Tag: agricultura familiar

  • O dia em que o sertão passou a financiar a si mesmo

    O dia em que o sertão passou a financiar a si mesmo

    Em uma época em que pequenos produtores rurais do semiárido baiano sequer conseguiam entrar em um banco para pedir financiamento, um grupo de agricultores decidiu criar o próprio caminho para sobreviver da terra. A solução encontrada no sertão da Bahia nasceu da união comunitária, da confiança entre vizinhos e de pequenas economias guardadas de forma coletiva. Mais de quatro décadas depois, aquela iniciativa se transformou em uma das maiores referências brasileiras em cooperativismo, agricultura familiar e industrialização do sisal.

    A história da Apaeb (Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira), em Valente, no interior da Bahia, atravessa gerações e ajuda a explicar como o cooperativismo alterou a dinâmica econômica de dezenas de cidades do semiárido.

    Tudo começou em julho de 1980, quando agricultores e lideranças locais passaram a discutir alternativas para fortalecer a cadeia do sisal, principal atividade econômica da região sisaleira baiana, formada por quase 40 municípios. Naquele período, o produtor rural plantava, colhia e desfibrava o sisal, mas o lucro maior ficava nas mãos de atravessadores e exportadores.

    Ismael Ferreira de Oliveira – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    “A ideia era comprar o sisal, beneficiar e exportar agregando valor, melhorando a receita de quem produz”, relembrou Ismael Ferreira de Oliveira, assessor e um dos fundadores da Apaeb.

    Primeira batedeira comunitária

    O projeto parecia ousado demais para a realidade local. Ainda assim, em 1983, a associação implantou uma batedeira comunitária para beneficiar a fibra. O problema seguinte era ainda maior: faltava dinheiro para comprar o sisal dos agricultores e colocar o produto no mercado.

    “Naquela época a gente não conseguia nem entrar em um banco, imagina falar com gerente ou conseguir financiamento”, afirmou Ismael.

    Sem acesso ao sistema financeiro tradicional, a saída encontrada foi criar um modelo comunitário de captação de recursos. No fim dos anos 1980, nasceu a chamada Poupança Apaeb, iniciativa que estimulava moradores da região a depositarem qualquer quantia disponível, mesmo em um período marcado pela hiperinflação no Brasil.

    “O que sobrava de dinheiro, de um real a cem reais, era depositado na Apaeb”, disse.

    Dinheiro guardado pela comunidade financiou exportações

    Enquanto os bancos ignoravam pequenos agricultores e trabalhadores rurais, a população da região começou a financiar o próprio desenvolvimento. Alguns desconfiaram da proposta. Outros acreditaram.

    Anos depois, a associação havia acumulado cerca de US$ 150 mil com o sistema de poupança comunitária. Foi esse recurso que permitiu à Apaeb iniciar a exportação do sisal diretamente para o mercado internacional.

    O movimento transformou não apenas a economia local, mas também a relação dos produtores com o próprio trabalho. Pela primeira vez, agricultores familiares passaram a participar de uma estrutura organizada de comercialização.

    “Os produtores tinham o sisal no campo e não tinham para onde comercializar”, explicou o diretor-presidente da Apaeb, Jario Ferreira de Santana. “Com a batedeira comunitária eles colocavam o sisal, mas quem exportava era outra pessoa.”

    Homens trabalham no desfibramento das folha de sisal – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    O avanço da experiência comunitária, porém, também trouxe problemas. Em 1993, bancos denunciaram a Apaeb por captação considerada irregular. A crise acabou provocando uma virada decisiva na história da entidade.

    Após conhecer experiências cooperativistas no Sul do País, Ismael voltou ao sertão baiano decidido a estruturar uma cooperativa de crédito. Em março daquele ano nasceu a Coopere (Cooperativa Valentense de Crédito Rural LTDA), responsável por legalizar a captação financeira e ampliar o acesso ao crédito para os produtores.

    “Todo recurso passou a ser captado pela Coopere de forma legal. A cooperativa passou a emprestar dinheiro para a Apaeb”, destacou.

    A experiência evoluiu ao longo dos anos e deu origem ao Sicoob Coopere, hoje consolidado na região como uma das principais ferramentas de financiamento para pequenos produtores rurais.

    Da fibra bruta aos tapetes exportados para o mundo

    O cooperativismo permitiu mais do que acesso ao crédito. Ele abriu espaço para a industrialização da produção sisaleira dentro do próprio semiárido.

    Em 1996, a Apaeb inaugurou a fábrica de carpetes e tapetes de sisal. A mudança alterou completamente o posicionamento da associação no mercado.

