Tag: Agricultura sustentável

  • Fungo da Antártica pode levar a novo biopesticida

    Fungo da Antártica pode levar a novo biopesticida

    Em um avanço que pode transformar a agricultura global, cientistas brasileiros e americanos descobriram no fundo do Oceano Antártico um fungo capaz de produzir substâncias bioativas com potencial para substituir pesticidas sintéticos. O Penicillium palitans, coletado a 400 metros de profundidade, é a estrela de um estudo que une biotecnologia e sustentabilidade, revelando compostos antifúngicos e fitotóxicos capazes de proteger cultivos sem danos ao meio ambiente.

    Isolado durante uma expedição ao continente gelado, o fungo antártico chamou a atenção por sua resistência a condições extremas: escuridão, pressão elevada e temperaturas próximas a 0°C. Segundo a pesquisa, publicada em parceria entre a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Embrapa Meio Ambiente e o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o Penicillium palitans produz dois compostos-chave:

    • Penienona: Demonstrou eficácia contra o Colletotrichum fragariae, fungo causador da antracnose, doença que destrói culturas como morango, feijão e café.
    • Palitantina: Mostrou ação fitotóxica, inibindo a germinação de sementes de plantas invasoras como a grama-bentgrass, comum em plantações.

    “Essas moléculas são armas químicas naturais do fungo para sobreviver em um ambiente hostil. Agora, queremos adaptá-las para proteger lavouras”, explica Dra. Luísa Campos, microbiologista da UFMG e uma das autoras do estudo.

    Coletar amostras na Antártica não é para amadores. A expedição demandou um ano de preparação, incluindo treinamentos em sobrevivência no gelo e logística para operar equipamentos em águas profundas. “É como buscar uma agulha no palácio de gelo”, brinca o pesquisador João Ribeiro, da Embrapa. Apesar dos obstáculos, o continente é um *hotspot de biodiversidade microbiana, com organismos que evoluíram para produzir moléculas únicas.

    Impacto ambiental: uma luz no fim do túnel?

    Os pesticidas sintéticos são vilões conhecidos: contaminam solos, reduzem a biodiversidade e geram pragas resistentes. Só o mercado global de agroquímicos movimenta US$ 80 bilhões anualmente, segundo a FAO. Os biopesticidas derivados do Penicillium palitans poderiam reduzir essa dependência. “Eles são biodegradáveis e têm menor risco de desequilibrar ecossistemas”, destaca Dr. Carlos Menezes, da Embrapa.

    Testes mostraram que um dos compostos inibe a germinação de sementes de plantas daninhas e combate fungos patogênicos. Foto: Luiz Henrique Rosa/Embrapa

    Porém, o caminho até o campo é longo. Os compostos precisam passar por testes de toxicidade, formulação estável e eficácia em larga escala. “Estamos na fase de laboratório. Levará de 5 a 10 anos para chegar ao produtor”, pondera Dra. Luísa.

    Caminho até o campo: o que falta?

    Para acelerar a transformação da descoberta em produto, os pesquisadores buscam parcerias com empresas de bioinsumos. O interesse é crescente: o mercado de biopesticidas deve atingir US$ 10 bilhões até 2030, impulsionado por demandas por orgânicos e normas ambientais mais rígidas.

    Curiosidade: a Antártica como fábrica de soluções

    Esta não é a primeira vez que microrganismos antárticos surpreendem a ciência. Em 2020, fungos do permafrost (solo congelado) renderam enzimas usadas em detergentes e biocombustíveis. “A vida nos extremos é uma caixa de pandora biotecnológica”, afirma Dr. Menezes.

    Enquanto a indústria agrícola busca alternativas à química sintética, o fungo da Antártica emerge como um símbolo de esperança. Seus compostos podem não só proteger plantações, mas também reduzir a pegada ecológica do agronegócio. O desafio, agora, é equilibrar inovação e preservação – afinal, a mesma biodiversidade que inspira soluções precisa ser protegida para as futuras gerações.

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  • Agricultores de Manaus aprendem a produzir sem adubos químicos

    Agricultores de Manaus aprendem a produzir sem adubos químicos

    Na zona leste de Manaus, a Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) finalizou um curso de formação em biofertilizantes e compostagem orgânica para 15 produtores rurais da Associação de Piscicultores e Agricultores Familiares do ramal 14 (Apaf). O objetivo é promover o cultivo orgânico e melhorar o aproveitamento dos recursos naturais, evitando o uso de adubos e defensivos químicos.

