Tag: tilapia

  • Revisão da lista de espécies invasoras ameaça agronegócio, alertam debatedores

    Revisão da lista de espécies invasoras ameaça agronegócio, alertam debatedores

    Parlamentares, representantes do agronegócio e pesquisadores demonstraram preocupação, nesta quarta-feira (20), com a revisão da lista nacional de espécies exóticas invasoras elaborada pelo Ministério do Meio Ambiente. O tema foi discutido durante uma reunião conjunta das comissões de Agricultura e de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados.

    Segundo os participantes, a proposta pode gerar impactos diretos em cadeias produtivas importantes para a economia brasileira. Isso porque espécies amplamente utilizadas no país, como tilápia, eucalipto e braquiária, passaram a ser classificadas como invasoras no documento em análise.

    Na avaliação do setor, essa mudança pode abrir caminho para restrições no licenciamento ambiental e até impedir o cultivo dessas espécies em determinadas situações. Como consequência, produtores temem prejuízos econômicos e insegurança jurídica.

    Durante o encontro, deputados defenderam a aprovação do Projeto de Lei 5900/25. A proposta pretende retirar a exclusividade do Ministério do Meio Ambiente na definição dessas regras e exigir participação obrigatória de órgãos ligados à Agricultura e à Pesca antes da publicação das normas.

    O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion, autor do projeto, criticou a possibilidade de decisões ambientais afetarem cadeias produtivas estratégicas para o país.

    Segundo ele, incluir espécies como a tilápia na lista de invasoras pode comprometer a produção, a geração de empregos e até a balança comercial brasileira.

    Pedro Lupion criticou decisões que ignoram cadeias produtivas importantes no país — (Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados)

    Já o deputado Valdir Cobalchini, que solicitou o debate, afirmou que a revisão da lista desconsidera os impactos econômicos da medida. Além disso, ele questionou a composição da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), ligada ao Ministério do Meio Ambiente e responsável pela elaboração do documento.

    De acordo com o parlamentar, as análises não deveriam considerar apenas o aspecto ecológico. Para ele, decisões regulatórias precisam incluir avaliações socioeconômicas, jurídicas e técnicas, principalmente quando envolvem atividades essenciais para o abastecimento e a economia nacional.

    A assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Jaine Ariele Cubas, também apontou desequilíbrio na representatividade dentro da Conabio. Segundo ela, o setor privado possui pouca participação em comparação com organizações não governamentais e movimentos sociais.

    Ela defendeu a ampliação do debate e a realização de mais estudos antes da definição de medidas que possam afetar setores produtivos relevantes para o país.

    Pesquisadores alertam para possíveis efeitos regulatórios

    O chefe da Embrapa Pesca e Aquicultura, Roberto Flores, destacou que o enquadramento generalizado de espécies aquícolas como invasoras pode causar impactos regulatórios importantes.

    Segundo o pesquisador, é necessário diferenciar regiões, sistemas de cultivo e níveis de risco antes da adoção de medidas amplas. Ele ressaltou ainda que o setor aquícola já segue instrumentos específicos de controle ambiental.

    Roberto Flores alertou para os riscos de incluir peixes comerciais — (Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados)

    Outro ponto discutido durante a reunião envolveu o cultivo de eucalipto. O pesquisador do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Ipef), Paulo Henrique Miller, apresentou estudos que indicam a existência de barreiras naturais para conter o avanço da espécie.

    Conforme explicou o engenheiro florestal, formigas nativas, como saúvas e quem-quens, acabam consumindo sementes e brotos de eucalipto logo após a germinação. Dessa forma, esses insetos funcionariam como um mecanismo natural de controle ecológico.

    O debate segue em andamento na Câmara dos Deputados, enquanto representantes do agro pedem maior participação técnica e econômica nas decisões relacionadas à classificação das espécies.

    Contém dados de Agência Câmara de Notícias

  • Brasil pode perder mercado externo com nova classificação da tilápia

    Brasil pode perder mercado externo com nova classificação da tilápia

    A possível inclusão da tilápia na lista de espécies exóticas invasoras voltou a preocupar o setor aquícola brasileiro. A Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) deve votar a proposta no dia 27 de maio. Caso a medida avance, o Brasil poderá enfrentar impactos relevantes nas exportações e em toda a cadeia produtiva da aquicultura.