    “Foi quando surgiu a ideia de construir a fábrica para manipular os produtos e ter capacidade de exportação”, afirmou Jario.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Atualmente, a entidade exporta para cerca de 25 países, especialmente Estados Unidos e China. Parte da produção também abastece o mercado brasileiro, com produtos industrializados como fios, cordas, tapetes e telas.

    Entre 65% e 70% da produção segue para o exterior. Já no Brasil, a comercialização se concentra em produtos beneficiados e de maior valor agregado.

    A estrutura construída ao longo de décadas também movimenta milhares de empregos no sertão baiano. Hoje, a Apaeb mantém quase 400 funcionários diretos. Quando considerada toda a cadeia produtiva, o impacto chega a mais de 2 mil famílias.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    “Cada emprego que a gente gera na fábrica exige até oito pessoas trabalhando no campo”, explicou o presidente da associação.

    A Apaeb compra semanalmente entre 700 e 800 toneladas de sisal. Em 2025, a média de faturamento ficou em torno de R$ 70 milhões.

    “O cooperativismo veio para perto do pequeno produtor”

    Na cidade de Retirolândia, também na região sisaleira, o produtor rural Gabriel Cassiano Reis, mais conhecido como Cassiano, representa a continuidade dessa história iniciada décadas atrás.

    Filho de agricultores, ele cresceu trabalhando na roça, produzindo sisal e convivendo diretamente com as dificuldades do semiárido.

    “Eu nasci na fazenda, em uma pequena propriedade rural, ao lado de meu pai e aprendi com a lida”, contou.

    Além da produção de sisal, Gabriel cria caprinos e ovinos. Também atua na logística da cadeia produtiva, reunindo a fibra produzida por parentes e vizinhos para transportar até a indústria.

    Cassiano e família em sua propriedade – Foto: Robson Cesco/ Sistema OCB

    “O sisal foi o pontapé inicial de tudo. Cerca de 70% do que gira aqui é através do sisal, principalmente dos pequenos produtores”, afirmou.

    Segundo ele, a chegada da cooperativa alterou completamente a relação dos agricultores com o crédito rural.

    “Antes era preciso ir até Feira de Santana para conseguir crédito. Com a cooperativa fundada pelos pequenos produtores, foi surgindo acesso, incentivo e facilidade”, destacou.

    Cassiano afirma que o modelo cooperativista fortaleceu a permanência das famílias no campo e aproximou os serviços financeiros da realidade rural.

    “A visita do técnico, do gerente e a participação nas decisões fizeram diferença para a gente”, disse.

    Resistência do sisal ajuda a enfrentar seca e calor

    Em meio às mudanças climáticas e ao aumento das temperaturas no semiárido, produtores também passaram a adaptar o cultivo do agave, conhecido como “ouro verde do Nordeste”.

    O produtor conta que decidiu manter mais árvores dentro da propriedade para reduzir os impactos da estiagem.

    “Hoje tenho cerca de 10% de árvores dentro do campo de sisal. Mesmo diminuindo um pouco a produção, os pés próximos das árvores resistem mais ao calor”, explicou.

    Originária do México, a planta chegou ao Brasil por volta da década de 1940 e encontrou no semiárido baiano condições ideais para desenvolvimento. Além da resistência à seca, o sisal também ajuda na preservação do solo.

    “O agave auxilia a evitar erosão por causa da quantidade de raízes. Onde tem vários pés juntos, eles não morrem”, afirmou.

    Maior produtor mundial de sisal, o Brasil mantém na região sisaleira da Bahia uma das bases econômicas mais importantes da agricultura familiar nordestina. “O cooperativismo é parceiro, amigo e incentivador. Ele gera emprego, renda e desenvolvimento nas pequenas cidades, onde as grandes instituições não chegam”, concluiu Cassiano.

  • BNDES e Conab firmam cooperação para reduzir preço de alimentos

    BNDES e Conab firmam cooperação para reduzir preço de alimentos

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) assinaram nesta segunda-feira (18) um acordo de cooperação técnica para fortalecer o setor de abastecimento alimentar no país. A parceria prevê a realização de estudos, avaliação de dados e proposição de ações para modernizar as políticas públicas existentes, com foco direto na redução do preço dos alimentos e na melhoria da logística nacional.

    A cerimônia de assinatura ocorreu na sede do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), com a presença da ministra Fernanda Machiaveli. O BNDES teve representação do diretor de Planejamento e Relações Institucionais, Nelson Barbosa, e do superintendente da Área de Soluções de Infraestrutura, Ian Ramalho Guerriero. A Conab contou com a participação do diretor-presidente Sílvio Isoppo Porto e do diretor de Operações e Abastecimento, Arnoldo Anacleto de Campos.

