Uma propriedade rural de Brumadinho, em Minas Gerais, chamou atenção ao transformar a produção de hortaliças em uma homenagem à Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo de 2026.
O agricultor Djalma Cordeiro utilizou mais de 39 mil mudas de alface e almeirão para formar uma bandeira gigante do Brasil nos canteiros da lavoura. O projeto, que une criatividade, agricultura familiar e paixão pelo futebol, rapidamente ganhou repercussão na região.
Sonho guardado por quase 30 anos
Segundo Djalma, a ideia surgiu durante a Copa do Mundo de 1998.
Por quase três décadas, o agricultor manteve o sonho de criar uma bandeira brasileira utilizando plantas cultivadas na própria terra.
“Eu sonhava em fazer isso muito antes de chegar aqui, mas nunca tive a oportunidade. Também é uma demonstração da minha torcida pelo hexa.”
Além da confiança na Seleção Brasileira, Djalma afirma que a expectativa de ver Neymar em campo aumentou ainda mais o entusiasmo para realizar o projeto.
Como a bandeira foi construída
Para transformar a ideia em realidade, o agricultor contou com a ajuda do filho, Djordyan Cardoso.
A etapa de marcação do terreno levou aproximadamente dez dias e exigiu precisão para reproduzir o formato da bandeira.
Depois disso, foram plantadas cerca de 39,2 mil mudas de alface crespa, alface roxa e almeirão.
Ao todo, foram utilizadas 140 bandejas de mudas, cada uma com capacidade para 280 plantas.
O resultado final superou as expectativas do agricultor.
A bandeira formada pelas hortaliças passou a atrair visitantes, moradores da região e até grupos de estudantes interessados em conhecer o trabalho desenvolvido na propriedade.
“Eu nunca imaginei que teria tanta repercussão. Parece algo simples, mas acabou virando uma atração.”
Há 26 anos trabalhando no local, Djalma também cultiva outras culturas agrícolas ao longo do ano, como pimentão, abobrinha e tomate.
Além de valorizar o trabalho no campo, iniciativas desse tipo aproximam a população urbana da realidade dos produtores e ajudam a destacar a importância do agronegócio brasileiro.
A transformação no perfil das famílias brasileiras tem provocado mudanças importantes nos hábitos de consumo. Com lares menores, rotinas cada vez mais corridas e um número crescente de pessoas vivendo sozinhas, diversos setores precisam se adaptar às novas demandas. No segmento de frutas, além da redução no volume das compras, uma tendência tem chamado a atenção: o crescimento da procura por minifrutas.
Versões reduzidas de frutas como kiwi, pera, maçã, banana-ouro e laranja kinkan refletem esse novo cenário demográfico. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um em cada cinco domicílios brasileiros possui apenas um morador. Além disso, os lares formados por casais com filhos passaram a representar menos da metade do total de famílias do país pela primeira vez. A participação desse grupo caiu de 56,4% em 2000 para 42% em 2022.
Novas oportunidades aos produtores
Em meio a essa transformação, produtores rurais enxergam novas oportunidades de mercado. Em São Bento do Sapucaí (SP), na região da Serra da Mantiqueira, o produtor Rodrigo Veraldi, do Viveiro Frutopia, foi pioneiro na introdução do cultivo de minikiwis (Actnidia arguta) no Brasil.
A variedade se diferencia do kiwi tradicional (Actnidia deliciosa) pelo tamanho reduzido, semelhante ao de uma uva. Além disso, a fruta possui casca fina e sem pelos, permitindo o consumo sem a necessidade de descascá-la.
Segundo Veraldi, os primeiros exemplares chegaram ao país há mais de uma década por meio de produtores que importavam kiwis convencionais. No entanto, a importação da variedade arguta foi posteriormente proibida, o que motivou o desenvolvimento de um trabalho de adaptação genética e produtiva em território nacional.
O projeto teve início em 2015 e avançou após o produtor obter acesso às sementes da fruta. Atualmente, o interesse do mercado vem crescendo.
