Tag: agricultura familiar

  • BNDES oferece R$ 40 milhões para projetos de bioinsumos; inscrições terminam em 31 de agosto

    BNDES oferece R$ 40 milhões para projetos de bioinsumos; inscrições terminam em 31 de agosto

    As inscrições para o segundo ciclo do BNDES Bioinsumos terminam em 31 de agosto. Além disso, o programa oferece R$ 40 milhões em recursos não reembolsáveis. O valor é destinado a cooperativas e associações de agricultura familiar que produzem seus próprios insumos biológicos.

    A iniciativa faz parte do BNDES Bioinsumos, lançado em 2025. Assim, o objetivo é reduzir custos de produção. Além disso, o programa busca diminuir a dependência de insumos externos e apoiar práticas agrícolas mais sustentáveis.

    O que são os bioinsumos

    Bioinsumos são produtos de origem biológica usados no campo. Entre eles estão microrganismos, predadores naturais de pragas e extratos vegetais. Esses produtos ajudam no crescimento e na saúde das plantações.

    Para Tereza Campello, diretora socioambiental do BNDES, esses produtos fortalecem a segurança alimentar. Segundo ela, “seu uso está associado a práticas agrícolas mais sustentáveis e à segurança alimentar”.

    Quem pode participar

    Organizações sem fins lucrativos podem se inscrever, individualmente ou em parceria, pelo Portal do Cliente do BNDES. Porém, os beneficiários finais precisam ser cooperativas ou associações da agricultura familiar. Essas entidades devem atuar juntas na produção, na agregação de valor e na venda de alimentos.

    Cada projeto, além disso, deve somar no mínimo R$ 5 milhões. O passo a passo completo, por sua vez, está disponível no site oficial da chamada.

    Quais projetos podem ser financiados

    Os recursos vão para a implantação ou estruturação de unidades industriais e semi-industriais de bioinsumos. Para isso, os projetos devem usar processos biotecnológicos. As categorias apoiadas incluem:

    • Inoculantes e bioestimulantes a partir de microrganismos
    • Microrganismos para controle de pragas
    • Insetos usados no controle biológico
    • Biofertilizantes

    Cada proposta, ainda, precisa mostrar como o projeto vai beneficiar a agricultura familiar. Ou seja, é preciso apresentar objetivos claros, público atendido, capacidade de produção e estratégia de uso dos bioinsumos.

    Embrapa pode entrar como parceira técnica

    Na segunda-feira (24), Tereza Campello visitou a Embrapa Agrobiologia, em Seropédica (RJ). O local reúne a maior coleção da Embrapa dedicada a bioinsumos. Durante a visita, as equipes avançaram nas conversas para formalizar o apoio técnico da Embrapa ao programa do BNDES.

    Se a parceria avançar, os projetos poderão contar com conhecimento científico da Embrapa já na fase de estruturação.

    Como foi o primeiro ciclo

    O BNDES Bioinsumos tem orçamento total de até R$ 60 milhões. Desse valor, R$ 20 milhões foram para o primeiro ciclo, encerrado em novembro de 2025. Já os outros R$ 40 milhões estão reservados para a chamada atual.

    Na primeira etapa, quatro projetos foram selecionados. Por enquanto, porém, o banco ainda avalia essas propostas antes de concluir a aprovação e a contratação.

    Com o segundo ciclo, portanto, o BNDES quer ampliar o número de organizações apoiadas. Ao mesmo tempo, o banco pretende fortalecer a produção própria de bioinsumos entre agricultores familiares.

  • FAO reúne 70 representantes na América Latina para destravar investimentos no campo

    FAO reúne 70 representantes na América Latina para destravar investimentos no campo

    A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) reuniu, nos dias 18 e 19 de agosto, 70 representantes de governos, mecanismos de integração regional, agências de cooperação internacional, bancos de desenvolvimento, instituições financeiras, setor privado e organizações da agricultura familiar da América Latina e do Caribe. O encontro, realizado em Santiago, no Chile, permitiu identificar condições, instrumentos e parcerias para transformar oportunidades produtivas em investimentos concretos e ampliar o financiamento dos sistemas agroalimentares da região.

    A região desempenha papel estratégico na produção mundial de alimentos, mas enfrenta ao mesmo tempo elevada exposição aos riscos climáticos. Ainda assim, o financiamento destinado aos seus sistemas agroalimentares continua insuficiente e fragmentado diante da magnitude dos desafios e das oportunidades existentes.

    “América Latina e Caribe é uma potência agroalimentar mundial, mas 32 milhões de pessoas ainda sofrem com a fome e cerca de 70% daqueles que produzem alimentos enfrentam barreiras para acessar financiamento formal”, afirmou Rene Orellana Halkyer, subdiretor-geral e representante regional da FAO para a América Latina e o Caribe. “Temos uma oportunidade e uma responsabilidade compartilhada: transformar o potencial agroalimentar da região em investimentos concretos que fortaleçam a segurança alimentar, a resiliência climática e as oportunidades de desenvolvimento rural”, acrescentou.