    A comunidade manifestou interesse em ampliar seus conhecimentos sobre práticas orgânicas, e, em resposta, o Engenheiro Agrônomo José Portugal ministrou os cursos. Essa abordagem não apenas agrega valor aos produtos, mas também garante a saúde dos consumidores, atendendo a um nicho de mercado em crescimento.

    A propriedade da agricultora Raimunda Bittencourt, presidente da Apaf, sediou as aulas. Ela destacou a importância dos aprendizados teóricos para melhorar a eficiência dos processos já utilizados. “Agora, além do manuseio que já fazíamos, temos as informações teóricas para garantir o que estamos fazendo”, revelou.

    Impacto ambiental e social

    Além de evitar produtos químicos, os produtores podem multiplicar seus conhecimentos, disseminando as vantagens do reaproveitamento do material orgânico. Isso contribui para a causa ambiental, oferecendo alimentos mais saudáveis e protegendo o solo, a água e a saúde dos animais.

    O Departamento Pedagógico (Depe) da Sepror atua no fortalecimento da agricultura, pecuária e outras atividades do setor primário. Desde 2021, mais de 30 mil produtores foram capacitados em 19 municípios do Amazonas.

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  • Tecnologia: cientistas brasileiros desenvolvem nariz eletrônico

    Tecnologia: cientistas brasileiros desenvolvem nariz eletrônico

    Cientistas brasileiros do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT Nano Agro) desenvolveram um “nariz eletrônico” para detectar feromônios em insetos, visando um controle mais eficiente e sustentável de pragas agrícolas. Essa inovação é crucial em um cenário onde a crise climática aumenta a predação de culturas por insetos.

    Estudos recentes da Universidade de Stanford indicam que insetos são responsáveis por prejuízos significativos nas principais culturas de grãos, como trigo, arroz e milho. Com o aquecimento global, essa situação deve piorar, pois o metabolismo dos insetos acelera em climas mais quentes, aumentando seu apetite e taxas de reprodução.

    A tecnologia do nariz eletrônico

    O dispositivo, liderado pelas pesquisadoras Juliana e Clarice Steffens, utiliza nanosensores baseados em nanocompósitos de Óxidos de Grafeno (GO) e polianilina (PANI) para detectar feromônios de acasalamento de pragas como percevejos e mariposas. Essa detecção permite um manejo localizado e sustentável, evitando o uso excessivo de pesticidas.

    Docentes da URI Prof. Dra. Juliana Steffens e da Prof. Dra. Clarice Steffens.

    A tecnologia pode ser integrada à inteligência artificial para monitorar pragas no campo e aplicar soluções de controle mais eficazes. “Os avanços em miniaturização e análise de dados, aliados a sensores funcionais, oferecem soluções promissoras para uma agricultura mais sustentável”, destaca Juliana Steffens.

    Os próximos estudos incluirão a validação do dispositivo em campo, utilizando feromônios padrão e insetos vivos. A expectativa é que essa inovação contribua significativamente para reduzir gastos e melhorar a eficiência dos produtores agrícolas.

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  • Embrapa prioriza melhoramento genético de raízes

    Embrapa prioriza melhoramento genético de raízes

    A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) elegeu o melhoramento genético de raízes como estratégia-chave para impulsionar a conservação do solo e da água no país. A iniciativa, proposta pelo Grupo de Trabalho em Conservação e Manejo do Solo e da Água, visa desenvolver plantas com sistemas radiculares mais densos e profundos. Desta forma, capazes de prevenir erosões, aumentar a infiltração de água e garantir maior resiliência às mudanças climáticas.

    De acordo com o pesquisador José Denardin, coordenador do GT e especialista da Embrapa Trigo, raízes robustas são fundamentais para estabilizar a estrutura do solo e promover atividade biológica. “Elas criam poros contínuos que facilitam o fluxo de nutrientes, água e ar, essenciais para a produtividade agrícola”, explica. O estudo destaca que o foco está em gramíneas de verão, como milho e sorgo. Cujas raízes podem ser integradas a culturas de grãos e fibras em sistemas de consórcio.

