Categoria: Sustentabilidade

  • “Tâmaras bíblicas” voltam à vida em laboratório

    “Tâmaras bíblicas” voltam à vida em laboratório

    Em um feito que parece saído de um filme de ficção científica, pesquisadores israelenses conseguiram trazer de volta à vida tamareiras que desapareceram há séculos. A equipe, liderada pelas doutoras Sarah Sallon e Elaine Solowey, germinou com sucesso sementes arqueológicas encontradas no deserto da Judeia, algumas datando da época de Jesus Cristo.

    O projeto começou em 2005, quando a primeira semente – carinhosamente apelidada de Matusalém – brotou após dois milênios de dormência. Desde então, outras seis sementes foram germinadas, incluindo tamareiras fêmeas capazes de produzir frutos. O processo exigiu paciência e técnica: as sementes foram cuidadosamente hidratadas, tratadas com hormônios especiais e plantadas em condições controladas que imitavam seu ambiente natural.

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    O que torna essa conquista ainda mais extraordinária é que, ao contrário de outros casos de plantas antigas revividas (como as sementes siberianas preservadas no gelo), essas tamareiras sobreviveram graças apenas ao clima árido do deserto. Testes de carbono confirmaram que algumas sementes tinham incríveis 2.400 anos, estabelecendo um novo recorde para a planta mais antiga já regenerada.

    Primeiros frutos

    Em 2020, o projeto atingiu um marco emocionante quando a tamareira Hannah, polinizada por Matusalém, produziu seus primeiros frutos. Os poucos sortudos que provaram as tâmaras descreveram um sabor único, lembrando mel e caramelo – exatamente como os antigos escritos romanos descreviam as famosas tâmaras da Judeia.

    Além do fascínio histórico, a pesquisa tem implicações importantes para o futuro da agricultura. O DNA dessas plantas revela características valiosas, como resistência extrema à seca, que podem ser cruciais em um mundo enfrentando mudanças climáticas. Os cientistas acreditam que estudar essas tamareiras pode levar ao desenvolvimento de cultivos mais resilientes.

    “Estamos não apenas revivendo plantas extintas, mas redescobrindo conhecimentos agrícolas perdidos que podem nos ajudar a enfrentar desafios modernos”, explica a Dra. Solowey. O sucesso do projeto já inspira novas pesquisas com sementes antigas de outras regiões, abrindo possibilidades emocionantes para a arqueologia botânica.

    Enquanto isso, as tamareiras milenares continuam crescendo no deserto de Arava, testemunhas vivas de um passado distante que agora se entrelaça com nosso futuro. Seus frutos não são apenas uma conexão com a história, mas talvez uma peça importante no quebra-cabeça da segurança alimentar global.

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  • “Os Últimos Filhos da Floresta”: livro documenta vida dos Yanomami

    “Os Últimos Filhos da Floresta”: livro documenta vida dos Yanomami

    Ricardo Martins chegou à aldeia Yanomami e ouviu palavras que marcaram sua trajetória. “É, seu Ricardo, seu nome ecoou pela floresta e chegou aos nossos corações”, disseram os indígenas ao fotógrafo e documentarista.

    O encontro resultou em “Os Últimos Filhos da Floresta”, 15º livro do autor. A obra retrata o cotidiano de um dos maiores povos indígenas do Brasil. O lançamento acontece no dia 30 de julho, às 19h, no Teatro Municipal Pedro Paulo Teixeira Pinto, em Ubatuba.

    Foto: Ricardo Martins/Divulgação

    Ricardo planejou chegar à aldeia em oito horas. A viagem levou três dias. O fotógrafo dormiu na mata e viveu o dia a dia da comunidade. Ele acompanhou rituais, caçadas e rotinas dos indígenas.

    “Quando conseguimos essa permissão, preparamos a expedição para chegar na aldeia em oito horas, mas a viagem levou, na verdade, três dias”, conta Ricardo. “Apesar disso, o acesso que tivemos, sem restrições, e toda a receptividade foram únicos.”

