Tag: clima

  • Chuva ajuda a citricultura, mas granizo preocupa produtores

    Chuva ajuda a citricultura, mas granizo preocupa produtores

    A segunda quinzena de novembro elevou a umidade no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo Mineiro.
    As chuvas favoreceram o desenvolvimento das lavouras e indicaram boa condição hídrica nas principais áreas produtoras de citros.

    No entanto, pesquisadores do Cepea alertam para os impactos de ventos fortes e granizos registrados em vários municípios. Esses eventos extremos causaram enfolhamento das plantas e derrubaram frutos e flores em propriedades atingidas. Além disso, as intempéries aumentaram o risco de doenças ao comprometer a estrutura das árvores.

    O problema surge em período decisivo para a colheita da safra 2025/26 e formação da temporada 2026/27.
    Em São Paulo, Avaré, Pratânia e São Manuel registraram granizo nas últimas semanas. Antes disso, essas cidades já haviam enfrentado chuvas intensas acompanhadas por ventos fortes.

    O noroeste paulista também sofreu com instabilidades climáticas e acumulados elevados de precipitações.
    Segundo colaboradores do Cepea, a maior frequência de eventos extremos em 2025 preocupa o setor citrícola.

    Apesar disso, o volume total de chuvas segue considerado adequado nas regiões produtoras. Além do clima úmido, as temperaturas ficaram mais amenas desde o inverno. Esse cenário favoreceu a florada e sustentou o desenvolvimento das plantas. Por isso, técnicos projetam uma safra mais produtiva de citros no cinturão agrícola.
    Até agora, a qualidade dos frutos da safra 2025/26 permanece satisfatória na maioria das regiões.

     

  • Estudo prevê clima de deserto em metade do Nordeste até 2100

    Estudo prevê clima de deserto em metade do Nordeste até 2100

    Um estudo apresentado pelo Centro Estratégico de Excelência em Políticas de Águas e Secas (CEPAS), em parceria com a Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará, projeta que até o final do século o Nordeste brasileiro poderá ter até 99% de seu território sob condições áridas e semiáridas. O levantamento, divulgado no Boletim CEPAS na COP30, indica que o fenômeno da desertificação tende a se intensificar nas próximas décadas, especialmente no interior cearense, caso as emissões de gases de efeito estufa sigam em alta.

    Projeções alarmantes

    Com base em 19 modelos climáticos globais (CMIP6), o estudo avaliou a evolução das classes climáticas de Thornthwaite — que medem o equilíbrio entre temperatura e umidade — sob dois cenários de emissões: o intermediário (SSP2-4.5) e o de altas emissões (SSP5-8.5).

    Os resultados mostram que, mesmo com ações moderadas de mitigação, a área classificada como árida deve saltar de 3% para 26% do Nordeste até 2100, enquanto o semiárido avançará de 43% para quase 60%. Em um cenário extremo, de altas emissões, o quadro é ainda mais grave: o território árido pode alcançar 56,7% da região, e o semiárido, 42,4% — o que representa 99% da área total.

    “O futuro está sob disputa e a COP30 é uma arena importantíssima desta batalha”, afirma o relatório. “O planeta e o semiárido nordestino podem ser diferentes, com menos estresse hídrico, dependendo das decisões tomadas pelos Estados e coletivos humanos.”

    Impactos no Ceará e no semiárido

    O Ceará deve sentir os efeitos antes do restante da região. O estudo aponta que áreas hoje subúmidas — como os sertões dos Inhamuns, o Cariri e o médio Jaguaribe — tendem a se tornar semiáridas já nas próximas duas décadas. “O Ceará apresenta antecipação e intensificação da aridização em relação ao conjunto do Nordeste”, destaca o documento. “Os refúgios altimétricos e litorâneos resistem por mais tempo, mas encolhem e se fragmentam até 2100.”

