Tag: agricultura familiar

  • Fazenda libera juros do Plano Safra 2026/27; veja bancos

    Fazenda libera juros do Plano Safra 2026/27; veja bancos

    O Ministério da Fazenda publicou nesta quinta-feira (23) a portaria que autoriza o pagamento de equalização de taxa de juros nos financiamentos do Plano Safra 2026/27, iniciado em 1º de julho. Na prática, a medida libera o início das operações com subvenção direta do Tesouro Nacional — 23 dias após o anúncio das linhas de crédito rural da temporada.

    Recursos somam R$ 141,9 bilhões

    Neste ciclo, 26 instituições financeiras vão operacionalizar as linhas subsidiadas do crédito rural, que somam R$ 141,9 bilhões, uma retração de quase 10% (R$ 15,2 bilhões a menos) frente aos R$ 157,1 bilhões oferecidos no início da safra 2025/26.

    Apesar da queda no valor total, o número de agentes financeiros é recorde.

    Estreantes nesta temporada:

    Banco ABC Brasil

    Banco BMG

    Banco BV

    Lar Credi

    Santander

    Bancos que saíram da lista:

    Badesul

    BRB

    Credialiança

    Stara

    Do total disponível, R$ 97,5 bilhões são destinados a médios e grandes produtores (operados por 25 instituições), enquanto R$ 44,3 bilhões vão para a agricultura familiar (operados por 18 agentes).

    BNDES e Banco do Brasil concentram os maiores volumes

    O BNDES terá R$ 40,4 bilhões em saldos equalizáveis, principalmente em programas de investimento, valor pouco acima dos R$ 39,7 bilhões do início da safra anterior. O banco já publicou as circulares que regulamentam as linhas, e agora os protocolos serão abertos para pedidos de financiamento pelas instituições credenciadas.

    Já o Banco do Brasil teve seus recursos reduzidos: de R$ 58 bilhões no início da safra 2025/26 para R$ 41,8 bilhões agora. Ainda assim, segue como o maior operador do plano, com 29% de participação nos recursos equalizáveis. A instituição também reduziu a oferta total de crédito para a safra, de R$ 230 bilhões para R$ 210 bilhões.

    Cooperativas de crédito

    Sicoob: saldo ampliado de R$ 14,4 bilhões para R$ 19,4 bilhões

    Sicredi: saldo reduzido de R$ 25 bilhões para R$ 18,7 bilhões

    Liberação dividida em dois semestres

    O governo manteve a divisão dos limites equalizáveis em dois semestres — estratégia adotada desde 2025 para encaixar o Plano Safra no orçamento disponível sem necessidade de suplementação.

    Para o período de julho a dezembro de 2026, a autorização permite a liberação de até R$ 94,7 bilhões do saldo total, distribuídos assim:

    Custeio e comercialização: cerca de 80% do limite já liberado (R$ 61,3 bi de um total de R$ 78,2 bi)

    Investimentos: 50% do limite já liberado (R$ 33,4 bi de um total de R$ 63,6 bi)

    O restante poderá ser emprestado entre janeiro e junho de 2027, com impacto no orçamento do próximo ano.

    Custo do programa sobe 34%

    O custo total do Plano Safra 2026/27 será de R$ 18,2 bilhões ao longo de vários anos — alta de 34% em relação aos R$ 13,5 bilhões da temporada 2025/26. Segundo o Ministério da Fazenda, nos seis meses de 2026 o custo já soma R$ 1,7 bilhão.

