Tag: Agricultura sustentável

  • Parceria transforma conservação do Cerrado em negócio com cultivo de gergelim

    Parceria transforma conservação do Cerrado em negócio com cultivo de gergelim

    A Legado Verdes do Cerrado firmou parceria com a Concepta Ingredients para cultivar gergelim em áreas agrícolas já usadas durante a entressafra. Dessa forma, o projeto pretende unir agricultura, conservação ambiental e indústria sem abrir novas áreas de plantio.

    A reserva fica em Niquelândia (GO), pertence à Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) e é administrada pela Reservas Votorantim. Segundo as empresas, trata-se da primeira Reserva Privada de Desenvolvimento Sustentável do Cerrado no Brasil.

    Cultivo na entressafra

    A parceria ocupará áreas da reserva que já recebem atividade agrícola. Assim, o gergelim será plantado no intervalo entre as safras, período em que essas áreas ficam ociosas.

    Com essa estratégia, o projeto busca aumentar o aproveitamento da terra e reduzir a pressão por novas áreas de cultivo. Além disso, a atividade pode gerar receita adicional para a operação agrícola do território.

    Desde 2017, o Legado desenvolve ações de conservação e protege cerca de 27 mil hectares de vegetação nativa do Cerrado. A proposta combina, portanto, produção agrícola, conservação da biodiversidade, pesquisa científica e desenvolvimento de novos negócios, conceito conhecido como múltiplo uso da terra.

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    Da colheita à indústria

    Após a colheita, a Concepta processará o gergelim para produzir óleo destinado às indústrias de alimentos, cosméticos, produtos farmacêuticos e ingredientes naturais. O processamento também vai permitir rastrear a origem da matéria-prima e agregar valor ao produto cultivado na reserva.

    Além disso, a Concepta planeja aproveitar os subprodutos do gergelim e transformá-los em novos insumos para aplicações industriais. Para o produtor rural, o modelo amplia as possibilidades de uso de áreas já cultivadas e aproxima a produção agrícola de mercados industriais específicos.

    No entanto, as empresas não informaram a área destinada ao cultivo, o volume estimado de produção nem os valores previstos para a nova cadeia.

    Rastreabilidade e conservação

    Para Leandro Faria, gerente-geral de Sustentabilidade, Segurança e Meio Ambiente da CBA, a parceria pode ajudar a ampliar cadeias ligadas à bioeconomia. Segundo ele, ao conectar o gergelim cultivado no Legado à capacidade industrial da Concepta, a iniciativa mostra que uma reserva privada pode funcionar como plataforma de origem, rastreabilidade e inovação para ingredientes de alto valor agregado.

    “A parceria com a Concepta demonstra o potencial do Legado Verdes do Cerrado e da estratégia da CBA para dar escala sustentável a novas cadeias da bioeconomia […] sendo um caminho viável e rentável para a conservação do Cerrado”, afirma Faria.

    Assim, a iniciativa pretende beneficiar diferentes etapas da cadeia: a produção terá origem identificada, enquanto a indústria contará com matéria-prima rastreável.

    De acordo com as empresas, o aproveitamento de áreas já utilizadas para agricultura pode reduzir a necessidade de conversão de novas áreas. Ainda assim, os resultados ambientais e econômicos dependerão da execução da parceria e dos indicadores que virão a ser divulgados.

    Um modelo pensado para replicar

    Segundo Tatiana Motta, coordenadora de Projetos e Carbono da Reservas Votorantim, o território funciona como espaço de teste para modelos que combinam conservação e produção. Para ela, a cadeia de gergelim reforça esse potencial, pois estrutura uma produção com origem rastreável no Cerrado e amplia oportunidades para a indústria e para negócios ligados à conservação.

    “O Legado Verdes do Cerrado mostra que a conservação pode ser estruturada como uma plataforma de soluções. O território reúne biodiversidade, pesquisa científica, produção responsável e governança para testar modelos replicáveis em áreas privadas”, explica Motta.

    O projeto também dialoga com as diretrizes do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, política que busca aproximar ciência, inovação, preservação ambiental e inclusão social, além de integrar setores como agricultura, indústria e biocombustíveis.

    Aproveitamento integral do gergelim

    A parceria prevê o uso de diferentes partes do gergelim: a Concepta produzirá o óleo e dará novos destinos aos subprodutos. Esse processo pode reduzir perdas e aumentar o valor gerado por cada volume de matéria-prima, ainda que as empresas não tenham detalhado quais insumos resultarão dos subprodutos nem quais mercados os receberão.

    Segundo André Sabará, CEO da Concepta Ingredients, a empresa busca construir cadeias produtivas com retorno econômico e impacto ambiental positivo. Para ele, o futuro da produção sustentável passa pela integração entre agricultura e inovação, ao mesmo tempo que protege um dos biomas mais importantes do Brasil.

    Conheça o Legado Verdes do Cerrado

    O Legado ocupa 32 mil hectares pertencentes à CBA, dos quais cerca de 80% mantêm vegetação nativa do Cerrado. A reserva fica a aproximadamente três horas de Brasília e possui dois núcleos: Engenho e Santo Antônio Serra Negra.

    No núcleo Engenho nascem os rios Peixe, São Bento e Traíras, responsáveis pelo abastecimento público de Niquelândia (GO). A área também abriga a sede do Legado e reúne, em 23 mil hectares, pesquisas científicas, educação ambiental, produção de plantas e projetos de reflorestamento. Outros 5 mil hectares são destinados à pecuária, à produção de soja e à silvicultura.

    Já o núcleo Santo Antônio Serra Negra possui 5 mil hectares de Cerrado nativo preservado, parte deles às margens do Lago da Serra da Mesa.

    As empresas por trás da parceria

    A Concepta Ingredients desenvolve ingredientes naturais e tecnológicos para diferentes setores industriais, com produtos orgânicos e convencionais. A empresa mantém ainda o Programa Bio Abundância, voltado à capacitação de famílias e à conservação indireta de áreas em diferentes biomas brasileiros. A fábrica fica em Valinhos (SP), ocupa 7.800 metros quadrados, tem acesso a rodovias e aeroportos e conta com certificação FSSC 22000, norma de segurança de alimentos.

