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  • Consumo de tilápia cresce 10,3% ao ano e deve manter ritmo acelerado

    Consumo de tilápia cresce 10,3% ao ano e deve manter ritmo acelerado

    A tilápia conquistou o posto de pescado mais consumido no Brasil e promete continuar em trajetória de expansão pelos próximos dez anos. Com crescimento médio anual de 10,3% nos últimos 11 anos, o peixe registra a melhor performance histórica entre todas as proteínas animais comercializadas no país.

    Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, associação que representa o setor produtivo, atribui esse desempenho excepcional a características específicas do produto. O filé sem espinhas, sabor suave e padronização garantida atraem consumidores de diferentes perfis e faixas etárias.

    Produção controlada garante estabilidade no mercado

    A origem da tilápia brasileira explica parte do sucesso. Por se tratar de um produto cultivado, a produção é controlada e oferece estabilidade de fornecimento durante todo o ano. Essa previsibilidade permite que produtores e varejistas trabalhem com planejamento de longo prazo, garantindo qualidade consistente ao consumidor final.

    “Trata-se de um produto de cultivo, com produção controlada e oferta estável, permitindo que produtores e mercado trabalhem com previsibilidade e qualidade”, destaca o executivo.

    Novas tendências de consumo favorecem o pescado

    A transformação no comportamento alimentar global beneficia diretamente o setor. Consumidores buscam cada vez mais alimentos saudáveis, sustentáveis e de preparo prático. A tilápia atende simultaneamente a essas três demandas.

    A versatilidade culinária amplia ainda mais o apelo do produto. O pescado pode ser preparado grelhado, assado, frito ou até consumido cru em preparações como ceviche, adaptando-se a diferentes ocasiões e preferências gastronômicas.

    Tradicionalmente, o consumo de pescado no Brasil concentrava-se nas regiões litorâneas, dependente da pesca artesanal e industrial. Esse cenário mudou radicalmente nas últimas décadas.

    A expansão da aquicultura para estados do interior democratizou o acesso à tilápia fresca em todo o território nacional. Essa capilaridade na produção reduziu custos logísticos e ampliou a disponibilidade do produto em regiões antes desabastecidas.

    Projeções otimistas para 2025-2035

    A Peixe BR projeta continuidade no ritmo de crescimento para a próxima década, mantendo a taxa de expansão observada nos últimos dez anos. Os investimentos já realizados e os projetos em andamento no setor sustentam essa perspectiva positiva.

    A receptividade do mercado consumidor reforça as expectativas. No entanto, Medeiros alerta para obstáculos que podem comprometer o potencial de crescimento: barreiras regulatórias impostas pelo governo e a redução do poder aquisitivo da população brasileira representam os principais desafios para o setor nos próximos anos.

  • Aproveitamento integral da tilápia transforma resíduos em oportunidades no Brasil

    Aproveitamento integral da tilápia transforma resíduos em oportunidades no Brasil

    A tilápia do Nilo, espécie que lidera a piscicultura brasileira, surpreende o mercado com aplicações que vão muito além do tradicional filé. Pesquisadores e empresas transformam pele, carne e outros subprodutos do pescado em itens inovadores: curativos para queimaduras, couro para calçados, cosméticos e até sorvete proteico.

    O Paraná concentra um terço de toda a produção nacional de tilápia. O Estado produziu 188 mil toneladas em 2021 e projeta alcançar 376 mil toneladas até 2027, consolidando sua liderança no setor.

    “A aquicultura é uma cadeia estruturada e consolidada aqui no Paraná, na qual somos referência nacional. Essa relevância também se sustenta pela diversificação propiciada pelo produto. Hoje, diversas utilizações do peixe aproveitam todas suas partes em diferentes processos. Tudo isso valoriza ainda mais a cadeia produtiva”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema FAEP.

    Pele de tilápia revoluciona tratamento de queimaduras

    Pesquisadores do Ceará desenvolveram curativos biológicos feitos com pele de tilápia para tratar queimaduras. O material funciona como proteção que previne perda de líquidos, impede contaminações e reduz o tempo de tratamento em até dois dias. A aplicação dispensa trocas diárias, o que diminui a dor dos pacientes.

    “O Brasil nunca teve nenhuma pele animal registrada na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para tratamento de queimaduras. Temos quatro bancos de pele humana. Porém, a quantidade produzida por eles é insuficiente para os tratamentos. Tenho 44 anos de labuta na área de queimaduras e só utilizei pele humana duas vezes”, revela Edmar Maciel Lima Jr., médico que coordena a pesquisa.