    Veja o limite equalizável de cada instituição financeira

    Instituição Agricultura Empresarial Agricultura Familiar Total
    Banco do Brasil R$ 27,2 bi R$ 16,4 bi R$ 41,8 bi
    BNDES R$ 21,5 bi R$ 18,9 bi R$ 40,4 bi
    Sicoob R$ 15,1 bi R$ 4,2 bi R$ 19,4 bi
    Sicredi R$ 14,4 bi R$ 4,2 bi R$ 18,7 bi
    Caixa R$ 6,8 bi R$ 86 milhões R$ 6,9 bi
    Itaú R$ 3,2 bi R$ 0 R$ 3,2 bi
    Banrisul R$ 3,0 bi R$ 234,1 milhões R$ 3,2 bi
    Cresol R$ 938,5 milhões R$ 1,2 bi R$ 2,1 bi
    Credicoamo R$ 1,7 bi R$ 198,6 milhões R$ 1,9 bi
    Bradesco R$ 870 milhões R$ 0 R$ 870 milhões
    BDMG R$ 549,0 milhões R$ 37 milhões R$ 586 milhões
    Banco DLL R$ 251,1 milhões R$ 197,4 milhões
    R$ 448,5 milhões
    Banco BV R$ 436,4 milhões R$ 0
    R$ 436,4 milhões
    Basa R$ 350,7 milhões R$ 74,1 milhões
    R$ 424,9 milhões
    BRDE R$ 395,8 milhões R$ 0
    R$ 395,8 milhões
    Banco John Deere R$ 99,1 milhões R$ 126,6 milhões
    R$ 225,8 milhões
    CNH Industrial R$ 26,5 milhões R$ 169,2 milhões
    R$ 195,8 milhões
    Santander R$ 50 milhões R$ 0 R$ 50 milhões
    Banco ABC Brasil R$ 126 milhões R$ 0 R$ 126 milhões
    Desenbahia R$ 30,3 milhões R$ 0 R$ 30,3 milhões
    Credicoopavel R$ 22 milhões R$ 4 milhões R$ 26 milhões
    CrediSeara R$ 0 R$ 20 milhões R$ 20 milhões
    Credisis R$ 10,4 milhões R$ 6,9 milhões R$ 17,3 milhões
    Banpará R$ 576 mil R$ 13,5 milhões R$ 14 milhões
    Banco BMG R$ 6 milhões R$ 0 R$ 6 milhões
    Lar Credi R$ 17 milhões R$ 4,2 milhões R$ 21,2 milhões
    Total geral R$ 97,5 bi R$ 44,3 bi R$ 141,9 bi
  • Proposta pode impedir bancos de retomarem terras de agricultores familiares

    Proposta pode impedir bancos de retomarem terras de agricultores familiares

    O Projeto de Lei 355/26 propõe proibir o uso de imóveis da agricultura familiar como garantia em operações de crédito, financiamento ou empréstimos. A medida busca proteger pequenas propriedades rurais contra a perda em caso de inadimplência.

    Hoje, a Lei 9.514/97 autoriza a alienação fiduciária de imóveis. Nesse modelo, o agricultor mantém a posse da terra durante o pagamento da dívida. Se houver inadimplência, o credor pode retomar o imóvel.

    Autor da proposta, o deputado Welter (PT-PR) afirma que a prática coloca em risco a permanência das famílias no campo. Segundo ele, o uso da pequena propriedade como garantia, inclusive em empréstimos pessoais, pode levar à perda definitiva da terra.

    Dep. Welter (PT – PR). Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

    O parlamentar também destaca que a Lei 14.711/23 ampliou e simplificou o uso da alienação fiduciária para imóveis rurais e bens agrícolas. Na avaliação dele, a mudança tornou mais rápida a retomada dos imóveis pelos credores.

    O projeto tramita em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados. As comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania vão analisar a proposta. Para virar lei, o texto ainda precisa de aprovação na Câmara e no Senado.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Pesquisa acelera produção comercial do baru em conjunto com café

    Pesquisa acelera produção comercial do baru em conjunto com café

    Pesquisadores da Embrapa Cerrados (DF) testam novos sistemas de cultivo em consórcio que combinam o baruzeiro, o cafeeiro irrigado e culturas anuais e bianuais de ciclo curto. A iniciativa pode se tornar, em breve, uma alternativa viável para produtores de pequeno e grande porte que buscam diversificar a produção, ampliar a renda e usar de forma mais racional os insumos e a oferta ambiental do bioma.

    Sistema integrado baru com café em linha dupla aos dois anos de campo. Foto: Tadeu Graciolli/Embrapa

    O baruzeiro é uma árvore nativa do Cerrado brasileiro que produz uma castanha rica em proteínas, fibras e antioxidantes, classificada como superalimento. Apesar da alta demanda nacional e internacional, a espécie ainda não conta com safras previsíveis, já que sua produção depende basicamente da coleta em áreas naturais. Esse cenário reforça a necessidade de sistemas comerciais eficientes de cultivo.

    A cafeicultura irrigada, por outro lado, já é uma atividade consolidada no Cerrado, onde o clima e a altitude favorecem a produção de cafés de alta qualidade e premiados mundialmente.