    Fundada em 1955, a CBA atua da mineração à fabricação de produtos de alumínio, incluindo reciclagem, e afirma produzir 100% da energia elétrica que consome a partir de fontes renováveis. A companhia fornece soluções para os setores de embalagens, transportes, automotivo, construção civil, energia e bens de consumo. Listada na B3 sob o código CBAV3, integra o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) e registrou, em 2025, receita líquida de R$ 8,8 bilhões e EBITDA ajustado de R$ 1,1 bilhão.

    Já a Reservas Votorantim integra o portfólio da Votorantim S.A., administra cerca de 130 mil hectares e desenvolve projetos de economia verde e soluções baseadas na natureza, com atuação em crédito de carbono, reserva legal e biodiversidade. Fundada em 2015 e lançada ao mercado em 2022, a empresa trabalha com projetos baseados no uso múltiplo da terra.

  • Cientistas descobrem que cor vermelha “engana” pragas e corta uso de agrotóxicos pela metade

    Cientistas descobrem que cor vermelha “engana” pragas e corta uso de agrotóxicos pela metade

    Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Tóquio, em parceria com o Centro de Tecnologia Agrícola, Florestal e Pesqueira da Prefeitura de Kyoto, comprova que a simples troca da cor das telas de proteção agrícola pode reduzir significativamente o uso de pesticidas nas lavouras. A pesquisa foi publicada na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature, em fevereiro de 2024. E mostra que telas vermelhas superam as tradicionais telas pretas ou brancas no controle de pragas como a tripes-da-cebola.

    A equipe, liderada pelo professor Masami Shimoda, da Pós-Graduação em Ciências Agrícolas e da Vida da Universidade de Tóquio, testou o efeito de telas vermelhas, brancas, pretas e combinadas sobre o tripes-da-cebola (Thrips tabaci), uma praga altamente resistente a inseticidas e responsável por danos econômicos expressivos em plantações ao redor do mundo. Os pesquisadores usaram lavouras de cebolinha Kujo (também conhecida como cebola-galesa) para os testes em laboratório e em campo.

    Como a cor vermelha confunde os insetos

    O estudo aponta que os tripes não possuem fotorreceptores para a cor vermelha, o que dificulta sua percepção visual dessa faixa de cor. “Testamos telas vermelhas com abertura de malha maior que o corpo do inseto, mas ainda assim mais eficazes do que as telas pretas ou brancas convencionais com malha menor. Esse ‘controle óptico de pragas’ se baseia na natureza da visão colorida dos insetos para mantê-los afastados”, explica Shimoda.

    Como a proteção depende da cor e não do tamanho dos furos da malha, as telas vermelhas permitem aberturas maiores. Essa característica melhora a circulação de ar, reduz o acúmulo de calor e diminui a umidade dentro das estufas. Fator que ajuda a prevenir doenças fúngicas nas plantas e torna o ambiente de trabalho mais confortável para os agricultores.

    Testes de campo confirmam queda no uso de inseticidas

    Nos experimentos de campo, os cientistas compararam lavouras totalmente cobertas, parcialmente cobertas (apenas topo ou apenas laterais) e sem cobertura alguma. As áreas protegidas com tela vermelha total precisaram de 25% a 50% menos aplicações de inseticida do que as áreas descobertas, além de produzirem cebolas de maior valor comercial. As parcelas com cobertura parcial exigiram uma aplicação adicional de inseticida em comparação com a cobertura total.

    Segundo Shimoda, a tecnologia também ajuda a reduzir o risco de contaminação por vírus transmitidos pelos tripes, como o vírus da mancha amarela da íris (IYSV) e o vírus da murcha manchada do tomateiro (TSWV), que causam prejuízos a diversas hortaliças.

    Custo compensa a longo prazo, avaliam pesquisadores

    “Essas novas telas vermelhas custam mais caro do que os pesticidas, mas se tornam econômicas porque podem ser usadas por anos. Elas também são muito eficazes no controle de pragas, sem todo o trabalho envolvido na pulverização de defensivos”, afirma Shimoda. O pesquisador projeta ainda o desenvolvimento de telas que mantenham o mesmo efeito repelente sobre os insetos. Porém, sem aparência vermelha aos olhos humanos, o que reduziria custos de fabricação e aumentaria a durabilidade do produto.

    Para a equipe, a técnica representa um caminho de baixa complexidade tecnológica para diminuir a dependência de defensivos químicos, desacelerar o desenvolvimento de resistência das pragas aos inseticidas e fortalecer práticas agrícolas mais sustentáveis.

  • Caroço de açaí vira nanofertilizante e turbina crescimento de milho e sorgo

    Caroço de açaí vira nanofertilizante e turbina crescimento de milho e sorgo

    Pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram um nanofertilizante a partir do caroço do açaí capaz de estimular o crescimento de milho e sorgo. Em testes experimentais, doses baixas do produto (apenas 10 miligramas por litro) elevaram o crescimento relativo das plantas em 24% no milho e 164% no sorgo. O volume das raízes também aumentou 23% e 59%, respectivamente, na comparação com plantas não tratadas.

    Caroços de açaí são coprodutos pouco aproveitados no processamento agroindustrial, Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    O caroço do açaí é um coproduto que a indústria ainda aproveita pouco. Cada tonelada de frutos processados para extração da polpa gera cerca de 700 quilos de caroços, que normalmente vão para descarte ou servem como combustível em caldeiras.

    Os testes usaram as variedades BRS-Gorutuba (milho) e 2502 (sorgo), ambas de ciclo curto e indicadas para o semiárido. O crescimento das raízes, especialmente no sorgo, permite que as plantas explorem o solo com mais eficiência e aumentem suas chances de sobrevivência em condições adversas.

    Como funciona o nanofertilizante

    A equipe produz o novo insumo a partir do pó da semente do açaí, por meio de um processo chamado síntese hidrotermal. O resultado são nanopartículas fluorescentes conhecidas como pontos quânticos de carbono (carbon quantum dots), com cerca de quatro nanômetros de diâmetro.

