Tag: tilapia

  • Piscicultura brasileira bate recorde de produção de peixe

    Piscicultura brasileira bate recorde de produção de peixe

    A piscicultura brasileira atingiu em 2025 um marco histórico: pela primeira vez, o país produziu mais de 1 milhão de toneladas de peixes cultivados em um único ano. O resultado, divulgado nesta terça-feira (24) durante o lançamento da 10ª edição do Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, da PEIXE BR, coroa uma década de expansão consistente que transformou o setor em um dos pilares do agronegócio nacional.

    Em dez anos, a piscicultura brasileira cresceu 58,6%, um desempenho que poucos setores do campo conseguiram sustentar com tanta regularidade. A tilápia, principal espécie cultivada no país, foi a grande protagonista desse avanço. A produção do peixe saltou impressionantes 148,2% no mesmo período, consolidando o Brasil entre os maiores produtores mundiais da espécie e o maior das Américas.

    Referência do setor, anuário chega à 10ª edição

    Principal publicação estatística da cadeia produtiva de peixes de cultivo no Brasil, o Anuário 2026 reúne dados inéditos e atualizados sobre produção nacional e por estado, consumo, mercado, tendências e perspectivas estratégicas. A edição comemorativa também analisa os principais acontecimentos de 2025 e o cenário competitivo para os próximos anos.

    “O resultado apresentado nesta 10ª edição demonstra a força e a maturidade da piscicultura brasileira. Mesmo diante de um ano desafiador, superamos a marca de 1 milhão de toneladas e consolidamos uma década de crescimento consistente. A piscicultura deixou de ser uma promessa para se tornar protagonista nas Américas, com ganhos expressivos em produtividade, tecnologia e competitividade”, afirmou Francisco Medeiros, presidente da PEIXE BR.

    Governo e setor produtivo unidos em Brasília

    O lançamento do anuário reuniu em Brasília representantes do setor público e privado. Participaram do evento Mauro Nakata, presidente do conselho de administração da PEIXE BR; Juliano Kubitza, vice-presidente da entidade. Felipe Bodens, diretor do Departamento de Águas da União e substituto do ministro de Estado da Pesca e Aquicultura. O deputado federal Luiz Nishimori, presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados; e Roberto Flores, chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura.

    A presença de parlamentares e representantes do governo federal sinaliza o crescente reconhecimento institucional da aquicultura como estratégia de segurança alimentar e desenvolvimento econômico para o Brasil. O país reúne condições únicas para liderar o setor globalmente. Incluindo a maior rede de água doce do planeta e clima favorável ao cultivo durante o ano inteiro.

    Por que a piscicultura brasileira cresce tanto?

    Especialistas apontam uma combinação de fatores para explicar o avanço acelerado do setor. A adoção de tecnologias modernas de cultivo, como sistemas de bioflocos e tanques-rede de alta densidade, aumentou significativamente a produtividade por área. Ao mesmo tempo, o melhoramento genético de espécies como a tilápia e o tambaqui elevou a eficiência da conversão alimentar e reduziu o tempo de engorda.

    Do lado do consumo, a demanda interna por proteína de origem aquática também cresceu. O peixe cultivado ganhou espaço nas gôndolas de supermercados e na preferência de consumidores que buscam alimentos mais saudáveis e acessíveis. Tendência que deve se intensificar nos próximos anos com o avanço da classe média e a maior conscientização sobre nutrição.

    Com 1 milhão de toneladas produzidas e uma trajetória de crescimento sólida, a piscicultura brasileira encerra 2025 não apenas como recordista. Mas como setor maduro, competitivo e preparado para ocupar um papel ainda maior no abastecimento de proteína animal no Brasil e no mundo.

  • Produção sustentável de tilápias pode ganhar novas diretrizes no país

    Produção sustentável de tilápias pode ganhar novas diretrizes no país

    O Projeto de Lei 6463/25 estabelece diretrizes para a produção, o beneficiamento e a comercialização sustentável de tilápias no Brasil. A proposta busca aliar o crescimento da piscicultura à preservação ambiental e ao uso responsável dos recursos hídricos.

