Tag: agricultura familiar

  • Senar MT transforma pecuária com inseminação artificial gratuita e já registra taxa de prenhez de 44%

    Senar MT transforma pecuária com inseminação artificial gratuita e já registra taxa de prenhez de 44%

    O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) avança na modernização da pecuária estadual por meio do projeto ATeG Inseminação, iniciativa gratuita que combina melhoramento genético, assistência técnica e gestão rural para elevar a produtividade nas propriedades. Desde o início da execução, em dezembro de 2024, o programa já atendeu 1.513 propriedades em 99 municípios de Mato Grosso.

    O projeto oferece suporte completo ao produtor, da aquisição do sêmen aos protocolos de inseminação e mão de obra especializada. Para a pecuária de corte, as raças disponíveis são Nelore, Nelore Mocho e Angus. Já para a cadeia leiteira, o programa contempla Girolando (3/4 e 5/8), Gir e Sindi. A iniciativa é realizada em parceria com os Sindicatos Rurais do estado.

    Como funciona na prática 

    A metodologia divide a atuação em duas frentes complementares. Primeiro, o técnico de campo realiza o diagnóstico da propriedade, o acompanhamento gerencial e o preparo das condições necessárias. Só então o médico-veterinário executa o protocolo de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), garantindo maior eficiência reprodutiva ao rebanho.

    “A inseminação é uma ferramenta importante, mas o resultado vem da soma das ações, com o técnico de campo atuando na organização, gestão e preparo da propriedade, e o técnico em reprodução na execução do protocolo”, explica a supervisora do projeto, Jéssica Gonçalves.

    Superação e resultados no campo

    Na Fazenda Água Boa, em Brasnorte, a produtora Claudete Grimm Denadai representa tanto o impacto da iniciativa quanto a força do produtor rural. Após perder o marido, ela assumiu sozinha a gestão da propriedade e, por isso, buscou apoio da ATeG para reorganizar o sistema produtivo. Com isso, adotou novas práticas de manejo, nutrição e planejamento e logo colheu resultados concretos.

    “De 63 animais, 38 deram positivo. Teve bastante animal jovem que também emprenhou. A diferença dos bezerros da inseminação para os de touro é muito grande: mais resistência, mais peso, carcaça melhor. A qualidade é outra”, relata Claudete.

    Além dos índices reprodutivos, o acompanhamento da técnica de campo Ingrid dos Santos Costa trouxe novas estratégias de comercialização. “Ela me orientou como engordar as fêmeas e vender os machos. Assim, isso virou uma alternativa para manter a fazenda viável o ano todo”, acrescenta a produtora.

    Tecnologia acessível e gestão integrada

    Para o técnico em reprodução Jeferson Polidoro Murussi, o diferencial do projeto está no acesso. “A inseminação não é novidade: ela já provou que funciona. Portanto, o que o projeto faz é facilitar o acesso, com material de qualidade e suporte técnico. Além disso, o produtor aumenta o valor de venda e ganha eficiência”, afirma.

    Da mesma forma, o gerente da ATeG, Bruno Faria, reforça o caráter estratégico da iniciativa. “Quando aliamos técnica, acompanhamento contínuo e gestão, o produtor passa a ter mais controle da atividade e evolui de forma consistente. Por isso, mais do que aumentar a produção, nosso objetivo é melhorar a renda e a qualidade de vida das famílias no campo”, destaca.

    Números e reconhecimento nacional

    Até março de 2026, o ATeG Inseminação registrou 32.021 protocolos executados, 53.131 diagnósticos de gestação e taxa média de prenhez de 44,37%, índice que comprova a efetividade da técnica quando associada a um sistema produtivo organizado. Diante desses resultados, o projeto segue na terceira rodada de execução, com novas etapas previstas para ampliar ainda mais o alcance.

    Além do desempenho produtivo, os números trouxeram reconhecimento nacional: o Senar MT saltou da 26ª para a 6ª colocação no ranking do Prêmio Coordenador de Excelência 2026, anunciado durante o Encontro Nacional de Coordenadores da ATeG, realizado na sede da CNA, em Brasília, em março.

