Categoria: Sustentabilidade

  • BB firma parceria para reflorestamento no interior de SP

    BB firma parceria para reflorestamento no interior de SP

    O Banco do Brasil assinou uma parceria com a Ambipar e a Coopercitrus para lançar o projeto “Águas do Interior Paulista”, que visa recuperar 50 mil hectares de vegetação nativa de Cerrado e Mata Atlântica no interior de São Paulo. A iniciativa tem como foco a regularização ambiental por meio do reflorestamento com espécies nativas em áreas de reserva legal e de preservação permanente (APPs) em propriedades privadas, priorizando regiões próximas a rios para melhorar o fluxo e a qualidade hídrica local.

    Atualmente, apenas 15% da área contemplada pelo projeto mantém vegetação nativa preservada. E a fragmentação das áreas verdes coloca em risco diversas espécies da fauna e flora. O projeto prevê o plantio de 50 a 80 espécies por hectare, reconstituindo APPs e reservas legais de propriedades de cooperados da Coopercitrus.

    Créditos de carbono

    Além da recuperação ambiental, o projeto tem potencial para gerar cerca de 12 milhões de créditos de carbono ao longo de 37 anos. Isso utilizando a metodologia ARR (Afforestation, Reforestation and Revegetation) da certificadora VERRA, referência no mercado voluntário de carbono. Com preço estimado de USD 45 por crédito, o potencial financeiro pode chegar a R$ 3 bilhões durante a vigência do projeto.

    Segundo o vice-presidente de Negócios de Governo e Sustentabilidade Empresarial do Banco do Brasil, José Ricardo Sasseron, a ação reforça o compromisso da instituição com a sustentabilidade, a geração de créditos de carbono e o fortalecimento da agricultura de baixo carbono. Para Simonia Sabadin, diretora financeira da Coopercitrus, a parceria é essencial para agregar valor ao cooperado e impulsionar práticas ambientais responsáveis. Plínio Ribeiro, conselheiro da Ambipar, destaca que o projeto irá ampliar a conectividade entre fragmentos florestais. Além de fortalecer a resiliência hídrica de uma das regiões mais produtivas do país.

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  • Projeto registra biodiversidade em áreas reflorestadas

    Projeto registra biodiversidade em áreas reflorestadas

    Desde o ano 2000, a São Martinho desenvolve o Projeto Viva Natureza, iniciativa voltada à restauração de matas ciliares e à conservação da biodiversidade nas áreas de atuação da companhia. A ação já resultou na recuperação de mais de 2.580 hectares de vegetação nativa e no plantio de cerca de 4,3 milhões de mudas, fortalecendo os corredores ecológicos e criando condições favoráveis para o desenvolvimento da fauna local.

    Durante a safra 2024/2025, a empresa intensificou o monitoramento da fauna por meio de um protocolo estruturado de avistamento, que identificou 578 animais de 67 espécies diferentes nas áreas reflorestadas de suas quatro unidades. Os registros evidenciam a presença de espécies ameaçadas e quase ameaçadas de extinção, como a ariranha, a anta, a arara-vermelha e a onça-parda.

    Segundo dados levantados pela São Martinho, 59,34% dos animais observados são mamíferos, 26,64% aves e 14,01% répteis. A classificação do grau de ameaça segue a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A classificação das espécies registradas mostra que 49,83% se enquadram na categoria “menor preocupação”, como a coruja-buraqueira. Outras 18,51% pertencem ao grupo de espécies vulneráveis, como o lobo-guará, enquanto 1,9% aparecem como quase ameaçadas e 2,94% ainda não receberam avaliação.

    Jiboia. Foto: Miguel Biasoli/São Martinho

    O assessor de Meio Ambiente da São Martinho, André Tebaldi, destaca que o projeto de avistamento de fauna busca monitorar de forma contínua a biodiversidade, avaliar eventuais impactos das operações da empresa e embasar ações voltadas à preservação ambiental. “A iniciativa fortalece nosso compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade socioambiental, promovendo a convivência harmônica entre as atividades agrícolas e a conservação dos ecossistemas”, afirma.

    Registro fotográfico da fauna integra ação de educação ambiental

    Para ampliar a visibilidade do projeto, a São Martinho contratou o fotógrafo Miguel Biasoli, estudante de Ciências Biológicas na Unesp de Jaboticabal, para documentar a fauna presente nas áreas reflorestadas da Unidade São Martinho, em Pradópolis (SP). O trabalho de campo, realizado entre março de 2024 e janeiro de 2025, incluiu saídas semanais e uso de câmeras automáticas (“traps”) para registros noturnos.