    O texto autoriza o governo federal a adotar uma série de medidas de incentivo. Como oferta de apoio técnico e extensão rural aos produtores, estímulo à formalização da cadeia produtiva, criação de linhas de crédito específicas e apoio à certificação sanitária, ambiental e de origem do pescado.

    As atividades contempladas deverão seguir práticas que garantam o monitoramento da qualidade da água, o manejo correto de resíduos e efluentes, a prevenção da dispersão de espécies em ambientes naturais e a proteção da biodiversidade aquática.

    Autor do projeto, o deputado Clodoaldo Magalhães (PV-PE) ressalta que as tilápias, espécie amplamente adaptada ao clima brasileiro, desempenham papel estratégico para a segurança alimentar e o desenvolvimento regional. Ele cita como exemplo o êxito do modelo adotado no município de Jatobá (PE).

    O autor da proposta, deputado Clodoaldo Magalhães (PV-PE). Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

    “A expansão da produção aquícola exige atenção constante aos aspectos ambientais. O uso responsável da água, o controle de resíduos e a adoção de boas práticas de manejo são fundamentais para garantir a sustentabilidade da atividade e preservar os ecossistemas aquáticos”, afirmou o parlamentar.

    O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

    Para se tornar lei, o texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • PRF flagra tilápia transportada em contêineres de ácido sulfúrico

    PRF flagra tilápia transportada em contêineres de ácido sulfúrico

    A fiscalização da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí (Adapi) descartou 1,5 tonelada de tilápia que estava imprópria para o consumo humano. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu a carga no km 70 da BR-343, no município de Piripiri, e a encaminhou à unidade da Agência em Parnaíba para realizar os procedimentos sanitários.

    Foto: Ascom Adapi

    Os fiscais identificaram como principal problema a forma de transporte do pescado: responsáveis acondicionaram os peixes em nove contêineres originalmente destinados ao transporte de produtos perigosos, inclusive com identificação do selo ONU 1831, utilizado para ácido sulfúrico. Há suspeita de que os responsáveis tenham usado anteriormente os recipientes para transportar a substância química, o que inviabiliza a reutilização para alimentos. Isso mesmo após qualquer tentativa de limpeza.

    De acordo com a gerente de Trânsito da Agência de Defesa Agropecuária do Piauí (Adapi), Daniela Rabelo, a carga não apresentava condições seguras para consumo, e a equipe eliminou o produto conforme determina a legislação sanitária. “Após a constatação das irregularidades, a Adapi adotou imediatamente as providências. Essa carga estava imprópria para consumo humano e foi totalmente inutilizada. Garantindo que não chegasse ao mercado e não representasse risco à saúde da população”, afirmou.

    Destino da carga

    Segundo informações que repassaram à fiscalização, o responsável adquiriu o pescado em Campo Maior e pretendia comercializá-lo no litoral do estado. A carga está avaliada em aproximadamente R$ 15 mil.

    O secretário da Assistência Técnica e Defesa Agropecuária do Piauí (Sada), Fábio Abreu, destacou a importância da atuação conjunta entre os órgãos. E também anunciou que as ações serão intensificadas nas próximas semanas. “A Adapi desempenha um papel fundamental na proteção da saúde pública e na garantia da qualidade dos alimentos que chegam à mesa dos piauienses. Com o início da Quaresma, período em que aumenta o consumo de pescado, vamos intensificar ainda mais as fiscalizações em todo o estado”, ressaltou.

    Foto: Ascom Adapi

    A legislação brasileira proíbe a reutilização de recipientes que tenham transportado produtos perigosos para o acondicionamento de alimentos. Portanto, as autoridades enquadraram inicialmente o caso como crime de comercialização de mercadoria imprópria para consumo. A Adapi segue acompanhando o processo até a destinação final adequada do material apreendido.

  • Suspensão de lista de espécies invasoras coloca pesquisas com tilápia sob holofotes

    Suspensão de lista de espécies invasoras coloca pesquisas com tilápia sob holofotes

    Pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecupecuária de Minas Gerais (EPAMIG) desenvolvem tecnologias para equilibrar a produção de tilápia com a segurança ambiental. As soluções incluem controle reprodutivo avançado, melhoramento genético e sistemas de cultivo fechados, que impedem a interação da espécie com ecossistemas naturais.