“Os produtores de kiwi estão em lista de espera pelas mudas.”
De acordo com ele, a comercialização das mudas deverá começar após a conclusão da última etapa de análises laboratoriais das plantas.
Rotina acelerada e grande número de pessoas morando sozinhas ampliam oferta de minifrutas — Foto: Divulgação/TripAdvisor
Disponíveis em feiras especializadas, empórios, supermercados premium e restaurantes, as minifrutas acompanham uma tendência global de valorização de alimentos que combinam praticidade, estética e conveniência.
Segundo a economista Marcela Cerrado, as mudanças sociais ajudam a explicar esse avanço.
“Com lares menores, rotina acelerada e mais preocupação com a saúde, cresce a demanda por alimentos fáceis de consumir, que reduzem o desperdício e têm apresentação atrativa. As minifrutas atendem exatamente essa expectativa.”
No caso das minimaçãs e miniperas, parte dos produtos disponíveis já possui tamanho naturalmente reduzido. Contudo, outras variedades são obtidas por meio de estratégias agronômicas específicas, incluindo seleção varietal, manejo de poda e controle da carga produtiva.
Pós-colheita e logística são fatores decisivos
A expansão desse segmento também exige investimentos em pós-colheita, padronização e logística especializada.
A Garden Fruit, empresa de Jundiaí (SP) especializada na importação de frutas frescas, comercializa minimaçãs portuguesas, miniperas da Espanha e de Portugal e minitangerinas provenientes do Chile, Uruguai e Espanha.
Segundo a companhia, a composição do portfólio resulta de um monitoramento constante das tendências globais de consumo.
“Um ponto importante é a necessidade de investimento em pós-colheita e logística. Por serem comercializadas como produtos premium, aparência, padronização e conservação tornam-se fatores decisivos para a aceitação do mercado”, afirma Gustavo Steck, gerente de pesquisa da Garden Fruit.
Além das frutas importadas, a empresa também adquire maçãs menores produzidas no Brasil, de diferentes variedades. As embalagens são comercializadas mediante acordo de licenciamento com personagens da Disney, estratégia voltada especialmente ao público infantil.
O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), abriu nesta quarta-feira (17) o prazo para que organizações da agricultura familiar enviem propostas de fornecimento de alimentos voltados a ações de segurança alimentar e nutricional. O envio pode ser feito até 22 de junho, com recursos totais de aproximadamente R$ 25 milhões.
As organizações devem cadastrar as propostas exclusivamente pelo aplicativo PAANet Proposta Doação, selecionando a modalidade “Compra Institucional”. A Conab divulgará a lista de classificadas no dia 25 de junho. Dúvidas e documentação complementar devem ser encaminhadas para o e-mail [email protected].
Produtos
O edital prevê a compra de carnes, arroz e feijão. Do total disponível, cerca de R$ 10,5 milhões vão financiar a compra de carnes e proteínas para abastecer a CEAGESP, na capital paulista, cozinhas solidárias e outras unidades. Para arroz branco tipo 1, o programa reservou R$ 9,2 milhões. Já o feijão tipo 1 (preto ou cores) contará com R$ 5,2 milhões.
Os alimentos abastecerão cozinhas solidárias em diversos estados, além de unidades da Conab, o Banco de Alimentos da Ação da Cidadania, no Rio de Janeiro, e a CEAGESP. O edital também prevê um adicional de até 30% no preço de referência para arroz orgânico.
As organizações podem ofertar quantidades conforme sua capacidade produtiva, sem necessidade de atender toda a demanda estadual, desde que respeitem os limites definidos no edital.
A Conab priorizará propostas com maior participação de assentados da reforma agrária, mulheres e jovens de até 29 anos. Os recursos vêm da Ação Orçamentária 2798, conforme o Plano de Trabalho Conab/MDS nº 01/2026. As propostas aprovadas serão empenhadas ainda neste ano.