    O ministro da Agricultura do Chile, Jaime Campos Quiroga, que participou do encerramento do encontro, destacou: “As soluções financeiras, no nosso entendimento, devem considerar as diferentes escalas produtivas, as características específicas dos territórios e as condições particulares enfrentadas diariamente pelos agricultores”.

    Encontro define cinco prioridades para ampliar o financiamento rural

    Ao longo dos dois dias, os participantes identificaram cinco prioridades para fortalecer o financiamento dos sistemas agroalimentares da América Latina e do Caribe.

    A primeira delas propõe superar a lógica dos projetos isolados e construir carteiras territoriais de investimento que articulem produção, cadeias de valor, infraestrutura, conectividade, serviços técnicos, mercados, evidências e instrumentos financeiros adequados às características de cada território.

    O encontro também reforçou a importância de investir nas capacidades humanas e organizacionais do meio rural por meio da educação financeira, da assistência técnica, da gestão empresarial e do associativismo. Os participantes ainda destacaram a necessidade de consolidar ecossistemas de colaboração entre governos, bancos de desenvolvimento, instituições financeiras, cooperativas, empresas, investidores, academia, organismos de cooperação internacional e organizações territoriais.

    Outra prioridade identificada coloca a ação climática no centro das decisões de investimento, transformando compromissos ambientais em carteiras financiáveis voltadas à promoção de práticas produtivas sustentáveis, à restauração de ecossistemas, ao desenvolvimento de infraestrutura resiliente, à melhoria da gestão da água e à ampliação do acesso a seguros agropecuários.

    Por fim, os participantes concordaram que os pequenos e médios agricultores familiares, suas organizações e as comunidades rurais devem ocupar posição central nessa agenda. Para isso, propuseram avançar em soluções financeiras adaptadas às suas necessidades e integradas em ecossistemas financeiros territoriais capazes de combinar financiamento, assistência técnica, informação, gestão de riscos, acesso a mercados e alianças estratégicas.

    FAO administra mais de US$ 1 bilhão em projetos na região

    Durante o encontro, a FAO destacou seu trabalho com os países da região para criar as condições necessárias e conectar as necessidades e oportunidades dos territórios aos recursos financeiros, ao conhecimento, à inovação e aos investimentos.

    “Atualmente, a FAO administra mais de um bilhão de dólares em mais de 400 projetos nos 32 países da região”, afirmou Orellana Halkyer. Essa presença permite à organização atuar a partir dos territórios e, ao mesmo tempo, conectar políticas públicas, capacidades técnicas, evidências e parcerias com instituições financeiras e demais atores do desenvolvimento.

    O encontro também alimentou um debate regional de longo prazo sobre a necessidade de construir ecossistemas financeiros territoriais capazes de responder às diferentes necessidades de produtores, organizações, cooperativas e empresas agroalimentares, transformando oportunidades em investimentos viáveis, sustentáveis e inclusivos.

    Diálogo reuniu governos, bancos de desenvolvimento e investidores

    O evento contou com autoridades governamentais da região, entre elas Jaime Campos Quiroga, ministro da Agricultura do Chile; Vanderley Ziger, secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar do Brasil; Enrique Estuardo Maldonado, subsecretário de Investimento para o Desenvolvimento da Secretaria de Planejamento e Programação da Presidência da Guatemala (Segeplan); e Julián Arias, vice-ministro administrativo do Ministério da Agricultura e Pecuária da Costa Rica.

    Representando a banca pública, os bancos de desenvolvimento e as instituições financeiras regionais, participaram representantes do Crédito Agrícola de Habilitação (CAH) do Paraguai, do Banco do Nordeste do Brasil, do Banco de Desenvolvimento Produtivo da Bolívia, do Banco Centro-Americano de Integração Econômica (BCIE) e do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF).

    O encontro também reuniu representantes do setor financeiro privado e de organizações voltadas a investimentos e inclusão financeira. Entre elas Cresol, Fundação Profin, Aliados de Impacto, BBVA e Vox Capital, além de representantes de organismos internacionais e mecanismos de integração regional, como a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), a Comunidade do Caribe (Caricom), o Banco Mundial, a Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do Mercosul (REAF/Mercosul) e o Escritório da Coordenadora Residente do Sistema das Nações Unidas.

    O diálogo reforçou a necessidade de avançar para uma nova geração de investimentos capazes de combinar produtividade, inclusão, resiliência climática e desenvolvimento territorial, além de fortalecer a articulação entre atores públicos e privados para ampliar as oportunidades de financiamento nos territórios rurais.

  • Crédito rural vira termômetro para vendas na Expointer 2026

    Crédito rural vira termômetro para vendas na Expointer 2026

    A liberação efetiva do crédito rural deve ser um dos principais indicadores para medir o ritmo das vendas de máquinas agrícolas na 49ª Expointer. O evento será realizado de 29 de agosto a 6 de setembro, em Esteio (RS).