    Entre as consequências diretas estão a redução da recarga subterrânea, o aumento da intermitência dos rios, a pressão sobre reservatórios. Por fim, a queda na produtividade agrícola. O avanço do clima seco também ameaça a biodiversidade e amplia a vulnerabilidade de comunidades rurais.

    Voz dos cientistas

    Para o professor Alexandre Araújo Costa, da Universidade Estadual do Ceará, o quadro exige urgência. “Identificar as possibilidades e limites de adaptação dos sistemas humanos e naturais em nosso semiárido é uma tarefa urgente”, afirma.

    Foto: Wilson Dias – Agência Brasil

    O engenheiro José Kerlly Soares de Araújo, pesquisador do grupo de risco climático da Universidade Federal do Ceará, reforça a gravidade das projeções: “O avanço da aridez, mesmo sob cenários moderados, evidencia a necessidade de fortalecer políticas públicas antecipatórias e inovar em tecnologias de uso eficiente da água.”

    Chamado à ação

    Além disso, na avaliação do diretor do CEPAS, Francisco de Assis de Souza Filho, o Nordeste é hoje “a fronteira climática do Brasil”. Ele defende que a gestão hídrica precisa se tornar adaptativa, integrando ciência, políticas públicas e comunidades locais.

    O boletim encerra, portanto, com três recomendações principais para os debates da COP30, que será realizada em Belém:

    1. Reconhecer que o processo de aridização é antecipado e amplamente corroborado por evidências científicas;

    2. Basear as respostas em ciência e gestão integrada dos recursos hídricos;

    3. Planejar a adaptação de forma territorial, com foco especial no semiárido nordestino.

    “Os sistemas de recursos hídricos devem se preparar para maior pressão de escassez”, conclui o estudo. Ou seja, “A adaptação precisa ser rápida, integrada e territorialmente focalizada.”

  • La Niña provoca alerta no agronegócio para safrinha do milho

    La Niña provoca alerta no agronegócio para safrinha do milho

    O fenômeno climático La Niña, embora de baixa intensidade, permanece com duração prolongada e acende um alerta para o agronegócio brasileiro. A atual configuração deve perdurar até o início do outono de 2026, impactando diretamente o plantio da soja e a segunda safra do milho.

    Isabella Pliego, analista da Biond Agro, destaca que, mesmo fraco, o La Niña gera efeitos significativos devido à sua coincidência com um momento de transição climática e alta sensibilidade agrícola. “O potencial de duração amplia o impacto estratégico para a produção”, ressalta.

    Modelos do CPC/NOAA indicam aproximadamente 55% de chance de transição para neutralidade entre janeiro e março de 2026. Os efeitos mais fortes devem ocorrer entre dezembro e fevereiro, fase crítica para o desenvolvimento da soja, milho e algodão.

    O fenômeno já apresenta sinais claros: o resfriamento do Pacífico, associado ao aquecimento anômalo do Atlântico Sul, reforça o padrão de chuvas irregulares e temperaturas elevadas no Centro-Sul, enquanto Norte e Nordeste devem receber chuvas acima da média.

    Regiões

    No Centro-Oeste e partes do Sudeste, a combinação climática tem favorecido a regularização das chuvas e temperaturas amenas, beneficiando o avanço do plantio da soja. Conforme dados do IMEA, Mato Grosso já semeou mais de 60% da área prevista em outubro, superando a média histórica.

    Já o Norte e Nordeste devem observar melhora no recarregamento hídrico e recuperação das pastagens, enquanto o Sul do Brasil enfrenta chuvas irregulares e episódios de veranico, reduzindo a umidade do solo. A região sul, sobretudo Rio Grande do Sul e oeste de Santa Catarina, corre risco de queda na produtividade da soja e do milho de primeira safra, principalmente se as estiagens coincidirem com o florescimento e enchimento dos grãos.

    A volatilidade dos preços no mercado de grãos costuma aumentar durante anos La Niña. Quebras no Sul do Brasil e na Argentina podem valorizar prêmios de exportação, abrindo oportunidades para o Brasil.

