Tag: leite

  • Produção de leite no Brasil tem novo líder após 12 anos

    Produção de leite no Brasil tem novo líder após 12 anos

    O agronegócio brasileiro acaba de registrar um marco histórico. Pela primeira vez, as duas maiores propriedades leiteiras do país superaram a média anual de 100 mil litros de leite comercializados por dia. O Levantamento Top 100 2026, realizado pela MilkPoint em parceria com a Abraleite, revela uma mudança profunda na liderança e um salto expressivo na produtividade nacional.

    Após 12 anos de domínio absoluto da Fazenda Colorado, a Fazenda São José, de Tapiratiba (SP), assumiu o posto de maior produtora de leite do Brasil. Juntas, as 100 maiores fazendas do ranking já respondem por cerca de 4,7% de toda a captação formal de leite no país. No último ano, esse grupo comercializou 1,29 bilhão de litros, um volume 8% superior ao levantamento anterior.

    Crescimento exponencial e eficiência

    Os dados mostram uma evolução impressionante. A produção atual das propriedades listadas cresceu 444% se comparada aos números de 2001, ano em que o ranking estreou. Em 2025, a produção média diária das fazendas do Top 100 atingiu 35.392 litros, superando amplamente o ritmo de crescimento da produção leiteira geral do Brasil.

    Minas Gerais mantém a hegemonia estadual com 39 propriedades no ranking, seguida pelo Paraná (23) e São Paulo (12). No âmbito municipal, a cidade de Carambeí (PR) desbancou a vizinha Castro (PR) e retomou a liderança nacional, concentrando 8 propriedades que, sozinhas, representam 9% de todo o volume do Top 100. Embora o Sudeste concentre a maior fatia do volume (53,3%), o Centro-Oeste registrou a maior expansão percentual, com 16% de crescimento.

    O fim do pasto e a soberania genética

    O setor caminha para uma consolidação definitiva dos sistemas intensivos. Das 100 fazendas listadas, 85 operam em confinamento total, um salto relevante comparado às 70 que utilizavam esse modelo em 2020. No campo da genética, a raça holandesa domina 82% das propriedades, enquanto o gado Sul-Brasileiro se destaca pela eficiência produtiva, alcançando a média de 40,47 litros por animal ao dia.

    Apesar da escala, o setor enfrenta pressões financeiras. Quase metade dos produtores (48%) relatou piora na rentabilidade em 2025. O custo médio de produção atingiu R$ 2,31 por litro,mas as grandes fazendas garantiram uma remuneração media de R$ 2,77. Um valor 23% superior ao que recebem os pequenos produtores.

    Mesmo com margens apertadas, o espírito é de expansão. Cerca de 91% das fazendas planejam crescer nos próximos três anos. E quase um quinto delas projeta aumentar o volume de leite em mais de 50%. Esses números confirmam que, para os gigantes do leite, a eficiência técnica e o ganho de escala continuam sendo as principais ferramentas de sobrevivência e sucesso no mercado global.

  • Saiba por que o leite pode ficar mais caro nos próximos meses

    Saiba por que o leite pode ficar mais caro nos próximos meses

    O preço do leite pode enfrentar novas pressões nos próximos meses devido a um problema que começa longe das prateleiras dos supermercados. Um alerta emitido pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) aponta para o risco de escassez de fosfato bicálcico, matéria-prima essencial na fabricação de suplementos minerais utilizados na alimentação bovina.

    Embora pouco conhecido pelo consumidor, esse insumo desempenha papel fundamental na nutrição dos rebanhos.

    O que o sal mineral tem a ver com o preço do leite?

    A resposta está na produtividade das vacas. A maior parte das pastagens brasileiras apresenta deficiência natural de nutrientes importantes, como fósforo, cálcio, zinco, cobre e enxofre.

    Para compensar essa limitação, os produtores utilizam suplementos minerais que ajudam a manter o desempenho dos animais. Quando a suplementação é inadequada, podem ocorrer quedas na produção de leite, piora dos índices reprodutivos e aumento da vulnerabilidade a doenças.

    Além disso, a nutrição correta influencia diretamente a eficiência produtiva dos rebanhos leiteiros.