    O que o acordo prevê

    O BNDES conduzirá os estudos com recursos próprios, no âmbito do Fundo de Estruturação de Projetos (BNDES FEP). O trabalho inclui análise do sistema de abastecimento brasileiro e comparação com experiências internacionais.

    “Vamos avaliar como melhorá-lo, usando não só as referências que a gente tem aqui no Brasil, mas também experiências internacionais. Vamos analisar o que os outros países fazem e se isso pode ou não ser feito no Brasil”, explicou Nelson Barbosa.

    O banco também vai apoiar a Conab na organização de sua base de dados sobre abastecimento e armazenagem, além de mapear oportunidades de investimento público e privado. Para Barbosa, a iniciativa beneficia tanto o planejamento do próprio BNDES quanto a resiliência da política alimentar brasileira. “Isso ajuda o Brasil a ter uma política de abastecimento resiliente a choques, garantindo alimento no preço justo para toda a população”, disse.

    A ministra Fernanda Machiaveli destacou que a cooperação vai gerar ganhos concretos para a população, com atenção especial às periferias urbanas. “Teremos um olhar para os pequenos mercados nas periferias, para a nossa política de abastecimento, com o objetivo de modernizar a Conab pra que a gente tenha acesso a alimentos saudáveis em todo o país”, afirmou.

    Conab: papel estratégico no sistema alimentar brasileiro

    Criada em 1990, a Conab tem a missão de contribuir para o abastecimento, a segurança alimentar e nutricional e a geração de renda em todas as regiões do Brasil. A estatal fornece ao governo federal dados técnicos sobre produção agropecuária, previsão de safras, custos de armazenagem e indicadores de mercado. Informações que embasam a elaboração de políticas agrícolas.

    Para o diretor-presidente Sílvio Isoppo Porto, os estudos que o BNDES vai gerar serão decisivos para a construção de uma política alimentar mais robusta. “Vamos conseguir planejar uma intervenção muito concreta no sentido de reduzir o preço dos alimentos, criar uma logística mais eficiente e fazer uma mudança fundamental nos sistemas alimentares do Brasil, garantindo comida de verdade para o povo brasileiro”, declarou.

    Patrimônio imobiliário e Fundo Amazônia: outras frentes da parceria

    BNDES e Conab também mantêm um contrato separado para a requalificação de nove ativos imobiliários da estatal, localizados no Centro-Oeste. A maioria dos imóveis são armazéns em áreas que se tornaram urbanas, o que dificulta seu uso para armazenagem. O banco avaliará a vocação de cada um deles.

    Outra frente de atuação conjunta envolve o projeto Florestas e Comunidades: Amazônia Viva, da Conab, custeado integralmente pelo Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES. O projeto conta com R$ 96,6 milhões, dos quais R$ 80 milhões destinam-se a apoiar a produção sustentável de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na Amazônia Legal. Na semana passada, a Conab divulgou a lista de inscritos habilitados para participar do programa.

  • Agrotins 2026 bate recorde e movimenta o agro no Tocantins

    Agrotins 2026 bate recorde e movimenta o agro no Tocantins

    A Agrotins 2026 registrou a maior edição de sua história ao atrair mais de 220 mil visitantes em cinco dias, no Parque Agrotecnológico Mauro Mendanha, em Palmas. O evento reforçou o protagonismo do Tocantins como uma das principais fronteiras agropecuárias do Brasil, com forte avanço em tecnologia, crédito rural e modernização produtiva.

    A feira ampliou o ambiente de negócios e destacou soluções inovadoras para o campo, como inteligência artificial, bioinsumos, rastreabilidade bovina e gestão de risco. O aumento do público acompanha o crescimento do agronegócio tocantinense, impulsionado pela produção de grãos, pela evolução da produtividade e pela expansão da pecuária.

    Um dos principais diferenciais desta edição foi o modelo criado pelo Governo do Tocantins que permitiu aos produtores utilizar créditos acumulados de ICMS na compra de máquinas, implementos e insumos durante a feira. A iniciativa facilitou o acesso a investimentos e estimulou negociações diretas dentro do evento.

    Agricultura familiar

    A Agrotins também fortaleceu a agricultura familiar e ampliou a oferta de capacitação técnica. As vitrines tecnológicas apresentaram culturas alternativas, como o lúpulo e a baunilha do Cerrado, apontadas como oportunidades de diversificação e agregação de valor no campo.

    Com mais de 1,1 mil expositores em uma área de 700 mil metros quadrados, a feira reuniu empresas, produtores e instituições em torno de soluções para o desenvolvimento do agro. Máquinas, genética animal, insumos e tecnologias ganharam destaque em um ambiente voltado à inovação e à produtividade.

