Tag: agricultura familiar

  • Brasil investe na produção de leite e fortalece agricultura familiar

    Brasil investe na produção de leite e fortalece agricultura familiar

    O Governo do Brasil anunciou nesta segunda-feira (27) um pacote de R$ 465 milhões para impulsionar a cadeia produtiva do leite na agricultura familiar. Do total, o Programa de Transferência de Embriões (Pronaf Mais Leite) receberá R$ 450 milhões para ampliar a produtividade e a qualidade genética dos rebanhos.

    Foto: Albino Oliveira – Ascom/MDA

    Durante o evento em Andradina (SP), o governo também confirmou um investimento de R$ 15 milhões para construir a primeira agroindústria de leite em pó do estado. A Cooperativa de Produção, Industrialização e Comercialização Agropecuária dos Assentados e Agricultores Familiares da Região Noroeste de São Paulo (Coapar) instalará a unidade.

    O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou o papel da agroindustrialização no fortalecimento da renda no campo. Segundo ele, a iniciativa agrega valor à produção e amplia a competitividade dos pequenos produtores. “A Coapar mostra como o cooperativismo e o associativismo geram desenvolvimento e oportunidades”, afirmou.

    A nova planta industrial deve processar até 25 mil litros de leite por dia, substituindo a atual produção terceirizada. O contrato para a obra foi assinado entre o Governo Federal, o Banco do Brasil e a cooperativa.

    A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, reforçou a relevância da cadeia leiteira para o país. Ela destacou que o Brasil conta com cerca de 1,17 milhão de propriedades produtoras de leite, sendo aproximadamente 950 mil ligadas à agricultura familiar.

    Representantes da Coapar e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ressaltaram o impacto social da iniciativa, especialmente para pequenos produtores assentados, que encontram no cooperativismo uma forma de ampliar a produção e a renda.

    Reforma agrária e novos investimentos

    Além das ações voltadas ao setor leiteiro, o governo anunciou medidas no âmbito do programa Terra da Gente. Dois decretos de desapropriação foram assinados para criação de novos assentamentos.

    Em Americana (SP), a Fazenda Sítio Boa Vista, com 103,45 hectares, deverá beneficiar cerca de 70 famílias. Já em Santa Quitéria (CE), a Fazenda Caraúbas, com 3.130,91 hectares, tem potencial para atender 48 famílias.

    O governo também liberou mais de R$ 155 milhões para o pagamento de mais de 9 mil créditos em todo o país. Em São Paulo, serão R$ 24,5 milhões destinados a 794 famílias assentadas.

    Desde 2023, o Programa Nacional de Reforma Agrária já incluiu mais de 230 mil famílias.

    Novas ações para a cadeia do leite

    O pacote anunciado inclui ainda outras medidas estratégicas:

    • Destinação de R$ 100 milhões em leite em pó, adquiridos via Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), para abastecer Cozinhas Solidárias.
    • Lançamento de chamada pública de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), no valor de R$ 28,5 milhões, para qualificar a produção leiteira.
    • Criação de uma nova linha de crédito do Pronaf para cooperativas de leite, com orçamento de R$ 150 milhões.
  • Liberado pagamento complementar do Garantia-Safra para 144 mil agricultores

    Liberado pagamento complementar do Garantia-Safra para 144 mil agricultores

    O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) deu continuidade ao pagamento do benefício Garantia-Safra para a safra 2024/2025. O programa visa mitigar perdas da agricultura familiar causadas por eventos climáticos adversos.

    Nesta etapa, o MDA autorizou o pagamento complementar para 144.535 agricultores. Eles residem em 141 municípios de estados que aderiram ao programa. Com essa nova leva, o total de beneficiários ultrapassa 830 mil agricultores em 1.075 municípios. Os recursos autorizados já somam quase R$ 1 bilhão. O programa já atinge cerca de 93% do público elegível na safra atual.