As regras completas, critérios de classificação e limites de acesso estão disponíveis no Comunicado de Compra Institucional nº 01/2026.
A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2291/22, que estabelece prioridade para mulheres chefes de família no acesso a linhas de crédito e mecanismos de comercialização da agricultura familiar.
O texto determina que essas agricultoras terão acesso a financiamentos com taxas de juros menores em comparação aos demais produtores familiares. A proposta também prevê regulamentação futura para definir os critérios de enquadramento como mulher chefe de família dentro dos benefícios.
De autoria da ex-deputada Rejane Dias (PI), o projeto recebeu parecer favorável da relatora, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ). Segundo a parlamentar, a proposta tem caráter normativo e não gera impacto direto nas contas públicas.
Laura Carneiro destacou que a medida busca reduzir barreiras históricas enfrentadas por mulheres no campo, especialmente no acesso ao crédito rural, aos mercados e a políticas de apoio à produção.
“A proposta reconhece o papel estratégico das mulheres na agricultura familiar. Tanto na geração de renda quanto na segurança alimentar e na preservação de saberes tradicionais”, afirmou a relatora.
Entre os principais impactos esperados, estão o fortalecimento da agricultura familiar, o aumento da renda no meio rural, a ampliação da inclusão produtiva feminina e o estímulo às economias locais.
Critérios da agricultura familiar
A legislação atual define como agricultor familiar aquele que possui área de até quatro módulos fiscais, utiliza majoritariamente mão de obra da própria família e obtém renda das atividades desenvolvidas no estabelecimento rural.
Deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) em comissão da Câmara dos Deputados. Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
O projeto já passou pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e de Defesa dos Direitos da Mulher. Agora, segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), em caráter conclusivo.
Para se tornar lei, o texto ainda precisa de aprovação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
Tradicional nas festas juninas, o pinhão, semente da araucária, vem conquistando espaço na gastronomia. No Paraná, maior produtor nacional, a cadeia produtiva da semente tem sido fortalecida por iniciativas que impulsionam o turismo rural.
A safra do pinhão ocorre entre os meses de maio e julho. Nesse período, municípios paranaenses promovem atividades que aproximam visitantes da cultura regional. Trilhas em áreas de araucária, colheitas guiadas, oficinas culinárias e festivais gastronômicos fazem parte das atrações oferecidas em diferentes localidades do estado.
Sapecada
Nos municípios de Pinhão, Inácio Martins e Turvo, considerados os maiores produtores paranaenses, os turistas também podem participar da tradicional sapecada, prática transmitida entre gerações.
Segundo José Augusto Zanchetta, fundador e integrante da diretoria da Associação dos Produtores Rurais, Artesãos e Empreendedores de Turismo da Campina do Taquaral e Região (Acamp), a técnica consiste em assar o pinhão utilizando fogo produzido com galhos secos da própria araucária.
“O ritual consiste no preparo do pinhão no fogo feito a partir dos galhos secos do próprio pinheiro”. Assim, a semente ganha casca tostada, interior macio e um sabor característico.
A tradicional sapecada de pinhão é preparada em uma fogueira contínua de aproximadamente dois quilômetros de extensão — Foto: Divulgação/Gralha Azul
Na mesa do povo
Além da forma tradicional de consumo, o pinhão tem ampliado sua presença na gastronomia regional. Atualmente, chefs e cozinheiros utilizam o ingrediente em receitas como lasanhas, carneiro, costela, bolinho de rabada, sopas, bolachas e sorvetes. Em preparações com carnes, a semente pode ser adicionada cozida, inteira ou em lascas, principalmente em pratos com molhos, ensopados e recheios.
Para a nutricionista e chef de cozinha Fátima Negre, de Curitiba, o pinhão reúne atributos que vão além da alimentação.
“O pinhão não é apenas um ingrediente, ele representa cultura, sustentabilidade, inovação gastronômica e desenvolvimento regional”, afirma.