  • O que o brasileiro está colocando no prato e o que isso diz sobre o futuro da alimentação no país

    O que o brasileiro está colocando no prato e o que isso diz sobre o futuro da alimentação no país

    O ato de comer vai muito além da fome. Ele carrega história, cultura, economia e escolhas que moldam não apenas a saúde individual, mas o futuro dos sistemas alimentares de todo um país. No Brasil, esse cenário é ao mesmo tempo rico e preocupante.

    Os hábitos alimentares dos brasileiros são determinados por uma combinação de fatores econômicos, sociais, culturais, geográficos e psicológicos. Esses elementos, em geral, são interdependentes e se influenciam mutuamente.

    O problema é que, nas últimas décadas, um movimento global vem substituindo alimentos com significado cultural e tradições ancestrais por produtos ultraprocessados industrializados. Esse processo provoca a homogeneização dos hábitos alimentares, e seus efeitos já são visíveis nos dados de saúde da população.

    Os números que preocupam

    O avanço dos ultraprocessados no cardápio brasileiro tem consequências diretas e graves. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2020, mais da metade dos adultos brasileiros apresenta excesso de peso: 60,3%, o equivalente a 96 milhões de pessoas.

    Além disso, mais de 19 mil mortes por infarto e AVC são atribuídas ao consumo de produtos ultraprocessados por ano no Brasil, de acordo com estudo do pesquisador Eduardo Nilson, do Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares, publicado no periódico Frontiers in Nutrition.

    Paralelamente, a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, divulgada em 2020, confirmou a tendência: o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes e verduras, vem diminuindo no país. Em contrapartida, cresce a ingestão de produtos processados ricos em sódio e gordura.

    Por que o brasileiro come mal (e não é só questão de escolha)

    Reduzir o problema à falta de informação ou de vontade seria simplista. Na prática, vários fatores estruturais condicionam o que cada brasileiro coloca no prato.

    O primeiro deles é econômico. Os ultraprocessados são mais baratos, práticos e estão disponíveis em todo lugar: nas cantinas, nos mercadinhos, nos postos de gasolina. Para famílias de baixa renda, a escolha alimentar é, muitas vezes, uma escolha financeira. O Brasil, afinal, é um dos países com maior desigualdade de renda do mundo.

    O segundo fator é geográfico. Moradores de bairros afastados, com poucos mercados e feiras livres nas proximidades, têm acesso reduzido a produtos frescos e variados. Por outro lado, a presença de verdurões e feiras livres perto das residências aumenta diretamente o consumo de alimentos saudáveis.

    O terceiro fator é o ambiente alimentar. Nas escolas, por exemplo, a oferta de alimentos não saudáveis nas cantinas estimula o consumo de processados entre crianças e adolescentes. Já a disponibilidade de frutas e sucos naturais nesses espaços produz o efeito contrário. Da mesma forma, a participação em hortas comunitárias amplia o consumo de alimentos saudáveis e valoriza o ato de cozinhar.

    A indústria, o supermercado e o marketing à mesa

    Desde a década de 1950, a indústria alimentícia vem transformando os ecossistemas alimentares. O resultado é uma produção cada vez mais hiperespecializada, concentrada em poucos produtos e voltada ao lucro em escala global em detrimento da diversidade alimentar.

    Hoje, as grandes redes de supermercados dominam o varejo de alimentos e definem, em grande parte, o que chega às prateleiras. Esse modelo favorece as grandes indústrias e dificulta a comercialização dos pequenos produtores locais.

    Além disso, a mídia e o marketing exercem forte influência sobre as escolhas alimentares, especialmente entre crianças e adolescentes, mais suscetíveis à publicidade de produtos ultraprocessados.

    Orgânicos crescem, mas ainda enfrentam barreiras

    Em meio a esse cenário, um movimento positivo ganha força. O consumo de produtos orgânicos aumentou no Brasil nos últimos anos, impulsionado pela crescente conscientização sobre saúde e qualidade de vida. Esses produtos já ocupam mais espaço nas prateleiras dos mercados.

    Contudo, obstáculos ainda limitam o acesso: preços mais elevados, abastecimento irregular e distribuição restrita a poucos pontos de venda afastam uma parcela significativa da população desse mercado.

