Tag: Agricultura sustentável

  • Como a COVID-19 reviveu fazendas da era asteca no México

    Como a COVID-19 reviveu fazendas da era asteca no México

    Durante décadas, as antigas chinampas, sistemas agrícolas criados pelos povos pré-astecas há mais de mil anos, perderam espaço para a urbanização e para as cadeias modernas de abastecimento. No entanto, a pandemia da COVID-19 mudou esse cenário e ajudou a impulsionar a retomada dessas fazendas históricas nos arredores da Cidade do México.

    O que são as chinampas?

    As chinampas são ilhas artificiais criadas pelos povos astecas há mais de mil anos para ampliar áreas de cultivo em regiões alagadas. O nome vem da palavra nauatle “chinamitl”, que significa “cercado feito de juncos”.

    Construídas com madeira, sedimentos e matéria orgânica, essas estruturas permitiam o cultivo de alimentos em solos altamente férteis e são consideradas um dos sistemas agrícolas mais avançados da antiguidade.

    As chimampas são consideradas um modelo de agricultura sustentável

    Agricultura ancestral resiste ao avanço da urbanização

    Antes da chegada dos colonizadores espanhóis, as chinampas eram a base da segurança alimentar da antiga capital asteca. Com o crescimento da Cidade do México e a modernização do sistema agrícola, grande parte dessas áreas foi abandonada.

    A Central de Abastos da Cidade do México é o maior mercado de produtos do mundo, com cerca de 800 m de comprimento de cada lado abrigando cerca de 122 mil toneladas de comida — (Foto: César Rodriguez)

    Atualmente, existem cerca de 2 mil hectares de chinampas, mas apenas 2,5% da área ainda é utilizada na agricultura tradicional. A área é mais conhecida como uma atração turística popular.

    Mesmo assim, agricultores locais seguem preservando técnicas centenárias. Entre eles está Miguel de Valle, que cultiva hortaliças utilizando métodos praticamente inalterados ao longo das gerações.

    “Temos que proteger esse modo de agricultura”, afirma o produtor. “Meu objetivo é conservar o que as pessoas fazem aqui há centenas de anos.”

    A maioria dos chinamperos usa barcos ou canoas para ir e voltar de suas fazendas, já que os motores de popa raramente são permitidos nos canais — (Foto: César Rodriguez)

    Técnicas agrícolas que atravessaram séculos

    O diferencial das chinampas está no sistema produtivo. Os agricultores retiram sedimentos férteis dos canais para formar canteiros ricos em nutrientes. O cultivo ocorre manualmente, sem mecanização pesada, preservando a estrutura do solo.

    Além disso, os produtores utilizam métodos naturais de proteção das plantas, como cobertura vegetal para conservar a umidade e preparados à base de pimenta para auxiliar no controle de pragas.

    Segundo os agricultores, essas práticas permitem manter uma produção diversificada de alface, milho, abóboras, ervas e hortaliças, ao mesmo tempo em que preservam a biodiversidade local.

    “Essas técnicas já estão desaparecendo. Mas isso é muito eficaz”, destaca De Valle. “É a maneira mais local de alimentar as pessoas.”

    COVID-19 fortaleceu a agricultura local

    O renascimento das chinampas ganhou força durante a pandemia. Com as interrupções nas cadeias de suprimentos e as restrições de circulação, muitos moradores passaram a buscar alimentos produzidos mais perto de casa.

    Assim, agricultores de Xochimilco ampliaram a venda direta ao consumidor, utilizando aplicativos de mensagens, redes sociais e sistemas de entrega em domicílio.

    As vendas praticamente dobraram durante alguns meses da crise sanitária. Algumas propriedades ampliaram suas áreas cultivadas para atender ao aumento da demanda por alimentos frescos e locais.

    Equipe de De Valle colhe hortaliças que serão vendidas no dia seguinte no Mercado de las Cosas Verdes, e também entregues em cestos diretamente aos clientes — (Foto: César Rodriguez)

    Para especialistas, a pandemia evidenciou a importância da produção regional na construção de sistemas alimentares mais resilientes.

    “Temos uma tradição de cultivo de alimentos de centenas ou milhares de anos. Não há nada de alternativo sobre isso. É o legado histórico. Isso é o normal”, afirma David Monachon, pesquisador da Universidade Nacional Autônoma do México.

    Produção agrícola e conservação ambiental

    Além da produção de alimentos, as chinampas desempenham papel importante na preservação ambiental. A área abriga espécies nativas e ajuda a regular a temperatura da Cidade do México por meio de sua extensa rede de canais.

    Paisagem com chinampas e canais em Xochimilco — (Foto: Luis Antonio Rojas)

    O sistema também serve de refúgio para o axolote, anfíbio ameaçado de extinção e conhecido mundialmente por sua capacidade de regeneração.

    Axolote nadando em aquário no Laboratório de Restauração Ecológica da Universidade Nacional Autônoma do México — (Foto: Luis Antonio Rojas)

    Especialistas alertam que o abandono dessas áreas pode trazer impactos ambientais significativos, incluindo aumento das temperaturas locais e redução das chuvas.

    Jovens no campo

    Outro efeito positivo observado após a pandemia foi o retorno de jovens à atividade agrícola. Muitos enxergaram nas chinampas uma oportunidade de trabalho ligada à produção sustentável, ao turismo rural e à valorização dos alimentos locais.

    A renovação geracional tem ajudado a recuperar áreas antes abandonadas e a fortalecer iniciativas voltadas à agricultura de proximidade.

    Embora as chinampas não tenham capacidade para abastecer toda a metrópole como no passado, pesquisadores estimam que elas poderiam fornecer até 20% das hortaliças consumidas na Cidade do México em condições ideais.