    Sal mineral no cocho durante as águas auxilia a bater as metas de produtividade — Foto: João Costa Jr

    Escassez e alta de preços preocupam o setor

    Segundo a Famato, o risco de desabastecimento está ligado à combinação de fatores como a baixa produção nacional, a forte dependência de importações e as restrições de oferta em mercados internacionais.

    Ao mesmo tempo, produtores já enfrentam aumentos nos preços dos suplementos minerais utilizados na alimentação animal. Caso a oferta continue pressionada, o mercado espera novos reajustes.

    Impacto pode chegar ao consumidor

    Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, o problema não afeta apenas o produtor rural.

    “Estamos diante de um alerta importante para a pecuária e para a agricultura. O sal mineral é indispensável para o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário do rebanho. Quando esses produtos ficam caros ou, pior, começam a faltar, o impacto chega diretamente ao produtor rural e pode chegar às prateleiras dos supermercados”, afirmou.

    Além do risco de aumento nos custos das fazendas, uma eventual redução na eficiência produtiva dos rebanhos pode pressionar a oferta de leite, contribuindo para novas altas ao consumidor.

    Dependência externa

    O episódio também evidencia a dependência brasileira de insumos estratégicos importados. Segundo a Famato, a escassez reforça a necessidade de ampliar a produção nacional de matérias-primas utilizadas na agricultura e na pecuária.

    Entre as medidas defendidas pela entidade estão a redução temporária das tarifas de importação do fosfato bicálcico e do enxofre, além da agilização dos processos alfandegários e da busca por novos fornecedores internacionais.

    Embora ainda não exista confirmação de desabastecimento generalizado, o setor acompanha o cenário com atenção. Para especialistas, garantir o fornecimento de insumos essenciais à nutrição animal é uma condição indispensável para manter a competitividade da pecuária brasileira e evitar pressões adicionais sobre os preços do leite.

  • Leite UHT sobe mais de 20% e encarece cesta básica

    Leite UHT sobe mais de 20% e encarece cesta básica

    A alta do leite UHT puxou o aumento dos preços de alimentos básicos no Sudeste em abril de 2026, segundo levantamento da Neogrid. O produto registrou valorização de 20,2% na região e 18,3% na média nacional, passando de R$ 4,75 em março para R$ 5,62 em abril.

    O avanço reflete a queda na produção nacional de leite. Dados do Índice de Captação de Leite (ICAP-L) indicam retração de 3,9% na coleta entre fevereiro e março e queda acumulada de 11,1% no primeiro trimestre. A menor oferta ocorre em meio à sazonalidade, com redução das pastagens, além da cautela dos produtores após margens apertadas ao longo de 2025.

    Outros itens essenciais também registraram alta no período. O preço dos queijos subiu 2,4%, passando de R$ 63,61 para R$ 65,12, enquanto o feijão avançou 2,1%, de R$ 7,51 para R$ 7,67. Legumes tiveram aumento de 2% e o pão registrou alta de 1,8%.

    Segundo Marcelo Alves, Head de Insights da Neogrid, a pressão se concentra em categorias sensíveis à oferta e ao clima. “Os dados mostram aumento em itens essenciais, como lácteos e hortifruti, o que mantém o consumidor mais atento aos preços e à composição da cesta de compras”, afirma.

    Inflação de alimentos no acumulado

    No acumulado entre dezembro de 2025 e abril de 2026, os legumes lideram a inflação no varejo alimentar, com alta de 25,3%, passando de R$ 5,50 para R$ 6,89. Na sequência aparecem leite UHT (21,7%), feijão (20,5%), ovos (13,4%) e carne bovina (6,6%).

    A tendência, segundo a Neogrid, aponta para continuidade da volatilidade nos próximos meses, especialmente em categorias ligadas à oferta e às condições climáticas, como lácteos e hortifruti. Já produtos industrializados e algumas proteínas devem apresentar maior estabilidade, impulsionados pela competitividade no varejo e acomodação de custos.

    Sudeste: altas e quedas em abril

    No Sudeste, além do leite UHT (20,19%), os maiores aumentos de preços em abril ocorreram em pão (4,1%), creme dental (1,6%), água sanitária (1,6%) e arroz (1,4%).