    A técnica, alinhada ao Sistema Plantio Direto (SPD) – que já cobre entre 33 e 39 milhões de hectares no Brasil –, reduz a necessidade de revolvimento do solo, preserva matéria orgânica e minimiza emissões de carbono. “Essas raízes são a base para uma agricultura multifuncional, que equilibra produtividade e sustentabilidade”, reforça Denardin.

    Tecnologia e monitoramento: novos indicadores para o agro brasileiro

    Além do avanço genético, a Embrapa aposta em sensoriamento remoto e indicadores socioeconômicos de baixo custo para monitorar práticas sustentáveis. “Usamos satélites para rastrear adoção de SPD e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Facilitando, assim, a criação de seguros mais acessíveis e incentivos financeiros para produtores”, afirma Clenio Pillon, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa.

    Atualmente, o Brasil conta com 15 milhões de hectares sob sistemas ILPF, modelo que recupera pastagens degradadas e reduz emissões de gases de efeito estufa. A meta é expandir essa área, impulsionada pelo Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD), instituído em dezembro de 2023.

    Da lei à lavoura: marco jurídico e histórico

    O relatório do GT resgata a trajetória do conservacionismo no Brasil. Iniciando desde a criação da Embrapa nos anos 1970 até as leis 9.279 (Propriedade Industrial) e 9.456 (Proteção de Cultivares), que fortaleceram a pesquisa agropecuária na década de 1990. “Hoje, combinamos inovação tecnológica com políticas públicas para garantir segurança alimentar e descarbonização”, destaca Pillon.

    Transferência de tecnologia: conectando ciência e campo

    Para acelerar a adoção de práticas sustentáveis, a Embrapa reforça investimentos em plataformas digitais e inovação aberta. “Vamos além de dias de campo: integramos dados, conectamos produtores e democratizamos o acesso ao conhecimento”, explica o diretor. Portanto, a meta é garantir que tecnologias como o SPD e a ILPF cheguem a pequenos e médios agricultores. Ampliando, assim, a rastreabilidade e a saudabilidade dos alimentos.

    Com a demanda global por alimentos sustentáveis, o Brasil se consolida como líder em agricultura de baixo carbono. Para Denardin, o próximo passo é “desenvolver cultivares adaptadas a diferentes biomas, garantindo que a ciência continue a servir à sociedade”. Enquanto isso, o GT segue como base para o planejamento estratégico da Embrapa, alinhado a metas como resiliência climática e soberania alimentar.

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  • Embrapa desenvolve nova variedade de feijão guandu

    Embrapa desenvolve nova variedade de feijão guandu

    A BRS Guatã, nova cultivar de feijão guandu desenvolvida pela Embrapa, surge como uma solução inovadora para os desafios da agricultura e pecuária brasileiras. Com benefícios que vão desde o combate a nematoides até o fortalecimento da sustentabilidade em sistemas produtivos, a BRS Guatã é uma aliada estratégica para produtores rurais, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

    Os nematoides, parasitas microscópicos que atacam culturas agrícolas de grande relevância econômica, como soja, cana-de-açúcar e feijão, geram prejuízos anuais de R$ 35 bilhões, segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN). A BRS Guatã apresenta resistência a quatro espécies desses parasitas: Pratylenchus brachyurus, P. zeae, Meloidogyne javanica e M. incógnita.

    Esses vermes, ao invadirem o sistema radicular das plantas, comprometem o crescimento, a produtividade e a saúde da lavoura, além de injetarem toxinas que podem chegar às folhas, flores e frutos. A BRS Guatã interrompe o ciclo de vida desses organismos ao impedir sua multiplicação, protegendo o solo e promovendo a saúde das culturas.

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    O pesquisador aposentado da Embrapa, Rodolfo Godoy, responsável pelo desenvolvimento da cultivar, destaca que a eficácia contra nematoides é o principal diferencial da BRS Guatã. “Foram anos de trabalho até chegarmos a essa cultivar. Além de controlar os nematoides, ela oferece benefícios como descompactação do solo, alimentação animal e cobertura vegetal, o que a torna uma solução completa para os produtores”, explica.

    Um aliado sustentável para a pecuária

    Com teor de proteína de aproximadamente 15%, a nova cultivar de feijão guandu é uma alternativa econômica e eficiente para suplementação volumosa de bovinos durante o período seco, quando a oferta de forragem é limitada. A leguminosa não apenas melhora a nutrição animal, como também aumenta a taxa de lotação por hectare, contribuindo para maior ganho de peso e produtividade do rebanho.