    Pesquisa combina dois modelos de plantio

    O pesquisador Tadeu Graciolli, criador do Sistema Filho — Fruticultura Integrada com Lavouras e Hortaliças, lançado em 2017, conduz os experimentos há quatro anos. Em uma área de 3.500 m² nos campos da Embrapa Cerrados, a equipe implantou dois sistemas: um de linha dupla (LD) e outro de linha simples (LS), cada um ocupando 45 m x 35 m.

    Nos dois modelos, o espaçamento entre as plantas de baru e de café é o mesmo. A diferença está na disposição: no sistema LS, o baru foi plantado dentro da própria linha do café; no LD, uma linha de baru foi inserida entre cada duas linhas de café. Ao todo, os pesquisadores avaliam dez clones de baru e três variedades de café arábica, com o objetivo de identificar as plantas mais produtivas.

    A equipe plantou as mudas de baruzeiro entre janeiro e fevereiro de 2022 e os cafeeiros entre fevereiro e março do mesmo ano. No sistema LD, a equipe realiza a irrigação por microaspersão e pode mecanizar a colheita.

    Corredores de agricultura geram renda no curto prazo

    As duas linhas vizinhas de cafeeiros do sistema LD formam o que Graciolli chama de “corredores de agricultura”: espaços onde a estrutura física e a irrigação disponível permitem o cultivo de culturas anuais e bianuais, como feijão, abacaxi e mandioca, enquanto o baru e o café ainda estão em desenvolvimento. Essas culturas são colhidas em poucos meses e ajudam a compensar o investimento inicial no plantio das árvores.

    Plantas dos baruzeiros floresceram e produziram frutos quatro anos após o plantio. No meio natural, começam a produzir depois de sete a dez anos. Foto: Tadeu Graciolli/Embrapa

    “O sistema LD foi pensado para obtenção de baru no longo prazo, café no médio prazo e culturas anuais e bianuais no curto prazo. Isso é para que o pequeno produtor se sinta seguro em entrar na atividade de plantio de baru”, explica Graciolli.

    Baruzeiros floresceram em menos de três anos

    Os pesquisadores colheram a primeira safra de café dos sistemas em maio de 2024, com produtividade média de cerca de 40 sacas por hectare. Em maio de 2025, enquanto se preparavam para colher a terceira safra de café, eles registraram o desenvolvimento acelerado dos baruzeiros: nove plantas floresceram e começaram a produzir frutos pouco mais de quatro anos após o plantio, bem antes dos sete a dez anos que o baru normalmente leva para frutificar em condições naturais. Algumas plantas floresceram com apenas dois anos e dez meses.

    Segundo Graciolli, esse ritmo só é possível graças ao manejo intensivo do ambiente; irrigação, adubação, controle de invasoras e podas. E mesmo que o baruzeiro em si não receba adubação direta. “Ele se aproveita dos nutrientes residuais da adubação do café, do feijão, do abacaxi”, afirma o pesquisador.

    A água do sistema de irrigação também não é destinada diretamente ao baru. “A irrigação é dirigida para o café e as culturas de ciclo curto. O baru entra como um convidado do sistema, aproveitando a água que sobra dessas outras culturas”, explica.

    Consórcio amplia biodiversidade e sustentabilidade econômica

    Para Graciolli, sistemas integrados como esse permitem maior eficiência no uso de água e nutrientes, além de aumentar a biodiversidade dos cultivos e reduzir a incidência de pragas e doenças. “São produzidos diversos produtos numa mesma área, o que traz sustentabilidade econômica. Isso favorece o pequeno produtor rural para que ele consiga viver da exploração agrícola”, destaca.

    Embora a agricultura familiar tenha concebido originalmente os consórcios, o pesquisador ressalta que propriedades maiores também podem adaptá-los.

    Próximos passos incluem nova safra e seleção de variedades

    A terceira safra de café e a próxima, prevista para 2027, ainda serão acompanhadas pela equipe. “Depois da quarta safra, faremos a poda e o rebaixamento das plantas de café. E esperamos que o baru já tenha mais plantas atingindo a idade adulta e entrando em produção”, projeta Graciolli.

    Após cinco anos de implantação, a estratégia passará por nova avaliação, com possível reabertura dos corredores de agricultura para o plantio de culturas como mandioca, quiabo ou abóbora. Paralelamente, os pesquisadores selecionam as plantas de baru mais produtivas e de crescimento mais rápido, com vistas à produção de mudas por enxertia e ao lançamento futuro de variedades superiores da espécie.