    A espécie, que movimenta cerca de R$ 7 bilhões por ano no Brasil, esteve recentemente no centro de um debate ambiental. A Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) chegou a incluir a tilápia na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras. Após manifestações do setor produtivo e órgãos ambientais, o órgão suspendeu temporariamente a tramitação da lista para reavaliar os critérios.

    “A tilápia não é uma espécie invasora, mas sim introduzida”, esclarece o pesquisador da EPAMIG, Franklin Costa. “Precisamos estudar melhor os impactos do escape de peixes com capacidade reprodutiva para lagos e rios brasileiros”, completa.

    Controle reprodutivo avança com manipulação cromossômica

    Há décadas, produtores utilizam a masculinização hormonal para evitar que as tilápias se reproduzam dentro dos tanques de engorda. A técnica tradicional, no entanto, ainda apresenta uma margem de erro de cerca de 5%, permitindo a presença de fêmeas férteis.

    Para eliminar esse risco, a EPAMIG firmou parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para desenvolver lotes 100% masculinos. Os cientistas também testam a produção de tilápias estéreis por meio de manipulação cromossômica, o que anularia completamente qualquer possibilidade de reprodução em caso de fuga.

    Sistemas fechados isolam produção do meio ambiente

    Outra frente de atuação da EPAMIG envolve a adoção de sistemas intensivos de recirculação de água (RAS) e de bioflocos (BFT). Diferente dos viveiros escavados e tanques-rede, esses modelos operam de forma desconectada do ambiente natural, reduzindo drasticamente o risco de escape dos peixes.

    “Não queremos substituir os modelos tradicionais, mas sim incorporar sistemas mais controlados nas fases críticas do cultivo”, explica Costa. A estratégia visa encurtar o período em que os peixes permanecem em contato com o ambiente externo.

    Genética cria peixe “dependente” do cativeiro

    O melhoramento genético também atua como ferramenta de proteção ambiental. A EPAMIG seleciona animais com alto desempenho produtivo, mas com baixa capacidade de sobrevivência fora do cativeiro.

    “Se um peixe melhorado escapar, terá chances mínimas de sobrevivência comparado aos peixes de vida livre”, afirma o pesquisador. A lógica por trás da técnica é simples: quanto mais adaptado ao ambiente artificial e à ração balanceada, menor a chance de o animal prosperar na natureza.

    A EPAMIG transfere os resultados dessas pesquisas para o setor produtivo por meio de dias de campo, capacitações e materiais técnicos. O objetivo é aliar a relevância econômica da espécie, que já ultrapassa 600 mil toneladas anuais e garante emprego e renda para milhares de famílias, à responsabilidade ambiental.

  • Pesquisas reduzem riscos ambientais e fortalecem a produção de tilápia

    Pesquisas reduzem riscos ambientais e fortalecem a produção de tilápia

    A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) reforça a importância da pesquisa científica para garantir uma produção sustentável de tilápia no Brasil. As ações da instituição buscam equilibrar a expansão do cultivo com a preservação ambiental, por meio de avanços em controle reprodutivo, melhoramento genético e sistemas produtivos mais seguros.

    O debate sobre a presença da tilápia ganhou destaque após a inclusão temporária da espécie na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, elaborada pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio). A tramitação da lista foi suspensa para reavaliação técnica, após manifestações do setor produtivo e de órgãos ambientais.

    Segundo o pesquisador da EPAMIG Franklin Costa, é essencial diferenciar as definições técnicas: “A tilápia não é uma espécie invasora, mas introduzida no Brasil. Embora os impactos ambientais ainda sejam pouco estudados, a pesquisa precisa avançar para mitigar riscos e aprimorar o controle em sistemas de cultivo.”