    A Caixa Econômica Federal realizará o pagamento em parcela única, seguindo seu calendário operacional. A Portaria nº 360, de 15 de abril de 2026, publicada pela Secretaria de Agricultura Familiar e Agroecologia (SAF/MDA), formalizou a medida.

    Para o secretário da SAF/MDA, Vanderley Ziger, o programa oferece segurança às famílias agricultoras diante das mudanças climáticas. “O Garantia-Safra é uma política fundamental para dar segurança às famílias agricultoras diante dos impactos cada vez mais frequentes das mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, o Brasil tem condições de ampliar sua produção sem desmatamento, investindo na recuperação de áreas já utilizadas e em tecnologias adaptadas aos diferentes biomas. É assim que fortalecemos a agricultura familiar: com produção, proteção e sustentabilidade”, destaca Ziger.

    Quem pode receber o benefício

    O Garantia-Safra atende agricultores familiares do Nordeste, do norte de Minas Gerais, do Amazonas e de outras áreas sujeitas a perdas recorrentes por eventos climáticos extremos. O programa cobre prejuízos em culturas como feijão, milho, arroz, mandioca e algodão.

    Agricultores familiares que registraram perda mínima de 40% da produção por causa de eventos climáticos adversos podem receber o benefício. O suporte financeiro garante a manutenção das condições mínimas de subsistência e a continuidade das atividades produtivas. A regulamentação vigente estabelece esses critérios.

    A nova regulamentação do programa também aprimora a gestão e a execução. Entre as mudanças, o governo fortaleceu os mecanismos de validação e controle antes de autorizar os pagamentos. A norma também define as competências dos entes envolvidos e moderniza os processos de inscrição, seleção e adesão por meio de sistemas informatizados.

    Como recorrer em caso de bloqueio

    Agricultores que tiveram o pagamento bloqueado preventivamente podem apresentar defesa. Para isso, devem acessar o serviço “Solicitar Requerimento de Defesa após bloqueio do Benefício Garantia-Safra”. O prazo para envio é de até 60 dias, contados a partir de 18 de março de 2026, conforme determina a Portaria MDA nº 03/2023. Os motivos do bloqueio estão disponíveis no Sistema de Gerenciamento do Garantia-Safra.

    A relação completa dos municípios contemplados está no Diário Oficial da União. Para mais informações, os canais institucionais são: [email protected] e o telefone (61) 3218-3319.

  • Aplicativo Monitora Caju ajuda produtores a reduzir perdas no campo

    Aplicativo Monitora Caju ajuda produtores a reduzir perdas no campo

    A Embrapa Agroindústria Tropical (CE) desenvolveu o Monitora Caju, um aplicativo estratégico para produtores e técnicos da extensão rural. A ferramenta facilita o monitoramento e o diagnóstico do oídio, principal doença da cultura, além de pragas como a traça-da-castanha e a broca-das-pontas. Ao orientar o manejo conforme a incidência detectada, o software ajuda a prevenir infestações, reduzir perdas e diminuir os custos de produção.

    aplicativo Monitora Caju. Foto: Francisco Williams

    Tecnologia acessível e offline Disponível para sistemas Android, iOS e computadores, o Monitora Caju apresenta um diferencial crucial para o campo: funciona sem conexão com a internet. A plataforma organiza informações em categorias como pragas, doenças, sintomas e monitoramento, guiando o usuário na vistoria do pomar.

    Para facilitar o diagnóstico, o produtor pode comparar o que observa em campo com um banco de imagens de plantas sadias e doentes. Segundo o pesquisador Marlon Valentim, coordenador do projeto, a inovação oferece respostas rápidas e seguras em linguagem simples, o que é fundamental para a agricultura familiar no Nordeste, especialmente em áreas com baixa conectividade.