    Além disso, sua alta capacidade de fixação de nitrogênio no solo reduz a necessidade de fertilizantes químicos, tornando o cultivo mais sustentável e menos dependente de insumos externos. Em condições de sequeiro, a BRS Guatã produziu três toneladas de massa seca por hectare, desempenho praticamente igual ao obtido em condições irrigadas, demonstrando resiliência ao déficit hídrico – uma característica valiosa diante das mudanças climáticas.

    A adubação verde é outro ponto forte da BRS Guatã. A leguminosa pode fornecer entre 80 e 120 kg de nitrogênio por hectare. Além de reciclar nutrientes essenciais, como fósforo, potássio e micronutrientes, por meio da decomposição de sua biomassa. Essa ciclagem de nutrientes melhora a fertilidade do solo, beneficia culturas subsequentes e promove a sustentabilidade dos sistemas agrícolas.

    De acordo com a pesquisadora Patrícia Anchão Oliveira, a BRS Guatã é uma excelente opção para cobertura morta e rotação de culturas. “Essa leguminosa se adapta bem a diferentes condições de cultivo e contribui para a preservação do solo, reduzindo erosões e aumentando a retenção de umidade. Sua tolerância ao déficit hídrico a torna uma escolha estratégica em regiões sujeitas à escassez de chuvas”, afirma.

    Inovação no ciclo vegetativo e manejo de feijão guandu

    A BRS Guatã se diferencia por seu ciclo vegetativo mais curto, florescendo cerca de 30 dias antes de outras variedades como a BRS Mandarim. Essa característica acelera a disponibilidade de forragem e permite maior flexibilidade no manejo agrícola.

    O pesquisador Frederico de Pina Matta, da Embrapa, destaca também o porte intermediário e os caules mais finos da planta, que facilitam os tratos culturais. A variedade é ainda resistente a doenças como a ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) e apresenta moderada resistência ao fungo Macrophomina phaseolina, causador da podridão do caule.

    A BRS Guatã integra-se perfeitamente a sistemas agrícolas diversificados, podendo ser usada como planta de proteção e sombreamento para culturas como café e frutíferas. Além disso, sua biomassa contribui para a cobertura do solo, protegendo-o contra a erosão e promovendo a retenção de água.

    Outro destaque é sua aplicação na reforma de canaviais. Ademilson Facholli, presidente da Unipasto e produtor de sementes, afirma que a BRS Guatã possui alta aceitação nesse segmento. “O material é muito promissor, especialmente em sistemas integrados que buscam conciliar produtividade e preservação ambiental. Temos um estoque inicial de 50 toneladas, mas a expectativa é expandir a produção para atender à demanda crescente”, afirma.

    Alinhada aos objetivos de desenvolvimento sustentável

    A BRS Guatã reflete o compromisso da Embrapa com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), promovendo a segurança alimentar, a adaptação às mudanças climáticas e a redução da emissão de gases de efeito estufa. Sua capacidade de fixação de nitrogênio reduz a dependência de fertilizantes nitrogenados, cuja produção é altamente emissora de carbono.

    A partir da adubação verde, a BRS Guatã possibilita o fornecimento em torno de 80 a 120 kg de nitrogênio por hectare, realizando a ciclagem de nutrientes importantes para o solo. Foto: Lívia Mendes de Castro/Embrapa

    Em um cenário de aumento das secas e eventos climáticos extremos, a alta tolerância da cultivar ao déficit hídrico é um fator decisivo para a resiliência da agricultura e pecuária brasileiras.

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    A BRS Guatã deve ser plantada entre setembro e março, com espaçamento de 0,5 a 0,8 metros entre as linhas, dependendo do manejo desejado. É fundamental realizar análise de solo para ajustes de correção e adubação, garantindo o máximo desempenho da cultura de feijão guandu.

    Micronutrientes como o molibdênio, essencial para a fixação de nitrogênio, devem ser monitorados em solos com pH elevado. Recomenda-se ainda análise foliar no início do florescimento para detectar possíveis deficiências nutricionais.