    O governador Wanderlei Barbosa destacou o impacto econômico e social do evento e ressaltou a participação de pequenos, médios e grandes produtores. Segundo ele, a isenção de taxas para expositores contribuiu para ampliar o acesso e fortalecer a presença da agricultura familiar.

    Fotos: Secom Gov TO

    O Tocantins responde atualmente por cerca de 40% da produção de grãos da Região Norte. E se aproxima de uma safra histórica de 10 milhões de toneladas. O agronegócio representa aproximadamente 99% das exportações estaduais, com destaque para a soja, além do crescimento da pecuária e do arroz irrigado.

    O secretário de Agricultura e Pecuária, Fred Sodré, afirmou que a edição superou expectativas, com recorde de público, aumento no volume de negócios e forte engajamento dos setores produtivos. Ele destacou ainda o sentimento de pertencimento entre expositores e produtores como fator-chave para o sucesso da feira.

    Criada em 2001, com movimentação inicial de R$ 7 milhões, a Agrotins evoluiu junto com o agronegócio tocantinense e hoje se consolida como uma das principais plataformas de negócios, tecnologia e inovação do setor no Brasil.

  • Brasil terá recorde de empresas na maior feira de alimentos da Ásia

    Brasil terá recorde de empresas na maior feira de alimentos da Ásia

    O Brasil terá participação recorde na Sial China 2026, considerada a maior feira de alimentos e bebidas da Ásia e uma das principais do mundo. Ao todo, 82 empresas brasileiras exportadoras estarão presentes no evento, que começa nesta segunda-feira (18), em Xangai. A expectativa do setor é movimentar cerca de US$ 3,3 bilhões em negócios.

    O ministro da Agricultura, André de Paula, também participará da feira em sua primeira missão internacional desde que assumiu o cargo. Após a agenda em Xangai, ele seguirá para Pequim, onde se reunirá com representantes do governo chinês para discutir novas aberturas de mercado e melhorias nas relações comerciais entre os países, incluindo a flexibilização da cota de importação de carne bovina brasileira.

    A Sial China é vista como estratégica para ampliar a presença dos produtos brasileiros não apenas entre importadores chineses, mas também junto a compradores de diferentes países asiáticos. O maior espaço será dedicado à carne bovina, sob coordenação da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, com a participação de 25 frigoríficos.

    O projeto Brazilian Beef, criado pela entidade para promover a carne bovina brasileira no exterior, contará com um estande de mais de 1,2 mil metros quadrados. Na edição passada da feira, os negócios fechados durante o evento somaram US$ 265,2 milhões, enquanto a projeção para os 12 meses seguintes alcançou US$ 2,24 bilhões.

    Estratégia para o agronegócio brasileiro

    O evento também contará com um espaço exclusivo para o Programa Cooperar para Exportar, iniciativa voltada à internacionalização de cooperativas da agricultura familiar. Nesta edição, 10 cooperativas brasileiras apresentarão produtos como cafés especiais, açaí, castanhas, mel, vinhos, polpas de frutas e alimentos ligados à biodiversidade brasileira.

    Para o presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller, a missão reforça a importância estratégica da China para o agronegócio brasileiro e amplia as oportunidades para produtos de maior valor agregado.

    “A China é um parceiro estratégico para o Brasil e esta missão representa mais um passo importante na diversificação e agregação de valor das exportações brasileiras. Estamos ampliando a presença de empresas brasileiras no mercado chinês, fortalecendo setores tradicionais e abrindo espaço para cooperativas, agricultura familiar e produtos de maior valor agregado. O número recorde de empresas na Sial demonstra a confiança do setor produtivo brasileiro no potencial desse mercado”, afirmou.

    Atualmente, a China lidera como principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Em 2025, o país asiático importou mais de US$ 55,3 bilhões em produtos agropecuários do Brasil, o equivalente a 32,7% de todas as exportações do setor. Entre 2019 e 2025, o mercado chinês abriu 25 novas oportunidades para produtos brasileiros, incluindo itens do complexo soja, proteínas animais, gergelim, farinha de aves e suínos, além de DDG de milho utilizado na alimentação animal.

  • Faesp propõe mudanças para ampliar compras da agricultura familiar

    Faesp propõe mudanças para ampliar compras da agricultura familiar

    A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) apresentou propostas para ampliar a efetividade das compras públicas da agricultura familiar em programas estaduais e federais. A entidade defende mudanças para aumentar a renda dos pequenos produtores, fortalecer a produção rural e garantir o cumprimento das cotas mínimas previstas em lei.