    Em um cenário de cautela, produtores e fabricantes acompanham a chegada dos recursos do Plano Safra 2026/2027. Além disso, o setor avalia se as novas medidas de apoio terão efeito sobre as decisões de investimento no segundo semestre.

    A avaliação é da Agritech, fabricante de soluções para a agricultura familiar. Durante a feira, a empresa apresentará os tratores AGT-20 e AGT-25 Cabinado.

    Para a fabricante, entretanto, o anúncio de novas linhas de financiamento não é suficiente. Nesse sentido, a velocidade de liberação dos recursos será fundamental para definir o comportamento do mercado.

    Segundo o gerente de Vendas e Marketing da Agritech, Cesar Roberto Guimarães de Oliveira, as medidas anunciadas pelo governo federal melhoram as perspectivas para o setor. Ainda assim, produtores e indústria mantêm uma postura de cautela.

    “Vivemos um momento de cautela, tanto para os produtores quanto para a indústria. Vamos revisar nossas metas de vendas para este ano, mas vemos com otimismo o lançamento do Plano Safra. Agora, é fundamental acompanhar a velocidade com que o crédito chegará ao agricultor familiar”, afirma.

    Crédito rural pode destravar investimentos

    O cenário ganha importância no Rio Grande do Sul. Afinal, a agricultura familiar tem forte participação na produção agropecuária do Estado.

    Além disso, parte dos produtores enfrenta dificuldades para retomar investimentos após perdas provocadas por eventos climáticos. Por isso, o acesso ao crédito rural pode ter impacto direto na capacidade de recuperação das propriedades.

    Para o ciclo 2026/2027, o governo federal destinou R$ 85,2 bilhões ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O pacote também reúne medidas voltadas aos produtores que registraram perdas de safra.

    Entre as ações está a possibilidade de renegociação de dívidas rurais em até dez anos. A medida também prevê período de carência para agricultores que tiveram perdas decorrentes de eventos climáticos.

    Nessas condições, as operações do Pronaf podem ter juros de até 5% ao ano. Assim, a expectativa é facilitar a reorganização financeira dos produtores e abrir espaço para novos investimentos.

    Outra medida é a prorrogação do prazo de adesão ao Desenrola Rural até 20 de dezembro de 2026. O programa permite regularizar débitos do crédito rural da agricultura familiar com descontos sobre juros e encargos.

    Dessa forma, as medidas podem ajudar a recuperar a capacidade de investimento das propriedades. Ao mesmo tempo, podem estimular a renovação da frota e a mecanização no campo.

    Máquinas agrícolas ganham espaço na feira

    É nesse contexto que a Agritech chega à Expointer 2026. A fabricante apresentará dois modelos destinados a pequenas e médias propriedades.

    Um deles é o AGT-20, trator 4×4 de 17 cavalos de potência. O modelo possui bitola superestreita e foi desenvolvido para trabalhar em lavouras com espaçamento reduzido.

    Além disso, o equipamento conta com transmissão 9×3, sistema hidráulico universal e tomada de potência de 540 e 1.000 rpm. Entre as aplicações estão atividades como pulverização, roçada e acionamento de trincha.

    A empresa também levará o AGT-25 Cabinado. O modelo foi desenvolvido para propriedades de pequeno porte e conta com cabine climatizada.

    Foto: Divulgação

    Nesse caso, o foco está nas condições de trabalho e no conforto do operador. Assim, a fabricante amplia as opções para produtores que buscam mecanizar as atividades sem abrir mão de melhores condições durante a operação.

    Expointer será termômetro do mercado

    Para a Agritech, a participação na Expointer ocorre em um momento estratégico. A feira permitirá acompanhar de perto a reação dos produtores às medidas anunciadas no Plano Safra.

    Além disso, o evento deve ajudar a indústria a avaliar o ritmo das decisões de compra. A expectativa é identificar se o crédito rural terá condições de transformar a cautela atual em novos investimentos.

    “A expectativa é que a efetiva ampliação do acesso ao crédito seja determinante para impulsionar a renovação da frota e a mecanização das pequenas propriedades nos próximos meses”, conclui Oliveira.

    Portanto, a liberação dos recursos será um dos pontos de atenção para o mercado de máquinas agrícolas durante a Expointer. Para fabricantes e produtores, a velocidade do crédito pode definir o ritmo dos investimentos no segundo semestre.

  • Conheça a “superfruta” que virou renda extra para produtores

    Conheça a “superfruta” que virou renda extra para produtores

    Entre março e maio, o Planalto Serrano Catarinense ganha um aroma marcante e inconfundível. Chega a época da colheita da goiaba-serrana (Acca sellowiana), fruta nativa do Sul do Brasil que combina sabor doce-acidulado com alto valor nutricional. Cerca de 20 agricultores familiares cultivam a espécie em aproximadamente 20 hectares na região e colhem, em média, entre 15 e 20 toneladas por hectare. Um volume que garante preços de até R$ 30,00 o quilo no varejo.

