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  • Frigoríficos reavaliam exportações após tarifa dos EUA

    Frigoríficos reavaliam exportações após tarifa dos EUA

    A decisão dos Estados Unidos de cobrar uma tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira, a partir de 1º de agosto, caiu como um balde de água fria sobre o setor. O anúncio feito por Donald Trump pegou os frigoríficos de surpresa e acendeu o alerta em empresas que dependem do mercado norte-americano.

    Diante da mudança, o setor começou a repensar os próximos passos. Segundo Roberto Perosa, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), ainda não há uma definição concreta. No entanto, o clima é de urgência. “Estamos conversando sobre os impactos e tentando entender se realmente compensa continuar enviando carne para lá”, afirmou ele, em entrevista à Reuters.

    Frigoríficos já começam a recuar

    Como resposta imediata, frigoríficos de Mato Grosso do Sul decidiram interromper temporariamente a produção de carne destinada aos Estados Unidos. A pausa, segundo fontes do setor, é estratégica: melhor suspender agora do que correr o risco de acumular carne sem destino, com preços que, após a tarifa, podem não cobrir nem os custos de produção.

    Apesar da suspensão, os demais mercados continuam recebendo normalmente. A medida, por enquanto, é limitada ao que seria enviado aos americanos.

    Exportações podem migrar para China, Chile e Oriente Médio

    Com os Estados Unidos ficando menos atrativos, outras regiões ganham força como destino da carne brasileira. Entre elas estão China, Chile e países do Oriente Médio — todos já conhecidos por importar volumes relevantes e que podem absorver parte do que antes ia para os EUA.

    Essa reconfiguração, no entanto, traz um efeito colateral: mais carne disponível no mercado interno. Caso as exportações não se ajustem rápido, o excedente pode derrubar os preços no Brasil, especialmente no atacado. Isso até pode ser uma boa notícia para o consumidor, mas preocupa quem vive da exportação.

    Governo acompanha e discute reação diplomática

    Para tentar conter os danos, o governo federal criou um comitê interministerial que vai acompanhar de perto os impactos da nova tarifa. A ideia é avaliar medidas que possam amenizar as perdas e discutir uma possível resposta diplomática.

    Dentro do setor, a cobrança é clara: querem uma atuação firme de Brasília. Muitos representantes do setor enxergam a tarifa como uma decisão política, sem base técnica, que rompe acordos comerciais e ameaça uma das principais cadeias produtivas do país.

    Enquanto isso, os frigoríficos seguem cautelosos. Avaliam cenário por cenário, calculam prejuízos potenciais e buscam caminhos viáveis. Uma coisa, no entanto, já está clara para todos: o jogo mudou e rápido.

    Aspecto Situação Atual
    Exportações para os EUA Em avaliação; frigoríficos consideram redirecionar embarques
    Medida tarifária Tarifa de 50% passa a valer em 1º de agosto de 2025
    Reação do setor Suspensões em Mato Grosso do Sul e busca por novos mercados
    Impacto esperado Possível queda no preço da carne no mercado interno
    Ação do governo Comitê criado para analisar impactos e negociar resposta diplomática

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  • Setor citrícola brasileiro pode enfrentar colapso com nova tarifa

    Setor citrícola brasileiro pode enfrentar colapso com nova tarifa

    O presidente Donald Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, medida que entrará em vigor em 1º de agosto de 2025. A decisão atinge diretamente o setor citrícola brasileiro, dominado por três grandes empresas: Cutrale, Citrosuco e Louis Dreyfus Company.

    A Cutrale destina 98% da produção de suco de laranja para exportação em mais de 90 países, com forte presença nos mercados americano, europeu e asiático. A Citrosuco, formada pela fusão entre Fischer e Citrovita em 2010, ultrapassou a Cutrale em participação no mercado global. Juntas, essas companhias controlam a maior fatia do mercado mundial de suco de laranja.

    O Brasil exporta cerca de 95% da produção nacional de suco cítrico. Os Estados Unidos representam o maior mercado individual, absorvendo 42% das exportações brasileiras. A Europa consome 52% da produção, com destaque para Alemanha, França e Reino Unido.