    Ariramba-de-cauda-ruiva. Foto: Miguel Biasoli/São Martinho

    Biasoli fotografou mais de 200 animais, com destaque para aves como arara-vermelha, seriema, picapauzinho-barrado e gavião-caboclo. Além de mamíferos como macaco-prego, cachorro-do-mato, cervo, cateto e espécies raras como a onça-parda, tamanduá-bandeira, jaguatirica e lobo-guará. Cobras como jiboia e sucuri também foram registradas.

    Jacaré-do-papo-amarelo. Foto: Miguel Biasoli/São Martinho

    “As imagens revelam a riqueza ecológica das matas restauradas e comprovam a eficácia das ações de preservação da companhia”, comenta o fotógrafo. As fotos comporão um livro comemorativo bilíngue (português e inglês), com edições impressa e digital. A obra trará informações sobre os projetos ambientais da empresa e será distribuída gratuitamente, sem fins comerciais. Algumas imagens também passarão a decorar o Centro de Inovação da unidade.

    Arapapa. Foto: Miguel Biasoli/São Martinho

    O assessor de Inovação da São Martinho, Walter Maccheroni, destaca que o projeto reforça o valor ecológico e educativo da biodiversidade local. “Além de sensibilizar o público interno, as imagens ajudam a promover a conscientização ambiental. E a fortalecer a conexão entre nossas operações e a conservação dos recursos naturais”, conclui.

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  • Cavalo robô movido a hidrogênio pode revolucionar mobilidade

    Cavalo robô movido a hidrogênio pode revolucionar mobilidade

    Num futuro que galopa rápido, a Kawasaki decidiu apostar em quatro patas e um sopro de hidrogênio: o cavalo robô. Na Expo 2025, em Osaka, a gigante japonesa apresentou ao mundo o Corleo — um robô quadrúpede que lembra um cavalo de verdade, mas sem crina, sem relincho e sem sela de couro. No lugar disso, carrega um motor de 150cc alimentado por hidrogênio, olhos artificiais que leem o terreno e uma proposta ousada: reinventar a forma como nos movemos por lugares onde o asfalto não chega.

    O Corleo é uma daquelas ideias que, à primeira vista, parecem saídas de um filme de ficção científica. Mas não se engane. Ele existe, tem estrutura metálica coberta por carenagens elegantes e patas que pisam firme com cascos de borracha — pensados para dar mais tração, absorver impactos e, quem sabe, um dia até substituir os cavalos de verdade em áreas rurais.

    Apesar de ainda não estar a venda, o protótipo já mostrou que sabe o caminho das pedras. Em vídeos divulgados pela fabricante, o cavalo robô aparece escalando morros íngremes, cruzando ravinas e correndo em campos abertos como se tivesse nascido para isso. Mas o que move o Corleo não é só o motor — é uma ideia: a de que mobilidade e sustentabilidade podem andar juntas, lado a lado, como cavalo e cavaleiro em harmonia.

    Energia limpa

    O combustível? Hidrogênio. A emissão? Só vapor d’água. Uma pegada leve num mundo que tropeça em suas próprias pegadas de carbono. É por isso que o cavalo robô se destaca: ele não apenas anda — ele aponta o caminho.

    O controle é feito com o corpo. Sim, isso mesmo. O piloto se posiciona sobre a estrutura e usa os próprios movimentos para dar comandos, como faria num cavalo de carne e osso. A inteligência embarcada entende os gestos, lê o solo com sensores e ajusta os passos com precisão cirúrgica. Nada de trancos ou tombos: o Corleo sabe onde pisa.

    Uso e funcionalidade

    Por trás da engenhoca está uma aposta clara: abrir trilhas em terrenos difíceis, onde tratores não entram e drones não tocam o chão. No campo, por exemplo, o Corleo pode monitorar plantações, levar ferramentas até áreas remotas ou até substituir pequenas cargas de transporte. É o tipo de inovação que promete fazer o que os drones fizeram pela agricultura de precisão — só que agora, no chão.