    Disponibilidade no mercado

    As sementes da BRS Guatã já estão disponíveis por meio de empresas parceiras da Unipasto, com expansão prevista para atender à crescente demanda. Segundo Marcos Roveri José, gerente executivo da associação, a nova cultivar é uma opção atrativa para produtores que buscam reduzir custos e aumentar a eficiência em suas operações.

    “A BRS Guatã combina vantagens econômicas, ambientais e produtivas, tornando-se uma ferramenta indispensável para a agropecuária sustentável. Sua versatilidade atende desde o controle de nematoides até a recuperação de áreas degradadas e a suplementação animal durante períodos críticos”, conclui Roveri.

    Com uma ampla gama de aplicações e benefícios, a BRS Guatã consolida-se como um marco na inovação agrícola brasileira. E representa um avanço significativo em produtividade e sustentabilidade para os sistemas de produção.

  • Meio ambiente – como proteger as abelhas durante a florada da soja

    Meio ambiente – como proteger as abelhas durante a florada da soja

    Com o início da fase de florescimento da soja, que ocorre entre 20 e 30 dias após a semeadura, é comum que insetos polinizadores, como abelhas, visitem as lavouras para coletar néctar. No entanto, o uso inadequado de inseticidas durante esse período pode ameaçar a sobrevivência desses polinizadores, essenciais para a biodiversidade e a produtividade agrícola. O alerta é de especialistas da BASF, que recomendam o uso de boas práticas de manejo para mitigar esses riscos e preservar os insetos.

    Segundo Marcelo Batistela, vice-presidente da Divisão de Soluções para Agricultura da BASF no Brasil, a empresa está comprometida em promover a biodiversidade e a segurança alimentar por meio de treinamentos que ensinam o uso correto de tecnologias agrícolas. “O uso indevido de pesticidas é um problema sério, e precisamos garantir que isso seja tratado com atenção. Oferecemos apoio aos agricultores com treinamentos sobre o uso seguro de produtos e incentivamos práticas sustentáveis para proteger os polinizadores e garantir a sustentabilidade da agricultura”, destacou Batistela.

    Importância dos polinizadores na produção agrícola

    Os polinizadores desempenham um papel fundamental na produtividade agrícola em diversas culturas, como a soja. Um estudo realizado pela Rutgers University mostrou que fazendas em todo o mundo, incluindo na América do Sul, apresentam redução na produção de grãos devido à baixa presença de polinizadores. No Brasil, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aponta que a presença de abelhas pode aumentar a produtividade da soja em até 13%.

    Safra de verão pode representar perigo aos insetos com uso indevido de inseticidas

    Maurício do Carmo Fernandes, gerente de Stewardship e Sustentabilidade da BASF, explica que os agricultores devem tomar medidas específicas para proteger os polinizadores durante a safra da soja. Entre as práticas recomendadas está a aplicação de inseticidas em horários apropriados, como no final da tarde ou à noite. E também o monitoramento das condições climáticas, como temperatura e velocidade do vento, para evitar danos às abelhas. Além disso, é fundamental que os agricultores reconheçam as diferenças entre pragas, inimigos naturais e polinizadores para garantir uma aplicação segura dos produtos.

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    “Os polinizadores ficam mais ativos durante o florescimento da soja, e a aplicação inadequada de inseticidas pode levar à morte desses insetos. Com práticas simples, os produtores podem reduzir esses riscos e garantir uma convivência harmoniosa entre a produção agrícola e a preservação da biodiversidade”, afirma Fernandes.

    Iniciativas de preservação e sustentabilidade

    A BASF tem investido em parcerias e projetos para promover a sustentabilidade no campo. Um exemplo é o projeto “Agricultura para um futuro positivo com a natureza”, que envolve diversas instituições para impulsionar práticas agrícolas mais sustentáveis e benéficas ao meio ambiente. No Rio Grande do Sul, a iniciativa já conta com a participação de 18 produtores e 19 apicultores. Eles trabalham juntos para garantir a proteção dos polinizadores e a sustentabilidade da agricultura.

    Abelhas convivem com soja
    Boas práticas agrícolas podem mitigar risco de morte de polinizadores durante florada da soja

    Além disso, em parceria com a Embrapa, a BASF tem realizado estudos desde 2022 para validar protocolos de Boas Práticas Agrícolas e Apícolas. Isso mostra que é possível a convivência entre a produção de soja e a apicultura, com benefícios mútuos para ambos os setores.