    A expedição contou com o apoio de Regiane, indígena que já havia pertencido à aldeia. Ela facilitou o contato com o fotógrafo. Após mais de um ano e meio de negociações, o líder Maciel recebeu Ricardo na comunidade.

    Povo milenar enfrenta ameaças

    Os Yanomami são um dos maiores povos indígenas relativamente isolados do mundo. Sua origem remonta a mais de mil anos nas terras altas da atual Venezuela. Desde então, vivem profundamente integrados à floresta amazônica.

    O povo se distribui entre Brasil e Venezuela. São tradicionalmente caçadores, agricultores e coletores. Desde a década de 1980, enfrentam ameaças crescentes: invasões, garimpo ilegal, desmatamento e doenças trazidas de fora.

    Parte da verba arrecadada financia construção da escola Hemare Pi Wei. Foto: Ricardo Martins/Divulgação

    “O projeto nasceu enquanto eu sobrevoava a Amazônia e assistia a um documentário que mencionava os Yanomami como os últimos filhos da floresta”, explica Ricardo. “Aquilo me tocou profundamente. Percebi que era hora de registrar essa história de forma visual, humana e respeitosa.”

    O livro inclui QR codes para acesso a vídeos exclusivos. Os vídeos revelam os bastidores das fotos. Ricardo também produziu sua 5ª série documental, “Aventura Fotográfica Yanomami”.

    A produção será lançada pela RM Produções em conjunto com o livro. Deve chegar em breve a plataformas de streaming. No dia do lançamento, será exibido um compilado de 20 minutos do documentário.

    Escola como contrapartida

    Ricardo construirá uma escola na aldeia Hemare Pi Wei como contrapartida. O pedido partiu diretamente das lideranças para o autor.

    “Nossos jovens precisam se orgulhar da nossa cultura e dos nossos costumes”, afirmou Maciel, uma das lideranças. “Precisam ter orgulho de serem indígenas. Também precisam aprender a língua e a cultura do Napo (homem branco), pois isso será a defesa deles.”

    Obra documenta cotidiano de um dos maiores povos indígenas do Brasil. Foto: Ricardo Martins/Divulgação

    “Convivendo com os Yanomami, vi um modo de vida conectado à terra, onde tudo é respeitado”, afirma Ricardo. “Enquanto os povos originários existirem, a floresta estará em pé.”

    Parte da verba arrecadada com a venda dos livros financia a construção da escola. Uma coleção de FineArt foi criada para ampliar a arrecadação. Está disponível em www.ricardomartins.org/fineart. Uma “vaquinha” virtual também pode ser acessada pelo link ajud.ar/escola.

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  • Ariranha: o predador dos rios da América do Sul

    Ariranha: o predador dos rios da América do Sul

    A ariranha (Pteronura brasiliensis) é uma das criaturas mais impressionantes dos ecossistemas aquáticos sul-americanos. Conhecida popularmente como “onça d’água” ou “lontra gigante”, este mamífero da família Mustelidae desperta fascínio tanto por suas características físicas quanto por seu comportamento social único.

    Os machos adultos podem medir até 1,8 metros de comprimento e pesar por volta dos 45kg, enquanto as fêmeas não ultrapassam os 30kg e os 1,70 metros. Um único indivíduo consome até 3 kg de peixe por dia (em torno de 10% de seu peso), demonstrando seu voraz apetite.

    A ariranha apresenta o corpo longo coberto por uma pelagem densa e de cor marrom com uma mancha branca no pescoço, uma cauda robusta e achatada, que a auxilia na natação. Os indivíduos diferenciam-se por conta das manchas brancas que possuem no pescoço, sendo únicas para cada indivíduo – uma característica que funciona como uma “impressão digital” natural.

    As ariranhas são animais predadores, diurnos, curiosos, barulhentos e brincalhões. Vivem em bandos (de até dez) e passam o dia se socializando nas margens dos rios, descansando e caçando. O Brasil é o país com maior área de distribuição da espécie, ocorrendo na Amazônia, no Pantanal, no Cerrado e na Mata Atlântica.

