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  • Própolis de abelha da Amazônia cicatriza feridas e reduz inflamação

    Própolis de abelha da Amazônia cicatriza feridas e reduz inflamação

    Um estudo recente conduzido por cientistas da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e da Universidade Federal do Pará (UFPA) revelou que um creme formulado com própolis produzida por abelhas sem ferrão nativas da Amazônia apresenta fortes propriedades cicatrizantes e anti-inflamatórias. A própolis, extraída da abelha-canudo (Scaptotrigona aff. postica), mostrou resultados em cobaias de laboratório semelhantes aos de pomadas cicatrizantes comerciais.

    O creme à base dessa própolis não apenas acelerou a recuperação das feridas, como também reduziu a inflamação e promoveu uma regeneração tecidual de melhor qualidade em comparação a produtos disponíveis no mercado. Essa pesquisa destaca o potencial farmacêutico de um bioproduto tradicionalmente utilizado pelas populações amazônicas desde a antiguidade.

    Publicado na revista científica Molecules, o artigo “Healing Activity of Propolis of Stingless Bee (Scaptotrigona aff. postica), Reared in Monoculture of Açaí (Euterpe oleracea)” representa um esforço conjunto de instituições da Região Norte para valorizar os recursos naturais da biodiversidade amazônica.

    Influência do açaí na qualidade da própolis

    A abelha-canudo é reconhecida pela eficiência na polinização do açaizeiro. A pesquisa originou-se da observação da frequência dessa abelha nas flores de açaí. O professor Nilton Muto, da UFPA, explica que a grande produção de própolis pelas abelhas-canudo levantou a hipótese de que o ambiente de cultivo do açaí influencia a qualidade do produto.

    A própolis resulta da combinação de resinas vegetais, pólens coletados pelas abelhas e cera produzida por elas. Embora a origem exata das substâncias da própolis estudada não tenha sido determinada, os pesquisadores acreditam que o cultivo de açaí contribuiu para a uniformidade química da própolis. A palmeira do açaí (Euterpe oleracea) contém altos níveis de compostos fenólicos e antocianinas, reconhecidos por sua potente ação antioxidante.

    Análises químicas mostraram que a própolis da abelha-canudo coletada em áreas de açaí apresenta elevada concentração de compostos bioativos, essenciais para a promoção da saúde humana. A quantidade de compostos fenólicos superou em mais de 20 vezes o limite mínimo estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), enquanto os flavonoides ultrapassaram quase quatro vezes o índice mínimo regulamentar.

    Resultados detalhados da cicatrização

    Na avaliação macroscópica, o creme de própolis e a pomada comercial reduziram igualmente o tamanho das feridas. Porém, a análise microscópica revelou que o tratamento com própolis acelerou a recuperação das fibras colágenas tipo 1 e 3 e diminuiu a inflamação local. Essas fibras oferecem suporte estrutural ao tecido em regeneração, e a menor inflamação facilita a cicatrização. Os pesquisadores atribuem esses benefícios aos compostos bioativos presentes na própolis da abelha-canudo.

    Amostras apresentaram altas concentrações de compostos bioativos, como flavonoides e fenólicos. Fotos: Vinícius Braga/Embrapa

    Até hoje, nenhum creme à base de própolis oriundo de cultivo de açaí havia sido descrito. Esse biofármaco apresenta vantagens como menor risco de efeitos colaterais, baixa presença de resíduos químicos e uso reduzido de conservantes.

    Características e importância da abelha-canudo

    A própolis protege a colmeia contra microrganismos e invasores, cobrindo frestas e isolando o ambiente. Diferente de outras abelhas nativas amazônicas, como a uruçu-amarela e a uruçu-cinzenta, a abelha-canudo não utiliza barro em sua própolis, evitando contaminantes do solo.

    Essa abelha é uma polinizadora eficiente do açaí, visitando flores masculinas e femininas, o que a torna essencial para a produtividade do cultivo. A meliponicultura, criação de abelhas sem ferrão, cresce na região incentivada pela cadeia produtiva do açaí.

    No experimento, os pesquisadores instalaram caixas com abelhas-canudo em um raio de 450 metros no interior das plantações de açaí. O voo das abelhas para coleta de alimento alcançou até 300 metros, indicando forte influência do ambiente de açaí na produção da própolis.

    Perspectivas para produção e novos estudos

    Pesquisas futuras devem identificar os indivíduos mais aptos para produção de própolis e as melhores práticas de manejo para ampliar a escala do produto. Como a produção por colmeia é pequena, muitos produtores seriam necessários para viabilizar comercialmente a própolis.

    Além da própolis, o pólen coletado e processado pela abelha-canudo também apresenta alto valor nutricional, rico em aminoácidos. O mel produzido por essa espécie ainda não alcança quantidade comercial, mas apresenta diferenciais importantes em relação aos méis convencionais.