    As boas práticas agrícolas são essenciais para mitigar os riscos à vida dos polinizadores durante o florescimento da soja. Com o uso correto de inseticidas e o respeito às recomendações técnicas, os agricultores podem garantir a preservação dos insetos, que são fundamentais para a produtividade e a sustentabilidade da agricultura no Brasil.

  • Mato Grosso sedia discussões do G20 sobre práticas sustentáveis na agricultura

    Mato Grosso sedia discussões do G20 sobre práticas sustentáveis na agricultura

    Mato Grosso, principal produtor de grãos e com o maior rebanho bovino do Brasil, foi escolhido como o local ideal para sediar as discussões do G20 sobre práticas sustentáveis na agricultura, segurança alimentar e inovações agrícolas. No próximo mês, o município de Chapada dos Guimarães receberá as reuniões técnicas e ministeriais do Grupo de Trabalho da Agricultura.

    As principais pautas do GT Agricultura incluem a sustentabilidade nos sistemas agroalimentares, a ampliação da contribuição do comércio internacional para a segurança alimentar e nutricional, e o reconhecimento do papel essencial da agricultura familiar, camponeses, povos indígenas e comunidades tradicionais para sistemas alimentares sustentáveis e inclusivos. Além disso, haverá foco na promoção da integração sustentável da pesca e aquicultura nas cadeias sociais locais e globais.

    Ministério da Agricultura fará entrega de maquinas agricolas
    Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. Reprodução – Redes sociais

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou a relevância do evento, afirmando que “se Mato Grosso fosse um país, seria o terceiro maior produtor de soja do mundo”. Ele mencionou que o presidente Lula autorizou a realização do encontro no estado. O que representa uma oportunidade significativa para debater os avanços da agropecuária mundial. “Será um grande evento para mostrar a força e a sustentabilidade da nossa agropecuária”, completou.

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    Fávaro também ressaltou que o encontro com representantes da agropecuária das principais economias do mundo trará oportunidades econômicas para o Brasil. “Os ministros, as delegações e os países convidados participarão das reuniões, o que fortalecerá nossa relação comercial e gerará oportunidades de negócios, resultando em empregos para a nossa economia”, afirmou.

    Histórico de participação do Brasil

    O Brasil faz parte do GT Agricultura desde sua criação em 2011, inicialmente focado na redução da volatilidade dos preços dos alimentos. Desde então, o grupo se tornou um importante fórum para discutir e auxiliar os membros do G20 em questões relacionadas à produção agropecuária. E promover a cooperação internacional em temas essenciais como segurança alimentar, agricultura sustentável, inovação tecnológica e adaptação às mudanças climáticas.

    O G20 reúne as maiores economias do mundo e se encontra anualmente para discutir iniciativas econômicas, políticas e sociais. No dia 1º de dezembro de 2023, o Brasil assumiu a Presidência temporária do G20. Esse mandato se encerrará em 30 de novembro de 2024. Esta é a primeira vez que o país ocupa essa posição na história do grupo no formato atual.

    Com a realização das reuniões em Mato Grosso, o Brasil busca consolidar sua liderança nas discussões sobre práticas agrícolas sustentáveis. E também fortalecer sua posição no cenário global.

  • Embrapa e CGIAR fortalecem pesquisa climática com novo acordo

    Embrapa e CGIAR fortalecem pesquisa climática com novo acordo

    A Embrapa e o Grupo Consultivo de Pesquisa Internacional (CGIAR) assinaram um memorando de entendimento para intensificar a pesquisa em sistemas alimentares resilientes às mudanças climáticas. A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, e a diretora executiva do CGIAR, Ismahane Elouafi, oficializaram a parceria durante a 20ª Reunião do Conselho do Sistema CGIAR na sede da Embrapa, com a presença de representantes de financiadores e países em desenvolvimento.

    Foco na resiliência e sustentabilidade

    A colaboração entre Embrapa e CGIAR abrange áreas como recursos naturais, biotecnologia, bioeconomia e agricultura digital. A iniciativa visa enfrentar desafios como mudanças climáticas, transição energética e inclusão digital nas áreas rurais.

    Além disso, Massruhá destacou a importância da pesquisa para aumentar a resiliência agrícola e reduzir riscos. A Embrapa já contribuiu significativamente com programas de controle de acidez do solo, manejo integrado de pragas e zoneamento de risco climático. O desenvolvimento da Renovacalc, calculadora oficial de pegada de carbono para a Política Nacional de Biocombustíveis, foi mencionado como um avanço crucial.