    Foto: Comunicação Sistema FAEP

    A escolha da tilápia se baseou na disponibilidade do pescado e nos resultados promissores dos testes. “No estudo histológico vimos que a pele da tilápia tem a proteína colágeno tipo 1 em maior quantidade do que a pele humana, além de ser resistente à tração e ter um bom grau de umidade”, explica Lima.

    A pesquisa já se expandiu para nove países, envolve 300 pesquisadores e conquistou 19 prêmios. “Começou com os estudos na área de queimaduras, hoje em dia é sucesso nas feridas de animais, na ginecologia e na odontologia”, destaca o médico.

    Sorvete proteico ajuda pacientes em quimioterapia

    Em 2019, a doutoranda Ana Maria da Silva, do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural Sustentável da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), criou um sorvete enriquecido com proteína de tilápia. A inovação surgiu da necessidade de alimentar sua filha, que enfrentava um câncer e sofria com feridas na boca causadas pela quimioterapia.

    O tratamento dificultava a alimentação da jovem, que encontrava alívio apenas em alimentos gelados como sorvete. Porém, o valor nutricional da sobremesa convencional era insuficiente. Ana Maria transformou a carne da tilápia em líquido e incorporou a proteína ao sorvete, mantendo o sabor e as características da sobremesa.

    Em outubro, o sorvete de tilápia conquistou o terceiro lugar na Maratona de Inovação do Pescado no AgriFutura, principal encontro da cadeia produtiva do pescado da América Latina.

    Moda e cosméticos apostam no couro de peixe

    No litoral do Paraná, empreendedores transformam pele de tilápia e outras espécies em couro para bolsas, sapatos e artesanato. O cantor de pagode Rodriguinho recentemente estreou um tênis totalmente produzido em couro de tilápia nas cores da bandeira brasileira.

    As cooperativas, responsáveis pela maior parte da produção estadual, já identificaram o potencial comercial desses subprodutos. A C.Vale exporta 75 toneladas mensais de pele de tilápia para Taiwan, onde a indústria cosmética processa o material.

    Assim como a pecuária bovina aproveita todas as partes do animal, a piscicultura demonstra potencial semelhante. O aproveitamento integral da tilápia transforma o que antes era descartado no processo industrial em produtos de alto valor agregado, fortalecendo toda a cadeia produtiva no Paraná e no Brasil.

  • Tilápia – exportações crescem mas tarifas americanas ameaçam setor

    Tilápia – exportações crescem mas tarifas americanas ameaçam setor

    A piscicultura brasileira viveu um primeiro semestre de 2025 marcado por contrastes. Enquanto as exportações de tilápia registraram crescimento expressivo de 52%, o setor agora enfrenta a ameaça de tarifas americanas que podem praticamente zerar as vendas externas no segundo semestre.

    De acordo com dados da PEIXE BR, o mercado interno manteve o crescimento esperado, impulsionado pelo aumento da oferta e redução de preços ao consumidor. No entanto, as perspectivas mudaram drasticamente após o anúncio de tarifas de 50% pelo governo americano.

    Exportações em alta, mas futuro incerto

    As vendas internacionais da piscicultura brasileira atingiram US$ 36 milhões no primeiro semestre, representando crescimento de 52% em relação ao mesmo período de 2024. O volume exportado chegou a 8 mil toneladas, com a tilápia respondendo por 95% do total.

    “A tilápia consolidou sua posição como principal peixe cultivado e comercializado internacionalmente pelo Brasil”, explica Manoel Pedroza, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura.

    Os Estados Unidos permanecem como principal destino, representando cerca de 90% das exportações brasileiras no período, com US$ 32 milhões. O Peru aparece como segundo maior importador, movimentando US$ 1,8 milhão.

    Preços em queda pressionam produtores

    O cenário no mercado interno, contudo, apresenta desafios significativos. Segundo dados do Cepea/Esalq, o preço médio da tilápia caiu 14,6% no primeiro semestre, passando de R$ 9,42/kg em 2024 para R$ 8,04/kg em 2025.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    “Embora tenha havido uma leve redução no custo da ração, que caiu 2,9%, essa diminuição não foi suficiente para compensar a pressão sobre as margens dos produtores”, destaca Thiago Bernardino de Carvalho, coordenador de Pecuária e Tilápia do Cepea/Esalq.

