O outono de 2025 será marcado por temperaturas acima da média histórica e chuvas escassas em grande parte do Brasil. A informação consta no boletim climático divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
De acordo com os institutos, o cenário climático afeta todas as regiões do país. A tendência é de calor mais intenso e volume de chuvas reduzido nos próximos meses.
No Sudeste, as temperaturas devem superar a média histórica da estação. No entanto, massas de ar frio poderão provocar quedas momentâneas. As chuvas ficarão abaixo da média, mas a parte leste da região poderá ter precipitações pontuais.
No Centro-Oeste e no Sul, o calor e a seca também deverão predominar. As temperaturas tendem a cair apenas durante a passagem de frentes frias. Nas áreas mais altas da Região Sul, o clima pode ficar mais ameno em alguns momentos.
O centro-sul do Rio Grande do Sul deve registrar chuvas mais próximas da média, segundo os meteorologistas. Mesmo assim, o padrão predominante será de menor umidade e calor prolongado.
As Regiões Norte e Nordeste também terão um outono mais quente. Porém, a previsão aponta chuvas maiores no norte dessas áreas. Esse volume pode manter os níveis de precipitação próximos da média histórica em parte do território.
Na costa norte do Nordeste, o clima poderá ficar mais ameno, com temperaturas ligeiramente abaixo do normal. Já o sudoeste do Pará e o oeste do Tocantins devem registrar temperaturas até 2ºC acima da média da região.
Clima depois da Páscoa
Nos próximos dias, o tempo chuvoso deve avançar sobre grande parte do território nacional. As instabilidades se concentram principalmente nas Regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
O Sul e o Sudeste devem continuar com temperaturas baixas ou amenas. Já no Centro-Oeste, o clima tende a se manter moderado.
O Inmet emitiu dois alertas de chuvas com validade até às 10h de segunda-feira (21). O primeiro é um alerta de perigo potencial para a faixa central do país. O segundo, de perigo, atinge áreas do norte das Regiões Norte e Nordeste.
As mudanças climáticas representam um risco crescente para a produção agrícola no Brasil. Segundo um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), cerca de 46% das doenças que afetam lavouras no país devem se tornar mais severas até o final deste século. O levantamento projeta impactos significativos sobre culturas estratégicas como arroz, milho, soja, café, cana-de-açúcar, hortaliças e frutas — pilares da economia agrícola nacional.
De acordo com os pesquisadores, o aumento das temperaturas médias e as alterações no regime de chuvas devem criar condições favoráveis à proliferação de fungos, vírus e vetores, exigindo uma reestruturação nos sistemas nacionais de monitoramento e controle fitossanitário.
Estudo abrange mais de 300 patossistemas agrícolas
O estudo conduzido pela Embrapa analisou 304 patossistemas — conjunto formado por uma planta hospedeira e o respectivo patógeno — relacionados a 32 das principais culturas agrícolas brasileiras. Os dados indicam que os fungos são os patógenos mais prevalentes, presentes em aproximadamente 80% dos casos avaliados.
Com a elevação da temperatura média podendo ultrapassar 4,5°C em determinadas regiões do país até 2100, doenças como a antracnose e o oídio tendem a se intensificar. Alterações no volume e distribuição das chuvas também devem influenciar diretamente a dinâmica dessas doenças.
“A previsão de doenças em um cenário de mudança climática é um desafio complexo que exige continuidade nas pesquisas e implementação de novas estratégias de adaptação”, afirma Francislene Angelotti, pesquisadora da Embrapa Semiárido. Ela ressalta a necessidade de investimentos para fortalecer a infraestrutura fitossanitária nacional.
Vetores e pragas também devem se multiplicar
As doenças transmitidas por vetores como pulgões, cochonilhas, tripes, moscas-brancas e ácaros também estão entre as maiores preocupações dos pesquisadores. O ciclo de vida desses insetos tende a se encurtar com o aumento do calor, o que resulta em populações maiores e mais ativas ao longo do ano.
Mudanças climáticas favorecem fungos patogênicos e vetores de doenças como pulgões e moscas-branca. Divulgação Embrapa
De acordo com Wagner Bettiol, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, o impacto será direto sobre culturas já vulneráveis a essas pragas, como batata, banana, tomate, citros e milho. “O aquecimento acelera o desenvolvimento dos insetos e prolonga sua longevidade, o que pode aumentar significativamente as infestações”, explica.