    Combate às principais pragas e doenças

    O cajueiro, embora rústico, sofre com cerca de 1.200 espécies de insetos-praga no Brasil. O aplicativo foca nas ameaças mais críticas do período de frutificação:

    • Traça-da-castanha: esta praga silenciosa pode danificar até 80% das amêndoas em regiões sem monitoramento.
    Castanhas furadas pela traça (traça da castanha). Foto: Antonio Lindemberg
    • Broca-das-pontas: a lagarta consome ramos florais e pode afetar até 30% das ramificações, impedindo a formação de frutos.
    Broca-das-pontas/Murcha do ramo. Foto: Antonio Lindemberg
    • Oídio: esta infecção fúngica é a doença mais agressiva da cajucultura, provocando a morte das flores e a “queima” das inflorescências.
    Fruto do cajueiro com sintoma do oídio. Foto: Marlon Valentim

    Eficiência e economia no manejo

    O software utiliza uma metodologia de Manejo Integrado de Pragas (MIP) que indica o momento exato para a tomada de decisão. Ao calcular o índice de incidência com base em comandos autoexplicativos, o aplicativo recomenda as medidas de controle necessárias.

    O entomologista Antonio Lindemberg ressalta que o monitoramento contínuo reduz o uso de defensivos químicos, gerando economia para o agricultor e benefícios ao meio ambiente. “Quando o controle ocorre no início do ataque, o custo é menor e os riscos de perda reduzem”, explica o pesquisador.

    Impacto na cajucultura brasileira

    A cajucultura é a base econômica de milhares de famílias no Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, estados que concentram 95% da produção nacional. O Monitora Caju também gera mapas de ocorrência que permitem rastrear infestações geograficamente.

    Para Marcelo Colaço, supervisor do Senar/CE, a tecnologia é inovadora e possui grande potencial para transformar a agricultura familiar. A agilidade no diagnóstico e a adoção imediata de medidas de controle tornam a atividade mais segura e rentável para os mais de 140 mil estabelecimentos que cultivam o cajueiro no País.

  • Crédito rural dá sinal de alívio, mas Banco do Brasil alerta para risco à frente

    Crédito rural dá sinal de alívio, mas Banco do Brasil alerta para risco à frente

    O Banco do Brasil, maior financiador do agronegócio nacional, enxergou nos primeiros 15 dias de abril alguma melhora na adimplência das operações de custeio. O banco, porém, mantém a cautela. O setor acumula uma escalada de recuperações judiciais e agora ainda precisa lidar com os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os custos da próxima safra.

    Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (23) por executivos do BB durante o BB Day. O fluxo de vencimentos do agro soma R$ 155,6 bilhões em 2026, com 59,4% concentrados no período de abril a setembro. Do total, R$ 87,8 bilhões correspondem a crédito de custeio.

    A carteira muda, mas o passado ainda pesa

    O vice-presidente de agronegócios e agricultura familiar, Gilson Bittencourt, explicou que mais de 80% do que o banco recebe em custeio neste mês ainda vem de operações contratadas entre abril e junho do ano passado. Ou seja, boa parte do que vence agora carrega a marca das condições antigas de concessão de crédito.

    No entanto, a fatia da carteira originada com alienação fiduciária e reforço de garantias já mostra um desempenho visivelmente melhor em adimplência. Essa parcela ainda representa cerca de 20% do recebimento de custeio, mas o banco vê nela um sinal encorajador.

    Recuperação em U ou em W? O BB não sabe ainda

    A maior incógnita no horizonte está na trajetória de recuperação das renegociações de crédito. O vice-presidente de gestão financeira, Geovanne Tobias, admitiu que o banco ainda não tem resposta sobre como essa curva vai se desenhar.

    “Ainda estamos observando o comportamento de como as renegociações dentro do agro vão performar, a nova safra que vai ser colhida, se essa recuperação tende a ser uma recuperação em U ou em W. Ainda não sabemos, eu suspeito que talvez seja mais uma recuperação em W”, afirmou.

    Uma recuperação em W significa que o setor pode sofrer uma nova piora depois de uma melhora inicial. Para o produtor rural, isso se traduz em mais incerteza no acesso a crédito futuro e condições possivelmente mais rigorosas na hora de contratar financiamento.