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  • Desmatamento no Brasil cai 32,4% em 2024, segundo MapBiomas

    Desmatamento no Brasil cai 32,4% em 2024, segundo MapBiomas

    O Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD) divulgado em 15 de maio pela iniciativa MapBiomas Alerta revela queda no desmatamento em cinco dos seis biomas brasileiros em 2024: Pantanal, Pampa, Cerrado, Amazônia e Caatinga. A Mata Atlântica foi a única exceção, mantendo-se estável em relação a 2023, apesar dos impactos dos eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul.

    A área total desmatada no país somou 1.242.079 hectares, representando uma redução de 32,4% em comparação com 2023. O número de alertas validados caiu 26,9%, totalizando 60.983 registros no ano passado.

    Redução do desmatamento por bioma em 2024 (comparado a 2023):

    • Pantanal: queda de 58,6%
    • Pampa: queda de 42,1%
    • Cerrado: queda de 41,2%
    • Amazônia: queda de 16,8%
    • Caatinga: queda de 13,4%
    • Mata Atlântica: aumento de 2%

    O Pantanal e o Pampa lideraram as maiores reduções, seguidos pelo Cerrado, Amazônia e Caatinga. A Mata Atlântica apresentou leve crescimento devido aos desmatamentos provocados por eventos climáticos extremos, que, sem esses impactos, teriam resultado em uma redução de 20% na área desmatada.

    Cerrado: maior área desmatada

    Pelo segundo ano consecutivo, o Cerrado concentrou a maior área desmatada no país, com 652.197 hectares, o que corresponde a 52,5% do total nacional. A região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) concentrou 75% do desmatamento no Cerrado e cerca de 42% da perda total de vegetação nativa no Brasil. Apesar disso, o desmatamento no Cerrado caiu 40% em relação a 2023. O Maranhão lidera o ranking estadual, com 218.298,4 hectares desmatados, uma redução de 34,3%.

    Amazônia: segunda maior área desmatada

    A Amazônia registrou 377.708 hectares desmatados, representando 30,4% do total nacional. Essa área é a menor desde o início da série histórica do RAD em 2019. Juntos, Cerrado e Amazônia responderam por quase 89% da área desmatada em 2024.

    Outros biomas

    A Caatinga ocupou o terceiro lugar em área desmatada, com 174.511 hectares (14%). Pantanal e Mata Atlântica representaram 1,9% (23.295 hectares) e 1,1% (13.472 hectares), respectivamente. O Pampa teve a menor área desmatada, com 896 hectares (0,1%). Sistemas de detecção por sensoriamento remoto ainda enfrentam limitações em ambientes campestres, podendo subestimar o desmatamento no Pampa e Pantanal.

    Terras Indígenas e Unidades de Conservação

    Dois terços das Terras Indígenas (TIs) não registraram desmatamento em 2024. Apenas 33% das TIs tiveram algum evento, totalizando 15.938 hectares perdidos, uma redução de 24% em relação a 2023, equivalente a 1,3% do total desmatado no país. As Unidades de Conservação (UCs) perderam 57.930 hectares, uma queda de 42,5%. Em UCs de Proteção Integral, a redução foi de 57,9%, com 4.577 hectares desmatados. A APA Triunfo do Xingu (PA) foi a UC com maior área desmatada, com 6.413 hectares, 31,7% menos que em 2023.

    O MapBiomas Alerta consolida, valida e refina dados de diversos sistemas de monitoramento do desmatamento no Brasil, como o Deter (Inpe) e os Sistemas de Alerta de Desmatamento (SADs) do Imazon, SOS Mata Atlântica-ArcPlan e Pampa/UFRGS/Geokarten. Cada alerta recebe análise detalhada com imagens de satélite em alta resolução, mostrando o antes e depois do desmatamento. Os laudos cruzam informações geográficas, fundiárias e administrativas para fornecer documentos completos sobre cada evento detectado.

    Resumo dos principais dados de 2024:

    • Redução de 32,4% na área desmatada em relação a 2023
    • Queda de 26,9% no número de alertas validados
    • Maior desmatamento concentrado no Cerrado e Amazônia (89% do total)
    • Pantanal e Pampa com maiores quedas percentuais
    • Estabilidade na Mata Atlântica, afetada por eventos climáticos extremos
    • Redução significativa do desmatamento em Terras Indígenas e Unidades de Conservação

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  • Ibama apreende 4 toneladas de pescado ilegal no Amazonas

    Ibama apreende 4 toneladas de pescado ilegal no Amazonas

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreendeu mais de 4 toneladas de pescado ilegal durante a Operação Gaspar. As equipes realizaram a operação na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu-Purus, localizada a 223 quilômetros de Manaus (AM). A ação, que contou com apoio da Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas (SEMA/AM) e do Batalhão de Policiamento Ambiental, resultou na aplicação de R$ 464 mil em multas ambientais e reforça o combate à pesca predatória na região.