    Foto: Aires Mariga/ Epagri

    A cultura comercial da goiaba-serrana nasceu na década de 1980, quando a Epagri lançou um programa de pesquisa e domesticação em parceria com a UFSC, a Udesc e produtores locais. “É uma ótima alternativa para diversificação da renda em pequenas propriedades”, afirma Maêve Silveira Castelo Branco, líder do Programa de Fruticultura da Epagri nas regiões de Lages e São Joaquim.

    Hoje, os produtores recebem em média R$ 15,00 pelo quilo da fruta in natura, que chega ao consumidor final por valores entre R$ 20,00 e R$ 30,00 o quilo.

    Fruta mantém casca verde e ganha espaço na culinária gourmet

    Ao contrário da goiaba comum, a goiaba-serrana conserva a casca verde mesmo quando madura, apenas a polpa gelatinosa e aromática vai ao consumo. Além do consumo in natura, a fruta tem conquistado a culinária brasileira em preparações como:

    • Sucos, geleias e doces
    • Licores e espumantes artesanais
    • Sorvetes e molhos gourmet

    Epagri lança cinco variedades para ampliar a colheita

    Desde os anos 1980, a Epagri desenvolve cultivares que aumentam a produtividade e estendem a janela de colheita da fruta. O programa já lançou cinco variedades: Alcântara, Nonante, Helena, Mattos e Pierri.

    “O escalonamento da colheita permite maior rentabilidade aos produtores”, explica Leonardo Araujo, pesquisador da Epagri e coordenador dos estudos com a espécie.

    Compostos antioxidantes reforçam status de “superfruta”

    Pesquisadores classificam a goiaba-serrana como uma “superfruta” por sua concentração de antioxidantes e compostos fenólicos, vitamina C, complexo B e minerais essenciais. “Ela é altamente nutritiva e tem um aroma único”, destaca Araujo.

    Em 2019, a Epagri consolidou o conhecimento técnico sobre a espécie no livro A Cultura da Goiabeira-Serrana, que reúne orientações para cultivo e manejo e serve de referência para novos produtores interessados na cultura.

  • Governo amplia regras para estoques de alimentos diante do risco do El Niño

    Governo amplia regras para estoques de alimentos diante do risco do El Niño

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira (18) uma nova legislação que amplia os instrumentos do governo para enfrentar os impactos do El Niño no campo e reforçar os estoques públicos de alimentos.

    Entre as principais mudanças está a possibilidade de o governo comprar determinados produtos agrícolas por valores até 25% superiores ao preço mínimo estabelecido para a safra.

    A medida abre caminho para ampliar os estoques administrados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em um período de preocupação com os possíveis efeitos do fenômeno climático sobre a produção e o abastecimento.

    A estratégia do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) prevê a compra de até 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho.

    Caso seja necessário para viabilizar a formação dos estoques, o governo poderá pagar acima do preço mínimo, respeitando o limite estabelecido pela nova legislação.

    O que muda nas compras da Conab

    Até então, a legislação condicionava a aquisição para formação de estoques à situação em que os produtos estivessem negociados abaixo do preço mínimo.

    O mecanismo funcionava principalmente como instrumento de sustentação de preços e renda do produtor. Entretanto, essa condição restringia a atuação da Conab quando os preços estavam acima desse patamar, mesmo diante da necessidade de recompor estoques.

    Com a mudança, o governo ganha maior margem para realizar compras públicas voltadas ao abastecimento.

    Na prática, a alteração permite que a política de estoques seja utilizada não apenas quando há pressão de baixa sobre os preços recebidos pelos produtores, mas também diante da necessidade de garantir disponibilidade de produtos para períodos posteriores.

    El Niño aumenta preocupação com abastecimento

    A mudança ocorre em meio à preparação do governo para os possíveis impactos do El Niño sobre a produção agropecuária brasileira.

    O fenômeno altera os padrões de chuva e temperatura e pode produzir efeitos diferentes entre as regiões produtoras. Por isso, eventuais impactos sobre as safras dependem da intensidade do fenômeno, da época do ano e da localização das lavouras.

    Nesse cenário, a formação de estoques de arroz e milho funciona como instrumento adicional da política de abastecimento.

    Os estoques públicos podem ser utilizados pelo governo para aumentar a disponibilidade de determinados produtos no mercado quando houver necessidade, dentro das regras estabelecidas para cada programa.

    Mais produtos entram no programa para pequenos criadores

    A nova legislação também amplia a cesta de produtos que poderá ser adquirida pela Conab e posteriormente comercializada pelo Programa de Venda em Balcão (ProVB).

    O programa atende principalmente pequenos criadores de animais, facilitando o acesso a produtos destinados à alimentação dos rebanhos.

    Até agora, o ProVB disponibilizava milho. Com as novas regras, a Conab poderá trabalhar também com:

    • sorgo;
    • caroço de algodão;
    • farelo de soja;
    • farelo de milho;
    • outros produtos destinados à alimentação animal.

