tambaqui. A avicultura requer 48,84% a mais de espaço, enquanto a suinocultura necessita de 72,09% além do utilizado pela aquicultura.

    “A aquicultura pode ser uma alternativa para a diminuição da pressão de abertura de novos espaços para a produção agropecuária no bioma amazônico”, afirma a pesquisadora Adriana Ferreira Lima, da Embrapa Pesca e Aquicultura.

    Os dados corroboram pesquisa publicada pela revista Nature Sustainability em janeiro de 2025, conduzida por cientistas brasileiros e americanos, que identificou vantagens da criação de peixes na região amazônica em comparação ao gado.

    Por que curimba e tambaqui formam a dupla ideal

    A escolha da curimba como espécie complementar ao tambaqui não foi aleatória. De formato alongado e comercializada entre 500g e 1kg em mercados do Pará e regiões ribeirinhas, a curimba é atualmente a segunda espécie de peixe mais exportada pelo Brasil.

    “A curimba possui um perfil ecológico que complementa a função do tambaqui. É um peixe de fundo, responsável por consumir as sobras de ração e alimentos presentes no sedimento do viveiro”, explica Lima.

    O diferencial está na sinergia entre as espécies: enquanto o tambaqui se alimenta na coluna d’água, a curimba aproveita recursos do fundo do viveiro, transformando em proteína animal aquilo que seria descartado no monocultivo. Essa complementaridade não afeta o crescimento do tambaqui – pelo contrário, potencializa a produção total.

    Mesma ração, mais proteína

    Um dos achados mais relevantes da pesquisa foi constatar que a curimba se desenvolve com a mesma quantidade de ração destinada ao monocultivo do tambaqui. Com proporção de aproximadamente 50% de alevinos de cada espécie, o viveiro produziu 25% a mais de proteína por hectare, sem necessidade de aumentar insumos.

    No experimento realizado em viveiros de 600 metros quadrados, o tambaqui atingiu 1,8kg (peso de comercialização no Tocantins e outros estados do Norte), enquanto a curimba chegou a 200g. Para pequenos produtores, essa diferença não representa problema, já que as espécies têm mercados distintos e é possível realizar despescas em momentos diferentes.

    Impacto ambiental reduzido em diversos indicadores

    A análise de ciclo de vida (ACV) revelou que o cultivo integrado supera o monocultivo em múltiplos aspectos ambientais:

    • Emissões de carbono: redução de 4,27kg para 3,9kg de CO2 por quilo de peixe produzido
    • Uso da terra: diminuição de 17%
    • Acidificação: redução de 12%
    • Dependência de água: queda de 38,57%
    • Demanda de energia: redução de 13,30%
    • Eutrofização de água doce: diminuição de 21%
    • Impacto nas mudanças climáticas: redução de 9%

    “Esses resultados destacam o sistema AMTI como uma alternativa mais sustentável à monocultura convencional de tambaqui”, ressalta a pesquisadora.

    Metodologia científica robusta

    A pesquisa considerou todos os custos ambientais da produção, incluindo recursos necessários para fabricação de insumos como ração (plantio de soja e milho), construção de viveiros e outros fatores. A avaliação abrangeu desde a alevinagem até a comercialização, em condições próximas às do setor produtivo comercial.

    Mesmo computando todos esses custos, o impacto da piscicultura mostrou-se substancialmente menor do que outras atividades agropecuárias.

    Futuro promissor para sistemas integrados

    Lima destaca que o Brasil ainda possui poucas iniciativas de cultivo integrado na aquicultura, diferentemente de países como China e Índia, onde a prática é comum. A falta de dados científicos tem sido o principal obstáculo para a adoção do modelo.

    Pesquisadora Adriana Lima. Foto: Embrapa

    “Nós acreditamos que demos um passo importante para o estudo do cultivo integrado, o que abre portas para a combinação de outras espécies, como tambaqui, curimba e camarão”, afirma a cientista.

    Atualmente, a produção de tambaqui aproveita apenas 30% a 40% do nitrogênio e fósforo disponíveis – o restante é perdido para a atmosfera ou água. Com o sistema integrado, a eficiência de recuperação de biomassa animal aumenta significativamente, transformando resíduos em proteína de qualidade.