    Entre o pescado apreendido, três toneladas eram de pirarucu. A espécie é protegida e listada na Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (Cites), o que evidencia a gravidade da infração ambiental. No total, os fiscais emitiram 15 autos de infração. Eles também doaram todo o pescado recolhido à comunidade local, com o objetivo de minimizar os impactos sociais e ambientais da atividade ilegal.

    RDS Piagaçu-Purus

    A RDS Piagaçu-Purus abrange cerca de 1 milhão de hectares nos municípios de Beruri, Anori, Tapauá e Coari.  Sendo considerada estratégica para a conservação de ecossistemas de várzea e terra firme na Amazônia. A operação fiscalizou embarcações, flutuantes e suspeitos de envolvimento com práticas ilegais, reforçando o compromisso das autoridades ambientais com a proteção da biodiversidade regional.

    A Operação Gaspar destaca a importância da atuação integrada entre órgãos ambientais e forças de segurança para coibir crimes ambientais e preservar espécies ameaçadas, como o pirarucu, além de promover o uso sustentável dos recursos naturais na Amazônia

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  • Embrapa: cultivo sustentável de açaí-solteiro

    Embrapa: cultivo sustentável de açaí-solteiro

    A Embrapa lançou um novo protocolo de produção de mudas que promete transformar o cultivo do açaí-solteiro (Euterpe precatoria Mart.) em uma atividade agrícola planejada, sustentável e economicamente viável na Amazônia. A tecnologia, fruto de sete anos de pesquisas conduzidas pela Embrapa Acre, atende à crescente demanda por frutos dessa espécie nativa, com foco em produtores, viveiristas e técnicos da região que enfrentam desafios na implantação de pomares comerciais.

    Ao viabilizar a produção de mudas com alto padrão sanitário e vigor, adaptadas às condições amazônicas e mais resistentes a doenças como a antracnose — principal patógeno da cultura —, o protocolo oferece uma alternativa concreta ao extrativismo, ainda predominante em estados como Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima. A iniciativa favorece o uso de áreas já alteradas e contribui para a conservação da biodiversidade, fortalecendo a bioeconomia regional.

    Solução para um gargalo produtivo

    Segundo a pesquisadora Aureny Lunz, da Embrapa Acre, o cultivo do açaí-solteiro ainda se baseia em técnicas desenvolvidas para o açaí-de-touceira (Euterpe oleracea), espécie de comportamento distinto quanto ao crescimento, exigências climáticas e tipo de solo. Isso compromete o desempenho das plantas e torna os cultivos mais vulneráveis a doenças.

    “Ao reunir informações técnicas específicas para o açaí-solteiro, o protocolo permite a produção de mudas mais vigorosas e resistentes, garantindo maior produtividade e sustentabilidade dos pomares”, afirma a pesquisadora.

    Pesquisa detalhada e orientada para o produtor

    O estudo integrou o projeto “Tecnologias para cultivo racional de açaizeiro”, iniciado em 2016. E avaliou diferentes tipos de recipientes, substratos, níveis de sombreamento, estratégias de adubação e controle fitossanitário, tanto em viveiro quanto em campo. A análise resultou em recomendações que otimizam o desempenho das mudas e reduzem perdas.

    Oferta de mudas de qualidade de açaí-solteiro permitirá a implantação de cultivos comerciais sustentáveis. Foto: Mauricilia Silva/Embrapa

    O pesquisador Romeu Andrade Neto, da Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE), destaca que a espécie apresenta crescimento lento e exige até 14 meses para formar mudas aptas ao plantio. “Identificamos que substratos mais leves, sombreamento de 65% a 75% e fertilizantes de liberação controlada promovem maior sobrevivência e encurtam o ciclo de produção”, explica.

    As recomendações técnicas estão detalhadas na publicação “Recomendações para a Produção de Mudas de Açaizeiro-Solteiro”, que aborda desde o planejamento do viveiro até o manejo de sementes, pragas e doenças.

    Experiências de sucesso no campo

    Produtores já começam a colher resultados positivos com a adoção do protocolo. Em Vila Extrema, na divisa entre Acre e Rondônia, o agricultor Loy Maleski cultiva o açaí-solteiro em dez hectares. A produção atinge duas mil latas de frutos por safra, equivalentes a 30 toneladas de polpa comercializadas com agroindústrias da região.

    “Ao buscar informações adequadas para o cultivo, consegui dobrar o rendimento de polpa por lata em relação ao açaí-de-touceira”, relata Maleski. Para ele, o uso de mudas de qualidade, combinado a práticas de irrigação e adubação, é essencial para o sucesso da atividade.