    Tarifa pode tornar 70% do preço final apenas impostos, diz associação setorial

    Ibiapaba Netto, diretor-executivo da CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos), alerta para o impacto devastador da nova tarifa. “Se a sobretaxa for adotada, o imposto vai responder por 70% do valor da tonelada: serão US$ 2.500 de US$ 3.500 negociados”, explica.

    A matemática é simples: de cada US$ 3.500 por tonelada, apenas US$ 1.000 restaria para remunerar toda a cadeia produtiva. “Isso torna inviável a venda para os EUA”, conclui Netto.

    Estudos indicam que o suco de laranja, que atualmente possui tarifa de 5,9%, pode ter a sobretaxa elevada para 15,9% com as novas medidas. O impacto financeiro pode superar R$ 1 bilhão para o setor.

    Mercado interno brasileiro não consegue absorver excedente de produção

    A Europa não possui capacidade para absorver todo o volume exportado aos Estados Unidos. Mercados asiáticos como China e Coreia do Sul crescem, mas não são suficientes para comprar o excedente americano. “A Índia tem grande potencial, por conta da classe média gigantesca, mas as negociações levam tempo”, observa Netto.

    O Brasil também não consegue reverter a produção para o mercado interno. A indústria cítrica foi estruturada para exportação e demanda capital intensivo. O produto viaja a granel em navios-tanque, com envase realizado no destino final.

    “Não dá para reverter a produção ao mercado interno, pois isso demandaria um trabalho de envase, marketing, distribuição”, explica Netto. Ele acrescenta que, como país tropical, “a população está acostumada a consumir sucos naturais” em vez de produtos industrializados.

    Impacto econômico e alternativas de mercado

    Do total das exportações brasileiras, cerca de 15% têm como destino os Estados Unidos. A nova tarifa pode forçar empresas a buscar mercados alternativos ou reduzir drasticamente a produção.

    O setor citrícola brasileiro emprega milhares de trabalhadores, especialmente na região de Araraquara (SP), onde a Cutrale mantém sua sede. A Citrosuco, por sua vez, opera seis mil funcionários, chegando a dez mil durante a safra.

    As empresas mantêm dois terminais portuários no Brasil e seis no exterior – nos Estados Unidos, Bélgica, Austrália e Japão, demonstrando a complexidade logística do setor.

    A guerra comercial entre Brasil e Estados Unidos pode redefinir completamente o mapa de exportações do agronegócio brasileiro. Para o setor citrícola, a sobrevivência depende da capacidade de diversificar mercados e reduzir a dependência americana.

    Preços para o consumidor brasileiro

    Contrariamente ao que se poderia esperar, a tarifa americana não deve gerar redução significativa nos preços do suco de laranja para o consumidor brasileiro. A estrutura industrial foi planejada para exportação, não para atender o mercado interno.

    A eventual queda nos preços internacionais pode beneficiar países importadores europeus e asiáticos, mas dificilmente impactará o Brasil. O consumidor nacional continuará preferindo sucos naturais, enquanto a indústria luta para encontrar novos mercados para seus produtos concentrados.

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  • Carne mais barata no Brasil? Como tarifas dos EUA podem afetar o bolso do consumidor

    Carne mais barata no Brasil? Como tarifas dos EUA podem afetar o bolso do consumidor

    As tarifas de 50% anunciadas por Donald Trump sobre produtos brasileiros podem transformar o mercado doméstico de carne. Com exportações aos EUA ameaçadas, frigoríficos avaliam redirecionar parte da produção para o Brasil. O país, com 211 milhões de habitantes e inflação de 5,35%, tem potencial para absorver o excedente. Mas o cenário ainda é complexo.

    Especialistas afirmam que o aumento da oferta interna pode derrubar os preços da carne. Dados do Cepea mostram que a arroba do boi gordo já está em R$ 299,70. Se a cotação cair, o consumidor pode sentir o alívio no bolso. Mas o varejo nem sempre repassa a redução imediatamente.