    Uma análise técnica da Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR) aponta que a reclassificação pode gerar barreiras comerciais e sanitárias em mercados estratégicos. Segundo o estudo, compradores internacionais podem interpretar a decisão como um reconhecimento oficial de risco ambiental pelo próprio governo brasileiro, o que tende a ampliar exigências regulatórias.

    O principal impacto recai sobre as exportações de tilápia para os Estados Unidos, destino de cerca de 85% do volume embarcado pelo Brasil. Atualmente, o mercado norte-americano movimenta aproximadamente US$ 35 milhões por ano com o produto brasileiro.

    A PEIXE BR destaca um precedente considerado crítico. Em 2010, os Estados Unidos classificaram a carpa asiática como espécie invasora. Após a decisão, as exportações chinesas da espécie caíram cerca de 97% em apenas um ano e não se recuperaram.

    Queda nas exportações

    Com base nesse histórico, a entidade projeta que o Brasil pode registrar queda de até 90% nas exportações de tilápia em até seis meses após uma eventual reclassificação. As perdas diretas podem superar US$ 38 milhões.

    O estudo também aponta efeitos indiretos sobre toda a aquicultura. A entidade estima perdas anuais próximas de US$ 64 milhões no setor exportador, impulsionadas por um efeito cascata que inclui aumento de auditorias internacionais, exigências sanitárias mais rígidas e desgaste da imagem do país.

    Espécies nativas, como tambaqui e pintado, também podem sofrer restrições comerciais. O relatório indica risco de comprometimento de certificações internacionais relevantes, como BAP, ASC e Global G.A.P., que exigem rigor no controle ambiental e no manejo de espécies.

  • Decreto encarece tilápias importadas em até 25% e aquece piscicultura mineira

    Decreto encarece tilápias importadas em até 25% e aquece piscicultura mineira

    O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, suspendeu o benefício fiscal do ICMS sobre a importação de tilápias. O Decreto 49.215, publicado nesta semana, impõe alíquota de 18% sobre todas as formas do produto estrangeiro, fresco, resfriado, congelado, inteiro, em filé, seco, salgado, defumado ou cozido. Com a incidência do tributo também sobre o imposto de importação e o PIS/Cofins, o custo da tilápia importada deve subir entre 20% e 25% em relação ao produto nacional.

    Produtores mineiros comemoraram a medida. Para o setor, o decreto corrige uma distorção que favorecia artificialmente o produto estrangeiro no mercado estadual.

    O secretário de Agricultura e Pecuária, Thales Fernandes, afirmou que a medida fortalece a tilapicultura mineira e abre espaço para a verticalização da cadeia produtiva, modelo em que a produção concentra mais etapas em uma mesma área, com maior uso de tecnologia. Segundo ele, o avanço deve gerar mais empregos e qualidade de vida para os produtores.

    A assessora técnica da Diretoria de Cadeias Produtivas da Seapa, Anna Júlia Oliveira, defendeu a decisão como estratégica. “Acredito que seja justo eliminarmos vantagens financeiras e fluxos de caixa favorecidos do produto estrangeiro”, disse. Para ela, suspender o diferimento no recolhimento do ICMS cria condições mais equilibradas de concorrência e protege tanto os produtores quanto os polos aquícolas regionais.

    O diretor-técnico do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), André Duch, destacou que o decreto integra um conjunto mais amplo de ações. O estado também intensificou a vigilância sanitária aquícola, ampliou a capacidade dos laboratórios oficiais e credenciados, exige rastreamento dos produtos importados pelos empreendedores e desenvolve um Plano Estadual de Contingência para Doenças Emergentes em Tilápias.

    Competição mais equilibrada

    Para o diretor-executivo da Peixe-MG (Associação de Aquicultores e Empresas Especializadas de Minas Gerais), Bruno Machado Queiroz, o decreto reestabelece uma competição saudável entre o produto importado e o mineiro. “Nossa expectativa é que o aumento de custo do produto importado restabeleça a procura pelo nosso produto. E iniba a entrada dos estrangeiros, reduzindo também os riscos sanitários, já que não temos controle sobre a sanidade do produto importado”, afirmou.

    O decreto tem validade até 31 de outubro, mas Queiroz acredita que o governador vai renová-lo. Para ele, a medida protege a cadeia produtiva e estimula os mineiros a desenvolverem cada vez mais a atividade.