Chef de cozinha Fátima Negre destaca ainda o potencial de uso do pinhão como alimento sem glúten — Foto: Divulgação
A especialista destaca ainda que o alimento possui características valorizadas pelo mercado consumidor. “Pode ser utilizado em preparações doces e salgadas, de receitas tradicionais a pratos sofisticados”, ressalta.
Segundo Negre, existe atualmente um movimento crescente de valorização dos ingredientes regionais brasileiros, e o pinhão se destaca.
Embrapa Florestas
Enquanto isso, a Embrapa Florestas, sediada em Colombo (PR), avança em um projeto voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva da semente. A iniciativa prevê a instalação de uma agroindústria de processamento de pinhão na região da Terra dos Pinheirais, que reúne 11 municípios do centro-sul do Paraná.
A unidade está em construção em Inácio Martins, segundo maior produtor estadual. Em 2024, o município registrou uma colheita de 750 toneladas. Já a cidade de Pinhão liderou a produção paranaense com 880 toneladas.
Em todo o estado, a cultura movimentou R$ 25,7 milhões em 2024, com uma produção aproximada de 4 mil toneladas — Foto: Embrapa
O projeto da Embrapa também contempla treinamentos voltados ao processamento da semente e à produção de mudas enxertadas de araucária. Inicialmente, a agroindústria fabricará farinha de pinhão, mas o plano prevê a expansão para produtos como snacks, salgadinhos, pães e pré-misturas para panificação.
Agroindústria
No campo, os produtores acompanham com expectativa a implantação da agroindústria. O coletor Rui Sérgio Czanovski, de Inácio Martins, acredita que o novo empreendimento poderá ampliar sua rentabilidade. Atualmente, a comercialização do pinhão representa cerca de 10% da renda da propriedade, cuja principal atividade é o cultivo de erva-mate.
“Para melhorar o preço que recebo pelo pinhão, tirei o atravessador e vendo direto ao cliente”, relata. Hoje, ele comercializa o produto por R$ 8 o quilo.
Já o produtor Sílvio de Godoy ainda depende da venda para intermediários, o que reduz sua remuneração para R$ 6,40 por quilo. Assim, ele vê na nova estrutura uma oportunidade de aumentar os ganhos. “Espero um melhor rendimento com a agroindústria”, afirma.
O Brasil consolidou sua posição como referência mundial em alimentação escolar. O país investe em políticas públicas que garantem refeições nutritivas para milhões de estudantes da rede pública. Além disso, o modelo brasileiro prioriza alimentos frescos e produzidos no próprio país. A estratégia fortalece a segurança alimentar e estimula a agricultura familiar.
Nas escolas, os cardápios incluem arroz integral, feijão, carnes bovina e suína, frango, peixe, hortaliças e leguminosas. Esses alimentos garantem refeições equilibradas e contribuem para a saúde dos alunos.
O sistema brasileiro contrasta com a realidade observada em parte das escolas dos Estados Unidos. Lá, a alimentação escolar inclui produtos ultraprocessados, como salgadinhos, biscoitos recheados, sucos artificiais e pães com elevado teor de açúcar.
Um levantamento divulgado pelo Instituto de Defesa dos Consumidores (Idec) mostrou exemplos de cardápios servidos em escolas de Nova York. Em uma creche privada, uma refeição incluiu sanduíche com queijo cheddar ultraprocessado, pequena porção de ervilhas e fruta.
Outro estudo, publicado pelo USA Today em 2019, apontou que a carne servida em escolas americanas apresentava padrões inferiores aos exigidos por redes de fast-food. Além disso, o livro “Lunch Lessons” revelou que quase metade dos vegetais consumidos por crianças e adolescentes era composta por batatas fritas.
Alimentação influencia aprendizado e desenvolvimento
Especialistas destacam que a alimentação adequada exerce papel fundamental no desenvolvimento físico e cognitivo das crianças.