    Pontos quânticos de carbono
    Pontos quânticos de carbono (carbon quantum dots). Foto: Cláudio Carvalho

    Essas partículas penetram com eficiência nos tecidos das folhas. Além de entregar nutrientes minerais essenciais, elas funcionam como pequenas antenas: captam radiação ultravioleta e emitem luz azul, estimulando o sistema fotoquímico da planta e aumentando a eficiência da fotossíntese.

    Segundo o pesquisador Cláudio Carvalho, da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), o tamanho reduzido das partículas explica o desempenho do produto. As nanopartículas alcançam o nível celular e superam a absorção obtida com fertilizantes foliares convencionais. Elas também participam da transferência de energia dentro das células e fornecem compostos bioativos que ativam enzimas ligadas ao combate ao estresse oxidativo das plantas.

    Cláudio Carvalho, pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical (CE). Foto: Arquivo Pessoal

    Carvalho destaca ainda o potencial ambiental da tecnologia: doses menores podem produzir resultados superiores, reduzindo custos de aplicação e riscos ao meio ambiente. Segundo o pesquisador, os nanofertilizantes tendem a gerar menos escoamento superficial e menor contaminação de solos e corpos d’água. Portanto, o que os torna mais sustentáveis que os fertilizantes tradicionais.

    De resíduo a matéria-prima estratégica

    Poucos estudos avaliam hoje o uso do caroço de açaí em pequena escala como biocarvão, fonte de bioenergia ou matéria-prima para materiais compósitos. Enquanto isso, o resíduo continua se acumulando nos centros urbanos das regiões produtoras e em grandes cidades, segundo Carvalho.

    O pesquisador compara a semente do açaí a um “kit de sobrevivência natural”, já que reúne os nutrientes que a planta precisa para se estabelecer em ambientes hostis. Portanto, uma característica que torna o material ideal como precursor do nanofertilizante. Para Carvalho, o processo agrega valor à biomassa e devolve parte dos nutrientes minerais, principalmente micronutrientes, às áreas de produção, o que reduz a dependência de fertilizantes convencionais.

    O grupo de pesquisa planeja agora testar o nanofertilizante em outras culturas, como feijão, batata-doce, abóbora e hortaliças, além de mudas de açaizeiro. Segundo os pesquisadores, depois de finalizado e escalado o processo produtivo, o produto pode se tornar uma alternativa segura para devolver nutrientes ao sistema produtivo. Tanto na própria cultura do açaizeiro quanto em viveiros de mudas e cultivo protegido.

    Professor Pierre Fechine, coordenador do Laboratório do Grupo de Química de Materiais Avançados (GQMat) da UFC. Foto: Arquivo Pessoal.

    O professor Pierre Fechine, coordenador do Laboratório do Grupo de Química de Materiais Avançados (GQMat) da UFC e parceiro do estudo, reforça o potencial da matéria-prima. Segundo ele, o Brasil gera grandes volumes de resíduos agroindustriais, especialmente na região amazônica, o que representa fonte abundante e barata de insumo. Fechine pondera, porém, que o uso agrícola em larga escala ainda depende de avanços em estudos regulatórios e de segurança.

    Publicação em revista internacional

    Os resultados da pesquisa saíram no artigo “Carbon-based nanopigments derived from açaí seed residues with tunable optical properties and biofunctional performance”, publicado na revista internacional Dyes and Pigments. Fechine resume a descoberta. Um resíduo até então descartado se transforma em material capaz de interagir com sistemas biológicos e gerar efeitos mensuráveis no crescimento das plantas.

    Porém, apesar dos resultados promissores, o caminho até o produtor rural ainda enfrenta obstáculos. O principal deles é manter a qualidade e a reprodutibilidade do material ao migrar da escala de laboratório para a escala industrial. Fechine explica que, em laboratório, a equipe trabalha com pequenas quantidades e controle rigoroso das condições de síntese. Já em uma fábrica, cada lote precisa manter as mesmas propriedades químicas, ópticas e biológicas. A otimização dos custos de produção, incluindo consumo de energia, purificação do material e logística de coleta da biomassa, também segue como desafio.

    O que são os pontos quânticos de carbono

    Os carbon quantum dots são nanopartículas extremamente pequenas, milhares de vezes menores que um fio de cabelo humano. Apesar do tamanho reduzido, apresentam propriedades notáveis, principalmente a capacidade de absorver e emitir luz.

    Cientistas descobriram esse tipo de nanopartícula por acaso, no início dos anos 2000, durante estudos com nanotubos de carbono. Desde então, o material desperta interesse científico crescente por ser relativamente fácil de produzir, apresentar baixa toxicidade e poder ser obtido a partir de materiais naturais e resíduos orgânicos.

    Atualmente, pesquisadores estudam os carbon quantum dots para aplicações em sensores químicos, diagnóstico médico, bioimagem, células solares, LEDs, tratamento de água e agricultura. No campo agrícola, o material pode estimular o crescimento das plantas, aumentar o aproveitamento da luz na fotossíntese e melhorar o transporte de nutrientes, contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.

    Para produzir o nanofertilizante, a equipe da Embrapa e da UFC submeteu o pó da semente do açaí, rico em carbono e minerais, a reatores de alta pressão e altas temperaturas por várias horas, em um processo de síntese hidrotermal. Sob essas condições, as moléculas orgânicas da semente se quebram e se reorganizam, formando os carbon quantum dots e outras substâncias com atividade biológica nas plantas, entre elas precursores de hormônios vegetais.

  • Andav 2026 destaca inovação para os desafios do agronegócio

    Andav 2026 destaca inovação para os desafios do agronegócio

    A cadeia de distribuição de insumos agropecuários volta a se reunir entre os dias 11 e 13 de agosto na 15ª edição do Congresso Andav 2026, que será realizada no Transamerica Expo Center, em São Paulo. Com o tema “Agroeconomia Brasileira: Reflexões para o Futuro”, o encontro terá como foco debates sobre inovação, sustentabilidade, tecnologias para o campo e os desafios que devem influenciar os próximos anos do agronegócio brasileiro.