  • Brasil mira México, Colômbia e Peru para diversificar exportações de tilápia

    Brasil mira México, Colômbia e Peru para diversificar exportações de tilápia

    A piscicultura brasileira vive um momento de inflexão. Diante de novas barreiras comerciais e da concorrência internacional crescente, o setor intensifica a busca por mercados alternativos para a tilápia, hoje concentrada nos Estados Unidos, destino de cerca de 92% das exportações.

    O presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, vê o cenário atual como um catalisador de mudanças. “Estamos entrando nos anos de ouro da tilapicultura nacional. Não é um caminho sem desafios, mas é um período com mais oportunidades para quem estiver preparado”, afirma.

    Apesar da forte dependência do mercado norte-americano, o desempenho recente surpreendeu. O pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Xavier Pedroza Filho, destaca que as exportações cresceram cerca de 2% no último ano, mesmo com a adoção de novas tarifas a partir de agosto. Para ele, o dado comprova a resiliência do setor, mas não elimina o risco. “A dependência de um único mercado exige atenção”, alerta.

    América Latina entra no radar

    Com o cenário em transformação, países da América Latina ganham peso na estratégia de expansão. O México lidera as atenções: o país importa cerca de 92 mil toneladas de tilápia por ano, mais da metade do volume adquirido pelos Estados Unidos. Ainda assim, a presença brasileira no país segue tímida.

    “É um mercado que começou a ser explorado mais recentemente, ainda com volumes modestos, mas com grande potencial de crescimento”, avalia Pedroza.

    Colômbia e Peru também figuram como oportunidades concretas. Além do volume expressivo de importações, a proximidade geográfica pode dar ao Brasil vantagem logística frente a concorrentes asiáticos.

    Gargalo industrial trava avanço nos mercados de maior volume

    O principal entrave para avançar nesses mercados não está na produção, está no produto. O Brasil exporta majoritariamente filé fresco, item de maior valor agregado, mas de menor escala. No mercado global, quem domina o volume é o produto congelado, mais barato e amplamente controlado por China e Vietnã.

    “A indústria brasileira passa por um momento de reorganização. A expectativa é que novas regras ampliem a competitividade no filé congelado, o que pode mudar o posicionamento do país no mercado internacional”, explica Pedroza.

    A possível flexibilização de normas industriais aparece como ponto-chave nessa equação. Para Medeiros, o impacto pode ser rápido. “Ajustes industriais têm potencial de gerar resultados em curto prazo, ao contrário de avanços produtivos, que levam anos”, ressalta. Segundo ele, a vantagem dos concorrentes asiáticos está diretamente ligada à eficiência industrial. E é essa diferença que o Brasil precisa reduzir para disputar mercados de maior volume.

    O setor enfrenta ainda outro obstáculo relevante: o fechamento do mercado europeu para o pescado brasileiro desde 2017. Na avaliação de Medeiros, a reabertura depende de negociações diplomáticas e adequações sanitárias que fogem do alcance direto do setor produtivo. “Esse bloqueio reforça ainda mais a necessidade de diversificar mercados e reduzir riscos”, completa Pedroza.

    Coordenação e inteligência de mercado ganham protagonismo

    Com o ambiente mais competitivo, a articulação entre indústria, associações e pesquisa passa a ocupar papel central na estratégia do setor. A atuação conjunta entre PEIXE BR e Embrapa orienta a identificação de mercados e o direcionamento das empresas.

    Diego Vargas / Seapa MG

    “A associação organiza informações, aponta caminhos e antecipa tendências. A decisão é do empresário, mas é fundamental ter clareza sobre onde estão as oportunidades”, reforça Medeiros.

    A próxima fase da produção de tilápia brasileira aponta para maior inserção internacional e pressão crescente por competitividade. Além da tilápia, espécies nativas como o tambaqui despontam como vetor de crescimento. Principalmente no mercado interno e, no longo prazo, nas exportações.

    “A palavra-chave para 2026 é ampliação de mercado, dentro e fora do Brasil”, resume Pedroza.