    Para mitigar riscos, especialistas recomendam estratégias integradas, como travar preços gradualmente, contratar seguro agrícola nas áreas mais vulneráveis e avaliar fixações cambiais. “Equilibrar preço, câmbio, seguro e manejo garante estabilidade até o fim da safra”, orienta Pliego.

    “O sucesso da safra depende do equilíbrio entre clima, manejo e gestão. Com informação e planejamento, o La Niña pode se transformar em oportunidade de eficiência e rentabilidade,” conclui a analista da Biond Agro.

  • Clima instável aumenta riscos de doenças nas lavouras de milho, feijão e algodão

    Clima instável aumenta riscos de doenças nas lavouras de milho, feijão e algodão

    A combinação de dias quentes, noites frias e a alternância entre períodos de seca e umidade tem criado um ambiente propício para o surgimento e o agravamento de doenças em lavouras de milho, feijão e algodão. Essas condições climáticas exigem maior vigilância dos produtores rurais para evitar prejuízos significativos.

    Conforme a professora Adriana Matos, do curso de Agronomia da Una Jataí, o clima atual favorece o desenvolvimento de patógenos que exploram o estresse das plantas. “Algumas doenças se instalam justamente quando a planta está mais vulnerável. A mancha branca no milho, por exemplo, é típica deste período com noites mais frias, especialmente em milhos semeados mais tarde”, explica.

    Entre as doenças mais frequentes na estação estão o mofo branco, que afeta feijão e algodão, e a mancha branca no milho. Outro alerta é a ramulária no algodão, que se desenvolve em condições de umidade noturna elevada causadas pelo orvalho e dias quentes. A doença começa na parte inferior da planta, local de difícil alcance para fungicidas, prejudicando a qualidade e a produtividade da fibra.

    As recentes chuvas salvaram muitas lavouras, porém aumentaram a umidade, favorecendo a proliferação de fungos e outras doenças. Além disso, o avanço do bicudo-do-algodoeiro tem causado estragos na safra atual, especialmente pela falta de controle das plantas tigueras, que funcionam como ponte para a praga. A ausência de manejo adequado no ano passado facilitou a chegada precoce e em grande número desse inseto.

    Foto: Adriana Matos/Divulgação

    Para minimizar prejuízos, a recomendação é atuar preventivamente, monitorando sinais iniciais nas lavouras. Conhecer o híbrido ou cultivar é fundamental, pois alguns são mais sensíveis a doenças. Aplicar defensivos antes do surgimento de sintomas visuais e acompanhar a evolução das infecções são medidas essenciais.

    A professora Matos reforça a importância do manejo integrado de pragas e doenças, destacando a rotação de técnicas e produtos para evitar resistência. “As mudanças climáticas têm antecipado o aparecimento das doenças e dificultam o controle, pois nem sempre o clima permite a aplicação ideal dos produtos”, alerta. A antecipação, o monitoramento constante com armadilhas e o manejo adaptado às condições são chave para garantir a saúde das plantas e a produtividade das lavouras.

  • Clima seco mantém risco de queimadas no interior paulista

    Clima seco mantém risco de queimadas no interior paulista

    A Defesa Civil de São Paulo reforçou neste domingo (7) o alerta para queimadas. O interior do estado segue em condições críticas. A massa de ar seco persiste sobre o interior do país. A fraca intensidade da massa polar não conseguiu mudar o cenário.

    O alerta da Defesa Civil classifica como emergencial o risco em todo o norte, nordeste, noroeste e oeste paulistas até quinta-feira (11). Na sexta-feira (12), a situação deve melhorar. O nível deve cair para alerta em grande parte do estado e risco alto em Campinas. O padrão da Defesa Civil tem quatro níveis: baixo, alto, alerta e emergência. Este último representa maior perigo de incêndios.