    Rivais das onças: mito ou realidade?

    Uma das curiosidades mais intrigantes sobre as ariranhas é sua relação com as onças-pintadas. Ao contrário da crença popular de que as onças evitam ariranhas por receio, a realidade é mais complexa. Os dois animais são rivais naturais e frequentemente se enfrentam. Quando em grupo, as ariranhas conseguem afastar a poderosa onça, mas, sozinhas ou com filhotes, os “lobos do rio” têm mais dificuldade para garantir a segurança da prole.

    Registros recentes mostram que ariranhas atacam onças para proteger os filhotes, demonstrando uma coragem notável quando se trata de defender sua prole. A força está no número: em grupo, as ariranhas podem intimidar até mesmo uma onça-pintada adulta.

    Curiosidades

    Conta a lenda ticuna que a ariranha trocou de lugar com a onça: a história diz que a onça vivia na água e a ariranha vinha à terra apenas para comer. Esta lenda indígena reflete a importância cultural deste animal para os povos da Amazônia.

    As ariranhas só atacam quando se sentem ameaçadas, encurraladas ou com sentimento de pânico. Quando estão na natureza, as ariranhas não costumam demonstrar nenhum tipo de agressividade contra os humanos. No entanto, acredita-se que os ataques são raros, mas os poucos que ocorrem podem ser fatais.

    Elas tem as mesmas características das lontras. A pelagem é grossa, parecendo com um veludo, impermeável, facilitando sua natação. Suas patas possuem membranas juntando os dedos, tornando-as nadadoras excepcionais.

    Conservação e importância ecológica

    A ariranha é um grande predador dos rios sul-americanos e é conhecida como onça dos rios. Como predador de topo, desempenha um papel crucial na manutenção do equilíbrio dos ecossistemas aquáticos, controlando populações de peixes e mantendo a saúde dos rios.

    Infelizmente, provavelmente a espécie está extinta na Argentina e no Uruguai, destacando a importância da conservação desta espécie magnífica nos países onde ainda existe.

    A ariranha representa um dos tesouros da biodiversidade sul-americana, combinando força, inteligência social e adaptações únicas que a tornam uma das criaturas mais fascinantes dos nossos rios. Seu papel como “onça d’água” vai além do nome popular – é verdadeiramente um predador aquático formidável que merece nosso respeito e proteção.

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  • Conheça o maior pomar urbano do Brasil

    Conheça o maior pomar urbano do Brasil

    O Parque Orla de Piratininga, em Niterói, virou cenário de uma revolução verde. O local, antes marcado por descarte irregular de lixo, agora abriga o maior pomar urbano do Brasil. A área verde concentra mais de 5 mil mudas de frutas nativas distribuídas ao longo de 11 quilômetros na Região Oceânica da cidade.

    A Prefeitura de Niterói deu início ao projeto “Fruta no Pé”, que será o maior plantio urbano de frutas já realizado no Brasil em extensão territorial. O projeto recebeu validação da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU) como o maior pomar urbano do país.

    O trabalho começou há dois meses e já foram plantadas cerca de 900 mudas. Segundo o biólogo Alexandre Moraes, diretor de arborização da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (Seconser), a previsão é de que, em sete meses, mais de 5 mil mudas já tenham sido plantadas.

    As espécies plantadas incluem jamelão, jenipapo, grumixama, pitanga, amora, araçá, uvaia, cereja-do-mato e cajueiro. As mudas são de árvores frutíferas de restingas de Mata Atlântica.

    Depois que florescerem, visitantes poderão passear, se refrescar à sombra dos pés e ainda colher os frutos como se fosse uma área rural. A ideia é criar um verdadeiro corredor verde e produtivo.

    Fruta no Pé

    O projeto Fruta no Pé vai além do paisagismo: ele promove sustentabilidade urbana, fortalece a biodiversidade e incentiva a alimentação saudável. Cada muda plantada contribui para a criação de fragmentos florestais ao longo da orla.