A nutricionista infantil Zuila Acioly afirma que a qualidade dos alimentos deve ser prioridade durante a fase escolar. Segundo ela, muitas crianças dependem da merenda como principal refeição do dia. Por isso, as escolas precisam oferecer cardápios variados, equilibrados e saudáveis. A especialista também destaca a importância dos alimentos fornecidos pela agricultura familiar.
De acordo com Acioly, esses produtos garantem acesso imediato a alimentos frescos e nutritivos. Além disso, influenciam diretamente a composição corporal e o funcionamento do cérebro. Ela ressalta que hábitos alimentares saudáveis na infância contribuem para a formação de adultos mais saudáveis e com melhor desenvolvimento físico.
Pnae fortalece o campo e a alimentação escolar
O Brasil mantém uma das mais abrangentes políticas de alimentação escolar do mundo. A legislação garante refeições gratuitas para todos os estudantes da rede pública.
O Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), coordenado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), desempenha papel central nessa estratégia. A política determina que pelo menos 45% dos recursos federais sejam destinados à compra direta de alimentos da agricultura familiar. Com isso, o programa fortalece a produção rural, amplia a renda dos agricultores e garante alimentos frescos nas escolas. O resultado aparece diariamente nos pratos dos estudantes, que recebem refeições produzidas com alimentos de qualidade.
Nos Estados Unidos, a realidade é diferente. A merenda escolar geralmente não é gratuita para todos os alunos. Embora exista o programa federal National School Lunch Program, o benefício atende principalmente estudantes de famílias de baixa renda. O governo subsidia parte dos custos conforme critérios específicos de elegibilidade.
Segurança alimentar ajuda Brasil a sair do Mapa da Fome
Em julho de 2025, o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU). O resultado reflete o avanço de políticas públicas voltadas à segurança alimentar e ao acesso da população aos alimentos.
Segundo a ONU, o país reduziu para menos de 2,5% o percentual da população em situação de subnutrição ou sem acesso suficiente à alimentação.
A recriação do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), em 2023, reforçou esse movimento. Programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA) ampliaram o apoio à produção rural.
As iniciativas aumentam a oferta de alimentos, fortalecem a agricultura familiar e beneficiam milhões de famílias brasileiras. Dessa forma, o Brasil une produção agrícola, segurança alimentar e educação em uma estratégia que transforma a alimentação escolar em referência internacional.
O produtor rural José Ivaldo Oliveira trocou a agricultura pela criação de camarão há 11 anos, em Pernambuco. Desde então, ele transformou a atividade em uma fonte sólida de renda. Atualmente, ele produz cerca de duas toneladas por semana, com apoio do filho, o engenheiro de pesca Emerson Oliveira.
Além disso, a família encontrou em Feira Nova, no Agreste setentrional, condições ideais para o cultivo. Assim, José Ivaldo se tornou o primeiro produtor de crustáceos do município. A experiência abriu espaço para o crescimento da atividade na região.
Segundo Emerson, o sistema utiliza o chamado camarão cinza, muito valorizado no mercado nacional.
“Esse é o camarão cinza, camarão de praia. É o maior camarão produzido aqui no Brasil e é muito versátil com as características zootécnicas dele. Se adapta muito bem às nossas condições, tanto às condições de água quanto também de qualidade do solo”, afirmou.
Além disso, o produtor projeta ampliar a produção nos próximos meses. “Até o final do ano, a nossa previsão é de 13 toneladas”, destacou Emerson. Para a comercialização, o camarão precisa atingir pelo menos 10 gramas, peso mínimo exigido para venda.
Por outro lado, a atividade segue em expansão no município. Hoje, Feira Nova reúne cerca de 20 produtores. Juntos, eles alcançam aproximadamente 200 toneladas, segundo dados da Secretaria de Agricultura local. Dessa forma, a carcinicultura se consolida como uma atividade econômica relevante na região.
Integração do setor no Nordeste e no Piauí
Além do avanço em Pernambuco, o setor também se fortalece em outras regiões do Nordeste. No Piauí, especialistas e produtores discutem a expansão da criação de camarão para o interior do estado. Durante seminário recente em Parnaíba, instituições como Adapi, Codevasf e universidades destacaram o potencial do semiárido. Assim, a atividade avança como alternativa de renda, inovação e desenvolvimento regional no Nordeste.