    No âmbito da MP 1314, que autoriza renegociações de dívidas, o fluxo de vencimentos soma R$ 36,5 bilhões. Desse total, 91,8% têm garantia de imóvel e mais de 72% estão vinculados a alienação fiduciária. Já na carteira prorrogada, os vencimentos chegam a R$ 64,5 bilhões.

    Recuperações judiciais caem, mas produtores buscam saída

    O volume de novos processos de recuperação judicial recuou de forma consistente nos últimos trimestres. No primeiro trimestre de 2026, os pedidos somaram R$ 1,34 bilhão. No terceiro trimestre do ano passado, esse número chegou a R$ 1,84 bilhão, ou seja, uma redução considerável. O número de novos registros também caiu: foram 162 no primeiro trimestre de 2026, ante 209 no terceiro trimestre de 2025.

    O vice-presidente de gestão de risco, Felipe Prince, chamou a atenção para um dado que revela a pressão que os produtores endividados estão sentindo. Alguns deles chegam ao banco querendo encerrar o processo de recuperação judicial porque estão sem acesso a crédito para a nova safra.

    “Eles estão no momento de fazer os investimentos para a nova safra e não encontram crédito. E aí têm nos procurado para que possamos apoiar nesse processo de saída das recuperações judiciais”, relatou Prince.

    Prince também ressaltou que a carteira da safra 2025/26 apresenta um perfil de vencimentos mais equilibrado e com saldo menor, resultado de uma política mais criteriosa na concessão de crédito. “E aí passamos a entregar safras (de crédito) melhores”, reforçou.

    Guerra no Irã e o risco para a safra 26/27

    Um fator externo ganhou espaço na discussão: a guerra no Oriente Médio. Por ora, o impacto sobre os custos dos produtores da safra atual é limitado. Prince explicou que os insumos já estavam nas fazendas quando o conflito eclodiu e a produção da safra 2025/26 está em fase de encerramento. No entanto, a próxima safra é outra história.

    “Agora, sim, pode trazer um efeito para a próxima safra”, afirmou Prince. O BB acompanha os desenvolvimentos do conflito para ajustar os modelos de concessão de crédito da safra 2026/27, prevendo uma possível elevação de custos conforme o conflito se prolongue ou não.

    Bittencourt, por sua vez, fez questão de colocar ponderação na análise. Segundo ele, qualquer afirmação sobre margens apertadas ou dificuldades dos produtores neste momento é, nas palavras dele, “estudo de futurologia”. A maior parte dos insumos para a próxima safra será comprada a partir de junho e julho. “Pode ser sim, se chegarmos em junho e a guerra ainda estiver em andamento, o bloqueio do Estreito de Ormuz ainda estiver com limitações de transporte, pode sim (ter um impacto) e estamos nos preparando para isso”, concluiu.

  • Horta de Zeca Pagodinho pode produzir 40 toneladas e mudar cenário carioca

    Horta de Zeca Pagodinho pode produzir 40 toneladas e mudar cenário carioca

    Em 2025, uma área de 8 mil metros quadrados que servia de pasto em Xerém, distrito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ganhou um destino completamente diferente. O cantor Zeca Pagodinho cedeu o terreno para a criação da Horta Urbana Xerém I, primeira horta urbana comunitária do distrito, e o resultado chegou rápido: em apenas três meses de operação, o projeto já havia distribuído mais de uma tonelada de alimentos para a comunidade local.

    https://www.instagram.com/p/DXRjVFeFT0f/?img_index=1

    A iniciativa partiu do filho do sambista, Louiz Carlos da Silva, e encontrou terreno fértil, tanto literalmente quanto na vontade do cantor de transformar o seu entorno. “A vida tem que ser assim, ninguém pode viver sozinho. Tem que ser tudo dividido. É a vida, dividir o que eu ganhei”, afirma o cantor.

    O que está plantado ali e o que pode crescer

    O espaço já reúne mais de 11 mil mudas de hortaliças, entre abóbora, acelga, alface, beterraba, brócolis, rúcula, quiabo e salsa, além de mais de 50 espécies de árvores frutíferas como acerola, jabuticaba, carambola, manga e laranja Bahia. A variedade não é por acaso: o cultivo diversificado garante produção constante ao longo do ano e uma dieta mais equilibrada para as famílias atendidas.