    O caminho para uma alimentação melhor passa pelo campo

    A solução para os problemas alimentares do Brasil não está apenas nas escolhas individuais. Ela passa, sobretudo, por transformações nos sistemas alimentares, e o agronegócio tem papel central nessa mudança.

    Valorizar alimentos produzidos regionalmente, incentivar práticas culinárias domésticas, ampliar o consumo de frutas, legumes e verduras e diversificar a alimentação são atitudes que reduzem o risco de doenças crônicas e melhoram a qualidade de vida.

    Essas escolhas também impactam diretamente a agricultura. Uma população que valoriza alimentos frescos, locais e diversificados fortalece uma produção comprometida com a segurança alimentar, a sustentabilidade e a proteção dos recursos naturais.

    Afinal, o que está no prato começa no campo.

  • CMN reduz juros do Pronaf e libera crédito ao café

    CMN reduz juros do Pronaf e libera crédito ao café

    O Conselho Monetário Nacional reduziu juros para cooperativas da agricultura familiar e ampliou crédito ao setor. O colegiado aprovou, na quinta-feira (26), a queda da taxa do Pronaf de 8% para 3% ao ano. A medida vale para financiamentos da linha Mais Alimentos voltados à bovinocultura.

    Segundo o Ministério da Fazenda, a decisão busca estimular investimentos e aumentar a produtividade do setor. Além disso, cooperativas poderão financiar a compra de sêmen, óvulos e embriões. Esses insumos apoiam o melhoramento genético na pecuária de corte e de leite.Antes, apenas agricultores familiares acessavam a taxa reduzida nessas operações. Agora, o governo estende o benefício às cooperativas que atendem seus associados.

    Incentivo ao melhoramento genético

    O CMN também autorizou o financiamento isolado desses itens pelo programa Renovagro. O programa incentiva sistemas de produção agropecuária com foco em sustentabilidade. Além da compra de material genético, o crédito inclui serviços especializados.

    Entre eles, estão inseminação artificial e transferência de embriões. Antes, esses serviços tinham limite de 30% do valor total do investimento. Com a mudança, produtores e cooperativas ganham mais flexibilidade no uso do crédito.

    Recursos para o setor cafeeiro

    Na mesma reunião, o CMN liberou R$ 7,37 bilhões para o setor cafeeiro em 2026. Os recursos virão do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira, o Funcafé. O crédito atenderá custeio, comercialização e aquisição de café. Além disso, os valores apoiarão capital de giro e recuperação de lavouras.

    Distribuição dos recursos

    O Ministério da Agricultura definirá a divisão dos recursos entre as linhas de crédito. As operações seguirão as regras do Manual de Crédito Rural. O CMN é presidido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. O colegiado também inclui o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Além disso, participa a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.

  • Agricultura familiar no sertão alagoano recebe semana de ações estruturais

    Agricultura familiar no sertão alagoano recebe semana de ações estruturais

    Santana do Ipanema concentra, nesta semana, um conjunto de ações voltadas à agricultura familiar no sertão alagoano. A programação une emissão de documentos, atendimentos de saúde, feira de comercialização e o lançamento de um programa de fomento à produção rural.

    As atividades começaram na terça-feira (24) com o projeto Agricultura Familiar em Movimento. A ação ocorreu das 9h às 15h, na Quadra Poliesportiva do Povoado São Félix. A iniciativa levou serviços de cidadania, orientação técnica e acesso a políticas públicas a comunidades tradicionais, assentados e agricultores de áreas mais distantes.

    A equipe emitiu o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) e o Registro Geral (RG), além de oferecer orientações sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Os participantes também puderam solicitar benefícios previdenciários e programas assistenciais. Em parceria com a Prefeitura, o mutirão disponibilizou serviços de saúde, como aferição de pressão arterial e teste de glicemia.

    Na quinta-feira (26), a programação volta ao município com três frentes integradas. A Praça Dr. Adelson Isaac de Miranda, no centro da cidade, recebe a Feira da Agricultura Familiar, atividades do projeto Mulheres: Raízes da Resistência e o lançamento do programa Planta Alagoas 2026.

    A feira funciona das 8h às 15h e abre espaço para a comercialização de produtos da agricultura familiar e artesanato. A organização prevê rodadas de negócios, troca de experiências entre produtores e uma roda de conversa. O objetivo é ampliar as oportunidades de mercado para agricultores, cooperativas e associações.