    “Em sistemas dessa natureza, espera-se que o investimento financeiro seja amortizado pelas culturas de ciclo mais curto. E assim que os baruzeiros atingirem a fase adulta, se estabilizarem e entrarem em franca produção, se tornem uma cultura agronômica rentável”, projeta o pesquisador.

    Feijão, abacaxi e mandioca reforçam o desempenho do sistema

    Nos experimentos, três cultivares de feijão alcançaram produtividade média de 1,8 a 2,2 toneladas por hectare. Resultado que, segundo Graciolli, poderia ter superado 3 toneladas por hectare não fosse o ataque de veados campeiros às plantações.

    Foto: Tadeu Graciolli/Embrapa

    Já os testes com abacaxi mostraram bom desempenho das cultivares Smooth Cayenne (ou Havaí) e Pérola. Os frutos do Smooth Cayenne pesaram entre 1,8 e 2,2 quilos, com boa aparência e sabor. Enquanto os do Pérola variaram de 1,3 a 1,8 quilo, com equilíbrio entre doçura e acidez.

    A mandioca, cultivada em uma área do corredor de agricultura originalmente não destinada ao plantio, teve produção de raízes que evoluiu de 4,5 kg para 7,5 kg por cova entre os 10 e os 16 meses após o plantio. O equivalente a um potencial de sete toneladas por hectare.

    Sistema de linha simples serve como referência de comparação

    No sistema LS, o espaçamento de 4 metros entre as linhas de café e o baru, plantados alternadamente na mesma linha, impede o cultivo de espécies de ciclo curto entre as linhas e inviabiliza a colheita mecanizada. O modelo funciona como tratamento testemunha, permitindo avaliar o impacto da proximidade entre baru e café na produtividade.

    Assim, segundo Graciolli, nas duas primeiras safras, os pés de café mais próximos do baruzeiro registraram queda de produção de até 30%, atribuída à competição por água e nutrientes, e não à disputa por luz solar. No sistema LS, a irrigação por gotejamento é destinada ao café, mas também beneficia o baruzeiro. “Nesse sistema, o produtor pode produzir café gourmet em 1 a 2 hectares. E após cinco anos, ele terá o início de produção dos frutos de baru”, conclui o pesquisador.

  • Agricultura familiar pode ganhar sistema próprio de inteligência artificial

    Agricultura familiar pode ganhar sistema próprio de inteligência artificial

    A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 240/26, que cria um sistema informatizado com recursos de inteligência artificial para apoiar a agricultura familiar. A proposta organiza, integra, padroniza e protege dados agroambientais e produtivos, e altera a Lei nº 11.326/2006, que institui a Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais.

    Deputado Carlos Henrique Gaguim, autor da proposta. Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

    O deputado Carlos Henrique Gaguim (União-TO) apresentou o projeto em fevereiro de 2026. E propõe que o novo sistema subsidie decisões de gestão nas pequenas propriedades rurais. A ferramenta, acessível pela internet, reunirá informações sobre produção, meio ambiente e rotina no campo. E usará inteligência artificial para orientar escolhas como o melhor momento de plantar, colher ou investir.

    Como a IA pode ajudar o produtor familiar no dia a dia

    O texto busca levar ao pequeno produtor tecnologias que hoje concentram-se, majoritariamente, nas mãos de grandes empresas do agronegócio. Entre as vantagens previstas para quem vive da agricultura familiar estão:

    • Decisões mais assertivas de plantio e colheita, com base em dados organizados e cruzados pelo sistema;
    • Redução de custos operacionais, já que o produtor deixa de depender de consultorias privadas caras para obter diagnósticos técnicos;
    • Acesso facilitado ao crédito e a programas públicos, com dados padronizados que podem simplificar comprovações e cadastros;
    • Planejamento ambiental mais eficiente, com informações agroambientais centralizadas e protegidas;
    • Equiparação tecnológica em relação às grandes empresas do setor, hoje distantes da realidade da maioria dos agricultores familiares.

    Autor do projeto aponta desigualdade no acesso à tecnologia

    Gaguim afirma que o acesso a tecnologias de inteligência artificial ainda é economicamente inviável para a agricultura familiar, o que amplia as desigualdades em relação às grandes empresas do agronegócio. Segundo ele, a ausência de apoio estatal nesse campo pode comprometer a competitividade, a sustentabilidade e a permanência desses produtores na atividade rural, conforme justificativa que acompanha a proposta.