    Controle reprodutivo e inovação tecnológica

    Entre as principais linhas de pesquisa estão o desenvolvimento e a aplicação de métodos seguros de controle reprodutivo. A instituição trabalha em conjunto com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para aprimorar a masculinização e a inibição da reprodução, fundamentais para evitar a proliferação em tanques e em ambientes naturais.

    A equipe busca criar lotes 100% masculinos, reduzindo a margem de fêmeas férteis, ainda presente nos métodos convencionais. E também desenvolve novas técnicas de manipulação cromossômica e produção de tilápias estéreis.

    “O uso de lotes masculinos evita a reprodução indesejada e melhora o desempenho produtivo. Nosso objetivo é unir eficiência zootécnica e biossegurança”, afirma Costa.

    Sistemas produtivos seguros e melhoramento genético

    A EPAMIG também testa sistemas intensivos e controlados, como os de recirculação de água (RAS) e os de bioflocos (BFT), que mantêm o cultivo desconectado dos ambientes naturais. Essas tecnologias reduzem significativamente o risco de escapes e otimizam o crescimento dos peixes.

    Foto: Ascom Epamig

    No melhoramento genético, o foco está em desenvolver linhagens com alto desempenho em cativeiro e baixa sobrevivência fora dele. “Caso o peixe escape, sua chance de sobrevivência será mínima em comparação aos peixes de vida livre”, explica o pesquisador.

    Apesar do avanço dos sistemas tecnificados, Costa ressalta que o objetivo não é substituir os modelos tradicionais, como tanques-rede e viveiros escavados. Mas torná-los mais seguros em fases críticas do ciclo de produção.

    Resultados e impacto econômico

    Os resultados das pesquisas ganham amplitude por meio de capacitações, dias de campo e materiais de apoio técnico oferecidos aos piscicultores.

    A tilapicultura representa hoje um dos pilares da aquicultura brasileira. De acordo com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR, 2025), o país produz mais de 600 mil toneladas por ano, movimentando cerca de R$ 7 bilhões e gerando milhares de empregos diretos e indiretos.

  • Produção paulista de tilápia cresce 4% e alcança 54 mil toneladas em 2025

    Produção paulista de tilápia cresce 4% e alcança 54 mil toneladas em 2025

    A produção de tilápia em São Paulo cresceu 4% em volume durante 2025, segundo dados preliminares do Valor da Produção da Aquicultura Paulista. O estado alcançou 54,17 mil toneladas do pescado e registrou faturamento de R$ 494,11 milhões no período. As informações vêm do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

    São Paulo mantém a segunda posição no ranking nacional de produção de tilápia, atrás apenas do Paraná. A piscicultura paulista consolida-se como um dos pilares dinâmicos do agronegócio estadual, com perspectivas otimistas para os próximos meses.

    Tanques-rede em reservatórios concentram 75% da produção estadual

    A tecnologia de criação em tanques-rede impulsionou o crescimento da produção e da produtividade da tilápia no estado. Atualmente, esse sistema de cultivo concentra-se principalmente nos grandes reservatórios hidrelétricos do oeste paulista e já responde por mais de 75% do volume total produzido.

    O levantamento da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e do IEA contabilizou mais de 12 mil unidades de tanques-rede em operação durante 2024. Os viveiros escavados, por sua vez, mantêm relevância no planalto e na região da Mantiqueira, onde atendem tanto a produção comercial quanto o mercado de pesque-pague.

    “Espera-se que as condições climáticas favoráveis de temperatura e luminosidade impulsionem a produção no segundo semestre, podendo reverter a queda no valor total da produção deste cálculo preliminar”, destaca artigo científico publicado no site do IEA.

    Frigoríficos paulistas ampliam capacidade de processamento e aproveitamento

    A estrutura de processamento paulista mostra-se robusta: 21 frigoríficos concentram 86% do abate estadual. Parte da produção ainda segue para abatedouros em estados vizinhos, como Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

    Celso Vegro, diretor da Divisão de Estatística, Economia e Políticas Públicas em Agricultura do IEA, aponta o potencial de expansão do setor. “Colabora imensamente a esse crescimento da produção a instalação de grandes frigoríficos especializados no abate e processamento da tilápia (filetagem) com aproveitamento do couro para outros usos, inclusive, para o tratamento de queimaduras de primeiro grau”, explica.