    “Possivelmente, a gente vai ver uma carne mais estável e baixa, mas não será imediato porque o varejo segura os preços. Saberemos mesmo entre setembro e outubro”, explica Lygia Pimentel, da AgriFatto.

    Desafios logísticos

    Apesar do potencial, o redirecionamento não é simples. Os EUA compravam carne brasileira a preços mais baixos que Austrália e Argentina. Com a tarifa, o produto nacional perde competitividade. O custo por tonelada pode saltar de US$ 6.143 para US$ 8.415.

    Além disso, o dólar alto pode neutralizar parte do efeito. A moeda subiu 0,72% após o anúncio de Trump, pressionando a inflação. Enquanto o Brasil busca alternativas, os EUA enfrentam escassez de carne. O rebanho americano está no menor nível em 70 anos. Sem o Brasil, os consumidores lá podem pagar mais caro por hambúrgueres.

    “Os americanos não são autossuficientes no abastecimento de carne bovina”, diz Carlos Cogo, da Cogo Consultoria. Isso significa que o valor para o consumidor americano também será afetado.

    Números

    As exportações brasileiras de carne bovina somaram US$ 1,428 bilhão em junho de 2025. Isso representa um aumento de 50% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. O volume exportado no mês alcançou 271,2 mil toneladas, crescimento de 23,3%. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

    Entre os principais mercados no semestre, a China liderou com 641,1 mil toneladas e US$ 3,22 bilhões em compras, um aumento de 28,2% em valor na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os Estados Unidos aparecem na sequência, com 181,5 mil toneladas e US$ 1,04 bilhão, alta de 102%. O Chile importou 58,9 mil toneladas, com receita de US$ 315,5 milhões (+37,4%). O México comprou 52 mil toneladas, totalizando US$ 276,3 milhões, crescimento expressivo de 235,7%.

    Roberto Perosa, presidente da Abiec, explica que o Brasil exporta principalmente cortes que o consumidor nacional não consome com frequência, como partes dianteiras do boi e miúdos. Esses produtos vão para mercados como os Estados Unidos e países asiáticos, onde são usados em hambúrgueres e ensopados típicos.

    Consumo interno

    Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o mercado interno responde por 70% do consumo de carne bovina no país. Cerca de 30% da produção é exportada, e o principal destino é a China, que absorve 44% das exportações brasileiras de carne vermelha. Os Estados Unidos compram apenas 12% desse volume.

    No caso da carne suína, os EUA ocupam a 12ª posição entre os compradores estrangeiros, e o volume exportado para lá é pequeno. Por isso, uma eventual suspensão das exportações para os EUA dificilmente aumentaria a oferta no mercado interno a ponto de influenciar os preços, segundo Ricardo Santin, presidente da ABPA.

    O governo brasileiro projeta queda nos preços, mas ressalta que o impacto depende de fatores como consumo interno e negociações com outros países. Porém, a China, principal compradora, pode absorver parte do excedente.

    Para o consumidor brasileiro, portanto, a resposta final ainda vai demorar alguns meses. Pelo menos até quando os ajustes de mercado devem ficar claros.

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  • Brasil pode reagir até terça a tarifa dos EUA

    Brasil pode reagir até terça a tarifa dos EUA

    O governo brasileiro deve reagir até terça-feira (15) à tarifa imposta pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou, neste domingo (13), que o Brasil tentará reverter a decisão americana por meio do diálogo.

    Trump anunciou uma taxa de 50% sobre produtos brasileiros, como , o que aumentou a tensão entre os países. Caso a tentativa de negociação fracasse, o governo editará um decreto de reciprocidade para taxar produtos dos EUA.

    Alckmin declarou que o decreto de regulamentação da Lei da Reciprocidade será publicado até terça-feira (15). O Congresso Nacional aprovou a norma que permite retaliar tarifas impostas por outros países. O vice-presidente concedeu entrevista durante a inauguração de um viaduto em Francisco Morato, na Grande São Paulo.

