Tag: Trump

  • Soja despenca em Chicago com temor sobre demanda

    Soja despenca em Chicago com temor sobre demanda

    Os preços da soja caíram forte na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira (16/3). Os investidores reagiram ao risco de queda na demanda global e aumentaram a pressão sobre as cotações. Os contratos com vencimento em maio recuaram 5,71% e fecharam a US$ 11,5525 por bushel. O mercado refletiu a preocupação com um possível adiamento das negociações entre Donald Trump e Xi Jinping.

    A possível postergação da reunião, prevista para o fim de março, elevou a incerteza entre investidores.
    Segundo agências internacionais, Trump busca apoio para garantir o fluxo de navios no Estreito de Ormuz. A região concentra cerca de 20% do escoamento global de petróleo e influencia mercados de commodities.

    Além disso, operadores realizaram lucros após altas recentes impulsionadas por tensões geopolíticas. Essas altas anteriores elevaram os preços do petróleo e do óleo de soja no mercado internacional. No entanto, o óleo de soja caiu mais de 5% na sessão anterior e reforçou o movimento de baixa.

    Milho acompanha queda da soja

    Os preços do milho também recuaram pressionados por realizações de lucro no mercado internacional.
    Os contratos para maio caíram 2,84% e encerraram o dia a US$ 4,54 por bushel.

    Trigo segue movimento negativo

    O trigo acompanhou o movimento de queda observado nos mercados de soja e milho. Os contratos para maio recuaram 2,69% e fecharam a US$ 5,9725 por bushel.

  • Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump e impacta o agro

    Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump e impacta o agro

    A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que tornou ilegal o tarifaço do governo Donald Trump já repercute no agronegócio brasileiro. Os setores com negócios nos Estados Unidos receberam a notícia de forma positiva e, ao mesmo tempo, cautelosa.

    Os especialistas afirmam que o mercado ainda precisa entender como o governo americano cumprirá a decisão. Por seis votos a três, a Corte decidiu que a legislação não permite ao presidente criar tarifas sem autorização do Congresso. Com isso, os ministros derrubaram as tarifas aplicadas desde abril de 2025.

    Devolução de valores?

    O governo dos Estados Unidos pode ter que devolver parte dos valores arrecadados. As estimativas apontam que o montante supera US$ 175 bilhões. A decisão produz efeitos a partir da data do julgamento e invalida a cobrança desde então. No entanto, o reembolso não ocorre de forma automática.

    As empresas que pagaram as tarifas precisarão ingressar com ações na Justiça americana. Cada pedido de devolução passará por análise individual. Os analistas destacam que apenas quem sofreu prejuízo direto poderá propor ação. Ou seja, somente o importador que pagou a tarifa nos Estados Unidos poderá pedir reembolso ou indenização.

    As empresas brasileiras terão legitimidade se atuarem como importadoras nos Estados Unidos. Além disso, poderão agir se possuírem subsidiárias no país que tenham recolhido as tarifas. O ordenamento jurídico americano não reconhece, em regra, prejuízos indiretos. Assim, perdas de mercado ou redução de vendas não garantem direito automático à indenização.

    Reversão da decisão é difícil

    As decisões da Suprema Corte têm caráter final e efeito vinculante. Por isso, uma reversão pelo governo americano se torna improvável. Mesmo assim, analistas recomendam cautela diante da possível reação do governo Trump.

    Trump anuncia 10% de tarifa

    Após o julgamento, Trump anunciou tarifa global de 10% sobre produtos importados. A nova medida deve valer por 150 dias, segundo o governo. Caso a decisão judicial seja mantida, o comércio global pode passar por rearranjo.

    A queda das tarifas tende a enfraquecer políticas de retaliação comercial. Com isso, produtos americanos podem voltar a competir com os brasileiros em mercados estratégicos. Isso pode ocorrer tanto em novos destinos quanto naqueles onde houve substituição de fornecedores. Ao mesmo tempo, a decisão reduz incertezas no comércio internacional e nas cadeias de suprimentos.

