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  • Feijões da Amazônia têm 27% de proteína e superam média mundial

    Feijões da Amazônia têm 27% de proteína e superam média mundial

    Escondidos nas margens dos rios amazônicos, feijões cultivados por comunidades tradicionais do Acre revelam teores nutricionais que surpreendem a ciência. As variedades Costela de Vaca e Manteiguinha Branco, do tipo caupi, apresentam até 27% de proteína em sua composição – 35% acima da média mundial e significativamente superiores aos 20% encontrados em outras regiões do Brasil.

    Pesquisadores desenvolveram no Vale do Juruá uma pesquisa inédita que resultou na descoberta e integra a tese de doutorado “Qualidade nutricional e armazenamento de feijões do Juruá no Acre”, elaborada pela professora Guiomar Almeida Sousa, do Instituto Federal do Acre (Ifac), sob orientação do pesquisador da Embrapa Acre, Amauri Siviero.

    Antioxidantes em níveis recordes

    Além da alta concentração proteica, o estudo identificou teores impressionantes de antocianinas nas variedades Preto de Arranque e Preto de Praia. Essas substâncias antioxidantes naturais atingiram índices entre 420 e 962 microgramas por grama, superando largamente as variedades brancas e coloridas tradicionais.

    A ciência reconhece que as antocianinas combatem o envelhecimento celular e ajudam a prevenir doenças como câncer, problemas cardíacos e Alzheimer. Pesquisadores da Embrapa Acre realizaram as análises nutricionais no laboratório de Bromatologia, avaliando 14 variedades cultivadas ao longo dos rios Juruá, Breu, Tejo e Amônia.

    Agricultores familiares guardam patrimônio genético

    Agricultores familiares cultivam as variedades de maior valor nutricional em sistemas agrícolas tradicionais e realizam grande parte dos plantios durante o período seco, nas praias dos rios da região.

    “Essas variedades possuem pouco ou nenhum estudo, o que deixa claro que ainda temos muito a conhecer sobre elas”, afirma a professora Guiomar Almeida Sousa.

    Costela de Vaca, o segundo na linha superior, e Manteiguinha Branco, o primeiro na inferior. Foto: Amauri Siviero /Embrapa

    Segundo a pesquisadora, o conhecimento sobre a composição nutricional pode contribuir para a valorização do produto no mercado e maior geração de renda. “Esses aspectos favorecem a busca por mercados mais justos para os feijões do Juruá”, reforça.

    Conservação natural surpreende pesquisadores

    O estudo comprovou outra característica notável: após 12 meses de armazenamento em diferentes embalagens, os grãos mantiveram integralmente seus valores nutricionais.

    “Esse é um ponto muito importante, considerando que as sementes são selecionadas e manejadas por agricultores familiares, indígenas, quilombolas e outros povos tradicionais. Ao longo dos anos, foram sendo adaptadas às formas de manejo dessas populações e às condições específicas de seus locais de cultivo”, explica Siviero.

    Marechal Thaumaturgo: capital dos feijões amazônicos

    Durante três anos, a pesquisa mapeou a diversidade de feijões no Acre e revelou Marechal Thaumaturgo como o município com maior variedade: 23 tipos diferentes de feijões, entre comuns (Phaseolus vulgaris) e caupi (Vigna unguiculata).

    O acesso ao município, possível apenas por via fluvial ou aérea, reforça a importância da produção local para a segurança alimentar regional.

    “Vimos que o feijão-comum é cultivado em terra firme, enquanto o feijão-caupi cresce em várzeas, em pequenos roçados de um hectare, por agricultores familiares. Na região do Baixo Acre, a mais populosa, predomina o cultivo de apenas três variedades”, destaca Siviero.

    Centro mundial de conservação de feijões

    “O Vale do Juruá pode ser considerado um dos principais centros de conservação on farm de feijões caupi e comum do mundo”, afirma Eduardo Pacca, professor da Universidade Federal do Acre (Ufac) que pesquisa agrobiodiversidade regional.

    Foto: Felipe Sá/Embrapa

    A sistematização da ocorrência de variedades crioulas resultou na elaboração do mapa de distribuição de feijões no Acre, confirmando que o cultivo ocorre em todos os municípios, mas a maior diversidade concentra-se no Vale do Juruá.

    Caminho para mercados premium e selos de qualidade

    Siviero aponta que o conhecimento sobre as características nutricionais pode incentivar o desenvolvimento de mercados selecionados, onde consumidores estejam dispostos a pagar por um feijão diferenciado.