    Mais do que produzir alimentos, o sistema representa um patrimônio agrícola vivo, que combina tradição, conservação ambiental e segurança alimentar em uma das maiores cidades do planeta.

     

    Com dados de National Geographic e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

  • Florada saudável fortalece produção de laranja no campo

    Florada saudável fortalece produção de laranja no campo

    O avanço das altas temperaturas e os períodos prolongados de estiagem têm aumentado a pressão sobre a citricultura brasileira. Em meio ao cenário de instabilidade climática, produtores passaram a buscar estratégias para reduzir perdas na florada e garantir a manutenção da produtividade dos pomares. Durante a 51ª Expocitros, realizada entre os dias 26 e 29 de maio, em Cordeirópolis (SP), a Fortgreen apresentou tecnologias voltadas ao manejo fisiológico das plantas para minimizar os efeitos do estresse hídrico e térmico.

    Segundo o gerente comercial da empresa, Silvio Cezar Gregório, os impactos do calor excessivo atingem diretamente o desenvolvimento fisiológico dos citros. Como consequência, ocorre o abortamento das flores e a queda prematura dos frutos, comprometendo a produtividade final do pomar.

    “A planta entra em um processo de oxidação e cria hormônios que causam o abortamento das flores. Cada flor que a planta deixa de segurar representa uma laranja a menos dentro da caixa”, afirma.

    Ainda de acordo com o executivo, o problema se intensificou nos últimos anos devido às oscilações climáticas provocadas por fenômenos como El Niño e La Niña. O cenário, segundo ele, tem levado muitos produtores a reconsiderarem áreas de cultivo em busca de regiões menos suscetíveis às temperaturas extremas.

    Entre os destaques levados para a feira estão as tecnologias Black Gold e CoMoNi Dry, utilizadas em conjunto durante o período de florada e fixação dos frutos. O manejo busca reduzir o chamado estresse oxidativo da planta, diminuindo a produção hormonal ligada ao abortamento floral.

    “O objetivo é mitigar esse estresse fisiológico justamente na fase mais importante da cultura, que é o nascimento da fruta”, explica Gregório.

    Manejo exige atenção desde a pré-florada

    O gerente destaca que o momento de aplicação varia conforme a variedade cultivada. Enquanto algumas laranjas possuem ciclo precoce, outras apresentam desenvolvimento tardio. Por isso, o manejo precisa ser ajustado de acordo com o estágio fisiológico de cada pomar.

    “A recomendação normalmente ocorre na pré-florada, na flor aberta e também no fechamento do chumbinho, que é o terceiro estágio”, detalha.

    Além da redução das perdas provocadas pela seca e pelo calor, a empresa afirma que os produtores conseguem observar ganhos em uniformidade e qualidade da produção. Dados acompanhados em propriedades comerciais e em instituições de pesquisa indicam incremento de produtividade entre 15% e 20% com o uso das tecnologias.

    “A gente procura validar as soluções com consultorias, instituições de pesquisa e faculdades antes de levar a tecnologia ao campo”, ressalta.

    Gregório pondera, no entanto, que o manejo fisiológico não atua sozinho. Segundo ele, o equilíbrio nutricional e o controle fitossanitário continuam indispensáveis para alcançar altos índices produtivos, principalmente em regiões de maior déficit hídrico.

    Entre os desafios enfrentados atualmente pela citricultura também estão doenças que comprometem o desenvolvimento dos pomares e elevam os custos de produção. Nesse cenário, o produtor passou a adotar um manejo cada vez mais técnico e integrado.

    “Não basta apenas nutrir. Hoje estamos muito dependentes das condições climáticas. É preciso trabalhar solo, nutrição e sanidade da planta de forma equilibrada”, diz.

    Rentabilidade impulsiona profissionalização do setor

    Além das tecnologias voltadas à florada, a Fortgreen também apresentou outros produtos do portfólio durante a Expocitros. A programação do estande contou ainda com a participação do engenheiro agrônomo e consultor Leandro Fukuda, sócio-proprietário da Farm Atac, que conduziu um bate-papo técnico sobre manejo avançado de pomares cítricos.

    Para Gregório, o atual cenário climático acelerou a profissionalização da atividade. Segundo ele, o citricultor passou a atuar cada vez mais como empresário, com maior controle sobre custos, produtividade e planejamento de investimentos.

    “O produtor sabe exatamente quanto custa produzir uma caixa de laranja. Hoje, produzir bem significa garantir rentabilidade, independentemente das oscilações de preço do mercado”, conclui.

  • Irrigação inteligente ganha espaço com pressão por alimentos

    Irrigação inteligente ganha espaço com pressão por alimentos

    A Valley, marca da Valmont Industries, colocou a irrigação no centro do debate sobre o futuro da produção agrícola durante apresentação realizada em 29 de abril de 2026, na Agrishow. Na ocasião, a empresa apontou que o avanço da população mundial e a pressão por alimentos exigem aumento consistente de produtividade. Além disso, destacou que a tecnologia no campo será decisiva para atender essa demanda crescente.

    A análise foi conduzida por Cristiano Del Nero, diretor-presidente da Valley no Brasil, que apresentou o cenário global. Segundo ele, a população mundial deve atingir 10,4 bilhões de pessoas até 2100. Dessa forma, a necessidade de produção agrícola tende a crescer de maneira contínua. Ao mesmo tempo, o consumo de energia também avança. Nesse sentido, as fontes renováveis se destacam pelo crescimento acelerado nas últimas décadas.