    A programação reunirá empresas do setor, distribuidores, pesquisadores, consultores e produtores rurais. Além disso, o evento apresentará soluções voltadas ao aumento da eficiência das lavouras, ao uso de bioinsumos, às novas ferramentas de nutrição vegetal e ao avanço da agricultura regenerativa.

    Entre os expositores está o Grupo Casa Bugre. A empresa aproveitará a edição de 2026 para celebrar 45 anos de atuação. Também apresentará tecnologias desenvolvidas em parceria com Krilltech, Agrilife Solutions e Terrus Regeneração.

    Tecnologias voltadas à produtividade

    Entre os destaques anunciados pela empresa está uma plataforma de nutrição vegetal baseada no conceito de Nutrifisiologia. A tecnologia combina a fisiologia das plantas com estratégias de manejo nutricional. Dessa forma, busca ampliar o aproveitamento dos nutrientes pelas culturas.

    Segundo o diretor de Marketing e Inovação do Grupo Casa Bugre, Everton Molina, a proposta utiliza os recursos de forma mais eficiente.

    “O objetivo é proporcionar maior aproveitamento dos nutrientes, utilizando recursos de forma estratégica para alcançar melhores resultados produtivos e econômicos.”

    Além disso, a empresa apresentará soluções baseadas em microalgas. Esses produtos atuam como bioestimulantes e biopotencializadores para diferentes culturas agrícolas.

    Outro destaque será uma tecnologia destinada a auxiliar as plantas na resposta aos estresses abióticos, como períodos de déficit hídrico e altas temperaturas. Conforme a empresa, a solução atende especialmente as lavouras de soja e milho.

    Agricultura regenerativa ganha espaço

    A agricultura regenerativa também terá espaço entre as tecnologias apresentadas durante a feira.

    A Terrus Regeneração exibirá uma plataforma baseada na análise da tipologia de argila do solo. A ferramenta reúne informações para apoiar decisões relacionadas ao manejo das áreas agrícolas. Entre elas estão a avaliação de riscos hídricos, a identificação de compactação do solo, a recomendação de bioinsumos, estratégias para mitigação de estresses e o direcionamento de investimentos na propriedade.

    Já a Krilltech destacará soluções voltadas à eficiência fisiológica das plantas. Entre elas está a tecnologia Arbolina. Segundo a empresa, a solução atua no metabolismo vegetal e estimula processos ligados à fotossíntese e à geração de energia.

    Além da Arbolina, a empresa apresentará soluções específicas para cana-de-açúcar, milho, algodão e citros. Também divulgará pesquisas envolvendo nanopartículas de carbono aplicadas à agricultura.

    Espaço para debates sobre o setor

    Além da exposição de tecnologias, a programação contará com o AGRIFORLIFE TALKS, podcast realizado durante os três dias do evento no estande do Grupo Casa Bugre.

    A iniciativa reunirá especialistas, pesquisadores, produtores rurais e representantes do agronegócio. Durante os encontros, eles discutirão inovação, sustentabilidade, gestão, mercado e as perspectivas para a agricultura brasileira.

    De acordo com o CEO do Grupo Casa Bugre, Flavio Maia, a participação na Andav representa uma oportunidade para apresentar tecnologias desenvolvidas com base em pesquisa e inovação.

    “A participação no evento representa um momento especial para apresentar ao público as tecnologias que fazem parte da nova geração da agricultura, unindo pesquisa, ciência aplicada e inovação para entregar mais eficiência ao produtor rural.”

    O executivo também destacou que a empresa busca desenvolver ferramentas capazes de contribuir para o aumento da produtividade e para sistemas agrícolas mais sustentáveis.

    Por fim, a Andav é considerada um dos principais encontros da cadeia de distribuição de insumos agropecuários do Brasil. O evento reúne representantes da indústria, distribuidores, cooperativas, consultores e produtores. Assim, promove a apresentação de tendências, a discussão dos desafios do setor e o compartilhamento de experiências sobre o desenvolvimento do agronegócio.

  • Ciência explica por que o trevo ajuda seu jardim

    Ciência explica por que o trevo ajuda seu jardim

    Por trás das folhas trifoliadas que muita gente ainda associa a erva daninha, o trevo esconde um mecanismo biológico raro. A planta hospeda, em pequenos nódulos nas raízes, bactérias especializadas que capturam o nitrogênio presente no ar, um gás que a maioria das espécies vegetais não consegue aproveitar diretamente, e o convertem em uma forma que enriquece o solo.

    Essas bactérias pertencem principalmente ao gênero Rhizobium e vivem em associação direta com as raízes do trevo. Em troca de fixar o nitrogênio atmosférico, elas recebem da planta açúcares produzidos pela fotossíntese, o combustível que sustenta essa parceria. Especialistas chamam esse processo de fixação biológica de nitrogênio (FBN), e ele funciona, na prática, como pequenas fábricas naturais de fertilizante instaladas debaixo da terra.

    Pesquisa publicada na Revista Brasileira de Zootecnia indica que o trevo-branco (Trifolium repens) pode fixar mais de 500 kg de nitrogênio por hectare ao ano em condições ideais. Um volume que dispensa boa parte da adubação química em pastagens e jardins.

    O nitrogênio só chega ao solo depois da decomposição

    O nitrogênio capturado não abastece imediatamente as plantas vizinhas. Ele permanece armazenado no próprio trevo, sustentando o crescimento da planta até que raízes, folhas caídas e aparas de grama comecem a se decompor. Nesse momento, o nutriente é liberado gradualmente no solo, funcionando como um fertilizante de liberação lenta.

    Em áreas de pastagem, o ciclo se reforça quando os animais pastam o trevo e depositam esterco rico em nutrientes, o que devolve ainda mais matéria orgânica ao terreno.

    Como aproveitar o trevo em casa

    Para quem cuida de um jardim residencial, basta deixar as aparas de grama e trevo sobre o próprio gramado após o corte. Com o tempo, esse material se decompõe e nutre o solo sem necessidade de fertilizantes sintéticos. A quantidade exata de nitrogênio liberado varia conforme as condições do solo e a densidade das plantas. Mas o resultado tende a favorecer um ecossistema mais equilibrado.