A 13ª Rondônia Rural Show Internacional registra forte movimentação de público e crescimento nas vendas desde a abertura, realizada na segunda-feira (25), no Centro Tecnológico Vandeci Rack, em Ji-Paraná. Expositores relatam reposição constante de produtos e aumento da produção para atender à demanda crescente dos visitantes.
Até a quarta-feira (27), o volume de negócios já indica resultados positivos, com expectativa de novos recordes até o encerramento do evento, marcado para sábado (30). A feira se consolida como a maior do agronegócio da Região Norte e amplia sua projeção no cenário nacional.
O governador de Rondônia, Marcos Rocha, destaca o desempenho econômico do evento e a evolução do setor produtivo estadual. Segundo ele, a feira evidencia a força da economia local, baseada em produção de qualidade e práticas sustentáveis.
O secretário de Estado da Agricultura (Seagri), Luiz Paulo, reforça que o número de visitantes e o volume de vendas superam as expectativas nos primeiros dias. O balanço oficial dos negócios será divulgado na solenidade de encerramento.
Expositores ampliam vendas e produção
Expositores comemoram o desempenho comercial durante a feira. A agroindústria de farinha de Alta Floresta d’Oeste, comandada por James Amorim e Ana Paula, participa pela segunda vez e já registra crescimento nas vendas.
O casal relata aumento contínuo na procura pelos produtos, o que exige reposição diária. A expectativa é superar o volume comercializado na edição anterior. Para os produtores, a Rondônia Rural Show representa uma oportunidade estratégica, principalmente para a agricultura familiar.
A história da agroindústria começou com a tradição da farinha de Tarauacá (AC). O produto ganhou espaço no mercado local após a aceitação em eventos e evoluiu para a produção de farofas prontas, hoje comercializadas em escala maior.
Os empreendedores também destacam o apoio do governo estadual, que contribui com estrutura e incentivo ao setor produtivo.
Cafeicultores projetam recorde
O produtor de café Jonas Carvalho, de Theobroma, participa pela quarta vez da feira e também registra bom desempenho nas vendas. Ele projeta superar os resultados dos anos anteriores e pretende esgotar todo o estoque durante o evento.
Segundo o produtor, a estrutura da feira evolui a cada edição e fortalece o ambiente de negócios.
Público destaca estrutura e atrações
A feira atrai visitantes de diferentes regiões do estado. Josiane Maciel, de Nova Brasilândia, visita o evento pelo terceiro ano consecutivo e ressalta a diversidade de atrações e a oportunidade de aprendizado.
De Nova Brasilândia, Josiane Maciel, disse que é o terceiro ano que visita a feira. Foto: Ésio Mendes/Secom
Ela destaca o ambiente familiar e a possibilidade de apresentar o agronegócio às crianças.
Moradores de Ji-Paraná, Mirian Carla e Ailton Braga também elogiam a organização e o ambiente da feira. O casal visita o evento regularmente para conhecer novidades do setor e reforça a qualidade da estrutura.
Casal de Ji-Paraná, Mirian Carla e Ailton Braga. Foto: Ésio Mendes/Secom
No sítio de Victor Abrantes, em Tocantins, município da Zona da Mata de Minas Gerais, os pés de mexerica ponkan estão carregados e prometem uma das melhores safras dos últimos anos. A colheita começa em abril, e a expectativa é que a produção do município chegue a 3 mil toneladas. Ou seja, até três vezes mais do que no ano anterior.
O bom momento não é obra do acaso. Victor integra um grupo de 30 produtores atendidos pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), oferecido gratuitamente pelo Sindicato Rural de Tocantins. Desde 2023, o técnico de campo Gil Pedro Lara visita as propriedades mensalmente, orientando os agricultores em questões técnicas, de gestão e planejamento. Os resultados já aparecem nos números.