    Vantagens da tecnologia

    Entre os principais benefícios da nova metodologia estão:

    • Uniformidade e produtividade: Mudas vigorosas promovem cultivos mais homogêneos e produtivos;
    • Sustentabilidade: Reduz a pressão sobre as florestas nativas e favorece o uso de áreas degradadas;
    • Controle fitossanitário: Técnicas adequadas diminuem a incidência de doenças;
    • Expansão da cultura: Permite maior escala de produção e planejamento da colheita.

    Como o açaí-solteiro não se multiplica por perfilhamento, a propagação depende exclusivamente de sementes. Aureny Lunz reforça que a escolha correta do material genético é determinante para garantir mudas de alta qualidade e produtividade.

    Perspectivas para a bioeconomia amazônica

    O açaí-solteiro já representa 93% da polpa processada por agroindústrias no Acre e Amazonas, mas o plantio comercial ainda é incipiente. Para o engenheiro florestal Vicente de Paula Simões, da Secretaria de Agricultura do Acre (Seagri), a ampliação da produção de mudas com base científica pode alavancar o setor e consolidar a cultura como fonte de renda e conservação ambiental.

    “O fortalecimento dessa cadeia produtiva depende da adoção de práticas tecnológicas que garantam qualidade e produtividade. Além da inserção do produto no mercado nacional e internacional”, observa Simões.

    Novos desafios para a pesquisa

    No município de Anori (AM), onde mais de 90% das plantações são de açaí-solteiro, os resultados já demonstram o potencial da cultura. A Embrapa trabalha agora na criação de um programa de melhoramento genético da espécie, com foco em produtividade, qualidade da polpa, menor altura das plantas e precocidade.

    A pesquisadora Maria do Rosário Lobato Rodrigues, da Embrapa Amazônia Ocidental, destaca que a produção de mudas com alto padrão pode beneficiar tanto áreas de cultivo quanto populações nativas em regime extrativista. “Reduzir a taxa de replantio, garantir precocidade e minimizar perdas são estratégias-chave para ampliar a rentabilidade e consolidar a cadeia do açaí-solteiro na Amazônia”, conclui.

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  • IA identifica mais de 600 castanheiras nativas  na Amazônia

    IA identifica mais de 600 castanheiras nativas  na Amazônia

    O uso de inteligência artificial (IA) e drones vem revolucionando os inventários florestais na Amazônia. Em um sobrevoo de pouco mais de duas horas, a metodologia Netflora, desenvolvida pela Embrapa Acre, identificou 604 castanheiras-da-amazônia (Bertholletia excelsa) e mais de 14 mil outras árvores em uma área de 1.150 hectares na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, no Amazonas.

    Essa inovação representa um salto de eficiência em comparação aos métodos tradicionais, que exigem 73 dias de trabalho e uma equipe de cinco profissionais para cobrir a mesma área.

    O projeto, conduzido em fevereiro de 2025, integra o Projeto Geoflora, uma parceria da Embrapa Amazônia Ocidental com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema/AM), financiada pelo Fundo JBS pela Amazônia.

    Segundo o pesquisador Evandro Orfanó, da Embrapa Acre, o uso de IA no inventário florestal permite uma gestão mais sustentável dos castanhais nativos e de outras espécies, conectando o conhecimento científico aos sistemas tradicionais de uso da terra.

    Aplicativo facilita coleta e monitoramento de castanhais

    Os moradores da RDS do Uatumã terão acesso a um inventário digital por meio de um aplicativo de celular. A ferramenta disponibiliza planilhas, mapas dinâmicos e localização precisa das árvores, otimizando o trabalho dos extrativistas.

    “Será possível navegar na floresta como fazemos em cidades usando aplicativos de mapas, cada árvore mapeada terá um endereço único, representado por coordenadas geográficas”, explica Orfanó.

    Divulgação

    Além de melhorar a coleta, o sistema de georreferenciamento diminui o esforço físico, reduzindo as longas caminhadas dos extrativistas e contribuindo para a preservação dos recursos naturais.

    Netflora já mapeou mais de 70 mil hectares na Amazônia

    Tradicionalmente, uma equipe precisa de um dia inteiro para mapear cerca de 20 hectares. Com a metodologia Netflora, é possível mapear até 3.500 hectares por dia, produzindo informações detalhadas sobre a floresta a uma velocidade de 2 hectares por segundo.

    De acordo com Orfanó, essa inovação já mapeou mais de 70 mil hectares e permitiu a construção de um amplo banco de dados de imagens de espécies florestais, captadas por drones com câmeras RGB. Além disso, a tecnologia reduz em cerca de 90% os custos operacionais.