    Em setembro de 2024, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) lançou o Selo Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil, que visa valorizar produtos de populações tradicionais. Associações e cooperativas podem requerer esse reconhecimento para os feijões crioulos.

    Segundo Pacca, os feijões do Juruá têm potencial para obter certificação orgânica e selo de Indicação Geográfica, a exemplo da farinha de mandioca da região. “Daí a vantagem de embalar a vácuo, como forma de evitar o uso de inseticidas contra insetos-praga de grãos armazenados”, destaca.

    Projeto mapeia sistemas agrícolas ancestrais

    Os feijões do Vale do Juruá estão sendo mapeados pelo projeto “Registro dos Sistemas Agrícolas Tradicionais do Alto Juruá” (RSAT Alto Juruá), que reúne pesquisadores da Embrapa Acre, Embrapa Amazônia Ocidental, Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Solos, Ufac e Ifac.

    Plantio de feijão na praia do Vale do Juruá. Foto: Felipe Sá/Embrapa

    Em agosto de 2025, a equipe percorreu mais de 190 quilômetros de barco pelo rio Juruá, visitando comunidades ribeirinhas em Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Rodrigues Alves, Mâncio Lima, Cruzeiro do Sul (AC), Ipixuna e Guajará (AM).

    “Os Sistemas Agrícolas Tradicionais representam mais do que formas de produzir alimentos. Os feijões do Vale do Juruá se perpetuam como herança passada entre gerações e como práticas de conservação da agrobiodiversidade”, explica Siviero, coordenador do projeto.

    Sabedoria ancestral produz e preserva

    A pesquisadora Elisa Wandelli, da Embrapa Amazônia Ocidental, destaca que a agricultura dos ribeirinhos do Juruá exemplifica sustentabilidade. “Vimos uma população sábia que mostra que é possível produzir alimento e cuidar da natureza ao mesmo tempo. Essa sabedoria ancestral guarda conhecimentos transmitidos por avós e bisavós que devem ser protegidos e melhor valorizados”, afirma.

    Pedro Bezerra da Silva, agricultor da Comunidade Novo Horizonte, em Porto Walter, planta macaxeira, banana e feijão todo ano. “Grande parte da alimentação da família vem do que plantamos e o que sobra vendo para aumentar a renda. Se eu não plantar, não tenho como comprar todos os alimentos na cidade”, diz.

    Ele relata mudanças climáticas na região: “Nos últimos anos, o verão tem ficado cada vez mais quente. Já teve ano de secar tudo quanto é broto de água até na mata”.

    Destaque na COP 30

    Os sistemas agrícolas tradicionais, alinhados aos princípios da agricultura sustentável, eixo central da COP 30, compõem a programação da AgriZone, espaço da Embrapa dedicado a iniciativas inovadoras e inclusivas.

    “Nossa participação na COP 30 reforça a necessidade de valorizar os registros dos sistemas agrícolas tradicionais no Brasil e no mundo, ao mesmo tempo em que busca sensibilizar formuladores de políticas públicas sobre a necessidade de criar ações específicas para fortalecer e proteger essas comunidades”, enfatiza Siviero.

  • Ibama devolve animais à natureza após resgates no Rio de Janeiro e Amazonas

    Ibama devolve animais à natureza após resgates no Rio de Janeiro e Amazonas

    O Ibama devolveu 148 jabutis-piranga ao seu habitat natural na Bahia nesta semana. Os animais haviam sido apreendidos durante uma ampla operação contra o tráfico de fauna silvestre no Rio de Janeiro.

    Servidores do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Seropédica transportaram os répteis até a Caatinga, onde a espécie ocorre naturalmente. Os jabutis foram soltos em Vitória da Conquista, região que oferece condições adequadas para sua sobrevivência.

    Uma equipe multidisciplinar composta por médicos veterinários, biólogos e técnicos acompanhou o processo de reabilitação dos animais. Em menos de três semanas, os jabutis recuperaram o peso ideal e apresentaram boas condições de saúde.

    Os jabutis-piranga (Chelonoidis carbonaria) habitam naturalmente as matas brasileiras do Nordeste ao Sudeste. A espécie se caracteriza por um casco com placas amareladas e escamas vermelhas na cabeça e nas pernas. Esses répteis se alimentam de flores, frutos, folhagens e insetos, ocupando principalmente biomas de baixo relevo e pouca umidade.