    Por outro lado, algumas categorias registraram queda. Carne suína caiu 5,9%, ovos recuaram 4,8%, açúcar teve baixa de 3,1%, enquanto café (em pó e em grãos) caiu 3%. O desinfetante também apresentou redução de 1,8%.

  • Alta na produção de leite expõe gargalos e impulsiona inovação logística

    Alta na produção de leite expõe gargalos e impulsiona inovação logística

    A produção de leite no Brasil atingiu um novo recorde e intensificou os desafios logísticos da cadeia de lácteos. Dados do IBGE mostram que a aquisição de leite cru chegou a 27,51 bilhões de litros em 2025, alta de 8,5% em relação ao ano anterior e o maior volume da série histórica. No quarto trimestre, a captação somou 7,36 bilhões de litros, avanço anual de 8,6% e novo recorde para o período.

    O crescimento consistente reforça o potencial do setor, mas também pressiona a cadeia a operar com mais eficiência. O principal desafio agora está em garantir que esse volume chegue ao consumidor com qualidade e menor nível de desperdício.

    Cadeia mais complexa exige precisão

    O leite exige uma logística altamente eficiente devido à sua perecibilidade. Qualquer desalinhamento entre produção e consumo gera perdas, seja por excesso de oferta ou falta de produto em momentos de alta demanda.

    Ao mesmo tempo, o comportamento do consumidor muda. A demanda por alimentos frescos, naturais e com origem conhecida cresce no país e favorece modelos de distribuição mais diretos. Segundo o estudo “Do prato ao copo”, da MindMiners, 33% dos brasileiros aumentaram o consumo de alimentos in natura, enquanto 53% alternam entre produtos naturais e industrializados. Entre as bebidas não alcoólicas, 38% priorizam opções naturais.

    Esse cenário impulsiona o retorno de um modelo tradicional: a entrega domiciliar de leite.

    Entrega direta ganha força com tecnologia

    A distribuição porta a porta já fez parte da rotina de consumo no Brasil e sempre operou com base em recorrência e rotas fixas. Agora, a tecnologia amplia o alcance e melhora o controle desse modelo.

    Plataformas digitais integram pedidos, pagamentos e logística em um único sistema, conectando indústria, distribuidores e consumidores. Com isso, empresas passam a operar com dados em tempo real, o que reduz falhas e melhora a eficiência.

    “Não se trata de reinventar a distribuição, mas de organizar melhor um modelo que já funcionava. A digitalização traz previsibilidade e controle para operações antes manuais”, afirma Einat Eisler Carasso, CEO da Food2C.

    Recorrência melhora planejamento e reduz perdas

    Modelos de compra recorrente, como assinaturas, ganham espaço no setor por aumentar a previsibilidade da demanda. Com isso, empresas ajustam melhor a produção, reduzem desperdícios e melhoram o abastecimento.

    A previsibilidade também fortalece a fidelização e melhora a experiência do consumidor, que passa a receber produtos mais frescos com regularidade.

    “A recorrência muda a lógica da operação. Quando a empresa conhece a demanda, consegue planejar toda a cadeia com mais eficiência e agilidade”, diz Einat.

    Digitalização avança no campo e na indústria

    Empresas tradicionais já incorporam essa transformação. A Fazenda Bela Vista, que atua há mais de 30 anos com entrega domiciliar, digitalizou sua operação e passou a centralizar pedidos, pagamentos e dados em uma única plataforma.

    A mudança aumentou o controle operacional e reduziu perdas ao longo da cadeia. “A digitalização elevou nosso nível de organização e eficiência sem perder a proximidade com o cliente”, afirma o diretor comercial Paulo Passarini.

    Dados conectam produção e consumo

    A tecnologia também resolve um dos principais gargalos do setor: a falta de visibilidade sobre o consumidor final. Com dados centralizados, empresas identificam padrões de consumo, ajustam ofertas e tomam decisões mais estratégicas.

    Na logística, sistemas digitais organizam pedidos, preveem demanda e definem rotas com mais precisão, o que reduz erros e otimiza recursos.

    Tendência acompanha expansão do setor

    Com a produção em alta e a demanda por alimentos frescos em crescimento, a digitalização tende a se consolidar como um dos principais vetores de transformação da cadeia de lácteos.