    No estado de São Paulo, a Faesp encaminhou ao governador Tarcísio de Freitas sugestões para aprimorar o Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS) e o subprograma PPAIS Leite. Entre as principais medidas estão o reajuste do limite de comercialização da Declaração de Conformidade ao PPAIS (Deconp), a ampliação da publicação de editais e a inclusão de mais órgãos estaduais nas compras.

    A entidade ressalta que os programas têm papel estratégico, especialmente em cadeias com menor margem de rentabilidade, como a produção de leite. Nesse cenário, as compras públicas garantem renda e ajudam a manter as famílias no campo.

    Dados mostram estado sem cumprir legislação

    Dados levantados pela Faesp, com base na Secretaria da Fazenda, mostram que o estado ficou longe de cumprir a legislação entre 2015 e 2025. Embora a lei determine que pelo menos 30% das compras de alimentos sejam destinadas à agricultura familiar, apenas 3,8% foram efetivamente executados no período.

    Segundo a entidade, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) lidera as compras dentro do programa, mas ainda assim não atinge o mínimo exigido. O órgão registrou 11,32% de execução, índice abaixo do percentual obrigatório.

    A Faesp estima que o cumprimento integral da legislação poderia ter destinado cerca de R$ 600 milhões à agricultura familiar apenas em 2025. O montante teria impacto direto no fortalecimento das economias regionais e na permanência dos produtores no meio rural.

    No âmbito federal, a entidade também apresentou propostas para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A principal demanda é a atualização do limite individual de comercialização por agricultor familiar, atualmente fixado em R$ 40 mil por ano e sem reajuste desde 2021.

    O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, reforçou a necessidade de mudanças imediatas. “Defendemos o aumento do limite de venda do pequeno produtor já a partir de 2026, além da maior participação das secretarias estaduais no PPAIS. O governo precisa garantir o cumprimento da cota mínima de compras da agricultura familiar e ampliar a adesão de órgãos públicos. Essas ações são essenciais para fortalecer o setor e promover o desenvolvimento sustentável no campo”, afirmou.

  • Ministra do Desenvolvimento Agrário apresenta balanço com foco em agricultura familiar

    Ministra do Desenvolvimento Agrário apresenta balanço com foco em agricultura familiar

    O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) apresentou, nesta terça-feira (12), as principais ações do primeiro mês da gestão da ministra Fernanda Machiaveli. Durante coletiva de imprensa em Brasília, a ministra detalhou entregas prioritárias e anunciou medidas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar, com destaque para crédito rural, reforma agrária e políticas para mulheres do campo.

    Entre os principais anúncios, o novo Desenrola Rural ganhou protagonismo. O programa permite a renegociação de dívidas de agricultores familiares e amplia o acesso ao crédito. Segundo Machiaveli, a iniciativa já renegociou dívidas de 500 mil produtores, totalizando R$ 23 bilhões em mais de 900 mil operações no último ano.

    A ministra também destacou avanços na regularização de territórios quilombolas. Em abril, o governo federal publicou dois novos decretos, elevando para 72 o total de reconhecimentos no país,mais de 40% de todos os registros históricos. No campo das políticas públicas para mulheres,

    Machiaveli anunciou a implementação de 110 mil quintais produtivos em maio. A ação atende a uma demanda histórica apresentada por trabalhadoras rurais durante a Marcha das Margaridas.

    Plano Safra da agricultura familiar

    Outro ponto relevante foi o avanço do Plano Safra da agricultura familiar. Pela primeira vez em anos, os recursos destinados ao acesso à reforma agrária foram totalmente utilizados. Apenas em 2025, o governo executou R$ 1,5 bilhão por meio do Pronaf A, ampliando o acesso ao crédito e impulsionando a produção de alimentos entre famílias assentadas.

    A produção de bioinsumos também entrou na agenda estratégica do MDA. A ministra afirmou que o governo pretende expandir a produção orgânica com a regulamentação do setor e a implantação de fábricas de bioinsumos em diferentes regiões do país.

    Durante a coletiva, o ministério ainda reforçou programas como o Pronaf Mais Leite e o Ater Mais Digital, que visam ampliar a assistência técnica e fortalecer a inclusão produtiva no meio rural.

    O evento contou com a participação de representantes do MDA, Incra e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que detalharam ações integradas para ampliar o desenvolvimento sustentável e a justiça social no campo.

  • Conab investe R$ 920 mil para fortalecer agricultura familiar no Rio Grande do Norte

    Conab investe R$ 920 mil para fortalecer agricultura familiar no Rio Grande do Norte

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou um investimento de aproximadamente R$ 920 mil para apoiar o escoamento da produção da agricultura familiar no Rio Grande do Norte. A ação ocorre por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e contempla projetos nos municípios de Janduís, Touros e Pendências.