    O parlamentar já havia atuado no tema anteriormente. Ele é autor do projeto que originou a Lei 14.828/2024, voltada ao incentivo da agricultura familiar com foco em sustentabilidade e modernização. Para Gaguim, a conexão do campo com a realidade digital não pode seguir restrita a poucos produtores, já que o acesso à informação e à tecnologia influencia diretamente a produção e a qualidade de vida das famílias rurais.

    As comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania analisarão o projeto em caráter conclusivo. Porém, para virar lei, o texto ainda precisará passar pela aprovação da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

  • Menino de sete anos vende ovos para pagar escola

    Menino de sete anos vende ovos para pagar escola

    Uma conversa difícil dentro de casa acabou despertando uma atitude surpreendente de um menino de apenas sete anos. Morador de Gaspar, em Santa Catarina, José Pedro Pereira decidiu criar um pequeno negócio para vender ovos e ajudar a família a pagar a mensalidade da escola onde estuda.

    A iniciativa nasceu depois que os pais explicaram que, por causa das dificuldades financeiras, talvez fosse necessário transferi-lo da escola particular. Sem querer deixar o colégio, José perguntou se poderia fazer alguma coisa para ajudar.

    A ideia surgiu dentro da própria família

    Segundo a mãe, Vamila Pereira, José Pedro sempre demonstrou muito interesse pelos estudos e ficou bastante abalado com a possibilidade de mudar de escola.

    Na época, ele tinha apenas seis anos e insistia em encontrar uma forma de contribuir financeiramente.

    Durante uma conversa em família, o menino lembrou que a avó criava galinhas no sítio e costumava vender os ovos excedentes para vizinhos. Foi então que surgiu uma pergunta inesperada: por que ele também não poderia vender ovos?

    A ideia foi aprovada pelos pais e deu início a um pequeno empreendimento rural.

    Pequena criação virou fonte de renda

    O que começou com apenas 15 galinhas cresceu rapidamente.

    Hoje, a família mantém cerca de 80 aves, entre galinhas caipiras e brancas, que produzem aproximadamente 60 ovos por dia.

    No início, a renda obtida com as vendas era suficiente para pagar entre 40% e 50% da mensalidade escolar, já que parte do dinheiro era reinvestida na compra de ração, novas aves e na construção de outro galinheiro.

    Atualmente, a comercialização dos ovos já cobre cerca de 85% da mensalidade.

    O sucesso chamou atenção dos clientes

    Com a divulgação da história, a procura pelos ovos aumentou significativamente.

    As dúzias são vendidas por R$ 15 e chegaram a formar fila de espera entre os compradores.

    O sucesso também rendeu um apelido ao garoto: “Zé dos Ovos”.

    Além de participar das decisões, ele ajuda diariamente na alimentação das aves e na coleta dos ovos.

    Família pretende manter a produção

    Apesar da boa repercussão, a família prefere manter o negócio no tamanho atual.

    Segundo Vamila, ampliar a produção exigiria novos investimentos e elevaria os custos da criação.

    Por enquanto, o objetivo permanece o mesmo: utilizar a renda obtida com a venda dos ovos para garantir que José Pedro continue estudando na escola que tanto gosta.

    A história do menino mostra como uma iniciativa simples, ligada à avicultura e à agricultura familiar, pode gerar renda, incentivar o empreendedorismo desde cedo e reforçar a importância do agronegócio na vida de milhares de famílias brasileiras.

  • Menino troca carrinhos por garnizés e hoje cuida de mais de 20 aves

    Menino troca carrinhos por garnizés e hoje cuida de mais de 20 aves

    Enquanto muitas crianças passam o tempo brincando com carrinhos, videogames ou bola, Luiz Miguel Nohatto Lorenzetti, de apenas sete anos, encontrou sua diversão no campo.

    Morador de Santa Terezinha do Progresso, em Santa Catarina, ele trocou a coleção de carrinhos pela criação de garnizés e hoje ajuda a cuidar de mais de 20 aves na propriedade da família.

    Como começou a paixão pelos garnizés

    Segundo a mãe, Karine Nohatto, Luiz Miguel sempre teve contato com animais, principalmente cavalos. Porém, a paixão pelos garnizés surgiu por volta dos três anos.

    Inicialmente, ele ganhou um galo de porte maior como presente. Como a ave era grande para a idade do garoto, um amigo da família resolveu presenteá-lo com um casal de garnizés. Desde então, a criação só aumentou.