    Mais do que criar novos modelos, a tecnologia moderniza formatos tradicionais e amplia eficiência, escala e qualidade na distribuição.

  • Agropecuária de Rondônia deve movimentar R$ 30 bilhões em 2026

    Agropecuária de Rondônia deve movimentar R$ 30 bilhões em 2026

    A agropecuária de Rondônia deve gerar R$ 30,2 bilhões em 2026, queda de 1% frente ao resultado de 2025. Os dados são de projeção da área de socioeconomia da Embrapa Rondônia, com base nos preços médios dos 17 principais produtos do estado.

    Cinco culturas concentram 90,4% desse valor: bovinos, soja, café, milho e leite. Os bovinos lideram com folga. Sozinhos, respondem por 51,3% do Valor Bruto da Produção (VBP) estadual, com projeção de R$ 15,5 bilhões, alta de 5,1% sobre 2025.

    O VBP leva em conta os preços recebidos pelos produtores rurais, os dados de produção da Conab e do IBGE, e as pesquisas de preços da Conab e da Emater-RO, todos deflacionados pelo IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas.

    Em alta

    Os maiores avanços projetados para 2026 estão na banana e na mandioca. A banana deve registrar crescimento de 19% no VBP, impulsionado pela combinação de produção 5,7% maior e preços 19,1% mais altos nos dois primeiros meses do ano. Já a mandioca avança 18,3%, apesar de uma safra 2% menor. O empurrão vem do aumento de 21,7% nos preços da mandioca de mesa, que representa 60% da produção estadual do produto.

    O preço da carne bovina sobe por dois fatores simultâneos: oferta reduzida de animais para abate e mercado externo aquecido. A tendência é que esse patamar se mantenha ao longo de 2026, sustentando o VBP do setor em R$ 15,5 bilhões. São R$ 747,7 milhões a mais do que em 2025.

    Arroz, cacau, leite e café recuam

    O cenário não é favorável para todos. O arroz sofre duplo golpe: preços em queda e volume de produção estimado em 94,2 mil toneladas na safra 2025/2026, metade do que se colheu na safra anterior. O resultado é uma queda abrupta no VBP do cereal, de R$ 334 milhões em 2025 para R$ 114,8 milhões em 2026.

    O cacau, que bateu recordes de preço em 2024/2025, vive o efeito contrário: a recuperação das lavouras africanas, principais produtoras mundiais da amêndoa, e a retração da demanda das indústrias chocolateiras derrubam o VBP de R$ 324,2 milhões para R$ 170,9 milhões.

    O café também recua 19,3%, pressionado pela maior oferta global do produto. O leite, por sua vez, enfrenta queda de 22,1% no VBP, reflexo de oferta elevada, demanda fraca e concorrência das importações de lácteos, especialmente de países do Mercosul.

    Imagem gerada por IA

    Apesar das quedas pontuais, o setor agropecuário rondoniense mantém trajetória positiva no longo prazo: nos últimos dez anos, o VBP cresceu em média 7,6% ao ano.

    Vale lembrar que o indicador é calculado mensalmente e pode variar ao longo do ano, conforme oscilações de preços e revisões nas estimativas de produção.

  • Crise no leite: Câmara debate criação de fundo nacional e tarifas

    Crise no leite: Câmara debate criação de fundo nacional e tarifas

    Representantes do setor de produção de leite pressionaram o Congresso Nacional nesta quinta-feira (7) por medidas urgentes de proteção à produção nacional. Em audiência na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, produtores, cooperativas e entidades rurais defenderam a criação de um fundo nacional financiado com recursos do Imposto de Importação de produtos lácteos, além de tarifas compensatórias contra o que chamam de concorrência desleal de países do Mercosul.

    Deputado Welter (PT-PR). Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

    No centro do debate está o Projeto de Lei 431/26, apresentado em fevereiro pelo deputado Welter (PT-PR). A proposta cria um fundo destinado a financiar ações de fortalecimento da produção nacional, estabilidade econômica dos produtores e desenvolvimento sustentável do setor.