    Pesquisa científica impulsiona produtividade e qualidade dos peixes

    O pesquisador do IEA, Eder Pinnati, destaca que a pesquisa científica tem contribuído para a melhoria da produtividade e da qualidade dos peixes criados no estado. “São diversos desafios que vão desde a qualidade da água até a gestão da cadeia que estão sendo estudados concomitantemente, e o IEA inicia o acompanhamento e divulgação de dados e informações da cadeia produtiva da tilápia”, afirma.

    Diante da relevância e intensificação da atividade na agropecuária paulista, a tilápia entrou no Valor da Produção Agropecuária (VPA) em 2025. O indicador, elaborado desde 1948, gera um ranking de relevância econômica para os produtos do setor e serve de base para análises, planejamento e formulação de políticas públicas.

    O setor segue atraindo novos investimentos, com aumento contínuo no número de criatórios cadastrados pela Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA). Como a maior parte do abastecimento paulista ainda vem de outros estados, há potencial de expansão bastante favorável para o incremento e intensificação das criações de tilápias, segundo Vegro.

    Paulistas consomem tilápia abaixo do recomendado pela OMS

    A tilápia lidera a preferência dos paulistas entre os pescados, seguida por salmão, pescada e atum. O alto custo da proteína, porém, limita o consumo. Os dados fazem parte de pesquisa recente do Instituto de Oceanografia (IO) da USP, em parceria com o Instituto de Pesca do Estado de São Paulo (IP-APTA).

    O estudo mostra que o consumo de peixes, crustáceos e moluscos no estado está abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em média, os paulistas consomem esses alimentos apenas de uma a três vezes por mês. Enquanto a OMS sugere o consumo pelo menos duas vezes por semana.

    Celso Vegro destaca o potencial de crescimento do consumo. “Em razão dessa maior demanda objetiva, a estrutura produtiva paulista está reagindo positivamente em exemplo do clássico econômico em que a demanda faz a oferta”, explica o pesquisador.

  • Acordo Mercosul-UE: tilápia brasileira ganha competitividade no mercado europeu

    Acordo Mercosul-UE: tilápia brasileira ganha competitividade no mercado europeu

    O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, anunciado recentemente, deve impulsionar a exportação de tilápia e peixes nativos brasileiros para o continente europeu. A eliminação imediata de tarifas de importação, hoje entre 7,5% e 9%, e a criação de novos mecanismos sanitários são consideradas oportunidades estratégicas para o setor no médio e longo prazo, de acordo com a Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR).

    Com a inclusão da tilápia na Categoria “0”, as tarifas serão zeradas logo no primeiro dia de vigência do tratado, sem limitação por cotas. A medida permite ao Brasil competir em igualdade com fornecedores como Vietnã e países da América Central, que já possuem acordos com a UE.

    “O acordo é uma grande janela de oportunidade para a aquicultura nacional, abrindo novos mercados para a tilápia e para nossos peixes nativos. É um mercado exigente, mas que vai nos impulsionar em produção e qualidade”, afirma Francisco Medeiros, presidente da PEIXE BR.

    No aspecto sanitário, o acordo não derruba imediatamente o bloqueio em vigor desde 2017, mas cria instrumentos jurídicos que facilitam futuras negociações. Entre os avanços estão o reconhecimento do pre-listing, que reduz a necessidade de inspeções individuais. E da regionalização sanitária, impedindo que problemas localizados afetem as exportações de todo o país.

    A expectativa é que, com a redução de custos e maior previsibilidade, a piscicultura brasileira aumente sua participação no mercado europeu, hoje marcado por exigências rigorosas de qualidade e sustentabilidade.

  • Suplementação melhora fertilidade e produção de ovos em tilápias

    Suplementação melhora fertilidade e produção de ovos em tilápias

    Um ensaio a campo realizado na região dos Grandes Lagos (SP), comprovou avanços significativos na atividade reprodutiva e no volume de ovos produzidos por tilápias suplementadas.