    Ele também adiantou que ainda neste domingo se reuniria com o presidente Lula para discutir o tema. Alckmin irá coordenar um comitê formado por representantes do governo e do setor privado. Esse grupo vai definir os próximos passos da resposta brasileira às sanções comerciais dos Estados Unidos. O vice-presidente classificou a tarifa como inadequada, injustificável e passível de questionamento na Organização Mundial do Comércio.

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  • Trump impõe tarifa de 30% ao México e UE

    Trump impõe tarifa de 30% ao México e UE

    Os Estados Unidos ampliaram sua ofensiva comercial. O presidente Donald Trump anunciou tarifa de 30% sobre produtos do México e da União Europeia. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto. Com isso, Washington aumenta a pressão sobre aliados estratégicos e eleva o risco de retaliações.

    Postura agressiva

    Desde que reassumiu a presidência, Trump adota postura agressiva em acordos comerciais. Ele busca rever termos e impor tarifas unilaterais. Segundo o republicano, o objetivo é proteger a indústria americana e reduzir déficits considerados excessivos com parceiros internacionais.

    Tarifa anunciada por redes sociais

    As novas tarifas atingem dois importantes blocos comerciais. O México e a União Europeia somam grande parte das importações dos EUA. Trump anunciou as tarifas neste sábado (12), pelas redes sociais. Ele também divulgou cartas enviadas aos dois líderes estrangeiros.

    Os documentos foram enviados na sexta-feira (11). Eles justificam as tarifas como necessárias à defesa dos interesses americanos. Na carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, Trump classificou o déficit com o bloco como “inaceitável”. Ele afirmou que a União Europeia adota políticas tarifárias e não tarifárias injustas, gerando um comércio “longe de ser recíproco”.

    Somente em 2024, o déficit comercial dos EUA com o bloco europeu alcançou US$ 235,6 bilhões, segundo dados oficiais. O presidente defendeu a tarifa como forma de corrigir o desequilíbrio. Ele também alertou sobre possíveis aumentos, caso haja retaliação.

    Resposta com promessa de reação

    A resposta europeia veio poucas horas depois. Von der Leyen alertou sobre os impactos nas cadeias de suprimento transatlânticas. Ela afirmou que a tarifa pode afetar empresas, consumidores e até pacientes nos dois continentes. E prometeu reação. “Tomaremos todas as medidas necessárias para proteger os interesses da UE”, disse a presidente da Comissão Europeia.

    Apesar da tensão, os 27 países do bloco europeu ainda esperam por um desfecho diplomático antes do início da vigência. O Brasil, que pode ser taxado em 50% a partir do mês que vem, espera pelo acordo comercial entre o MERCOSUL e a União Europeia. As mudanças geopolíticas podem finalmente acelerar esse processo.

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  • Exportações de suco de laranja batem recorde de receita

    A safra brasileira de laranja 2024/25 terminou oficialmente em junho, marcada por contrastes entre volume exportado e receita obtida. O Brasil exportou o menor volume de suco de laranja desde 1997, segundo a série histórica da Secex. Apesar disso, a receita foi recorde.

    Pesquisadores do Cepea avaliam que a safra se encerrou em meio a incertezas sobre a retomada da demanda internacional por suco. Ou seja, parte dos agentes de mercado teme que o consumo externo não volte ao patamar anterior, por diferentes fatores.

    Tarifas do governo Trump

    Entre os motivos estão a estagnação da demanda e os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos durante o governo Trump. O aumento de 10% nas tarifas foi parcialmente neutralizado pela menor oferta de suco, que manteve os embarques em alta. Ainda assim, o setor segue atento à possível elevação tarifária para até 50%, o que causaria impactos maiores no mercado. Em resumo, esse risco se intensifica com a expectativa de maior produção nacional nas próximas safras, o que pode pressionar as cotações.