    Foto: Secom

    O projeto une sustentabilidade, alimentação saudável e contato direto com a natureza, transformando o cenário urbano e fazendo de Niterói uma cidade mais ecológica e saudável.

    Equipes já testaram iniciativas-piloto em áreas como as restingas de Jurujuba e Charitas antes de implementá-las no Parque Orla de Piratininga.

    O Parque Orla Piratininga (POP) possui 680 mil metros quadrados, conta com 8 píeres e 17 praças, incluindo jardins filtrantes que tratam as águas pluviais sem o uso de produtos químicos.

    O projeto representa um marco na agricultura urbana brasileira e serve como modelo para outras cidades do país interessadas em implementar pomares urbanos sustentáveis.

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  • 260 campos de futebol: projeto recupera Mata Atlântica com araucária

    260 campos de futebol: projeto recupera Mata Atlântica com araucária

    A Fundação CERTI concluiu a primeira fase do projeto “Mais Floresta com Araucária”, restaurando 262 hectares de Mata Atlântica nas regiões da Serra e Meio Oeste de Santa Catarina. A iniciativa foifinanciada pelo BNDES por meio do edital Restauração Ecológica. E recuperou uma área equivalente a mais de 260 campos de futebol, com o plantio de cerca de 40 mil mudas de espécies nativas, incluindo a emblemática araucária (Araucaria angustifolia).

    O projeto  contou com a participação de mais de 100 agricultores locais e apoio técnico das universidades UDESC, UFSC e IFSC. E visa fortalecer a biodiversidade e promover a sustentabilidade econômica por meio da valorização de espécies como a erva-mate, goiabeira-serrana, imbuia e casca d’anta. As araucárias, além de símbolo do ecossistema local, contribuem para a produção do pinhão, importante fonte de alimento e renda para comunidades da região.

    Foto: DIvulgação Mais Floresta

    Segundo Victor Augusto Moreira, coordenador de projetos do Centro de Economia Verde da CERTI, a restauração da Mata Atlântica traz benefícios ambientais como regulação climática, preservação de recursos hídricos e provisão de alimentos, além de impulsionar a economia local. “Nossa intenção foi contribuir para esse ecossistema tão importante, hoje reduzido a menos de 3% da cobertura original”, afirma Moreira.

    Além do reflorestamento, o projeto implantou módulos de sistemas agroflorestais em assentamentos da reforma agrária. E também promoveu capacitações em práticas agrícolas sustentáveis, ampliando as oportunidades para agricultores familiares. A rede de parceiros também viabilizou a criação de viveiros florestais, garantindo infraestrutura para futuras ações de restauração e conservação.

    Foto: DIvulgação Mais Floresta

    A restauração abrangeu Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reservas Privadas do Patrimônio Natural (RPPN) e áreas de Reserva Legal, consolidando um modelo viável de recuperação ambiental que alia conservação da biodiversidade, geração de renda e bem-estar para as comunidades rurais catarinenses.

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  • Brasil é o maior produtor de borracha natural da América Latina

    Brasil é o maior produtor de borracha natural da América Latina

    O Brasil é atualmente o principal produtor de borracha natural da América Latina, com uma produção estimada em cerca de 463 mil toneladas na safra 2023/2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estado de São Paulo lidera a produção nacional, respondendo por aproximadamente 65% do total, seguido por outros estados como Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Tocantins e Pará. Apesar do volume significativo, o país ainda importa entre 40% e 50% da borracha consumida internamente, devido à demanda crescente e desafios na expansão da produção.

    A borracha natural é extraída principalmente por seringueiros, trabalhadores tradicionais que coletam o látex das seringueiras na Amazônia e em outras regiões produtoras. Esses extrativistas desempenham papel fundamental na cadeia produtiva, associando a atividade à preservação ambiental e à economia sustentável, especialmente em áreas de floresta nativa.