  • Vírus que mata até 90% das tilápias ameaça o agro paulista  

    Vírus que mata até 90% das tilápias ameaça o agro paulista  

    O Governo do Estado de São Paulo publicou nesta semana uma resolução que estabelece medidas de defesa sanitária para proteger a cadeia produtiva da tilápia contra o Tilapia Lake Virus (TiLV), patógeno emergente com taxa de mortalidade que pode chegar a 90% dos plantéis infectados. A norma antecipa uma resposta estadual enquanto o Ministério da Agricultura ainda avalia os riscos associados à importação do peixe.

    A doença já foi registrada em países da Ásia, África e Oriente Médio, e sua eventual chegada ao Brasil preocupa especialistas pelo potencial de transmissão rápida e pelos impactos econômicos que poderia causar em regiões de alta concentração produtiva, como São Paulo, principal polo da tilapicultura nacional.

    Controle desde a origem até o consumidor

    A resolução torna obrigatório o controle sanitário de todos os produtos de tilápia,frescos, congelados, inteiros ou processados, oriundos de países com registro confirmado da enfermidade. As exigências incluem identificação e rastreabilidade dos lotes, segregação de produtos por origem e manutenção de registros sanitários e fiscais por pelo menos 12 meses.

    As regras valem para produtos destinados ao consumo humano, à alimentação animal e ao processamento industrial.

    “A cadeia da tilápia tem ganhado relevância no agro paulista, com crescimento da produção e geração de empregos. Esse avanço exige atenção sanitária cada vez maior”, afirmou o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho.

    Fiscalização integrada e sanções previstas

    A execução das medidas caberá à Defesa Agropecuária do Estado, com poder para inspecionar estabelecimentos, cargas e documentos, além de aplicar sanções administrativas e determinar medidas corretivas. Em casos de risco sanitário, a apreensão e interdição cautelar de produtos também está prevista.

    A atuação será integrada com vigilâncias sanitárias municipais, Procon-SP e demais órgãos de fiscalização, ampliando o alcance do controle em toda a cadeia produtiva.

    Princípio da precaução

    Para Ieda Blanco, médica-veterinária responsável pelo Programa Estadual de Sanidade dos Animais Aquáticos (PESAq), agir antes da chegada do vírus é essencial. “A prevenção contra a introdução do TiLV é fundamental, uma vez que o vírus apresenta transmissão rápida e sua eventual introdução traria impactos econômicos imensos à tilapicultura paulista”, destacou.

    A medida adota o chamado princípio da precaução, estabelecendo barreiras sanitárias antes que a enfermidade chegue ao território nacional. Uma estratégia que, segundo o presidente da Câmara Setorial de Pesca e Aquicultura do Estado, Martinho Colpani, é decisiva para a continuidade do setor. “A prevenção sanitária é fundamental para proteger empregos e sustentar o crescimento da cadeia”, reforçou.

    A tilapicultura é hoje uma das principais cadeias da aquicultura brasileira. Em São Paulo, o setor combina escala produtiva, estrutura industrial consolidada e forte inserção no mercado interno, o que eleva o peso econômico de qualquer ameaça sanitária. E justifica, segundo o governo estadual, a antecipação das medidas protetivas.

  • Brasil importa mais tilápia do que exporta pela primeira vez

    Brasil importa mais tilápia do que exporta pela primeira vez

    Pela primeira vez, o Brasil importou mais tilápia do que exportou. Em fevereiro de 2026, chegaram ao país mais de 1,3 mil toneladas de filé vietnamita. O equivalente a 4,1 mil toneladas de peixe vivo, volume que já representa 6,5% da produção mensal brasileira. O avanço acende um alerta em um dos segmentos mais dinâmicos do agronegócio nacional.

    Segundo a Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR), o setor vinha registrando crescimento constante. “A tilápia brasileira é a proteína que mais cresceu nos últimos 11 anos, com expansão média de 10% ao ano, superando outras cadeias como suínos, aves, bovinos, leite e ovos. Esse é um mérito de toda a cadeia produtiva”, afirma o presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros.

    Tilápia importada pressiona preços e margens

    O filé de tilápia do Vietnã entra no mercado brasileiro com preços entre R$ 25 e R$ 29 por quilo. O valor é considerado agressivo pelo setor, pois se aproxima do custo da matéria-prima usada pelas indústrias locais. “Esse é praticamente o preço do peixe ao chegar ao frigorífico nacional. Isso cria uma distorção importante na concorrência”, explica Medeiros.