    O trevo-branco também vem sendo adotado como alternativa ao gramado tradicional. Ele cresce rasteiro, exige poucos cortes, resiste bem à seca, forma uma cobertura densa que inibe plantas invasoras. E ainda atrai polinizadores como abelhas e borboletas, vantagens que a grama convencional não oferece.

    O uso de leguminosas fixadoras de nitrogênio, como trevo, soja, feijão e ervilha, é uma prática consolidada na agricultura para reduzir custos com fertilizantes nitrogenados e diminuir os impactos ambientais da produção química. Ao integrar essas espécies ao solo, produtores rurais conseguem preparar o terreno para culturas seguintes, que aproveitam o nitrogênio deixado pelas leguminosas.

  • Genética se torna aliada estratégica na produção de tomate

    Genética se torna aliada estratégica na produção de tomate

    A combinação entre genética avançada, cultivo protegido e manejo tecnológico tem transformado a produção de tomate no Brasil. Durante visita técnica promovida pela BASF Nunhems na Mikami Agrobusiness, em Louveira (SP), produtores e especialistas apresentaram como a inovação vem contribuindo para aumentar a produtividade, garantir maior qualidade dos frutos e reduzir os impactos das variações climáticas sobre a cultura.

    A Mikami Agrobusiness é um grupo agrícola familiar liderado pelos irmãos Ricardo e Eduardo Mikami, representantes da terceira geração de descendentes de imigrantes japoneses. Com operações em Louveira e Vinhedo, a empresa cultiva cerca de 70 produtos diferentes para abastecer a rede Quitanda QMaria e o QMaria Restaurante & Sushi, ambos pertencentes à própria família. Entre as culturas, o tomate saladete ocupa posição estratégica na operação.

    Da avaliação ao cultivo em larga escala

    Atualmente, toda a produção de tomate italiano da empresa utiliza o híbrido Strongton, desenvolvido pela BASF Nunhems. Segundo Ricardo Mikami, a adoção da variedade ocorreu após testes em pequena escala que demonstraram resultados superiores aos materiais anteriormente utilizados.

    “Nossa busca não é só por algo que seja bom para produzir, é o que o cliente quer. Buscamos variedades resistentes, que nos ajudem a usar o mínimo possível de produto, buscando eficiência e atendendo a demanda que encontramos no Strongton”, afirmou.

    De acordo com o produtor, um dos principais desafios da cultura era a perda de uniformidade dos frutos na parte superior das plantas.

    “Nossa dificuldade sempre foi do meio para cima. Ou ficava pequeno ou ficava oco, não enchia e não dava peso. Quando tivemos a oportunidade de testar o Strongton, já vimos diferença. Começamos com seis vasos e hoje 100% da nossa produção de tomate italiano é dessa variedade”, relatou.

    Além disso, a empresa trabalha atualmente com 17 lotes produtivos e pretende incorporar mais três áreas ao longo deste ano. Cada lote produz entre 10 e 12 toneladas, totalizando aproximadamente 180 toneladas anuais de tomate italiano.

    Genética como diferencial competitivo

    Segundo Leonardo Terron Ferreira, representante técnico de vendas da BASF Nunhems, a proposta da nova genética é garantir uniformidade de produção durante todo o ciclo da planta.

    “A genética traz para o produtor melhor sanidade, vigor de planta, pegamento desde as primeiras pencas e qualidade até o ponteiro. O objetivo é oferecer o mesmo calibre de fruto em toda a planta, com uniformidade e padrão comercial”, explicou.

    De acordo com o especialista, o desempenho está diretamente ligado ao sistema radicular desenvolvido pelo híbrido.

    “Para obter uniformidade, o segredo está na genética. Com um sistema radicular robusto, toda a adubação realizada consegue ser aproveitada pela planta, garantindo a formação das pencas e a qualidade dos frutos.”

    Além da uniformidade, o material apresenta resistência a importantes desafios fitossanitários da cultura, como nematoides, fusarium, verticillium, vírus rugoso, vira-cabeça e geminivírus. Dessa forma, o produtor ganha mais estabilidade produtiva e maior segurança no manejo da lavoura.

    Tecnologia reduz riscos e amplia previsibilidade

    Além da genética, a tecnologia aplicada ao sistema de produção tem papel decisivo nos resultados obtidos pela propriedade. A Mikami Agrobusiness conta com cerca de 40 mil metros quadrados de estufas em Louveira, além de estruturas semelhantes em outras regiões do País.

    Segundo Ricardo Mikami, a migração do cultivo tradicional para a plasticultura permitiu reduzir significativamente os impactos das condições climáticas.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    “Diminuímos as variáveis climáticas como excesso de chuva, luminosidade e temperatura. Conseguimos entregar mais produtividade, qualidade, previsibilidade e reduzir aplicações de produtos. A plasticultura diminui as rupturas de produção.”

    Além disso, o sistema adotado utiliza cultivo em vasos preenchidos com turfa, um substrato que permite maior controle do ambiente radicular. Toda a irrigação e nutrição das plantas ocorre por meio de fertirrigação automatizada.

    “Trabalhamos em campo protegido. O plantio é feito em vasos com substrato e toda a fertirrigação é realizada por uma injetora que fornece água e nutrientes preparados pelos nossos agrônomos de acordo com a necessidade da planta durante o ciclo”, explicou Juliano Godoi, gerente de produção da Mikami Agrobusiness.

    Para os produtores, a incorporação de novas tecnologias tornou-se fundamental diante dos desafios climáticos e das exigências de mercado.

    “Se continuássemos produzindo da maneira que era feita no passado, seria muito difícil aumentar a produção. A tecnologia veio para agregar. Hoje utilizamos recursos que vão desde sementes híbridas e irrigação até estufas mais modernas e implementos agrícolas”, destacou Godoi.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Desafios e perspectivas para o futuro

    Apesar dos avanços, a produção de tomate continua enfrentando desafios importantes, principalmente durante o verão, quando as altas temperaturas podem comprometer produtividade e qualidade.

    Ainda assim, a demanda do mercado exige regularidade no abastecimento ao longo de todo o ano.

