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  • Brasil e EUA abrem diálogo sobre tarifas do café; setor se manifesta

    Brasil e EUA abrem diálogo sobre tarifas do café; setor se manifesta

    O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) comemorou o diálogo realizado neste domingo (26), na Malásia, entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. A conversa marcou um passo importante para fortalecer as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

    Importância do mercado americano

    Os EUA importam 16% de todo o café exportado pelo Brasil, o que correspondeu a 8,1 milhões de sacas em 2024. O país é o principal destino do café brasileiro e um parceiro estratégico para o setor.

    Durante a missão oficial à Indonésia e à Malásia, o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, participou de reuniões com a equipe do governo federal. Ele apresentou informações estratégicas e defendeu a isenção das tarifas aplicadas aos cafés brasileiros.

    Segundo o Cecafé, ambos os governos demonstraram disposição em avançar nas negociações sobre as tarifas em vigor. Essas taxas reduzem a competitividade do café brasileiro nos Estados Unidos. Como resultado, elas aumentam os preços ao consumidor norte-americano e ameaçam a participação do Brasil no maior mercado importador e consumidor de café do mundo.

    A entidade reforçou que atua tanto no Brasil quanto em Washington para fortalecer a parceria bilateral. O objetivo é garantir competitividade nas exportações, previsibilidade ao mercado global e sustentabilidade à cadeia produtiva do café.

    O Cecafé espera resultados concretos para a eliminação das tarifas sobre o produto, medida que pode reduzir a pressão inflacionária nos EUA e estimular toda a cadeia produtiva brasileira.

    Cafés Especiais

    A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) também celebrou o encontro entre Lula e Trump. Para a entidade, a reunião representa uma oportunidade real de resolver o impasse tarifário e abrir novas frentes de cooperação entre os dois países.

    A BSCA destacou que os Estados Unidos são o principal destino dos cafés especiais do Brasil, com 2 milhões de sacas exportadas por ano e uma receita superior a US$ 550 milhões.

    A possível retirada do tarifaço de 50% sobre os cafés brasileiros tende a normalizar o comércio internacional do produto, especialmente entre o Brasil — maior fornecedor global — e os EUA — maiores importadores e consumidores do mundo.

    Como representante oficial do setor de cafés especiais, a BSCA defende que o diálogo entre os governos preserve empregos, renda e parcerias históricas construídas entre os dois países. A entidade reforçou que a eliminação das tarifas é essencial para proteger o setor brasileiro, a indústria cafeeira e os consumidores norte-americanos.

     

  • Lula e Trump abrem diálogo sobre tarifas e sanções

    Lula e Trump abrem diálogo sobre tarifas e sanções

    Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se reuniram neste domingo (26), na Malásia, para discutir o comércio bilateral. O encontro, de cerca de 45 minutos, marcou o início das negociações sobre tarifas e sanções impostas pelos Estados Unidos a autoridades brasileiras.

    A reunião é o primeiro contato formal entre os dois líderes desde a breve conversa na Assembleia da ONU, em setembro. A agenda ocorre após Washington impor tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e sanções políticas ligadas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Em declaração oficial, Lula afirmou que o diálogo foi “franco e construtivo”. “Acertamos que nossas equipes vão se reunir imediatamente para buscar soluções para as tarifas e sanções”, disse o presidente.
    Durante um encontro com empresários na Malásia, Lula agradeceu o gesto e afirmou que os dois conseguiram “fazer uma reunião que parecia impossível”.

    Trump sinaliza possibilidade de acordo

    Antes da conversa privada, Lula e Trump falaram com jornalistas por cerca de dez minutos. O norte-americano disse ser uma honra reencontrar o líder brasileiro e demonstrou otimismo com um acordo.
    “Provavelmente faremos alguns bons acordos”, afirmou Trump.
    O republicano evitou comentar o caso Bolsonaro, mas disse “se sentir mal pelo que o ex-presidente passou”.
    Segundo um integrante da comitiva brasileira, Lula destacou que o julgamento ocorreu dentro da legalidade e considerou injustas as sanções aplicadas a autoridades do Supremo Tribunal Federal (STF).
    Lula reforçou que o Brasil busca cooperação e respeito mútuo com os Estados Unidos. “Não há razão para desavenças entre os dois países”, declarou.

    Negociações devem começar de imediato

    Após o encontro, o chanceler Mauro Vieira classificou a reunião como “muito positiva”. Segundo ele, Trump prometeu instruir sua equipe a iniciar as negociações ainda neste domingo.
    “A expectativa é concluir rapidamente um acordo que trate de cada setor afetado pela tributação americana”, afirmou.
    Vieira também revelou que a meta brasileira é suspender as tarifas durante as negociações.
    Além disso, Lula e Trump concordaram em realizar visitas recíprocas.
    “O presidente Trump quer ir ao Brasil, e Lula também aceitou visitar os Estados Unidos em breve”, disse o chanceler.