    Atualmente, o galinheiro da propriedade reúne mais de 20 aves, todas acompanhadas de perto pelo menino.

    https://www.instagram.com/reel/DZBY1y7vMuq/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==

    Rotina no campo faz parte da infância

    Quando não está na escola, Luiz Miguel participa dos cuidados diários com os animais.

    Com a orientação da família, ele prepara a alimentação das aves, cuida da água, recolhe ovos e acompanha a criação dos garnizés.

    Além das responsabilidades, as aves também fazem parte das brincadeiras. Soltas ao redor da propriedade, elas acompanham o garoto em sua tradicional “fazendinha”, onde ele monta pequenas estruturas e cria cenários inspirados na vida no campo.

    “Piá do Garnizé” virou sucesso nas redes sociais

    A rotina simples da família também conquistou espaço nas redes sociais.

    Conhecido como “Piá do Garnizé”, Luiz Miguel costuma aparecer em vídeos mostrando o dia a dia da criação e até leva uma das aves para eventos de cavalgada.

    Segundo Karine, o conteúdo retrata exatamente a realidade da família.

    “Não imaginávamos que teria uma repercussão tão grande e que tantas pessoas se encantariam com a história e com a relação dele com os animais.”

    Sonho é seguir carreira no agronegócio

    Apesar da pouca idade, Luiz Miguel já faz planos para o futuro.

    De acordo com a mãe, ele deseja cursar Medicina Veterinária, ampliar a criação de aves da propriedade e também se tornar fazendeiro.

    O garoto sonha em criar garnizés de diferentes tamanhos, cores e raças, além de continuar convivendo com os cavalos, outra grande paixão desde a infância.

    A dedicação aos animais também se reflete nos momentos de lazer. Quando usa a internet ou assiste à televisão, Luiz Miguel prefere conteúdos relacionados à criação de aves, cuidados com os animais e curiosidades sobre o universo rural.

    A história do menino mostra como a convivência com o campo e a agricultura familiar pode despertar responsabilidades desde cedo e fortalecer o vínculo das novas gerações com o agronegócio brasileiro.

  • Pronaf Azul oferece crédito de até R$ 250 mil para pescadores

    Pronaf Azul oferece crédito de até R$ 250 mil para pescadores

    O Governo Federal lançou uma nova linha de crédito voltada à pesca artesanal e à aquicultura familiar. O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) Azul passa a incluir pescadores artesanais e aquicultores familiares entre os beneficiários do crédito rural oficial.

    A iniciativa foi anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário na terça-feira (30) e busca ampliar o acesso ao financiamento para fortalecer a produção, incentivar investimentos e gerar renda nas comunidades que vivem da pesca e da aquicultura.

    Como funciona o Pronaf Azul

    De acordo com a ministra Fernanda Machiaveli, o programa contará com linhas de custeio e investimento, oferecendo condições diferenciadas de financiamento para o setor.

    O objetivo é facilitar o acesso ao crédito para pequenos produtores, permitindo tanto o financiamento das atividades do dia a dia quanto a modernização da produção.

    Crédito para custeio

    No custeio, o Pronaf Azul utilizará a modalidade do microcrédito produtivo, conhecida como Pronaf B.

    Os limites de financiamento serão:

    • até R$ 12 mil por família;
    • até R$ 15 mil para mulheres;
    • até R$ 16 mil para jovens.

    A linha terá juros de apenas 0,5% ao ano, prazo de até três anos para pagamento e bônus de adimplência que varia entre 25% e 40%.

    Financiamento para investimentos

    Quem pretende ampliar ou modernizar a produção poderá acessar a linha Mais Alimentos, vinculada ao Pronaf Azul.

    As principais condições são:

    • financiamento de até R$ 250 mil;
    • juros de 2% ao ano;
    • prazo de até dez anos para pagamento.

    Já nas operações de custeio, o prazo para reembolso será de até 11 meses.

    Objetivo do programa

    Com a criação do Pronaf Azul, o governo amplia o acesso ao crédito rural para atividades ligadas à pesca artesanal e à aquicultura familiar.

    A expectativa é estimular investimentos, aumentar a produção, fortalecer pequenos empreendimentos e contribuir para o desenvolvimento econômico das comunidades pesqueiras em todo o país.

  • Mulheres lideram 75% dos projetos apoiados na Amazônia

    Mulheres lideram 75% dos projetos apoiados na Amazônia

    O agro é delas! As mulheres ocupam cargos de coordenação ou direção em 75% das associações apoiadas pelo Fundo Legado Integrado da Região Amazônica (LIRA), iniciativa que fortalece comunidades amazônicas por meio da produção de fitoterápicos, biocosméticos e produtos da sociobiodiversidade.