    A eficiência reprodutiva das matrizes é um dos principais fatores para o bom desempenho zootécnico e econômico dos sistemas de produção de tilápias. Variáveis como taxa de desova, qualidade dos ovos e viabilidade embrionária dependem de fatores nutricionais, metabólicos e ambientais. Com foco na nutrição, o estudo avaliou o uso do suplemento composto por fósforo orgânico (butafosfana) e vitamina B12 (cianocobalamina).

    Metodologia

    Durante o experimento, as tilápias foram distribuídas em dois grupos. Um recebeu ração com suplemento (3 g por quilo de ração, de forma contínua). E o outro grupo recebeu a mesma dieta sem suplementação. A equipe monitorou atividade reprodutiva, volume total de ovos e volume médio por fêmea ao longo do período.

    Os resultados mostraram melhora expressiva na performance reprodutiva das matrizes suplementadas. Segundo Talita Morgenstern, médica-veterinária e coordenadora técnica da unidade de Aquicultura da MSD Saúde Animal, o suplemento atua na melhora do metabolismo energético celular, da função hepática e na produção de glóbulos vermelhos, o que favorece a recuperação tecidual e o equilíbrio fisiológico dos peixes.

    “Ao fortalecer o metabolismo e o sistema de defesa das matrizes, a suplementação contribui para o amadurecimento mais eficiente dos ovos e para uma desova sincronizada. Isso resulta em ovos maiores, com maior reserva nutritiva, e em uma recuperação mais rápida das fêmeas”, destaca Talita Morgenstern.

    O ensaio indicou um aumento de 8,4% na atividade reprodutiva das fêmeas suplementadas, em comparação ao grupo controle. Além disso, os pesquisadores registraram volume de ovos aproximadamente duas vezes maior e um acréscimo de 49,3% no volume médio de ovos por matriz, evidenciando o impacto positivo na maturação ovariana e no amadurecimento dos ovos.

  • Banco de germoplasma de tilápia promete aumentar produtividade da aquicultura brasileira

    Banco de germoplasma de tilápia promete aumentar produtividade da aquicultura brasileira

    O Núcleo de Pesquisa Pescado para Saúde criou um amplo banco de germoplasma de tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) analisando nove populações da espécie, amostradas dos estados de Santa Catarina até o Ceará. A tilapicultura responde por 65% da produção nacional de peixes cultivados.

    O estudo avaliou nove populações de tilápia provenientes de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Ceará. Os pesquisadores analisaram estoques comerciais, populações cultivadas e grupos de origens distintas da espécie, que lidera a produção de pescado no Brasil e representa a principal força da aquicultura nacional.

    A equipe examinou características corporais como comprimento, peso e altura dos exemplares. Os cientistas também mediram o potencial de rendimento de filé por meio de ultrassonografia e conduziram avaliações genéticas utilizando marcadores moleculares.

    Diversidade genética supera diferenças físicas

    Os resultados revelaram que a diversidade genética entre as populações supera as diferenças fenotípicas – as características físicas visíveis. O estudo identificou distintos níveis de diferenciação e isolamento entre os estoques avaliados, mesmo quando as aparências físicas se mostravam semelhantes.

    Essa variabilidade genética apresenta desafios e oportunidades. Os pesquisadores detectaram níveis preocupantes de endogamia em algumas populações, especialmente nas linhagens mais antigas. Cruzamentos entre indivíduos geneticamente muito próximos podem comprometer o desempenho produtivo ao longo do tempo.

    Por outro lado, a diversidade genética permite a formação de populações-base para programas de melhoramento genético direcionados às condições ambientais de cada região brasileira.

    Banco in situ preserva material genético

    A Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento do Pescado Continental (DAPDPC) do IP, em São José do Rio Preto (SP), mantém o banco de germoplasma in situ. Nesse modelo, os pesquisadores conservam os peixes no próprio local de criação, preservando material genético cuidadosamente caracterizado.

    O banco funciona como um “arquivo vivo” de material genético. A estrutura reúne e preserva diferentes linhagens da espécie para garantir a diversidade genética, apoiar pesquisas científicas e subsidiar programas de melhoramento genético na aquicultura.