    Outras espécies retornam à Mata Atlântica

    Além dos jabutis, a equipe do Cetas Seropédica devolveu outras espécies à natureza. Equipes de conservação soltaram uma iguana (Iguana iguana), dois corrupiões (Icterus jamacaii) e 48 galos-de-campina (Paroaria dominicana) em Porto Seguro, no litoral baiano.

    Corrupiões e galos-de-campina foram libertados na Mata Atlântica. Foto: Divulgação/Ibama

    O corrupião destaca-se pelo canto melodioso e pela capacidade de imitar outras aves. Já o galo-de-campina, também conhecido como cardeal-do-nordeste, chama atenção pela plumagem vermelha, cinza, branca e negra.

    Operação nacional desarticula esquema milionário

    A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou a operação em 16 de setembro. A ação resultou na prisão de 47 pessoas e na apreensão de mais de 700 animais silvestres.

    A organização criminosa capturava os animais diretamente de seus habitats em Minas Gerais e nos estados do Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Muitos espécimes chegaram aos centros de reabilitação abaixo do peso e doentes.

    “A quadrilha movimentou mais de R$ 5 milhões em apenas um ano”, estima a Polícia Civil. O superintendente do Ibama no Rio de Janeiro, Rogério Rocco, alerta que os compradores também cometem crime: “Quem compra animal silvestre sem documentação legal contribui para essa atividade ilícita, podendo responder pelo crime de receptação.”

    Ibama apreende 117 quelônios no Parque Nacional do Jaú

    O Ibama também apreendeu 117 quelônios durante fiscalização na base fluvial do Parque Nacional do Jaú, no Amazonas. Os traficantes esconderam os animais entre produtos regionais que supostamente venderiam em Novo Airão.

    Foto: Divulgação/Ibama

    A operação ocorreu na terça-feira (7) em conjunto com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A ação integrava o monitoramento de áreas de manejo do Programa Quelônios da Amazônia (PQA).

    Multa de R$ 585 mil e soltura imediata

    O infrator recebeu multa de R$ 585 mil, conforme o Decreto nº 6.514/2008. A legislação estabelece multa de R$ 5 mil por animal de espécie constante em listas oficiais da fauna brasileira ameaçada de extinção. A embarcação também foi apreendida. Especialistas examinaram os animais no local e constataram bom estado de saúde. Os quelônios foram soltos imediatamente dentro do próprio Parque Nacional.

    O Parque Nacional do Jaú é uma Unidade de Conservação Federal de proteção integral gerida pelo ICMBio. Com 2,3 milhões de hectares, a área abrange os municípios de Novo Airão e Barcelos, no Amazonas, e Caracaraí, em Roraima.

    “A região é altamente relevante para a conservação da natureza na Amazônia. Não podemos permitir que crimes ambientais ocorram no Parque Nacional”, afirma o superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo. “O Ibama e ICMBio atuarão juntos e de forma intensa para impedir novas agressões à natureza.”

    Programa Quelônios: a maior iniciativa de conservação do mundo

    O Programa Quelônios da Amazônia representa a maior iniciativa de conservação de fauna em vida livre do mundo. Criado em 1979, o PQA já soltou mais de 100 milhões de filhotes na natureza.

    O programa protege três espécies: tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa), tracajá (Podocnemis unifilis) e pitiú (Podocnemis sextuberculata). As ações acontecem ao longo da bacia dos rios Amazonas e Araguaia/Tocantins.

    O Ibama combina estratégias de manejo conservacionista, pesquisa, capacitação, educação ambiental e fiscalização. O objetivo é promover o desenvolvimento social e garantir equilíbrio entre a fauna amazônica e as comunidades ribeirinhas.

    Em setembro, o Instituto já havia apreendido 335 quelônios em outra operação integrada no Amazonas. As equipes do Ibama realizam frequentemente atividades de educação ambiental para conscientizar as populações locais sobre a importância da conservação das espécies.

  • Piquiá: fruto rico em vitaminas que poucos conhecem

    Piquiá: fruto rico em vitaminas que poucos conhecem

    A biodiversidade amazônica esconde uma joia nutricional que ainda permanece desconhecida pela maioria dos brasileiros. O piquiá (Caryocar villosum), fruto nativo da floresta amazônica, concentra propriedades nutricionais e terapêuticas que despertam o interesse crescente de pesquisadores, chefs de cozinha e indústrias de cosméticos.