    As equipes realizaram as atividades ao longo da semana, entre 4 e 8 de maio, com eventos de lançamento e distribuição simbólica de alimentos destinados a entidades socioassistenciais e redes de segurança alimentar.

    No município de Janduís, o maior volume de recursos será aplicado: cerca de R$ 610 mil. O programa vai beneficiar 61 agricultores familiares e garantir o escoamento de mais de 36 toneladas de alimentos. Os produtores destinarão a produção ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), incluindo hortaliças e produtos beneficiados, como doces, bolos e polpas de frutas.

    Já em Touros, o investimento previsto é de R$ 180 mil, com a participação de três associações da agricultura familiar. A expectativa é adquirir mais de 34 toneladas de alimentos, entre eles abacaxi, banana, batata-doce, coco, feijão e mandioca.

    Em Pendências, o programa aplicará aproximadamente R$ 130 mil e possibilitará o escoamento de mais de 26 toneladas de produtos como hortaliças, frutas, raízes e legumes, incluindo abóbora, alface, banana, beterraba, caju, cenoura, feijão, mamão, mandioca, melancia e melão.

    Presença do programa em diferentes regiões

    Segundo o superintendente regional da Conab no estado, Sebastião Arruda Júnior, as ações reforçam a presença do programa em diferentes regiões potiguares. “O PAA tem papel fundamental no desenvolvimento local, fortalecendo a agricultura familiar e ampliando o acesso à alimentação”, afirmou.

    Os investimentos recentes se somam aos resultados obtidos em 2025. No Sertão do Apodi, onde está localizado o município de Janduís, foram destinados mais de R$ 4,7 milhões. Assim, viabilizando o escoamento de cerca de 238 toneladas de alimentos produzidos por 432 agricultores e beneficiando 34 entidades.

    Em Touros, os aportes no ano passado chegaram a R$ 1,51 milhão, atendendo 158 agricultores familiares e quatro entidades socioassistenciais.

    A Conab executa o Programa de Aquisição de Alimentos com recursos do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. A iniciativa promove a compra direta de alimentos de pequenos produtores, garantindo renda no campo e destinando os produtos a populações em situação de vulnerabilidade.

    O PAA atende diversos públicos da agricultura familiar, incluindo assentados da reforma agrária, pescadores artesanais, extrativistas, povos indígenas, comunidades quilombolas e outros grupos tradicionais, fortalecendo a economia local e combatendo a insegurança alimentar.

  • Girassol: opção rentável para diversificar a produção agrícola

    Girassol: opção rentável para diversificar a produção agrícola

    Quem busca diversificação na lavoura tem encontrado no girassol uma alternativa cada vez mais atraente, e os dados confirmam esse movimento.

    Segundo a Conab, a área plantada na safra 2022/23 chegou a 70 mil hectares, um crescimento de 12% em relação ao ano anterior. A cultura reúne uma combinação rara de baixo custo de manejo, ciclo curto e múltiplas fontes de receita.

    Encaixe perfeito no calendário agrícola

    O ciclo de aproximadamente 120 dias é um dos grandes trunfos da cultura. Ele permite o plantio justamente nos períodos de entressafra, ocupando a terra em janelas que normalmente ficariam ociosas. Combinado com soja e milho na rotação, o girassol ainda contribui para a saúde do solo, quebrando o ciclo de pragas e doenças, o que traz benefícios que vão além da safra atual.

    Para pequenos e médios produtores, essa flexibilidade é especialmente valiosa.

    Girassol: uma oportunidade lucrativa para agricultores
    Uma oportunidade lucrativa para agricultores

    Números que explicam o interesse crescente

    A produtividade média no Brasil fica entre 1.500 e 2.000 kg por hectare, de acordo com a Embrapa. Com manejo adequado e condições favoráveis de solo e clima, esse número pode ultrapassar os 2.500 kg/ha.

    No mercado, as cotações têm se mantido atraentes, em torno de R$ 100 por saca de 60 kg. Considerando uma produtividade média de 1,8 tonelada por hectare e preço médio de R$ 1.700 por tonelada, um produtor pode alcançar receita bruta de aproximadamente R$ 3.060 por hectare. Dependendo da eficiência do manejo e das condições de mercado, esse valor pode ser ainda maior.

    Mais de uma fonte de renda na mesma planta

    Um ponto que chama atenção é a diversidade de produtos que a cultura gera. O óleo é o mais conhecido, com ampla aplicação na indústria alimentícia e cosmética, além do crescente interesse para a produção de biodiesel, um mercado em expansão no Brasil.