    Paralelamente, o projeto Mulheres: Raízes da Resistência promove exposição e atividades educativas. A iniciativa busca valorizar e fortalecer as mulheres que vivem e produzem no meio rural.

  • Nova lei libera R$ 500 milhões para ampliar garantias do Pronaf

    Nova lei libera R$ 500 milhões para ampliar garantias do Pronaf

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que autoriza o Fundo Garantidor de Operações (FGO) a cobrir financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A nova regra, publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (20), abre caminho para que agricultores familiares consigam empréstimos com mais facilidade, seja para custear a produção, comprar equipamentos ou investir na propriedade.

    A Lei 13.356/26 libera o uso de até R$ 500 milhões que estavam sem destinação no fundo. Com esse recurso, o governo amplia as garantias dos financiamentos, reduz as exigências para os produtores e aumenta as chances de eles manterem ou expandirem a produção.

    O projeto de lei (PL 2.213/25) teve origem no Senado, com autoria do senador Jaques Wagner (PT-BA). A matéria passou pela Casa em junho de 2025 e obteve aprovação da Câmara dos Deputados em fevereiro deste ano.

    Na justificativa do projeto, Wagner explicou que o FGO serve como uma garantia para os bancos, diminuindo o risco das operações. Com a sanção, valores antes parados no fundo agora podem garantir os empréstimos do Pronaf. Beneficiando especialmente pequenos produtores que enfrentam dificuldades para oferecer garantias tradicionais, como imóveis ou máquinas.

    “Possibilitar que o FGO garanta as operações do Pronaf reduzirá significativamente o risco percebido pelos bancos. Incentivando-os a conceder crédito de forma mais ampla e acessível”, afirmou o senador.

    Regras

    A nova lei determina que o governo federal estabelecerá as regras para usar os recursos do FGO no Pronaf, definindo os critérios de acesso e os tipos de operação contemplados. O valor total das garantias terá limites, respeitando a disponibilidade do fundo e as diretrizes do governo.

    Além disso, a norma elimina a cobrança da comissão pecuniária prevista na Lei 12.807/09, uma taxa incidente sobre o uso da garantia pública. A isenção desse custo adicional tende a tornar o crédito mais barato e acessível aos agricultores familiares.

  • De arroz ao açaí: projeto aposta em diversificação agrícola para fortalecer agricultura familiar

    De arroz ao açaí: projeto aposta em diversificação agrícola para fortalecer agricultura familiar

    A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) deu início à introdução do açaí nos projetos públicos de irrigação de Alagoas, em consórcio com culturas de ciclo curto como batata-doce, mandioca e milho. A estratégia busca ampliar a renda, reduzir riscos e fortalecer a segurança produtiva dos agricultores familiares da região, onde a rizicultura e a cana-de-açúcar dominam historicamente a produção.

    A Codevasf opera três projetos de irrigação no estado: o Boacica, em Igreja Nova; o Itiúba, em Porto Real do Colégio; e o Marituba, em Penedo. O piloto começou no Projeto Boacica, onde a empresa distribuiu mudas de açaí e implantou sistemas de irrigação por microaspersão em áreas de 0,5 hectare em lotes de produtores que aderiram à iniciativa.

    Alternativa ao preço volátil do arroz

    O superintendente regional da Codevasf em Alagoas, João Paulo Tavares, defende a diversificação como o caminho mais seguro para garantir rentabilidade no campo. “A rizicultura é uma atividade agrícola tradicional no Baixo São Francisco. No entanto, sofre mais intensamente com as variações de preço, o que reduz a margem de lucro dos produtores”, afirmou durante visita técnica aos lotes.

    Para ele, o açaí, cultura com bom valor agregado e mercado consumidor consolidado, representa uma alternativa promissora. “Iniciamos o cultivo do açaí, bastante apreciado pela gastronomia local, em consórcio com outras culturas. Assim, teremos a produção de arroz aliada a outros itens, trazendo maior segurança a quem trabalha no campo”, acrescentou.

    Foto: Codevasf

    Tavares também destacou o peso econômico dos projetos: somente em 2024, as áreas irrigadas da Codevasf em Alagoas injetaram cerca de R$ 57,6 milhões na economia local, contribuindo diretamente para o PIB estadual e municipal.