    Na cidade, ele pode virar atração turística, meio de transporte alternativo ou solução para missões de resgate em áreas afetadas por desastres naturais. No setor militar, não faltam olhares atentos para a ideia de um robô robusto, ágil e silencioso.

    O painel digital na frente exibe rotas, nível de combustível e outras informações úteis. Parece um tablet grudado no pescoço do bicho — uma mistura de sela tecnológica com GPS de última geração. Tudo muito bonito, tudo muito promissor. Mas, por enquanto, só conceito.

    Foto: Kawasaki

    A Kawasaki ainda não cravou datas para produção em série. Mas a simples aparição do Corleo em Osaka já deixa um recado: a revolução da mobilidade não virá só sobre rodas. Ela pode muito bem chegar troteando, com quatro pernas metálicas, sem emitir um pingo de poluição. E talvez, quem sabe, com um relincho eletrônico ao fundo, só pra lembrar que o futuro também tem memória.

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  • Material à base de plantas pode substituir plásticos descartáveis

    Material à base de plantas pode substituir plásticos descartáveis

    Pesquisadores da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia da Terra e do Mar desenvolveram um material sustentável à base de celulose – componente principal do papel – que pode substituir plásticos descartáveis em produtos como copos, canudos e embalagens. Impermeável e rígido, o novo material se decompõe em até 300 dias no oceano, contra centenas de anos dos plásticos convencionais. A descoberta, publicada recentemente, abre caminho para alternativas ecológicas em um mundo que descarta 8 milhões de toneladas de plástico nos mares anualmente.

    Como a celulose vira alternativa ao plástico?

    A inovação parte de um tratamento químico com brometo de lítio, que transforma a celulose (encontrada em plantas e fibras recicladas, como roupas usadas) em uma estrutura transparente e moldável. Diferente do celofane, que requer coagulantes químicos, o processo dispensa aditivos poluentes e permite criar objetos resistentes:

    • Copos suportam água fervente por 3 horas sem vazamentos significativos;
    • Revestimento com sal de ácido graxo vegetal torna o material 100% impermeável;
    • Produção utiliza matéria-prima reciclada ou de descarte, reduzindo custos ambientais.

    “Este material regenerado é moldável e tem potencial para substituir plásticos convencionais em larga escala”, afirma Noriyuki Isobe, líder do estudo.

    Benefícios ambientais
    • Degradação acelerada: 300 dias no fundo do mar, menos em águas rasas;
    • Redução do uso de petróleo (base dos plásticos tradicionais);
    • Menor impacto na vida marinha, evitando microplásticos.

    Críticas e ressalvas

    Apesar do avanço, especialistas alertam: substituir plástico por outro material descartável não resolve a cultura do “uso único”. “Precisamos questionar o consumo excessivo, exceto em casos essenciais, como na medicina”, diz Bhavna Middha, pesquisadora de sustentabilidade do Instituto Real de Tecnologia de Melbourne.

    A equipe japonesa busca parcerias para escalar a produção e testar o material em larga escala. Objetivo: oferecer uma solução viável para indústrias de alimentos, bebidas e hospitais, setores que dependem de itens descartáveis.

    Perspectivas de mercado:
    • Empresas globais já investem em alternativas biodegradáveis;
    • Regulamentações contra plásticos descartáveis, como a Diretiva Europeia SUP, impulsionam demanda;
    • Preço competitivo será crucial para adoção em massa.

    A poluição plástica ameaça 90% das espécies marinhas, segundo a ONU. Inovações como esta, aliadas à redução do consumo, são peças-chave para cumprir metas globais de sustentabilidade até 2030.

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  • Bioconex conecta comunidades ribeirinhas e impulsiona bioeconomia na Amazônia

    Bioconex conecta comunidades ribeirinhas e impulsiona bioeconomia na Amazônia

    Lançada em 2024 pela Fundação CERTI, por meio do Instituto CERTI Amazônia, a plataforma Bioconex está revolucionando a comercialização de produtos da bioeconomia na Amazônia. Este marketplace inovador conecta comunidades ribeirinhas diretamente com indústrias e consumidores em todo o Brasil, beneficiando cerca de 4.200 famílias envolvidas em atividades como coleta, beneficiamento e comercialização de produtos nativos da floresta.