    Perspectivas para o setor

    A pesquisa responde dúvidas comuns dos produtores sobre o cultivo integrado: se a curimba prejudica o crescimento do tambaqui, se é necessário aumentar a quantidade de ração e qual proporção ideal de cada espécie no viveiro.

    Experiências de integração já existem em outras regiões do Brasil, como o cultivo de tilápia com camarão-gigante-da-Malásia no Paraná e Sudeste, além de sistemas que integram pecuária com fruticultura utilizando água da aquicultura para irrigação.

    “Há um longo caminho pela frente”, conclui Lima, apontando a necessidade de estudos que avaliem todos os impactos dos sistemas integrados, incluindo o aproveitamento da água para irrigação agrícola.

    Para o bioma amazônico, a mensagem é clara. A piscicultura integrada representa solução viável, produtiva e sustentável para a produção de proteína animal. Com potencial para reduzir pressões sobre novas áreas de floresta.

  • Nova adubação do cajueiro-anão corta custos em 70%

    Nova adubação do cajueiro-anão corta custos em 70%

    Depois de um quarto de século usando as mesmas recomendações, os produtores de caju do Ceará finalmente tem uma alternativa que promete revolucionar seus pomares. A Embrapa Agroindústria Tropical desenvolveu uma nova forma de adubar o cajueiro-anão que reduz em 70% os custos com fertilizantes no plantio. Eo melhor: sem comprometer o desenvolvimento das plantas.

    A mudança representa uma economia direta de R$ 382 por hectare. Enquanto a antiga recomendação custava cerca de R$ 520 por hectare, a nova metodologia baixa esse valor pra R$ 138. Para quem planta em escala, os números fazem diferença no fim das contas.

    “Levantamentos realizados junto aos produtores de caju confirmaram a necessidade de adequar essas orientações”, explica o pesquisador Carlos Taniguchi, que coordena os estudos. Ele conta que a recomendação anterior se baseava em pesquisas com o cajueiro-comum e outras frutíferas, mas não refletia as necessidades específicas da variedade anã.

    O que muda na prática

    A diferença começa na quantidade de adubo por cova. Antes, os produtores aplicavam quase um quilo de superfosfato simples em cada buraco de plantio, dependendo das condições do solo. Agora, esse volume cai para no máximo 200 gramas.

    O calcário, que antes ia tanto na cova quanto na área total do pomar, agora fica restrito apenas à aplicação geral. Os micronutrientes também tiveram redução significativa. O FTE-BR12, aquele produto que tem zinco, boro, cobre, ferro, manganês e molibdênio, era aplicado sempre na mesma quantidade: 100 gramas por cova. Não importava se o solo era fértil ou não.

    Com a nova recomendação, essa dose varia conforme os resultados da análise de solo. Parece óbvio, mas na agricultura nem sempre o óbvio é praticado.

    Validação já mostra resultados promissores

    A tecnologia está sendo testada desde março de 2025 em cinco municípios cearenses: Fortim, Alto Santo, Ocara, Santana do Acaraú e Cascavel. As plantas são avaliadas a cada seis meses, e os resultados iniciais animam.

    Cajueiro-anão sob nova adubação com 1 ano de idade. Foto: Carlos Taniguchi

    “Observamos melhor desenvolvimento do cajueiro quando comparado ao obtido na antiga adubação”, conta Taniguchi. As plantas crescem bem, mas com menos insumos e menor investimento. A validação deve seguir até o final de 2026 pra consolidar os dados.

    Aplicativo vai facilitar diagnóstico nutricional

    Junto com a nova recomendação de adubação, a Embrapa desenvolve uma ferramenta digital batizada de CND Caju. O aplicativo interpreta os resultados da análise foliar e determina o estado nutricional do cajueiro em poucos cliques.

    O engenheiro agrônomo Wiliam Natale, bolsista do CNPq que participa dos estudos, explica que a ferramenta considera as interações entre os nutrientes em plantas de alta performance. “O estado nutricional ideal não é a abundância de nutrientes, mas o equilíbrio entre esses elementos”, ressalta.