    Outros estados

    Além de São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Tocantins e Bahia enfrentam baixa umidade. O Inmet registrou índices abaixo de 12% neste domingo. O órgão recomenda cuidados extras com incêndios e atenção à saúde, especialmente de crianças e adolescentes expostos ao ar seco.
    Desde maio, o interior paulista permanece sob risco de queimadas. No entanto, 2025 registra queda de 70% nos focos em relação a anos anteriores. As condições de umidade mais favoráveis e a ação preventiva dos bombeiros e da Defesa Civil contribuíram para esse resultado.

    No Brasil, estados também reduziram focos e áreas queimadas em comparação a 2023 e 2024, considerados anos atípicos. Equipes nacionais e estaduais intensificaram ações conjuntas de combate e fiscalização. O aumento das penas contra queimadas ilegais reforçou os resultados positivos.

  • Clima reduz safra de azeite no RS em 2025, mas setor espera crescer

    Clima reduz safra de azeite no RS em 2025, mas setor espera crescer

    A produção de azeite de oliva no Rio Grande do Sul recuou em 2025. O estado, que responde por 80% do azeite nacional, produziu 190,3 mil litros. O número representa uma queda significativa frente aos 580,2 mil litros de 2023. Problemas climáticos explicam a baixa produtividade.

    A informação é do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). A entidade divulgou os dados nesta segunda-feira (1º/09), durante a Expointer, em Esteio (RS). Apesdo do recuo, o setor projeta uma forte retomada nos próximos ciclos.

    O excesso de umidade no Sul do país prejudicou a safra gaúcha. A expectativa inicial para 2024 era atingir 1 milhão de litros em todo o Brasil. A produção nacional ficou em 343 mil litros, puxada principalmente por São Paulo e Minas Gerais.

    O frio intenso dos últimos meses, no entanto, trouxe otimismo. “O clima recente favoreceu os pomares. Agora precisamos que a chuva não atrapalhe na florada”, disse Flávio Obino Filho, presidente do Ibraoliva. Santa Catarina e Paraná surgem como novos polos de produção, impulsionando a expansão da olivicultura no país.

    Pesquisa é o maior desafio

    O Brasil cultiva atualmente 10 mil hectares de oliveiras. Metade dessa área já está em produção plena. O maior gargalo para o crescimento do setor, segundo Obino Filho, é a falta de investimento em pesquisa.

    “Produtores desenvolvem suas próprias pesquisas. Queremos parcerias público-privadas e com universidades”, explicou. A variedade Arbequina, de origem espanhola, é a que melhor se adaptou ao Brasil. Ela é a base para a produção de azeites puros ou blends.

    Olivoturismo: potencial adormecido

    O setor também enxerga no turismo uma grande oportunidade. O “olivoturismo” já é realidade em cidades como Sant’Ana do Livramento (RS), que possui a Rota das Oliveiras. Encruzilhada do Sul, dona da maior área de cultivo do estado, também planeja desenvolver a atividade.

    O coordenador do Programa Pró-Oliva da Secretaria de Agricultura do RS, Paulo Lipp João, vê um potencial enorme. “É um potencial ainda adormecido. Podemos criar rotas turísticas muito interessantes em municípios como Encruzilhada, Pelotas e Bagé”, observou.

    Para fomentar o setor, o Ibraoliva promove em dezembro, em Bagé (RS), o Seminário Binacional e o 6º Encontro Estadual de Olivicultura. O evento trará especialistas e produtores do Uruguai, cujas pesquisas servem de referência para a região da Campanha e Fronteira Oeste gaúchas.

  • Clima favorece lavouras de trigo no RS

    Clima favorece lavouras de trigo no RS

    As lavouras de trigo no Rio Grande do Sul entraram na fase reprodutiva com condições climáticas ideais. Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado nesta quinta-feira (14/08), 4% da área já está florescendo, enquanto 96% permanece em desenvolvimento vegetativo.