    Quando estiver em plena produção, a estimativa é que a horta gere até 40 toneladas de alimentos por ano. Parte será distribuída gratuitamente para famílias cadastradas, creches e escolas públicas. Outra parte entra no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Prefeitura de Duque de Caxias, o que garante renda para quem trabalha na terra.

    Zeca Pagodinho na Horta Xerém I, de onde hortaliças, frutas e legumes serão colhidos para alimentar comunidade
    (Foto: Reprodução/Ana Branco)

    Embrapa e UFRRJ no meio do samba

    O projeto não funciona sozinho. O Instituto Zeca Pagodinho atua em parceria com a Embrapa Agrobiologia e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, que fornecem suporte técnico e capacitação. O nome dado à unidade é “Quintal Produtivo”, e ele integra a Política Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana, com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.

    “Em três meses de projeto, já distribuímos mais de uma tonelada de alimentos, atendendo às cozinhas solidárias da Baixada”, explicou Louiz Carlos. Além da produção, o Instituto organiza cursos de agricultura agroecológica para que moradores da região aprendam a transformar seus próprios quintais em espaços produtivos. O conhecimento circula entre os vizinhos e o alcance da iniciativa cresce junto.

    Um problema real com resposta concreta

    O contexto que cerca esse projeto não é pequeno. Dados do IBGE indicam que, em 2023, cerca de 1,2 milhão de pessoas no Rio de Janeiro viviam em situação de insegurança alimentar. No Brasil, 9% dos domicílios ainda enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave, mesmo após o país sair do Mapa da Fome da ONU.

    “Quando chegamos a Xerém, era tudo barro, poucas famílias, e muita gente passando necessidade. Para todo mundo que entra no sítio, eu pergunto: ‘Já almoçou?’ Pobre, rico, polícia, otário, malandro… todo mundo come”, contou Zeca ao jornal O Globo. A horta, nesse sentido, não é só um projeto agrícola. É a formalização de uma prática que o sambista já carregava como modo de vida.

    O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, que visitou o Instituto em julho de 2024 para firmar o acordo que viabilizou a iniciativa, resumiu bem o que está em jogo: “Alimentar é um verbo que o Brasil está precisando utilizar, e a gente conjuga a partir daqui, com o Instituto Zeca Pagodinho.”

  • Técnica criada por produtores está mudando o cultivo de maracujá no Brasil

    Técnica criada por produtores está mudando o cultivo de maracujá no Brasil

    Quem planta maracujá conhece bem a equação cruel da fruticultura: você investe meses de trabalho, e o mercado decide quanto vai pagar. Em 2026, essa conta ficou ainda mais difícil. O preço despencou, o clima atrapalhou a formação dos frutos e, mesmo assim, há produtores que encontraram saída por conta própria, literalmente na ponta do broto.

    Quando o preço cai pela metade, é hora de adaptar

    Em Gália, no centro-oeste paulista, José Roberto Martineli cuida de três hectares com 2,5 mil pés de maracujá. A caixa de aproximadamente 20 quilos, que chegou a R$ 100 no final do ano passado, agora sai por R$ 40. Uma queda de 60% que não veio sozinha.

    As temperaturas mais baixas registradas em 2025 comprometeram a formação da fruta, reduzindo qualidade e volume. Para muitos produtores, esse tipo de combinação seria razão suficiente para repensar a cultura. Para Martineli, foi razão suficiente para aperfeiçoar o que já fazia.

    O método que o produtor desenvolveu ao longo dos anos foca em aumentar a florada e concentrar a produção em dezembro, quando o mercado paga melhor. A lógica está no número de brotos conduzidos na parreira: mais brotos geram mais guias, mais guias resultam em mais frutos no período certo. A meta é chegar a duas mil caixas até o fim do ano.