    Mesmo com ganhos de produtividade e avanços tecnológicos dentro da porteira, o Brasil ainda enfrenta entraves fora dela. Custos tributários elevados, encargos trabalhistas e maior complexidade ambiental reduzem a competitividade nacional, enquanto o produto importado conta com vantagens, como a isenção de ICMS em alguns estados.

    “Temos uma produção altamente eficiente, talvez a mais competitiva do mundo dentro da porteira. Mas, fora dela, a carga tributária e a burocracia acabam comprometendo o desempenho”, destaca o dirigente.

    Setor pede equilíbrio e alerta para riscos sanitários

    O setor não defende limitar as importações, mas busca garantir uma concorrência equilibrada. “Queremos isonomia tributária, sanitária, trabalhista e ambiental. Só assim teremos uma disputa justa”, afirma Medeiros.

    Além da competição de preços, o risco sanitário também preocupa. O Vietnã registra o vírus TiLV, considerado altamente letal para tilápias e ainda inexistente no Brasil. Por isso, a PEIXE BR solicitou ao Ministério da Agricultura (MAPA) o envio de uma missão técnica ao país asiático para realizar a Análise de Risco de Importação (ARI), processo previsto em lei.

    “Existem enfermidades graves no Vietnã que não ocorrem aqui. Precisamos dessa análise com urgência”, reforça o presidente.

    Mercado vive momento de transição

    O aumento das importações ocorre em meio à recuperação dos preços internos impulsionada pela Quaresma. Mesmo assim, a entrada crescente de produto externo pode neutralizar esse movimento e reduzir a rentabilidade dos produtores brasileiros.

    “As exportações ajudam a equilibrar o mercado interno. Quando as importações ganham espaço, esse equilíbrio se perde e o impacto sobre o setor é direto”, acrescenta Medeiros.

    O Brasil ocupa hoje a quarta posição mundial na produção de tilápia e ainda tem espaço para crescer. Segundo o dirigente, a continuidade desse avanço exige melhorias no ambiente regulatório e nas condições de competitividade. “Construímos uma cadeia sólida nos últimos 20 anos. Não somos contra a importação, mas precisamos de igualdade para competir”, conclui.

  • Pescado brasileiro ganha destaque na Seafood Expo North America 2026

    Pescado brasileiro ganha destaque na Seafood Expo North America 2026

    O Brasil marca presença na Seafood Expo North America 2026, a maior feira de pescados da América do Norte, que acontece em Boston (EUA) entre os dias 15 e 17 de março. A PEIXE BR (Associação Brasileira da Piscicultura) lidera a participação brasileira no evento, com o objetivo de fortalecer as exportações de pescado nacional, especialmente para o mercado norte-americano, principal destino de produtos como tilápia e tambaqui.

    De acordo com o presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, o evento chega em um momento estratégico para o setor. “A tilápia é o pescado mais exportado pelo Brasil, e os Estados Unidos são o principal comprador, com destaque para o filé de tilápia fresco”, afirma Medeiros.

    O dirigente ressalta que a nova tarifa de importação de 10% reacende as oportunidades no mercado americano. “Voltamos com força em função da qualidade do nosso pescado. É hora de dialogar com os compradores e reforçar parcerias comerciais”, destacou.

    A participação na feira também evidencia o trabalho contínuo de promoção do pescado brasileiro no exterior. Sempre valorizando atributos como rastreabilidade, sustentabilidade e competitividade da piscicultura nacional. Além de Medeiros, o vice-presidente do Conselho de Administração da entidade e diretor da Fider Pescados, Juliano Kubitza, também integra a missão brasileira em Boston.

    Presença brasileira

    Empresas associadas à associação participam com estandes próprios, ampliando o alcance da presença brasileira no evento. Entre as companhias confirmadas estão Ayamo, Brazilian Fish, Copacol, Zaltana e Mar & Terra, que apresentarão suas linhas de produtos a compradores, importadores e distribuidores internacionais.

    A Seafood Expo North America é considerada o principal ponto de encontro global do setor de pescados, reunindo fornecedores de cerca de 50 países. O evento funciona como um grande centro de negócios, conectando empresas e compradores do mercado norte-americano a produtos, serviços e soluções da cadeia global da aquicultura e pesca.