Qualidade valoriza a fruta e eleva o preço pago ao produtor
A melhoria nas práticas agrícolas foi determinante para o salto financeiro do grupo. Segundo Gil, os produtores passaram a fazer um controle mais rigoroso de mato, adubação e pulverização, com adoção crescente de calcário e adubos ricos em cálcio, insumos que aumentam a qualidade dos frutos.
O efeito prático aparece na comparação entre os dois últimos anos: a renda coletiva do grupo saltou de R$ 1,378 milhão em 2024 para R$ 1,706 milhão em 2025, crescimento de aproximadamente 23,8%. O dado é ainda mais expressivo quando se observa que a produção caiu no mesmo período, de 989 mil quilos para 880 mil quilos. Uma variação considerada normal no ciclo da cultura de mexerica.
Cooperativa nacional abre mercado mais lucrativo para os ponkaneiros
A qualidade reconhecida abriu portas que antes estavam fechadas. Em 2024, os produtores de Tocantins firmaram contrato com a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) e forneceram cerca de 7 mil caixas de ponkan. A parceria trouxe um diferencial competitivo importante. Enquanto o quilo da fruta era negociado a R$ 1,39 no Ceasa, a Unicafes pagou R$ 2,50/kg,um preço 80% superior.
Outro ponto vantajoso foi a aceitação das frutas menores, que costumam ter pouca saída no mercado convencional, mas são preferidas no fornecimento para merenda escolar por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Para 2026, a estimativa é vender mais de 10 mil caixas a R$ 2,60/kg.
Associação reativada dobra número de produtores na venda coletiva
A conquista da Unicafes como compradora só foi possível graças à retomada da Associação de Produtores Rurais de Tocantins (Asprut), entidade que havia interrompido suas atividades. Victor Abrantes, atual presidente da associação, foi o responsável por mobilizar os colegas e demonstrar na prática os benefícios do trabalho coletivo: compra conjunta de insumos, acesso à assistência técnica e capacidade de abastecer grandes instituições.
Para a safra de 2025, o grupo mais que dobrou o número de produtores participantes da venda para a Unicafes, de 23 para 54 agricultores. E com meta de comercializar 20 mil quilos. “Com isso, vendemos a fruta média com valor agregado e valorizamos também a fruta grande”, explica Victor.
A colheita da ponkan em Tocantins se estende de abril a agosto, com pico de produção em junho.
O cacau voltou a ganhar força no agronegócio brasileiro nos últimos anos. Impulsionada pela alta dos preços no mercado internacional, a cultura registrou avanço na produção nacional e despertou maior interesse dos produtores. Ainda assim, o acesso ao crédito rural segue limitado e representa um dos principais obstáculos para a expansão do setor.
De acordo com dados do IBGE, a produção brasileira da amêndoa cresceu 9% entre 2020 e 2025, alcançando uma estimativa de 294 mil toneladas. Apesar do avanço, especialistas apontam que o volume de financiamento disponível para os cacauicultores ainda é pequeno quando comparado a outras cadeias do agro.
Um levantamento realizado pelo CocoaAction Brasil, iniciativa público-privada voltada ao fortalecimento sustentável da cadeia produtiva do cacau, mostra que o valor do crédito rural destinado ao setor saltou de R$ 143 milhões, em 2018, para quase R$ 445 milhões em 2025. Além disso, os recursos liberados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) avançaram de R$ 20 milhões para R$ 206 milhões no mesmo período.
Mesmo com o crescimento, o montante ainda é considerado reduzido. Em 2025, por exemplo, o Brasil disponibilizou cerca de R$ 357 bilhões em crédito agrícola, mas apenas 0,12% desse total foi direcionado à cacauicultura.
Crise da vassoura-de-bruxa ainda afeta o setor
Segundo Guilherme Salata, coordenador do CocoaAction Brasil, a principal dificuldade para ampliar o crédito está relacionada ao histórico da vassoura-de-bruxa, doença causada por fungos que devastou plantações e deixou muitos produtores endividados durante décadas.