    Lula propõe intermediar diálogo entre EUA e Venezuela

    Ainda segundo Vieira, Lula se ofereceu para atuar como interlocutor entre Washington e Caracas.
    “O presidente disse que a América do Sul é uma região de paz e que o Brasil pode ajudar no diálogo com a Venezuela”, explicou.
    O chanceler destacou que Lula reafirmou o compromisso histórico do país com a diplomacia e o entendimento internacional. “O Brasil estará sempre disposto a atuar como elemento de paz”, concluiu Vieira.

     

  • Trump amplia cota de carne argentina para reduzir preço nos EUA

    Trump amplia cota de carne argentina para reduzir preço nos EUA

    O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, decidiu quadruplicar a cota de importação de carne bovina da Argentina. O volume passa de 20 mil para 80 mil toneladas anuais com tarifas reduzidas.

    A Casa Branca afirma que o objetivo é frear a alta dos preços da carne e ampliar a oferta interna, em um momento de forte pressão inflacionária. Além disso, a medida faz parte de um plano econômico mais amplo para reduzir o custo de vida das famílias americanas.

    O Departamento de Agricultura (USDA) informou que o novo limite tarifário permitirá importações com tarifas preferenciais até 80 mil toneladas por ano. A partir desse ponto, voltam a vigorar alíquotas de 26,4%, aplicadas às quantidades excedentes.

    Escassez de gado pressiona preços e consumo

    Os Estados Unidos enfrentam o menor rebanho bovino em dez anos, resultado direto da seca prolongada em regiões produtoras, do aumento nos custos de ração e da perda de pastagens.

    Esse cenário reduziu a oferta de carne e elevou os preços no varejo, que subiram mais de 50% nos últimos cinco anos. O governo tenta reverter essa tendência antes que o aumento do custo dos alimentos afete de forma mais ampla a economia doméstica.

    Analistas lembram que o consumo americano de carne bovina ultrapassa 12 milhões de toneladas anuais. Por isso, a ampliação da cota argentina representa menos de 1% do total, mas tem valor simbólico no enfrentamento da inflação.

    Setor pecuário reage à decisão da Casa Branca

    Entidades ligadas aos pecuaristas reagiram com preocupação. A National Cattlemen’s Beef Association (NCBA) afirmou que a medida ocorre em um momento delicado para o setor e pode afetar a renda dos produtores.

    Além disso, lideranças rurais de estados como Kansas, Texas e Dakota do Sul cobram maior apoio federal para recompor o rebanho e compensar os efeitos da concorrência estrangeira. Segundo eles, os custos de produção continuam elevados e a abertura da cota tende a pressionar o mercado doméstico.

    No Congresso, parlamentares republicanos solicitaram ao governo que amplie as linhas de crédito e acelere os incentivos à pecuária. Eles defendem a adoção de políticas que garantam estabilidade de preços e sustentação de margens aos criadores.

    Governo americano promete incentivo à produção interna

    Para reduzir tensões com o setor, o USDA prepara um pacote de estímulos voltado à produção nacional. O plano prevê incentivos fiscais, ampliação do acesso a pastagens federais e financiamento de longo prazo para pequenos e médios produtores.

    O governo também planeja investir na capacidade de abate e processamento dentro do território americano, com o objetivo de diminuir gargalos logísticos e fortalecer a cadeia de valor da carne bovina.

    Essas medidas devem ser anunciadas ainda neste trimestre, segundo fontes do Departamento de Agricultura. O pacote poderá incluir parcerias com o setor privado e subsídios para modernização de frigoríficos regionais.

    Argentina comemora avanço comercial com os EUA

    O governo de Javier Milei celebrou a ampliação da cota como um sinal de confiança na carne argentina. Segundo o Ministério da Agricultura, a decisão fortalece o comércio bilateral e, além disso, reforça a imagem do país como fornecedor confiável de proteína bovina de alta qualidade.

    A Argentina exportou mais de 700 mil toneladas de carne bovina em 2024 e, por isso, enxerga no mercado americano uma oportunidade estratégica de expansão. Além de ampliar as receitas do setor, a medida pode estimular investimentos em frigoríficos locais e elevar a competitividade internacional do produto argentino.