    A Bioconex já promoveu a comercialização de produtos como açaí, castanha, cariru (hortaliça rica em nutrientes) e babaçu (utilizado nas indústrias farmacêutica, cosmética e alimentícia). Atualmente, o marketplace trabalha com 33 cadeias produtivas e oferece uma média de 10 subprodutos por cadeia, disponíveis em diferentes formas, como pó, óleo, farinha e in natura.

    Nos últimos seis meses, o volume de produtos anunciados na plataforma aumentou em média 20% ao mês. Mais de três toneladas de produtos foram cadastradas no período, com destaque para açaí e castanha. “Ao ampliar a visibilidade de iniciativas que priorizam a floresta em pé, contribuímos para o crescimento do mercado da bioeconomia e o aumento da renda das comunidades amazônicas”, destacou Marco Giagio, Diretor Geral do Instituto CERTI Amazônia.

    Tecnologia e rastreabilidade

    A Bioconex também oferece ferramentas tecnológicas avançadas para facilitar as transações comerciais. Entre elas estão:

    • Vem de Onde: garante a rastreabilidade dos produtos comercializados.
    • BI da Floresta: armazena dados estratégicos para suporte à gestão de negócios.

    Essas soluções permitem que empresas negociem diretamente com os produtores, identifiquem fornecedores e planejem a logística necessária para concretizar os negócios. “Buscamos contribuir para decisões estratégicas que envolvem não apenas preço, mas também custos logísticos e prazos de pagamento”, explicou Giagio.

    Exemplos de sucesso

    A cooperativa Amazônia Cooperar é uma das organizações que utiliza o Bioconex. Com mais de 50 comunidades ribeirinhas envolvidas, a cooperativa comercializa produtos como cacau, castanha e tucumã em diferentes formas: farinha, óleos e cremes. “O Bioconex amplia a visibilidade dos nossos produtos e é fácil de usar. Além disso, conta com suporte técnico especializado em bioeconomia”, afirmou Maria Carolina Farias, representante da cooperativa.

    Outra empresa que utiliza a plataforma é a Arvo – Produtos da Amazônia, localizada em Rio Branco (AC). A empresa cadastra produtos elaborados a partir do jatobá, como chás e temperos. “O Bioconex enfatiza a importância da preservação ambiental e nos ajuda a conectar nossos produtos tradicionais com novos mercados”, destacou Francisco Rodrigues Antropobos, sócio-diretor da Arvo.

    A expectativa é que até o final de 2025 o Bioconex atinja 100 organizações cadastradas, beneficiando cerca de 7 mil famílias na região amazônica. A plataforma reforça o papel estratégico da bioeconomia na preservação ambiental e no desenvolvimento sustentável das comunidades locais.

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  • Projeto utiliza drones com IA para mapear floresta na Amazônia

    Projeto utiliza drones com IA para mapear floresta na Amazônia

    Em um projeto inovador, a Natura, em parceria com a startup Bioverse e comunidades amazônicas, realizou o maior inventário florestal já feito por sobrevoo de drones no Brasil. O estudo, que mapeou 60 mil hectares de floresta no Pará, é um marco na utilização de tecnologia para conservação e desenvolvimento sustentável na Amazônia.

    A iniciativa, que contou com a participação de cerca de 70 famílias das comunidades dos municípios de Abaetetuba e Irituia, coletou dados em apenas seis meses, um processo que levaria décadas por métodos convencionais. O objetivo é ampliar as cadeias produtivas da Natura na região, além de coletar informações cruciais para projetos de conservação e recuperação florestal, como mensuração de estoques de carbono e saúde das espécies.

    Tecnologia

    A tecnologia desenvolvida pela Bioverse combina drones nacionais com inteligência artificial treinada para reconhecer espécies amazônicas, oferecendo resolução superior à de imagens de satélites comerciais. Além disso, a plataforma permite que as comunidades locais acessem diretamente os dados coletados, facilitando o planejamento da produção agroflorestal e o gerenciamento das áreas produtivas.

    “Projetos como esse promovem um impacto ambiental, mas também social. Capacitando as comunidades locais com inovação e tecnologia para um uso sustentável dos recursos da Amazônia”, afirma Rômulo Zamberlan, diretor de pesquisa avançada da Natura.

    Contribuição para a bioeconomia

    Desde o lançamento da linha Natura Ekos, em 2000, a empresa estabeleceu um modelo de negócio baseado na bioeconomia na Amazônia. ADsenvolvendo 44 bioingredientes e envolvendo mais de 10 mil famílias agroextrativistas. A meta é expandir para 49 bioingredientes nos próximos dois anos e conservar 3 milhões de hectares de floresta até 2030.