    Açaí em consórcio resolve o problema do tempo de espera

    Como o açaí leva pelo menos três anos para produzir os primeiros frutos, a Codevasf optou por associar a cultura a itens de ciclo curto, garantindo renda ao produtor enquanto o açaizeiro se desenvolve. O engenheiro agrônomo Cleudson Bernardino, responsável pelo acompanhamento técnico, explica que os agricultores já iniciaram os plantios e testam diferentes variedades.

    “No Projeto Boacica, houve boa adesão. Já temos agricultores cultivando açaí em consórcio com batata-doce, mandioca e milho, além de produtores que pretendem associar a cultura à banana”, relatou. Segundo ele, a produção de arroz e cana-de-açúcar continua como atividade principal. Mas passa a conviver com o açaí e as culturas de ciclo curto na área de policultura dos lotes, separada da rizicultura.

    O agricultor Antônio Messias, que cultiva arroz, cana-de-açúcar, milho e banana no Projeto Boacica, celebra a novidade. “A diversificação de cultivos é muito importante para o produtor rural. Desde que soubemos da proposta, criamos uma grande expectativa, e hoje ela é realidade. Não precisamos viver apenas da cana, podemos investir em outras culturas. No espaço onde estão implantando o açaí, estou cultivando batata-doce e macaxeira”, contou.

  • Produtoras do Piauí assumem liderança em projetos de agricultura familiar

    Produtoras do Piauí assumem liderança em projetos de agricultura familiar

    Na zona rural de Teresina e em diversos municípios do Piauí, cresce o número de mulheres à frente da produção agrícola. Elas participam de todas as etapas da cadeia produtiva, do plantio à comercialização. E vêm consolidando um papel decisivo na economia rural do estado.

    A Secretaria da Agricultura Familiar (SAF) tem priorizado políticas públicas voltadas às mulheres rurais. Segundo a secretária Rejane Tavares, cerca de 30% dos recursos dos programas da pasta são destinados a projetos liderados por mulheres. “Temos priorizado as mulheres rurais em quase todos os nossos programas”, destaca.

    Produtoras que inspiram o campo piauiense

    Em Coivaras, na localidade Malhada Alta, a produtora Leslly Raquel Costa dos Santos lidera a Associação de Produtores e Criadores do município. Com seis hectares, ela cultiva melancia, principal cultura local, além de milho, feijão verde e outras lavouras. Em 2025, Leslly colheu 179 toneladas de melancia e comercializou parte da produção por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa de Alimentação Saudável (PAS).

    “Conseguimos escoar volumes significativos para a Nova Ceasa. Ainda enfrentamos desafios na comercialização, mas seguimos com fé e persistência”, afirma a produtora, que também gera empregos temporários durante a colheita e contribui para a economia local.

    Para ela, a agricultura representa mais do que renda: é sinônimo de força e esperança. “Acordamos cedo, enfrentamos muitos desafios, mas acreditamos que vale a pena”, destaca.

    De autônoma a produtora rural em Teresina

    No Assentamento Vale da Esperança, na zona sudeste de Teresina, Cleidimar Oliveira de Araújo Sousa transformou a rotina da família ao investir na agricultura familiar. Antes autônoma, hoje cultiva hortaliças, feijão, milho, macaxeira e abóbora, além de criar pequenos animais.

    “O trabalho na agricultura aumentou nossa renda e melhorou nossa alimentação. Vendemos ao PAA, ao PAS e também na feira da Universidade Federal do Piauí”, conta. A renda mensal chega a cerca de um salário mínimo, sem contar os alimentos consumidos em casa.

    Agricultura como sinônimo de independência

    A produtora Antônia Soares de Moura Costa, conhecida como Toinha, é outro exemplo de protagonismo feminino no campo. Moradora da Serra do Gavião, em Teresina, ela cultiva três hectares e integra um grupo de 30 agricultores, sendo mais da metade mulheres, que compartilham uma área coletiva de oito hectares.