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    A margem bruta média dos produtores despencou 45,5%, caindo de R$ 2,82 para R$ 1,54 por quilo comercializado. Paralelamente, o peso médio dos animais aumentou 11,1%, passando de 921 gramas para 1.023 gramas.

    Ameaça dupla: tarifas americanas e importações

    Francisco Medeiros, presidente da PEIXE BR, alerta para um cenário preocupante. “Devido à tarifa de 50% e à falta de ação do governo brasileiro em negociar, teremos um segundo semestre com exportações próximas de zero”, afirma.

    A situação se agrava com a entrada de filé de tilápia do Vietnã no mercado brasileiro. Segundo especialistas, os produtos vietnamitas chegam com preços muito inferiores aos nacionais, configurando possível dumping.

    “O Vietnã tem procedimentos na indústria que são proibidos nas indústrias brasileiras e, com isso, perdemos competitividade”, critica Medeiros.

    Regiões produtoras se consolidam

    Apesar dos desafios, a tilápia mantém posição de destaque na aquicultura nacional, respondendo por 70% da produção de peixes de cultivo. A espécie cresceu 10,3% ao ano nos últimos 11 anos, enquanto peixes nativos registraram redução no mesmo período.

    As principais regiões produtoras incluem o Oeste do Paraná, Morada Nova de Minas (MG), região dos Grandes Lagos (noroeste de São Paulo e divisa com Mato Grosso do Sul), Norte do Paraná e Triângulo Mineiro.

    Para o restante de 2025, especialistas apontam a necessidade de diversificar mercados e produtos. O alojamento de alevinos e juvenis cresceu 18,7% no primeiro semestre, indicando expectativa de aumento na produção futura.

    “A abertura de novos mercados externos será fundamental para assegurar a competitividade internacional da cadeia”, destaca Carvalho. “O setor precisará investir na exportação de produtos congelados, que respondem pela maior parte do comércio internacional de tilápia.”

    Apesar das dificuldades, há potencial de valorização do produto nacional, desde que políticas públicas e investimentos em infraestrutura permitam maior competitividade frente aos concorrentes internacionais.

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  • Tilápia tem novas quedas de preços em julho

    Tilápia tem novas quedas de preços em julho

    Levantamento do Cepea mostra que as cotações da tilápia caíram novamente em julho. A demanda fraca pressionou o mercado. Em geral, o consumo de pescado costuma cair no inverno. Além disso, as indústrias mantêm estoques elevados, o que reduziu a procura.

    Esse cenário também desacelerou os negócios. A incerteza sobre as importações de tilápia do Vietnã aumentou a preocupação de agentes do setor. Ou seja, há receio de que a entrada do produto importado prejudique o mercado interno. A expectativa é de maior impacto nos próximos meses.

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    Nas exportações, o Brasil registrou alta em julho, após três meses de quedas. O volume, porém, segue abaixo do ano passado.

    A participação da tilápia exportada é pequena. Mesmo assim, o Cepea avalia que o aumento pode ter outra explicação. Segundo pesquisadores, as indústrias buscam vender antes das taxações dos Estados Unidos. O país é o principal destino da tilápia brasileira.

  • Goiás inclui tilápia em programa para fortalecer piscicultura

    Goiás inclui tilápia em programa para fortalecer piscicultura

    Goiás incluiu a tilápia pela primeira vez no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A iniciativa, conduzida pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), fortalece a piscicultura e a agricultura familiar. Com a inclusão, produtores podem vender diretamente para o governo.

    Pedro Leonardo Rezende, secretário da Seapa, destaca que a medida valoriza os piscicultores e fortalece a cadeia produtiva no estado. “A piscicultura gera empregos e movimenta agroindústrias. O apoio do Estado transforma essa atividade em fonte de renda e desenvolvimento regional.”

    Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2023, mostram que Goiás produziu 12,5 mil toneladas de tilápia em 2023. O volume cresceu 3,4% em relação a 2022.

    A piscicultura está presente em 176 municípios goianos. Regiões como Norte, Sul e Sudoeste lideram a produção. Niquelândia, no Norte, destaca-se como maior produtor, com 4 mil toneladas. Inaciolândia, no Sul, registrou alta de 9,1%, somando 1,5 mil toneladas. Quirinópolis também produziu 1,5 mil toneladas em 2023.