    Linhagens adaptadas para cada região

    Os autores do estudo destacam que o banco de germoplasma permitirá o desenvolvimento de linhagens mais adaptadas a diferentes realidades produtivas. Os produtores do Sul poderão contar com peixes mais tolerantes ao frio, enquanto os do Nordeste terão acesso a exemplares resistentes ao calor e à salinidade. O banco também viabiliza a criação de linhagens com maior rendimento de filé.

    “O banco de germoplasma funciona como um verdadeiro seguro genético da tilápia no Brasil. Ele garante a preservação de linhagens importantes, apoia pesquisas futuras e contribui diretamente para a sustentabilidade da aquicultura, ao permitir ganhos produtivos com menor impacto ambiental e maior segurança para os produtores”, afirma Fernando Stopato da Fonseca, pesquisador do IP e responsável pelo estudo.

    As estratégias desenvolvidas a partir do banco de germoplasma contribuem para o aumento da produtividade, a redução de custos para os produtores, o fortalecimento da segurança alimentar e a sustentabilidade da aquicultura brasileira.

    O Núcleo de Pesquisa Pescado para Saúde é apoiado pela FAPESP no âmbito do programa Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) e tem sede no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) com a participação de pesquisadores do Instituto de Pesca, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e das universidades de Mogi das Cruzes (UMC) e Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

    A iniciativa resulta de um estudo que mapeou características genéticas e fenotípicas da espécie em diferentes regiões do país. A revista científica Critical Insights in Aquaculture publicou os resultados da pesquisa.

  • Tilápia impulsiona aquicultura capixaba

    Tilápia impulsiona aquicultura capixaba

    O Espírito Santo recupera sua força na produção de peixes cultivados. O estado alcançou 7,1 mil toneladas em 2024, volume 73% superior ao registrado em 2017, quando a produção atingiu seu ponto mais baixo com 3,73 mil toneladas. A tilápia concentra praticamente toda a atividade aquícola estadual. A espécie responde por 99,46% da produção capixaba e registrou 7,03 mil toneladas em 2024. Os demais peixes representam menos de 1% do volume total.

    O setor movimentou R$ 68,4 milhões em 2024, mais que o dobro dos R$ 26,3 milhões contabilizados em 2020. Os números demonstram não apenas a recuperação quantitativa, mas também o ganho de valor agregado na atividade.

    A aquicultura capixaba atravessou um período de oscilações entre 2014 e 2020. A partir de 2021, o setor retomou trajetória consistente de crescimento, apoiado em modernização tecnológica e organização produtiva.

    Linhares concentra quase metade da produção estadual

    Três municípios concentram a maior parte da tilapicultura capixaba. Linhares lidera o ranking com 3,2 mil toneladas, equivalente a 45,5% do total estadual. Domingos Martins ocupa a segunda posição com 1,4 mil toneladas (20,05%), seguido por Marechal Floriano com 550 toneladas (7,82%).

    Guarapari, Muniz Freire e Alegre também expandem seus sistemas produtivos. Esses municípios investem em tecnologias adaptadas às condições locais e ampliam sua participação no setor.

    O crescimento recente reflete a capacidade do setor em incorporar inovações. Os produtores capixabas adotam melhoria genética, sistemas de aeração, alimentação balanceada e protocolos rigorosos de controle sanitário.

    A tilapicultura capixaba conquista espaço no mercado pela regularidade do produto. A espécie atende tanto o varejo quanto a indústria, setores que demandam qualidade consistente e fornecimento estável.

    Estado aposta na atividade como vetor de desenvolvimento

    O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, destaca o papel estratégico da tilápia. “O Estado vive um ciclo de crescimento sustentado, fruto dos investimentos em tecnologia, qualificação e organização produtiva. Esse resultado representa mais renda para as famílias rurais, diversificação econômica e segurança alimentar para a população”, afirma Bergoli.

    A tilapicultura se consolida como uma das atividades mais promissoras do agronegócio capixaba. O setor combina geração de renda no campo, diversificação da economia regional e oferta de proteína de qualidade para a população.