    Castanha-da-amazônia e a valorização do extrativismo sustentável

    A coleta da castanha-da-amazônia é fundamental para a economia das comunidades locais, integrando práticas de bioeconomia e sustentabilidade.

    A pesquisadora Kátia Emídio da Silva, chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Amazônia Ocidental, coordena o projeto Otimização da Coleta Extrativista da Castanha-do-Brasil no Amazonas, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

    A inovação reduz cerca de 90% dos custos em relação a inventários florestais tradicionais. Ao mesmo tempo em que aumenta a precisão e a eficiência do monitoramento ambiental. Foto: Caio Alexandre Santos/Embrapa

    O projeto visa instalar cabos aéreos (semelhantes a tirolesas) para transportar castanhas em áreas de difícil acesso. Assim, diminuindo o esforço físico e prevenindo problemas de saúde entre os extrativistas.

    “Com o apoio do Netflora, conseguimos mapear as castanheiras e planejar melhor a instalação dos cabos. Ampliando as áreas de coleta e tornando a atividade menos exaustiva”, afirma Silva.

    Jovens e novas oportunidades para o extrativismo

    A introdução de novas tecnologias, como o Netflora e os cabos aéreos, também busca atrair jovens para o extrativismo, atividade que muitos evitam devido ao esforço físico exigido.

    Além da castanha, a varredura do Netflora identificou outras espécies de interesse comercial, como breu, baru e copaíba. Que agora também poderão ser manejadas de forma sustentável na RDS do Uatumã.

    castanheira
    Cerca de um ano após o seu lançamento, Netflora já mapeou mais de 70 mil hectares de florestas na Amazônia. Imagem: Evandro Orfano

    A ampliação do banco de dados do Netflora tem sido fundamental para o reconhecimento automático de espécies. Atualmente, os algoritmos processam dados de diversas regiões, conseguindo identificar padrões regionais e espécies semelhantes, mesmo em áreas nunca antes analisadas.

    “Já conseguimos reconhecer a copa de uma palmeira da região Nordeste em áreas distintas, o que demonstra a capacidade de generalização dos algoritmos”, destaca Orfanó.

    O cruzamento de imagens captadas pelos drones com dados existentes também possibilitou a identificação de clareiras, árvores mortas e novas espécies. Ampliando significativamente o conhecimento sobre a diversidade da floresta amazônica.

    Como acessar e utilizar o Netflora

    O Netflora está disponível gratuitamente no repositório do GitHub. E pode ser utilizado por meio de um Notebook Colab, plataforma colaborativa hospedada na nuvem do Google.

    Não é necessário ter conhecimento avançado para utilizar a ferramenta. Um curso gratuito, “Detecção de espécies florestais com uso do Netflora”, está disponível na plataforma e-Campo da Embrapa, oferecendo um passo a passo para sua implementação.

    Para mais informações e para acessar os algoritmos, basta visitar a página oficial do Netflora.

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  • Cacau amazônico ganha destaque em cadeia produtiva regenerativa no Pará

    Cacau amazônico ganha destaque em cadeia produtiva regenerativa no Pará

    A produção de cacau na Amazônia está alcançando novos patamares com sistemas que unem regeneração ambiental e geração de renda para comunidades tradicionais. No Pará, 189 famílias agroextrativistas fornecem a matéria-prima para uma iniciativa que está recuperando 8.116 hectares de áreas degradadas por meio do cultivo em sistemas agroflorestais (SAFs).

    O modelo combina cacaueiros com espécies nativas como castanha-do-pará, taperebá e ipê, mantendo a floresta em pé enquanto garante produção sustentável. A técnica não só melhora a fertilidade do solo, como também oferece uma alternativa econômica viável ao desmatamento – especialmente relevante em um ano em que o Brasil sediará a COP30, com foco na bioeconomia amazônica.

    A cadeia produtiva envolve cooperativas como a CEPOTX, de Altamira (PA), que recebem assistência técnica e acesso a crédito para aprimorar práticas agrícolas e obter certificações. O processamento das amêndoas é feito no Ecoparque da Natura em Benevides (PA), onde se transformam em manteiga e essência – mas o grande diferencial está na origem: um cacau cultivado sem avanço sobre novas áreas de floresta.

    Além do impacto socioambiental, o cacau amazônico chama atenção por seu potencial cosmético. Estudos in vitro indicam que seus bioativos podem estimular a produção de colágeno em até 2x. Um atributo que vem sendo explorado em produtos de cuidados pessoais.

    A iniciativa reforça um movimento crescente na região: aliar conhecimento tradicional com técnicas regenerativas para produzir cacau de qualidade, gerar renda e, ao mesmo tempo, conservar a Amazônia. Com a demanda global por cacau sustentável em alta – e a crise produtiva na África Ocidental –, modelos como esse podem indicar um caminho para o futuro da cacauicultura brasileira.