    No Brasil, a Valley ressaltou o protagonismo do país no mercado internacional de commodities. Atualmente, o país lidera a produção e exportação de produtos como soja e açúcar. Além disso, ocupa posições relevantes em milho, algodão, etanol e proteína animal. No entanto, o ambiente econômico segue desafiador. Em especial, as margens dos produtores vêm sendo pressionadas entre 2023 e 2025, tanto no Sul quanto no Cerrado.

    Cristiano Del Nero, diretor-presidente da Valley no Brasil – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Valley aposta em tecnologia para sustentar crescimento

    A estratégia da Valley, segundo Jonas Proença, diretor de Marketing e Desenvolvimento de Rede da empresa, está diretamente ligada ao aumento de produtividade sem expansão de área. Nesse contexto, o executivo ressaltou que o Brasil saiu de cerca de 1 tonelada por hectare, em 1977, para aproximadamente 4 toneladas por hectare em 2023. Como resultado, o país evitou a abertura de cerca de 230 milhões de hectares.

    Além disso, Proença afirmou que essa evolução deve continuar até 2030. Isso porque o avanço será impulsionado pelo uso intensivo de tecnologia e pela recuperação de áreas degradadas. Dessa maneira, a irrigação ganha protagonismo ao permitir maior eficiência no uso da terra. Ao mesmo tempo, viabiliza múltiplas safras na mesma área.

    Atualmente, o Brasil possui 851,5 milhões de hectares, com predominância de pastagens. Portanto, o crescimento da produção depende mais de eficiência do que de expansão territorial. Nesse cenário, a irrigação surge como ferramenta central para ampliar o uso produtivo das áreas já disponíveis.

    Irrigação inteligente reduz custos e aumenta produção

    As soluções da Valley em irrigação por pivô central foram apresentadas como um dos principais caminhos para enfrentar a variabilidade climática. De acordo com André Stanciola, gerente de Desenvolvimento de Negócios da empresa, a tecnologia permite elevar a produtividade e garantir maior previsibilidade. Além disso, contribui para o uso racional dos recursos naturais.

    Os ganhos são expressivos. Por exemplo, em áreas irrigadas, a produtividade pode aumentar até 100% em frutas. Da mesma forma, culturas como milho e cereais registram crescimento superior a 70%. Já soja, café e cana também apresentam incrementos relevantes. Consequentemente, a irrigação possibilita mais de uma safra na mesma área, o que amplia o retorno econômico ao produtor.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Outro ponto enfatizado pela Valley foi a integração com conectividade. Nesse sentido, sistemas digitais permitem reduzir o uso de água em até 20%. Além disso, o consumo de energia pode cair até 30%. Ao mesmo tempo, a automação reduz a necessidade de mão de obra em até 80%. Com isso, o produtor passa a contar com monitoramento contínuo das operações.

    Por fim, a presença global da Valley também foi destacada. A empresa conta com 375 distribuidores e mais de 548 mil pivôs instalados no mundo. Desse total, cerca de 47% pertencem à marca. Assim, a companhia reforça sua estratégia de consolidar um ecossistema integrado, que combina equipamentos, dados e gestão.

    Diante desse cenário, a Valley indica que deve ampliar sua atuação no Brasil. Para isso, aposta na irrigação inteligente como base para unir produtividade, eficiência e sustentabilidade no agronegócio.

  • Quem é a cientista brasileira que ganhou o “Nobel da Agricultura”

    Quem é a cientista brasileira que ganhou o “Nobel da Agricultura”

    A cientista brasileira Mariângela Hungria entrou, em 2026, para a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time, na categoria Pioneiros, consolidando uma trajetória que já vinha sendo reconhecida internacionalmente.

    Esse destaque chega pouco tempo depois de um marco histórico. Em 2025, ela se tornou a primeira brasileira a receber o Prêmio Mundial da Alimentação, conhecido como o “Nobel da Agricultura”, uma das mais importantes honrarias globais na área.

    Ao longo de mais de quatro décadas de carreira na Embrapa, a pesquisadora saiu do ambiente acadêmico para se tornar uma referência mundial em agricultura sustentável, com impacto direto na forma como alimentos são produzidos no Brasil e no mundo.

    Do solo ao palco internacional

    Mariângela é engenheira agrônoma e microbiologista, com atuação consolidada na área de microbiologia do solo e insumos biológicos. Ao longo da carreira, ela concentrou seus estudos em soluções capazes de reduzir a dependência de fertilizantes químicos.

    Seu principal legado está na comprovação de que microrganismos do solo, especialmente bactérias fixadoras de nitrogênio, podem substituir parte dos fertilizantes sintéticos sem comprometer a produtividade. Como resultado, essas tecnologias permitiram aumentar a eficiência agrícola ao mesmo tempo em que reduziram custos e impactos ambientais.

    Além disso, suas soluções já são aplicadas em larga escala. Estima-se que estejam presentes em mais de 40 milhões de hectares no Brasil, gerando economia anual de até US$ 25 bilhões e evitando a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.

    Esse avanço ajudou a transformar o país em uma potência agrícola mais sustentável. Na cultura da soja, por exemplo, o uso de inoculantes se tornou prática consolidada, mostrando como a ciência pode ser incorporada diretamente ao campo.

    O Prêmio Mundial da Alimentação de 2025 reforçou essa trajetória. A premiação reconheceu suas contribuições para a fixação biológica de nitrogênio e para o desenvolvimento de insumos biológicos que aumentam a produtividade de forma acessível e sustentável em milhões de hectares.

    O impacto do reconhecimento internacional no agronegócio

    A entrada na lista Time100 em 2026 vai além de um título simbólico e representa um movimento mais amplo de valorização da ciência aplicada ao agro.