    Enquanto isso, parte dos embarques deve abastecer redes de fast food e processadores industriais nos Estados Unidos, o que, por sua vez, pode consolidar a presença da carne argentina em nichos de alto consumo e garantir contratos de longo prazo com grandes distribuidoras. Dessa forma, Buenos Aires aposta em uma reaproximação comercial com Washington, após anos de restrições e quotas limitadas impostas ao produto.

    Ações futuras e impactos políticos

    O governo Trump pretende monitorar os preços ao consumidor nas próximas semanas e reavaliar o mecanismo tarifário caso haja desajuste no mercado. Paralelamente, o gabinete econômico analisa novas parcerias com países do Mercosul para diversificar as fontes de abastecimento.

    Especialistas em política comercial afirmam que a medida tem impacto político imediato, por mostrar reação do governo diante da inflação alimentar. Ainda assim, o efeito econômico é limitado, já que o volume adicional cobre apenas uma pequena fração do consumo interno.

  • CNI classifica conversa entre Lula e Trump sobre tarifaço como “avanço concreto”

    CNI classifica conversa entre Lula e Trump sobre tarifaço como “avanço concreto”

    A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) classificou como “avanço concreto” a videoconferência entre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada nesta segunda-feira (6). O encontro virtual reforça o respeito mútuo entre as duas nações, segundo a entidade.

    Ricardo Alban, presidente da CNI, destacou a importância das negociações para o setor industrial. “Para a indústria, é muito relevante esse avanço das tratativas. Desde o início, nós defendemos o diálogo, pautado pelo respeito e pela significância desta parceria bicentenária. Vamos acompanhar e contribuir com o que for possível”, afirmou o dirigente.

    Durante a conversa, Lula solicitou a Trump a revogação das tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. A CNI calcula que o governo americano pode isentar US$ 7,8 bilhões em exportações brasileiras caso aceite a demanda.

    Alban enfatizou que o Brasil busca recuperar espaço comercial, não obter vantagens extras. “O que está em jogo não é um ganho extra para o Brasil, mas a recuperação de espaço comercial. A possibilidade de integrar o anexo [Potential Tariff Adjustments for Aligned Partners] significa devolver previsibilidade e competitividade às nossas exportações, corrigindo distorções que afetam diretamente a indústria e o emprego no país”, declarou.

    Anexo americano prevê isenção para 1.908 produtos

    A Ordem Executiva dos EUA nº 14.346, apresentada em 5 de setembro, criou o anexo “Potential Tariff Adjustments for Aligned Partners” (Potencial Ajuste Tarifário para Parceiros Aliados). O documento prevê possíveis isenções tarifárias para 1.908 produtos mediante compromissos em comércio e segurança.

    Foto: Divulgação – Ministério de Portos e Aeroportos / José Fernando Ogura / ANPr

    Segundo análise da CNI, o anexo abrange 18,4% do total que o Brasil exportou ao mercado americano em 2024. Esse percentual se somaria aos 26,2% já isentos de tarifas adicionais. Café, cacau, frutas e produtos metálicos estão entre os itens que podem receber benefícios.

    Balança comercial registra queda de 20,3% nas exportações

    O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou hoje os dados da balança comercial bilateral referentes a setembro. Os números mostram retração de 20,3% nas exportações brasileiras ao mercado americano, enquanto as importações de produtos dos EUA cresceram 14,3% no período.

    No acumulado de janeiro a setembro, as exportações brasileiras caíram 0,6%, enquanto as importações aumentaram 11,8%. Os Estados Unidos ampliaram o superávit comercial em relação ao Brasil para US$ 5,1 bilhões.

    As sobretaxas impostas às exportações brasileiras geram distorções na corrente de comércio e provocam efeitos adversos para empresas e consumidores de ambos os países. Siderurgia, alumínio, máquinas e equipamentos, madeira, químicos e manufaturados industriais figuram entre os setores mais afetados.

    Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, considera o diálogo presidencial um passo importante para construir soluções que mitiguem esses impactos. “O comércio Brasil–EUA é sustentado por uma ampla rede de empresas, investimentos e interesses mútuos. Esperamos que o diálogo entre os presidentes abra caminho para negociações que devolvam previsibilidade e permitam preservar e expandir o comércio e os investimentos bilaterais”, afirmou.

  • Alckmin destaca avanços comerciais com os Estados Unidos

    Alckmin destaca avanços comerciais com os Estados Unidos

    O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou neste sábado (4), em Brasília, avanços nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, o governo norte-americano reduziu tarifas sobre produtos brasileiros após a conversa entre Lula e Donald Trump, realizada durante a Assembleia-Geral da ONU, no fim de setembro.