  • Como a vacinação está revolucionando a criação de tilápia no Brasil

    Como a vacinação está revolucionando a criação de tilápia no Brasil

    A criação de tilápia no Brasil enfrenta um inimigo duplo: Iridovírus e bactérias do gênero Streptococcus podem dizimar até 70% de um lote em poucas semanas. A boa notícia é que a vacinação combinada contra os dois agentes já demonstra resultados concretos. E transforma a equação econômica do produtor.

    Dados apresentados pela MSD Saúde Animal revelam que lotes de tilápia (Oreochromis niloticus) imunizados simultaneamente contra Iridovírus e Estreptococose atingiram taxa de sobrevivência de 95,3%. Ante apenas 71,9% nos grupos vacinados apenas contra Streptococcus. Além disso, o uso de antibióticos caiu mais de 60%, reduzindo custos operacionais e adequando a produção às exigências dos principais mercados importadores.

    “Os programas de sanidade na aquicultura evoluíram do tratamento com antimicrobianos para a prevenção abrangente, na qual a vacinação desempenha um papel essencial”, afirma Talita Morgenstern, coordenadora técnica da unidade de Aquicultura da MSD Saúde Animal.

    O problema: dois patógenos que se potencializam

    A intensificação da piscicultura brasileira criou condições favoráveis à proliferação de doenças. Altas densidades de estocagem em tanques-redes, reservatórios compartilhados e variações frequentes de temperatura elevam o estresse fisiológico dos peixes. Abrindo caminho para infecções em cadeia.

    O Vírus Infeccioso do Baço e da Necrose Renal (ISKNV), principal Iridovírus que afeta tilápias, pode provocar mortalidades superiores a 70% em um único surto, causando necrose de órgãos, anemia e letargia. Já a Estreptococose, provocada por Streptococcus agalactiae e Streptococcus iniae, responde por perdas que variam entre 30% e 80% em águas quentes, sendo considerada uma das doenças bacterianas mais devastadoras da espécie.

    A combinação dos dois agentes é especialmente perigosa. “O vírus compromete a imunidade do peixe, favorecendo a proliferação bacteriana secundária. A infecção bacteriana, por sua vez, gera inflamação e estresse metabólico que aceleram a replicação viral”, explica Talita. O resultado são surtos mais rápidos e letais do que os causados por um único patógeno.

    Além da mortalidade: o custo invisível das doenças

    As perdas não se limitam aos peixes mortos. Surtos de doença impactam a taxa de crescimento do lote, aumentam o descarte no abate e comprometem a uniformidade de peso. Portanto, fatores que corroem diretamente a margem do produtor.

    “Durante surtos, também são observadas deformidades, queda na conversão alimentar e aumento do tempo de cultivo”, alerta a coordenadora técnica. Lotes vacinados com o protocolo combinado apresentaram menor variabilidade de peso e maior uniformidade no abate, segundo os dados da empresa.

    Vacinação como investimento, não como custo

    Do ponto de vista financeiro, a redução no uso de antibióticos tem impacto direto nos custos de produção e na viabilidade de exportação. Mercados como a União Europeia e os Estados Unidos impõem limites rígidos ao uso de antimicrobianos em produtos aquícolas> E a conformidade com essas regras é condição para acesso a compradores internacionais.

    “Nos mercados externos, essas práticas fortalecem a imagem de sustentabilidade da aquicultura latino-americana”, destaca Talita, que reforça a necessidade de tratar a vacinação como parte de uma estratégia mais ampla: “Integrar o controle viral e bacteriano a um programa de biossegurança e gestão da qualidade da água é a chave para o sucesso.”

    Para o produtor, a mensagem é direta: a imunização combinada não é um gasto adicional, mas um investimento com retorno mensurável em sobrevivência, uniformidade de lote, redução de insumos e abertura de mercado.

  • Vírus, dumping e concorrência desleal: por que a tilápia importada divide o Brasil

    Vírus, dumping e concorrência desleal: por que a tilápia importada divide o Brasil

    Um projeto de lei que pode mudar radicalmente o mercado do peixe mais consumido no Brasil está em análise na Câmara dos Deputados. O PL 6331/25, de autoria do deputado Dilceu Sperafico (PP-PR), propõe a proibição total da importação de tilápia no país, incluindo peixes vivos, alevinos, filés resfriados ou congelados e qualquer produto processado para consumo humano ou animal. A proposta chega num momento de forte tensão entre o governo federal e o setor produtivo nacional.