Eficiência dos defensivos pode cair
Além do aumento das doenças, as mudanças climáticas também podem comprometer a eficácia dos defensivos agrícolas. A absorção, o transporte e a degradação dos fungicidas nas plantas podem sofrer alterações sob novas condições climáticas. E isso exigirá adaptações nas estratégias de manejo.
Com a eficácia reduzida, pode haver a necessidade de aplicações mais frequentes, elevando os custos de produção e o risco ambiental. Esse cenário já impulsiona a busca por alternativas sustentáveis, como os agentes biológicos de controle — os biopesticidas.
Brasil lidera o mercado de biocontrole, mas precisa avançar
O Brasil é atualmente o maior produtor e consumidor de biopesticidas do mundo e possui a maior área agrícola sob controle biológico. Segundo a consultoria Research and Markets, o mercado global desses produtos deve atingir US$ 19,49 bilhões até 2030.
No entanto, especialistas apontam que ainda há um longo caminho a percorrer para adaptar esses bioinsumos às novas condições climáticas. “Precisamos desenvolver, com urgência, produtos biológicos capazes de aumentar a eficiência do uso de nitrogênio e reduzir o estresse das plantas”, defende Bettiol. Ele também destaca a necessidade de soluções para doenças estratégicas, como a ferrugem asiática da soja e a ferrugem do cafeeiro.
Adaptação exige monitoramento, cooperação e políticas públicas
Diante das projeções, pesquisadores recomendam uma resposta coordenada, que envolva ações como análise de risco, adaptação de sistemas agrícolas, fortalecimento da vigilância fitossanitária e ampliação de investimentos em ciência e inovação. O uso de sistemas de cultivo diversificados, a integração de tecnologias de manejo, o emprego de biopesticidas e a adoção de modelos preditivos de epidemias são medidas defendidas para o curto prazo.
“O enfrentamento desses desafios exige políticas públicas eficazes e a articulação entre agricultores, cientistas e governos para garantir segurança alimentar e sustentabilidade”, reforça Angelotti.
Diversidade agrícola amplia o desafio fitossanitário
A diversidade climática e agrícola do Brasil, que abrange desde culturas tropicais até temperadas, exige análises regionais detalhadas sobre os riscos fitossanitários em cenários futuros. Emília Hamada, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, afirma que é essencial realizar estudos com base na distribuição espacial e temporal dos patógenos, incluindo experimentações de campo.
Ela destaca que os modelos climáticos indicam aumento da severidade de doenças fúngicas como antracnose e oídio. O que reforça a urgência na adoção de medidas preventivas e de adaptação em todas as regiões produtoras.
O estudo da Embrapa conclui que os efeitos das mudanças climáticas já estão sendo sentidos no campo. Com planejamento estratégico, incentivo à inovação e articulação entre ciência, governo e setor produtivo, o Brasil pode não apenas mitigar os impactos negativos. M-as também transformar os desafios em oportunidades para modernizar seu sistema de defesa vegetal e garantir a sustentabilidade da produção agrícola no futuro.
O verão de 2024/2025 no Rio Grande do Sul foi marcado por ondas de calor e estiagem, afetando significativamente a atividade leiteira no estado. Segundo o Comunicado Agrometeorológico 83, publicado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), esses eventos meteorológicos extremos resultaram em perda de produção, baixo desempenho reprodutivo das vacas, maior suscetibilidade a doenças como a mastite, e aumento dos custos de produção.
Os principais fatores que contribuíram para esses impactos incluem estresse térmico calórico moderado, disponibilidade forrageira deficiente nos campos e má qualidade da água. A agrometeorologista Ivonete Tazzo explica que o estudo utilizou o Índice de Temperatura e Umidade (ITU) para documentar as condições de conforto e desconforto térmico enfrentadas pelos animais, estimando os efeitos na produção de leite.
Condições meteorológicas
Durante o trimestre de dezembro de 2024 a fevereiro de 2025, as temperaturas mínimas e máximas absolutas do ar foram elevadas, indicando situações de estresse térmico calórico para as vacas leiteiras. Em janeiro e fevereiro de 2025, apenas 42,6% e 28,3% das horas avaliadas ofereceram conforto térmico aos animais. Em fevereiro, ondas de calor com temperaturas acima de 35°C e precipitações irregulares foram registradas. Especialmente nas regiões Central, Campanha e Noroeste, onde se concentra a maior produção de leite do estado.