    O piquiazeiro, árvore típica da floresta pluvial amazônica, pertence à família das cariocaráceas e ocorre naturalmente nos estados do Amazonas, Roraima, Amapá, Pará, Maranhão, Rondônia e Mato Grosso Piquiá. A espécie também marca presença na Guiana Francesa, demonstrando sua adaptação ao clima tropical úmido.

    O fruto apresenta forma esférica, ligeiramente achatada nos polos, com tamanho comparável ao de uma laranja grande. Sua casca marrom-acinzentada revela-se espessa e carnuda, abrigando quatro bagos em formato de rim. A polpa amarela, com espessura entre 3 e 10 milímetros, adere firmemente ao caroço central.

    Riqueza nutricional: vitaminas e compostos bioativos do piquiá

    O fruto destaca-se pelo alto teor de vitaminas A, B1, B2 e B5, além de concentrar taninos e substâncias fenólicas. Esses compostos conferem ao piquiá propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias reconhecidas pela medicina popular amazônica.

    A polpa fornece óleo rico em gorduras boas, que a população amazônica utiliza tanto na culinária quanto para fins terapêuticos. Estudos recentes revelam que até as cascas do piquiá, que representam 65% do fruto, contêm compostos bioativos com propriedades antioxidantes e antienvelhecimento.

    Como consumir o piquiá na culinária tradicional amazônica

    O piquiá-amazônico torna-se comestível apenas após o cozimento, processo fundamental para amolecer a casca e cozinhar a polpa, preservando os nutrientes. A forma tradicional de consumo une a polpa cozida à farinha de mandioca, acompanhada de café, uma combinação apreciada há gerações.

    Foto:
    Evandro Borel/Flickr

    Enquanto crianças costumam consumir o fruto roendo diretamente a polpa, em outras regiões da Amazônia as pessoas raspam a polpa e misturam com arroz e carne. O piquiá também pode ser assado na brasa, preparado como doces em compotas e geleias, ou incorporado a pratos salgados como farofas e ensopados.

    A versatilidade do fruto permite sua utilização em patês e cozidos com frango caipira, enquanto as castanhas torradas conquistam cada vez mais apreciadores. O óleo extraído da polpa serve principalmente para fritar peixes, conferindo sabor característico aos pratos regionais.

    Potencial biotecnológico: do cosmético ao nutracêutico

    Apesar de ser uma planta nativa da Amazônia, o Caryocar villosum ainda recebe pouca exploração do ponto de vista biotecnológico e nutracêutico. Pesquisadores trabalham no desenvolvimento de alimentos funcionais e produtos cosméticos a partir da polpa, amêndoa e óleo do fruto.

    O uso biotecnológico do piquiá já permite a produção de sabonetes esfoliantes utilizando casca, polpa e semente, além de aplicações na fabricação de tintas e tingimento de tecidos. As substâncias aromáticas como fenólicos e flavonoides despertam interesse especial da indústria cosmética.

    A exploração sustentável do piquiá representa uma oportunidade de valorizar a biodiversidade amazônica, gerar renda para comunidades locais e oferecer ao mercado nacional e internacional um ingrediente natural com múltiplas aplicações. Enquanto açaí e buriti já conquistaram protagonismo, o piquiá aguarda seu momento de reconhecimento como superalimento amazônico.

  • A vida secreta das pererecas-de-vidro amazônicas

    A vida secreta das pererecas-de-vidro amazônicas

    Na imensidão verde da floresta amazônica, onde cada folha abriga mistérios e cada som revela a complexidade da vida selvagem, habita uma das criaturas mais extraordinárias do reino animal: as pererecas-de-vidro. Estes pequenos anfíbios, com seus corpos translúcidos que parecem desafiar as leis da natureza, conquistaram a atenção de pesquisadores e entusiastas da biodiversidade mundial.

    As pererecas-de-vidro, conhecidas cientificamente pela família Centrolenidae, são verdadeiras obras-primas da evolução. Com tamanhos que variam entre 3 e 7,5 centímetros de comprimento, estes anfíbios possuem uma característica única que lhes rendeu o nome popular: sua pele é tão fina e transparente que permite a visualização completa dos órgãos internos, incluindo o coração pulsante, o fígado, os intestinos e até mesmo o sistema circulatório em funcionamento.