    Chuvas regulares, aliadas a períodos de sol intenso e temperaturas baixas desde julho, garantem um crescimento mais vigoroso das plantas. As lavouras exibem coloração verde intensa e densidade populacional adequada, com número de afilhos superior ao da safra passada – sinal de maior potencial produtivo.

    Adubação e manejo reforçam produtividade

    Os agricultores finalizam a adubação nitrogenada, etapa crucial para suprir as necessidades nutricionais do trigo. Em áreas com desenvolvimento inicial lento, a umidade do solo em níveis ideais acelerou a recuperação.

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    O estado fitossanitário das lavouras é excelente, sem pragas ou doenças significativas. O controle de plantas daninhas segue o calendário técnico, evitando competição por recursos. Aplicações preventivas de fungicidas também avançam, especialmente em regiões que já iniciaram a floração.

    A Emater/RS-Ascar projeta uma área cultivada de 1.198.276 hectares no estado, com produtividade estimada em 2.997 kg/ha. Se as condições atuais se mantiverem, a safra pode superar as expectativas.

     

  • Geada Negra completa 50 anos: conheça essa tragédia

    Geada Negra completa 50 anos: conheça essa tragédia

    Neste 18 de julho de 2025, o Paraná relembra os 50 anos da Geada Negra, um dos eventos climáticos mais marcantes de sua história. O fenômeno, registrado em 1975, destruiu cerca de 60% dos cafezais do estado — na época, o maior produtor de café do Brasil — e acelerou uma profunda mudança no perfil agrícola regional. A data, símbolo do fim do ciclo do café paranaense, também representa o início de um novo capítulo marcado pela diversificação produtiva e pela modernização do agronegócio paranaense.

    Na madrugada de 18 de julho de 1975, temperaturas negativas surpreenderam agricultores e autoridades. Segundo relatos de Eugênio Stefanelo, então diretor do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, a catástrofe já era prevista na véspera por causa da queda abrupta nas temperaturas. O saldo da geada foi devastador: cerca de 1,1 milhão de hectares dos 1,8 milhão de hectares plantados de café foram perdidos. O Paraná, que atingira 21,3 milhões de sacas e tinha 64% da produção nacional de café, perderia rapidamente protagonismo no setor.

    Foto: Arquivo MIS/PR

    Em 1975, a produção estadual chegou a 10,2 milhões de sacas, metade da safra nacional na época. O efeito negativo, porém, se consolidou nos anos seguintes. A participação paranaense foi caindo sucessivamente, para menos de 10% nos anos 1990, 5% nos anos 2000 e apenas 3% na década seguinte.

    Diversificação e novos caminhos para a agricultura paranaense

    O fim da hegemonia cafeeira levou o Paraná a se reinventar. A partir da catástrofe climática, agricultores se viram forçados a diversificar a produção. Os campos deram lugar à soja e outros grãos, o setor de hortifruticultura se fortaleceu e cadeias de proteína animal, como avicultura e suinocultura, cresceram significativamente. Segundo Stefanelo, o processo de diversificação permanece até hoje, inclusive com cafeicultores remanescentes focados na produção de cafés especiais.

    Atualmente, a safra de café paranaense é de cerca de 718 mil sacas (43,1 mil toneladas) em uma área de 25,4 mil hectares, apenas 1% da colheita nacional. O Valor Bruto de Produção (VBP) do café no Paraná somou R$ 1,13 bilhão em 2024, equivalente a 0,6% da renda agropecuária estadual.

    A principal região produtora do estado é o Norte Pioneiro, com duas indicações geográficas (IG): Café do Norte Pioneiro do Paraná e Café de Mandaguari, reconhecidos nacionalmente pela qualidade. O município de Carlópolis destaca-se, sendo responsável por 25% da produção estadual. De acordo com o Deral, cerca de 30% da produção paranaense já se encaixa na categoria de cafés especiais em safras favoráveis.