    Os gastos com adubação representam aproximadamente 30% dos custos de produção na cajucultura. Por isso, ter cálculos precisos faz toda diferença. “Uma análise de solo ou foliar bem feita pode aumentar consideravelmente a produção e gerar mais lucro”, enfatiza Natale.

    Benefícios vão além do bolso

    A redução no uso de fertilizantes químicos também traz ganhos pro meio ambiente. Menos produtos no solo significam menor risco de contaminação dos cursos d’água e dos alimentos. A estrutura física do solo também agradece, já que alguns fertilizantes podem acumular sais e degradar a matéria orgânica.

    O cajueiro, que já é cultivado em solos de baixa fertilidade, agora consegue se desenvolver bem com doses quatro vezes menores de adubos. A longo prazo, essa redução pode melhorar a vida biológica do solo e até a qualidade dos frutos, especialmente quando combinada com práticas orgânicas.

    Cuidados necessários pra adotar a tecnologia

    Taniguchi faz um alerta importante: pra que a nova recomendação funcione direito, os produtores precisam fazer a análise de solo seguindo as orientações da pesquisa. Os resultados dessa análise é que vão indicar a real necessidade de adubação.

    “É fundamental que os agricultores realizem a coleta das amostras de forma adequada”, reforça o pesquisador. Ele também sugere buscar apoio de profissional técnico pra interpretar os resultados. A Empresa de Assistência Técnica Rural do Ceará (Ematerce) já apoia a disseminação da tecnologia.

    Quando plantar o cajueiro

    O momento certo faz toda diferença. Estudos recomendam que o plantio aconteça no início da estação chuvosa pra garantir umidade e facilitar o enraizamento das mudas. No Nordeste, geralmente esse período vai de outubro a janeiro.

    Mas pra não errar, vale seguir o Zoneamento Agrícola de Risco Climático para a cajucultura (Zarc Caju). A ferramenta indica as épocas e locais mais adequados considerando clima, tipo de solo e ciclo de desenvolvimento dos clones.

    Quem adota as recomendações do Zarc ainda pode ser beneficiado por programas do governo federal, como o Proagro e o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural. A ferramenta também facilita o acesso ao crédito rural.

    Pesquisa continua

    O acompanhamento dos cajueiros plantados com a nova adubação segue por pelo menos dois anos. “Pesquisas com culturas perenes são processos de longa duração”, lembra Taniguchi. Mesmo após o término do projeto, os estudos continuam pra verificar como as plantas se comportam em termos de produtividade.

    As pesquisas começaram em 2021 através de dois projetos: “Aperfeiçoamento tecnológico do manejo de pomares de cajueiros para obtenção de alta produtividade (Fase II)” e “Inovações tecnológicas para o sistema de produção do cajueiro-anão”, financiado pelo CNPq e pela Funcap.

    Os resultados completos estão disponíveis na publicação “Recomendações de calagem e adubação para o plantio do cajueiro”, que pode ser consultada por produtores e técnicos interessados.

  • Como nossos sistemas de produção de alimentos estão destruindo o planeta

    Como nossos sistemas de produção de alimentos estão destruindo o planeta

    Líderes de 19 países se reuniram na África do Sul durante a Cúpula do G20 no último final de semana pra discutir a estabilidade econômica mundial. Mas um documento chamou atenção especial: o relatório da Cátedra Josué de Castro que traz dados alarmantes sobre como produzimos nossos alimentos.

    Os números assustam. Sistemas agroalimentares, que incluem tudo desde a produção até o consumo de alimentos, são responsáveis por aproximadamente um terço das emissões globais de gases de efeito estufa. No Brasil, esse percentual salta pra 75%.

    “Nossa forma de produzir, distribuir, consumir e descartar alimentos segue um modelo industrial: monoculturas, produção em larga escala, uso intensivo de agrotóxicos e aumento no consumo de produtos ultraprocessados”, explica Roberta Curan, gerente de inteligência do Instituto Comida do Amanhã.

    O sistema atual não apenas devora recursos naturais, especialmente água, mas também gera uma crise de saúde pública sem precedentes. Dados de 2022 mostram que quase 40% dos adultos e 20% das crianças enfrentam sobrepeso ou obesidade. Paradoxalmente, 2,3 bilhões de pessoas vivem em insegurança alimentar no mundo.