    O crescimento da atividade resulta da combinação entre condições naturais favoráveis, como água e clima, além de parcerias entre governo, produtores e agroindústrias. Atualmente, Goiás possui 39 agroindústrias registradas como entrepostos ou abatedouros de pescado. Dessas, seis são fiscalizadas pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM), 28 pelo Serviço de Inspeção Estadual (SIE) e cinco pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF).

    No mercado internacional, Goiás também avança. Em 2024, o estado exportou 76,3 toneladas de pescado, gerando US$ 472,8 mil em receita. De fevereiro a maio de 2025, o volume exportado chegou a 30,9 toneladas, o maior registrado para o período.

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  • Piscicultura brasileira lidera em sustentabilidade global

    Piscicultura brasileira lidera em sustentabilidade global

    A piscicultura brasileira tem conquistado reconhecimento internacional por sua qualidade produtiva, compromisso ambiental e impacto positivo na sociedade. Produtores cultivam espécies como tilápia e tambaqui em sistemas eficientes e sustentáveis, que acompanham as novas demandas do mercado global.

    Este modelo produtivo posiciona ambas as espécies entre as proteínas animais com menor pegada de carbono, consolidando o Brasil como referência global em sustentabilidade na piscicultura, segundo a Peixe BR.

    “A ração utilizada na criação de peixes no Brasil é majoritariamente composta por grãos, o que reduz a dependência de proteínas de origem animal marinha, normalmente oriundas da pesca. Isso contribui significativamente para a sustentabilidade”, explica Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR.

    A tilápia, originária da África, adaptou-se perfeitamente às condições climáticas brasileiras devido à qualidade da água e da ração de origem vegetal – combinações que proporcionam um produto com qualidade superior.

    Biodiversidade nacional

    O tambaqui, nativo da Amazônia, representa um exemplo de biodiversidade aliada à produção regionalizada e adaptada às condições naturais do Norte do país. Esta espécie demonstra como a piscicultura brasileira consegue aliar preservação ambiental com produção eficiente.

    Conforme destaca Medeiros, a tilápia é hoje a espécie de peixe no Brasil que mais incorpora inovação tecnológica na cadeia de produção, com sistemas de controle sanitário, nutrição de precisão e rastreabilidade.

    O país conta com um dos serviços de fiscalização mais rigorosos do mundo, garantindo a segurança do alimento do campo até o consumidor final. “É fundamental que todo peixe chegue ao mercado com inspeção adequada. Isso protege o consumidor, evita riscos sanitários e amplia a competitividade internacional do nosso produto”, reforça o presidente da Peixe BR.

    O Brasil cultiva peixes seguindo uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo, o que fortalece sua reputação internacional de excelência e responsabilidade.

    Além do compromisso ambiental, o setor possui papel importante na esfera social, gerando milhares de empregos diretos e indiretos. “Sem dúvidas, a piscicultura é uma atividade essencial para o desenvolvimento econômico e social de pequenas comunidades, especialmente no interior do país. E lá fora esse trabalho na agenda sustentável está sendo fortemente reconhecido”, finaliza Medeiros.

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  • Exportação de tilápia de MS sofre impacto com tarifa dos EUA

    Exportação de tilápia de MS sofre impacto com tarifa dos EUA

    A piscicultura de Mato Grosso do Sul enfrenta uma crise significativa após a imposição de uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos sobre as exportações de tilápia brasileira. A medida, anunciada pelo ex-presidente Donald Trump e em vigor desde julho, paralisou completamente os embarques do produto sul-mato-grossense para o mercado americano.

    O impacto é devastador para o setor estadual, uma vez que os Estados Unidos absorvem 99,6% das exportações de tilápia de Mato Grosso do Sul. Com a nova taxação, pelo menos 58 contêineres estão retidos, aguardando uma solução para o impasse comercial.

    Segundo o Anuário da Piscicultura 2024 da Peixe BR, Mato Grosso do Sul produziu 38,4 mil toneladas de tilápia no último ano, registrando crescimento de 18,8% em relação a 2023. Apenas nos últimos meses, cerca de 1.500 toneladas vinham sendo exportadas para os EUA, gerando receitas de US$ 3,2 milhões.

    A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) e a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) confirmaram que os compradores norte-americanos suspenderam todos os pedidos até que haja definição sobre os preços com a nova taxação.