    A agricultora Antônia Soares de Moura Costa, conhecida como Toinha. Foto: Arquivo Pessoal

    Toinha cultiva banana, caju e acerola, além de aproveitar integralmente o fruto do caju para doces, pães e conservas. Parte da produção é vendida em feiras organizadas pela SAF e por programas de compra pública. “Com as vendas, nossa renda mensal chega a R$ 1,6 mil”, afirma.

    Essas histórias refletem a força do trabalho feminino na agricultura familiar piauiense. Nas comunidades rurais, as mulheres vêm consolidando espaço, ampliando a renda e garantindo alimentos saudáveis à população. O protagonismo delas mostra que a agricultura familiar é, acima de tudo, uma forma de resistência e de vida no campo.

  • Força feminina transforma a produção rural em Divino, Minas Gerais

    Força feminina transforma a produção rural em Divino, Minas Gerais

    No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a força feminina no campo mineiro se revela nas histórias das produtoras de Carangolinha de Cima, comunidade rural de Divino, na Zona da Mata de Minas Gerais. Lá, as mulheres transformam a terra e o sustento das famílias por meio da agricultura familiar.

    Cerca de 60% dos 200 moradores da comunidade são mulheres, responsáveis por todas as etapas da produção agrícola, do plantio à comercialização. Elas cultivam cafés especiais, hortaliças, frutas, farinhas, quitandas e doces, abastecendo feiras locais, mercados e programas de alimentação escolar.

    “Aprendi com minha mãe, que já se foi, a respeitar a natureza e trabalhar com amor”, conta Renata de Souza Gomes, de 40 anos. Agricultora e formada em Educação do Campo pela UFV, ela se dedica à produção de cafés especiais e mantém vivas as tradições da família em Carangolinha de Cima.

    Gerações

    A história de Renata reflete a força feminina de várias gerações. Ela vive com a avó, Geisha Neto de Souza, a dona Zica, de 90 anos, e com as tias Neli, Ana, Vanilda e Romilda. A jovem Valentina, de 12 anos, filha de Romilda, já demonstra vontade de seguir no mesmo caminho. “Aqui plantamos banana, feijão, abóbora, mandioca, abacate, manga, amora, pitanga… A lista é grande”, celebra Renata.

    A tradição começou com dona Zica, que, ainda no século passado, plantou as primeiras lavouras ao lado do marido. Para Renata, as mulheres sempre sustentaram o campo, mesmo quando o reconhecimento era raro. “Antes, cuidávamos dos quintais e da família, garantindo alimento e afeto. Hoje, temos orgulho de dizer que somos produtoras rurais”, afirma.

    Essa mudança trouxe independência financeira e visibilidade. “Muitos homens ainda perguntam por meu pai ou marido, e eu respondo com orgulho: pode falar comigo. Nada nos impede”, diz Renata, que estampa em suas embalagens a frase “Produzido por mulheres”.

    Apoio e protagonismo feminino

    O trabalho das produtoras de Carangolinha de Cima recebe apoio técnico da Emater-MG, vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa). As ações incluem assistência no cultivo, capacitação e acesso a tecnologias agrícolas. “Participo de cursos e dias de campo que ampliam nosso conhecimento e fortalecem a produção”, conta Renata.

    Em 2025, a comunidade foi beneficiada pelo Programa Irriga Minas, que distribuiu kits de irrigação a 49 agricultores familiares de Divino. 27 deles destinados a mulheres da comunidade. Com o sistema de irrigação, as produtoras aumentaram a oferta de alimentos e o fornecimento ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), gerando mais renda para as famílias.

    “Ampliar a produção e fortalecer o protagonismo feminino no campo é essencial para o desenvolvimento rural sustentável”, destaca Emanuella Costa Torres, extensionista da Emater em Divino.

  • Dia da Mulher: programas valorizam trabalhadoras rurais e agricultura familiar

    Dia da Mulher: programas valorizam trabalhadoras rurais e agricultura familiar

    Hoje, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas que valorizem as mulheres e garantam seus direitos. No campo, esse compromisso se traduz em programas do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar voltados a ampliar a autonomia, a renda e as oportunidades para trabalhadoras rurais em todo o Brasil.