    Foto: divulgação – CNA

    O Brasil é o quarto maior produtor mundial de tilápia, atrás apenas de China, Indonésia e Egito. Em 2024, foram produzidas 662,2 mil toneladas do peixe, um crescimento de 14,3% em relação ao ano anterior. Portanto, representando 68% de toda a produção nacional de peixes cultivados, segundo o Anuário PeixeBR 2025. A cadeia sustenta cerca de 3 milhões de empregos diretos e indiretos.

    O valor da produção nacional mais do que dobrou entre 2020 e 2024, segundo o IBGE. O Paraná lidera a produção, respondendo por 36% do volume total do país.

    Foi justamente esse protagonismo que tornou ainda mais explosiva a decisão do governo Lula de autorizar a entrada de tilápia vietnamita no mercado brasileiro.

    Da autorização à revolta

    O impasse começou no final de 2023, quando um lote experimental de 25 toneladas de tilápia vietnamita desembarcou no Brasil, provocando reação imediata dos produtores locais. A pressão resultou na suspensão das importações em fevereiro de 2024. No entanto, o cenário mudou em abril de 2025, quando o Ministério da Agricultura reverteu sua própria decisão e reautorizou o comércio, com base em reavaliação técnica que classificou como “negligenciável” o risco de introdução do Vírus da Lagoa da Tilápia (TiLV) no país.

    A tensão aumentou ainda mais com o anúncio da JBS, gigante global de proteína animal, que passou a importar tilápia processada do Vietnã como resultado de um acordo bilateral firmado durante a Cúpula Ampliada do BRICS, em julho de 2025. Acordo pelo qual o Brasil abriu seu mercado à tilápia vietnamita em troca de acesso do boi brasileiro ao Vietnã.

    Dumping e concorrência desleal

    Para os produtores nacionais, a questão vai além da competição: trata-se de sobrevivência econômica. O peixe asiático chegou ao Brasil por um preço equivalente à metade do custo de produção local. “O valor que chegou é metade do nosso custo de produção. Hoje comercializamos o quilo da tilápia entre R$ 9,80 e R$ 10”, relatou um representante do setor.   O movimento é enquadrado por entidades do agronegócio como dumping, uma prática comercial predatória que consiste em vender produtos abaixo do valor justo para eliminar concorrentes locais.

    A PeixeBR classificou a decisão governamental como “imprudente”, alegando que a importação compromete a competitividade do setor, agrava os desafios econômicos da cadeia produtiva e coloca em risco a biossegurança dos tanques brasileiros, já que as condições de cultivo no Vietnã são distintas e podem introduzir doenças inexistentes no país.

    O fantasma do TiLV

    O risco sanitário é o ponto mais sensível do debate. A Análise de Risco de Importação elaborada pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) avalia especificamente os riscos de introdução e disseminação do Tilapia Lake Virus (TiLV). A doença é altamente contagiosa, com potencial de mortalidade expressivo, que ainda não existe no Brasil.

    Além da questão comercial, há receio sobre a qualidade e a sanidade do pescado vietnamita. “Ninguém sabe como a tilápia é produzida lá. Se obedece aos preceitos ambientais e sanitários corretamente”, alertou um dirigente sindical do setor. O temor é que o consumidor não consiga diferenciar a tilápia vietnamita da brasileira e, diante de um produto de qualidade inferior, acabe desistindo de consumir pescado.

    O projeto e suas punições

    O PL 6331/25 vai além de simplesmente vedar a entrada do produto. Proíbe também o desembaraço aduaneiro, a circulação, o armazenamento e a comercialização de qualquer lote de tilápia importada. E impede o governo de conceder novas licenças ou autorizações para importação. Infratores estarão sujeitos à apreensão ou destruição da carga, às suas próprias expensas, além de multas proporcionais ao volume e valor dos itens apreendidos, podendo ainda ter licenças sanitárias, ambientais e de comércio exterior suspensas ou cassadas.

    Deputado Dilceu Sperafico (PP-PR), autor do projeto. Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

    “A tilapicultura é hoje uma das cadeias mais organizadas, capazes e socialmente relevantes do agronegócio nacional”, afirmou o deputado Sperafico, autor da proposta.