    Monotonia alimentar: quando a diversidade desaparece do prato

    Existe um fenômeno pouco discutido mas extremamente perigoso acontecendo: a monotonia alimentar. Esse processo padroniza paisagens agrícolas e limita escolhas alimentares da população por causa de múltiplos fatores ligados à produção, distribuição e consumo.

    “Tudo isso mostra que estamos diante de uma crise que é, ao mesmo tempo, alimentar, ambiental e de saúde, e que está profundamente ligada aos sistemas agroalimentares atuais”, completa Roberta Curan.

    Os custos indiretos dessa crise somam cerca de US$ 12 trilhões anualmente quando consideramos impactos ambientais e questões de saúde.

    Por que o G20 precisa agir agora

    O G20 reúne as economias mais desenvolvidas e em desenvolvimento do planeta, incluindo a União Africana e União Europeia. Segundo Nadine Marques, pesquisadora da Cátedra Josué de Castro, esse fórum está numa posição única pra liderar mudanças.

    “O G20 está em uma posição estratégica para liderar um processo de transformação desses sistemas, a partir de uma abordagem integrada entre as políticas agrícolas e as alimentares”, afirma Nadine.

    Ela destaca ainda que grande parte das multinacionais do sistema agroalimentar, incluindo indústrias de agrotóxicos, criação animal e processamento de alimentos, tem origem em países do G20. “Isso faz com que sua contribuição para enfrentar os desafios resultantes dos sistemas agroalimentares seja crucial e indispensável”.

    Cinco caminhos para transformar o sistema

    O relatório apresenta propostas concretas pro G20 liderar essa transformação:

    1. Fortalecer serviços ecossistêmicos – Investir em infraestrutura agrícola que garanta resiliência e sustentabilidade real.
    2. Regenerar solos e tecnologia – Recuperar terras degradadas enquanto aumenta autonomia tecnológica do setor.
    3. Regular antibióticos – Controlar o uso de antibióticos na produção animal, evitando resistência bacteriana.
    4. Mudar padrões de consumo – Estimular consumo de alimentos frescos e reduzir presença de ultraprocessados nas dietas.
    5. Governança global justa – Adaptar financiamento e políticas pra que pequenos produtores e países menos favorecidos possam participar da transição.

    A questão agora é saber se os líderes mundiais vão transformar essas propostas em ações concretas ou se continuaremos assistindo o planeta pagar a conta de um sistema alimentar insustentável.

  • Conferência Global de Agricultura Climática discute futuro sustentável do agro

    Conferência Global de Agricultura Climática discute futuro sustentável do agro

    A Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) marcou presença na Conferência Global sobre Agricultura Inteligente para o Clima (CSA), em Brasília, entre os dias 5 e 7 de novembro. O evento reuniu cientistas, formuladores de políticas, investidores e empresas para traçar o futuro da alimentação e da agricultura perante as mudanças climáticas.

    A Aiba participou ativamente das discussões através de suas diretoras Cristina Gross (Financeira) e Lizane Ferreira (Executiva), e da coordenadora de projetos Marlize Stuczyski.

    Para Cristina Gross, a experiência foi crucial para fortalecer o setor. “Discutimos métricas, regeneração e paisagens produtivas. Este momento foi essencial para consolidar o agro que queremos: inovador, responsável e alinhado às melhores práticas globais”, afirmou a diretora.

    A Conferência CSA enfatizou inovações do mundo dos negócios com potencial para acelerar soluções práticas. O objetivo central foi promover sistemas alimentares sustentáveis e resilientes ao clima. O evento serviu como um importante preparatório para a COP 30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que Belém (PA) sediou em novembro.

  • Mudanças devem acabar com produção de café, chocolate e vinho

    Mudanças devem acabar com produção de café, chocolate e vinho

    Três dos produtos mais consumidos no planeta, café, chocolate e vinho, enfrentam um futuro incerto diante das mudanças climáticas. Um estudo recente da Universidade Estadual do Colorado (CSU) traz um alerta preocupante: nem mesmo tecnologias avançadas de resfriamento artificial do planeta seriam suficientes para salvar essas culturas de luxo.

