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  • Como reduzir o consumo de água na produção de leite

    Como reduzir o consumo de água na produção de leite

    Quando você toma um copo de leite no café da manhã, provavelmente não imagina que aqueles 200ml carregam uma história bem mais complexa. Por trás de cada litro produzido, existe um consumo de água que pode variar de 299 a 1.058 litros. Uma diferença que assusta e, ao mesmo tempo, mostra o potencial de melhoria no setor.

    Pesquisadores brasileiros e alemães mergulharam fundo nessa questão. Eles analisaram 67 fazendas leiteiras em Lajeado Tacongava, no nordeste gaúcho, e fizeram algo impressionante: testaram 192 combinações diferentes de práticas e cenários climáticos para cada propriedade. O resultado? Um mapa detalhado que mostra exatamente onde os produtores podem economizar água.

    O que realmente consome água na produção leiteira

    A pegada hídrica na pecuária leiteira funciona como uma contabilidade invisível. Julio Palhares, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste que participou do estudo, explica que esse conceito vai muito além da água que o animal bebe. “Temos que considerar a água usada diretamente na fazenda e também aquela consumida indiretamente no cultivo dos alimentos para o gado”, destaca.

    Os cientistas dividiram essa conta em três categorias. A água verde — que vem da chuva e evapora durante o crescimento das plantas — representa impressionantes 98,8% do total em sistemas de pastagem. Depois vem a água azul, retirada de rios e poços, usada pelos animais e na limpeza. Por fim, a água cinza, que seria necessária para diluir os poluentes dos efluentes.

    Boas práticas que fazem diferença real

    As propriedades analisadas mostraram realidades bem distintas. Entre as 57 fazendas de pastagem, sete semi-confinadas e três confinadas, os números revelaram que o sistema de produção sozinho não define a eficiência. Uma fazenda a pasto pode ter pegada menor que uma confinada, dependendo de como é gerenciada.

    “Independentemente do modelo de produção, se gerenciado corretamente, ele pode ser ambientalmente amigável em relação à água”, afirma Palhares. Essa frase resume bem a descoberta central: não existe vilão, existe gestão ruim.

    As combinações mais eficientes envolveram aumentos de 25% na produtividade de milho e soja — os principais alimentos do rebanho. Reduzir o consumo de água na lavagem da sala de ordenha também trouxe resultados significativos. Um litro a mais de leite por vaca ao dia já impacta positivamente os números. E o tratamento adequado dos efluentes reduziu drasticamente a pegada cinza.

    O fantasma do aquecimento global

    Mas tem um problema crescendo no horizonte. O estudo publicado na Science of The Total Environment mostra que as mudanças climáticas estão jogando contra os produtores. Temperaturas 1,5°C a 2,5°C mais altas fazem as vacas beberem mais água e prejudicam a produtividade do milho.

    Foto: Gisele Rosso/Embrapa

    “A cada ano, fica mais limitado aumentar os rendimentos das culturas devido aos efeitos das mudanças climáticas”, alerta o pesquisador. É uma corrida contra o tempo onde os produtores precisam melhorar a eficiência enquanto o clima trabalha na direção oposta.

    A pegada hídrica azul deve aumentar entre 1% e 2% por causa do aquecimento global. Parece pouco, mas em uma atividade que já consome centenas de litros por quilo de leite, cada percentual conta.

    Soluções de curto prazo existem

    A boa notícia é que tem solução à vista. Aumentar os rendimentos de milho e soja seria a ação mais rápida para melhorar a eficiência hídrica. Como a água verde domina a conta (mais de 98% do total), qualquer ganho nas lavouras se reflete diretamente na pegada do leite.

    Outras medidas também ajudam: otimizar o tamanho do rebanho, selecionar animais com melhor conversão alimentar, usar água de forma inteligente na limpeza das instalações. São mudanças práticas que muitos produtores já podem implementar.

    O tratamento de efluentes merece atenção especial. “É crucial porque garante uma menor carga poluente, reduzindo a pegada hídrica cinza”, explica Palhares. Mesmo representando apenas 0,07% a 0,11% do total, essa fração pode crescer se mal gerenciada.