A médica veterinária Adriana Tarouco destacou que situações de estresse térmico leve a moderado foram identificadas em 41% das horas avaliadas ao longo do trimestre. As regiões do Vale do Uruguai, Baixo Vale do Uruguai e Missioneira foram particularmente afetadas. Para minimizar os efeitos ambientais e evitar prejuízos econômicos, os produtores rurais precisaram adotar estratégias de manejo, diante de declínios de produção diária de leite estimados entre 24,5% e 28%.
Uma massa de ar frio avança sobre o Sul do Brasil nesta semana, enquanto chuvas persistem no Norte e Sudeste. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta para mudanças climáticas até 7 de abril, incluindo a possibilidade de geada nas áreas serranas.
Norte
A região Norte deve registrar os maiores volumes de chuva. No oeste do Amazonas, Pará, Amapá, norte do Tocantins e oeste de Rondônia, os acumulados podem ultrapassar 80 mm. No Acre, parte de Rondônia, sul do Pará e sul de Tocantins, os volumes devem ficar abaixo de 40 mm.
Nordeste
No Nordeste, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) segue influenciando o clima. O norte do Maranhão, Piauí e litoral do Ceará podem ter mais de 60 mm de chuva. No interior da Bahia, Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, o tempo deve ficar mais seco. Ou seja, nessas áreas, os volumes ficarão abaixo de 20 mm, e a umidade relativa do ar pode cair para menos de 50%.
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, as chuvas mais intensas devem atingir Mato Grosso, oeste de Goiás e Mato Grosso do Sul, com volumes acima de 50 mm. No restante da região, as precipitações serão menores, mas pancadas podem ocorrer no nordeste de Goiás e no Distrito Federal no fim da semana.
Sudeste
No Sudeste, a chuva será intensa no sul de Minas Gerais, leste de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. O Vale do Paraíba, litoral norte paulista e região serrana fluminense podem registrar mais de 100 mm a partir de sábado (5). Em contrapartida, o centro-norte de Minas Gerais e o centro-oeste de São Paulo terão volumes inferiores a 20 mm.
Sul
No Sul, uma frente fria deve provocar temporais isolados no Rio Grande do Sul até quarta-feira (3), com risco de granizo e descargas elétricas. O leste e oeste do Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina e sudoeste e leste do Paraná podem acumular mais de 40 mm. A partir de sábado, o tempo deve se estabilizar.
Primeira massa de ar frio do outono e risco de geada
Ao longo da semana, o calor permanece intenso no interior do Nordeste, norte de Minas Gerais e leste do Centro-Oeste. Os termômetros podem superar 34°C, principalmente no oeste de Goiás, Bahia, sul do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte.
As temperaturas mínimas seguirão acima de 26°C no Norte, Centro-Oeste e parte do Nordeste e Sudeste até sexta-feira (4). No entanto, a partir de sábado, a chegada da primeira massa de ar frio do outono derrubará as temperaturas no Sul e no sul de Mato Grosso do Sul. As serras gaúcha e catarinense podem registrar geada, com mínimas abaixo de 10°C.
No domingo (7), o frio perde força no Sul, mas avança no Sudeste. A Serra da Mantiqueira, entre São Paulo e Minas Gerais, pode registrar mínimas próximas de 12°C.
O Sul do Brasil enfrenta alerta de temporais neste fim de semana. Ou seja, a previsão indica volumes de chuva de até 100 mm, rajadas de vento de 100 km/h e risco de granizo hoje (29).
Acumulado de chuvas e temporais
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu dois avisos para a região: um para acumulado de chuva e outro para tempestades. Os alertas abrangem áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. Além disso, as temperaturas podem cair durante a madrugada, com mínima de 19 °C em Curitiba no domingo (30).
No Norte, chuvas fortes também estão previstas devido à influência da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Em geral, os volumes podem alcançar 50 mm, acompanhados de ventos de até 100 km/h. Apesar das precipitações, o calor continua intenso, com temperaturas acima de 30 °C.
O Centro-Oeste e parte do Nordeste, incluindo Rio Grande do Norte, Maranhão e oeste da Bahia, terão chuvas volumosas. Nessas áreas, os acumulados podem variar entre 30 mm e 50 mm, com ventos de até 60 km/h. No Nordeste, o tempo segue firme no leste da região, entre Rio Grande do Norte e Bahia. Ao mesmo tempo, no Centro-Oeste, o sol predomina apenas no sul de Goiás e leste do Mato Grosso do Sul.