    A técnica não está em nenhum manual acadêmico. Ela nasceu da observação, do erro e do acerto dentro da própria lavoura, o que define boa parte do conhecimento aplicado na agricultura familiar brasileira.

    A 40 quilômetros dali, outra família e o mesmo compromisso

    Em Alvinlândia, município vizinho, a família de Viviane Pinheiro da Cruz Pereira trabalha um hectare com 830 pés de maracujá. Por lá, a polinização manual é o detalhe que faz toda a diferença, processo que exige presença constante e atenção ao ciclo das flores.

    A projeção para 2026 é ambiciosa: a família espera colher três caixas por pé, o que representa uma estimativa de cerca de 35 mil quilos. Para uma propriedade de um hectare conduzida em família, esse volume só se sustenta com rotina rigorosa e presença diária no campo, incluindo sábados e domingos.

    O que esses produtores nos ensinam?

    A história de Martineli e da família Pereira funciona como exemplo de como a agricultura familiar responde a pressões que fogem do seu controle. Quando o preço cai e o clima falha, o que resta ao produtor é dominar aquilo que está ao seu alcance: o manejo, o tempo de poda, a condução da planta, a polinização feita à mão.

    Nenhuma dessas escolhas resolve o problema estrutural da oscilação de preços. Mas elas fazem a diferença entre fechar a safra no vermelho ou chegar a dezembro com produção suficiente para aproveitar o melhor momento do mercado.

  • Evento da Embrapa quer aproximar consumidor do campo

    Evento da Embrapa quer aproximar consumidor do campo

    Entre os dias 23 e 25 de abril de 2026, a Embrapa realiza, em Brasília, a Feira Brasil na Mesa, um evento que busca aproximar o campo do consumidor.

    A programação acontece das 9h às 18h, na Embrapa Cerrados, em Planaltina, no Distrito Federal. Além disso, a iniciativa conta com parceria institucional da Apex e do Sebrae, além da participação de ministérios e outros órgãos públicos.

    A proposta é direta. Mostrar, na prática, a diversidade dos alimentos brasileiros e o papel da ciência nesse processo. Durante os três dias, o público poderá conhecer alimentos de diferentes regiões do país, muitos deles desenvolvidos ou aprimorados com apoio da pesquisa agropecuária. A feira também apresentará soluções que já impactam a produção, como novas variedades, sistemas sustentáveis e tecnologias voltadas à qualidade dos alimentos.

    Além disso, a programação inclui degustações, Cozinha Show, feira de produtores, apresentação de pesquisas, políticas públicas, rodada de negócios e praça de alimentação. Os visitantes ainda poderão explorar vitrines de tecnologia e percorrer uma trilha pelo Cerrado.

    Na mesma agenda, será realizado um seminário de socioeconomia, com painéis e palestras voltados a especialistas, pesquisadores, produtores e gestores públicos.

    Atrações, sabores e públicos diversos no centro da experiência

    A feira foi desenhada para dialogar com diferentes públicos. Agricultores terão acesso a tecnologias, alternativas de agregação de valor, iniciativas de empreendedorismo e políticas públicas. Ao mesmo tempo, o público urbano será convidado a descobrir alimentos pouco conhecidos, ampliar o consumo local e entender melhor a ciência por trás da produção.

    Além disso, a programação inclui chefs de cozinha, parlamentares, cientistas e representantes internacionais, o que amplia o alcance das discussões.

    As frutas brasileiras aparecem como protagonistas. Espécies como butiá, açaí, bacuri, mangaba, pequi, babaçu, sapoti, umbu, araçá, pitaya e mirtilo estarão em exposição, e parte delas poderá ser degustada.

    Foto: Reprodução/Embrapa

    A experiência também passa pelo paladar. O visitante poderá fazer uma viagem gastronômica pelas regiões do país. Do Sul, surgem combinações como creme com suco de butiá, pera, amora e torresmo. Do Nordeste, aparecem hambúrguer de fibra de caju, cuscuz de milho crioulo, carnes de cordeiro e fermentado de umbu.