    Por um lado, o reconhecimento amplia o debate sobre agricultura de baixo carbono e eficiência no uso de insumos. Por outro, reforça a importância de soluções que conciliam produtividade com redução de impactos ambientais.

    Práticas como o uso de inoculantes, a rotação de culturas e o manejo biológico do solo tendem a ganhar ainda mais espaço. Além disso, investidores, empresas e formuladores de políticas públicas passam a olhar com mais atenção para modelos produtivos baseados em biologia e eficiência.

    A própria trajetória da pesquisadora mostra que é possível produzir mais com menos dependência química. Ou seja, trata-se de uma mudança de lógica produtiva, que sai da intensificação baseada em insumos e avança para sistemas mais inteligentes e equilibrados.

    O que o produtor pode tirar disso na prática?

    Para quem está no campo, a mensagem é clara, mas também estratégica: o que hoje ainda é diferencial competitivo tende a se tornar padrão nos próximos anos.

    Produtores que já utilizam inoculantes, adotam rotação de culturas e investem na saúde do solo estão, na prática, antecipando uma tendência global. Ao mesmo tempo, essas práticas deixam de ser apenas uma escolha técnica e passam a ter peso econômico e institucional.

    Com o aumento da visibilidade internacional, cresce a chance de que cooperativas, programas de crédito e políticas públicas priorizem esse tipo de manejo. Assim, critérios ligados à sustentabilidade e eficiência produtiva devem ganhar espaço nas decisões do setor.

    Além disso, o reconhecimento de Mariângela Hungria reforça uma ideia importante: o Brasil não precisa escolher entre produtividade e responsabilidade ambiental.

    Pelo contrário, a ciência desenvolvida no país mostra que é possível unir os dois caminhos. Nesse cenário, o produtor brasileiro não apenas acompanha a transformação, mas tem potencial para liderar esse movimento em escala global.

  • Tecnologia inédita contra nematoides é destaque na Tecnoshow

    Tecnologia inédita contra nematoides é destaque na Tecnoshow

    A Corteva Agriscience apresentou, nesta terça-feira (7), durante a 23ª Tecnoshow Comigo, em Rio Verde (GO), o Reklemel, nova tecnologia voltada ao manejo de nematoides no solo. O produto surge como resposta a um problema bilionário no campo. Segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia, as perdas podem chegar a R$ 35 bilhões por ano no Brasil. Os nematoides atacam as raízes e comprometem o desenvolvimento das plantas.

    Além disso, a proposta da empresa é oferecer controle seletivo dos fitonematoides. Dessa forma, a tecnologia preserva a biota do solo e contribui para o aumento da produtividade. O lançamento foi apresentado como uma nova ferramenta dentro do manejo integrado.

    Durante coletiva, o Líder de Portfólio de Inseticidas e Nematicidas da Corteva para Brasil e Paraguai, Thomas Scott, destacou que o Reklemel representa um avanço importante. Isso ocorre porque o produto atua com um novo modo de ação e um grupo químico inédito no mercado. “Hoje, muitos produtores ainda não diferenciam nematoides benéficos dos prejudiciais. O diferencial da tecnologia é eliminar o fitonematoide e manter os organismos que contribuem para a saúde do solo”, afirmou.

    Os nematoides são vermes microscópicos, de corpo cilíndrico, presentes no solo. No entanto, nem todos causam danos. Cerca de 70% são de vida livre e exercem papel importante na decomposição da matéria orgânica. Além disso, ajudam na ciclagem de nutrientes. Por outro lado, os fitonematoides parasitam plantas. Eles formam galhas nas raízes e reduzem a absorção de água e nutrientes.

    Manejo integrado ganha reforço com nova tecnologia

    A cientista de campo da Corteva, Marina Gomes, que participou do desenvolvimento da solução, explicou que o Reklemel atua como uma ferramenta complementar. Segundo ela, o produto protege o sistema radicular da planta. Ao mesmo tempo, mantém a microbiota do solo ativa. “Isso permite que fungos e outros agentes biológicos continuem contribuindo para o controle natural das pragas”, disse.

    Além disso, o uso combinado com soluções biológicas já adotadas pelo produtor potencializa os resultados. A aplicação do produto é feita diretamente no sulco de plantio. Dessa forma, a tecnologia permanece próxima à raiz. Isso aumenta a eficiência e reduz a quantidade utilizada por hectare.

    “Como a aplicação é concentrada no local de desenvolvimento da planta, o manejo se torna mais eficiente. Além disso, há redução de custos e maior sustentabilidade no sistema produtivo”, acrescentou Scott.

    O lançamento contempla diferentes culturas agrícolas. A molécula chega ao mercado sob três marcas. Lormelo é voltado para soja, milho, algodão e sorgo. Já o Salibro atende hortifrúti e café. Por fim, o Yeldana foi desenvolvido para a cultura da cana-de-açúcar.

    Problema generalizado exige estratégia contínua

    Atualmente, todas as culturas agrícolas são suscetíveis aos nematoides. No entanto, o nível de impacto varia conforme a espécie e a região. Por isso, o manejo adequado depende da identificação correta do tipo de nematoide presente na área.

    Além disso, o avanço da praga tem exigido maior adoção de tecnologias no campo. Regiões do Cerrado, Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso, já apresentam uso mais intensivo das soluções. Dessa forma, o controle se torna mais eficiente ao longo do tempo.

    Marina e Thomas durante apresentação do Reklemel na 26ª Tecnoshow Comigo – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    A recomendação técnica é manter o manejo de forma contínua. Ou seja, ao longo dos ciclos produtivos e nos diferentes talhões da propriedade. “Quanto mais longo o manejo, melhores são os resultados. Não é uma solução pontual, mas um trabalho contínuo de construção da saúde do solo”, explicou Marina.