    Mesmo diante desse cenário, o Brasil teve desempenho positivo nas exportações durante a safra 2024/25. A receita subiu 28,4% frente ao ciclo anterior, alcançando US$ 3,48 bilhões, o maior valor já registrado. Além disso, segundo o Cepea, essa capitalização fortalece o setor para enfrentar os desafios das próximas temporadas.

    Futuros disparam com impacto das tarifas americanas

    Os contratos futuros de suco de laranja subiram com força nesta sexta-feira (11/7), na bolsa de Nova York. Ou seja, o avanço refletiu a reação do mercado às tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

    Após alta superior a 6% no pregão anterior, os papéis com vencimento em setembro fecharam o dia com valorização de 9,48%. A cotação atingiu US$ 2,8885 por libra-peso, maior nível recente, em resposta à insegurança gerada pelas medidas comerciais. Os Estados Unidos representam mais de 40% do mercado para o suco de laranja.

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  • Tarifa de Trump contra Brasil é criticada por CNA

    Tarifa de Trump contra Brasil é criticada por CNA

    A tarifa de Trump sobre produtos brasileiros irritou o setor agropecuário. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou uma nota oficial nesta quinta-feira (10) e condenou a medida com firmeza. Para a entidade, a decisão do ex-presidente americano não encontra justificativa técnica, fere acordos históricos e prejudica consumidores e empresas nos dois países.

    Trump comunicou a decisão em uma carta enviada a Lula. A partir do mês que vem, todos os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos pagarão uma sobretaxa de 50%. O ex-presidente alegou motivos políticos, como o tratamento dado pelo Judiciário brasileiro a Jair Bolsonaro e a tensão com empresas de tecnologia americanas.

    Ainda assim, a CNA defendeu uma saída negociada. A entidade pediu que os governos acionem urgentemente os canais diplomáticos para reverter o tarifaço. “A economia e o comércio não podem ser punidos por disputas políticas”, destacou a nota.

    Entidade afirma que medida é unilateral e desnecessária

    A CNA relembrou que, por mais de dois séculos, Brasil e Estados Unidos mantiveram relações comerciais estáveis. Segundo a confederação, o diálogo sempre prevaleceu, e os dois lados saíram ganhando. “Não existe desequilíbrio que justifique essa sanção”, afirmou a instituição.

    A nota ressaltou que ações unilaterais da Tarifa de Trump causam impactos negativos diretos na cadeia produtiva. Além disso, dificultam investimentos e afastam a confiança do setor privado. Na visão da entidade, essas decisões aumentam a incerteza e colocam em risco empregos, renda e estabilidade econômica.

    O setor rural espera que a diplomacia fale mais alto. “A solução precisa vir do diálogo aberto, sem imposições”, disse a CNA. O comunicado encerrou com um apelo: “Que a razão e o pragmatismo se imponham, para o bem dos dois países.”

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  • Saiba o impacto da tarifa de 50% sobre o agronegócio brasileiro

    Saiba o impacto da tarifa de 50% sobre o agronegócio brasileiro

    O presidente americano Donald Trump anunciou hoje, 9 de julho de 2025, uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, com implementação prevista para 1º de agosto Plano Safra 2025/2026 — Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. No caso do Brasil, a tarifa de 50% é a mais alta já anunciada contra o país, superando as taxas aplicadas a outros parceiros comerciais nesta semana.

    A medida tem motivações declaradamente políticas e comerciais, sendo parcialmente em retaliação ao julgamento em curso do ex-presidente Jair Bolsonaro. Porém, a justificativa são questões relacionadas ao déficit comercial bilateral.

    A reação dos mercados foi imediata. A ameaça de Trump de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros fez a moeda do país despencar, mas cenários externo e interno são desafiadores para o setor, demonstrando a nervosismo dos investidores diante da medida.

    Consequências para o agronegócio brasileiro

    A nova tarifa tende a afetar o agronegócio, a indústria e a pauta de exportações como um todo, aumentando o custo dos produtos brasileiros nos EUA e dificultando o acesso ao principal mercado do hemisfério norte. Portanto, o aumento de 50% nos preços tornará os produtos agrícolas brasileiros significativamente menos competitivos no mercado americano.