    “O consumidor quer tomate independentemente de estar frio, chovendo ou fazendo calor. Precisamos garantir esse fornecimento constante”, observou Ricardo Mikami.

    Para ele, o futuro da tomaticultura passa pela combinação entre sustentabilidade, genética e adaptação climática.

    “As temperaturas estão cada vez mais altas e as mudanças climáticas são uma realidade. A genética precisará acompanhar esse cenário, entregando materiais mais resistentes e que facilitem o manejo. A automação também deve avançar, mas sem perder a sensibilidade humana, que continua sendo determinante para o resultado final.”

  • Hortitec reúne inovações para o futuro da horticultura

    Hortitec reúne inovações para o futuro da horticultura

    A Hortitec 2026 reunirá 520 empresas brasileiras e estrangeiras para apresentar soluções voltadas à horticultura, cultivo protegido e culturas intensivas. O evento ocorrerá entre os dias 17 e 19 de junho, em Holambra (SP).

    A organização espera receber cerca de 32 mil visitantes. Além disso, a feira projeta movimentar R$ 750 milhões em negócios durante e após o evento.

    As empresas levarão ao público tecnologias voltadas à automação, sustentabilidade, produtividade, rastreabilidade e saudabilidade. Essas áreas concentram os principais desafios enfrentados pelos produtores de hortifrúti no Brasil.

    De olho no consumidor

    O setor também acompanha mudanças no comportamento do consumidor. Atualmente, cresce a procura por alimentos saudáveis, nutritivos e práticos para o dia a dia. Por isso, produtos frescos, higienizados e prontos para consumo ampliam participação na cesta de compras dos brasileiros.

    Entre os destaques da feira, a Embrapa e a Isla Sementes apresentarão novas cultivares de Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs). As variedades Bertalha BRS Tereverde e Caruru Verde BRS Ilekalu combinam valor nutricional, praticidade e apelo visual.

    Nova batata-doce

    A Embrapa Clima Temperado também lançará a batata-doce BRS BC179 Prenda. A cultivar possui alto teor de carotenoides e elevada produtividade.

    Flores

    Na floricultura, a tecnologia ganhará espaço com a Classificadora Inteligente de Flores. A solução utiliza visão artificial e inteligência artificial para classificar, cortar e embalar flores automaticamente. Segundo os expositores, a tecnologia aumenta a eficiência operacional e reduz impactos da escassez de mão de obra no campo.

    O setor também apresentará novas variedades ornamentais. A Bio Plugs exibirá uma Gérbera com flores duplas e gigantes, hastes resistentes e longo ciclo produtivo.

    Outro lançamento será o Girassol sem pólen. O híbrido oferece maior durabilidade, evita sujeira e reduz riscos de alergias respiratórias.

    Hortaliças processadas

    No segmento de hortaliças processadas, empresas apostam em variedades adaptadas ao mercado de produtos frescos e higienizados.

    A Enza Zaden lançará a alface Harumi. A variedade apresenta alta uniformidade e excelente rendimento para processamento.

    Já a Sakata apresentará a alface Bella Folha. A cultivar é a primeira alface crespa desenvolvida especificamente para o mercado de processamento.

    Fertilizantes e defensivos

    No setor de fertilizantes e defensivos, a biotecnologia reforçará a busca por sistemas produtivos mais sustentáveis.

    Entre as novidades, o RadiSanPro se destaca por estimular o desenvolvimento das raízes e fortalecer os mecanismos naturais de defesa das plantas.

    Com lançamentos voltados à eficiência e à sustentabilidade, a Hortitec 2026 reforça seu papel como uma das principais vitrines de inovação para a horticultura brasileira.

     

     

     

     

  • Tecnologia sustenta produtividade da citricultura diante do clima

    Tecnologia sustenta produtividade da citricultura diante do clima

    A busca por maior produtividade e qualidade tem levado os citricultores a ampliar o uso de tecnologias nutricionais nos pomares. Além disso, a necessidade de enfrentar períodos de estiagem, altas temperaturas e outros eventos climáticos extremos reforça a adoção de ferramentas que aumentam a eficiência do manejo e a resistência das plantas.

    O tema ganha relevância em um momento de desafios para a produção agrícola. Por isso, soluções como fertirrigação, bioinsumos e programas de nutrição balanceada passaram a ocupar espaço estratégico na citricultura brasileira.

    Segundo Bruno Dittrich, especialista agronômico da Yara Brasil, a produtividade dos pomares depende diretamente do fornecimento adequado de nutrientes ao longo de todo o ciclo produtivo.

    “Para obter maior produtividade e qualidade das frutas cítricas é preciso investir em uma combinação equilibrada de nutrientes. O produtor precisa trabalhar com soluções específicas para cada etapa de desenvolvimento da planta, desde o manejo do solo e desenvolvimento radicular até o enchimento final dos frutos”, afirma.

    De acordo com a empresa, programas nutricionais voltados especificamente para a cultura dos citros apresentam resultados expressivos quando o produtor adota um manejo técnico e integrado. Em áreas acompanhadas pela companhia, técnicos registraram ganhos médios de até 110 caixas por hectare.

    Brasil mantém liderança mundial

    O Brasil ocupa posição de destaque no mercado internacional de citros. Atualmente, o país responde por cerca de 30% da produção mundial de laranjas. Além disso, lidera as exportações globais de suco de laranja, concentrando aproximadamente 85% do comércio mundial do produto.

    Esse protagonismo resulta de décadas de investimentos em pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. Ao mesmo tempo, a integração entre produtores, empresas e instituições de pesquisa fortalece a competitividade do setor.

    Para especialistas, a manutenção dessa liderança depende da adoção contínua de tecnologias capazes de elevar a produtividade e melhorar a qualidade dos frutos. Dessa forma, a cadeia produtiva consegue atender às exigências dos mercados nacional e internacional.

    Clima exige manejo mais eficiente

    As mudanças climáticas também influenciam as decisões dentro das propriedades rurais. Ondas de calor, estiagens prolongadas e oscilações nas condições climáticas afetam diretamente o desenvolvimento dos pomares.