    No caso do Brasil, a interrupção das tarifas amplia a competitividade dos produtos exportados. Ainda assim, a medida não garante aumento imediato das exportações ao mercado americano. Além disso, a Suprema Corte não detalhou como ocorrerá a devolução dos valores pagos. Essa ausência de regras claras pode gerar disputas judiciais prolongadas nos Estados Unidos.

    De modo geral, empresas expostas ao mercado americano já reavaliam suas estratégias.Agora, elas podem revisar políticas de preços sem considerar os custos adicionais das tarifas.

  • Exportações aos EUA caem e para a China avançam

    Exportações aos EUA caem e para a China avançam

    As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram pelo sexto mês seguido. O movimento ocorre após o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Já as vendas do Brasil para a China mantiveram trajetória de crescimento.

    O Ministério do Desenvolvimento divulgou os dados nesta quinta-feira, em Brasília. Em janeiro, as exportações aos EUA somaram US$ 2,4 bilhões. O valor representa queda de 25,5% na comparação anual. No mesmo mês de 2025, as vendas atingiram US$ 3,22 bilhões.

    As importações de produtos norte-americanos também diminuíram no período. O Brasil comprou US$ 3,07 bilhões dos Estados Unidos. O número indica retração de 10,9% sobre janeiro do ano passado. Com esse desempenho, a balança comercial bilateral registrou déficit. O saldo ficou negativo em US$ 670 milhões para o Brasil.

    A redução nas exportações ocorre desde a aplicação das tarifas extras. O governo norte-americano impôs sobretaxa de 50% a produtos brasileiros em 2025. Depois, as autoridades revisaram parte das alíquotas no fim do ano. Mesmo assim, o impacto permanece sobre o comércio brasileiro. O MDIC calcula que 22% das vendas ainda pagam tarifas adicionais. As taxas atuais variam entre 40% e 50%.

    China mantém resultado positivo

    O comércio com a China seguiu na direção oposta. As exportações brasileiras ao país asiático cresceram 17,4% em janeiro. O total embarcado alcançou US$ 6,47 bilhões no período. Um ano antes, o valor exportado somou US$ 5,51 bilhões. Já as importações brasileiras da China recuaram 4,9%. As compras caíram para US$ 5,75 bilhões. Com isso, o Brasil obteve superávit comercial com os chineses. O saldo positivo chegou a US$ 720 milhões no mês.

    A corrente de comércio com a China apresentou avanço. A soma de exportações e importações atingiu US$ 12,23 bilhões. O resultado indica alta de 5,7% na comparação anual.

    No caso dos Estados Unidos, o cenário foi diferente. O intercâmbio comercial totalizou US$ 5,47 bilhões. O volume caiu 18% frente ao mesmo período anterior.

    Desempenho em outros mercados

    O comércio com a União Europeia também mostrou retração. Ainda assim, o Brasil registrou superávit de US$ 310 milhões. A corrente comercial com o bloco recuou 8,8%. As exportações para os europeus caíram 6,2% em janeiro. As importações do Brasil diminuíram 11,5% no mesmo intervalo.

    Com a Argentina, o fluxo comercial encolheu de forma mais intensa. O comércio bilateral apresentou queda de 19,9% no mês. Mesmo com a retração, o Brasil manteve saldo positivo. O superávit com o país vizinho alcançou US$ 150 milhões. As exportações brasileiras para a Argentina recuaram 24,5%. As importações vindas do mercado argentino caíram 13,6%.

     

  • Tarifaço custou R$ 10 bi em crédito do BNDES para empresas afetadas

    Tarifaço custou R$ 10 bi em crédito do BNDES para empresas afetadas

    A tensão comercial acirrada com os Estados Unidos, marcada pela imposição de tarifas extras sobre produtos brasileiros, encontrou uma trincheira de resistência no crédito. E os números mostram a escala da batalha: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já aprovou impressionantes R$ 9,72 bilhões em financiamentos para empresas no front do “tarifaço”. A linha de frente do Plano Brasil Soberano, criado como resposta direta às medidas do governo Trump, já mobilizou 717 operações de crédito.