    Preço de referência da borracha natural sobe 3,7% em maio de 2025

    O preço de referência para importação da borracha natural registrou alta de 3,7% em maio de 2025, passando de R$ 13,21/kg em abril para R$ 13,70/kg, conforme análise conjunta da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Instituto de Economia Agrícola (IEA-SP). A valorização ocorreu mesmo com a cotação dos contratos na bolsa de Cingapura subindo modestamente 0,9%, enquanto o dólar apresentou queda de 2%, cotado a R$ 5,67. Um fator determinante para o aumento do preço foi o forte crescimento do frete internacional, que subiu 106,7%, enquanto o frete interno manteve-se estável.

    O índice de referência da borracha natural atingiu 162,09 pontos em maio, com alta de 2,3% em relação ao mês anterior, refletindo a conjuntura global de oferta e demanda, além dos custos logísticos.

    Produção nacional em São Paulo cresce, mas enfrenta desafios

    A safra de borracha no estado de São Paulo, maior produtor do Brasil, deve alcançar 266 mil toneladas na temporada 2024/2025, um crescimento estimado de 8,8% em relação à safra anterior, segundo o IEA. No entanto, o setor enfrenta adversidades como condições climáticas desfavoráveis, escassez de mão de obra qualificada e impactos dos incêndios ocorridos em 2024, que atingiram áreas de seringais. A Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor) estima que a produção pode sofrer redução de até 20% devido a esses fatores.

    Foto: Divulgação Mercur

    A atividade exige mão de obra especializada, pois a extração do látex requer técnica precisa para não danificar as plantas e maximizar a produção. A valorização dos preços da borracha, que subiu 118% em um ano, tem animado produtores e pode ajudar na recuperação da força de trabalho do setor.

    Projeto Borracha Nativa da Mercur fortalece cadeia sustentável na Amazônia

    Há 15 anos, a empresa Mercur desenvolve o Projeto Borracha Nativa, que adquire borracha natural diretamente de seringueiros e comunidades indígenas na Amazônia Legal, fomentando uma cadeia produtiva sustentável que alia justiça socioeconômica, preservação ambiental e valorização cultural. Em 2024, o projeto adquiriu 11,7 toneladas de látex extraído em oito territórios do Pará e Rondônia, incluindo Reservas Extrativistas e Terras Indígenas, e já acumula 75 toneladas desde seu início.

    Foto: Divulgação Mercur

    A Mercur paga até quatro vezes mais pelo látex amazônico em relação ao mercado convencional, incentivando a economia da floresta em pé. Parte dessa borracha é utilizada na fabricação de produtos como artigos escolares e materiais de fisioterapia. Em 2024, a empresa lançou a Borracha Nativa da Amazônia, produto 100% feito com látex amazônico e que traz QR Code conectando consumidores às histórias e territórios de origem, em parceria com a rede Origens Brasil®.

    Segundo Jovani, comprador da Mercur, “essa iniciativa aproxima quem compra de quem produz, reforçando a importância da floresta viva para o futuro de todos”.

    Apesar dos desafios, a valorização dos preços e iniciativas sustentáveis como o Projeto Borracha Nativa indicam caminhos promissores para a recuperação e fortalecimento da borracha natural no Brasil. A produção nacional ainda precisa superar limitações estruturais e ampliar investimentos para reduzir a dependência das importações e atender a uma demanda global crescente.

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  • Fazenda Bananal: conheça uma opção de turismo na Mata Atlântica

    Fazenda Bananal: conheça uma opção de turismo na Mata Atlântica

    Localizada em Paraty, Rio de Janeiro, a Fazenda Bananal é um exemplo inspirador de como turismo, educação ambiental e sustentabilidade podem se integrar para promover a conservação da Mata Atlântica e o desenvolvimento local. Com 180 hectares, sendo 70% de mata preservada, a fazenda histórica do século XVII foi restaurada e transformada em um polo de agroturismo e educação socioambiental. Ela oferece experiências imersivas que conectam visitantes à natureza, cultura e gastronomia da região.