No Sudeste, o tempo permanece estável durante o fim de semana. A exceção fica para áreas do Estado de São Paulo próximas à divisa com o Paraná, onde há possibilidade de chuva.
O mercado brasileiro de café enfrenta desafios significativos, impulsionados por condições climáticas adversas e flutuações econômicas. Após um período prolongado de seca até setembro de 2024, as chuvas retornaram às regiões produtoras, beneficiando o pegamento das flores e o enchimento dos grãos. No entanto, com a volta do clima seco e quente em fevereiro, surgem incertezas sobre os impactos na safra 2025/26.
As chuvas volumosas no início do ano foram seguidas por um retorno das condições secas e quentes no Brasil. Esse cenário levanta preocupações sobre os possíveis danos à produção futura. As projeções indicam uma queda na produção de café arábica para a safra atual, enquanto o conilon pode apresentar uma recuperação.
Os dados do INPC mostram que o “cafezinho” está pesando mais no bolso dos brasileiros. Apesar do aumento do salário-mínimo recente, a participação do café na renda aumentou significativamente. Isso poderia impactar negativamente o consumo caso os preços continuem elevados ao longo de 2025.
Produção Nacional: arábica em queda e conilon em recuperação
Estimativas da Hedgepoint Global Markets apontam uma redução de 4,9% na produção arábica para a safra atual (41 milhões de sacas), influenciada pelas condições climáticas adversas e menor área plantada. Por outro lado, o conilon deve crescer cerca de 14%, atingindo aproximadamente 23 milhões de sacas.
No entanto, baixos estoques podem limitar as exportações nos próximos meses. Grande parte da safra anterior já foi comercializada antes da colheita atual começar.
Cenário internacional para o mercado de café
Internacionalmente, a Indonésia deve recuperar sua produção em breve enquanto Vietnã ainda enfrenta oferta limitada. Na América Central — especialmente Honduras e México — são esperadas safras menores este ano; contudo a Colômbia pode compensar parte dessa perda com uma estimativa superior aos anos anteriores.
Na Europa — maior consumidor global — não houve sinais expressivos até agora que indiquem queda no consumo; mas é possível que isso mude com preços elevados mantidos por tempo prolongado.
O mercado global aponta para um déficit consecutivo desde há alguns anos. Embora seja cedo demais para fazer previsões precisas sobre outros países produtores além do Brasil.
Entre os principais fatores monitorados estão as condições climáticas brasileiras durante esta temporada agrícola (que afetará diretamente tanto arábica quanto conilon), diferenciais nos preços entre diferentes origens produtoras globais (que podem influenciar decisões comerciais) além dos altos custos operacionais atuais que pressionam pequenos produtores locais sem grandes margens financeiras disponíveis para investimentos ou manutenção adequada das lavouras existentes hoje em dia.
A Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (SAR) e a Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) estão em ação para avaliar os estragos causados por um forte temporal que atingiu cidades do norte catarinense na última quinta-feira, 13 de fevereiro. Corupá, Schroeder, Guaramirim, Luiz Alves, São Bento do Sul, Massaranduba e Rodeio estão entre os municípios mais afetados.
O vento intenso causou grande destruição em plantações de banana, especialmente em Corupá, conhecida como a “capital catarinense da banana”. Lavouras e estruturas produtivas nas regiões vizinhas também foram danificadas.
“Estamos mobilizados para apoiar os agricultores atingidos por esse temporal”, afirma o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Valdir Colatto. “Nossa prioridade é garantir que possam retomar suas atividades rapidamente e minimizar os prejuízos. O compromisso do governo é estar ao lado dos produtores nesses momentos difíceis. Vamos garantir todo o suporte necessário para que possam se recuperar e seguir contribuindo com a produção agrícola de Santa Catarina.”
Programas de apoio
Os agricultores atingidos podem acessar os seguintes programas de apoio financeiro:
Programa Reconstrói SC: Oferece até R$ 12 mil por família (enquadrada no Pronaf) para recuperação de estruturas, máquinas ou equipamentos danificados. O prazo de pagamento é de até 5 anos, com 50% de desconto para pagamento das parcelas em dia, sem juros.