    A diversificação pode ampliar as alternativas disponíveis aos pecuaristas, especialmente em períodos de pressão sobre a oferta ou os preços dos insumos utilizados na alimentação animal.

    Cooperativas poderão comprar até 80 toneladas por mês

    O limite mensal para os pequenos criadores permanece em até 27 toneladas.

    A legislação também passa a contemplar cooperativas e associações, que poderão adquirir até 80 toneladas por mês, conforme as regras do programa.

    Outra mudança importante é o fim do limite de 200 mil toneladas anuais que existia para o abastecimento do ProVB.

    A partir de agora, o volume destinado ao programa deverá ser estabelecido conjuntamente pelo MDA, Ministério da Agricultura e Pecuária e Ministério da Fazenda, considerando a disponibilidade orçamentária e financeira.

    Esses ministérios também ficarão responsáveis por estabelecer as condições para as vendas destinadas às cooperativas de produção agropecuária e associações da agricultura familiar, em articulação com a Conab.

    Estoques também poderão abastecer programas sociais

    A nova legislação ainda autoriza a venda direta de produtos dos estoques públicos da Conab para atender programas sociais, ações de abastecimento e iniciativas relacionadas à segurança alimentar.

    Entre os beneficiários previstos estão micro e pequenas indústrias de alimentos, micro e pequenas empresas do varejo alimentar, cooperativas e associações.

    A regulamentação dessa modalidade ficará a cargo dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar; do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome; e da Fazenda.

    Já a Conab deverá estabelecer os critérios de adesão e credenciamento dos beneficiários, além da metodologia para definição dos preços.

     

  • Pronaf poderá financiar quadriciclos para uso na agricultura familiar

    Pronaf poderá financiar quadriciclos para uso na agricultura familiar

    Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados prevê a inclusão de veículos utilitários leves, como quadriciclos, entre os itens financiáveis pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

    O Projeto de Lei 2.290/2026 altera a Lei 15.223/2025, que instituiu o Pronaf. A proposta estabelece que o financiamento poderá atender apenas veículos comprovadamente utilizados como instrumentos de trabalho na atividade rural.

    O texto não permite o uso dos equipamentos para finalidades recreativas, esportivas ou alheias à produção agropecuária. Caso o agricultor utilize o veículo fora das condições previstas, o saldo devedor poderá vencer antecipadamente.

    Como os quadriciclos poderão ser usados

    De acordo com a proposta, os veículos deverão apoiar atividades realizadas dentro das propriedades rurais, incluindo:

    • Manejo de animais e lavouras.
    • Manutenção de instalações e áreas produtivas.
    • Logística interna.
    • Transporte de trabalhadores rurais.
    • Deslocamento de ferramentas e insumos.
    • Transporte de pequenas cargas.

    O projeto prevê a inclusão de quadriciclos com cilindrada entre 250 cm³ e 700 cm³. Os modelos também deverão apresentar potência compatível com operações de carga e tração leve.

    A proposta exclui quadriciclos de alto desempenho desenvolvidos para uso esportivo.

    Justificativa do projeto

    O autor do texto, deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), argumenta que os equipamentos convencionais podem elevar o custo de capital dos agricultores familiares.

    Segundo o parlamentar, a inclusão de veículos utilitários leves no Pronaf ajudaria a melhorar a composição do parque de máquinas das pequenas propriedades e ampliar as alternativas disponíveis para as atividades do campo.

    Tramitação na Câmara

    As comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania analisarão o PL 2.290/2026 em caráter conclusivo.

    Como tramita em caráter conclusivo, a proposta poderá seguir diretamente para o Senado caso as comissões a aprovem e ninguém apresente recurso para votação no Plenário.

    Para entrar em vigor, no entanto, o projeto ainda precisará passar pela aprovação da Câmara e do Senado. O deputado Evair Vieira de Melo apresentou a proposta em 11 de maio de 2026.

  • Renegociação de dívidas rurais: consulte bancos e valores

    Renegociação de dívidas rurais: consulte bancos e valores

    O Ministério da Fazenda autorizou instituições financeiras a operar linhas de crédito destinadas à renegociação de dívidas rurais, previstas na Medida Provisória (MP) 1.376/2026.

    A portaria publicada em 13 de agosto detalha as instituições autorizadas e os montantes destinados às operações de crédito para agricultura empresarial e agricultura familiar.

    A medida era aguardada desde a publicação da MP, em julho, para permitir a operacionalização das linhas pelos bancos.

    Quais bancos poderão operar a renegociação?

    Segundo o texto-base da portaria, dez instituições financeiras foram autorizadas a operar as linhas destinadas à agricultura empresarial:

    • Banco DLL
    • Banco do Brasil
    • Banpará
    • Banrisul
    • Banco da Amazônia (Basa)
    • BRB
    • Credicoamo
    • Cresol
    • Sicoob
    • Sicredi

    O Banco do Brasil concentra a maior parcela dos recursos destinados a médios e grandes produtores, com cerca de R$ 12,433 bilhões, segundo os valores informados na portaria.