    A visita proporciona uma vivência única em meio à Mata Atlântica. São trilhas educativas, hortas agroflorestais que ocupam mais de 16 hectares e espaços de observação da biodiversidade local. O visitante pode explorar sistemas agroflorestais (SAFs), participar de oficinas temáticas e desfrutar do contato direto com a flora e fauna preservadas, promovendo uma conexão profunda com o meio ambiente.

    Além disso, o casarão histórico do século XIX abriga exposições sobre a biodiversidade e cultura local, enquanto o Parque Naturalizado, espaço interativo para crianças, estimula o aprendizado por meio do brincar com elementos naturais.

    Educação ambiental para todas as idades

    A fazenda recebe escolas e grupos para atividades práticas como compostagem, reciclagem, cultivo orgânico e trilhas com interpretação ambiental. Essa abordagem transforma o local em um laboratório a céu aberto, onde diferentes públicos vivenciam na prática os princípios da agroecologia, compreendem os desafios ambientais e se sensibilizam para as soluções sustentáveis.

    O restaurante da Fazenda Bananal destaca-se pela culinária que valoriza ingredientes orgânicos cultivados localmente, com cardápios sazonais inspirados na biodiversidade da Mata Atlântica. A cafeteria oferece lanches artesanais, e a Feira Bananal, realizada mensalmente, comercializa produtos como chocolates, compotas e geleias. Os produtos são produzidos na própria fazenda e por parceiros locais, fortalecendo a economia criativa da região.

    Originalmente a Fazenda Bananal era uma importante produtora de cana, café e banana durante o período colonial. Porém, hoje ela ressignifica sua história ao promover a regeneração ambiental e a educação para a sustentabilidade. Restaurada pelo Grupo OCanto, a propriedade alia preservação do patrimônio histórico, com o casarão restaurado segundo critérios do IPHAN, à conservação da natureza.

    A Fazenda Bananal oferece uma programação cultural diversificada, incluindo exposições, oficinas de arte e natureza, e observação de aves, sempre com foco na valorização da cultura local e da biodiversidade. A equipe atualiza as atividades todos os meses, oferecendo experiências únicas que acompanham a programação cultural de Paraty.

    Informações para visitação

    Aberta de terça a domingo, das 9h às 17h, com última entrada às 16h, a Fazenda Bananal cobra ingresso para as “Experiências Bananal”. São (R$ 60 inteira e R$ 30 meia), que dão acesso a todas as atividades guiadas e autoguiadas. O espaço é ideal para quem busca um dia de contato profundo com a natureza, cultura e gastronomia da Mata Atlântica.

    Para mais informações e programação atualizada, visite o site oficial da Fazenda Bananal e acompanhe o perfil no Instagram @fazendabananal.

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  • Oportunidade: Finlândia busca talentos brasileiros

    Oportunidade: Finlândia busca talentos brasileiros

    A Finlândia, reconhecida como um dos países mais inovadores e sustentáveis do mundo, está ampliando sua cooperação internacional e convidando profissionais brasileiros a integrar seu ecossistema de inovação verde. Com metas ambiciosas, como alcançar a neutralidade de carbono até 2035, o país nórdico busca especialistas em tecnologias limpas, economia circular e bioeconomia para fortalecer sua transição ecológica.

    A edição de 2025 do World Circular Economy Forum (WCEF), realizada pela primeira vez na América Latina (São Paulo), destacou a parceria entre Brasil e Finlândia, reforçando a troca de conhecimentos e oportunidades de negócios sustentáveis.

    “A Finlândia está comprometida com uma mudança sistêmica rumo à sustentabilidade. Queremos atrair talentos globais, especialmente em áreas onde ciência ambiental, inovação digital e economia circular se conectam”, afirma Heidi Virta, Diretora Sênior para a América Latina da Business Finland.