    Além disso, o Norte traz jujubas de cupuaçu, café robusta e energético de guaraná. O Centro-Oeste marca presença com o tomate, enquanto o Sudeste apresenta queijos artesanais.

    Assim, a feira transforma diversidade em experiência prática, conectando produção, cultura e consumo.

    Agricultura familiar, inovação e o futuro do agro

    A agricultura familiar terá espaço relevante na programação. Produtores vão apresentar seus produtos e compartilhar experiências diretamente com o público, o que reforça seu papel na segurança alimentar do país.

    Ao mesmo tempo, o evento abre espaço para novas conexões e oportunidades de mercado. No entanto, desafios como acesso à tecnologia, crédito e comercialização ainda fazem parte da realidade desses produtores.

    A feira também funciona como um ponto de encontro entre pesquisa, produção e mercado. A presença de instituições públicas e parceiros estratégicos indica uma tentativa de fortalecer essa conexão e acelerar a adoção de inovação no campo.

    O evento reforça tendências que já impactam o agro, principalmente ligadas ao comportamento do consumidor.

    Embrapa traz para Brasília a diversidade dos alimentos brasileiros.

    Momento simbólico!

    No dia 25 de abril, a programação comemora um grande marco com a celebração dos 53 anos da Embrapa. A cerimônia marca a trajetória da instituição e reforça seu papel no desenvolvimento da agricultura brasileira.

    Assim, a Feira Brasil na Mesa se posiciona como mais do que um evento. Ela funciona como um retrato do agro atual e um indicativo claro do que vem pela frente.

  • Gengibre ganha força no Brasil com nova política

    Gengibre ganha força no Brasil com nova política

    A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou o projeto que cria a Política Nacional de Incentivo à Produção de Gengibre de Qualidade. A proposta busca estruturar e fortalecer essa cadeia produtiva no Brasil, que ainda tem espaço relevante para crescimento. O texto agora segue para o Senado, etapa decisiva para que a medida se torne lei.

    Foco em qualidade e eficiência produtiva

    O projeto estabelece diretrizes claras para elevar o padrão do gengibre brasileiro. Entre os principais objetivos está melhorar a qualidade do produto ofertado ao mercado e aperfeiçoar os sistemas produtivos. Com isso, o setor pode ganhar competitividade, principalmente em mercados mais exigentes, tanto no Brasil quanto no exterior.

    Apoio direto ao produtor rural

    A proposta prevê instrumentos importantes para o desenvolvimento da atividade. Entre eles estão o acesso facilitado ao crédito rural, assistência técnica especializada e seguro agrícola. Essas medidas devem beneficiar principalmente pequenos produtores, cooperativas e agricultores familiares, que concentram boa parte da produção no país.

    Tecnologia e sustentabilidade como estratégias centrais

    O texto também incentiva a adoção de tecnologias em todas as etapas da cadeia, desde o plantio até o processamento. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de práticas sustentáveis, o que pode aumentar a eficiência produtiva e reduzir impactos ambientais. Essa combinação tende a elevar o nível técnico da produção nacional.

    Potencial de mercado e agregação de valor

    O gengibre apresenta demanda crescente, impulsionada pelo consumo interno e pelas exportações. No entanto, a falta de padronização ainda limita o acesso a mercados mais rentáveis. Com a nova política, produtores podem conquistar melhores preços e ampliar a participação no mercado.

    Além disso, o incentivo ao processamento abre espaço para produtos com maior valor agregado.

    Próximos passos e impacto no agronegócio

    O projeto ainda precisa da aprovação do Senado para entrar em vigor. Caso avance, a medida pode representar um marco para a diversificação do agronegócio brasileiro. A iniciativa fortalece uma cultura com potencial econômico e contribui para gerar renda, especialmente em regiões onde a produção já ocorre em pequena escala.