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  • Palmito pupunha: produção de palmeira amazônica no interior paulista

    Palmito pupunha: produção de palmeira amazônica no interior paulista

    Em Pires de Cima, bairro rural de colonização alemã em Limeira (SP), os irmãos Douglas e Cassiana Carradas estão escrevendo um novo capítulo na história de sua propriedade familiar centenária. Há três anos, eles decidiram investir na produção sustentável de palmito pupunha, uma cultura incomum na região, com apoio técnico da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

    O Sítio Carradas, antes dedicado ao cultivo convencional de grãos, hoje divide espaço com uma plantação de pupunheiras (Bactris gasipaes), palmeira originária da Amazônia. A transição para o Protocolo de Agroecologia — sistema que prioriza práticas sustentáveis e equilíbrio ambiental — contou com orientação da engenheira agrônoma Carla de Meo, da Casa da Agricultura de Limeira.

    Cultura, que não é típica da região, foi implantada com sucesso na propriedade da família, com acompanhamento da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) por meio de sua Regional local.

    “Queríamos algo alinhado à preservação ambiental. O palmito pupunha surgiu como alternativa viável e rentável”, explica Cassiana Carradas. A escolha não foi ao acaso: a espécie permite colheita contínua por até 10 anos, sem necessidade de replantio, graças ao perfilhamento (brotos laterais), e substitui a extração predatória de palmitos nativos.

    Apoio técnico e investimento

    O projeto exigiu planejamento detalhado. “Estudamos mercado, custos e adaptações, como irrigação por gotejamento, crucial para o desenvolvimento das mudas trazidas do Vale do Ribeira”, relata Carla. A família acessou recursos do Feap Mulher, linha de crédito do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista, para perfuração de poço, garantindo água para a produção.

    Inicialmente voltada à indústria, a produção migrou para vendas diretas. “O retorno foi surpreendente. Comercializamos em feiras, para restaurantes e clientes finais, com preços que variam conforme o corte — o ‘coração’ do palmito é o mais valorizado”, destaca Douglas.

    A produção dos irmãos Carradas é comercializada em feiras da região e, diretamente, para restaurantes e consumidores.

    A qualidade do produto, colhido no ponto ideal para garantir maciez, conquistou chefs e consumidores. Cada planta rende até 3 kg de palmito, processado artesanalmente no sítio — do cozimento em panela de pressão ao acondicionamento em vidros esterilizados.

    Sustentabilidade que alimenta o futuro

    Além da rentabilidade, os irmãos enxergam na pupunha um legado ambiental. “É uma cultura perene que protege o solo e evita desmatamento”, ressalta Carla. A propriedade serve agora como modelo para outros produtores interessados em transição agroecológica.

    Para os Carradas, o sucesso vai além dos números. “Estamos honrando a história dessa terra, que pertence à família há gerações, mas com olho no futuro”, finaliza Cassiana.

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  • Brasil pode liderar mercado de carbono com modelos globais

    Brasil pode liderar mercado de carbono com modelos globais

    Com mais de 36 mercados regulados de carbono em operação no mundo, o Brasil encontra inspiração para se tornar uma potência climática. Segundo Fernando Beltrame, CEO da Eccaplan e especialista em Net Zero, o país precisa seguir exemplos bem-sucedidos. Ele cita Chile, Austrália, Costa Rica e Nova Zelândia como referências para criar um sistema próprio, robusto e conectado à realidade brasileira.

    Chile

    O Chile, por exemplo, criou o Chile Carbon Market em 2021. O sistema começou pelo setor energético e agora se expande para outras áreas. Em geral, a meta chilena é alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Para isso, o país incentiva a troca de fontes fósseis por renováveis, com apoio institucional e legal.

    Costa Rica

    Já a Costa Rica virou modelo global ao implementar políticas inovadoras de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Essas políticas recompensam financeiramente comunidades locais e indígenas pela preservação das florestas. O país reverteu o desmatamento e elevou sua cobertura florestal de menos de 50% nos anos 1980 para mais de 60% atualmente.

    Diferente de outras nações, a Costa Rica adotou um modelo financeiro sustentável. Ela financia a conservação com impostos sobre combustíveis fósseis. Por isso, conquistou reconhecimento internacional e recebeu pagamentos do Fundo de Carbono do Banco Mundial por ações comprovadas em projetos REDD+.