    Alckmin explicou que, depois do encontro, os EUA diminuíram tarifas de madeira serrada e macia de 50% para 10%. Produtos como armários, móveis e sofás também tiveram redução, passando de 50% para 25%.
    “Essas mudanças significam a exclusão de US$ 370 milhões em produtos brasileiros do tarifaço norte-americano”, afirmou o vice-presidente, durante visita a uma concessionária em Brasília. A redução, segundo ele, foi aplicada conforme a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos EUA, que permite taxações iguais a todos os países. “Agora, o Brasil mantém competitividade internacional, já que as tarifas ficaram uniformes”, acrescentou.

    Alckmin avaliou que a conversa entre Lula e Trump foi “um primeiro passo importante”. Para ele, não há motivo para manter as tarifas, pois os Estados Unidos têm superávit comercial com o Brasil.
    O vice-presidente tem atuado como principal interlocutor brasileiro junto ao governo norte-americano. Nesta semana, ele manteve diálogo direto com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutcnick, para aprofundar as negociações.

    Programa Carro Sustentável impulsiona vendas

    Durante a visita, Alckmin também comemorou o aumento na venda de veículos novos desde o lançamento do programa Carro Sustentável, em julho. A iniciativa zera impostos e incentiva a compra de automóveis de entrada produzidos no Brasil, com padrões de sustentabilidade.
    De acordo com a Fenabrave, as vendas subiram 28,2% entre 11 de julho e 30 de setembro. “O carro sustentável é menos poluente, flex, fabricado no Brasil e tem 80% de reciclabilidade”, disse Alckmin.
    Ele destacou ainda o impacto social do programa. “É o carro mais acessível do mercado, com preço reduzido e tecnologia limpa”, completou.

    Novo encontro entre Lula e Trump está previsto

    Lula e Trump devem se reunir novamente nas próximas semanas, em encontro virtual ou presencial. A reunião dará continuidade às conversas iniciadas em Nova York, durante o evento das Nações Unidas.

     

  • Tarifaço trava exportação de açaí para os EUA e força produtores a buscar novos mercados

    Tarifaço trava exportação de açaí para os EUA e força produtores a buscar novos mercados

    O aumento de 50% na tarifa de exportação para os Estados Unidos, imposto pelo governo de Donald Trump em agosto de 2024, travou as vendas de açaí para o mercado norte-americano. Produtores e cooperativas agora correm contra o tempo para encontrar novos destinos e evitar prejuízos que ameaçam milhares de empregos na Amazônia.

    A cooperativa Amazonbai, que reúne 161 ribeirinhos produtores de açaí do Amapá, cancelou o envio de polpa para os Estados Unidos. A decisão deixou 20 toneladas do produto paradas, sem destinação para venda.

    “O cliente disse que não arcaria com o custo adicional. Para não perder a carga e ter um prejuízo maior, conseguimos enviar para outro cliente em Portugal”, relata Amiraldo Picanço, presidente da cooperativa.

    Segundo Picanço, a Amazonbai também encontrou alternativas no mercado interno, em Santa Catarina e Brasília. “Mas ainda é pouco. Os EUA compravam 60% da nossa produção”, afirma.

    Cooperativas negociam com China e buscam reduzir dependência dos EUA

    A estratégia da Amazonbai agora passa pela abertura de novos mercados internacionais. Com apoio da Secretaria de Relações Internacionais e Comércio Exterior do Amapá, a cooperativa já negocia com duas empresas da China.

    “Esperamos que, daqui a três ou quatro meses, estejamos aptos para vender para lá. Não podemos ficar dependentes do mercado norte-americano”, diz Picanço.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    Os produtores do Pará, que detém cerca de 95% da produção nacional de açaí, enfrentam a mesma situação. Alex Carvalho, presidente da Fiepa (Federação das Indústrias do Estado do Pará), projeta retração de até 20,1% no volume total exportado aos EUA, com 8% concentrados apenas no açaí.

    Queda nas exportações ameaça 20 mil empregos na cadeia produtiva

    Os Estados Unidos representam o principal destino das exportações de açaí do Pará, com mais de 75% do total exportado. De janeiro a junho de 2025, o valor enviado ao mercado norte-americano alcançou US$ 43,6 milhões, crescimento de 59,34% em relação ao mesmo período de 2024.

    “Esse cenário compromete a competitividade do fruto, reduz a produtividade e ameaça milhares de empregos. Também atinge comunidades amazônicas que dependem da coleta, transporte e beneficiamento do açaí”, afirma Carvalho.