    Desde 2020, o programa investe na ampliação da infraestrutura, na capacitação de organizações comunitárias e na geração de renda baseada em conhecimentos tradicionais. No ciclo 2025-2026, projetos liderados por mulheres passaram a receber prioridade na seleção.

    Fundo apoia mais de 50 projetos na Amazônia

    O Fundo LIRA apoia atualmente 53 projetos distribuídos em 57 áreas protegidas da Amazônia Legal, com investimentos de cerca de R$ 7 milhões.

    As iniciativas beneficiam mais de 1,2 mil pessoas em comunidades indígenas, extrativistas, rurais e quilombolas de sete estados da região.

    Além dos recursos financeiros, o programa oferece apoio técnico para fortalecer a gestão das organizações e ampliar o acesso a novos financiamentos.

    Produção une tradição e geração de renda

    Os projetos apoiados envolvem a fabricação de fitoterápicos, óleos vegetais, pomadas, sabonetes e biocosméticos produzidos a partir de matérias-primas da floresta.

    Também recebem apoio para processos de regularização, parcerias técnicas e melhorias na infraestrutura de produção.

    Projeto fortalece medicina tradicional indígena

    Um dos exemplos é o Instituto Juma, na Terra Indígena Xipaya, no Pará.

    A organização estruturou um espaço dedicado à produção de fitoterápicos tradicionais, reunindo mulheres indígenas para preservar conhecimentos transmitidos entre gerações.

    O projeto também promove capacitação de jovens, incentiva o cultivo de plantas medicinais e trabalha na regularização dos produtos junto à Anvisa.

    Foto: Divulgação/Instituto Juma

    Estrutura amplia produção de biocosméticos

    Outro destaque é a Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais de Belterra, conhecida como Amélias da Amazônia.

    Com apoio do Fundo LIRA, a associação ampliou sua estrutura para produzir sabonetes, óleos, pomadas, velas aromáticas, repelentes e outros produtos derivados de espécies da floresta, como a andiroba.

    Os investimentos permitiram reformar espaços de trabalho, instalar novos equipamentos e iniciar a implantação de energia solar, aumentando a capacidade de produção e fortalecendo a geração de renda para as famílias da comunidade.

    Bioeconomia fortalece comunidades amazônicas

    Ao incentivar organizações lideradas por mulheres, o Fundo LIRA contribui para ampliar oportunidades econômicas, preservar conhecimentos tradicionais e fortalecer cadeias produtivas sustentáveis na Amazônia.

    Além da geração de renda, as iniciativas valorizam a biodiversidade da região e estimulam o protagonismo feminino no desenvolvimento das comunidades.

  • Filha abandona carreira para salvar legado de cachaça artesanal

    Filha abandona carreira para salvar legado de cachaça artesanal

    A tecnóloga em Gestão Ambiental Aline Alves Pereira trocou a profissão pela roça. E essa decisão garantiu a sobrevivência de um negócio familiar com mais de quatro décadas de história. Ela retornou ao Sítio João Durval, na zona rural de Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para reforçar a mão de obra da família e assumir a sucessão na produção artesanal de cachaça iniciada há 43 anos pelo pai.

    As irmãs Renata(esquerda) e Aline (direita) assumem a gestão com o pai, João Alves Pereira, e ampliam a comercialização da Durvalina. Foto: Renata Alves Pereira

    A história do alambique começa com uma aposta de João Alves Pereira, que decidiu investir na destilaria após enfrentar prejuízos com o cultivo de hortaliças. “Ele teve o apoio do meu avô Durval, que era degustador de cachaça. Os dois montaram o negócio e, como forma de homenagear o patriarca da família, a cachaça se chama Durvalina”, conta Aline.

    Aos 74 anos, João ainda acompanha todas as etapas da produção. E para a filha, trabalhar ao lado dele representa motivo de orgulho.

    Regularização e apoio técnico

    Um dos primeiros desafios que Aline enfrentou ao entrar no negócio foi a regularização do alambique junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A extensionista da Emater-MG Carolina Vilela Moreira explica que tanto o escritório local quanto a unidade central da empresa acompanharam o processo de reforma, a regularização do alambique e a emissão do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF).