    Para o coordenador do ramo agropecuário da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Rodolfo Jordão, o mecanismo é essencial para garantir resiliência ao setor. “É um instrumento para que, nos momentos de crise, a gente consiga reagir e, nos de bonança, fortalecer a cadeia produtiva”, afirmou.

    Das 1.200 cooperativas agropecuárias existentes no país, 150 atuam na produção de leite e respondem por mais de 50% da produção nacional, o que evidencia o peso estratégico do setor para o agronegócio brasileiro.

    Dumping e importação clandestina: a ameaça que vem de fora

    O consultor da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ronei Volpi, revelou que a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) protocolou, há dois anos, um pedido formal de investigação antidumping junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sem resposta até o momento.

    Dumping é a prática de exportar produtos abaixo do custo de produção para conquistar mercados e eliminar concorrentes locais. “Se houve dumping, nós precisamos, antes tarde do que nunca, impor tarifas compensatórias para a importação do leite”, cobrou Volpi.

    Luis Corti: setor enfrenta custos elevados de produção e baixos preços pagos aos produtores. Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

    A situação é ainda mais grave no Paraná. O deputado estadual Luis Corti (PSD) informou que o estado, segundo maior produtor de leite do Brasil, já perdeu 40% de seus produtores. Ele denunciou que o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai chega ao Brasil para ser reidratado e, em alguns casos, entra clandestinamente próximo ao vencimento ou já vencido. “Como a polícia já denunciou, isso representa riscos reais à saúde pública”, alertou.

    Projetos em tramitação: o que muda para o produtor

    Além do fundo nacional, outros dois projetos foram debatidos na sessão:

    • PL 5738/25 — Já aprovado pela Comissão de Agricultura, proíbe a reconstituição de leite em pó importado para produção de leite líquido e queijo no Brasil.
    • PL 20/26 — Propõe a criação do Instituto Nacional do Leite, com foco no planejamento estratégico de toda a cadeia produtiva.
    • PLP 4/26 — Proíbe incentivos fiscais a empresas que utilizem leite em pó ou derivados importados em sua produção.
    Vânia Marques apontou riscos para agricultores familiares. Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

    A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag), Vânia Marques Pinto, foi enfática ao defender o instituto. “Se não houver medidas que garantam a criação de um fundo e de um instituto que planeje essa cadeia produtiva, num futuro próximo teremos uma redução significativa dos agricultores familiares que hoje produzem leite.”

    O que o governo já faz e o que o setor ainda cobra

    O diretor do Departamento de Assistência Técnica do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Marenilson Batista da Silva, destacou iniciativas em andamento, como a Rede ATER Leite, parceria entre o ministério e a Embrapa para transferência de tecnologias ao setor, e o programa Da Terra à Mesa, lançado no ano passado para fortalecer a agricultura familiar.

    Ainda assim, para o deputado Welter, as medidas em vigor são insuficientes diante da crise. “Temos que achar o caminho para uma política nacional do leite. A Câmara dos Deputados tem que dar uma resposta para esse setor”, disse o parlamentar.

    Os projetos seguem em análise nas comissões temáticas da Câmara.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Câmara debate criação de fundo para fortalecer cadeia do leite no Brasil

    Câmara debate criação de fundo para fortalecer cadeia do leite no Brasil

    A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados realiza, nesta quinta-feira (7), uma audiência pública para discutir a criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Cadeia do Leite. A proposta está prevista no Projeto de Lei 431/2026.

    O debate foi solicitado pelo deputado Welter (PT-PR), autor do projeto, e está marcado para as 10 horas, em plenário ainda a ser definido.

    Segundo o parlamentar, a cadeia produtiva do leite tem grande relevância econômica e social no Brasil, com forte presença da agricultura familiar. O setor também desempenha papel estratégico na segurança alimentar, na geração de renda no campo e no desenvolvimento regional.

    Welter destaca que produtores enfrentam crises recorrentes, impulsionadas por fatores como oscilações no mercado internacional e aumento das importações de produtos lácteos.

    Dados do Poder Executivo, citados pelo deputado, apontam crescimento nas importações de leite e derivados sem a existência de mecanismos estruturados de compensação ou reinvestimento na produção nacional.