    A pesquisa, liderada pela Dra. Ariel L. Morrison, testou o impacto da injeção de aerossóis na estratosfera (SAI). A técnica espalha partículas reflexivas na atmosfera para reduzir temperaturas. Em 18 das principais regiões produtoras dessas culturas, os resultados foram desanimadores: apenas seis localidades mostraram melhora consistente.

    Definidas como produtos cultivados por seu alto valor de mercado, as culturas de luxo incluem café, cacau, chá, baunilha, açafrão e trufas. Milhões de agricultores dependem dessas plantações em regiões como Gana, Brasil e França, onde condições climáticas específicas sempre foram essenciais para a produção de qualidade.

    O problema é que essas condições estão mudando rapidamente. Temperaturas em elevação, padrões de chuva alterados e umidade irregular comprometem desde pequenas propriedades familiares até grandes vinhedos comerciais.

    Por que o resfriamento artificial falha

    A equipe da CSU analisou dados climáticos projetados para o período entre 2036 e 2045, utilizando modelos climáticos avançados e métricas de adequação agrícola. Embora a técnica SAI consiga reduzir temperaturas superficiais, ela não controla outros fatores críticos.

    “Reduzir a temperatura apenas com SAI não é suficiente”, explica a Dra. Morrison. “As espécies de cacau, por exemplo, embora mais tolerantes ao calor que café e uvas, são altamente suscetíveis a pragas e doenças causadas pela combinação de altas temperaturas, chuva e umidade.”

    O estudo revelou que o resfriamento pode até baixar temperaturas, mas não garante chuvas adequadas nem previne oscilações climáticas extremas. Em vinhedos, por exemplo, o calor excessivo na primavera provoca brotação precoce, aumentando o risco de geadas tardias que destroem as plantas.

    Cacau, café e vinho: cada um com seu desafio

    Cacau: nas regiões produtoras da África Ocidental, o aumento de semanas chuvosas favorece surtos de fungos como a “podridão-parda”, que estraga as vagens antes da colheita.

    Café: uma única noite fria pode comprometer os grãos, enquanto períodos secos prolongados prejudicam floração e desenvolvimento. No leste do Brasil, simulações mostraram ganhos de confiabilidade hídrica em alguns cenários e perdas em outros – volatilidade que dificulta planejamento de longo prazo.

    Vinho: vinhedos precisam de invernos definidos para descanso adequado. Temperaturas inconsistentes causam brotação fora de época, expondo as videiras a geadas destrutivas.

    A variabilidade natural complica o cenário

    Mesmo quando condições médias parecem aceitáveis, a variabilidade climática natural pode arruinar colheitas inteiras. Uma sequência inesperada de semanas chuvosas ou uma geada surpresa anulam os benefícios de temperaturas mais amenas.

    “A intervenção climática por SAI pode oferecer alívio temporário do aumento das temperaturas em algumas regiões, mas não é uma solução garantida”, adverte Morrison.

    Segundo os pesquisadores, a salvação dessas culturas depende de estratégias localizadas de adaptação. Entre as opções estão:

    • Mudança de variedades mais resistentes
    • Alteração no manejo da copa das plantas
    • Melhoria em sistemas de drenagem
    • Ajuste nas épocas de colheita
    • Investimento em sombreamento e proteção contra vento
    • Sistemas de irrigação e armazenamento de água

    “Estratégias de adaptação adaptadas às condições locais, investimento em práticas agrícolas resilientes e cooperação global são essenciais para salvar essas culturas e as comunidades que dependem delas”, conclui a cientista.

    Impacto global

    A crise não afeta apenas produtores rurais. O setor de culturas de luxo movimenta bilhões de dólares anualmente e emprega milhões de pessoas em países em desenvolvimento. A escassez desses produtos pode elevar preços drasticamente, tornando itens do cotidiano – como uma xícara de café ou uma barra de chocolate – verdadeiros luxos inacessíveis.

    O estudo deixa claro: as mudanças climáticas não estão apenas alterando o tempo, mas reescrevendo a geografia da produção agrícola mundial. Sem ações urgentes de adaptação, café, chocolate e vinho podem se tornar cada vez mais raros e caros nas próximas décadas.