    Além disso, há outro produto que muitos ignoram: o farelo. Subproduto do processo de extração de óleo, ele é altamente valorizado na alimentação animal, especialmente na pecuária leiteira, pelo alto teor proteico.

    Onde a produção acontece

    Estados como Mato Grosso, Goiás e Paraná concentram a maior parte da produção nacional, destacando-se pela alta eficiência. Mas a Embrapa reforça que a cultura tem boa adaptação a diferentes tipos de solo e clima, incluindo regiões mais secas, o que abre espaço para expansão em áreas onde outras culturas têm dificuldade de prosperar.

    Nem tudo são facilidades, é claro. A colheita exige máquinas específicas, o que representa um investimento inicial que pode pesar no orçamento de quem ainda não tem esse maquinário. Em algumas regiões, a escassez de sementes de qualidade e a falta de assistência técnica especializada também travam a expansão.

    No entanto, com o suporte de instituições de pesquisa como a Embrapa e o acesso a programas de assistência técnica, muitos produtores têm conseguido superar essas barreiras e colher bons resultados já nas primeiras safras.

  • Mel da agricultura familiar do Norte de Minas conquista Europa, EUA e Oriente Médio

    Mel da agricultura familiar do Norte de Minas conquista Europa, EUA e Oriente Médio

    O mel do Norte de Minas consolidou sua presença no mercado internacional e atingiu cerca de 350 toneladas exportadas desde 2022. Apenas nos primeiros meses de 2026, produtores da agricultura familiar já enviaram 42 toneladas para países como Suíça, Bélgica e Kuwait. Os dados são da Cooperativa dos Apicultores e Agricultores Familiares do Norte de Minas (Coopemapi), que coordena a comercialização externa.

    O produto tem como principal diferencial o perfil sensorial. As abelhas exploram uma área de transição entre Cerrado e Caatinga, o que gera méis com sabores únicos. Floradas de café, abacate e aroeira ampliam a variedade e agregam valor ao produto. O modelo de produção, próximo do artesanal, também atende à demanda internacional por alimentos sustentáveis e certificados.

    Certificação e acesso ao mercado

    O acesso ao mercado externo avançou com apoio técnico e qualificação dos produtores. O Sebrae Minas atua desde 2016 com capacitações, estratégias comerciais e participação em feiras. Em 2023, a entidade iniciou uma consultoria em parceria com a Coopemapi para entender o comportamento do consumidor europeu.

    O estudo identificou maior demanda por méis certificados, associados à alimentação saudável e propriedades funcionais. Em 2024, apicultores participaram de uma missão técnica na Suíça e observaram fatores decisivos para vendas, como embalagem e rotulagem nutricional. Segundo o analista do Sebrae Minas, Walmath Magalhães, a certificação fortalece a credibilidade do produto em mercados mais exigentes.

    Atualmente, os produtores buscam certificações como Naturland e Bio Suisse, consideradas entre as mais rigorosas da Europa. O Sebrae oferece suporte técnico para aprimorar o manejo e garantir padrões de produção mais sustentáveis.

    Produção em expansão

    O crescimento da apicultura já impacta a renda dos produtores. Em Bocaiuva, o apicultor Gilson Gonçalves Ferreira aumentou a produção em 15 vezes nos últimos sete anos. Ele saiu de 100 quilos a cada seis meses para 1,5 mil quilos no mesmo período, com crescimento médio anual de 10%.

    Os apiários se distribuem em propriedades próprias e áreas cedidas por parceiros, o que fortalece a cooperação entre produtores. A maior parte do mel tem origem em floradas nativas e de eucalipto. Para Ferreira, a entrada na cooperativa facilitou o acesso ao mercado externo e garantiu escala de comercialização.

    Desafios e estratégia de mercado

    O avanço individual acompanha o crescimento coletivo da apicultura na região. Mesmo com o aumento da demanda, o setor ainda enfrenta desafios como variações climáticas, que afetam a produção, e a necessidade de melhorar a gestão e o fluxo de caixa.

    A Coopemapi reúne cerca de 200 integrantes e completa dez anos em 2026. A entidade busca ampliar a participação no mercado internacional e planeja exportar mel já processado e com marca própria, agregando valor ao produto.

    Equilíbrio entre mercado interno e externo

    Apesar do foco nas exportações, os produtores também mantêm presença no mercado brasileiro. A estratégia inclui participação em feiras e fortalecimento do varejo nacional.

    O mercado europeu se destaca como um dos maiores consumidores globais de mel, com cerca de 20% da demanda mundial. O consumo per capita varia entre 500 gramas e 1,2 quilo por ano, muito acima da média brasileira, que fica entre 60 e 240 gramas. Esse cenário reforça o potencial de crescimento das exportações do mel do Norte de Minas.