    O projeto propõe financiar o fundo com recursos provenientes de uma parcela do Imposto de Importação sobre produtos lácteos. A medida tem como objetivo direcionar parte da arrecadação para o fortalecimento da produção interna.

    De acordo com Welter, a audiência pública deve aprofundar a análise técnica da proposta, avaliar sua viabilidade jurídica e econômica e reunir contribuições para aprimorar o texto em tramitação na Câmara.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Câmara aprova projeto que proíbe venda de leite reconstituído com pó importado

    Câmara aprova projeto que proíbe venda de leite reconstituído com pó importado

    A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4309/23, que proíbe empresas de reconstituir leite em pó importado para venda como leite líquido no Brasil. A proposta, de autoria da deputada Daniela Reinehr (PL-SC), recebeu parecer favorável do relator Domingos Sávio (PL-MG).

    O texto incorpora ajustes feitos pela Comissão de Finanças e Tributação para assegurar que a medida não gere impacto nas receitas ou despesas públicas.

    O projeto tramitou em caráter conclusivo e já passou pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. Agora, segue para o Senado, salvo se houver recurso para votação no plenário da Câmara.

    Para virar lei, o Congresso Nacional precisa aprovar a proposta nas duas casas legislativas, e a Presidência da República deve sancioná-la.

    Penalidades previstas

    O projeto estabelece punições para empresas que descumprirem a regra:

    • Multa de até R$ 1 milhão
    • Suspensão temporária ou definitiva do alvará de funcionamento

    A proposta permite a reidratação do leite em pó importado apenas em casos de desabastecimento de leite fluido no mercado interno.

    Defesa do mercado nacional

    O relator Domingos Sávio afirmou que a medida busca proteger a cadeia produtiva do leite no Brasil e combater práticas comerciais consideradas desleais.

    Segundo o deputado, priorizar o leite em pó nacional não configura discriminação, mas uma estratégia de política pública voltada à proteção de um setor estratégico.

    Ele destacou ainda que o projeto não impede a importação de leite em pó. A proposta, segundo ele, cria condições mais equilibradas de concorrência entre o leite fluido produzido no país e o produto reconstituído com matéria-prima importada, muitas vezes subsidiada.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Brasil investe na produção de leite e fortalece agricultura familiar

    Brasil investe na produção de leite e fortalece agricultura familiar

    O Governo do Brasil anunciou nesta segunda-feira (27) um pacote de R$ 465 milhões para impulsionar a cadeia produtiva do leite na agricultura familiar. Do total, o Programa de Transferência de Embriões (Pronaf Mais Leite) receberá R$ 450 milhões para ampliar a produtividade e a qualidade genética dos rebanhos.

    Foto: Albino Oliveira – Ascom/MDA

    Durante o evento em Andradina (SP), o governo também confirmou um investimento de R$ 15 milhões para construir a primeira agroindústria de leite em pó do estado. A Cooperativa de Produção, Industrialização e Comercialização Agropecuária dos Assentados e Agricultores Familiares da Região Noroeste de São Paulo (Coapar) instalará a unidade.

    O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou o papel da agroindustrialização no fortalecimento da renda no campo. Segundo ele, a iniciativa agrega valor à produção e amplia a competitividade dos pequenos produtores. “A Coapar mostra como o cooperativismo e o associativismo geram desenvolvimento e oportunidades”, afirmou.

    A nova planta industrial deve processar até 25 mil litros de leite por dia, substituindo a atual produção terceirizada. O contrato para a obra foi assinado entre o Governo Federal, o Banco do Brasil e a cooperativa.

    A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, reforçou a relevância da cadeia leiteira para o país. Ela destacou que o Brasil conta com cerca de 1,17 milhão de propriedades produtoras de leite, sendo aproximadamente 950 mil ligadas à agricultura familiar.

    Representantes da Coapar e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ressaltaram o impacto social da iniciativa, especialmente para pequenos produtores assentados, que encontram no cooperativismo uma forma de ampliar a produção e a renda.

    Reforma agrária e novos investimentos

    Além das ações voltadas ao setor leiteiro, o governo anunciou medidas no âmbito do programa Terra da Gente. Dois decretos de desapropriação foram assinados para criação de novos assentamentos.