    Da política à prática: o modelo finlandês

    A Finlândia foi o primeiro país do mundo a lançar um roteiro nacional para a economia circular em 2016, atualizado em 2019 e consolidado em 2021 como um programa estratégico liderado pelos ministérios do Meio Ambiente e Assuntos Econômicos. O plano se baseia em quatro pilares:

    • Tomada de decisão baseada em ciência
    • Colaboração multissetorial
    • Autonomia para inovação sustentável
    • Aprendizado contínuo por meio da prática

    Metas para 2035:

    Manter o consumo de matérias-primas nos níveis de 2015 (exceto para exportação).

    Dobrar a produtividade de recursos e a taxa de uso circular de materiais (CMU).

    95% da eletricidade já é livre de CO₂, com 56% proveniente de fontes renováveis.

    Economia circular e bioeconomia

    A Finlândia é referência em:

    • Bioeconomia – Transforma recursos naturais em produtos de alto valor (alimentos, cosméticos, materiais de construção), gerando €29,3 bilhões em 2023 e empregando 11% da força de trabalho.
    • Mineração sustentável – Inova em extração sem desperdício e reciclagem de minerais críticos.
    • Tecnologia verde – Liderança em 5G/6G, cidades inteligentes e eficiência energética.

    “A Finlândia tem uma vontade política clara e recursos para financiar a transição energética, algo que faz diferença para empresas e profissionais”, destaca Mariana Lyra, pesquisadora brasileira na LUT University.

    Oportunidades para brasileiros

    A Finlândia enfrenta uma escassez de 130 mil especialistas em tecnologia até 2030, abrindo portas para profissionais estrangeiros, especialmente em:

    • TI e desenvolvimento de software
    • Energias renováveis
    • Games e inteligência artificial
    • Engenharia e bioeconomia

    Vantagens de trabalhar na Finlândia:

    • Equilíbrio entre vida pessoal e profissional (jornada de 7-8h/dia).
    • Salários competitivos (ex.: Engenheiro de Software ganha em média €51.622/ano).
    • Igualdade de gênero e hierarquia horizontal.

    Como se candidatar?

    A plataforma Work in Finland lista vagas e auxilia no processo de imigração. Em 2023, 2.611 brasileiros já viviam no país.

    A Finlândia não apenas lidera a sustentabilidade global, mas também oferece um ambiente inovador e acolhedor para talentos internacionais. Para brasileiros que desejam trabalhar com impacto positivo, o país nórdico é um destino estratégico.

    Quer saber mais? Acompanhe as iniciativas da Business Finland e explore oportunidades no site www.workinfinland.com.

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  • El Niño freia crescimento da castanheira-da-amazônia

    El Niño freia crescimento da castanheira-da-amazônia

    Um estudo conduzido na região de Caracaraí, em Roraima, aponta que o fenômeno El Niño impacta diretamente o crescimento da castanheira-da-amazônia (Bertholletia excelsa), espécie emblemática da floresta Amazônica e de grande importância econômica, histórica e cultural para a região.

    Segundo a pesquisa, períodos de estiagem provocados pelo El Niño resultam em uma redução significativa do crescimento em diâmetro dessas árvores. Maria Eduarda Guimarães, estudante de Engenharia Florestal da Esalq e bolsista da Embrapa Meio Ambiente, destaca que as castanheiras funcionam como verdadeiros arquivos do clima, permitindo resgatar informações históricas por meio da análise dos anéis de crescimento, técnica conhecida como dendrocronologia.

    Detalhes da pesquisa

    Foram analisadas amostras de 10 castanheiras coletadas de forma não destrutiva em uma área de castanhal nativo de nove hectares. Os exemplares avaliados apresentam, em média, 92 anos de idade, 17,5 metros de altura e diâmetro de 78 centímetros. O crescimento médio anual dos anéis foi de 3,87 milímetros.

    As cronologias de crescimento dessas árvores foram correlacionadas a dados de temperatura e precipitação local. Além de informações sobre a temperatura da superfície do oceano Pacífico, utilizadas para identificar eventos de El Niño e La Niña.