    Por fim, o uso de práticas integradas segue como estratégia essencial. Entre elas, estão a rotação de culturas, o uso de produtos biológicos e o monitoramento constante. Assim, o produtor consegue reduzir os impactos dos nematoides e manter a produtividade.

    Com o Reklemel, a Corteva aposta em uma abordagem mais equilibrada. A tecnologia alia eficiência no controle dos fitonematoides à preservação dos organismos benéficos. A expectativa é ampliar as possibilidades de manejo e fortalecer sistemas produtivos mais sustentáveis no longo prazo.

  • Protagonismo feminino impulsiona nova edição de prêmio do agro

    Protagonismo feminino impulsiona nova edição de prêmio do agro

    Produtoras rurais de todo o país já podem se inscrever na 9ª edição do Prêmio Mulheres do Agro. A iniciativa é realizada pela Bayer em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio. As inscrições para a categoria “Produtora Rural” começaram em 1º de abril e seguem até 7 de junho, pelo site oficial. O objetivo é reconhecer mulheres que se destacam no campo. Além disso, o prêmio valoriza práticas sustentáveis, boa governança e impacto social.

    Para participar, as candidatas devem comprovar atuação alinhada a esses pilares. Nesse sentido, as iniciativas passam por avaliação técnica. Uma banca independente realiza a análise, formada por especialistas de instituições públicas e privadas. Além disso, o grupo considera critérios operacionais e também os resultados alcançados nas propriedades.

    Segundo Daniela Barros, diretora de Comunicação da divisão agrícola da Bayer no Brasil, o prêmio mantém o propósito desde a criação. “Mesmo após quase uma década, o Prêmio Mulheres do Agro segue com o propósito claro de reconhecer o protagonismo das mulheres no campo e ampliar a visibilidade de iniciativas que contribuem para um agronegócio mais sustentável, inovador e inclusivo”, afirma.

    Trajetórias que inspiram no campo

    Entre os destaques da edição anterior está Flávia Strenger Garcia Cid. A produtora venceu na categoria “Grande Propriedade” em 2025. Ela está à frente da Fazenda Jaracatiá, em Querência do Norte (PR). Desde 2015, conduz uma operação verticalizada voltada à produção de óleos essenciais, extratos vegetais e bioinsumos.

    Além disso, a gestão inclui industrialização dentro da propriedade. Também envolve mecanização de culturas não convencionais e uso de energia renovável. Ao mesmo tempo, a produtora investe em conservação ambiental e gestão hídrica. Ainda, desenvolve ações com comunidades do entorno. Dessa forma, consolida um modelo alinhado às demandas atuais do agronegócio.

    “O prêmio nos dá voz para inspirar outras produtoras e mostra que o trabalho feminino deixou de ser coadjuvante para ganhar protagonismo no agronegócio brasileiro”, destaca Flávia. “Além disso, o reconhecimento confirma que o esforço e a dedicação à produção agrícola fazem a diferença.”

    Nos últimos anos, a premiação tem registrado crescimento no número de participantes. Com isso, reflete o avanço da presença feminina no setor. De acordo com Gislaine Balbinot, diretora da ABAG, o aumento do engajamento impulsiona melhorias na iniciativa. “Contabilizamos recordes de engajamento a cada edição, o que nos incentiva a aprimorar a iniciativa para que todas as vencedoras tenham suas jornadas ainda mais impactadas depois do Prêmio Mulheres do Agro”, afirma.

    Premiação e agenda especial

    Ao final do processo, dez mulheres serão premiadas. Desse total, nove serão produtoras rurais e uma será da área de ciência e pesquisa. Além disso, as indicações para essa categoria ocorrerão entre 15 e 30 de abril.

    A organização realizará a cerimônia de premiação no segundo semestre, em São Paulo. O evento integra as comemorações pelos 130 anos da Bayer no Brasil. Além disso, deve ampliar a visibilidade das participantes e fortalecer conexões no setor.

    Por fim, a expectativa é consolidar ainda mais o prêmio como referência nacional. Ao mesmo tempo, a iniciativa busca incentivar práticas inovadoras e sustentáveis no campo.

  • Caminho Verde Brasil destina R$ 3 bi à Caatinga para integrar pequenos produtores ao milho e fortalecer avicultura

    Caminho Verde Brasil destina R$ 3 bi à Caatinga para integrar pequenos produtores ao milho e fortalecer avicultura

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) destinou R$ 3 bilhões do Programa Caminho Verde Brasil para impulsionar o desenvolvimento sustentável na Caatinga, com foco na integração de pequenos produtores rurais à cadeia produtiva do milho e no fortalecimento da avicultura nordestina. A medida foi anunciada durante reunião estratégica realizada na quinta-feira (26), no Recife (PE).

    Do total de R$ 30 bilhões previstos no programa nacional, 10% serão aplicados exclusivamente no bioma, que abrange estados como Pernambuco, Bahia, Ceará e Piauí. A iniciativa reuniu representantes da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), produtores rurais, avicultores, Banco do Brasil, Embrapa, Corteva e assessores do gabinete ministerial.

    (Imagem/Reprodução: Guilherme Martimon/MAPA)

    Milho local para reduzir custos da avicultura

    O abastecimento de milho representa um dos principais gargalos da avicultura nordestina. Por isso, a indústria busca o insumo a mais de 1.000 quilômetros de distância, o que eleva significativamente os custos de produção das aves. Diante desse cenário, o Caminho Verde Brasil propõe estruturar a produção do grão no entorno direto dos polos avícolas da região, aproximando a oferta da demanda e reduzindo a dependência logística.