    O agronegócio brasileiro, que tem os Estados Unidos como um dos principais destinos de exportação, será particularmente afetado. Os principais produtos afetados devem ser:

    • Café
    • Soja e derivados
    • Carne bovina e suína
    • Açúcar e etanol
    • Produtos florestais

    Assim, todos esses setores enfrentarão uma barreira tarifária sem precedentes, o que pode resultar em redução significativa dos volumes exportados para os EUA.

    Um exemplo concreto do desequilíbrio tarifário já existente pode ser observado no setor de etanol. A tarifa dos EUA sobre o etanol é de apenas 2,5%. Mesmo assim, o Brasil cobra das exportações de etanol dos EUA uma tarifa de 18%. Como resultado, em 2024, os EUA importaram mais de US$ 200 milhões em etanol do Brasil, enquanto os EUA exportaram apenas US$ 52 milhões em etanol para o Brasil. A nova tarifa de 50% deve ampliar drasticamente essa disparidade.

    A relação comercial entre Brasil e EUA já apresentava assimetrias. 48% das exportações norte-americanas para o Brasil entram sem tarifas. Cerca de 15% dos produtos importados dos Estados Unidos estão sujeitos a alíquotas de no máximo 2%, demonstrando uma abertura significativa do mercado brasileiro aos produtos americanos.

    O agronegócio brasileiro precisará acelerar a diversificação de mercados, buscando alternativas na Ásia, Europa e outros parceiros comerciais. A China, já um grande importador de produtos agrícolas brasileiros, pode se tornar ainda mais estratégica.

    Negociações diplomáticas

    O governo brasileiro costuma buscar a mesa de negociações, como já demonstrou em outras situações. Esse deve ser o caminho. O diálogo diplomático será crucial para amenizar os impactos da medida.

    A nova tarifa entra em vigor no dia 1º de agosto e tem potencial para afetar diretamente setores fundamentais da economia brasileira, como o agronegócio, a indústria de base e os bens de consumo. Considerando que o agronegócio brasileiro registrou exportações de US$ 166,55 bilhões em 2023, uma redução nas vendas para os EUA pode impactar significativamente a balança comercial do setor.

    A tarifa de 50% anunciada por Trump representa um dos maiores desafios comerciais enfrentados pelo agronegócio brasileiro em décadas. A medida anunciada por Trump é, antes de tudo, um gesto político, mas suas consequências econômicas serão tangíveis e imediatas.

    O setor precisará se adaptar rapidamente através da diversificação de mercados, otimização de custos e intensificação das negociações diplomáticas. A capacidade de resposta do Brasil a essa crise determinará não apenas o futuro das relações comerciais bilaterais, mas também a competitividade do agronegócio brasileiro no cenário global.

    Reações dos exportadores

    Os exportadores de café, representados pelo Cecafé, foram um dos primeiros setores a se manifestar. Como o Brasil lidera a produção e a exportação mundial, o setor prevê impactos significativos.

     

    O diretor geral do Cecafé, Marcos Matos acredita em negociação. “O Cecafé, o Conselho de exportadores de Café do Brasil, acompanha com atenção a discussão das tarifas nos EUA. É importante mencionar que os Estados Unidos é o país mais importante em termos de consumo de café, ao redor de 24 milhões de sacas. E o Brasil é o principal fornecedor nesse mercado, com mais de 30% de market share. É sabido, sobre as tarifas de café até então, que nós tínhamos 20% no Vietnã, portanto havia caído dos 40% inicialmente anunciado para 20%, nós temos Indonésia com 30%, Nicaragua com 18%, e todos os demais países concorrentes do Brasil com 10%, e o país estava nessa faixa de 10%.”