    Austrália e Nova Zelândia

    A Austrália também se destaca com o Emissions Reduction Fund. Em geral, o programa oferece apoio financeiro direto para empresas e agricultores que adotam práticas sustentáveis. A Nova Zelândia foi além. O país incluiu o setor agrícola no comércio de emissões e criou um mercado com créditos de florestas nativas e práticas regenerativas.

    “Esses modelos mostram que é possível começar por setores estratégicos, fortalecer a regulação e gerar benefícios reais para quem protege o meio ambiente. O Brasil pode seguir esse caminho de forma progressiva e sustentável”, afirma Beltrame.

    Segundo a consultoria McKinsey & Company, o mercado voluntário de carbono pode movimentar até US$ 50 bilhões por ano até 2030. Portanto, com sua biodiversidade e recursos naturais, o Brasil está entre os países com maior potencial para atender essa demanda.

    Ao mesmo tempo, à medida que empresas e países adotam metas Net Zero, cresce a busca por soluções de compensação. Em resumo, esse cenário abre uma oportunidade única para o Brasil, especialmente em áreas com vegetação nativa, comunidades tradicionais e alta diversidade ambiental.

    “O mercado de carbono pode movimentar a economia verde, gerar empregos no campo, atrair capital estrangeiro e reforçar a imagem do Brasil no exterior. É uma equação rara, que exige coragem e planejamento”, analisa o CEO da Eccaplan.

    Desenvolvimento com impacto social

    Para Beltrame, o momento é propício. A crescente demanda global por créditos de carbono permite transformar os ativos naturais brasileiros em desenvolvimento sustentável.

    “O mercado de carbono é uma ferramenta estratégica para alinhar economia e preservação ambiental. Ele pode gerar renda, atrair investimentos e impulsionar novos mercados”, explica.

    Em resumo, o especialista destaca seis formas de o Brasil se beneficiar com a expansão desse mercado:

    • Geração de receita e entrada de capital estrangeiro em projetos de energia renovável e manejo florestal;
    • Avanço tecnológico, com inovações em blockchain, sensoriamento remoto e monitoramento de emissões;
    • Inclusão social, com renda para comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas;
    • Fortalecimento da imagem internacional, com exportações de menor pegada de carbono;
    • Redução de riscos climáticos, por meio da conservação ambiental e dos serviços ecossistêmicos;
    • Incentivo a políticas públicas, com estímulos fiscais para práticas sustentáveis.

    “Temos tudo: florestas, conhecimento técnico e capacidade de mobilização. Falta consolidar uma estrutura com integridade, transparência e impacto positivo. Ou seja, podemos ser líderes globais nesse mercado – com justiça e inclusão”, conclui Fernando Beltrame.

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    Onça Marcela desfila exuberante no Rio São Lourenço no Pantanal

    Às margens do Rio São Lourenço, no coração do Pantanal, Marcela, a onça-pintada, emerge das sombras com uma presença que deixa todos sem fôlego. Seu passo elegante e poderoso é um espetáculo raro, capaz de hipnotizar até os mais experientes fotógrafos, que se veem sem palavras diante da beleza selvagem que se desdobra diante deles. “Se existem animais com autoridade, presença, delicadeza e elegância, a onça-pintada está no topo,” afirma o aventureiro e fotógrado Tomas Thibaud.

    Foto: Divulgação – Tomas Thibaud

    Marcela é mais do que apenas uma onça-pintada. Ela é um ícone da vida selvagem pantaneira, conhecida e admirada por guias e visitantes que se aventuram por essas águas calmas e matos densos. Sua presença é um lembrete constante da importância da preservação da biodiversidade em um dos últimos refúgios naturais da América do Sul.

    Enquanto Marcela avança, as aves que povoam o céu pantaneiro abrem caminho, como se reconhecessem a soberania da rainha do Pantanal. Esse respeito mútuo entre as espécies é um testemunho do equilíbrio delicado que reina nesse ecossistema. Nesse território, a onça-pintada desempenha um papel crucial como reguladora da cadeia alimentar.

    “Esse avistamento foi especial porque já vínhamos acompanhando os passos e os nados da Marcela, até que, de repente, tudo se encaixou para que ela caminhasse por aquela língua de areia com tanta presença e autoridade que as aves levantavam voo ao seu redor. Nada do que eu possa escrever transmite a sensação vivida naquele momento,” explica Thibaud.