    Regiões mais afetadas

    O impacto imediato é sentido principalmente nos polos de produção de Dourados e Três Lagoas, que concentram grande parte da criação de tilápias no estado. Produtores dessas regiões relatam contratos suspensos e incertezas sobre o futuro da atividade.

    “Não podemos depender de um único comprador. O que está acontecendo agora é um alerta para toda a cadeia produtiva”, declarou um produtor de Três Lagoas, que preferiu não se identificar.

    Diante da crise, o setor pressiona por ações para diversificar os destinos da tilápia sul-mato-grossense. Entre os mercados considerados promissores estão países da América Latina, Europa, Oriente Médio e Ásia.

    Feiras internacionais e missões comerciais estão sendo planejadas por entidades do setor com apoio da ApexBrasil e do Ministério da Agricultura para explorar essas novas oportunidades.

    Mato Grosso do Sul ocupa a quarta posição entre os maiores produtores de tilápia do país e já ultrapassou o Paraná em volume exportado por tonelada. O avanço da atividade nos últimos anos levou o estado a investir em tecnologias de engorda intensiva e infraestrutura de abate, principalmente voltada à exportação.

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  • Brasil avança na piscicultura e mira liderança global até 2040

    Brasil avança na piscicultura e mira liderança global até 2040

    O Brasil consolidou-se como o maior produtor de peixes de cultivo das Américas em 2024, com uma produção de 968 mil toneladas, superando o Chile, até então líder com sua produção de salmão. Os dados são da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR), que projeta um crescimento ainda maior nos próximos anos, com o país buscando uma posição de destaque no ranking global da piscicultura até 2040.

    Cerca de 80% dos investimentos no setor vêm da iniciativa privada, especialmente no segmento da tilapicultura, que cresce em ritmo acelerado. Segundo Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, o avanço se deve a melhorias em:

    • Genética (peixes mais resistentes e de crescimento rápido)
    • Nutrição (rações de alta qualidade)
    • Manejo e sanidade (controle de doenças)
    • Processamento e comercialização (mercado interno e exportação)

    “Nos últimos 11 anos, crescemos mais de 10% ao ano, o que demonstra que estamos no caminho certo. Sem dúvidas, essas iniciativas nos levarão à meta de 2040”, afirma Medeiros.

    Brasil tem a tilapicultura mais tecnológica do mundo

    O país já se destaca por possuir a tilapicultura mais avançada do planeta, com produtividade até duas vezes maior que a média mundial. Esse resultado é fruto de investimentos em:

    • Automação e equipamentos
    • Pesquisa em nutrição e genética
    • Técnicas de processamento e rastreabilidade

    “Sem tecnologia, o agronegócio brasileiro perde competitividade. Hoje, conseguimos crescer mesmo em um ambiente econômico desafiador justamente pelo uso de ciência e inovação”, ressalta Medeiros.

    Desafios: sanidade e regulamentação

    Apesar do cenário positivo, o setor ainda enfrenta obstáculos:

    • Sanidade (surgimento de doenças em viveiros)
    • Burocracia regulatória (leis que podem atrasar o crescimento)
    • Acesso a mercados externos (necessidade de novos acordos comerciais)

    Com o aumento do consumo de proteína de peixe no mundo, o Brasil está bem posicionado para suprir a demanda. A meta é expandir a produção, garantindo segurança alimentar e sustentabilidade no setor.

    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    “Esse objetivo será alcançado por meio de investimentos em genética, nutrição, manejo, equipamentos, sanidade, produção, processamento e, principalmente, comercialização nos mercados interno e externo”, finaliza Francisco Medeiros.

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  • Demanda menor derruba preço da tilápia em junho

    Demanda menor derruba preço da tilápia em junho

    Os preços da tilápia caíram em junho em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. A retração já era esperada pelo setor.

    Em geral, o consumo de pescado costuma diminuir no inverno. Por isso, a demanda no mercado interno recuou. Com isso, as indústrias reduziram o ritmo de abate e as compras de tilápia. A queda foi puxada por varejistas, Ceasas e food service.

    Exportação de tilápia

    O volume exportado de tilápia também recuou em junho. Em resumo, foram embarcadas 1.288 toneladas, queda de 9,3% ante maio. Em relação a junho de 2024, a redução nas exportações foi de 9,7%, de acordo com dados da Secex analisados pelo Cepea. Apesar das baixas mensais, o primeiro semestre foi positivo. O Brasil exportou 8.752 toneladas, alta de 40,2% frente a 2024.