    Para Nazareno Alves, presidente da Amaçaí (Associação de Produtores de Açaí da Amazônia) e proprietário do restaurante Point do Açaí, em Belém, exportar açaí para os Estados Unidos tornou-se inviável. “Os empresários estão buscando outros mercados porque a conta não fecha”, diz.

    Alves ressalta que outros mercados “importam muito pouco em comparação com os EUA”.

    Impacto atinge toda a cadeia: da coleta ao beneficiamento

    O presidente da Fiepa destaca que o impacto não se restringe às indústrias exportadoras. A medida afeta toda a cadeia do açaí, desde a coleta até o beneficiamento, atingindo milhares de famílias amazônicas, incluindo agricultores familiares, cooperativas e ribeirinhos.

    No auge da safra, a colheita de açaí pode movimentar de R$ 15 a R$ 20 milhões por dia, com cerca de 250 mil latas produzidas diariamente. Esse ciclo virtuoso de emprego e renda beneficia barqueiros, carregadores e trabalhadores da floresta.

    “A retração nas exportações ameaça diretamente essa rede socioeconômica, pressionando para baixo os preços pagos ao produtor e comprometendo a renda de comunidades que têm no açaí uma das principais fontes de subsistência”, alerta Carvalho.

    O açaí gera cerca de 5 mil postos de trabalho diretos e 15 mil indiretos, que podem ser comprometidos pela queda nas exportações. Sem contar os milhares de trabalhadores informais envolvidos nas etapas de coleta, transporte e beneficiamento do fruto na floresta.

    Para Carvalho, a medida ameaça ainda o modelo de desenvolvimento sustentável da Amazônia, que combina geração de renda, inclusão produtiva e conservação da floresta.

    Mercados alternativos crescem, mas ainda não compensam perda

    Jhoy Gerald Silva, conhecido como Rochinha Jr., diretor de comunicação da Acpab (Associação da Cadeia Produtiva do Açaí de Belém), acredita que o tarifaço não afetará tanto os produtores e exportadores do fruto.

    “Com o aumento da demanda interna e a pouca produção nas áreas ribeirinhas, devido às mudanças climáticas, de dois anos para cá, acho que o impacto será mínimo”, avalia.

    Para ele, há uma sobrevalorização do mercado norte-americano. “Temos o Japão, a Europa, Portugal, Emirados Árabes Unidos. Além disso, com mais de 140 países vindo para a COP 30, que vão conhecer o açaí, a tendência é que novos mercados sejam criados”, argumenta.

    Rochinha Jr. é parceiro comercial da empresa Maná Açaí, que exportava cerca de 2% de açaí congelado para os Estados Unidos. “A maior parte da nossa produção vai para outros estados do Brasil, cerca de 75%, além de 12% para Portugal e o resto para o mercado paraense”, detalha.

    Ele também acredita que o programa anunciado em agosto pelo governo federal, de compra de açaí diretamente de produtores afetados pelo tarifaço, vai ajudar a aliviar os efeitos da interrupção da exportação para os EUA.

    Austrália e Holanda registram crescimento explosivo nas importações

    Dados da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) revelam que mercados como Austrália e Holanda vêm exibindo crescimento expressivo no interesse pelo açaí amazônico.

    Os Estados Unidos ainda lideram, com 58% do volume exportado. A Austrália responde por 15,6% do total, a Holanda aparece com 12,7% e o Japão com 11,2%.

    De janeiro a agosto de 2025, a Austrália importou 2.111 toneladas, ante 1.493 toneladas no mesmo período de 2024 — aumento de 41%. A Holanda apresentou alta ainda maior, passando de 260 toneladas para 1.726 toneladas no primeiro semestre — crescimento de 565%. O Japão também registrou variação de 563%, pulando de 229 para 1.515 toneladas.

    Na Austrália, o açaí tem sido consumido com toppings como granola, chocolate, frutas, Nutella, pistache e mel — bem diferente do hábito paraense. Holandeses relatam que, quando o produto chega ao mercado, o estoque esgota rapidamente, mesmo distribuído para vários supermercados.

    China e Rússia entram na disputa pelo superfruit amazônico

    Dados do Comex Stat mostram crescimento consistente das exportações de açaí para a China e Rússia no último ano. O volume movimentado ultrapassa toneladas mensais, sinalizando mudanças importantes na pauta exportadora brasileira.

    Mercados asiáticos mostram apetite crescente por produtos funcionais. O açaí compete diretamente com outras superfrutas globais, como blueberry e mirtilo, mas ganha destaque pelo apelo sustentável e pela rica identidade cultural da Amazônia.