    Em Americana (SP), a Fazenda Sítio Boa Vista, com 103,45 hectares, deverá beneficiar cerca de 70 famílias. Já em Santa Quitéria (CE), a Fazenda Caraúbas, com 3.130,91 hectares, tem potencial para atender 48 famílias.

    O governo também liberou mais de R$ 155 milhões para o pagamento de mais de 9 mil créditos em todo o país. Em São Paulo, serão R$ 24,5 milhões destinados a 794 famílias assentadas.

    Desde 2023, o Programa Nacional de Reforma Agrária já incluiu mais de 230 mil famílias.

    Novas ações para a cadeia do leite

    O pacote anunciado inclui ainda outras medidas estratégicas:

    • Destinação de R$ 100 milhões em leite em pó, adquiridos via Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), para abastecer Cozinhas Solidárias.
    • Lançamento de chamada pública de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), no valor de R$ 28,5 milhões, para qualificar a produção leiteira.
    • Criação de uma nova linha de crédito do Pronaf para cooperativas de leite, com orçamento de R$ 150 milhões.
  • Refrigerante de soro de leite: bebida avança em testes de validação

    Refrigerante de soro de leite: bebida avança em testes de validação

    O Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT), vinculado à Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), avança na validação do “Refrigerante do Bem”, uma bebida láctea carbonatada que aproveita o soro do leite como matéria-prima principal. O produto promete unir nutrição, sustentabilidade e inovação tecnológica.

    Bebida inovadora à base de soro do leite passa por etapas de validação. Foto: Marcelo Ribeiro/Epamig

    A nova bebida pode ser carbonatada, acidificada ou fermentada, com possibilidade de enriquecimento por proteínas, vitaminas e minerais. A formulação evita o descarte inadequado do soro de leite, um subproduto que frequentemente polui o meio ambiente.

    “Chamamos de ‘Refrigerante do Bem’ porque contribui com o meio ambiente. O processo utiliza um soro que, muitas vezes, seria descartado e poderia causar poluição. Também contribui para a saúde, já que mantém nutrientes do leite, como cálcio, outros sais minerais e vitaminas, além de poder conter prebióticos e probióticos”, destaca Junio de Paula, coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Leite e Derivados da EPAMIG.

    Testes avaliam composição e estabilidade do produto

    Os pesquisadores realizam atualmente ensaios preliminares para caracterizar o soro do leite. O trabalho analisa composição, qualidade e parâmetros básicos do ingrediente. A equipe também define os componentes da fórmula e o método de fabricação mais adequado.

    Na sequência, a fábrica-escola da EPAMIG ILCT produzirá o refrigerante em escala industrial. Os técnicos testarão dois tratamentos – fermentação ou acidificação – em quatro repetições. O produto envasado ficará armazenado sob refrigeração para avaliação de estabilidade.

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    “Ao longo da estocagem, iremos realizar análises físicas, químicas e microbiológicas com o intuito de acompanhar a estabilidade, segurança e vida de prateleira do produto. Os testes são essenciais para comprovar a viabilidade tecnológica do uso do soro na bebida carbonatada. Garantindo que o produto seja seguro, estável e, quando aplicável, atenda aos critérios para ser considerado probiótico”, explica Junio.

    Laticínios poderão adotar tecnologia após conclusão dos estudos

    Os pesquisadores planejam apresentar os resultados em congressos científicos e publicar artigos especializados quando concluírem as análises. A equipe também elaborará um relatório técnico para facilitar a transferência da tecnologia para a indústria.

    “Como o projeto tem natureza de avanço tecnológico e prevê uma tecnologia de simples implantação em escala industrial, a expectativa é que, após a conclusão, prevista para início de 2027, a bebida possa ser transferida e implementada por laticínios interessados, desde que sejam cumpridas as etapas regulatórias e industriais de rotina, como adequações de linha, registro do produto e rotulagem”, comenta o coordenador.

    A etapa atual de testes da bebida consiste em ensaios preliminares para caracterizar o soro do leite. Foto: Marcelo Ribeiro/Epamig

    A iniciativa representa, portanto, uma oportunidade para laticínios agregarem valor ao soro de leite, um coproduto abundante na indústria láctea brasileira.