    Próximos passos

    O projeto será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Desenvolvimento Econômico; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, precisará ser aprovado tanto pela Câmara quanto pelo Senado.

    O setor nacional se prepara para uma batalha que deve envolver estratégias políticas, técnicas e, possivelmente, ações judiciais para proteger a sanidade e a economia da tilapicultura brasileira.  Com 3 milhões de empregos e uma cadeia produtiva que levou décadas para ser construída, o desfecho dessa disputa vai muito além das bancadas do Congresso.

  • Produção de tilápia exige monitoramento sanitário mais intenso

    Produção de tilápia exige monitoramento sanitário mais intenso

    A cadeia da tilapicultura em São Paulo vive um ciclo de expansão e reforça medidas de vigilância sanitária para proteger a produção e garantir a sustentabilidade do setor. O aumento do monitoramento técnico e epidemiológico acompanha o crescimento da atividade, que consolidou o Estado como um dos principais polos produtores do país.

    Segundo dados preliminares do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), a produção paulista de tilápia atingiu 54,17 mil toneladas em 2025, crescimento de 4% em relação ao ano anterior. O faturamento chegou a R$ 494,11 milhões, sustentado por uma estrutura industrial robusta, com 21 frigoríficos responsáveis por 86% do abate total. Mais de 12 mil tanques-rede operam atualmente em reservatórios paulistas, respondendo pela maior parte do volume produzido.

    O avanço produtivo amplia a preocupação com o status sanitário da aquicultura, considerado essencial para a competitividade e a segurança alimentar. Especialistas do setor ressaltam que manter altos padrões de biossegurança é determinante para a estabilidade da cadeia e a proteção dos investimentos.

    “Preservar a sanidade da tilapicultura significa garantir crescimento sustentável, segurança alimentar e geração de empregos. As ações de pesquisa e defesa são fundamentais para a continuidade do setor”, afirma Geraldo Melo Filho, secretário da pasta agropecuária paulista.

    Riscos sanitários

    O monitoramento estadual avalia riscos sanitários relacionados ao comércio internacional de pescado e acompanha as análises conduzidas em nível federal. Em 2024, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) suspendeu temporariamente as importações de tilápia de alguns mercados e iniciou uma Análise de Risco de Importação (ARI) para determinar possíveis ameaças de agentes patogênicos exóticos no país.

    No Estado, instituições de pesquisa como o Instituto de Pesca (IP-APTA) e órgãos de defesa agropecuária intensificaram o acompanhamento técnico e epidemiológico. A coordenadora do Instituto de Pesca, Cristiane Neiva, destaca que a prevenção é um dos pilares da sustentabilidade do setor.

    “A introdução de enfermidades pode comprometer toda a estrutura industrial e os empregos ligados à aquicultura”, alerta.

    O trabalho da Defesa Agropecuária paulista inclui protocolos de biossegurança, rastreabilidade e avaliação contínua de riscos. “As ações preventivas visam manter a tilapicultura competitiva e segura, com benefícios diretos a produtores e consumidores”, explica João Gustavo Pereira Loureiro, coordenador do Centro de Inspeção de Produtos de Origem Animal e Vegetal (CIPOAV).

    Tilapia Lake Virus

    Entre os principais pontos de atenção está o Tilapia Lake Virus (TiLV), agente infeccioso altamente letal, já registrado em países da Ásia, África e Oriente Médio. O vírus pode causar mortalidade de até 90% nos peixes e representa uma ameaça significativa à produção global de tilápia.

    Para o presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, uma eventual introdução do TiLV no Brasil teria “efeitos expressivos” sobre a produção, em especial em regiões de alta densidade produtiva como São Paulo. Ele ressalta que os tanques-rede instalados em reservatórios favorecem a produtividade, mas exigem protocolos rigorosos de biossegurança.

    “O modelo brasileiro de produção demanda vigilância constante e medidas de controle robustas para evitar disseminação de doenças”, observa Medeiros.

    A tilápia passou, em 2025, a integrar o Valor da Produção Agropecuária (VPA) paulista, indicador usado para planejamento econômico e formulação de políticas agrícolas. A espécie mantém-se como a principal proteína de pescado consumida no Estado, com demanda crescente e boas perspectivas de expansão da produção e do processamento.