    Na sequência aparecem Sicoob, com R$ 4,429 bilhões; Banrisul, com R$ 3,960 bilhões; e Sicredi, com R$ 2,5 bilhões.

    Também estão previstos R$ 331,214 milhões para a Cresol; R$ 250 milhões para o Banco DLL; R$ 225,2 milhões para o Basa; R$ 15 milhões para o BRB; R$ 15 milhões para o Banpará; e R$ 6,7 milhões para a Credicoamo.

    Agricultura familiar também terá linhas de crédito

    Para a agricultura familiar, sete instituições financeiras poderão operar os recursos com taxas equalizadas.

    O Sicredi aparece com o maior montante, de mais de R$ 1,191 bilhão, seguido pelo Sicoob, com R$ 362 milhões.

    Os demais valores informados no texto-base são:

    • Banrisul: R$ 72,750 milhões
    • Banco DLL: R$ 20 milhões
    • Cresol: R$ 4,144 milhões
    • Banpará: R$ 1 milhão
    • Credicoamo: R$ 300 mil

    Qual é o prazo para renegociar as dívidas rurais?

    Os financiamentos destinados à renegociação deverão ser contratados até 12 de novembro de 2026.

    O prazo está relacionado à MP 1.376/2026, publicada em 15 de julho. A medida criou linhas especiais de crédito para composição e renegociação de dívidas de produtores afetados por perdas de safra, eventos climáticos adversos e redução dos preços de comercialização.

    O que prevê a MP 1.376/2026?

    A medida provisória prevê condições diferentes de acordo com o perfil do produtor e o nível de perdas registrado.

    Para produtores enquadrados no Pronamp, por exemplo, a MP estabelece operações de até R$ 2 milhões, com juros de 9% ao ano, em uma das situações previstas. Em casos de perdas mais severas, o limite pode chegar a R$ 2,5 milhões, com juros de 8% ao ano e prazo de até dez anos.

    Para agricultores familiares enquadrados no Pronaf, as condições também variam. Uma das modalidades prevê crédito de até R$ 400 mil, com juros de 6% ao ano e prazo de até oito anos. Em situações específicas de perdas mais severas, o limite pode chegar a R$ 500 mil, com juros de 5% ao ano e prazo de até dez anos.

    Já para os demais produtores, a MP prevê operações que podem chegar a R$ 8 milhões, conforme os critérios de enquadramento e perdas.

    Quem poderá acessar as linhas?

    O acesso não é automático para todos os produtores com dívidas rurais.

    A MP estabelece critérios relacionados às perdas de safra, redução da renda agropecuária e causas dos prejuízos. Entre os fatores considerados estão eventos climáticos extremos e redução dos preços de comercialização.

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também destaca que a regulamentação e a disponibilidade de recursos são condições necessárias para a efetiva contratação das operações.

    O que significa a equalização de juros?

    A equalização de taxas de juros é o mecanismo utilizado pelo governo para reduzir o custo financeiro de determinadas operações de crédito rural.

    Na prática, o Tesouro Nacional arca com parte do custo financeiro da operação, permitindo que o produtor tenha acesso a uma taxa inferior àquela que poderia ser praticada em uma operação convencional.

    No caso da MP 1.376/2026, as linhas foram criadas para auxiliar produtores afetados por perdas e dificuldades econômicas relacionadas às atividades rurais.

    Renegociação também envolve CPRs

    A MP 1.376/2026 também estabeleceu regras relacionadas às Cédulas de Produto Rural (CPRs).

    As instituições financeiras poderão adquirir novas CPRs com liquidação financeira para ajudar na amortização de dívidas anteriores, desde que sejam cumpridos os critérios estabelecidos pela medida provisória.

    Entre as exigências está a emissão da CPR até 31 de dezembro de 2025 e a existência de condições específicas relacionadas ao pagamento das cédulas anteriores.

    O que o produtor deve fazer?

    O produtor interessado deve procurar a instituição financeira que opere a linha e verificar se a dívida e as perdas se enquadram nos critérios da MP 1.376/2026.

    Também é importante conferir a documentação exigida pelo banco e as condições específicas da operação antes da contratação.

    Como se trata de uma linha de crédito com regras próprias, o enquadramento deve ser analisado individualmente pela instituição financeira.

  • Senado discute ampliação do acesso a alimentos para animais

    Senado discute ampliação do acesso a alimentos para animais

    O Senado avalia uma proposta que pode ampliar o acesso de pequenos criadores e produtores rurais a alimentos usados na criação de animais. A pauta foi à sanção nesta quarta-feira (12).

    O projeto altera o Programa de Venda em Balcão (ProVB), administrado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e prevê a inclusão de novos produtos entre os itens que podem ser disponibilizados pelo programa.