    Empresa de cosméticos amplia impacto regenerativo com nova linha à base de cacau amazônico

    A Natura acaba de lançar a linha Ekos Cacau, que utiliza bioativos da Amazônia como principal ingrediente. Assim, reforçando seu compromisso com a regeneração ambiental e social. O cacau, cultivado por 189 famílias de comunidades agroextrativistas no Pará, é usado pela primeira vez na marca. E representa um avanço na valorização da sociobiodiversidade amazônica.

    Linha Ekos Cacau beneficia 189 famílias no Pará e fortalece bioeconomia na Amazônia, alinhando-se aos debates da COP30 no Brasil.

    O lançamento ocorre em um ano estratégico para o Brasil, que sediará a COP30 em Belém (PA), e destaca a bioeconomia como alternativa ao desmatamento.

    Cultivo regenerativo: cacau em sistemas agroflorestais

    O cacau usado pela Natura é produzido em Sistemas Agroflorestais (SAFs), uma técnica que combina:

    • Cacaueiros
    • Espécies nativas (castanha-do-pará, taperebá, ipê)
    • Recuperação de áreas degradadas

    Essa prática já contribui para a conservação de 8.116 hectares de floresta, além de melhorar a fertilidade do solo e evitar novos desmatamentos. “Sustentar a vida e o planeta já não basta – é preciso regenerar”, afirma Angela Pinhati, Diretora de Sustentabilidade da Natura.

    Impacto social: parcerias que transformam

    A Natura mantém há 25 anos relações com comunidades da Amazônia, impactando mais de 10 mil famílias e ajudando a preservar 2,2 milhões de hectares de floresta (equivalente a 14 cidades de São Paulo).

    A principal fornecedora de cacau para a Ekos é a Cooperativa CEPOTX, de Altamira (PA). A parceria vai além da compra da matéria-prima:

    • Assistência técnica para certificação regenerativa
    • Programas de incentivo financeiro
    • Acesso a crédito via Mecanismo Financeiro Amazônia Viva (parceria com Funbio e VERT Securitizadora)

    “Queremos um modelo justo, que valorize o trabalho das comunidades”, diz Mauro Costa, Gerente Sênior de Suprimentos da Natura.

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  • Embrapa lança série de vídeos sobre cultivo de cupuaçu

    Embrapa lança série de vídeos sobre cultivo de cupuaçu

    A Embrapa Amazônia Oriental acaba de lançar uma série de vídeos que resume o sistema de produção do cupuaçuzeiro, fruta típica da Amazônia usada em sucos, sorvetes, doces e cosméticos. Dividida em sete capítulos, a produção audiovisual orienta desde o preparo de mudas até o controle de doenças, como a vassoura-de-bruxa, fungo que já devastou plantações no passado.

    O cupuaçu, antes cultivado principalmente por extrativismo, hoje conta com variedades melhoradas que impulsionam a agricultura racional. Um exemplo é a BRS Carimbó, lançada em 2012, que combate a vassoura-de-bruxa e tem dupla aptidão (polpa e sementes). Em 2022, a Embrapa apresentou o Cupuaçu 5.0, um kit de clones com cinco variedades de alta produtividade e resistência.

    Do desestímulo à expansão do mercado

    O pesquisador Rafael Alves, da Embrapa Amazônia Oriental, lembra que, no passado, a vassoura-de-bruxa desencorajava os agricultores. “A doença afetava tanto que não compensava o trabalho do produtor”, afirma. Com as novas variedades, a cultura se expandiu e ganhou novos mercados.

    Além da polpa – tradicional em sucos e doces –, as amêndoas do cupuaçu agora são valorizadas pela indústria de cosméticos, que busca a manteiga de cupuaçu para cremes e hidratantes. Outro produto em ascensão é o cupulate, um alimento similar ao chocolate, feito das sementes. No entanto, o processamento ainda enfrenta desafios.

    “A película que envolve a amêndoa, se não for removida, deixa um gosto adstringente”, explica Alves. Ainda não há máquinas eficientes para essa etapa, mas iniciativas artesanais mostram que o cupulate tem potencial para diversificar a demanda.

    Cupuaçu em sistemas agroflorestais: sustentabilidade e produtividade

    O cupuaçuzeiro se adapta bem a Sistemas Agroflorestais (SAFs), onde é cultivado junto a outras espécies. “Assim como o cacau, o cupuaçu produz mesmo à sombra e começa a frutificar em três anos”, destaca o pesquisador.

    Essa característica o torna ideal para recuperação de áreas de reserva legal, pois mantém a produtividade por décadas e melhora o solo com sua folhagem abundante. “Quando adulto, a planta forra o chão com folhas, ajudando a reter umidade”, completa Alves.