    Eventos e compromissos futuros

    A presidente da Embrapa enfatizou o compromisso da instituição com a COP 30 e o potencial da inteligência artificial na agricultura. A recente reunião de cientistas-chefes agrícolas do G-20, coordenada pela Embrapa, reforça esse compromisso com soluções sustentáveis e inovação no campo. A colaboração com o CGIAR promete desenvolver variedades de culturas melhoradas, práticas agrícolas sustentáveis e tecnologias inovadoras para o futuro do planeta.

  • Mudanças climáticas podem acabar com café no Brasil

    Mudanças climáticas podem acabar com café no Brasil

    Os produtores de café têm enfrentado várias dificuldades com a colheita este ano, especialmente devido ao impacto do aquecimento global.

    Algumas dessas dificuldades incluem:

    • Declínio da produtividade em consequência do aquecimento global, que está afetando a produtividade das plantações de café, levando a uma redução nos rendimentos e qualidade dos grãos.
    • Mudanças climáticas, como alterações nas temperaturas e nos padrões de chuva, estão afetando a distribuição e a qualidade das plantações de café. Isso pode levar a uma redução na qualidade e na produtividade dos grãos.
    • O aquecimento global pode beneficiar a disseminação de pragas e doenças que afetam as plantações de café, o que pode reduzir a produtividade e a qualidade dos grãos.
    • O aquecimento global também está afetando a disponibilidade de áreas adequadas para a produção de café. Isso pode levar a uma redução na produtividade e na qualidade dos grãos em regiões que anteriormente eram produtivas, ocasionando a perda de áreas produtivas.

    Essas dificuldades podem ter impactos significativos nos produtores de café e na cadeia de suprimento global, impactando de forma direta o Brasil, principalmente a produção de café arábica.

    Estudos indicam perdas

    De acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e dos institutos federais do Mato Grosso do Sul e do Sul de Minas, o país poderá perder mais de 50% das áreas propícias ao cultivo do grão até 2080, mesmo nos cenários mais otimistas.

    Utilizando cinco cenários climáticos projetados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o estudo simulou alterações no regime de chuvas e na temperatura atmosférica para as próximas décadas. Nos cenários menos adversos, por exemplo, a área adequada para a cafeicultura sem irrigação poderá diminuir em mais de 50% até 2060. O cenário mais pessimista prevê um aumento contínuo das emissões de gases de efeito estufa. Isso pode resultar em um aumento de 4°C na temperatura média global até o final do século.

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    Atualmente, 8,72% do território brasileiro são aptos para o cultivo de café arábica. Contudo, projeções indicam que essa área poderá ser drasticamente reduzida. No cenário mais otimista, a área adequada cairia para 3,7% entre 2041 e 2060, e para 5,4% entre 2061 e 2080. No cenário mais pessimista, a área cultivável poderia ser reduzida a zero até 2080.

    Estados mais afetados

    Os estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, que são os maiores produtores de café do Brasil. E estão entre os mais vulneráveis às mudanças climáticas. Em São Paulo, por exemplo, metade das lavouras de café foi perdida nas últimas três décadas. Em 2024, a região Sudeste enfrentou quatro ondas de calor, afetando a produção e a qualidade do grão.

    A produção de café No Brasil representa 33% da produção mundial e 26% das exportações do país

    O engenheiro agrônomo Glauco de Souza Rolim, da Unesp, destacou para o  Jornal da Unesp a importância de estratégias de adaptação para preservar a produção de café no Brasil. “O café é muito suscetível ao clima e pode apresentar produtividades altas ou baixas dependendo da temperatura do ar e das chuvas durante seu ciclo de produção”, afirmou Rolim. Ele enfatizou a necessidade de desenvolver métodos de irrigação e outras tecnologias para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

    A produção de café é vital para a economia brasileira, representando 33% da produção mundial e 26% das exportações. A cadeia produtiva gera mais de 8 milhões de empregos e sustenta aproximadamente 287 mil cafeicultores, a maioria pequenos produtores. A redução das áreas cultiváveis terá sérios impactos econômicos e sociais, exigindo ações urgentes para garantir a sustentabilidade do setor.