    Evolução do café paranaense: qualidade, exportação e inclusão

    O Paraná também investiu em diferenciação de mercado. O Concurso Café Qualidade Paraná, que chega à 22ª edição em 2025, apoia a excelência do produto local. Ainda há o incentivo à participação feminina, com projetos como o “Mulheres do Café” do IDR-Paraná, que promovem não só a produção, mas também agregação de valor e turismo rural.

    Nas exportações, o Paraná enviou 21,8 mil toneladas de café verde e 33 mil toneladas de café solúvel ao exterior em 2024, o que gerou US$ 433 milhões. O desempenho segue positivo em 2025, apesar das preocupações com tarifas americanas.

    Geada Negra e mudanças climáticas

    Fenômenos de geada negra — fruto de massas polares secas que queimam as plantas pelo frio extremo — não são exclusivos do passado. O Paraná segue sujeito a eventos climáticos extremos e investe em monitoramento e tecnologia para minimizar os impactos. Em 2021, por exemplo, outra sequência de geadas prejudicou culturas como o milho e o café, lembrando a fragilidade da agricultura diante das mudanças climáticas.

    Cinquenta anos depois, a Geada Negra segue como marco na memória coletiva dos agricultores e inspiração para estratégias de enfrentamento de desafios ambientais.

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  • Alerta – Frio extremo ameaça colheita de café e cana

    Alerta – Frio extremo ameaça colheita de café e cana

    O avanço de frentes frias intensas no Centro-Sul do Brasil preocupa produtores de café e cana-de-açúcar, que enfrentam riscos elevados de prejuízo com a chegada de geadas e temperaturas mínimas. Segundo levantamento da StoneX, eventos climáticos extremos como esses afetam diretamente o metabolismo das plantas, comprometendo a produtividade e a qualidade das safras.

    A intensidade dos danos provocados pelo frio depende de fatores microclimáticos, como topografia do terreno, posição das lavouras e umidade local.

    Carolina Jaramillo Giraldo, Analista de Inteligência de Mercado. Foto: Divulgação Stone X

    “Também influenciam fatores climáticos de grande escala, como os fenômenos El Niño/La Niña e a Oscilação Antártica, que interferem de forma significativa nas condições do tempo no Brasil”, explica a analista de Inteligência de Mercado, Carolina Jaramillo Giraldo.

    Cana-de-açúcar: prejuízo imediato e colheita antecipada

    No caso da cana-de-açúcar, temperaturas abaixo de 5 °C ocorrem ao menos uma vez por ano em grande parte do Centro-Sul. Áreas produtoras do Mato Grosso, por exemplo, registram até sete dias anuais com frio intenso. Quando os termômetros se aproximam de 0 °C, os produtores enfrentam queima de folhas, morte de gemas, paralisação do crescimento e queda na qualidade industrial e produtividade.

    Após a geada, a necessidade de colheita imediata compromete o rendimento, pois muitas vezes a cana ainda não atingiu o ponto ideal. “Na safra 2021/22, a produtividade já vinha em queda devido à estiagem. Com as geadas e, posteriormente, incêndios em agosto, a quebra foi ainda maior. A moagem final ficou em 524,1 milhões de toneladas — cerca de 60 milhões abaixo da expectativa inicial de 580 milhões”, pontua o analista de Inteligência de Mercado, Marcelo Di Bonifácio Filho.

    Marcelo Di Bonifácio Filho, Analista de Inteligência de Mercado. Foto: Divulgação Stone X

    Regiões como o noroeste do Paraná, sudeste de Mato Grosso do Sul e sul de São Paulo apresentam mais de 90% de chance de registrar temperaturas abaixo de 5 °C ao menos uma vez por ano. Áreas do Triângulo Mineiro, centro de Minas Gerais e oeste de Goiás também enfrentam riscos semelhantes.

    Café: histórico de perdas e risco de queda na produção

    A cultura do café arábica já sofreu severamente com geadas ao longo da história. O frio intenso pode causar estresse térmico, abortamento floral e queda expressiva na produção, como ocorreu em 2022.