    Transportar o açaí para longas distâncias exige rigor no controle de temperatura e um cronograma preciso desde o processamento até a entrega no destino final. Produtores investem em soluções inovadoras, como ultracongelamento e embalagens biodegradáveis, para preservar sabor e propriedades até o consumidor final.

    Mudanças climáticas reduzem produção em até 90% em comunidades

    Mudanças climáticas têm impacto direto na produção de açaí. Rochinha Jr. relata queda de cerca de 30% em relação ao ano passado. “O fruto está escasso. Os ribeirinhos estão perdendo muito devido à estiagem, porque não há irrigação, e porque não fazem o remanejo de terreno”, afirma.

    Na comunidade de Itacoan Miri, no município paraense de Acará, o açaí sustenta cerca de 600 famílias, segundo o produtor quilombola Adelino Cardoso. Com a estiagem do ano passado, ele estima queda de 90% na produção do fruto. “Tive que fazer praticamente uma nova plantação, com um novo sistema de irrigação”, conta.

    Nazareno Alves, da Amaçaí, também aponta os desafios trazidos pelas mudanças climáticas. “Para produzir bem o açaí, não pode ter nem muito sol nem muita chuva. Mas quando chega o inverno amazônico, são pancadas gigantes de água, o primeiro semestre todo. E no verão, é sol que não acaba mais”, explica.

    Setor articula com governo federal alternativas ao mercado americano

    Alex Carvalho, da Fiepa, diz que a instituição tem atuado de forma institucional e diplomática, articulando-se com o governo do Pará, o governo federal e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para dialogar com autoridades norte-americanas e buscar alternativas que preservem a competitividade do açaí amazônico.

    A federação analisa medidas de apoio, como linhas de financiamento específicas, seguro de crédito à exportação e incentivos à abertura de novos mercados.

    “No entanto, a diversificação exige tempo, já que envolve barreiras sanitárias, certificações, custos logísticos e negociações contratuais. Ainda assim, trata-se de uma prioridade para reduzir a dependência de um único destino e fortalecer a resiliência da bioeconomia regional”, afirma.

    O governo do Pará tem investido em modernização — da produção à logística — além de incentivar a certificação por Indicação Geográfica (IG) para valorizar o açaí paraense. Apesar do crescimento da exportação, 90% do açaí produzido permanece no Brasil.

    A tendência é que produtos como mix de açaí (mistura com frutas, granola etc.) e polpa em pó ganhem espaço, pois diminuem custos de transporte e permitem explorar novos nichos de mercado.

  • Soja vira novo campo de batalha na guerra comercial EUA–China

    Soja vira novo campo de batalha na guerra comercial EUA–China

    A guerra comercial entre Estados Unidos e China chegou ao campo da soja. Até o momento, a China não comprou nenhum carregamento de soja americana durante a colheita principal deste ano.

    Esse congelamento nas compras gerou forte crise entre os produtores de soja dos EUA, que dependem fortemente do mercado chinês.

    Analistas e autoridades enxergam esse cenário como um “embargo de fato”, embora não formalizado. Enquanto isso, os EUA preparam medidas emergenciais para socorrer os agricultores.

    Com as tarifas americanas em vigor, a China optou por comprar soja de países como Brasil e Argentina. Recentemente, Buenos Aires vendeu mais de 2,5 milhões de toneladas de soja à China após suspender temporariamente seu imposto de exportação sobre o grão.

    O movimento complica a estratégia dos EUA de prestar ajuda econômica à Argentina, já praticada no contexto de alianças políticas recentes.

    Produtores americanos exigem ação urgente

    “É frustrante ver que estão socorrendo nossa concorrência enquanto nos deixam à beira do colapso”, disse Caleb Ragland, presidente da Associação Americana de Sojicultores.

    Agricultores esperam que o presidente Donald Trump negocie um acordo com a China que revogue o boicote não declarado. Do lado chinês, a retomada das compras depende da retirada de tarifas consideradas “irresistíveis”.

    “Quanto ao comércio de soja, os EUA devem remover tarifas irracionais, expandir o comércio bilateral e trazer mais estabilidade à economia global”, disse He Yadong, porta-voz do Ministério do Comércio Chinês.

    Resposta dos EUA e o dilema Argentina

    O governo estadunidense promete medidas para socorrer os produtores, especialmente os que dependem da soja. A agenda inclui apoio para a próxima safra e negociações que colocarão a soja no centro das conversas com o governo chinês.

    A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, confirmou que a instabilidade enfrentada pelos agricultores é real e que ela e Trump mantêm contato frequente sobre o tema. Enquanto isso, a estratégia de política externa dos EUA trava-se também na Argentina.