    “Estamos buscando uma solução para a produção de milho nos arredores das avícolas, utilizando recursos do programa”, afirmou Carlos Augustin, coordenador do Caminho Verde Brasil e assessor especial do gabinete do ministro da Agricultura.

    A estratégia prevê a transição de pequenos agricultores, hoje voltados majoritariamente para a subsistência, para uma agricultura comercial integrada à indústria. Segundo Edival Veras, representante da Associação Avícola de Pernambuco (Avipe), os recursos poderão viabilizar o preparo de até 400 mil hectares para a produção sustentável de milho, dentro dos critérios ambientais do programa.

    Impacto social e econômico avaliado positivamente pelo setor

    Para o diretor de Relações Institucionais da ABPA, Marcelo Osório, o programa combina desenvolvimento regional com responsabilidade ambiental. “O programa tem um importante caráter social e de desenvolvimento regional, e houve consenso entre os participantes. Agora, avançamos para os detalhes de implementação”, destacou.

    Próximos passos: reunião em abril definirá cronograma

    Os participantes estabeleceram uma agenda de trabalho para estruturar as parcerias entre produtores rurais e indústria. Um novo encontro está previsto para abril, quando serão apresentados os avanços das ações e definido o cronograma de execução.

    Sobre o Caminho Verde Brasil

    Coordenado pelo Mapa, o programa tem como meta restaurar até 40 milhões de hectares de áreas degradadas em todo o território nacional, integrando-as a sistemas produtivos sustentáveis. O projeto busca equilibrar segurança alimentar, transição energética e proteção ambiental, posicionando o Brasil como referência global em agropecuária sustentável.

  • Boas práticas e tecnologia marcam debate da Corteva

    Boas práticas e tecnologia marcam debate da Corteva

    A Corteva Agriscience reuniu especialistas, produtores rurais e jornalistas durante a Expodireto Cotrijal 2026, em Não-Me-Toque (RS), para discutir dois temas centrais da próxima safra de grãos: a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas e o impacto das doenças iniciais da soja na produtividade. O encontro ocorreu no dia 11 de março e destacou a importância da inovação, do treinamento e das boas práticas agrícolas para reduzir perdas no campo.

    Participaram da coletiva o professor Adriano Arrué Melo, da Universidade Federal de Santa Maria, o consultor agronômico Maurício De Bortoli, o produtor rural Pedro Basso, da região de Vacaria (RS), e Maxwell Borges, líder comercial de tratamento de sementes da empresa. Ao longo do debate, os convidados abordaram desafios técnicos da produção agrícola e estratégias para melhorar a eficiência das lavouras.

    Além disso, representantes da companhia apresentaram projetos voltados à disseminação de conhecimento técnico no campo. A iniciativa busca aproximar pesquisadores, técnicos e produtores, ampliando o acesso a informações sobre manejo e aplicação correta de insumos agrícolas.

    Treinamento e tecnologia para aplicação responsável

    Um dos focos da apresentação foi a difusão de boas práticas agrícolas. A empresa destacou programas de capacitação voltados à aplicação responsável de defensivos, com treinamentos teóricos e práticos para agricultores e operadores de máquinas.

    Nesse contexto, uma das iniciativas utiliza uma caminhonete equipada para levar cursos diretamente às propriedades rurais. O objetivo é orientar trabalhadores sobre a pulverização correta, garantindo que o produto seja aplicado na dose adequada e atinja o alvo desejado.

    Desde 2006, mais de 45 mil pessoas já participaram de mais de 2 mil treinamentos promovidos pela empresa em diferentes regiões do país. Os cursos têm duração de 16 horas, divididas entre teoria e prática, e abordam temas como regulagem de pulverizadores, segurança do trabalhador e manejo eficiente de defensivos.

    Além disso, as ações fazem parte de uma estratégia baseada em cinco pilares: manejo integrado de plantas daninhas, manejo integrado de pragas, manejo integrado de doenças, tecnologia de aplicação e segurança do trabalhador rural.

    Deriva

    Outro ponto discutido foi a deriva de herbicidas, fenômeno que ocorre quando o produto aplicado se desloca para áreas vizinhas. Esse problema pode atingir outras culturas e gerar prejuízos para produtores rurais.

    Para reduzir esse risco, a empresa apresentou tecnologias como o herbicida Enlist Colex-D, desenvolvido com sal colina. Segundo a companhia, a formulação reduz a volatilidade e pode diminuir o risco de deriva em até 90% durante a aplicação.

    O professor Adriano Arrué Melo destacou que a evolução da tecnologia de aplicação tem papel decisivo para conciliar produtividade e responsabilidade ambiental. Segundo ele, defensivos agrícolas continuam sendo ferramentas importantes para o controle de pragas e doenças, desde que utilizados com critérios técnicos.

    “A pesquisa busca garantir que os produtos sejam aplicados de forma eficiente. Assim, o agricultor evita perdas e a sociedade também se beneficia”, afirmou.

    De acordo com o pesquisador, o Rio Grande do Sul foi pioneiro ao estabelecer normas específicas sobre tecnologia de aplicação em 2018. A regulamentação ampliou o controle sobre a atividade e estimulou programas de capacitação de operadores.

    Hoje, segundo dados apresentados no encontro, o número de aplicadores cadastrados no Estado passou de 3.348 em 2022 para mais de 32 mil em 2026. Além disso, a certificação exige reciclagem a cada cinco anos.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Doenças iniciais da soja preocupam produtores

    Outro tema discutido foi o impacto das doenças iniciais da soja, que podem comprometer o desenvolvimento das plantas logo nas primeiras fases da cultura. O consultor agronômico Maurício De Bortoli apresentou um panorama dos principais patógenos presentes na safra 2025/26 e destacou que fatores como solo, clima e qualidade das sementes influenciam diretamente o desempenho das lavouras.