    Foto: Divulgação – Tomas Thibaud

    Onças no Pantanal

    No entanto, Marcela e sua espécie enfrentam desafios significativos. A perda de habitat, as queimadas e o desmatamento ameaçam a sobrevivência desses felinos majestosos. Projetos de conservação, como o Jaguar ID Project, são essenciais para monitorar e proteger esses animais.

    Foto: Divulgação – Tomas Thibaud

    Além disso, a cena de Marcela caminhando ao longo do Rio São Lourenço é um lembrete poderoso da importância de preservar a natureza e de respeitar o lugar que esses animais ocupam no coração do Pantanal. Ela é, portanto, um símbolo vivo da exuberância e do poder selvagens que ainda existem em nosso planeta, e sua presença nos convida a refletir sobre o futuro desses ecossistemas frágeis e magníficos.

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    Virumix: Novo bioinseticida brasileiro atinge 85% de eficácia

    Um avanço científico brasileiro acaba de ganhar destaque global: o bioinseticida Virumix, desenvolvido para combater a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), demonstrou eficiência superior a 85% em testes de campo realizados em Mato Grosso. A praga, que ataca mais de 200 cultivos – como milho, soja e algodão –, é responsável por prejuízos bilionários à agricultura. O produto, feito à base de um vírus natural (Baculovirus spodoptera), será lançado em 3 de abril de 2025, durante a inauguração de uma biofábrica em Sorriso (MT), marcando um novo capítulo no controle biológico de pragas no Brasil.

    Fruto de uma parceria entre Embrapa Milho e Sorgo, IMAmt e Comdeagro, o Virumix é o primeiro bioinseticida microbiológico da linha do IMAmt. Sua fórmula utiliza o SfMNPV, um vírus entomopatogênico que infecta exclusivamente a lagarta-do-cartucho, preservando plantas, animais e seres humanos.

    Principais vantagens:
    • Segurança ambiental: não afeta insetos benéficos, essenciais para o equilíbrio do ecossistema.
    • Versatilidade: compatível com outros agroquímicos e indicado para sistemas orgânicos.
    • Custo-benefício: dosagem de 50g/hectare, com embalagem inicial de 2kg (cobre 40 hectares).

    “O Virumix é uma resposta à resistência da praga a biotecnologias e agroquímicos. Ele reduz custos e impactos ambientais”, explica Álvaro Salles, diretor-executivo do IMAmt e da Comdeagro.

    Como funciona o controle biológico?

    O pesquisador Fernando Hercos Valicente, da Embrapa, detalha que o sucesso do produto depende de aplicação estratégica:

    • Monitoramento semanal da lavoura para detectar infestações precoces (lagartas com menos de 1 cm).
    • Aplicação no início da manhã ou após as 16h, quando as temperaturas são mais baixas.
    • Uso de espalhante adesivo para garantir cobertura uniforme.

    “Não podemos perder a primeira aplicação. A lagarta ataca o milho uma semana após a germinação”, alerta Valicente.

    Biofábrica

    A nova unidade em Sorriso (MT) permitirá produção em larga escala do Virumix, inicialmente distribuído pela Comdeagro. O Brasil, já líder global em bioinsumos, vê o setor crescer 14% ao ano, com projeção de ultrapassar US$ 10 bilhões até 2032.

    O Virumix foi desenvolvido a partir de um vírus entomopatogênico, o que significa que é específico para combater o inseto-alvo. Foto: Fernando Valicente/Embrapa

    “Estamos convertendo nossa biodiversidade em soluções sustentáveis. O Virumix é um exemplo de inovação aberta que posiciona o país na vanguarda da agricultura tropical”, afirma Sara Rios, chefe-adjunta de Transferência de Tecnologia da Embrapa.

    O lançamento ocorrerá na Comdeagro (BR-163, Km 712, Zona Rural de Sorriso), com presença de pesquisadores e representantes do agronegócio. A data reforça o compromisso do Programa Nacional de Bioinsumos, criado em 2020 para reduzir a dependência de insumos importados e impulsionar a bioeconomia.

    Uma curiosidade: o nome Virumix combina “vírus” e “mix”, refletindo a integração de tecnologias naturais no combate à praga.

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