    A cena é de uma corrida contra o tempo e os impactos econômicos. De um lado, 171 grandes empresas receberam o sinal verde para recursos. Do outro, um contingente significativo de 546 micro, pequenas e médias empresas também conseguiram aprovação, mostrando que o alcance da medida busca proteger desde os grandes players até a base da cadeia produtiva.

    “O Plano foi uma determinação importante diante de um ataque unilateral e ajudou a proteger empregos e a ampliar a resiliência da nossa indústria”, defende o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Para ele, os quase R$ 10 bilhões aprovados reforçam o papel do banco na execução de uma “política pública exitosa”.

    O mapa do auxílio desenha claro o eixo industrial do país. São Paulo lidera, com R$ 2,96 bilhões aprovados, seguido pelos estados do Sul: Rio Grande do Sul (R$ 1,33 bi), Santa Catarina (R$ 1,26 bi) e Paraná (R$ 1,08 bi). No campo setorial, a indústria de transformação carrega o peso maior do conflito, absorvendo sozinha R$ 7,8 bilhões do total. Comércio e serviços vêm depois, com R$ 1,21 bilhão.

    A guerra não acabou, e a demanda por munição financeira segue alta

    Aqui que a história toma um novo fôlego. Mesmo com o anúncio de um recuo tático dos Estados Unidos em novembro – que retirou carnes, café e algumas frutas da lista de tarifas extras –, a pressão continua firme. “A maior parte da indústria brasileira ainda conta com 40% de sobretaxa adicional”, lembra Nelson Barbosa, diretor do BNDES.

    A prova está nos números. No final de novembro, o governo reabriu as consultas de elegibilidade, ajustando as regras para tornar o crédito mais acessível. O resultado? Uma enxurrada de novos pedidos. Em poucas semanas, 267 novos protocolos surgiram, somando uma demanda adicional de R$ 4,55 bilhões. O apetite por recursos, claramente, não diminuiu.

    A mudança nas regras foi crucial. No início, o crédito focava em empresas com faturamento de exportação para os EUA superior a 5% do total. Agora, esse limite caiu para apenas 1%, e a grande novidade: os fornecedores dessas empresas exportadoras também ganharam o direito de pleitear o apoio. É o BNDES tentando blindar não só quem exporta, mas toda a rede produtiva por trás das mercadorias.

    Enquanto acadêmicos e economistas debatem os rumos da economia em eventos como a Semana de Economia Brasileira – que conta com patrocínio do próprio BNDES –, nas agências de bancos por todo o país, a realidade é mais prática. Empresários buscam informações, preenchem formulários e tentam garantir que suas operações sobrevivam a uma guerra comercial que, pelos dados, está longe de ter um armistício. A linha de crédito virou, pelo menos por ora, o principal escudo disponível.

  • Tarifa zero nos EUA deve impulsionar exportação de café brasileiro

    Tarifa zero nos EUA deve impulsionar exportação de café brasileiro

    Os Estados Unidos retiraram o café da lista de produtos com sobretaxa de 40% no último dia 20. Antes disso, em 14 de novembro, o governo norte-americano já havia eliminado a tarifa de 10% aplicada em abril deste ano. A decisão animou o setor exportador brasileiro, segundo pesquisadores do Cepea.

    Além disso, o mercado aguardava a medida com expectativa devido à lentidão nos embarques da safra atual.Até então, o ritmo mais fraco gerava preocupação com a possível perda de mercado para países concorrentes.

    Agora, com a isenção, o setor projeta maior competitividade do café brasileiro no mercado norte-americano. Porém, a liberação não alcançou todos os produtos do setor. O café em grão ficou isento, mas o café solúvel manteve sobretaxa de 50%. Os Estados Unidos seguem entre os principais destinos do café solúvel brasileiro.Por isso, representantes dos dois países continuam negociando a inclusão do produto na lista de isenções.