Além disso, ele afirma que a lembrança da crise ainda gera insegurança entre instituições financeiras, dificultando a aprovação de novos financiamentos para o cultivo.
Ao mesmo tempo, medidas recentes do governo indicam um cenário favorável para o crescimento da atividade. A mais recente delas foi a aprovação da Lei nº 15.404, que elevou o percentual mínimo de cacau necessário para que um produto seja considerado chocolate no Brasil.
Agora, os chocolates precisam conter pelo menos 35% de sólidos de cacau, enquanto anteriormente o mínimo exigido era de 25%. Já no caso do chocolate branco, permanece o teor mínimo de 20% de manteiga de cacau, porém com acréscimo de 14% de sólidos totais de leite.
Crédito para o cacau ainda fica atrás de outras culturas
Salata destaca que o crédito destinado aos produtores de cacau continua abaixo do observado em outras cadeias ligadas aos sistemas agroflorestais. Segundo ele, culturas como mandioca e banana praticamente dobraram o volume financiado em comparação ao cacau.
Enquanto a mandioca recebeu cerca de R$ 760 milhões e a banana obteve R$ 745 milhões, o cacau acessou R$ 445 milhões. O açaí, por sua vez, movimentou aproximadamente R$ 341 milhões, mesmo possuindo, segundo Salata, uma cadeia produtiva menos estruturada.
Mesmo com o crescimento da demanda por chocolate no Brasil, a cacauicultura ainda recebe uma fatia pequena do crédito agrícola nacional — (Foto: iStock)
Produtora baiana conseguiu implantar lavoura com apoio do Pronaf
Na cidade de Camamu, na Bahia, a produtora Shirlei Duarte conseguiu acessar crédito rural pela primeira vez após procurar apoio do Consórcio Intermunicipal de Águas e Resíduos do Baixo Sul da Bahia (Ciapra) em julho de 2025.
O financiamento foi liberado em janeiro deste ano por meio do Pronaf. Com os R$ 89 mil obtidos, ela investiu em análise de solo, limpeza da área, compra de mudas, adubação e contratação de mão de obra para implantar dois hectares de cacau.
“Eu já tinha a área, mas não tinha recurso para começar. Se não fosse esse crédito, não conseguiria implementar minha lavoura agora. E daqui três anos eu vou estar produzindo”, relata a produtora.
O empréstimo foi contratado junto ao Banco do Nordeste, com juros de 3% ao ano e período de carência de três anos, prazo estimado para o início da produção da lavoura.
Falta de informação também dificulta financiamentos
Além do impacto histórico da vassoura-de-bruxa, Salata afirma que muitas instituições financeiras ainda possuem pouco conhecimento técnico sobre o cultivo do cacau. “Eles têm dificuldade de avaliar se um projeto é viável ou não”, explica.
Por isso, ele considera a assistência técnica essencial para aproximar produtores do crédito rural. Segundo o coordenador, o suporte ajuda agricultores a identificarem as linhas disponíveis, compreenderem as finalidades de cada modalidade e avaliarem a viabilidade econômica dos investimentos.
Rotas de Integração Nacional impulsionam a produção de cacau no Brasil — (Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil)
Atualmente, quatro modalidades concentram mais de 95% dos R$ 445 milhões financiados na cadeia do cacau em 2025. O Microcrédito Produtivo Rural representa mais de um terço do valor total, enquanto o Pronaf Floresta responde por quase outro terço. Já as linhas Mais Alimentos e Custeio completam o restante dos recursos liberados.
Apesar dos desafios, Salata avalia que o setor vive um momento positivo e ainda possui amplo espaço para crescer.
“Claramente houve um avanço expressivo no acesso ao crédito. Em culturas como a soja, que já concentram volumes muito elevados de financiamento, é mais difícil ampliar significativamente. No cacau, tanto o crédito quanto a produtividade ainda têm potencial de expansão relevante”, afirma.