    Apoio do setor nos Estados Unidos

    O Cecafé e seus parceiros já começaram a negociação com apoio dos parceiros. Lembrando que durante o evento, mais de 40 países estiveram presentes com representantes no Brasil, o que mostra o poder do setor e da entidade. “E agora, com essa faixa de 50%, estamos fazendo um trabalho de agenda positiva, junto com nossos parceiros, como a National Coffee Association, junto a administração Trump. É importante lembrar que o café gera muita riqueza nos EUAS. Eles importam café e agregam valor na industrialização. Para cada um dólar de café importado, são gerados quarenta e três dólares na economia americana. São 2.2 milhões de empregos e 1,2% do PIB norte americano, uma vez que são gerados 343 bilhões de dólares na economia.”

    Matos finaliza de forma otimista sua fala. “Setenta e seis por cento dos americanos tomam café. Nós temos esperança que o bom senso prevaleça. Portanto estamos numa agenda positiva esperançosos que nós tenhamos uma condição muito mais apropriada no comércio de café para os Estados Unidos.”

    Associação de Comércio Exterior do Brasil também se manifesta

    A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) reagiu com surpresa e indignação ao anúncio do aumento para 50% da tarifa de importação dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Para o presidente-executivo da entidade, José Augusto de Castro, essa decisão não tem caráter econômico, mas político, embora provoque um impacto econômico de grande alcance.

    A Amcham (Câmara Americana de Comércio) manifestou “profunda preocupação” com o anúncio dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Segundo a entidade, a medida pode gerar “impactos severos” em empregos, produção, investimentos e nas cadeias produtivas integradas entre os dois países. Ao reforçar sua missão de estreitar laços empresariais entre Brasil e EUA, a Amcham apelou para que os governos retomem o diálogo e busquem uma solução negociada. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) também se posicionou, alertando para os prejuízos que essa decisão pode trazer à economia e pedindo a ampliação das negociações.

    Leia a nota da entidade:

    A Amcham Brasil manifesta profunda preocupação com a decisão anunciada pelo governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras, com vigência a partir de 1º de agosto. Trata-se de uma medida com potencial para causar impactos severos sobre empregos, produção, investimentos e cadeias produtivas integradas entre os dois países.

    A relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos sempre se pautou pelo respeito, pela confiança mútua e pelo compromisso com o crescimento conjunto. O comércio de bens e serviços entre as duas nações é fortemente complementar e tem gerado benefícios concretos para ambos os lados, sendo superavitário para os Estados Unidos ao longo dos últimos 15 anos — com saldo de US$ 29,2 bilhões em 2024, segundo dados oficiais norte-americanos.

    A Amcham Brasil — que há mais de um século atua pelo fortalecimento dos laços econômicos entre os dois países — conclama os governos a retomarem, com urgência, um diálogo construtivo. Reiteramos a importância de uma solução negociada, fundamentada na racionalidade, previsibilidade e estabilidade, que preserve os vínculos econômicos e promova uma prosperidade compartilhada.

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  • Disputa comercial Trump x China pode levar Brasil ao topo do agronegócio

    Disputa comercial Trump x China pode levar Brasil ao topo do agronegócio

    A intensificação da guerra comercial entre Estados Unidos e China, reacendida com o retorno de Donald Trump à presidência norte-americana, pode transformar o Brasil no maior protagonista do agronegócio global. Em 2024, o setor agroexportador brasileiro movimentou US$ 152,63 bilhões, equivalente a 48,9% de todas as exportações do país – o segundo maior valor da série histórica.

    Recentemente, o governo Trump impôs tarifas adicionais de até 145% sobre produtos chineses, incluindo commodities agrícolas. Em resposta, a China aplicou tarifas de até 125% sobre produtos agropecuários norte-americanos, como soja, milho e carnes. Esse cenário abre espaço para o Brasil ampliar sua participação no mercado chinês, especialmente em commodities como soja e carnes.

    “A intensificação das tarifas entre EUA e China abre espaço para o Brasil ampliar sua participação no mercado chinês. Especialmente em commodities como soja e carnes, consolidando-se como fornecedor estratégico em meio às tensões comerciais globais”, avalia Felipe Vasconcellos, sócio da Equus Capital.