    Atualmente, o ProVB permite a venda direta de milho em grãos para pequenos criadores que utilizam o produto na alimentação animal.

    Quais produtos podem entrar no programa

    Com a mudança proposta, a lista de produtos poderá ser ampliada para incluir outros itens utilizados na alimentação dos animais.

    Entre eles estão o sorgo, caroço de algodão, farelo de soja e farelo de milho.

    Além disso, a proposta também prevê a possibilidade de aquisição e manutenção de sacarias pela Conab para auxiliar na formação e conservação dos estoques.

    Na prática, a ampliação busca oferecer mais alternativas de abastecimento para produtores de menor porte, especialmente em períodos de maior pressão sobre os preços ou sobre a oferta de alimentos para animais.

    Projeto também prevê mudanças nos estoques

    Outra medida prevista é a possibilidade de a Conab realizar leilões públicos para a compra de produtos e formação de estoques.

    A iniciativa está relacionada à atuação do governo na política de abastecimento e à Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).

    A proposta busca aumentar a capacidade de resposta do poder público diante de períodos de maior oscilação nos preços e na oferta de produtos agrícolas.

    Quem pode ser beneficiado?

    O projeto prevê ampliar o alcance do programa para além dos pequenos criadores atendidos atualmente.

    Cooperativas e associações de agricultores familiares também poderão ser contempladas, desde que atendam aos critérios estabelecidos pela legislação e pela regulamentação.

    A intenção é facilitar o acesso a produtos utilizados na alimentação animal e, consequentemente, contribuir para a manutenção da atividade de pequenos produtores.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão

  • Renegociações de dívidas rurais seguem travadas nos bancos

    Renegociações de dívidas rurais seguem travadas nos bancos

    Um mês após a publicação da Medida Provisória 1.376/2026, que criou regras para a renegociação de até R$ 100 bilhões em dívidas rurais, as operações continuam praticamente paradas nos bancos. Até o início desta semana, apenas uma renegociação havia sido registrada, segundo apuração da reportagem.

    A principal dificuldade está na ausência da portaria do Tesouro Nacional que permitirá o pagamento da equalização de juros nos financiamentos. Sem essa regulamentação, instituições financeiras ainda não conseguem avançar com parte das operações, enquanto produtores rurais enfrentam dificuldades para recuperar limites de crédito e acessar novos recursos do Plano Safra 2026/27.

    A situação ocorre justamente no início do novo ciclo agrícola. Em julho, os desembolsos do Plano Safra despencaram, aumentando a preocupação do setor sobre a disponibilidade de crédito para produtores.

    Portaria do Tesouro é principal entrave

    Bancos e cooperativas de crédito apontam a demora na publicação da portaria de equalização como o principal obstáculo para colocar as renegociações em funcionamento, principalmente nas operações ligadas ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

    A MP 1.376 foi publicada em 15 de julho. Na ocasião, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os produtores já poderiam procurar as instituições financeiras para renegociar suas dívidas.

    Entretanto, apenas na semana passada o governo consultou os agentes financeiros sobre a demanda por recursos. No chamado “leilão” dos limites equalizáveis, foi definido um spread único de 4%, que poderá ser cobrado pelas instituições nas operações.

    Ainda não há, porém, previsão para a divulgação dos saldos destinados a cada instituição nem para a autorização do pagamento da subvenção.

    Inicialmente, o governo estimava que cerca de R$ 20 bilhões em dívidas seriam renegociados com equalização de juros. Para custear a diferença entre os juros cobrados dos produtores e os custos das instituições, o orçamento necessário é de aproximadamente R$ 3,2 bilhões por ano.

    Para os últimos meses de 2026, seriam necessários mais R$ 130 milhões no caixa do Tesouro Nacional para permitir o início das operações. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a falta desses recursos estaria entre as razões para a demora.

    Sistema do Banco Central também atrasou operações

    Mesmo sem a equalização, os bancos já poderiam começar algumas contratações. No entanto, o sistema de registro do Banco Central só ficou disponível na última quinta-feira (6).

    No dia seguinte, o Banrisul registrou a primeira operação de renegociação desde a publicação da medida. O contrato envolveu uma dívida de R$ 142 mil de um produtor do Rio Grande do Sul.

    O caso, porém, ainda é uma exceção diante do volume de operações que o governo pretende viabilizar.

    Além da falta de regulamentação, bancos e cooperativas relatam dificuldades para adaptar seus sistemas às novas regras e aplicar os recursos dos depósitos à vista nas renegociações.

    Dúvidas sobre fontes de recursos aumentam a trava

    Outro problema está na interpretação das regras relacionadas às fontes utilizadas nos financiamentos rurais.

    As instituições financeiras já levaram as reclamações ao governo federal e ao Banco Central. Entre os questionamentos está a utilização dos recursos obrigatórios provenientes da exigibilidade de aplicação de 31,5% dos depósitos à vista.

    Na interpretação do Banco Central, esses recursos só poderiam ser utilizados para renegociar operações de crédito rural que originalmente também tenham sido contratadas com essa mesma fonte.