    Com a paralisação das exportações americanas para a China, os agricultores argentinos preencheram a lacuna. E, enquanto isso, os americanos assistem a bilhões em ajuda econômica serem destinados à Argentina.

    Na semana passada, veio à tona uma mensagem de texto atribuída a autoridades do governo americano que acusava que, após a ajuda à Argentina, o país vizinho removeu tarifas de exportação e vendeu soja à China, possivelmente prejudicando os produtores americanos.

  • Brasil inicia processo de reciprocidade contra tarifas de 50% dos EUA

    Brasil inicia processo de reciprocidade contra tarifas de 50% dos EUA

    O Itamaraty comunicará oficialmente ao governo Donald Trump nesta sexta-feira (29) o início do processo de reciprocidade comercial. A medida responde ao tarifaço de 50% que os Estados Unidos impuseram a produtos brasileiros.

    O Ministério das Relações Exteriores acionou a Camex (Câmara de Comércio Exterior) na quinta-feira (28). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) autorizou o início das consultas e investigações necessárias para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica.

    Governo avalia formato do comunicado oficial

    O governo brasileiro ainda define se enviará o comunicado pela embaixada americana em Brasília ou diretamente a Washington. O aviso abre espaço para manifestação do governo Trump e permite diálogo diplomático a qualquer momento.

    Integrantes do governo, sob sigilo, afirmaram que o processo deixa brecha para manifestações americanas durante a investigação. O governo brasileiro mantém diálogos diplomáticos e não se recusa a negociar os termos comerciais.

    Camex terá 30 dias para análise técnica

    A Câmara de Comércio Exterior produzirá um relatório técnico em até 30 dias. O documento analisará se as medidas americanas se enquadram na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada no Congresso e sancionada por Lula neste ano.

    Caso a Camex conclua pela aplicação da legislação, um grupo específico sugerirá contramedidas econômicas. As retaliações podem incluir comércio de bens, serviços e propriedade intelectual.

    Integrantes do governo alertam que a tensão pode se acirrar conforme avança no Congresso Nacional o debate sobre regulação das big techs.

    Ministros defendem início imediato do processo

    O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, pediu ao presidente Lula para dar início ao processo. O chanceler argumentou que o processo é longo e dividido em etapas, justificando o começo imediato.

    A conversa sobre o tema envolveu os ministros do Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais: Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Rui Costa (Casa Civil) e Fernando Haddad (Fazenda).

  • Brasil exporta 3 de cada 4 navios de soja para a China

    Brasil exporta 3 de cada 4 navios de soja para a China

    A China ampliou seu protagonismo no comércio global de soja em 2025 e passou a responder por três em cada quatro navios carregados no Brasil. O dado, que representa 75% das exportações totais, reforça a relevância da parceria bilateral no agronegócio e consolida o Brasil como principal fornecedor do grão ao maior mercado consumidor do mundo.

    A ascensão chinesa acontece em um momento delicado para os Estados Unidos. Enquanto os produtores americanos enfrentam queda nas vendas e gargalos logísticos, o Brasil avança com colheita recorde, logística mais eficiente e portos cada vez mais preparados para grandes embarques. Essa combinação vem garantindo competitividade e atraindo o apetite de Pequim.

    Segundo analistas, o movimento chinês não se explica apenas por preço e escala. Há também uma estratégia política: diversificar fornecedores e reduzir riscos diante de mercados considerados instáveis. Nesse cenário, o Brasil ocupa posição privilegiada, já que alia estabilidade climática recente e forte avanço tecnológico no campo.

    A concentração, no entanto, gera riscos. Embora fortaleça a balança comercial e injete bilhões no agronegócio, a dependência crescente de um único mercado limita o poder de negociação brasileiro. Para alguns especialistas, esse vínculo torna o país vulnerável a decisões políticas de Pequim.

    Mesmo assim, a tendência aponta para expansão. A soja segue como insumo essencial para a produção de ração animal, e a China dificilmente reduzirá sua demanda nos próximos anos. Para o Brasil, o desafio será equilibrar ganhos econômicos com a necessidade de diversificar destinos, mantendo a liderança sem abrir mão da autonomia comercial.

  • Produtores de soja dos EUA pedem socorro a Trump

    Produtores de soja dos EUA pedem socorro a Trump

    A guerra comercial entre Estados Unidos e China está redefinindo o mercado global de soja, com o Brasil emergindo como grande beneficiário às custas dos produtores americanos. A American Soybean Association (ASA), principal entidade representativa do setor nos EUA, enviou uma carta urgente ao presidente Donald Trump nesta terça-feira (19 de agosto) alertando que os agricultores americanos estão “à beira de um precipício comercial e financeiro”.