    Enquanto isso, os preços do café seguem firmes nos mercados interno e externo. Segundo o Cepea, a baixa oferta e os estoques globais reduzidos sustentam as cotações.Ainda assim, analistas avaliam que a retirada da tarifa fortalece as exportações brasileiras nos próximos meses.

  • Tarifaço ainda afeta 22% das exportações brasileiras

    Tarifaço ainda afeta 22% das exportações brasileiras

    O tarifaço dos Estados Unidos ainda impacta 22% das exportações brasileiras. O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, confirmou o dado nesta sexta-feira, no Palácio do Planalto. Ele comentou o avanço obtido após a Casa Branca excluir 238 itens da lista de sobretaxas.

    Alckmin lembrou que o tarifaço atingiu 36% das vendas brasileiras no início das medidas. Ele afirmou que as negociações reduziram gradualmente essa fatia. “Com a retirada dos 238 produtos, reduzimos para 22% a parcela atingida”, disse o ministro.

    Os Estados Unidos revogaram a tarifa extra de 40% para itens majoritariamente agrícolas. A lista inclui café, carne bovina, banana, tomate, açaí, castanha de caju e chá. A medida vale desde 13 de novembro. O governo norte-americano também autorizou o reembolso de produtos exportados após essa data.

    Impacto direto nas vendas externas

    Dados do MDIC mostram o peso das tarifas sobre os US$ 40,4 bilhões exportados aos Estados Unidos em 2024. As informações revelam a seguinte distribuição:
    • US$ 8,9 bilhões seguem com tarifa adicional de 40% ou 10% mais 40%.
    • US$ 6,2 bilhões continuam sujeitos à sobretaxa de 10%.
    • US$ 14,3 bilhões estão livres de tarifas extras.
    • US$ 10,9 bilhões permanecem enquadrados nas tarifas horizontais da Seção 232, aplicadas à siderurgia e ao alumínio.

    A secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, destacou que a fatia isenta cresceu 42% desde o início da crise. Ela avaliou que a indústria continua mais exposta às barreiras. “A indústria enfrenta mais dificuldade para buscar novos mercados do que as commodities”, afirmou. Aeronaves da Embraer seguem com tarifa de 10%.

    Negociações continuam abertas

    Alckmin afirmou que o avanço ocorreu após o encontro entre Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Malásia, em outubro. O Brasil enviou uma proposta de acordo comercial aos Estados Unidos no dia 4 de novembro. O governo não divulgou detalhes do documento.
    O presidente em exercício disse que as discussões incluem temas tarifários e não tarifários. A agenda trata de áreas como terras raras, big techs, energia renovável e o regime tributário para data centers. Ele confirmou que Lula também questionou a aplicação da Lei Magnitsky, que impôs sanções a autoridades brasileiras.
    Alckmin disse que ainda não há reunião prevista entre Lula e Trump. O presidente brasileiro, no entanto, convidou o líder norte-americano para visitar o país.

    Setores industriais continuam mais pressionados

    Mesmo com o alívio para produtos agrícolas, o governo considera que a indústria segue como o principal ponto de atenção. Itens de maior valor agregado e produtos fabricados sob encomenda têm mais dificuldade para buscar novos compradores.
    Alckmin afirmou que o governo continuará a negociar novas exceções. “Estamos otimistas. O trabalho não terminou, mas avança com menos barreiras”, declarou.

     

  • Saiba quais produtos ficaram isentos da tarifa de 40% dos EUA

    Saiba quais produtos ficaram isentos da tarifa de 40% dos EUA

    O presidente Donald Trump assinou hoje uma ordem executiva que elimina as tarifas de 40% aplicadas a diversos produtos brasileiros desde julho deste ano. A medida atinge principalmente itens agrícolas como café, carne bovina, frutas tropicais e castanhas. São produtos que tiveram forte impacto nos preços do mercado americano nos últimos meses.

    A decisão vem depois que os consumidores americanos sentiram no bolso o peso das tarifas. O Brasil é o maior fornecedor de café dos Estados Unidos. E com as sobretaxas acumuladas chegando a 50%, o preço do café no mercado americano subiu quase 20% em setembro comparado ao mesmo período de 2024.