    A espécie Hyalinobatrachium iaspidiense, descoberta recentemente por pesquisadores no Amazonas, exemplifica perfeitamente essa característica extraordinária. Com apenas 24 milímetros de comprimento quando adulta, essa pequena perereca tem chamado atenção especial devido ao seu grau excepcional de transparência.

    Distribuição e habitat: entre folhas e águas

    As pererecas-de-vidro são nativas das florestas úmidas da América Central e do Sul, com distribuição que se estende desde a Costa Rica até algumas regiões do Brasil e Paraguai. Na Amazônia brasileira, elas habitam principalmente as matas ciliares – a vegetação que cresce nas margens de rios, igarapés e lagos.

    Estas criaturas são estritamente arborícolas, passando a maior parte de suas vidas nas copas das árvores, agarradas às folhas e galhos com suas ventosas especializadas. Preferem ambientes com alta umidade e dependem fundamentalmente da proximidade com corpos d’água para sua sobrevivência e reprodução.

    Fantasmas noturnos da floresta

    As pererecas-de-vidro são predominantemente noturnas, tornando-se ativas durante as horas mais frescas da noite para caçar pequenos insetos. Sua dieta consiste principalmente de mosquitos, pequenas moscas, formigas e outros artrópodes que conseguem capturar com suas línguas ágeis.

    Durante o dia, estes anfíbios permanecem imóveis sobre folhas verdes, onde sua coloração verde clara e transparência as tornam praticamente invisíveis aos predadores. Recentemente, estudos revelaram um mecanismo de camuflagem ainda mais impressionante: durante o sono, as pererecas-de-vidro conseguem ocultar até 90% das células vermelhas do sangue em seus fígados, reduzindo drasticamente sua visibilidade e tornando-se ainda mais translúcidas.

    Reprodução: um ritual aquático único

    O ciclo reprodutivo das pererecas-de-vidro é um espetáculo fascinante da natureza. Durante a estação chuvosa, que na Amazônia ocorre entre dezembro e maio, estas pequenas criaturas iniciam seus rituais de acasalamento. Os machos emitem cantos específicos para atrair as fêmeas, geralmente posicionados sobre folhas que ficam suspensas sobre corpos d’água.

    Após o acasalamento, as fêmeas depositam seus ovos diretamente sobre folhas que ficam estrategicamente posicionadas acima da água. Em média, cada postura contém cerca de 20 ovos, que se desenvolvem durante alguns dias expostos ao ar úmido da floresta. Quando os girinos eclodem, caem diretamente na água abaixo, onde continuam seu desenvolvimento até completarem a metamorfose.

    Os girinos vivem inteiramente no ambiente aquático até se tornarem adultos, quando desenvolvem suas características transparentes e migram para a vida arborícola. Este ciclo de vida anfíbio torna as pererecas-de-vidro extremamente dependentes da preservação tanto dos ambientes aquáticos quanto da vegetação ciliar.

    Diversidade de espécies: um mosaico transparente

    A família Centrolenidae abriga aproximadamente 12 subfamílias com mais de 150 espécies conhecidas. Entre as mais estudadas estão a Hyalinobatrachium pellucidum, encontrada em diversos países sul-americanos, e a Vitreorana uranoscopa, endêmica do sudeste e sul do Brasil, Argentina e Paraguai.

    Recentemente, pesquisadores identificaram a presença da espécie Cochranella resplendens no Brasil, especificamente no Amapá, expandindo significativamente sua área de distribuição conhecida. Esta espécie havia sido registrada anteriormente apenas no Equador, Colômbia e Peru, demonstrando que ainda há muito a descobrir sobre a diversidade destes anfíbios.

    A ciência por trás da transparência

    A transparência das pererecas-de-vidro não é meramente um capricho evolutivo, mas sim uma sofisticada estratégia de sobrevivência. Sua pele translúcida e músculos transparentes permitem que se camuflem perfeitamente contra o ambiente da selva, especialmente quando vistas de baixo contra o céu filtrado pela copa das árvores.

    O mecanismo que permite essa transparência envolve a ausência ou redução significativa de pigmentos na pele e músculos, combinada com a capacidade de manipular a distribuição das células sanguíneas. Pesquisas recentes revelaram que durante o repouso, essas pererecas conseguem concentrar seus glóbulos vermelhos no fígado, tornando-se ainda mais invisíveis.