    Por isso, produtores têm buscado soluções que aumentem a tolerância das plantas aos chamados estresses abióticos. Entre elas estão tecnologias que combinam nutrição mineral, bioinsumos e ferramentas de monitoramento.

    “Hoje, a nutrição precisa ser tratada como um componente estratégico do manejo. As soluções integradas ajudam os citricultores a mitigar os efeitos da seca e das altas temperaturas, além de contribuir para a saúde e longevidade dos pomares”, explica Dittrich.

    Além disso, o fortalecimento do sistema radicular permite que as plantas aproveitem melhor a água e os nutrientes disponíveis no solo. Como resultado, os pomares conseguem manter o desenvolvimento mesmo durante períodos de maior estresse hídrico.

    Fertirrigação amplia eficiência no campo

    A fertirrigação também avança na citricultura brasileira. A técnica permite aplicar água e nutrientes ao mesmo tempo, de forma precisa e alinhada às necessidades da planta em cada fase do desenvolvimento.

    Dessa maneira, o produtor reduz perdas, melhora o aproveitamento dos fertilizantes e aumenta o controle sobre o manejo nutricional. Além disso, a tecnologia diminui a dependência da regularidade das chuvas, fator cada vez mais importante diante das alterações climáticas.

    Um estudo realizado pela Yara em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) identificou ganhos relevantes com o uso da fertirrigação em pomares cítricos. Segundo a empresa, a técnica elevou a produtividade em aproximadamente um terço e reduziu em cerca de 30% a incidência de podridão floral.

    Os pesquisadores também verificaram aumento da estrutura reprodutiva das plantas. Consequentemente, os pomares apresentaram maior potencial produtivo e melhor uniformidade dos frutos.

    Bioinsumos ganham espaço nos pomares

    Os bioinsumos também conquistam espaço na citricultura. Esses produtos contribuem para a fertilidade do solo e aumentam a eficiência no aproveitamento dos nutrientes pelas plantas.

    Além disso, a tecnologia fortalece o desenvolvimento vegetal e auxilia o produtor na busca por sistemas mais sustentáveis. Por esse motivo, especialistas apontam crescimento contínuo da utilização desses insumos nos próximos anos.

    A combinação entre nutrição equilibrada, fertirrigação, bioinsumos e agricultura de precisão deve ganhar ainda mais relevância. Assim, os produtores poderão enfrentar os desafios climáticos com maior eficiência, preservar a produtividade e manter a competitividade da citricultura brasileira.

  • HORTITEC 2026 espera movimentar R$ 750 milhões em Holambra

    HORTITEC 2026 espera movimentar R$ 750 milhões em Holambra

    A 31ª edição da HORTITEC – Exposição Técnica de Horticultura, Cultivo Protegido e Culturas Intensivas – será realizada entre os dias 17 e 19 de junho, em Holambra (SP). Com isso, a feira reforça sua posição como principal encontro do setor hortifrutícola brasileiro e um dos mais importantes da América Latina. Todos os espaços já foram comercializados. Além disso, a organização estima receber cerca de 32 mil visitantes e movimentar aproximadamente R$ 750 milhões em negócios durante os três dias de evento.

    Neste ano, a feira reunirá 520 empresas expositoras nacionais e internacionais. O público encontrará lançamentos voltados à horticultura, floricultura e culturas intensivas. Entre as novidades estarão novas variedades de frutas, legumes, verduras e flores. Além disso, serão apresentadas soluções para irrigação de precisão, manejo de mudas, cultivo protegido e uso eficiente de água e energia. Também haverá ferramentas digitais aplicadas à produção agrícola.

    Destaques

    Entre os destaques da edição está a participação do Grupo Casa Bugre, presente na HORTITEC desde a sétima edição. Ao longo de mais de 24 anos de participação contínua, a empresa acompanhou a evolução tecnológica do setor. Neste ano, apresentará novidades voltadas à agricultura de alta performance. O foco estará em nanotecnologia, microalgas e nutrifisiologia aplicada.

    Segundo Flavio Maia, CEO do Grupo Casa Bugre, a feira representa um ambiente estratégico para aproximar inovação e produção agrícola.

    “A Hortitec é um dos principais pontos de conexão entre ciência, inovação e o produtor rural. Para o Grupo Casa Bugre, estar presente nesse ambiente é a materialização do nosso propósito: conectar o conhecimento científico às necessidades reais do campo. É nesse contato direto com o produtor que conseguimos levar nossas novas tecnologias, soluções e inovações, contribuindo para uma agricultura mais eficaz, rentável e sustentável. Mais do que apresentar produtos, a feira nos permite ouvir, entender e evoluir junto com quem está no dia a dia da produção”, afirma.

    Inovação em nutrição vegetal e microalgas

    Entre os lançamentos anunciados está o AgLithis, solução nutricional baseada em nanotecnologia. O produto foi desenvolvido para fornecer cálcio de alta eficiência às plantas. Dessa forma, atua diretamente nos processos fisiológicos das culturas. Além disso, favorece a absorção e o aproveitamento dos nutrientes. Como resultado, contribui para ganhos de produtividade, uniformidade e qualidade.

    Outro destaque será o Argemiro, novo porta-enxerto da Bayer Seminis para pimentões. O material foi desenvolvido para proporcionar maior vigor vegetativo e estabilidade produtiva. Assim, busca atender às demandas dos produtores por mais segurança no manejo. Além disso, oferece melhor desempenho agronômico.

    O Grupo Casa Bugre também levará à feira sua linha de BioPotencializadores com tecnologia de microalgas. Entre os produtos apresentados estarão o AfiMax, o OrusMax e o MiMax, desenvolvidos para potencializar a eficiência dos manejos fitossanitários e ampliar o desempenho dos inseticidas.

    Na área de bioestimulantes, a empresa exibirá os produtos Stimulife Impetus, Stimulife Robust e Stimulife Rizogen. Já o Active31 será apresentado como uma solução prebiótica para o solo. O produto foi formulado para estimular a microbiota da rizosfera. Além disso, favorece o desenvolvimento de microrganismos benéficos próximos às raízes.

    De acordo com Everton Campos, diretor de Marketing e Inovação do Grupo Casa Bugre, as microalgas oferecem benefícios em diferentes frentes da produção agrícola.