Pronampe Agro SC Emergencial: Subvenciona os juros (3% ao ano) de operações de crédito contratadas pelos agricultores (enquadrados no Pronaf e Pronamp) para recuperação de sistemas produtivos (benfeitorias, embarcações, máquinas e equipamentos danificados). O limite é de R$ 100 mil por família e o prazo de pagamento é de até oito anos.
A equipe técnica da SAR e da Epagri segue em campo para realizar um levantamento detalhado dos prejuízos. Esse relatório será fundamental para definir a extensão das ações de apoio. Os agricultores que precisarem de auxílio podem procurar os escritórios locais da Epagri para encaminhar suas solicitações.
Causas do temporal
Os meteorologistas da Epagri/Ciram, Gilsânia Cruz e Marcelo Martins, explicam que o calor intenso e a chegada de uma frente fria favoreceram a formação de nuvens de tempestade sobre o norte de Santa Catarina, resultando em chuva forte, intensa atividade elétrica (raios) e ventania.
Embora os volumes de chuva tenham variado de 20 a 60 mm no norte do estado, a intensidade foi alta em um curto período de tempo. Em Joinville, por exemplo, foram registrados 41,4 mm de chuva em apenas uma hora. As rajadas de vento registradas nas estações da Epagri/Ciram variaram de 40 a 50 km/h, mas os estragos observados em algumas áreas indicam que podem ter superado esses valores.
A escalada no preço do café deve continuar nas próximas semanas. A previsão é da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), que atribui a alta às condições climáticas adversas e ao aumento da demanda global. Ao mesmo tempo, a colheita da nova safra, prevista para abril ou maio, pode ajudar a estabilizar o mercado.
Em geral, o consumo mundial de café segue em expansão, impulsionado pela entrada da China como novo mercado consumidor. Portanto, segundo a Abic, esse cenário deve manter os preços elevados por mais dois ou três meses. A estabilização pode ocorrer com a chegada da nova safra, mas uma queda significativa nos valores só é esperada a partir de 2026.
Mercado global sente impacto
Desde novembro do ano passado, o café registra valorização expressiva, tanto no Brasil quanto no mercado internacional. O país lidera as exportações globais, respondendo por quase 40% da produção mundial, seguido por Vietnã (17%) e Colômbia. Na Bolsa de Nova York, os contratos de café arábica atingiram recordes históricos. Nesta quarta-feira (5), a cotação bateu US$ 3,97 por libra-peso.
O presidente da Abic, Pavel Cardoso, destaca que a alta também reflete a participação crescente de fundos de investimento no setor. “Essa escalada uma hora vai parar, mas ainda não sabemos quando”, afirmou.
Safras de café afetadas pelo clima
A produção de café enfrenta dificuldades desde 2020. Apesar do recorde naquele ano, os ciclos seguintes foram marcados por perdas. Em 2021, uma forte geada comprometeu cerca de 20% da safra de arábica. No ano seguinte, a lavoura não conseguiu se recuperar. Em 2023, o El Niño trouxe estiagem prolongada e temperaturas elevadas. Já em 2024, o La Niña resultou em chuvas excessivas.
“Isso prejudica a lavoura”, explica Cardoso. A previsão é que a safra deste ano seja ligeiramente menor que a de 2023. O impacto acumulado dos eventos climáticos, somado ao aumento da demanda global, impulsiona a alta dos preços.
Custos elevados pressionam o setor
A indústria do café também enfrenta aumento expressivo nos custos. Segundo a Abic, os gastos com matéria-prima subiram mais de 200%, levando a repasses ao consumidor de aproximadamente 38%. Esse movimento se reflete diretamente nos preços da commodity nas bolsas internacionais.
“A oferta restrita pressiona o mercado. Com a chegada da nova safra, esperamos alguma estabilidade, mas a previsão para 2026 é mais otimista”, avalia Cardoso. A expectativa do setor é que a próxima colheita possa superar o recorde de 2020, elevando a oferta e reduzindo os preços.
Consumo e faturamento crescem
O consumo de café no Brasil cresceu 1,11% entre novembro de 2023 e outubro de 2024, de acordo com a Abic. O país é o segundo maior consumidor mundial da bebida, com 21,9 milhões de sacas em 2024, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
O faturamento da indústria de café torrado no mercado interno atingiu R$ 36,82 bilhões em 2023, um aumento de 60,85% em relação ao ano anterior. O segmento de cafés especiais teve reajuste de 9,8% no período. Além disso, as categorias Gourmet, Superior e Tradicional registraram altas de 16,17%, 34,38% e 39,36%, respectivamente. Cafés em cápsulas também ficaram mais caros, com aumento de 2,07%.