    Conexão com os objetivos globais

    Esse trabalho científico não acontece no vácuo. As medidas para reduzir a pegada hídrica nas fazendas conectam diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para 2030. O ODS 2 fala de práticas agropecuárias resilientes. O ODS 12 trata de consumo e produção responsáveis. E o ODS 13 busca combater as mudanças climáticas.

    São metas ambiciosas, mas os dados das 67 fazendas gaúchas mostram que o setor leiteiro pode contribuir significativamente. A variação de até 72% entre a menor e maior pegada hídrica (de 299 a 1.058 litros por quilo) demonstra o tamanho da oportunidade.

    O que vem pela frente

    O estudo seguiu as diretrizes do Manual de Avaliação da Pegada Hídrica e representa 81,7% das fazendas da bacia hidrográfica analisada — uma amostra robusta que permite extrapolar conclusões. Os pesquisadores geraram dados sobre eficiência hídrica que podem orientar políticas públicas e decisões de manejo.

    Para os produtores, a mensagem é clara: eficiência hídrica não é luxo, é necessidade. Com o clima mudando e a pressão por sustentabilidade aumentando, quem não se adaptar vai ficar para trás. As ferramentas existem, o conhecimento está disponível. Falta colocar em prática.

    A pegada hídrica média de 704 litros de água por quilo de leite pode parecer alta, mas os casos de sucesso mostram que dá para chegar nos 299 litros. É questão de combinar as práticas certas com gestão competente. E talvez, num futuro próximo, aquele copo de leite do café da manhã carregue uma história bem mais sustentável.

  • Mudanças climáticas elevam consumo de água na produção de leite

    Mudanças climáticas elevam consumo de água na produção de leite

    O aquecimento global aumenta o consumo de água e pressiona a sustentabilidade da produção de leite no Brasil. Um estudo realizado por instituições brasileiras e alemãs revelou que boas práticas de manejo e melhorias produtivas reduzem significativamente a pegada hídrica da atividade.

    Os pesquisadores analisaram 67 propriedades leiteiras no Rio Grande do Sul e cruzaram dados de produtividade, uso de recursos e cenários climáticos. O resultado mostrou que é possível reduzir o consumo de água com ajustes simples no manejo e na eficiência do rebanho.

    Boas práticas reduzem a pegada hídrica do leite

    A equipe científica realizou 192 combinações entre boas práticas e cenários climáticos para avaliar o consumo hídrico em diferentes sistemas produtivos. As simulações mostraram variação média de 299 a 1.058 litros de água por quilo de leite corrigido.
    Segundo o pesquisador Julio Palhares, da Embrapa Pecuária Sudeste, fatores como maior produtividade de milho e soja, eficiência na lavagem das salas de ordenha e tratamento de efluentes ajudam a reduzir o consumo de água. “Melhorar a eficiência produtiva e o manejo é essencial para diminuir a pegada hídrica”, destacou o pesquisador.

    Como o clima afeta a eficiência hídrica

    Foto: divulgação – Embrapa/Gisele Rosso

    O estudo apontou que o aquecimento global amplia o uso de água verde e azul na produção. As temperaturas mais altas aumentam a evapotranspiração das plantas e o consumo hídrico dos animais.
    Nas fazendas analisadas, sistemas a pasto apresentaram pegadas hídricas maiores que os confinados, devido à menor produtividade por vaca. Mesmo assim, propriedades bem gerenciadas mostraram bons resultados. “Independentemente do modelo, o manejo correto garante sustentabilidade”, afirmou Palhares.

    Desempenho produtivo e uso racional da água

    Os pesquisadores calcularam a pegada hídrica seguindo as diretrizes do Manual de Avaliação da Pegada Hídrica, que considera o uso direto e indireto de água.
    A água verde corresponde à utilizada na produção de alimentos para o gado. A azul vem de fontes superficiais ou subterrâneas, usadas na dessedentação e limpeza. Já a água cinza representa o volume necessário para diluir resíduos e efluentes.
    Nos sistemas a pasto, a pegada verde representou 98,8% do total. Nos confinados, o índice chegou a 99%, reforçando a influência da dieta animal na sustentabilidade da produção.

    Eficiência produtiva é o caminho para reduzir impactos

    A combinação ideal para menor pegada hídrica inclui aumento da produtividade do milho e da soja, maior produção de leite por vaca e redução do uso de água nas ordenhas.
    Nas simulações, o aumento de 25% no rendimento das culturas agrícolas reduziu consideravelmente a pegada hídrica verde. Já o tratamento dos efluentes foi essencial para diminuir a pegada cinza.
    O estudo mostrou que vacas mais produtivas e dietas equilibradas resultam em menor uso de água por litro de leite. Essa eficiência também reduz o impacto climático e melhora o desempenho econômico das fazendas.

    Aquecimento global desafia a sustentabilidade do setor

    O aquecimento global tende a elevar o consumo de água verde e azul entre 1% e 2%. As temperaturas mais altas aumentam a sede dos animais e reduzem a produtividade das lavouras, especialmente de milho e soja.
    Palhares explica que o desafio cresce a cada ano. “O aumento da temperatura e a queda da produtividade das culturas reduzem as opções de mitigação disponíveis aos produtores”, alertou o pesquisador.

    Produção eficiente apoia metas da ONU

    As ações para reduzir a pegada hídrica nas fazendas contribuem diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Entre eles, estão o ODS 2, sobre agricultura resiliente; o ODS 12, que incentiva o uso eficiente dos recursos naturais; e o ODS 13, voltado ao combate às mudanças climáticas.
    Os resultados reforçam que eficiência produtiva e manejo sustentável são estratégias-chave para garantir a segurança alimentar e a preservação dos recursos hídricos no futuro da pecuária leiteira brasileira.

  • Preço do leite sofre pressão; saiba como isso afeta seu bolso

    Preço do leite sofre pressão; saiba como isso afeta seu bolso

    O mercado global de lácteos enfrenta um cenário de pressão sobre preços e margens dos produtores, com oferta elevada e demanda contida até o final de 2025. A análise é da StoneX, empresa global de serviços financeiros, que apresentou nesta quarta-feira (29) o panorama do setor no webinar “Mercado de Lácteos: Panorama e Oportunidades até o final de 2025”.

    Nos Estados Unidos, o maior exportador mundial, a produção avança em ritmo superior à demanda, impulsionada por investimentos em genética e processamento. Segundo Nate Donnay, diretor de Inteligência de Mercado de Laticínios da StoneX, os preços do leite e derivados, como manteiga, iniciaram 2025 em queda. Ele alerta que as margens devem se apertar ainda mais no fim do ano com a redução dos preços do leite e o aumento do abate de vacas.

    Na União Europeia, o cenário é similar, apesar de margens mais estáveis até meados de 2026. Problemas sanitários recentes, como a língua azul que afetou prenhez de vacas em países como Alemanha, França e Reino Unido, devem gerar aumento de oferta em momento de menor atividade industrial, pressionando preços, especialmente de queijos.

    No Brasil, Marianne Tufani, consultora de Gestão de Riscos da StoneX, destaca que a influência das importações, que representam cerca de 13% do consumo nacional, é decisiva na formação dos preços internos. A alta ou queda dos preços internacionais impacta diretamente o mercado doméstico, que ainda sofre com baixa elasticidade e alta sensibilidade a variações de demanda.

    Relação leite / arroba

    A relação de troca entre o litro de leite e a arroba da vaca gorda está desfavorável em importantes regiões produtoras, como São Paulo e Goiás, levando pecuaristas a considerar mudança de atividade. No entanto, a consultora observa que a margem de lucro pode melhorar no início de 2026, principalmente pelos menores custos de insumos, como o milho.

    O preço do milho, por sua vez, é influenciado pela safra global. O USDA projeta estoques elevados para 2026 nos EUA, com forte exportação e preços estáveis. No Brasil, a safra recorde e a lenta comercialização contribuem para controlar os custos da nutrição animal e manter margens positivas, embora o risco climático, como uma possível intensificação do fenômeno La Niña, represente ameaça para o Sul do país.

    Quanto à demanda, a inflação alimentar em queda por quatro meses consecutivos tem dado fôlego ao consumo, mas o elevado endividamento das famílias (até 60% em algumas regiões) limita o consumo de produtos premium. “O impulso típico de final de ano, com 13º salário e festas, pode estimular as compras, mas a sustentabilidade desse consumo depende da confiança do consumidor e do cenário econômico”, explica Tufani.

    No fechamento, a StoneX aponta que a tendência baixista deverá predominar até o primeiro trimestre de 2026, apesar de possíveis suportes pontuais vindos da redução das margens na Argentina e do aumento da paridade de importação. O mercado global de lácteos seguirá pressionado pela oferta abundante e condições desafiadoras para os produtores.

  • Presidente da CNA alerta para crise dos produtores de leite

    Presidente da CNA alerta para crise dos produtores de leite

    Os produtores de leite do Brasil atravessam uma “crise profunda e injusta” provocada pela importação desleal de leite em pó. O alerta vem de João Martins, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que denuncia a prática de dumping por países vizinhos.

    “Isso significa perda de renda no campo, propriedades ameaçadas, famílias desamparadas e um risco real de o Brasil perder sua base produtiva de leite”, afirma Martins.

    A CNA atua desde agosto de 2024 na defesa do setor. Naquele mês, a entidade protocolou uma petição no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) solicitando a investigação da prática de dumping na importação de leite em pó da Argentina e do Uruguai. O governo abriu a investigação em dezembro.

    CNA cobra medidas de Alckmin

    O presidente da confederação pede ao vice-presidente da República e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, que combata a prática desleal e aplique direitos antidumping contra os países vizinhos. “Precisamos proteger os produtores de leite do nosso país”, defende.

    O dumping consiste na exportação de produtos a preços abaixo do “valor normal” – aquele praticado no mercado interno de um país. A CNA argumenta que essa prática compromete o mercado interno brasileiro, reduz as margens dos pecuaristas e contribui para o abandono da atividade leiteira.

    Governo muda entendimento sobre produtos lácteos

    O MDIC publicou recentemente uma circular com um novo entendimento que pode inviabilizar a defesa dos produtores. O documento justifica a não aplicação de direitos antidumping provisórios alegando que o leite in natura não é similar ao leite em pó.

    Na prática, essa interpretação impede que os produtores rurais, representados pela CNA, questionem o processo – já que não produzem leite em pó, apenas o produto in natura. A mesma circular informa que o ministério não conseguiu constatar dano por falta de dados sobre a indústria nacional de leite em pó.

    Confederação apresenta argumentos técnicos

    Em reunião com o governo em agosto, a CNA apresentou argumentos técnicos que reforçam a similaridade entre leite in natura e leite em pó. A entidade se colocou à disposição para fornecer dados que comprovem a tese e demonstrem os impactos das importações do Mercosul sobre a produção nacional.

    O novo entendimento do MDIC contraria a própria posição histórica do governo brasileiro. Desde a primeira investigação de dumping contra o leite em pó da União Europeia e da Nova Zelândia, em 1999, o Brasil sempre considerou os dois produtos similares. Esse entendimento levou à aplicação de tarifas antidumping, renovadas em 2007 e em 2013, baseadas na mesma interpretação.

    A mudança de posição do governo ocorre justamente quando os produtores nacionais mais precisam de proteção contra a concorrência desleal dos vizinhos do Mercosul.

  • Além do metanol: operação combate adulteração do leite no interior

    Além do metanol: operação combate adulteração do leite no interior

    Em ação conjunta com a Polícia Ambiental, a Defesa Agropecuária de São Paulo cumpriu 10 mandados em propriedades rurais contra crimes ambientais e adulteração do leite. A operação realizada nesta sexta-feira (3) prendeu duas pessoas e autuou responsáveis por irregularidades na produção e manejo de animais, reforçando o combate às fraudes que colocam em risco a saúde dos consumidores.

    A adulteração do leite compromete a segurança alimentar e prejudica toda a cadeia produtiva. Por isso, a Defesa Agropecuária intensificou as fiscalizações em propriedades, laticínios e pontos de venda em todo o estado. As equipes realizam inspeções presenciais, coletas para análises laboratoriais e monitoramento constante para identificar irregularidades e evitar fraudes.

    O diretor da Defesa Agropecuária, Luiz Henrique Barrochelo, explicou que a fiscalização protege consumidores e produtores que seguem as normas. “Nossa missão é garantir alimentos seguros, atuar com rigor e transparência para preservar a competitividade dos produtores legais e proteger os consumidores finais”, afirmou.

    A Secretaria de Agricultura destaca que, além da punição, o trabalho busca orientar produtores e indústrias, fortalecendo a qualidade da produção paulista. O foco é valorizar quem cumpre as regras, garantir a saúde pública e preservar a confiança na agropecuária local.

    Defesa Agropecuária supera 51 mil fiscalizações em 2025 para garantir qualidade dos alimentos em SP

    Até agora, a Defesa Agropecuária já realizou mais de 51 mil fiscalizações em 2025, abrangendo todas as cadeias produtivas animal e vegetal. As ações incluem inspeções em propriedades, laticínios, frigoríficos, lavouras e agroindústrias, com coleta de amostras e exames laboratoriais para eliminar riscos à saúde dos consumidores.

    Foto: Divulgação

    Essas iniciativas reforçam o compromisso de São Paulo com a inocuidade dos alimentos e a sustentabilidade da produção agropecuária, protegendo a população e fortalecendo o mercado regional com produtos confiáveis.

  • Produção de leite no Piauí movimenta R$ 222 milhões

    Produção de leite no Piauí movimenta R$ 222 milhões

    A produção de leite no Piauí gerou R$ 222 milhões em 2024, consolidando o setor como um motor importante da economia local. O norte do estado lidera esse crescimento, com São José do Divino produzindo mais de 9 milhões de litros no ano, seguido por Parnaíba, que registrou 4,1 milhões de litros.

    Outras cidades como Teresina, Luís Correia, Caraúbas do Piauí e Piracuruca também ultrapassaram a marca de 1 milhão de litros. Isso segundo dados do IBGE divulgados em 18 de setembro.

    O avanço na produção decorre de ações do Governo do Estado, que reúne esforços da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF), do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) e da Secretaria da Assistência Técnica e Defesa Agropecuária (Sada).

    Um destaque é o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) Leite, que conecta produtores a laticínios credenciados para pasteurização e envase. O leite é distribuído por Centros de Referência em Assistência Social (Cras) a famílias que recebem, em média, 4 litros por semana. O pagamento feito pela SAF ultrapassa o preço de mercado, garantindo renda justa aos produtores e segurança alimentar nos municípios.

    Programa Piauí Mais Genética

    Além disso, o Programa Piauí Mais Genética oferece inseminação artificial com sêmen de touros geneticamente superiores. Desta forma, melhorando a qualidade do rebanho e aumentando a produtividade de carne e leite. O Governo também libera crédito para produtores rurais, como a quantia de mais de R$ 260 mil destinada a 18 produtores de São José do Divino e região, liberada pelo Badespi em abril para a compra de matrizes, equipamentos e melhorias.

    Em agosto, a SAF apoiou a fundação da Cooperativa dos Produtores de Leite do Estado do Piauí (Coopileite) em Piracuruca. A cooperativa busca fortalecer a gestão e logística do PAA Leite e já investe em capacitação e infraestrutura, incluindo a compra de um caminhão-tanque. A expectativa é que a Coopileite assuma completamente o programa até 2026.

  • Paraná bate recorde histórico na produção de carne bovina e suína no 2º trimestre

    Paraná bate recorde histórico na produção de carne bovina e suína no 2º trimestre

    O Paraná estabeleceu novos recordes na pecuária durante o segundo trimestre de 2025. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quarta-feira (10), mostram números históricos no abate de bovinos e suínos.

    O estado superou as marcas do primeiro trimestre e consolidou sua posição de liderança nacional no setor de frangos. A produção de leite, ovos e couro também permanece entre as maiores do Brasil.

    O Paraná abateu 3,25 milhões de suínos no período. O número representa um aumento de 60,09 mil cabeças em relação ao primeiro trimestre. Este volume configura o maior registro para três meses na série histórica.

    O estado mantém a vice-liderança nacional no setor. Responde por 21,7% da produção brasileira, ficando atrás apenas de Santa Catarina, que detém 28%.

    Bovinos registram melhor trimestre desde 1997

    A produção de carne bovina atingiu 394 mil cabeças abatidas entre abril e junho. O resultado marca o melhor trimestre produtivo da série histórica do IBGE, iniciada em 1997.

    O crescimento alcançou 27,5 mil unidades a mais que o trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período de 2024, o aumento chegou a 30 mil cabeças.

    O Paraná mantém a posição de maior produtor nacional de frangos. Abateu 558,6 milhões de unidades no segundo trimestre, equivalente a 34,1% de toda a produção do país.

    Santa Catarina (13,7%) e Rio Grande do Sul (11,4%) completam o pódio. Os três estados da região Sul reforçam o peso da região neste segmento produtivo.

    Leite cresce 120 milhões de litros

    A produção de leite alcançou 1,017 bilhão de litros no período. O crescimento de 120,04 milhões de litros em relação ao trimestre anterior representa a segunda maior elevação entre os estados brasileiros.

    Apenas o Rio Grande do Sul superou o Paraná, com crescimento de 122,06 milhões de litros. O estado paranaense mantém a vice-liderança nacional com 15,7% de participação, atrás de Minas Gerais (23,8%).

    Do volume total produzido, 99,8% teve destino industrial. O estado completa quatro trimestres consecutivos acima da marca de 1 bilhão de litros de leite adquiridos e industrializados.

    Ovos e couro também crescem

    O Paraná produziu 115,6 milhões de dúzias de ovos de galinha no segundo trimestre. O resultado coloca o estado na terceira posição nacional, com 9,3% da produção.

    São Paulo lidera com 25,6%, seguido por Minas Gerais com 9,9%. O número de granjas participantes da pesquisa cresceu, assim como a quantidade de galinhas poedeiras, que atingiu 22,48 milhões de unidades – recorde da série histórica.

    Na indústria do couro bovino, a quantidade adquirida para curtimento subiu de 788,9 mil para 807,2 mil unidades. Do total, 594,2 mil passaram pelo processo de curtimento nos curtumes paranaenses até junho.

    O IBGE realiza trimestralmente as estatísticas oficiais da conjuntura agropecuária. Inclui a Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, a Pesquisa Trimestral do Leite, a Pesquisa Trimestral do Couro e a Pesquisa de Produção de Ovos de Galinha.

    As informações completas estão disponíveis no Sidra, banco de dados oficial do instituto. Os dados podem ser consultados em nível nacional, regional e estadual.

  • Conheça a maior fazenda produtora de leite do Brasil

    Conheça a maior fazenda produtora de leite do Brasil

    No coração do interior paulista, na cidade de Araras, está localizada a maior fazenda produtora de leite do Brasil. A Fazenda Colorado conquistou o primeiro lugar no Ranking TOP 100 2025 da MilkPoint, produzindo impressionantes 36,2 milhões de litros de leite por ano, com uma média diária de 98 mil litros.

    A propriedade, que conta com mais de 2 mil vacas holandesas, representa um marco na pecuária leiteira nacional. Segundo dados do levantamento, a produção atual é 61% superior ao volume registrado quando a fazenda alcançou a liderança pela primeira vez, demonstrando o crescimento exponencial do setor.

    Três estados dominam o top 10

    O estado de São Paulo abriga a maior fazenda leiteira do país, mas Minas tem mais cidades entre as 10, que é completada com três fazendas do Paraná.

    1º lugar: Fazenda Colorado – Araras, São Paulo (SP)

    Produção média diária: 98.921 litros

    2º lugar: Melkstad Agropecuária – Carambeí, Paraná (PR)

    Produção média diária: 94.782 litros

    3º lugar: Orostrato Olavo Silva Barbosa/Espólio – Itirapina, São Paulo (SP)

    Produção média diária: 92.722 litros

    4º lugar: Sekita Agronegócio – São Gotardo, Minas Gerais (MG)

    Produção média diária: 80.935 litros

    5º lugar: Júlio André Oliveira – Tiros, Minas Gerais (MG)

    Produção média diária: 71.148 litros

    6º lugar: Agrindus – Descalvado, São Paulo (SP)

    Produção média diária: 63.383 litros

    7º lugar: Albertus Frederick Wolters – Castro, Paraná (PR)

    Produção média diária: 62.649 litros

    Foto: Divulgação – Portal Gov.br

    8º lugar: José Henrique Pereira – Três Corações, Minas Gerais (MG)

    Produção média diária: 62.649 litros

     

    9º lugar: Fazenda Reunidas ACP, Filhos e Netos – Carmo do Rio Claro, Minas Gerais (MG)

    Produção média diária: 58.127 litros

    10º lugar: Marcos EPP – Agropecuária Régia – Palmeira, Paraná (PR)

    Produção média diária: 57.647 litros

    Crescimento e perspectivas do setor

    José de Carvalho, gerente de pecuária da Fazenda Colorado, destaca a importância dos últimos anos para o crescimento do setor. “Vejo como fundamental a construção de políticas e programas que incentivem a organização da cadeia produtiva como um todo, sempre em parceria com a Secretaria da Agricultura, órgãos públicos e entidades do setor”, afirma.

    A produção de leite no Brasil alcançou cerca de 25,38 bilhões de litros em 2024, representando um crescimento de 3,1% em relação ao ano anterior, de acordo com dados oficiais do IBGE e da MilkPoint. Esse volume faz de 2024 o segundo maior ano da série histórica da produção nacional formal de leite.

    Minas Gerais permanece como o maior estado produtor, seguido por Paraná e Santa Catarina, com a região Sul respondendo por 40,6% da captação do leite formal no país, enquanto o Sudeste responde por 36,2%. A atividade leiteira está presente em 98% dos municípios brasileiros, mostrando a importância econômica e social dessa cadeia produtiva.

    O Brasil se consolida como o terceiro maior produtor mundial de leite, com um mercado interno forte e crescente, sustentado por mais de 1 milhão de propriedades produtoras de leite que empregam aproximadamente 4 milhões de pessoas. A crescente adoção de tecnologia e melhorias na gestão são apontadas como fatores essenciais para a continuidade do crescimento sustentável do setor até 2030.

    Esses dados ressaltam a relevância do setor leiteiro para a economia brasileira e o papel crucial na geração de renda, empregos e na oferta de alimentos essenciais para a população.

     

  • Recorde no Banho de Leite: vaca Holandesa chega a 96 litros

    Recorde no Banho de Leite: vaca Holandesa chega a 96 litros

    O tradicional Banho de Leite da Expointer, em Esteio (RS), foi palco de um daqueles momentos que ficam gravados na memória do campo. Na disputa da categoria jovem (até 36 meses) da raça Holandesa, a vaca Cotriba Griebeler 143 Imperial roubou a cena e entrou para a história ao produzir 96,46 quilos de leite em apenas 24 horas.

    O feito superou o recorde anterior, registrado pela Festleite Ferraboli 423, que havia alcançado 87 quilos na Fenasul de 2023. Agora, a nova campeã, criada por Gediel Griebeler, da Fazenda Griebeler, em Montenegro (RS), carrega o título de símbolo da produtividade e da genética apurada da pecuária leiteira gaúcha.

    Surpresa e emoção no galpão

    Quando o resultado foi anunciado, o pavilhão se encheu de aplausos, flashes e um certo ar de incredulidade. O criador não escondeu o impacto.
    “96 litros de leite em 24 horas. Confesso que até a gente ficou surpreso. A gente sabia do potencial dela, mas não achou que chegaria a tanto. Muito contente, contente mesmo”, disse um emocionado Gediel Griebeler, ainda com a voz embargada pelo feito.

    O episódio, portanto, mais do que números, também simboliza a força da raça Holandesa, reconhecida mundialmente não apenas pela genética refinada, mas também pela capacidade de transformar manejo e nutrição em litros abundantes de leite.

    Banho simbólico, sem desperdício

    A cerimônia do banho de leite, que marca a consagração dos vencedores, também chamou atenção. Entre aplausos e gargalhadas, o jorro branco que banhou a campeã carregava mais de simbolismo do que de fartura. Na mistura, havia água morna e pequenas quantidades de leite impróprio para consumo, ou seja era apenas parte do show para dar o tom festivo sem desperdício de alimento.

    A vitrine da pecuária nacional

    Com o novo recorde, a Cotriba Griebeler 143 Imperial se junta ao panteão de feitos que projetam a Expointer como vitrine da pecuária leiteira brasileira. Além disso, mais do que um título, o desempenho traduz os avanços em genética, nutrição e manejo.

    Foto: Divulgação – Expointer

    No fim, entre sorrisos, aplausos e olhos marejados, ficou a sensação de que a Expointer não é apenas uma feira. Pelo contrário. É um palco onde tradição, tecnologia e emoção se encontram — e onde uma vaca pode virar, por um dia, a estrela maior do Rio Grande do Sul.

  • CNA avalia custos de produção em quatro cadeias do agro

    CNA avalia custos de produção em quatro cadeias do agro

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) levantou os custos de produção de grãos, leite, ovos e cana-de-açúcar em quatro estados brasileiros. A ação ocorreu por meio do projeto Campo Futuro, que promoveu painéis com produtores rurais, técnicos, sindicatos e federações estaduais.

    Grãos

    Os estudos sobre grãos foram realizados no Mato Grosso do Sul e na Bahia. Em Maracaju (MS), a produtividade média da soja ficou em 66 sacas por hectare. Já o milho segunda safra registrou 120 sacas por hectare.
    Em Luís Eduardo Magalhães (BA), a soja alcançou 68 sacas por hectare, mesmo com estiagem e ataque de mosca branca. Em geral, o milho verão teve bom desempenho, com média de 170 sacas por hectare. Além disso, o sorgo manteve boa produtividade, com 80 sacas por hectare, e o milheto apareceu como alternativa na segunda safra, atingindo 25 sacas por hectare. O manejo mais tecnificado do sorgo elevou os custos em cerca de 20%.

    Leite

    O levantamento do leite ocorreu em Itaperuna (RJ). A propriedade modal possui 23 vacas da raça Girolando, sendo 15 em lactação, com média diária de 150 litros. A atividade responde por 84% do faturamento da fazenda, enquanto a venda de animais representa 16%.
    Em resumo, na composição do Custo Operacional Efetivo (COE), a alimentação do rebanho lidera os gastos, com 43%. Em seguida aparecem mão de obra (30%) e despesas administrativas (13%).

    Ovos

    Em Bastos (SP), a análise focou na produção de ovos. A granja modal adota o sistema californiano, alojando 300 mil aves por ano, divididas em cinco lotes. A produção anual chega a 240 mil caixas com 30 dúzias.
    A ração é o item de maior impacto no COE, representando cerca de 60% dos custos.

    Cana-de-açúcar

    Os custos da cana foram levantados em São Manuel (SP). A propriedade analisada tem 100 hectares, com média de cinco cortes. Em geral, a expectativa para a safra 2025/26 é de 80 toneladas por hectare e 135 kg de ATR por tonelada.
    O plantio é manual. A receita cobre os custos operacionais efetivos e totais, mas não cobre a remuneração do capital e da terra. Insumos e maquinário pesam mais no custo total, com 41% e 40%, respectivamente. Entre os insumos, fertilizantes representam 42% dos gastos e corretivos, 19%.

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