    De acordo com Patrícia Costa, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente e coordenadora do estudo, há uma forte relação entre o crescimento da castanheira e a quantidade de chuva na região. Quanto maior a precipitação, maior o desenvolvimento da árvore. Por outro lado, o aumento da temperatura do oceano Pacífico — característica do El Niño — desacelera o crescimento da espécie.

    A série histórica analisada (1951-2010) apresentou alta qualidade nos sinais climáticos registrados nas árvores. O professor Mário Tomazello Filho, coordenador do Laboratório de Anatomia e Identificação de Madeira, ressalta que a castanheira se mostrou um importante bioindicador, sensível às variações de precipitação e aos efeitos do El Niño.

    Importância para a conservação e economia

    Os resultados do estudo reforçam a necessidade de preservar as florestas. E também ampliam o conhecimento sobre como eventos climáticos extremos afetam a dinâmica das espécies amazônicas. Além disso, servem de alerta para possíveis impactos futuros no ecossistema e na economia regional, que depende fortemente da castanha-da-amazônia.

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  • “Elefante Fantasma” é flagrado por câmera no Senegal

    “Elefante Fantasma” é flagrado por câmera no Senegal

    Uma câmera escondida registrou imagens raras de um dos últimos elefantes-da-floresta-africana (Loxodonta cyclotis) no Parque Nacional Niokolo-Koba, no Senegal. O flagrante, feito durante a noite, mostra o animal conhecido como “Elefante Fantasma”, termo usado localmente para descrever os poucos indivíduos remanescentes da espécie, considerada criticamente ameaçada de extinção.

    Segundo o grupo de conservação Panthera e a Direção de Parques Nacionais do Senegal, responsáveis pela gravação, o animal foi identificado como Ousmane. O nome foi dado em homenagem a um guarda-florestal do parque. Armadilhas fotográficas registraram o animal, com tecnologia essencial para monitorar espécies raras e discretas. Ousmane não aparecia desde 2019, e as últimas imagens conhecidas datavam de 2020.

    Na gravação, Ousmane aparece caminhando lentamente pela savana, parando e encarando a câmera. O brilho dos olhos do animal, causado pelas lentes de visão noturna, reforça o clima misterioso que cerca a espécie.

    Espécie em risco crítico

    O elefante-da-floresta-africana é menor que o elefante-da-savana, atingindo até 2,25 metros de altura e sendo a menor das três espécies de elefantes existentes. Estima-se que restem apenas entre cinco e dez indivíduos dessa espécie no Parque Nacional Niokolo-Koba, número alarmante diante dos cerca de 450 registrados na região no final da década de 1970.

    A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classifica a espécie como criticamente ameaçada, com tendência de declínio populacional. O Parque Nacional Niokolo-Koba é atualmente o último refúgio desses elefantes no Senegal, tornando a preservação da área vital para a sobrevivência da espécie.

    “Os elefantes estão sob imensa pressão na África Ocidental. Apenas algumas populações de paquidermes sobrevivem nesta região. O Parque Nacional Niokolo-Koba, onde filmaram este indivíduo, é a última área no Senegal onde esta espécie ameaçada de extinção sobrevive”, afirmou Philipp Hensche, diretor regional do Panthera, à Newsweek.

    Conservação e esperança

    Apesar do cenário preocupante, iniciativas de conservação têm trazido esperança. Desde 2017, o parque e o grupo Panthera desenvolvem um plano de proteção para a área, com estudos para identificar se Ousmane é o último da espécie e avaliar a possibilidade de introduzir um grupo de fêmeas para formar uma nova população reprodutora.

    O histórico do parque em conservação é positivo: ações de combate à caça ilegal permitiram que a população de leões da África Ocidental mais do que dobrasse desde 2011. Como reconhecimento, a UNESCO retirou o parque da Lista de Patrimônios Mundiais em Perigo, reforçando a importância das medidas de proteção para espécies ameaçadas.

    O registro do “Elefante Fantasma” reacende o debate sobre a urgência da conservação e a necessidade de esforços contínuos para evitar a extinção de espécies emblemáticas na África Ocidental.

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