    Segundo ele, a janela de plantio considerada ideal no Rio Grande do Sul costuma ocorrer entre 20 de outubro e 20 de novembro. Esse período reúne condições favoráveis de temperatura e umidade para o estabelecimento inicial da cultura.

    No entanto, variações climáticas podem trazer desafios adicionais ao produtor. Em muitas regiões, o início da safra apresenta temperaturas mais baixas e maior umidade. Já no final do ciclo, o cenário costuma mudar, com calor mais intenso e menor disponibilidade de água.

    Por isso, especialistas defendem que o produtor adote estratégias preventivas para proteger a lavoura desde o início do cultivo. Nesse contexto, o tratamento de sementes surge como uma ferramenta fundamental para reduzir riscos e garantir melhor desenvolvimento das plantas.

    Maxwell Borges, líder comercial de tratamento de sementes da Corteva, destacou que a proteção inicial da semente pode influenciar diretamente o estabelecimento da cultura no campo. Segundo ele, a adoção de tecnologias específicas ajuda a reduzir o impacto de patógenos presentes no solo.

    Além disso, o manejo adequado contribui para fortalecer o sistema radicular das plantas e aumentar o potencial produtivo das lavouras.

    Experiência no campo reforça importância do manejo

    A visão prática do campo foi apresentada pelo produtor rural Pedro Basso, que cultiva soja na região de Vacaria (RS), área caracterizada por altitudes mais elevadas e variações climáticas frequentes.

    Segundo ele, as lavouras enfrentam diferentes adversidades ao longo da safra, como frio, chuvas intensas e períodos de estiagem. Por isso, a escolha de tecnologias adequadas se torna decisiva para reduzir perdas.

    Basso relatou experiências com doenças como a podridão radicular causada por Phytophthora sojae, patógeno que pode comprometer o desenvolvimento das plantas ainda nos estágios iniciais da cultura.

    Para enfrentar esse cenário, o produtor afirmou que o tratamento de sementes tem se mostrado uma estratégia importante para aumentar a segurança da lavoura. Ele destacou resultados obtidos após testar a tecnologia LumiTreo.

    Segundo o agricultor, o produto apresentou efeito mais duradouro em comparação ao manejo anterior. “Observamos cerca de 21 dias adicionais de proteção, o que trouxe mais segurança no estabelecimento da lavoura”, relatou.

    Por fim, os participantes do encontro ressaltaram que a integração entre pesquisa, inovação tecnológica e capacitação de produtores será fundamental para enfrentar os desafios da próxima safra. A troca de conhecimento entre universidades, empresas e agricultores deve continuar impulsionando práticas mais eficientes e sustentáveis no agronegócio brasileiro.

  • Tecnologia promete recuperar solos afetados por enchentes

    Tecnologia promete recuperar solos afetados por enchentes

    A recuperação da produção agrícola no Rio Grande do Sul, após os impactos dos eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos, está no centro das discussões da 26ª Expodireto Cotrijal, realizada de 9 a 13 de março em Não-Me-Toque. Durante a feira, a Yara, multinacional líder em nutrição de plantas, anunciou a ampliação de investimentos em programas de recuperação de solos, novas soluções nutricionais e iniciativas voltadas à sustentabilidade da cadeia de alimentos.

    Segundo o vice-presidente de Vendas da Yara Brasil, Diogo Rezende, o cenário do mercado de fertilizantes passa por um momento de reorganização global, após períodos de forte volatilidade nos preços e nas cadeias de suprimento. Ainda assim, o Brasil mantém papel estratégico na produção mundial de alimentos.

    “O agro brasileiro segue como protagonista global. Mesmo diante de desafios climáticos e logísticos, o produtor mantém níveis elevados de produtividade. Nesse contexto, soluções nutricionais eficientes tornam-se cada vez mais importantes para garantir estabilidade e rentabilidade no campo”, afirmou.

    Rezende destacou ainda que o Rio Grande do Sul possui relevância estratégica para o setor de fertilizantes, principalmente pela diversidade de culturas e pelo alto nível tecnológico adotado pelos produtores rurais.

    Recuperação de solos ganha reforço

    Entre os anúncios feitos na feira está a renovação da parceria com a Embrapa no programa Recupera Rural RS, iniciativa voltada à recuperação de solos degradados após as enchentes que atingiram o estado em 2024.

    A empresa destinará R$ 300 mil adicionais ao projeto, elevando para R$ 750 mil o investimento total no programa. As ações incluem diagnóstico técnico das áreas afetadas, orientação agronômica, práticas conservacionistas e acompanhamento direto aos produtores rurais.

    De acordo com a companhia, considerando todas as iniciativas realizadas desde os eventos climáticos extremos, o aporte total destinado ao estado chega a R$ 1,5 milhão, incluindo ações emergenciais de apoio ao setor agrícola.

    Para o vice-presidente de Marketing e Agronomia da Yara Brasil, Guilherme Schmitz, a reconstrução produtiva do estado passa necessariamente pela recuperação da saúde do solo.

    Da esquerda para direita: Guilherme Schmitz – VP Marketing e Agronomia da Yara Brasil; Marcio Wally, Diretor de Vendas Região Sul da Yara Brasil e Diogo Rezende – VP de Vendas da Yara Brasil – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “O impacto do desastre climático de 2024 ainda é sentido em várias regiões do estado. Por isso, restaurar a fertilidade e a estrutura do solo é fundamental para recuperar a competitividade das propriedades e garantir a segurança alimentar”, afirmou.