    O documento, assinado pelo presidente da ASA, Caleb Ragland, revela que a China substituiu sistematicamente a soja americana pela brasileira. Isso devido às tarifas de retaliação de 20% impostas por Pequim aos produtos agrícolas americanos. Segundo dados atualizados, o Brasil já representa mais de 70% das exportações de soja para a China. Assim, consolidando sua posição dominante no maior mercado consumidor mundial do grão.

    Mercado perdido para o Brasil

    A situação é ainda mais dramática quando analisados os números específicos. Os estados americanos de Iowa, Illinois e Minnesota – principais produtores de soja – venderam coletivamente cerca de US$ 12,8 bilhões em soja para a China em 2024. Valor que agora está em risco devido às medidas de retaliação de Pequim.

    Na carta enviada a Trump, a ASA é categórica ao afirmar que “historicamente, os Estados Unidos eram o fornecedor de preferência dos clientes chineses. No entanto, devido à retaliação tarifária em curso, nossos clientes de longa data na China têm recorrido — e continuarão recorrendo — aos nossos concorrentes na América do Sul para atender sua demanda”.

    A entidade destaca que a China foi responsável, em média, por 61% de todas as importações globais de soja nos últimos cinco anos e está evitando compras nos EUA para os próximos meses, tendo contratado os volumes necessários com o Brasil.

    Brasil fortalece parceria com China

    Do outro lado do Atlântico, o Brasil não apenas mantém sua vantagem competitiva como a expande. A parceria sino-brasileira se fortaleceu ainda mais em 2025 com o lançamento da iniciativa “Soy China”, que visa impulsionar cadeias de suprimento sustentáveis de soja.

    Uma força-tarefa recentemente facilitou um acordo inovador para entregar 1,5 milhão de toneladas de soja sustentável certificada do Brasil para a China. Portanto, demonstrando que a relação comercial vai além da simples substituição de fornecedores e inclui aspectos de sustentabilidade que podem ser decisivos no futuro.

    O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que o Brasil produzirá 169 milhões de toneladas de soja para o ano comercial 2024/2025. Com exportações alcançando 109 milhões de toneladas, números que evidenciam a capacidade brasileira de atender à crescente demanda chinesa.

    Agricultores americanos em crise

    A carta da ASA descreve um quadro preocupante para os produtores americanos. Qu e já enfrentam uma combinação letal de preços em queda e custos crescentes de insumos e equipamentos. “Os sojicultores dos EUA não podem sobreviver a uma disputa prolongada com o nosso maior cliente”, alerta o documento.

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    “As tarifas sobre a China podem nos tirar do negócio até 2027. Todo o nosso sangue, suor e trabalho pode desaparecer com o traço de uma caneta”, declarou um produtor de soja que votou em Trump, ilustrando o desespero do setor.

    O timing da carta é especialmente crítico, considerando que os EUA se aproximam rapidamente da época de colheita no Hemisfério Norte. Um estudo de 2024 da National Corn Growers Association descobriu que, se as tarifas da China se expandirem para milho e soja americanos, os agricultores americanos podem arcar com os custos.

    Impactos econômicos duradouros

    A situação atual representa uma inversão dramática na balança comercial agrícola. O Brasil já ultrapassou os EUA como maior fornecedor de soja da China. Uma mudança que tem causado preocupação entre os agricultores americanos que temem perder seu maior mercado.

    A American Soybean Association enfatiza que “a China não adquiriu nenhuma soja dos EUA para os próximos meses, enquanto nos aproximamos rapidamente da colheita. Quanto mais avançarmos no outono sem chegar a um acordo com a China sobre a soja, piores serão os impactos para os produtores norte-americanos”.

    O documento alerta que a guerra comercial criou uma “desvantagem competitiva” permanente para os americanos. Com consequências que podem se estender muito além do setor agrícola. Portanto, afetando comunidades rurais inteiras que dependem da agricultura como principal atividade econômica.

    Com o Brasil consolidando sua posição no mercado chinês e estabelecendo parcerias estratégicas de longo prazo, a recuperação da participação americana no mercado de soja chinês pode se tornar cada vez mais desafiadora. Mesmo após uma eventual resolução da guerra comercial.

    A carta da ASA representa um apelo direto para que a Casa Branca priorize o tema nas negociações com Pequim. Mas os especialistas alertam que, uma vez perdidas, as relações comerciais estabelecidas podem ser difíceis de reconquistar. Especialmente quando os concorrentes demonstram capacidade de fornecimento sustentável e competitivo.

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