    Desafios de conservação

    Como muitos anfíbios tropicais, as pererecas-de-vidro enfrentam crescentes pressões ambientais. A destruição das matas ciliares, poluição dos corpos d’água, mudanças climáticas e fragmentação de habitats representam ameaças significativas para suas populações.

    Sua dependência específica de ambientes úmidos e pristinos torna estas espécies particularmente vulneráveis às alterações ambientais. No Rio de Janeiro, por exemplo, há relatos de declínio populacional em áreas onde a Vitreorana uranoscopa antes era comum.

    As pererecas-de-vidro representam muito mais do que curiosidades biológicas. Elas oferecem oportunidades únicas para estudos de fisiologia, permitindo observação direta do funcionamento de órgãos internos em animais vivos. Pesquisadores utilizam estas espécies para estudar circulação sanguínea, função cardíaca e outros processos fisiológicos de forma não-invasiva.

    Além disso, sua sensibilidade às mudanças ambientais as torna excelentes bioindicadores da saúde dos ecossistemas florestais. O declínio ou desaparecimento de populações de pererecas-de-vidro pode sinalizar problemas ambientais mais amplos.

    Guardiões transparentes da biodiversidade

    As pererecas-de-vidro da Amazônia representam uma das manifestações mais extraordinárias da diversidade biológica tropical. Estes pequenos anfíbios, com seus corpos que parecem feitos de cristal líquido, nos lembram da incrível capacidade da natureza de criar soluções evolutivas surpreendentes.

    À medida que continuamos a explorar e compreender a riqueza da floresta amazônica, as pererecas-de-vidro permanecem como símbolos da necessidade urgente de conservação. Proteger estes pequenos espectros transparentes significa preservar não apenas uma espécie única, mas todo um ecossistema complexo que abriga alguns dos maiores tesouros da biodiversidade mundial.

    Cada perereca-de-vidro que salta entre as folhas amazônicas carrega consigo milhões de anos de evolução e adaptação, representando um elo frágil, mas fundamental, na intrincada teia da vida tropical. Sua preservação é um investimento no futuro da ciência e na manutenção da extraordinária herança natural que a Amazônia representa para toda a humanidade.

  • Bacaba: conheça a pérola roxa da Amazônia

    Bacaba: conheça a pérola roxa da Amazônia

    A bacaba (Oenocarpus bacaba), conhecida como “pérola roxa da Amazônia”, está conquistando espaço no cenário nacional como uma das mais promissoras superfrutas brasileiras.

    Esta palmeira nativa, que pode atingir até 20 metros de altura, distribui-se por toda a Bacia Amazônica, sendo encontrada com maior frequência no Amazonas, Pará, Acre, Tocantins e sul do Maranhão, além de regiões da Colômbia.

    A bacaba destaca-se por sua extraordinária composição nutricional. Rica em antioxidantes, especialmente antocianinas responsáveis por sua coloração roxa característica, a fruta oferece proteção celular contra os danos causados pelos radicais livres. Seu perfil nutricional inclui altas concentrações de vitaminas A e C, complexo B, além de minerais essenciais como ferro, cálcio e potássio.

    O que torna a bacaba ainda mais especial é sua composição lipídica: cerca de 25% do fruto corresponde a um óleo rico em ácidos graxos benéficos, que contribuem para a produção do colesterol bom (HDL) e redução do colesterol ruim (LDL). As fibras alimentares presentes na polpa auxiliam na regulação do funcionamento intestinal, enquanto os carotenoides e flavonoides oferecem proteção antioxidante adicional.

    Benefícios comprovados para a saúde

    Os estudos nutricionais apontam diversos benefícios do consumo regular da bacaba. A presença de ácidos fenólicos e flavonoides contribui para a saúde cardiovascular, ajudando na prevenção de doenças do coração. As fibras promovem o bom funcionamento do sistema digestivo, enquanto a alta concentração de antioxidantes combate o envelhecimento precoce das células.

    Vista geral de algumas plantas de bacabeiras instaladas no Campo Experimental de Mazagão da Embrapa Amapá. Foto: Gilberto Ken-Iti Yokomizo/Embrapa

    A fruta também se destaca como fonte de energia saudável, oferecendo calorias de alta qualidade através de seus ácidos graxos essenciais, diferentemente de outras fontes calóricas menos nutritivas. Profissionais da saúde enfatizam que, embora os benefícios sejam promissores, o consumo deve fazer parte de uma dieta equilibrada e a orientação médica é sempre recomendada.