    Essa alta nos preços virou dor de cabeça politica para Trump. Muitos eleitores começaram a rejeitar a medida. E especialistas apontam que a vitória de candidatos democratas nas eleições municipais em diversos estados foi um dos sinais claros da insatisfação popular com a gestão das tarifas.

    Lula conversou diretamente com Trump

    As negociações entre Brasil e Estados Unidos foram cruciais pra reverter o cenário. Segundo o comunicado oficial da Casa Branca, houve contato direto entre autoridades brasileiras e o governo americano, incluindo uma conversa entre os presidentes.

    “Em 6 de outubro de 2025, participei de uma conversa com o presidente brasileiro Lula, durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as preocupações identificadas no Decreto Executivo 14323. Essas negociações estão em andamento”, diz trecho da ordem executiva assinada por Trump.

    Medida é retroativa a novembro

    O documento tem efeito retroativo a 13 de novembro e lista uma ampla gama de produtos agrícolas beneficiados. Além de carne e café, a ordem inclui frutas e nozes, produtos de cacau, chá, especiarias, vegetais, raízes e tubérculos. A relação ainda contempla alimentos processados, bebidas, fertilizantes, minérios, combustíveis fósseis e derivados de petróleo.

    Na semana passada, o governo americano já havia removido a tarifa básica de 10% sobre importação de café, carne bovina, tomate, banana e outros produtos agrícolas que tinha sido anunciada em abril contra diversos parceiros comerciais.

    Quais produtos brasileiros ficaram mais baratos

    A lista de produtos liberados das tarifas é extensa e beneficia diversos setores da economia brasileira:

    • Carnes: todos os cortes bovinos, incluindo carne fresca, refrigerada, congelada, com osso ou desossada, além de miúdos como língua e fígado, e produtos como carne salgada e corned beef.
    • Café: desde o grão cru até o torrado, com ou sem cafeína, além de cascas, substitutos e extratos concentrados.
    • Castanhas e nozes: castanha-do-pará, castanha de caju, macadâmia e outras variedades, todas com e sem casca.
    • Frutas tropicais: manga, abacaxi, abacate, mamão, goiaba, banana, limão e açaí — tanto frescos quanto processados em polpas, sucos e preparações.

    Importante: alguns tipos de suco de laranja congelado e não concentrado ainda continuam pagando a tarifa adicional, segundo o documento.

    A lista também inclue especiarias como pimenta-do-reino, baunilha, canela e cravo; produtos de cacau; mandioca e seus derivados; inhame; tomate fresco; erva-mate; chás verde e preto; e itens mais específicos como palmito, cogumelos secos e bambu.

    Vitória para exportadores brasileiros

    A remoção das tarifas representa um alívio significativo para os exportadores brasileiros, que vinham enfrentando dificuldades pra competir no mercado americano com os preços inflacionados pelas sobretaxas. O setor agrícola, um dos pilares da economia brasileira, deve sentir os efeitos positivos da medida nos próximos meses.

    Agora resta saber se as negociações em andamento entre os dois países vão resultar em acordos comerciais mais amplos ou se novas tarifas podem surgir no futuro, dependendo do clima político em Washington.

    Amcham Brasil emite nota

    A Amcham Brasil avalia como muito positiva a decisão anunciada hoje pelo governo dos Estados Unidos de eliminar as sobretaxas de 40%, em vigor desde agosto, sobre um conjunto de produtos brasileiros. Incluindo itens relevantes da pauta exportadora para o mercado americano, como café, carnes bovinas, frutas e óleos essenciais.

    A medida representa um avanço importante rumo à normalização do comércio bilateral, com efeitos imediatos para a competitividade das empresas brasileiras envolvidas e sinaliza um resultado concreto do diálogo em alto nível entre os dois países.

    Ao mesmo tempo, a Amcham reforça a necessidade de intensificar esse diálogo entre Brasil e Estados Unidos. Com o objetivo de estender a eliminação dessas sobretaxas aos demais produtos ainda impactados, com destaque para bens industriais. E de aprofundar a cooperação bilateral em temas de interesse mútuo.