    “As microalgas atuam como bioestimulantes e biopotencializadores, induzindo respostas fisiológicas que fortalecem a planta, aumentam a tolerância a estresses e melhoram a eficiência do manejo”, afirma.

    Além disso, compostos bioativos presentes nas microalgas auxiliam na redução do estresse oxidativo das plantas e favorecem a translocação de nutrientes, contribuindo para frutos mais firmes, uniformes e com maior vida pós-colheita.

    Agricultura 6.0 e eficiência no uso de nutrientes

    A Agrilife, empresa do Grupo Casa Bugre, também apresentará tecnologias voltadas à nutrifisiologia aplicada. Além disso, destacará o conceito de Nutrient Use Efficiency (NUE). Esse indicador mede a eficiência com que os nutrientes fornecidos são convertidos em produtividade.

    Entre as soluções que estarão em exposição estão os produtos AgBasis, AgFortis, AgMaturis e AgGranum. As tecnologias foram desenvolvidas para atuar em diferentes fases do ciclo produtivo, promovendo desde o desenvolvimento radicular até a maturação uniforme de frutos e o enchimento de grãos.

    Para Renato Opitz, diretor da HORTITEC, a feira desempenha papel estratégico para o desenvolvimento da cadeia hortifrutícola.

    “A edição 2026 apresentará soluções tecnológicas para toda a cadeia, em especial para o produtor que quer manter a produtividade elevada e ampliar sua competitividade no mercado. Isto porque a HORTITEC é um ecossistema hortifrutícola com muitas oportunidades de atualização, de novos negócios e, também, de network, ao atrair e reunir quem tem real interesse no setor”, destaca.

    Além das inovações tecnológicas, a HORTITEC 2026 contará com a presença de instituições financeiras. Elas oferecerão linhas de crédito voltadas ao investimento e ao custeio rural. Dessa maneira, os produtores poderão ampliar o acesso a recursos para modernização das propriedades. Também será possível acelerar a adoção de novas tecnologias.

    A feira também reunirá empresas ligadas à agricultura de precisão, inteligência artificial, bioinsumos, rastreabilidade, irrigação e automação. Além disso, estarão presentes companhias dos segmentos de genética, biotecnologia, defensivos, embalagens e maquinários. Assim, a HORTITEC reforça seu papel como um dos principais hubs de conhecimento e negócios do agronegócio brasileiro.

    Serviço

    HORTITEC 2026
    Data: 17 a 19 de junho de 2026
    Horário: 17 e 18 de junho, das 9h às 19h; 19 de junho, das 9h às 17h
    Local: Parque de Exposições da Expoflora – Holambra (SP)
    Ingressos: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (estudantes e pessoas com mais de 60 anos)
    Informações: hortitec.com.br

  • Nutrição vegetal inteligente reúne especialistas em Piracicaba

    Nutrição vegetal inteligente reúne especialistas em Piracicaba

    Piracicaba (SP) recebe nos dias 9 e 10 de junho o Summit de Nutrição Vegetal Inteligente 2026. A Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo) promove o encontro no PECEGE. O evento reunirá especialistas brasileiros e internacionais para debater avanços em fisiologia vegetal, nutrição via folha, fertilizantes de matriz orgânica e insumos biológicos.

    A programação concentra discussões sobre ciência aplicada e inovação. Durante os dois dias, os participantes terão acesso a pesquisas recentes e tendências que impactam diretamente a produção agrícola. Além disso, o encontro abordará soluções voltadas ao aumento da eficiência nutricional das lavouras.

    Entre os principais temas estão absorção e transporte de nutrientes, plasticidade fisiológica das plantas, microbiologia do solo e estratégias modernas de manejo nutricional. Dessa forma, o Summit busca ampliar o acesso ao conhecimento técnico e fortalecer a adoção de práticas mais eficientes no campo.

    Evento reúne indústria, pesquisadores e consultores

    A Krilltech, empresa do Grupo Casa Bugre, participará da programação técnica. A companhia atua no desenvolvimento de soluções voltadas à sinalização fisiológica e à ativação do metabolismo vegetal.

    Durante o Summit, a empresa apresentará sua visão sobre o papel dos sinalizadores fisiológicos na agricultura moderna. Segundo a companhia, essas tecnologias ajudam a melhorar o aproveitamento dos nutrientes pelas plantas. Como resultado, os produtores podem alcançar maior desempenho produtivo e sistemas agrícolas mais sustentáveis.

    Outro destaque será o debate sobre a capacidade adaptativa das plantas diante de diferentes condições ambientais. Além disso, especialistas discutirão a relação entre nutrição mineral, compostos orgânicos e comunidades microbianas presentes no solo. Esse conjunto de fatores influencia diretamente o desenvolvimento das culturas e a produtividade agrícola.

    O Summit de Nutrição Vegetal Inteligente 2026 tem como público-alvo profissionais da indústria de insumos agrícolas. Participam empresas ligadas a fertilizantes especiais, biofertilizantes, condicionadores de solo, substratos e produtos de base biológica.

    Ao mesmo tempo, o evento também atrai pesquisadores, consultores técnicos e estudantes. Esses profissionais buscam atualização científica e contato com novas tecnologias voltadas à nutrição vegetal.

    Networking e tendências para o futuro do agro

    Além do conteúdo técnico, o encontro abrirá espaço para networking entre representantes da indústria, pesquisadores e especialistas. Assim, os participantes poderão trocar experiências e ampliar conexões profissionais.

    Outro objetivo da iniciativa é estimular o debate sobre os desafios da agricultura sustentável. Para isso, a programação apresentará tendências e inovações que devem influenciar o setor nos próximos anos.

    Segundo a organização, o Summit proporcionará uma imersão em conhecimento técnico e científico. Os participantes terão acesso a pesquisas recentes e poderão acompanhar discussões sobre o futuro da nutrição vegetal. Além disso, o evento oferecerá oportunidades para o desenvolvimento de parcerias estratégicas.

    As inscrições para o Summit de Nutrição Vegetal Inteligente 2026 seguem abertas e podem ser realizadas pela plataforma oficial do evento.