    Anuário da Peixe BR: produção de peixes de cultivo cresce mais de 9%

    Em 2024, o Brasil produziu 968.745 toneladas de peixes de cultivo. O volume representa crescimento de 9,21% frente a 2023. O dado é da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), que destacou a resiliência do setor diante da instabilidade.

    “A tilápia manteve o crescimento e puxou o avanço da atividade”, afirmou Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR. A produção de tilápia atingiu 662.230 toneladas em 2024. O número representa alta de 14,36% frente às 579.080 toneladas de 2023.

    Mesmo com cotações instáveis, a espécie mais produzida do país sustentou o bom desempenho da piscicultura nacional. Já os peixes nativos tiveram nova queda na produção. A oferta somou 258.705 toneladas, retração de 1,81% frente a 2023.

    Com menor produção, os preços pagos ao produtor subiram. A escassez afetou principalmente a região amazônica. As demais espécies cresceram 7,5% em 2024. Foram 47.810 toneladas, ante 44.470 toneladas no ano anterior. Francisco Medeiros avalia que a demanda nacional foi essencial. “O brasileiro aprendeu a consumir nossos peixes”, ressaltou. Ele destacou que os peixes nativos são parte da dieta no Norte, enquanto a tilápia domina o consumo no Centro-Sul. “O consumo consistente impulsiona a produção e garante estabilidade”, afirmou o executivo da Peixe BR.

    A produção de peixes de cultivo em 2024 foi a maior da série histórica iniciada em 2015. O crescimento desde então chega a 51,8%. A pesquisa da Peixe BR reúne dados de governos estaduais, empresas do setor, entidades de classe e institutos de pesquisa.

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  • Iridovírus – mudanças de temperatura aumentam risco  de doenças

    Iridovírus – mudanças de temperatura aumentam risco de doenças

    Com a chegada do inverno, produtores de tilápia enfrentam um cenário de alerta devido ao aumento do risco de doenças virais, especialmente o Iridovírus (ISKNV). As variações bruscas de temperatura e a redução dos níveis de oxigênio na água prejudicam a imunidade dos peixes, favorecendo a proliferação de agentes infecciosos e elevando as taxas de mortalidade nos criatórios.

    A intensificação das mudanças climáticas tem provocado instabilidade nos ambientes aquícolas, tornando os peixes mais vulneráveis a doenças. De acordo com Talita Morgenstern, coordenadora técnica da unidade de negócios de Aquicultura da MSD Saúde Animal, o Iridovírus é altamente contagioso e letal, afetando principalmente alevinos e juvenis de tilápia. Em surtos, a mortalidade pode ultrapassar 70%, agravando ainda mais a situação devido à dificuldade de diagnóstico, já que os sintomas podem ser confundidos com outras enfermidades bacterianas.

    A transmissão do Iridovírus ocorre tanto por via horizontal (água contaminada e contato entre peixes) quanto vertical (de reprodutores para a prole), o que exige um controle rigoroso em todas as etapas da cadeia produtiva.

    Desafios para a biossegurança na produção de tilápias

    A transição para o inverno impõe desafios extras aos produtores, que precisam adaptar práticas de manejo para garantir a sustentabilidade e a sanidade do plantel. O estresse fisiológico causado pelas oscilações de temperatura reduz a eficácia das medidas de biossegurança e dificulta o controle sanitário consistente. Ambientes instáveis favorecem a replicação viral e aumentam a sobrevivência de patógenos na água, tornando ainda mais essencial a adoção de protocolos preventivos robustos.

    Dicas de prevenção e controle do iridovírus (ISKNV)

    Para mitigar riscos e proteger a produção, a especialista recomenda:

    • Evitar a entrada de peixes ou alevinos sem histórico sanitário comprovado.
    • Manter todos os equipamentos desinfetados com produtos adequados.
    • Realizar testes de PCR em todo o plantel para detectar precocemente a presença do vírus.
    • Monitorar parâmetros ambientais como temperatura, pH e oxigênio dissolvido, utilizando biorremediadores para otimizar a qualidade da água.
    • Coletar diariamente peixes mortos e garantir o descarte correto para evitar a disseminação do vírus.
    • Vacinar apenas animais saudáveis e livres de patógenos, utilizando vacinas como específicas.

    A implementação dessas medidas é fundamental para proteger a tilapicultura contra o Iridovírus e garantir a produtividade e sustentabilidade do setor diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

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