    Schmitz acrescentou que a parceria com a Embrapa permite ampliar o alcance das soluções técnicas no campo. “A ciência é essencial nesse processo. Trabalhamos para levar conhecimento agronômico e práticas sustentáveis diretamente ao produtor.”

    Nova solução nutricional chega ao Sul

    Além das ações de recuperação ambiental, a empresa apresentou na Expodireto o YaraBasa FULL, evolução da linha de fertilizantes utilizada em diversas culturas no Brasil.

    A nova formulação integra, em um único grânulo, nutrientes essenciais do tipo NPK, micronutrientes e bioinsumos desenvolvidos pela companhia. A proposta é aumentar a eficiência nutricional das plantas e melhorar o desempenho das lavouras em condições de estresse climático.

    Segundo Márcio Wally, diretor de Vendas da Região Sul da Yara Brasil, o lançamento foi pensado especialmente para os sistemas produtivos predominantes no sul do país, como as rotações de soja e arroz.

    “O produtor da região busca soluções cada vez mais completas e eficientes. O YaraBasa FULL combina nutrição mineral com bioinsumos, o que contribui para maior vigor radicular e melhor tolerância das plantas às variações climáticas”, explicou.

    Testes de campo realizados pela empresa indicam resultados positivos. Até o momento, mais de 25 pesquisas agronômicas foram concluídas, além de cerca de 200 áreas demonstrativas em lavouras comerciais. Outros 14 estudos adicionais seguem em andamento no país.

    Bioinsumos ganham espaço no agro

    Outro destaque apresentado na feira é o avanço do portfólio de bioinsumos da companhia, alinhado à crescente demanda por soluções agrícolas mais sustentáveis.

    Entre os produtos disponíveis está o YaraAmplix SEEDLIFT, desenvolvido para tratamento de sementes. A formulação combina extratos de algas marinhas com nutrientes como nitrogênio, fósforo, zinco e cálcio.

    Ensaios conduzidos pela empresa em lavouras de trigo indicaram aumento de até 50% no volume de raízes, o que contribui para maior eficiência no uso de água e nutrientes.

    Além disso, plantas com melhor desenvolvimento radicular tendem a apresentar maior tolerância a estresses ambientais ao longo do ciclo produtivo.

    Durante os cinco dias da Expodireto Cotrijal, especialistas agronômicos da companhia permanecem no estande para apresentar as tecnologias e orientar produtores sobre estratégias de manejo nutricional.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Sustentabilidade e descarbonização

    As iniciativas apresentadas na feira também fazem parte da estratégia global da empresa voltada à descarbonização da cadeia de alimentos e ao avanço da chamada agricultura regenerativa.

    Nesse contexto, a companhia lançou a campanha de posicionamento chamada “Fator Y”, que busca destacar a combinação entre conhecimento científico, inovação tecnológica e sustentabilidade.

    A proposta é reforçar o papel da agricultura brasileira como fornecedora de alimentos para o mundo, ao mesmo tempo em que incentiva práticas produtivas com menor impacto ambiental.

    Fundada na Noruega em 1905, a Yara atua atualmente em mais de 60 países e conta com cerca de 17 mil colaboradores. No Brasil, a empresa está presente nos principais polos agrícolas e mantém mais de 4 mil funcionários, atendendo produtores de diferentes perfis e culturas.

  • Projeto de lei propõe mapeamento digital do solo brasileiro para agricultura sustentável

    Projeto de lei propõe mapeamento digital do solo brasileiro para agricultura sustentável

    A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que pode transformar a gestão das terras no Brasil. O PL 4516/25 cria diretrizes para um programa nacional de monitoramento da saúde do solo, usando tecnologias modernas como sensoriamento remoto e análise digital.

    O autor do projeto, deputado Carlos Henrique Gaguim (União-TO), quer integrar a proposta à Lei da Política Agrícola. O objetivo central é padronizar a coleta e o armazenamento de dados sobre o solo em todo o país. O sistema integraria essas informações ao zoneamento agroecológico e a plataformas de gestão territorial.

    Dados públicos para todos os produtores

    Um dos pontos-chave do texto é a previsão de disponibilização pública das bases de dados. A medida facilitará o acesso de produtores rurais, de pequenos a grandes, a informações técnicas detalhadas sobre a qualidade de suas terras.

    O relator da proposta, deputado Alexandre Guimarães (MDB-TO), defendeu a aprovação. Ele argumenta que a falta de dados padronizados hoje prejudica o setor produtivo. “A ausência limita diagnósticos confiáveis, prejudica o manejo racional de insumos e reduz a eficiência produtiva”, afirmou Guimarães.

    Combate à degradação e ganho em sustentabilidade

    Segundo o relator, o novo sistema ajudará o país a combater problemas graves como erosão, perda de fertilidade e desertificação. Essas ameaças impactam diretamente a segurança alimentar e a biodiversidade.

    O projeto também prevê a criação de indicadores de qualidade do solo e sistemas de alerta precoce para degradação. A medida estimula a cooperação entre governo e instituições de pesquisa. Para Guimarães, a proposta “fortalece o manejo conservacionista, a agricultura de precisão e políticas públicas baseadas em evidências”.

    O relator da proposta, deputado Alexandre Guimarães (MDB-TO). Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    O projeto tramita em caráter conclusivo. Agora, as comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça analisam a proposta. Após esse trâmite, se aprovado, seguirá para o Senado Federal. Somente após passar pelas duas Casas o projeto pode se tornar lei.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias