Tag: leite

  • Queda nos preços de leite e cereais reduz inflação dos supermercados

    Queda nos preços de leite e cereais reduz inflação dos supermercados

    Leite e cereais se destacaram entre os principais responsáveis por conter a inflação de 2025, ao aliviar o orçamento das famílias brasileiras. Os dados fazem parte do Índice de Preços dos Supermercados (IPS), elaborado pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE).

    Os produtos semielaborados encerraram o ano com queda média de 4,85%, impulsionados sobretudo pelos cereais e lácteos, que registraram as maiores reduções de preço.

    Os cereais acumularam deflação de 18,85% em 2025, resultado das fortes quedas nos preços do arroz (-25,65%) e do feijão (-6,16%). Segundo o economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz, o cenário reflete uma melhora significativa na oferta.

    “O mercado de grãos viveu um ano de supersafra, com aumento da produção nacional e maior disponibilidade global, em um contexto de demanda interna e externa mais fraca. Essa combinação levou à queda expressiva dos preços”, explica Queiroz.

    Além disso, a subcategoria dos lácteos também apresentou recuo relevante. Ela teve uma redução anual de 12,06%, puxada pelo leite longa vida, o tipo mais consumido do País. “O excesso de oferta e a demanda moderada mantiveram os preços em baixa”, afirma o economista.

  • Custos da pecuária leiteira sobem 3% em 2025

    Custos da pecuária leiteira sobem 3% em 2025

    Os custos para produzir leite no Brasil tiveram uma alta de 3,0% em 2025, desempenho que ficou abaixo da inflação oficial medida pelo IPCA (4,3%). O Índice de Custo de Produção de Leite (ICPLeite), da Embrapa, apontou que a estabilidade nos preços da alimentação do rebanho (tanto a produzida na fazenda quanto a comprada) foi o principal fator para conter a inflação do setor.

    Por outro lado, os gastos com mão de obra, energia elétrica e combustíveis subiram três vezes mais que a média total do custo de produção ao longo do ano.

    No último mês do ano, o custo médio teve uma leve variação de 0,2%. Dois grupos puxaram essa alta: Alimentação Comprada (Concentrados), que subiu 1,6% influenciada pelo caroço de algodão e polpa cítrica, e Sanidade e Reprodução (remédios, sêmen), com alta de 0,6%.

    O cenário positivo ficou por conta de três grupos que registraram queda em dezembro. Energia e Combustível recuou 1,8%, mesmo percentual de baixa do grupo Volumosos. Qualidade do Leite também teve uma leve retração de 0,2%.

    Análise do ano: altas expressivas em itens específicos

    Ao analisar o acumulado de todo o ano de 2025, o ICPLeite/Embrapa destacou as altas mais significativas em componentes específicos do custo:

    • Minerais: +17,1%
    • Energia e Combustível: +7,2%
    • Qualidade do Leite: +7,0%
    • Mão de Obra: +6,3%
    • Sanidade e Reprodução: +4,3%
    Variação acumulada por grupos de custos de produção, de
    jan/25 a dez/25, em %

    Novamente, o grupo Concentrado (com alta de 2,9%) e, principalmente, os Volumosos (com uma queda de 4,2% no ano), atuaram como freios para a inflação total.

    A trajetória dos custos de produção de leite em 2025 se mostrou estável. A inflação anual iniciou o ano em 3,0% e oscilou dentro de uma faixa considerada controlada, entre 2,3% e 4,0%, em todos os meses. Isso indica que, na perspectiva dos custos, o ano não trouxe variações bruscas ou surpresas significativas para os produtores de leite.

    ICPLeite/Embrapa. Variação de custos de produção entre dez/24 e dez/25, em
    números-índices, dez/24=100
  • Queijos puxam alta de preços no Brasil em novembro; leite e arroz recuam

    Queijos puxam alta de preços no Brasil em novembro; leite e arroz recuam

    orémNovembro registra caminhos distintos no câmbio de preços dos alimentos no Brasil, aponta estudo da Neogrid. Enquanto os queijos avançaram 21,2% no preço médio nacional, com alta em todas as regiões, mas itens básicos como leite UHT (-4,9%) e arroz (-3,0%) foram os que mais recuaram no mês. O levantamento “Variações de Preços: Brasil & Regiões” utiliza os produtos mais presentes no carrinho do consumidor. E é elaborado pela Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados para a cadeia de consumo.

    Entre os itens que mais pressionaram o orçamento em novembro, aparecem legumes (+3,1%), sal (+3,1%) e óleo (+2,5%). O óleo, em particular, registrou alta em todas as regiões. Em contrapartida, sinais de deflação ocorreram em alimentos como café em pó e em grãos (-1,5%), açúcar (-1,4%) e ovos (-1,2%), ajudando a atenuar a inflação no mês.

    No cenário macroeconômico, o IPCA de novembro de 2025 avançou 0,18%, apontando inflação sob controle para o fim do ano. Porém, para a especialista em dados estratégicos da Neogrid, Anna Carolina Fercher, a pressão permanece em categorias como óleo e queijos. A recuperação de estoques e custos de matéria-prima influenciam a persistência de altas. “Categorias como óleo e queijos, que apresentaram elevação de preço em todas as regiões em novembro, tendem a levar mais tempo para estabilizar ou recuar, dependendo da normalização dos estoques e dos custos de produção”, afirma.

    No período de dezembro de 2024 a novembro de 2025, o café em pó e em grãos segue como o item com maior incremento. Ele teve alta de 42,1% no preço médio nacional. Em seguida, aparecem queijos (12,3%), margarina (11,2%), creme dental (10%) e refrigerantes (5,7%).

  • Embrapa lança protocolos para reduzir emissões na produção de leite

    Embrapa lança protocolos para reduzir emissões na produção de leite

    A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentou três protocolos inovadores destinados a transformar a produção de leite no Brasil em uma atividade mais sustentável. As diretrizes científicas, desenvolvidas após anos de estudos, focam na redução de gases de efeito estufa (GEE) e no aumento do sequestro de carbono, respondendo aos desafios climáticos enfrentados pelo setor agropecuário.

    Os protocolos, que abrangem a mitigação de metano em bovinos, redução de amônia e óxido nitroso no solo, e manejo para acúmulo de carbono , foram publicados pela Embrapa Pecuária Sudeste e representam ferramentas práticas para produtores rurais que buscam adequar suas propriedades às demandas ambientais globais.

    Pecuária leiteira responde por 11% das emissões de metano bovino

    Segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) de 2024, o setor agropecuário brasileiro é responsável por 30,5% das emissões totais de GEE do país. Dentro desse cenário, 19% correspondem ao metano, sendo que 97% desse gás provém de bovinos. Do rebanho bovino nacional, 11% das emissões de metano são atribuídas à produção leiteira.

    “A atividade leiteira é desafiadora para o produtor. A redução das emissões deve ser considerada nas decisões das propriedades para garantir a segurança alimentar com menor impacto ambiental”, explica a pesquisadora Patrícia Perondi Anchão Oliveira, da Embrapa Pecuária Sudeste.

    Primeiro protocolo: redução de metano através da eficiência produtiva

    O metano bovino é liberado principalmente pela eructação (arroto). E representa mais de 95% das emissões do animal. O primeiro protocolo estabelece estratégias como melhoria de índices produtivos e reprodutivos, seleção genética, otimização de dietas, uso de aditivos alimentares e aprimoramento do manejo de pastagens.

    Simulações realizadas pela Embrapa demonstram o impacto dos índices zootécnicos nas emissões. Comparando dois cenários de manejo, observou-se que práticas inadequadas, como intervalo entre partos de 18 meses em vez de 12, e idade ao primeiro parto de 30 meses em vez de 24, aumentaram as emissões de metano em 22%.

    A especialização genética também influencia. Vacas holandesas puras apresentaram emissão de 18,4 gramas de metano por litro de leite, enquanto animais girolandos emitiram 25,3 gramas por litro, evidenciando a importância da escolha racial para a sustentabilidade.

    “Animais saudáveis de alta produtividade colaboram para a redução do impacto do setor sobre as mudanças climáticas”, afirma André Novo, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sudeste. Ele ressalta que um rebanho equilibrado deve ter 70% de vacas adultas e 30% de fêmeas jovens, com 83% das vacas em lactação.

    Segundo protocolo: controle de amônia e óxido nitroso

    O óxido nitroso (N₂O) possui potencial de aquecimento global 298 vezes superior ao dióxido de carbono e permanece na atmosfera por até 114 anos. O segundo protocolo aborda medidas para reduzir esse gás altamente poluente e a amônia (NH₃), que contribui indiretamente para as emissões de GEE.

    Entre as práticas recomendadas estão o consórcio de leguminosas com gramíneas, que fixam nitrogênio no solo e reduzem a necessidade de fertilizantes sintéticos. Cada quilo de fertilizante nitrogenado não utilizado evita a emissão de 5,42 quilos de CO₂ do processo de fabricação.

    Leguminosas consorciadas com gramíneas fixam nitrogênio no solo e contribuem para reduzir a emissão de GEE porque diminuem o uso de fertilizantes nitrogenados. Foto: Gisele Rosso/Embrap

    O protocolo também sugere a distribuição uniforme de dejetos animais através de lotação rotativa, uso de fertilizantes de eficiência aumentada, aplicação incorporada de ureia no solo e irrigação após fertilização. Essas medidas reduzem tanto o impacto climático quanto os custos de produção.

    Terceiro protocolo: sequestro de carbono no solo

    O terceiro protocolo foca no aumento da matéria orgânica do solo (MOS) através de práticas conservacionistas. Pastagens tropicais bem manejadas têm alto potencial de sequestro de carbono, sendo capazes de armazenar o elemento em profundidades superiores a um metro.

    Dados da Embrapa revelam que sistemas integrados com árvores podem compensar emissões bovinas: são necessários 52 eucaliptos para neutralizar a emissão anual de uma vaca produzindo 26 quilos de leite por dia.

    Práticas de conservação como plantio direto (foto) são primordiais para aumentar e preservar o carbono sequestrado no solo. Foto: Gisele Rosso/Embrap

    Técnicas como calagem, fertilização, plantio direto, adubação verde e sistemas integrados lavoura-pecuária-floresta são fundamentais para preservar o carbono sequestrado. Além dos benefícios climáticos, animais criados em pastagens bem manejadas apresentam menor suscetibilidade a doenças e estresse.

    Desafios econômicos e políticas públicas

    Alexandre Berndt, chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, reconhece que o principal obstáculo para ampliação dessas práticas é o custo inicial. “Migrar para uma produção mais eficiente exige investimentos em tecnologia. Contudo, após a adoção, a rentabilidade aumenta e permite novos investimentos”, pondera.

    O pesquisador destaca a importância de políticas públicas como o Plano ABC+ e de arranjos locais envolvendo cooperativas, associações e laticínios para facilitar a transição dos produtores rumo à sustentabilidade.

    Contribuição para objetivos globais

    Os protocolos representam uma contribuição concreta para os objetivos de descarbonização da cadeia leiteira brasileira e para o cumprimento da meta 13 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, voltada ao combate às mudanças climáticas.

    Foto: Gisele Rosso/Embrap

    “A adoção de tecnologias adequadas para cada tipo de sistema é crucial para desenvolver uma pecuária mais resiliente, sustentável e responsável”, conclui Berndt. Ele enfatizaou que técnicos e produtores agora dispõem de soluções científicas para cooperar na garantia da sustentabilidade planetária.

  • Lei em Goiás proíbe leite feito de pó importado e fortalece produção regional

    Lei em Goiás proíbe leite feito de pó importado e fortalece produção regional

    O estado de Goiás deu um passo importante na defesa da produção leiteira regional. O governador Ronaldo Caiado sancionou a Lei nº 23.928/2025, que proíbe a reconstituição de leite em pó importado para comercialização como leite fluido no território goiano. A medida atende antigas reivindicações do setor produtivo e estabelece regras mais rígidas para a cadeia láctea estadual.

    A nova legislação surge em resposta ao crescimento das importações, principalmente de países do Mercosul, que pressionam a competitividade dos produtores locais e levantam questionamentos sobre a procedência e qualidade dos produtos oferecidos ao consumidor.

    Proteção ao produtor e qualidade para o consumidor

    “Essa é uma iniciativa determinante para a manutenção dos empregos na cadeia produtiva do leite, para a proteção dos pequenos produtores e, principalmente, para a população: que terá sempre um produto de alto valor nutricional, com padrão de qualidade e brasileiro em sua casa”, declarou o governador Ronaldo Caiado.

    A reconstituição de leite consiste em adicionar água ao leite em pó para obter um produto líquido destinado à venda. A partir de agora, essa prática está vetada para indústrias, laticínios e qualquer pessoa jurídica estabelecida em Goiás.

    Fiscalização e penalidades

    As empresas que descumprirem a norma enfrentarão consequências severas: multas, apreensão de produtos e até suspensão do registro sanitário. O objetivo é garantir transparência, qualidade e valorização do produto goiano.

    “Essa lei é mais um passo na defesa da nossa agropecuária, do nosso emprego no campo e também da qualidade do alimento que chega à mesa do nosso povo”, reforçou Caiado.

    O projeto foi proposto pelo deputado estadual Amauri Ribeiro, que identificou a necessidade de regulamentação específica para proteger a cadeia produtiva local. “Essa lei assegura maior controle sanitário e evita que pequenos produtores abandonem a cadeia láctea”, afirmou o parlamentar.

    Impacto das importações na economia goiana

    Dados de 2024 revelam que Goiás importou 649 toneladas de leite em pó, representando 0,35% do volume total adquirido pelo Brasil. O produto veio integralmente de países do Mercosul e movimentou US$ 1,99 milhão que deixaram de circular na economia estadual.

    Esse valor poderia ter sido direcionado aos produtores de leite e ao comércio goiano, o que fortaleceria a economia regional e manteria empregos no campo. A falta de regras específicas para o uso de leite em pó importado facilitou esse cenário, mas a nova legislação vai reverter a situação.

  • Associação cobra ações para salvar cadeia leiteira do RS

    Associação cobra ações para salvar cadeia leiteira do RS

    A Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) entregou neste sábado, 13 de dezembro, o Prêmio Destaques Holandês 2025 e aproveitou o evento para cobrar medidas concretas do poder público em defesa da cadeia leiteira. A cerimônia reuniu produtores, cooperativas, entidades financeiras e autoridades no Pavilhão do Gado Leiteiro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS).

    Marcos Tang, presidente da Gadolando e também da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), agradeceu a presença dos parceiros, mas direcionou críticas diretas aos governantes. Tang afirmou que a entidade enfrenta limites para atuar diante de um cenário adverso e que decisores políticos deixam de agir quando necessário.

    “A crise do leite é global, mas no Rio Grande do Sul ela se agrava em função dos problemas climáticos”, declarou o dirigente. Ele criticou ainda aqueles que atacam a indústria leiteira sem conhecer os custos reais de produção. “Metade dos que criticam não conhece o que custa produzir leite”, afirmou.

    Para os produtores que permanecem na atividade, Tang enxerga oportunidade: o momento pode ser propício para investir na compra de vacas e na melhoria genética dos rebanhos.

    Proposta prevê bloqueio temporário de importações

    A Gadolando defende a regulamentação e, por um período determinado, o bloqueio das importações de leite e derivados. Segundo Tang, a entidade já solicitou medidas antidumping, pedido que foi aceito, mas os resultados devem levar meses para se concretizar.

    O presidente enfatizou a necessidade de um amplo debate que envolva produtores, indústria e varejo para preservar toda a cadeia produtiva. Ele reconheceu iniciativas do governo estadual, como a compra de leite, mas avaliou que o setor precisa de ações mais eficazes e duradouras.

    Tang sugeriu parcerias com a indústria para estimular o consumo de leite no mercado interno. Uma das ideias apresentadas consiste em oferecer leite em estabelecimentos que servem café, ampliando a presença do produto no dia a dia dos consumidores.

    O dirigente também defendeu uma estratégia de longo prazo para transformar o Brasil em exportador de lácteos, com investimentos em saneamento e qualidade. “Precisamos trabalhar juntos e votar com sabedoria para eleger representantes comprometidos com o setor”, concluiu, ressaltando que a crise não se restringe ao Rio Grande do Sul, mas faz parte de um problema global intensificado pelos desafios da produção local.

    Governo estadual reafirma compromisso com o agro

    O secretário estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Edivilson Brum, representou o governo estadual no evento. Ele destacou que a presença do Piratini demonstra o reconhecimento das autoridades ao trabalho desenvolvido no campo.

    “É importante prestigiar o agro, um setor que gera emprego, renda e que representa 40% do PIB gaúcho”, afirmou o secretário.

    Foto: Tamires de Moraes/ AgroEffective/Divulgação

    Além de Brum, participaram do evento o diretor-geral da Seapi, Márcio Amaral, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo, a subsecretária do Parque Assis Brasil, Elizabeth Cirne Lima, o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Holandesa, Armando Rabbers, o diretor Administrativo da Farsul, Francisco Schardong, o secretário de Desenvolvimento e Meio Ambiente de Esteio, Francisco Alves, e o deputado federal Ubiratan Sanderson.

    Premiados do Destaque Holandês 2025

    O Prêmio Destaques Holandês reconheceu criadores, cooperativas, entidades parceiras e representantes do poder público que apoiaram a atividade leiteira em 2025.

    Cooperativas premiadas:

    • Agrícola Mista General Osório
    • Dália Alimentos
    • Santa Clara
    • Tritola Mista Campo Novo

    Destaques individuais:

    Rubimar Franco (Destaque Apoio Técnico)

    • Vitor Hugo Pereira (reconhecimento por serviços prestados)
    • Milton Evandro Nunes, assessor da Farsul (Destaque Amigo do Gado Holandês)
    • Alex Soares, jornalista do Conexão Rural (Destaque Imprensa)
    • Edivilson Brum, secretário da Agricultura (Destaque Político)

    Entidades e empresas:

    • Lactalis (Destaque Ouro)
    • Metalúrgica Rahsal, Trator Gera, Semex, Selectsire, Genex, Eurolatte, Angulos, Raizar e Cooperativa Triticola Mista Campo Novo (Destaque Prata)
    • Banrisul (Destaque Banco Parceiro)
    • Farsul (Destaque Especial)
    • Febrac (Destaque Entidade Parceira)
    • Sindilat e Apil (Entidades Parceiras)
  • Manejo e nutrição reduzem estresse térmico em vacas leiteiras

    Manejo e nutrição reduzem estresse térmico em vacas leiteiras

    As altas temperaturas da primavera e do verão desafiam a pecuária leiteira brasileira. O calor excessivo afeta conforto, saúde e desempenho produtivo dos animais. Além disso, rebanhos da raça holandesa sofrem impactos ainda mais intensos.

    Sob estresse térmico, vacas reduzem o consumo de matéria seca. Ao mesmo tempo, os animais aumentam a frequência respiratória para dissipar calor. Consequentemente, as vacas gastam mais energia com termorregulação.

    Esse cenário provoca queda na produção de leite e redução da fertilidade. Além disso, o risco de doenças cresce em períodos de calor intenso. Estudos da Embrapa Gado de Leite confirmam perdas expressivas de produtividade, com queda de mais de 30% da produção.

    Na prática, isso representa até cinco litros a menos por vaca diariamente. O Ministério da Agricultura e Pecuária também alerta para o problema.

    Atenção com o manejo

    A combinação de calor, umidade elevada e radiação solar prejudica o bem-estar animal.
    Por isso, o MAPA recomenda ajustes no manejo e na nutrição dos rebanhos.

    Para o veterinário e gerente de ruminantes da Mig-PLUS, Rubem Frosi, a integração é essencial.
    Segundo ele, manejo e nutrição atuam juntos no enfrentamento do estresse térmico. “O estresse térmico é um desafio fisiológico, não apenas climático”, afirma. De acordo com Frosi, estratégias coordenadas preservam o potencial produtivo das vacas.

    Pesquisas recentes indicam aumento das ondas de calor e maior instabilidade climática. Diante disso, cresce a urgência na adoção de práticas de mitigação. Entre as medidas, destacam-se sombra natural ou artificial e sistemas de ventilação.

    Além disso, o resfriamento e ajustes na ordenha ajudam a reduzir o impacto do calor. No manejo a pasto, a oferta de sombra torna-se fundamental. Ao mesmo tempo, o produtor deve priorizar atividades nos horários mais amenos. Como resultado, essa estratégia reduz o estresse térmico desde o início da rotina diária.
    Já em sistemas confinados, o controle ambiental exige maior atenção.

    O uso de aspersores e ventiladores melhora o conforto térmico. Estruturas com pé-direito alto e ventilação natural evitam o acúmulo de calor.

    Impacto da dieta

    Nesse contexto, a nutrição assume papel estratégico na mitigação do estresse térmico.
    Dietas balanceadas ajudam a manter a homeostase dos animais. Além disso, suplementos minerais de alta biodisponibilidade favorecem o equilíbrio metabólico.

    Elementos como sódio, potássio, magnésio e fósforo são essenciais. Esses minerais contribuem para o equilíbrio eletrolítico e a hidratação celular. Assim, a nutrição compensa perdas causadas pelo estresse oxidativo e menor ingestão. Segundo Frosi, o produtor precisa agir de forma preventiva. “O planejamento nutricional aliado ao bem-estar reduz perdas e melhora o desempenho”, reforça. Com isso, o sistema produtivo ganha maior eficiência e resiliência ao calor.

  • Cesta básica fica mais barata em 24 capitais brasileiras

    Cesta básica fica mais barata em 24 capitais brasileiras

    Vinte e quatro capitais brasileiras registraram queda no preço da cesta básica durante novembro, segundo dados que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgaram nesta terça-feira (9).

    Macapá (AP) liderou as reduções com deflação de 5,28%, seguida por Porto Alegre (RS) com 4,10%, Maceió (AL) com 3,51%, Natal (RN) com 3,40% e Palmas (TO) com 3,28%. Apenas três capitais apresentaram leves aumentos: Rio Branco (0,77%), Campo Grande (0,29%) e Belém (0,28%).

    Aracaju mantém cesta básica mais barata do país

    As capitais do Norte e Nordeste continuam oferecendo os menores valores médios para a cesta básica, considerando suas composições regionais diferenciadas. Aracaju lidera com R$ 538,10, seguida por Maceió (R$ 571,47), Natal (R$ 591,38), João Pessoa (R$ 597,66) e Salvador (R$ 598,19).

    No extremo oposto, São Paulo mantém a cesta básica mais cara do Brasil, com valor de R$ 842,26. Completam o ranking das mais caras Florianópolis (R$ 800,68), Cuiabá (R$ 789,98), Porto Alegre (R$ 789,77) e Rio de Janeiro (R$ 783,96).

    Paulistanos precisam trabalhar mais de 120 horas para comprar cesta básica

    A capital paulista também lidera quando o levantamento analisa o comprometimento do salário mínimo líquido. Os trabalhadores de São Paulo precisam destinar 59,91% do salário mínimo para adquirir os alimentos básicos, o que representa 121 horas e 55 minutos de trabalho mensal.

    Aracaju oferece a melhor relação custo-benefício, exigindo apenas 38,32% do salário mínimo e 77 horas e 59 minutos de trabalho para a compra da cesta básica.

    Arroz e tomate puxam quedas generalizadas nos preços

    O arroz agulhinha mantém trajetória de redução e caiu em todas as 27 cidades monitoradas pela pesquisa. Brasília (DF) registrou a maior queda, com 10,27%, enquanto Palmas (TO) apresentou a menor redução, com 0,34%.

    O tomate também contribuiu significativamente para a deflação, com quedas em 26 capitais. Porto Alegre (RS) liderou as reduções com 27,39%, resultado da maior oferta devido à maturação dos frutos. Boa Vista (RR) registrou a menor queda, com 3,21%.

    Açúcar, leite e café completam lista de produtos mais baratos

    O açúcar ficou mais barato em 24 capitais, impulsionado pela redução nos preços internacionais, maior oferta na safra e menor demanda. Boa Vista (RR) e Aracaju (AL) registraram as maiores quedas, com 6,22% e 6,09%, respectivamente.

    O leite integral também apresentou reduções em 24 cidades, com variações entre 7,27% em Porto Alegre (RS) e 0,28% em Rio Branco (AC). O excesso de oferta no campo e as importações de derivados explicam a queda nos preços.

    O café em pó ficou mais barato em 20 capitais analisadas. São Luís (MA) liderou as reduções com 5,09%, seguida por Campo Grande (MS) com 3,39% e Belo Horizonte (MG) com 3,12%. A boa produtividade das lavouras contribuiu para o recuo no varejo.

    Safra recorde impulsiona redução de preços

    “A notícia é maravilhosa, é mais economia no bolso do povo brasileiro. Aí está o efeito das políticas públicas e o resultado está aí: O Brasil está colhendo esse ano a maior safra agrícola da nossa história, com o consumidor indo ao supermercado com um produto mais barato de excelente qualidade”, destaca Edegar Pretto, presidente da Conab.

    A parceria entre Conab e Dieese ampliou a coleta de preços de 17 para 27 capitais brasileiras, reforçando a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e a Política Nacional de Abastecimento Alimentar. A divulgação completa começou em agosto de 2025.

  • Projeto leva assistência para 150 famílias de produtores de leite

    Projeto leva assistência para 150 famílias de produtores de leite

    Um novo capítulo começou a ser escrito nos cerrados do Noroeste de Minas. O projeto Mais Leite Saudável, uma parceria de sucesso entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap), acaba de iniciar sua terceira fase, e os produtores familiares da região são os grandes protagonistas dessa história.

    Agora, uma rede de 150 propriedades rurais vai receber a visita de uma equipe de cinco especialistas, três veterinários e dois agrônomos. Eles não vão só dar palpite. Eles vão rolar as mangas e trabalhar junto com o produtor, seguindo um modelo que já mostrou resultado desde 2020. O treinamento dessa turma nova aconteceu em outubro, e as primeiras visitas técnicas já estão rolando desde o início de novembro.

    O segredo está no Programa Mais Leite Saudável, do MAPA. A iniciativa oferece um incentivo fiscal para laticínios e cooperativas. Em troca de investirem no produtor rural, elas recebem descontos de até 50% em tributos federais. É um ciclo virtuoso: a indústria ganha um insumo de melhor qualidade e o homem do campo recebe tecnologia de ponta.

    Os desafios são reais, mas as soluções estão no campo.

    José Humberto Xavier, pesquisador da Embrapa, conta que os sistemas de cultivo para alimentar o gado já deram um salto, mas ainda tem uns perrengues para resolver. “A gente precisa proteger o solo, que perde qualidade com o preparo convencional e fica compactado quando pisa molhado. A meta é aumentar a produtividade e, ao mesmo tempo, deixar o trabalho no campo menos penoso com a mecanização certa”, explica ele.

    Já Carlos Eduardo Santos, analista da Embrapa, puxa a conversa para um ponto crucial: a genética do rebanho. Tradicionalmente, o produtor repõe o rebanho comprando animais de fora, o que gera custo alto e risco sanitário. “A Coopervap quer mudar esse jogo. A gente pretende implementar um programa próprio de reposição, criando os melhores animais direto aqui, baseado na nossa experiência de anos no campo”, adianta Santos.

    A nova etapa do projeto tem horizonte longo, indo até 2028. O foco é desenvolver alternativas na agricultura de conservação, oferecer suporte técnico para o melhoramento genético via inseminação artificial e, claro, espalhar os bons resultados para ainda mais agricultores. A receita para um leite mais saudável e uma região mais desenvolvida passa, necessariamente, por investir em quem está na linha de frente.

  • Preço do leite recua e pressiona margens no campo

    Preço do leite recua e pressiona margens no campo

    O preço do leite ao produtor caiu novamente em setembro e ampliou a pressão sobre as margens no campo. O levantamento do Cepea, da Esalq/USP, mostra que o valor do leite cru recuou 4,2% frente a agosto. Com isso, a “Média Brasil” fechou o mês a R$ 2,4410 por litro.

    O número representa queda real de 19% sobre setembro de 2024, considerando o IPCA de setembro de 2025. O movimento marcou a sexta baixa consecutiva nas cotações no campo. O setor projeta que a desvalorização continue até o fim do ano, já que o mercado interno segue abastecido.

    Derivados lácteos mantêm trajetória de queda

    Os derivados lácteos encerraram outubro em forte desvalorização. O levantamento do Cepea, com apoio da OCB, indica que os preços atingiram os menores níveis de 2025. O cenário reforça a pressão sobre toda a cadeia produtiva.

    Importações crescem e déficit comercial aumenta

    As importações de lácteos avançaram 8,4% de setembro para outubro e somaram 214,73 milhões de litros em equivalente leite. As exportações recuaram 23,2% no mesmo período e totalizaram 4,55 milhões de litros.
    Esse cenário ampliou o déficit da balança comercial do setor em 9,4%, chegando a 210,18 milhões de litros. Em valor monetário, o desequilíbrio aumentou 5,3% e alcançou US$ 90,72 milhões.

    Custos sobem após três meses de recuo

    Os custos de produção voltaram a subir após três meses de baixa. O Custo Operacional Efetivo aumentou 0,52% entre setembro e outubro na média nacional. A alta ocorreu devido à valorização de defensivos agrícolas.
    O levantamento do Cepea mostra, porém, que o comportamento dos custos variou entre regiões. Os custos avançaram em Minas Gerais, Paraná e São Paulo. Já Bahia, Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina registraram recuos.