  • Trump retira tarifas de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros

    Trump retira tarifas de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (20) ordem executiva que determina a redução das tarifas de 40% impostas sobre a importação de determinados produtos agrícolas brasileiros. Ou seja, a decisão marca uma mudança significativa na política comercial entre os dois países e resulta de negociações iniciadas em outubro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    A medida anunciada pela Casa Branca reverte o Decreto Executivo 14323, que havia declarado estado de emergência nacional em relação a práticas e ações do governo brasileiro. Com a nova ordem, a sobretaxa que onerava produtos agrícolas do Brasil deixa de existir.

    De acordo com o texto oficial divulgado pela presidência americana, a ordem exigirá o reembolso dos impostos cobrados sobre importações brasileiras a partir de 13 de novembro de 2025. Ou seja, irá beneficiando empresas que pagaram a tarifa adicional no último mês.

    Trump justifica decisão após conversa com Lula

    Em declaração oficial, Trump revelou os bastidores da decisão e destacou o papel das negociações bilaterais no processo:

    “Em 6 de outubro de 2025, participei de uma conversa telefônica com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as preocupações identificadas no Decreto Executivo 14323. Essas negociações estão em andamento”, afirmou o presidente americano.

    Trump explicou ainda que recebeu informações e recomendações de diversos funcionários que acompanharam as circunstâncias relacionadas ao estado de emergência. “Certas importações agrícolas do Brasil não deveriam mais estar sujeitas à alíquota adicional ad valorem imposta pelo Decreto Executivo 14323 porque, entre outras considerações relevantes, houve progresso inicial nas negociações com o Governo do Brasil”, declarou.

    Impacto para exportadores brasileiros

    A eliminação da tarifa de 40% representa um alívio significativo para exportadores brasileiros de produtos agrícolas. Entre os itens que devem se beneficiar da medida estão café, carne bovina, frutas tropicais, açúcar e outros commodities essenciais da pauta exportadora do Brasil para os Estados Unidos.

    O reembolso retroativo a partir de 13 de novembro também significa que empresas que pagaram a sobretaxa nas últimas semanas poderão recuperar os valores, reduzindo prejuízos e melhorando a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

    Negociações Brasil-EUA continuam

    Embora a redução das tarifas represente um avanço importante, as negociações entre Brasil e Estados Unidos devem continuar. O governo brasileiro não se pronunciou oficialmente sobre a decisão até o momento. Porém, mas a medida é vista como um sinal positivo para o relacionamento comercial bilateral.

    A ordem executiva assinada por Trump demonstra que o diálogo entre os dois países tem produzido resultados concretos, abrindo caminho para possíveis acordos comerciais mais amplos no futuro.

    O que muda na prática

    Antes da ordem executiva:

    • Produtos agrícolas brasileiros pagavam tarifa adicional de 40%
    • Exportadores enfrentavam dificuldades de competitividade no mercado americano
    • Estado de emergência nacional estava em vigor

    Depois da ordem executiva:

    • Tarifa de 40% foi eliminada
    • Reembolso retroativo desde 13 de novembro
    • Estado de emergência foi revogado
    • Negociações bilaterais continuam em andamento

    A decisão de Trump deve impactar positivamente a balança comercial entre Brasil e Estados Unidos, fortalecendo as relações econômicas entre as duas maiores economias das Américas.

  • Após tarifaço, Trump recua e baixa impostos sobre alimentos importados

    Após tarifaço, Trump recua e baixa impostos sobre alimentos importados

    Donald Trump assinou uma canetada que pode mudar o rumo do comércio agrícola entre Estados Unidos e Brasil. Nesta sexta (14), o presidente americano anunciou a redução das tarifas sobre carne bovina, café, tomate e banana. O gesto mira a inflação que corrói o bolso do consumidor americano, e abre espaço para os exportadores brasileiros respirarem aliviados.