    Histórico comercial favorece o Brasil

    Durante o primeiro mandato de Trump, em 2018, os EUA impuseram tarifas de 25% sobre US$ 50 bilhões em produtos chineses, levando a China a retaliar com tarifas sobre produtos agrícolas americanos, como a soja. O Brasil foi diretamente beneficiado, aumentando suas exportações de soja para a China em 35% naquele ano, atingindo volumes recordes de 83 milhões de toneladas. A participação da China nas importações de soja brasileira saltou de 46% em 2016 para 76% em 2024.

    Felipe Vasconcellos, sócio da Equus Capital

    Atualmente, a China já sinaliza que pode substituir os grãos dos Estados Unidos por oleaginosas da América do Sul, especialmente do Brasil. As importações chinesas de soja brasileira devem ultrapassar 30 milhões de toneladas entre abril e junho de 2025, estabelecendo um novo recorde para o trimestre.

    “A substituição da soja americana pela brasileira reforça a posição estratégica do Brasil no comércio global de commodities. A crescente demanda chinesa por nossos produtos agrícolas é uma oportunidade para consolidarmos nossa liderança no setor”, destaca Vasconcellos.

    Além da soja, o Brasil exportou 2,89 milhões de toneladas de carne bovina em 2024, gerando receitas de US$ 12,8 bilhões – sendo US$ 6 bilhões apenas para a China. Com a intensificação da disputa entre EUA e China, o Brasil pode transformar riscos em oportunidades, consolidando-se como um dos principais players do agronegócio mundial.

    Diversificação e desafios

    Apesar das oportunidades, especialistas alertam para a necessidade de ampliar a base de parceiros comerciais e diversificar mercados. O acordo entre União Europeia e Mercosul é visto como um passo importante, mas o Brasil deve buscar também mercados emergentes como a Índia.

    “É essencial que o Brasil amplie sua base de parceiros comerciais. O acordo entre União Europeia e Mercosul é um passo importante, mas o trabalho deve continuar, especialmente com mercados emergentes como a Índia, que têm demonstrado grande potencial de crescimento”, acrescenta Vasconcellos.

    Entre os desafios, estão a desaceleração econômica da China e a queda nos preços de commodities, como o minério de ferro, que podem gerar pressões de curto prazo. Ainda assim, o agronegócio brasileiro tem potencial para diversificar sua atuação global e mitigar impactos adversos. Desde que conte com uma estratégia de diplomacia comercial bem estruturada.

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    Soja sobe 2% em Chicago após Trump recuar em tarifaço

    O mercado internacional de grãos reagiu com força às mudanças de Trump no plano tarifário dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira (9/4), o presidente Donald Trump recuou de forma parcial nas sanções comerciais. A soja respondeu de imediato: subiu 2,01% e encerrou o pregão a US$ 10,1275 o bushel, no contrato para maio.

    Durante a sessão, a oleaginosa se manteve estável. No entanto, a notícia da suspensão de tarifas nos minutos finais virou o cenário. Trump decidiu adiar por 90 dias as tarifas recíprocas a diversos parceiros comerciais — com exceção da China.

    Mais cedo, a China havia anunciado novas retaliações. Ou seja, o país asiático impôs tarifas de 84% sobre produtos dos EUA. Apesar da tensão, os preços dos grãos mostraram pouca oscilação até o anúncio da Casa Branca.

    Milho também avança com recuo dos EUA

    O milho acompanhou o movimento de alta puxado pela soja. Em resumo, os contratos do cereal para maio fecharam com valorização de 1,07%, cotados a US$ 4,74 o bushel. Portanto, a reversão na postura de Trump abriu espaço para retomada das negociações com a União Europeia. O bloco representa um dos maiores compradores globais de milho.

    Trigo reage e fecha com leve alta

    O trigo também oscilou ao longo do dia e fechou em alta. Ou seja, os investidores acompanharam com cautela os impactos da disputa comercial nos preços dos grãos. Os contratos do trigo com entrega para maio subiram 0,42%, encerrando o pregão a US$ 5,4225 o bushel, na Bolsa de Chicago.

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