  • Câmara aprova lei que transforma chácaras de até 2 mil m² em propriedade rural: veja o que muda

    Câmara aprova lei que transforma chácaras de até 2 mil m² em propriedade rural: veja o que muda

    Produzir alimentos em uma pequena área e não ter acesso a crédito, isenção fiscal ou assistência técnica. Essa é a realidade de milhares de produtores que trabalham em chácaras espalhadas pelo Brasil, mas que, na prática, não existem para o sistema oficial. Essa contradição pode estar com os dias contados. Um projeto de lei aprovado na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados dá um passo decisivo para mudar esse cenário de uma vez por todas.

    O que diz o PL 918/2025 e quem pode ser beneficiado

    O PL 918/2025 estabelece que chácara é a propriedade rural com área de até 2 mil metros quadrados, destinada à produção agrícola, pecuária ou agropecuária, com a finalidade de subsistência e/ou comercialização. Em outras palavras, se a área produz, ela passa a ser tratada pelo Estado como rural, independentemente do tamanho.

    O texto determina que essas propriedades poderão usufruir de benefícios como acesso a crédito e financiamento específicos para pequenos agricultores, isenção de taxas e impostos municipais relacionados à atividade rural, e programas de capacitação e assistência técnica de órgãos federais e estaduais.

    Para o público de agroemcampo.ig.com.br, o dado mais relevante está na conexão com o Pronaf. A aprovação do PL 918/2025 harmoniza a legislação com o Marco Legal da Agricultura Familiar, Lei nº 11.326/2006, fortalecendo a inclusão desses produtores em programas oficiais como o Pronaf, com acesso a linhas de crédito com juros reduzidos e condições diferenciadas.

    Uma lacuna histórica que excluía quem mais produz perto das cidades

    O problema que o projeto resolve não é novo. A medida busca corrigir uma lacuna histórica na legislação brasileira, que muitas vezes deixa pequenos imóveis produtivos fora do enquadramento formal como propriedades rurais. Na prática, isso impede que milhares de agricultores familiares tenham acesso a crédito rural, incentivos fiscais e programas oficiais de apoio à produção.

    Segundo o relator do projeto, o deputado Coronel Meira (PL-PE), “a referida proposição é meritória ao propor a inclusão formal de unidades produtivas rurais de pequena dimensão, denominadas de chácaras, no escopo das políticas públicas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar e de base local.”

    Por outro lado, o autor do texto, o deputado Murillo Gouvea (União-RJ), vai além do argumento jurídico. Para ele, “a definição das chácaras como pequenas propriedades rurais é essencial para reconhecer a importância da agricultura familiar na economia e na preservação ambiental.” Assim, a proposta funciona como uma virada de chave: quem estava fora do sistema passa a ter nome, endereço e direitos no sistema oficial.

    O impacto real no campo: renda, fixação e segurança alimentar

    Com acesso garantido a crédito, tecnologia e suporte técnico, as consequências para o campo se ramificam em várias direções. A formalização das chácaras como propriedades rurais garante segurança jurídica aos produtores, facilita o acesso a políticas públicas e estimula a produção sustentável em áreas periurbanas e rurais, contribuindo para a diversificação da produção agrícola, para o fortalecimento das cadeias produtivas locais e para a geração de renda familiar.

    Além disso, o projeto toca em uma ferida antiga do campo brasileiro: o êxodo rural. Com mais segurança jurídica e acesso a políticas públicas, pequenos produtores têm razão concreta para permanecer na terra. No entanto, esse impacto só se materializa quando, e se, o projeto se tornar lei de fato.

    Aprovado na comissão, mas ainda longe de virar lei: entenda o caminho

    Quem comemorou cedo precisa ter cautela. O PL 918/2025 foi aprovado pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados em dezembro de 2025 e agora tramita em caráter conclusivo, sendo analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisará ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

    Além disso, o Poder Executivo terá prazo de 12 meses após a publicação para regulamentar a lei, estabelecendo critérios e procedimentos para o reconhecimento das chácaras. Ou seja, entre a aprovação final e a aplicação prática no dia a dia do produtor, existe uma janela regulatória que pode levar mais de um ano.

    No entanto, o avanço legislativo já sinaliza uma mudança de mentalidade dentro do Congresso: pequenos produtores que alimentam cidades merecem o mesmo respaldo legal que grandes propriedades rurais. Para o agronegócio brasileiro, que se orgulha de ser um dos maiores do mundo, reconhecer quem produz em 2 mil metros quadrados pode ser o detalhe que faltava para completar o sistema.