    “Em 2022, o potencial de produção era de 50 milhões de sacas, mas foram colhidas apenas 39,8 milhões, cerca de 20% abaixo do esperado. Isso teve impacto direto nos preços internacionais”, explica o gerente de Inteligência de Mercado do grupo, Fernando Maximiliano.

    Fernando Maximiliano, Gerente de Inteligência de Mercado. Foto: Divulgação Stone X

    Regiões como sul de Minas, noroeste do Paraná e sul de São Paulo apresentam mais de 90% de probabilidade de registrar ao menos um dia por ano com temperaturas abaixo de 5 °C. Em áreas de altitude no extremo sul de Minas Gerais, o risco de frio intenso é ainda maior, com até 18 dias anuais de temperaturas mínimas abaixo desse patamar em pontos específicos.

    O frio reduz a fotossíntese e coloca as plantas em estado de “hibernação metabólica”, limitando o crescimento e a formação de gemas florais. Quando o frio ocorre durante a florada, o risco de abortamento floral aumenta, dificultando a previsão de perdas.

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  • Saiba como será o clima em junho no Brasil

    Saiba como será o clima em junho no Brasil

    O mês de junho será marcado por contrastes no clima brasileiro. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão indica chuvas acima da média no Norte do país, no leste do Nordeste e no Rio Grande do Sul.

    No Norte, os maiores volumes devem ocorrer na faixa norte da região. Já no Nordeste, as chuvas se concentram no norte do Maranhão, Piauí e Ceará, além da faixa leste que vai da Paraíba a Sergipe. Em geral, nesses locais, os acumulados podem ultrapassar 80 milímetros.

    Por outro lado, o interior do Nordeste tende a receber pouca chuva. No oeste da Bahia, sul do Maranhão e do Piauí, os volumes devem ficar abaixo de 60 milímetros, com possibilidade de dias consecutivos sem precipitações.

    No Centro-Oeste e Sudeste, a tendência é de chuvas próximas ou abaixo da média. Em resumo, a previsão aponta acumulados inferiores a 100 milímetros. Ao mesmo tempo, em Mato Grosso do Sul e São Paulo, por exemplo, os volumes variam entre 30 e 80 milímetros.

    No Sul do país, a situação será distinta entre os estados. No Paraná e Santa Catarina, as chuvas devem ficar abaixo da média histórica. Já no Rio Grande do Sul, os volumes previstos podem ultrapassar 140 milímetros.

    Impacto nas lavouras

    A previsão de chuvas acima da média no leste do Nordeste favorece o cultivo do feijão e do milho terceira safra na região do Sealba (Sergipe, Alagoas e Bahia). Em contrapartida, a redução das chuvas no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) pode afetar o milho segunda safra, principalmente durante a fase de floração, que exige mais água.

    No Centro-Oeste e Sudeste, o clima deve beneficiar culturas em fase de maturação. A previsão indica condições favoráveis para a colheita da cana-de-açúcar e do café. Em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, o trigo e o milho segunda safra não devem sofrer impactos negativos.

    Na Região Sul, as chuvas abaixo da média no Paraná e em Santa Catarina devem ajudar na finalização da colheita do feijão e de cultivos da primeira safra.

    Temperaturas acima da média

    As temperaturas tendem a ficar acima da média em boa parte do país. No entanto, nas regiões Norte e Nordeste, os termômetros devem registrar valores entre 25°C e 28°C, dentro da média histórica.

    Mesmo com a previsão de calor no centro-sul do país, algumas áreas devem registrar temperaturas abaixo de 20°C. Isso inclui o centro-sul de Minas Gerais, o leste de São Paulo e o sul de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

    Além disso, regiões de maior altitude no Sul e Sudeste podem enfrentar quedas bruscas de temperatura com a chegada de massas de ar frio. Em alguns pontos, os termômetros podem marcar menos de 15°C.

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