    Destaques da série de vídeos da Embrapa:
    •  Passo a passo do cultivo do cupuaçu
    •  Controle de pragas e doenças, como a vassoura-de-bruxa
    •  Novas variedades resistentes (BRS Carimbó e Cupuaçu 5.0)
    •  Oportunidades de mercado: polpa, cosméticos e cupulate
    •  Vantagens do cultivo em sistemas agroflorestais

    https://youtu.be/KlyRJVO1joY?list=PLoelF-OuDCfHKlG4cILrUr5oM2LobRjFr

    A série está disponível no canal da Embrapa e é um recurso essencial para produtores rurais, técnicos agrícolas e empreendedores interessados na cadeia do cupuaçu.

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  • Árvores revelam cicatrizes invisíveis da mineração de ouro

    Árvores revelam cicatrizes invisíveis da mineração de ouro

    A Amazônia enfrenta uma crise silenciosa: o mercúrio liberado pela mineração ilegal de ouro está contaminando solo, água e comunidades, mas um estudo inovador revelou que as próprias árvores da floresta estão expondo essa tragédia. Pesquisadores descobriram que espécies como a Ficus insipida (figueira-brava) armazenam vestígios do metal tóxico em seus anéis de crescimento, criando um “arquivo histórico” da poluição.

    Publicado na revista Environmental Science & Technology, o estudo analisou árvores em áreas próximas a garimpos ilegais no Peru, Brasil e Colômbia. Os resultados são alarmantes:

    • Anéis como biomonitores: os níveis de mercúrio nos anéis das figueiras aumentaram 300% após 2005, coincidindo com a explosão do garimpo na região.
    • Mapa da contaminação: árvores próximas a cidades como Madre de Dios (Peru) registraram concentrações 4x maiores que áreas preservadas.
    • Risco global: o mercúrio amazônico viaja pela atmosfera, atingindo até regiões remotas como o Ártico.

    Por que o mercúrio é uma ameaça?

    Os garimpeiros queimam o mercúrio que utilizam para separar o ouro do solo, liberando vapores tóxicos no processo. Segundo a ONU Meio Ambiente:

    • 1.400 toneladas de mercúrio são liberadas anualmente na Amazônia por garimpos.
    • 90% do mercúrio inalado ou ingerido (via peixes contaminados) causa danos neurológicos irreversíveis em humanos.

    Impacto em comunidades indígenas

    Com a cotação do preço do ouro em alta (+44% em 2024), a pressão sobre a Amazônia cresce. Além disso, os EUA reduziram as verbas para pesquisas sobre mercúrio, afetando projetos como o Center for Amazonian Scientific Innovation. Dados do Instituto Socioambiental (ISA) mostram que:

    • 1 em cada 3 indígenas em áreas de garimpo apresenta níveis perigosos de mercúrio no sangue.
    • 4.000 hectares de terras indígenas foram destruídos por mineração ilegal nos últimos dois anos.

    O estudo propõe ações urgentes:

    • Tecnologias alternativas: substituir mercúrio por métodos menos tóxicos, como o uso de centrifugas.
    • Fiscalização via satélite: cruzar dados das árvores com imagens de desmatamento em tempo real.
    • Pressão internacional: implementar a Convenção de Minamata, tratado que proíbe o uso de mercúrio, mas enfrenta resistência na prática.

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    BNDES libera R$ 100 milhões para reflorestamento na Amazônia com a Mombak

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou o primeiro financiamento para reflorestamento com recursos do Novo Fundo Clima. Em geral, o valor total da operação é de R$ 100 milhões.  Desse montante, R$ 80 milhões vêm do Fundo Clima e R$ 20 milhões da linha BNDES Finem. A operação contou com fiança bancária do Santander.

    Mombak

    A startup Mombak, especializada em remoção de carbono, será a responsável pelo investimento. Ou seja, a empresa vai reflorestar áreas degradadas na Amazônia, com foco na biodiversidade e na captura de carbono em larga escala.

    Com o apoio do Fundo Clima, a Mombak ampliará as atividades no Pará. A empresa reforçará parcerias com proprietários locais para promover a restauração florestal. Em resumo, o projeto estimulará a economia regional ao gerar empregos e movimentar a cadeia do reflorestamento. A área beneficiada está no Arco da Restauração, zona crítica de desmatamento. Essa faixa se estende do leste do Maranhão até o Acre, passando pelo sul do Pará, Rondônia e Mato Grosso.

    Criado em 2009, o Fundo Clima foi reformulado pelo governo Lula. Ele é um instrumento da Política Nacional sobre Mudança do Clima e está vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O fundo financia projetos voltados ao enfrentamento das mudanças climáticas.

    Para Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, a operação tem grande importância. “É um marco do governo federal no reflorestamento da Amazônia. Também mostra o papel do BNDES como motor de um novo mercado”, afirmou. “Estamos reconstruindo florestas, protegendo a biodiversidade, gerando renda e ajudando o planeta”, completou.