    ​As políticas reconhecem o papel central das mulheres na produção de alimentos, no fortalecimento da agricultura familiar e no desenvolvimento sustentável do país. Segundo o Censo Agropecuário 2017 (IBGE), 4,37 milhões de mulheres atuam como trabalhadoras rurais, 946 mil dirigem estabelecimentos e 817 mil participam como codiretoras, respondendo por 42,4% da renda familiar no meio rural.

    ​A recriação do MDA, em 2023, retomou e fortaleceu ações específicas para agricultoras familiares, com foco em produtividade, inclusão produtiva e igualdade de gênero. Os programas atendem mulheres do campo, das águas, das florestas e de povos e comunidades tradicionais, integrando crédito, assistência técnica, acesso à água, equipamentos e documentação básica.

    ​Programa de Organização Produtiva e Econômica de Mulheres Rurais

    Instituído pelo Decreto n° 11.452, de 22 de março de 2023, o Programa de Organização Produtiva e Econômica de Mulheres Rurais promove a autonomia econômica das mulheres do campo, das águas e das florestas. A política integra ações de fomento produtivo, crédito rural, assistência técnica e extensão rural, ampliando o acesso das mulheres e de suas organizações econômicas a mercados e infraestrutura.

    O programa incentiva a qualificação de processos produtivos, a geração de alimentos saudáveis e sustentáveis e a valorização do trabalho feminino. Também fortalece organizações coletivas de mulheres, estimula cooperativismo e amplia a participação feminina em cadeias produtivas estratégicas.

    Programa Quintais Produtivos para Mulheres Rurais

    O Programa Quintais Produtivos para Mulheres Rurais apoia a autonomia econômica a partir da estruturação de quintais produtivos em propriedades familiares. As iniciativas incluem acesso a políticas públicas de apoio à produção e comercialização de alimentos, além de equipamentos, máquinas, implementos, utensílios, insumos e tecnologias sociais de acesso à água.

    ​Os quintais produtivos contribuem para diversificar a produção, melhorar a segurança alimentar e gerar renda complementar para as famílias rurais. Conduzidos majoritariamente por mulheres, esses espaços fortalecem a soberania alimentar e a permanência da juventude no campo.

    Ater Mulheres Rurais

    O Ater Mulheres Rurais integra a política de assistência técnica e extensão rural com foco em trabalhadoras rurais. O serviço busca elevar produção, produtividade e qualidade dos produtos e serviços rurais, ao mesmo tempo em que melhora renda e qualidade de vida no campo.

    ​As equipes de Ater orientam projetos produtivos, gestão da propriedade e acesso a créditos e programas públicos, com recorte específico de gênero. A abordagem considera os desafios enfrentados pelas mulheres, como divisão desigual do trabalho doméstico e dificuldade de acesso a políticas.

    ​Programa Nacional de Cidadania e Bem Viver para Mulheres Rurais

    O Programa Nacional de Cidadania e Bem Viver para Mulheres Rurais garante acesso à documentação civil básica e à titulação conjunta da terra e do território onde essas mulheres vivem e trabalham. A iniciativa atende mulheres do campo, das florestas e das águas, com foco no reconhecimento de direitos civis, políticos e sociais.

    ​Ao assegurar documentação e titularidade, o programa amplia o acesso a políticas públicas, crédito e proteção social, fortalecendo a dignidade, a segurança e a autonomia das mulheres rurais.

    ​Projeto Jandaíras: Mulheres e Saberes Tradicionais

    O Projeto Jandaíras atua com mulheres de povos e comunidades tradicionais, articulando geração de renda, segurança alimentar e valorização de saberes ancestrais. A iniciativa incentiva o desenvolvimento e a melhoria de produtos da sociobiodiversidade em agroindústrias comunitárias e grupos produtivos.

    ​O projeto também facilita a inserção dessas mulheres em mercados institucionais e programas de compras públicas, ampliando a comercialização e o reconhecimento de seus produtos.

    Fomento Mulher

    O programa Fomento Mulher oferece recursos não reembolsáveis para mulheres titulares de lotes da reforma agrária. O benefício financia projetos produtivos sustentáveis, como hortas, criação de animais e artesanato, fortalecendo a autonomia financeira e a produção de alimentos.

    ​Com apoio técnico, as beneficiárias estruturam atividades geradoras de renda, agregam valor à produção e ampliam a segurança alimentar das famílias assentadas.