    O suporte técnico da Emater-MG, combinado à dedicação da família, viabilizou as reformas e adaptações necessárias. “A regularização é a concretização de todo o esforço dedicado. Seria impossível sem a dedicação de todos. É um mix de emoções: alívio, alegria e sensação de dever cumprido”, afirma Aline.

    Gestão compartilhada e dois tipos de cachaça

    Hoje, Aline e a irmã Renata Alves Pereira respondem pela gestão administrativa do negócio. O pai, um primo e um funcionário cuidam do cultivo da cana-de-açúcar e da produção da bebida. O alambique produz dois tipos de cachaça: a branca, armazenada em barris de madeira de amendoim, e a amarela, envelhecida em barris de amburana. A comercialização alcança os municípios de Igarapé, São Joaquim de Bicas e Juatuba.

    Para a extensionista Carolina Vilela, a família representa um exemplo de integração entre gerações no campo. “O diálogo entre pai e filhas resultou em transformações no alambique, na organização do processo produtivo e na qualidade da cachaça. A participação das irmãs evidencia a crescente inserção das mulheres nas atividades produtivas do meio rural e traz novas perspectivas para o setor”, avalia.

  • Plano Safra 2026/27 será lançado sem presença de Lula

    Plano Safra 2026/27 será lançado sem presença de Lula

    O governo federal lançará o Plano Safra 2026/27 da agricultura empresarial na próxima terça-feira (30), sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A cerimônia ocorrerá às 10h, no Palácio do Planalto, em Brasília. Lideranças e entidades do agronegócio receberam os convites para o evento nesta sexta-feira (26). No entanto, Lula participará da Cúpula do Mercosul, no Paraguai, durante a cerimônia.

    O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, representará o governo no lançamento. A ausência de Lula rompe uma tradição recente nas apresentações da principal política agrícola do país. Já o Plano Safra 2026/27 da agricultura familiar será anunciado às 17h da mesma terça-feira. O governo espera que Lula retorne a tempo para participar dessa cerimônia.

    Ausência de Lula pode gerar repercussão política

    A dificuldade para conciliar compromissos criou uma situação inédita. Pela primeira vez em anos, o governo anunciará o Plano Safra empresarial sem o chefe do Executivo. Nos bastidores de Brasília, a avaliação é que a ausência de Lula reduz o peso político do evento.

    Além disso, a decisão pode provocar críticas da oposição e de representantes do agronegócio. Segundo essa leitura, o episódio também pode enfraquecer o ministro André de Paula. O ministro ainda busca ampliar o diálogo com lideranças do setor agropecuário.

    Agenda presidencial definiu lançamento do Plano Safra 2026/27

    A equipe da Presidência enfrentou dificuldades para ajustar a agenda presidencial. O Plano Safra entra em vigor em 1º de julho e, tradicionalmente, o governo anuncia o programa antes dessa data. Lula permanecerá em Brasília na segunda-feira (29). Entretanto, o jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo inviabilizou novas agendas públicas.

    Na terça-feira (30), o presidente seguirá para o Paraguai, onde participará da reunião do Mercosul. Em seguida, na quarta-feira (1º), viajará ao Nordeste para compromissos no Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte até quinta-feira (2).

    Até esta sexta-feira, o governo ainda avaliava anunciar o Plano Safra na sexta-feira (3). Essa data representa o último prazo permitido pela legislação eleitoral para divulgar programas governamentais.

    A Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) proíbe a publicidade institucional dos órgãos públicos a partir de 4 de julho de 2026. O prazo corresponde aos três meses anteriores ao primeiro turno das eleições.

    Plano Safra da agricultura familiar

    A participação de Lula no lançamento do Plano Safra da agricultura familiar ainda depende da agenda presidencial. Mesmo assim, o governo trabalha para garantir sua presença.

    O Ministério do Desenvolvimento Agrário pretende repetir a estratégia adotada em anos anteriores. A pasta planeja promover uma feira com agricultores familiares nas proximidades do Palácio do Planalto. Além disso, o ministério pretende reunir pequenos produtores rurais e apoiadores do governo no Salão Nobre durante a cerimônia.

    Elaboração do Plano Safra ficou em nível técnico

    Segundo informações de bastidores, Lula não participou diretamente da elaboração do Plano Safra 2026/27. Diferentemente de anos anteriores, o debate permaneceu no nível técnico. As discussões envolveram poucas reuniões ministeriais ampliadas. A Casa Civil coordenou os trabalhos para definir a nova política agrícola.