    Já o Ministério da Fazenda entende que outros financiamentos poderiam ser enquadrados, desde que seja respeitado o saldo máximo que a instituição possuía nessa fonte em 22 de julho de 2026. Essa possibilidade consta em resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) publicada em 23 de julho.

    A divergência aumenta a complexidade dos processos e pode elevar os custos da operação.

    Produtor pode precisar de várias renegociações

    Um dos principais impactos está na composição das dívidas. Em muitos casos, o produtor possui contratos originados de diferentes fontes de recursos.

    Em vez de reunir esses saldos em uma única operação, a instituição financeira pode precisar estruturar processos separados para cada fonte. Isso inclui recursos obrigatórios, linhas com juros equalizados e operações vinculadas à Cédula de Produto Rural (CPR).

    Na avaliação de executivos do setor financeiro ouvidos sob anonimato, essa fragmentação dificulta a renegociação e aumenta o tempo necessário para concluir os contratos.

    A expectativa é que a regulamentação do Tesouro e a definição das regras sobre as fontes de recursos destravem as operações.

    Prazo de 30 dias preocupa produtores

    Outro ponto de atenção é o prazo estabelecido pela própria MP. A medida prevê 30 dias para a prorrogação das parcelas que serão renegociadas.

    Com a demora na implementação das regras, parcelas prorrogadas logo após a publicação da medida podem começar a vencer e deixar de se enquadrar nas condições previstas.

    O problema cria uma corrida contra o tempo para bancos, cooperativas e produtores rurais. Enquanto as instituições aguardam definições do governo e ajustes nos sistemas, agricultores precisam de acesso ao crédito para manter o planejamento da safra.

    Até o momento, o Ministério da Agricultura e o Banco Central não responderam aos questionamentos sobre os entraves. A Fazenda se manifestou sobre o assunto.

    A demora na regulamentação, portanto, mantém uma parcela importante das renegociações em espera e pode dificultar a recuperação do limite de crédito de produtores justamente durante a execução do Plano Safra 2026/27.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão

  • 5 hortaliças ideais para plantar em agosto

    5 hortaliças ideais para plantar em agosto

    Agosto marca uma transição importante para a agricultura em boa parte do Brasil. Com o aumento gradual das temperaturas e da incidência de luz solar, diversas hortaliças encontram condições favoráveis para iniciar o desenvolvimento.

    Para quem deseja renovar a horta, seja em casa ou na propriedade rural, este é um dos períodos mais indicados para o plantio de algumas espécies.

    Confira abaixo quais hortaliças podem ser cultivadas neste mês.

    Abóbora

    Originária do continente americano, a abóbora é sensível ao frio intenso e não tolera geadas.

    Por isso, a Embrapa recomenda o plantio durante este período principalmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Em condições favoráveis, a colheita acontece entre 90 e 120 dias após a semeadura.

    Alface

    A alface é uma das hortaliças mais consumidas pelos brasileiros e pode ser cultivada em todas as regiões do país.

    Entre as variedades mais conhecidas estão a crespa, lisa, americana, romana, mimosa e roxa. Em geral, a colheita ocorre cerca de dois meses após o plantio, tornando a cultura uma excelente opção para hortas domésticas.

    Beterraba

    A beterraba se desenvolve melhor em solos leves, bem drenados e sob temperaturas amenas.

    Nas regiões Sul e Sudeste, o cultivo pode ser realizado durante todo o ano. Já nas demais regiões brasileiras, a Embrapa recomenda a semeadura entre abril e agosto. A colheita costuma ocorrer aproximadamente dois meses depois do plantio.

    Cebolinha

    Muito utilizada como tempero, a cebolinha apresenta boa adaptação a temperaturas amenas e frias.

    O cultivo é simples, exige poucos cuidados e ainda permite rebrotas após a colheita. Em condições adequadas, as folhas podem ser colhidas em cerca de 70 dias, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.

    Nabo

    O nabo pertence à mesma família do repolho, da couve e do rabanete.

    A semeadura deve ser feita diretamente no solo, preferencialmente em áreas de textura argilosa. Segundo a Embrapa, o plantio é indicado durante o outono e o inverno na maior parte do país. Em regiões de maior altitude, onde as temperaturas permanecem entre 15°C e 25°C, o cultivo pode ocorrer durante todo o ano.

    A colheita é rápida e normalmente acontece a partir de 50 dias após a semeadura.

    Como ter melhores resultados na horta?

    Independentemente da espécie escolhida, alguns cuidados ajudam a aumentar a produtividade:

    • Utilize sementes ou mudas de boa procedência.
    • Mantenha o solo fértil e bem drenado.
    • Faça irrigação regular, evitando encharcamentos.
    • Respeite o espaçamento recomendado para cada cultura.
    • Observe as condições climáticas da sua região antes do plantio.

    Com planejamento e os cuidados adequados, agosto pode ser um excelente período para iniciar uma nova produção.