    Arco da Restauração

    O BNDES trata o Arco da Restauração como prioridade. O projeto é coordenado pelo MMA e reúne governos, iniciativa privada e agricultura familiar. O objetivo é restaurar 6 milhões de hectares de florestas até 2030.

    Peter Fernandez, CEO e cofundador da Mombak, também destacou o impacto da parceria. “O apoio do BNDES marca uma nova fase para o setor de remoção de carbono no Brasil”, disse. Segundo ele, o reflorestamento é prioridade ambiental e também um modelo de negócio escalável com alta demanda.

    A operação com a Mombak demonstra o potencial brasileiro para liderar o mercado global de remoção de carbono. A empresa já captou US$ 200 milhões em investimentos e plantou milhões de árvores nativas no Pará. As ações geraram empregos diretos e indiretos e fortaleceram a cadeia produtiva local.

    Além disso, a Mombak atraiu grandes investidores globais, como o Banco Mundial. A empresa firmou contratos com Microsoft, Google e McLaren Racing, entre outros compradores corporativos.

    Leonardo Fleck, head de Sustentabilidade do Santander Brasil, também celebrou o avanço. Para ele, as soluções baseadas na natureza têm enorme potencial no país. “Mas exigem modelos inovadores de financiamento para se viabilizarem”, explicou. O Santander apoiou o BNDES desde o lançamento da linha para restauração florestal.

    Fundada em 2021, a Mombak significa “Fazer Acordar” em tupi-guarani. Peter Fernandez, ex-CEO da 99, e Gabriel Silva, ex-CFO do Nubank, criaram a empresa para enfrentar os efeitos da mudança climática. Hoje, a Mombak é referência em projetos de remoção de carbono no Brasil.

    Além da parceria com a Mombak, o BNDES e o MMA trabalham juntos no projeto Arco da Restauração. A iniciativa pretende recuperar 24 milhões de hectares de florestas até 2050. O projeto Restaura Amazônia, criado em dezembro de 2024, integra esse esforço.

    Restaura Amazônia

    O Restaura Amazônia recebeu R$ 450 milhões do Fundo Amazônia e pode atrair novos aportes. A iniciativa selecionou três gestores por chamada pública: Ibam (macrorregião 1), FBDS (macrorregião 2) e CI Brasil (macrorregião 3). Esses parceiros atuam na restauração florestal conforme o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg).

    A primeira série de editais, lançada em dezembro de 2024, teve foco em unidades de conservação. O valor total chegou a R$ 92 milhões, com apoio de R$ 50 milhões da Petrobras. A segunda série foi lançada em 21 de março e priorizou assentamentos da reforma agrária. Com R$ 138 milhões do Fundo Amazônia, essa nova etapa está alinhada ao Programa Florestas Produtivas, do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

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    Projeto utiliza drones com IA para mapear floresta na Amazônia

    Em um projeto inovador, a Natura, em parceria com a startup Bioverse e comunidades amazônicas, realizou o maior inventário florestal já feito por sobrevoo de drones no Brasil. O estudo, que mapeou 60 mil hectares de floresta no Pará, é um marco na utilização de tecnologia para conservação e desenvolvimento sustentável na Amazônia.

    A iniciativa, que contou com a participação de cerca de 70 famílias das comunidades dos municípios de Abaetetuba e Irituia, coletou dados em apenas seis meses, um processo que levaria décadas por métodos convencionais. O objetivo é ampliar as cadeias produtivas da Natura na região, além de coletar informações cruciais para projetos de conservação e recuperação florestal, como mensuração de estoques de carbono e saúde das espécies.

    Tecnologia

    A tecnologia desenvolvida pela Bioverse combina drones nacionais com inteligência artificial treinada para reconhecer espécies amazônicas, oferecendo resolução superior à de imagens de satélites comerciais. Além disso, a plataforma permite que as comunidades locais acessem diretamente os dados coletados, facilitando o planejamento da produção agroflorestal e o gerenciamento das áreas produtivas.

    “Projetos como esse promovem um impacto ambiental, mas também social. Capacitando as comunidades locais com inovação e tecnologia para um uso sustentável dos recursos da Amazônia”, afirma Rômulo Zamberlan, diretor de pesquisa avançada da Natura.

    Contribuição para a bioeconomia

    Desde o lançamento da linha Natura Ekos, em 2000, a empresa estabeleceu um modelo de negócio baseado na bioeconomia na Amazônia. ADsenvolvendo 44 bioingredientes e envolvendo mais de 10 mil famílias agroextrativistas. A meta é expandir para 49 bioingredientes nos próximos dois anos e conservar 3 milhões de hectares de floresta até 2030.

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