  • Cacau e chocolate podem entrar na merenda escolar por novo projeto de lei

    Cacau e chocolate podem entrar na merenda escolar por novo projeto de lei

    A Câmara dos Deputados analisa um projeto de lei que inclui o cacau e seus derivados, como o chocolate, na merenda escolar. O Projeto de Lei 69/26 acrescenta esse estímulo às diretrizes da Política Nacional de Incentivo à Produção de Cacau de Qualidade.

    A proposta modifica a Lei 13.710/18, que já incentiva o uso do chocolate na alimentação dos estudantes. Com a mudança, o texto passa a abranger também o fruto e outros derivados.

    Deputado Zé Neto (PT-BA). Foto: Bruno Spada / Agência Câmara de Notícias

    O deputado Zé Neto (PT-BA), autor do projeto, afirma que a medida fortalece a cadeia econômica do cacau, especialmente a agricultura familiar. Ele também destaca os benefícios do consumo moderado do alimento.

    “A medida poderá gerar benefícios tanto para os produtores locais que se empenham diariamente nessa atividade quanto para os jovens brasileiros em idade escolar”, declarou Zé Neto.

    Próximos passos do projeto

    O texto seguirá para análise em caráter conclusivo de duas comissões da Câmara: a de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; e a de Constituição e Justiça e de Cidadania.

    Para se tornar lei, o projeto precisará da aprovação da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

  • Açaí ganha crédito e venda garantida no Pará

    Açaí ganha crédito e venda garantida no Pará

    Produtores de açaí no Pará passaram a contar com um novo modelo de apoio que promete mudar a dinâmica da produção no campo.

    O Projeto de Integração da Cadeia do Açaí foi lançado na última semana, em Belém, com foco na organização produtiva, capacitação e aumento da renda no campo. A iniciativa busca, ao mesmo tempo, fortalecer a atividade e estimular o desenvolvimento sustentável na região.

    O programa de fomento, idealizado pela Polpanorte, prevê a integração dos diferentes elos da cadeia, do campo à indústria. Além disso, reúne apoio de instituições como Banco do Brasil, SENAR, FAEPA e Embrapa.

    Com isso, produtores passam a contar com acesso a crédito, assistência técnica e garantia de compra da produção, o que cria um ambiente mais previsível para quem atua na base da cadeia.

    Crédito e orientação no campo

    Um dos principais avanços está no acesso facilitado a financiamento. Dessa forma, produtores conseguem investir no plantio, melhorar a estrutura da propriedade e ampliar a produção.

    Além disso, o acompanhamento técnico ajuda a corrigir falhas no manejo e aumentar a produtividade. Ao mesmo tempo, esse suporte contínuo permite decisões mais seguras ao longo do ciclo produtivo.

    Garantia de venda reduz riscos

    Outro ponto central é a garantia de compra da produção. Na prática, o produtor passa a ter mais segurança e, assim, reduz a exposição às oscilações de preço.

    Além disso, evita dificuldades na comercialização, o que torna a atividade mais estável. Dessa maneira, a previsibilidade aumenta e impacta diretamente a renda no campo.

    Cadeia produtiva mais organizada

    Além de apoiar o produtor individual, o modelo também busca organizar toda a cadeia do açaí. Ou seja, conecta desde o plantio até o escoamento da produção.

    Com isso, cria uma relação mais estruturada entre campo e mercado. Ao mesmo tempo, a integração entre os diferentes elos tende a melhorar a qualidade do produto e ampliar a competitividade.

    Açaí ganha força no agro

    Nos últimos anos, a demanda pelo fruto cresceu dentro e fora do país. Por isso, o açaí se consolidou como um dos produtos mais relevantes do agro na região Norte.

    Diante desse cenário, iniciativas que aumentam a segurança e incentivam a produção ganham ainda mais importância para o setor.

    Expansão deve alcançar mais regiões

    A expectativa é que o modelo avance para outros municípios nos próximos meses. Para isso, a atuação acontece diretamente no campo, com orientação e acompanhamento próximo.

    Assim, o objetivo é garantir resultados no curto, médio e longo prazo, fortalecendo a atividade e ampliando oportunidades para produtores.