    A medida vem após semanas de pressão sobre o governo, especialmente depois do tarifaço que elevou os preços dos alimentos nos EUA. O texto da Casa Branca, publicado de madrugada, tem efeito retroativo: vale desde as 2h01 desta quinta (13), horário de Brasília. Um raro recuo de Trump em meio à sua cruzada por “déficits comerciais justos”.

    O Brasil surge entre os maiores beneficiados. Maior produtor global de café e segundo maior exportador de carne bovina, o país vinha sofrendo com sobretaxas de até 50%. Desde agosto, as vendas de café para o mercado americano desabaram, com uma queda de 54,4% em outubro, segundo o Cecafé. E o consumidor americano sentiu o golpe: o produto acumula alta de 20% no preço médio, conforme dados oficiais de inflação (CPI).

    Ainda pairam dúvidas sobre o alcance do decreto. A nova ordem de Trump não cita diretamente a sobretaxa de 40% contra o Brasil. Especialistas avaliam que o alívio pode se aplicar apenas às tarifas de 10% impostas em abril. “Seguimos estudando o texto”, disseram analistas ouvidos pela reportagem.

    Reações

    Nos bastidores, o clima é de observação. A Abiec classificou a decisão como “muito positiva”, destacando que ela reforça a confiança no diálogo técnico entre os países. “A carne brasileira é reconhecida pela qualidade e regularidade. Essa medida é um passo na direção certa”, afirmou a entidade em nota.

    Enquanto isso, Washington costura acordos pela América Latina. Na quinta (13), Trump anunciou negociações avançadas com Argentina, Equador, El Salvador e Guatemala — todos sem citar o Brasil. As conversas incluem promessas de abrir mercados e travar impostos sobre serviços digitais.

    A Casa Branca, contudo, deixou claro: as tarifas gerais de 10% e 15% para esses países continuarão, mas alguns produtos terão exceções. Fica claro que Trump tenta calibrar a balança e conter a inflação doméstica sem perder a retórica protecionista que mobiliza sua base.

    Em Brasília, o Itamaraty se move. O chanceler Mauro Vieira se encontrou com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em busca de uma trégua. O Brasil propôs suspender temporariamente as sobretaxas de 40% e negociar caso a caso. Nenhuma resposta oficial até o fim da noite.

    O jogo comercial segue em aberto. Trump ensaia um recuo tático. O Brasil observa e espera.

  • China restabelece licenças de importação de soja para empresas dos EUA

    China restabelece licenças de importação de soja para empresas dos EUA

    A China voltará a conceder licenças de importação de soja para três empresas norte-americanas. Assim, encerrará a suspensão das importações de toras de madeira dos Estados Unidos a partir de 10 de novembro, informou a autoridade aduaneira chinesa nesta sexta-feira. A decisão representa mais um sinal de alívio nas tensões comerciais entre os dois países.

    As suspensões de licenças aplicadas à cooperativa agrícola CHS, à exportadora global de grãos Louis Dreyfus Company Grains Merchandising e à operadora de terminais de exportação EGT haviam sido impostas em março, em meio ao agravamento das disputas comerciais.

    A interrupção das importações de toras dos EUA ocorreu como medida de retaliação após a ordem do então presidente norte-americano Donald Trump, em 1º de março, para investigar as importações de madeira.

    O sentimento dos investidores melhorou depois que Trump se reuniu com o líder chinês Xi Jinping, na Coreia do Sul. Reduzindo os temores de que as duas maiores economias do mundo abandonassem os esforços para resolver seus impasses comerciais.

    Após o encontro, Pequim suspendeu tarifas sobre alguns produtos agrícolas norte-americanos impostas em março. E retomou compras modestas de commodities dos EUA, incluindo duas cargas de trigo. A estatal chinesa COFCO também adquiriu três embarques de soja dos Estados Unidos antes da reunião entre os líderes.

    Mesmo assim, os operadores permanecem cautelosos, já que ainda vigora uma tarifa de 10% sobre todas as importações norte-americanas, inclusive produtos agrícolas. O que limita as expectativas de uma recuperação mais ampla no fluxo comercial.