  • Japoneses criam trator movido a esterco que não usa diesel

    Japoneses criam trator movido a esterco que não usa diesel

    O campo japonês acaba de ganhar um novo morador — e ele não precisa de motorista, diesel ou tomada. No lugar do ronco do motor, um sopro de vapor d’água. É o novo trator autônomo da Kubota Corporation, apresentado na Expo 2025 Osaka Kansai, que promete virar símbolo de uma agricultura inteligente, limpa e autossuficiente.

    O modelo, ainda em fase de protótipo, usa hidrogênio gerado a partir do esterco e resíduos da própria fazenda. O combustível é produzido ali mesmo, num ciclo que transforma o que antes era lixo em energia. O sistema alimenta células de combustível de polímero sólido, que geram eletricidade suficiente para equiparar sua potência à de um trator a diesel de 100 cavalos. A diferença? Em vez de fumaça e fuligem, o que sai do escapamento é só água pura.

    Um motor que respira o futuro

    Quando o motor liga, não há estrondo, nem cheiro de diesel. Só um leve zumbido — quase uma respiração. É como se a máquina, silenciosa, se confundisse com a paisagem. O trator pode ser controlado por controle remoto ou operar sozinho, sem ninguém no assento. Ele mapeia o terreno, ajusta a rota e segue o trabalho como um operário incansável, desses que não pedem folga nem reclamam do sol.

    “Nosso objetivo é criar uma agricultura que não dependa de combustível fóssil e que possa operar mesmo em áreas com pouca infraestrutura”, informou a Kubota em comunicado oficial.

    O Japão, que enfrenta o envelhecimento da população rural, vê na automação uma saída para manter suas plantações vivas. Segundo a empresa, o sistema autônomo é pensado justamente para regiões onde falta mão de obra ou acesso à eletricidade.

    Do esterco ao combustível limpo

    O coração da inovação está no hidrogênio produzido “on farm”, ou seja, dentro da própria propriedade. Com isso, o produtor pode transformar biomassa, restos de colheita e esterco animal em combustível. Desse modo, a lógica se torna simples e poderosa: o campo gera o que consome, assim, fecha o ciclo e elimina o transporte de diesel, o custo de energia e as emissões.

    Como resultado, surge uma espécie de fazenda que se autoalimenta, um organismo vivo em equilíbrio. Dessa forma, o trator deixa de ser apenas uma máquina e passa a integrar a ecologia produtiva — tão essencial quanto a chuva e o sol.

    O silêncio que fala

    No lugar do barulho metálico, o novo trator emite um som quase poético: o sussurro da tecnologia limpa. É o tipo de ruído que não espanta pássaros nem assusta o gado. Silencioso, autônomo e movido a hidrogênio, o modelo promete revolucionar não apenas o modo de produzir, mas também a paisagem sonora do campo.

    Foto: Divulgação – Kubota

    Em tempos de crise climática, o gesto da Kubota é mais do que um avanço tecnológico — é uma declaração de princípios. Reduzir emissões, valorizar resíduos e devolver autonomia ao produtor é uma tríade que ecoa o espírito da agricultura do futuro.

    O impacto no agro global

    Embora ainda seja um conceito, a aposta da Kubota serve de prenúncio. Se o hidrogênio rural se popularizar, o trator poderá se tornar o novo símbolo da transição verde no agronegócio. Países como o Brasil, ricos em biomassa e resíduos orgânicos, podem se beneficiar diretamente dessa lógica de autossuficiência.

    Imagine: fazendas brasileiras convertendo bagaço, esterco e restos de colheita em combustível para suas próprias máquinas — um campo que planta, colhe e abastece a si mesmo.

    Um novo amanhecer no campo

    A cena é fácil de imaginar: um trator laranja cortando o campo ao amanhecer, sem fumaça, sem motorista, apenas o som da terra sendo revolvida. O sol nasce, o vapor se ergue e, por um instante, o futuro parece já ter chegado.

    O trator da Kubota ainda é um protótipo, mas carrega uma ideia poderosa — que o progresso pode ser silencioso, limpo e feito de esterco. Ironia ou genialidade? Talvez os dois. Afinal, transformar o que sobra em energia é, no fundo, o que a natureza sempre fez.