Nos últimos quatro anos, a matéria-prima subiu 224%, enquanto o preço do café no varejo aumentou 110%. Apenas no último ano, a alta foi de 37,4%, bem acima da inflação da cesta básica, que ficou em 2,7%.
A chegada de uma frente fria nesta segunda-feira traz chuvas intensas ao Sul do Brasil, enquanto alivia o calor no Centro-Oeste e Sudeste. Após um final de semana com temperaturas recordes, o fenômeno derruba os termômetros em Mato Grosso do Sul e deve beneficiar outras regiões.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta para chuvas de até 100 milímetros por dia e risco de granizo no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O instituto também aponta o risco de danos em plantações devido à intensidade das precipitações previstas para o início da semana.
Impactos no Rio Grande do Sul
A Emater do Rio Grande do Sul informa que a chuva será moderada a forte nos Campos de Cima da Serra, no Planalto e ao longo da faixa litorânea entre as regiões Metropolitana e Sul. No entanto, a precipitação será fraca em áreas do Planalto, Norte e Metropolitana. O Estado enfrenta um cenário de chuvas abaixo da média, o que tem afetado negativamente as culturas de soja e milho.
De acordo com a Emater, o plantio segue suspenso em locais sem chuva, e muitas lavouras apresentam falhas no estande de plantas. “Essas condições climáticas preocupam os produtores e podem causar perdas irreversíveis nas culturas de verão, principalmente na soja”, destaca o boletim.
As mudanças no clima trazem alívio para regiões afetadas por estiagens prolongadas, mas também exigem atenção aos possíveis danos. O acompanhamento das condições climáticas é essencial para minimizar prejuízos e garantir a segurança dos produtores rurais.
Você não fica sem carne ou aquele churrasco? O governo federal aprovou a primeira lei que regulamenta a reforma tributária. A medida mantém carnes de boi, frango, porco, bode e cabra com alíquota zero no âmbito da cesta básica.
A reforma será implementada gradualmente, começando em 2026 e concluída em 2033. No entanto, especialistas alertam que a isenção tributária não garante preços mais baixos para a carne. O custo da proteína depende de fatores como câmbio, oferta no mercado, renda do consumidor e até eventos climáticos, como secas que afetam os pastos.
Como funciona hoje
Atualmente, as carnes já são isentas de impostos federais, como PIS, Cofins e IPI. O ICMS, tributo estadual, e o ISS, municipal, variam conforme a localidade.
O que mais pesa no preço da carne
Embora os impostos impactem o preço, outros fatores exercem maior influência, segundo analistas. A carne acumulou alta de 20,84% nos últimos 12 meses, segundo o IPCA.
Essa elevação reflete uma menor oferta frente à demanda crescente, além de secas e queimadas que comprometem os pastos. O dólar alto também torna a exportação mais atrativa para produtores, que buscam mercados externos onde os preços são mais competitivos.
O ciclo de produção do gado também interfere no preço. Ou seja, durante períodos de alta, pecuaristas mantêm vacas para reprodução, reduzindo a oferta no mercado. Já em momentos de baixa, mais fêmeas são abatidas, ampliando a disponibilidade de carne e pressionando os preços para baixo.
Apesar de a isenção não significar queda imediata nos preços, a carne pode se tornar mais competitiva em relação a outros produtos. O governo deve taxar os alimentos fora da cesta básica, como o camarão, em até 26,5%. Sem a isenção, o custo das carnes poderia aumentar entre 9% e 10%. Isso porque, até julho, o projeto previa uma alíquota de 10,6% sobre as proteínas.
Controvérsias no Congresso
A inclusão da carne na cesta básica gerou impasses no Congresso. O Ministério da Fazenda era contra a medida, alegando impacto nas contas públicas. No entanto, o presidente Lula defendeu a isenção como parte de sua promessa de campanha.
“Prometi que o povo ia voltar a comer picanha e tomar cerveja”, declarou o presidente em julho. Após resistência no plenário, o governo aceitou incluir a carne na cesta básica para evitar uma derrota no Congresso.