    ​Pronaf B para mulheres rurais

    O Pronaf B, linha do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar voltada a famílias de menor renda, ganhou condições especiais para mulheres rurais no Plano Safra 2025/2026. A política incentiva a autonomia econômica feminina, com foco em quintais produtivos, produção de alimentos saudáveis e segurança alimentar.

    O crédito do Pronaf B Quintais Produtivos oferece até R$ 20 mil, com juros de 0,5% ao ano e bônus de adimplência de até 40%, destinado prioritariamente às agricultoras. Essas condições estimulam investimentos em produção agroecológica e diversificada, ampliando renda e inclusão produtiva no meio rural.

    Lavanderias Coletivas Agroecológicas

    Lançado em 2023, o projeto-piloto de Lavanderias Coletivas Agroecológicas desenvolve tecnologias sociais e práticas sustentáveis voltadas ao bem viver das mulheres rurais. As estruturas reduzem o esforço físico e o tempo dedicado ao trabalho doméstico, liberando mais horas para atividades produtivas e de formação.

    ​As lavanderias utilizam soluções sustentáveis, como reuso de água e energia solar. E se somam a outras ações que melhoram condições de trabalho e qualidade de vida no campo.

     

  • Rio de Janeiro é o segundo maior produtor de abacaxi do Brasil; interior do estado lidera a colheita

    Rio de Janeiro é o segundo maior produtor de abacaxi do Brasil; interior do estado lidera a colheita

    O Rio de Janeiro consolidou sua posição como um dos principais estados produtores de abacaxi do Brasil. Em 2024, o estado colheu cerca de 165 mil toneladas da fruta, com produção concentrada no Norte Fluminense. A região abriga três dos maiores municípios produtores do país.

    São Francisco de Itabapoana lidera o ranking estadual e ocupa o segundo lugar no cenário nacional, com 107,2 mil toneladas produzidas no último ano. São João da Barra e Campos dos Goytacazes completam o pódio fluminense, segundo dados da Emater-Rio.

    No total, o estado conta com aproximadamente 6 mil hectares cultivados e reúne cerca de 1.170 agricultores dedicados à cultura do abacaxi. A produtividade média chega a 35 mil frutos por hectare. Resultado que reflete tanto avanços tecnológicos no manejo quanto o acesso dos produtores a linhas de financiamento específicas para o setor.

    Variedade Pérola domina o mercado

    A variedade Pérola responde por cerca de 95% de toda a produção fluminense, sendo reconhecida pela doçura, suculência e boa aceitação no mercado consumidor. Os outros 5% ficam com a Smooth Cayenne. O ciclo produtivo escalonado da cultura permite colheitas ao longo de todo o ano, o que garante maior estabilidade de renda aos agricultores.

    Foto: Secom RJ

    Além do consumo in natura, o abacaxi produzido no Rio tem potencial crescente para industrialização. Sucos, polpas, doces e outros derivados ampliam as possibilidades de comercialização. A proximidade com grandes centros urbanos como Rio de Janeiro e São Paulo representa uma vantagem competitiva relevante para os produtores da região.

    Crédito a 2% de juros financia melhorias nas lavouras

    Parte significativa desse crescimento está associada ao acesso a financiamento rural com condições diferenciadas. Desde 2020, foram firmados 82 contratos de crédito voltados à fruticultura no estado, totalizando mais de R$ 4,5 milhões em recursos. Cada produtor pode acessar até R$ 100 mil com taxa de juros de 2% ao ano, para investir em insumos, irrigação e modernização das lavouras.

    Estevo Silva da Penha, agricultor de São Francisco de Itabapoana com mais de quatro décadas de experiência na cultura do abacaxi, é um dos beneficiários da linha de crédito há mais de dez anos. Na sua propriedade, as variedades Pérola e Perolera colombiana rendem entre 500 e 600 toneladas por ano.

    “O crédito me permite ter tudo o que é necessário para a produção no momento certo. Isso faz toda a diferença no campo e se reflete diretamente no aumento da produtividade”, afirma o agricultor, cuja tradição na atividade foi herdada do pai.

    Produtores rurais interessados em acessar a linha de crédito para fruticultura podem solicitar informações pelo e-mail [email protected].