    Versatilidade culinária e cultural

    Na culinária amazônica, as pessoas consomem a bacaba tradicionalmente como bebida refrescante, parecida com o açaí. A polpa, branco-amarelada por dentro e roxa por fora, entra no preparo de sucos, vitaminas, sorvetes, picolés e outros doces regionais. O óleo da fruta, de sabor adocicado característico, também serve para receitas culinárias e aplicações cosméticas.

    A versatilidade da bacaba vai além do consumo alimentar. As comunidades ribeirinhas tradicionalmente utilizam suas folhas e fibras para revestimento de casas e confecção de artesanatos. A madeira da palmeira é aproveitada na construção civil e fabricação de arcos. Portanto, demonstrando o aproveitamento integral da espécie.

    Desafios do cultivo e potencial comercial

    O cultivo da bacaba apresenta características específicas que influenciam sua produção comercial. A propagação ocorre exclusivamente por sementes, que devem ser colhidas de frutos maduros e plantadas rapidamente para manter a viabilidade germinativa. A palmeira prefere solos bem drenados, adaptando-se tanto a terrenos arenosos quanto argilosos, desde que haja boa drenagem.

    Diferentemente de outras palmeiras amazônicas como o açaí, a bacabeira não forma populações homogêneas, encontrando-se naturalmente dispersa pela floresta. Em áreas de capoeira, pode-se encontrar de 20 a 50 palmeiras por hectare, o que representa tanto uma limitação quanto uma oportunidade para o manejo sustentável.

    A espécie demonstra resistência ao fogo e capacidade de crescimento em áreas mais abertas, características que facilitam seu cultivo em sistemas agroflorestais. No entanto, a produção comercial ainda enfrenta desafios relacionados à padronização do plantio e ao desenvolvimento de técnicas de manejo mais eficientes.

    Mercado em expansão

    O mercado da bacaba vem apresentando crescimento gradual, impulsionado pelo interesse crescente em superalimentos e produtos naturais amazônicos. A extração e comercialização dos frutos geram renda importante para muitas famílias ribeirinhas, representando uma fonte de economia local sustentável.

    Atualmente, a comercialização concentra-se principalmente no mercado regional, mas há crescente interesse de indústrias alimentícias e de suplementos nutricionais em escala nacional. O fruto é processado na forma de polpa congelada, pós desidratados e óleos, produtos que facilitam o transporte e ampliam as possibilidades de uso industrial.

    A cadeia produtiva da bacaba ainda é relativamente curta, caracterizada pela coleta em pequenas quantidades durante o período de safra. Este cenário representa uma oportunidade de desenvolvimento para a estruturação de uma cadeia mais organizada e eficiente.

    Sustentabilidade e conservação

    A exploração da bacaba representa um modelo interessante de uso sustentável dos recursos amazônicos. Por ser uma espécie nativa que não requer desmatamento para seu cultivo, contribui para a manutenção da cobertura florestal enquanto gera renda para as comunidades locais.

    A bacaba, bacaba-açu ou bacaba-verdadeira (Oenocarpus bacaba) é uma palmeira nativa da Amazônia. Distribui-se por toda Bacia Amazônica, com maior freqüência no Amazonas, Pará, Acre, Tocantins e no sul do Maranhão. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    Especialistas apontam que o desenvolvimento da cadeia produtiva da bacaba deve priorizar práticas de manejo sustentável que garantam a regeneração natural das populações selvagens. O estabelecimento de plantios comerciais em áreas já alteradas pode complementar a coleta extrativista sem pressionar os ecossistemas naturais.

    Futuro promissor

    O futuro da bacaba no mercado nacional e internacional parece promissor. Com o crescente interesse em alimentos funcionais e produtos amazônicos sustentáveis, a fruta possui potencial para se tornar um importante produto de exportação brasileiro.

    Investimentos em pesquisa para desenvolvimento de técnicas de cultivo, melhoramento genético e processamento industrial são fundamentais para consolidar a bacaba como uma cultura comercial viável. A parceria entre instituições de pesquisa, produtores locais e indústria alimentícia será crucial para superar os desafios técnicos e expandir o mercado.

    A bacaba representa não apenas uma oportunidade econômica, mas também um símbolo da riqueza da biodiversidade amazônica e do potencial dos produtos florestais não madeireiros para o desenvolvimento sustentável da região. Sua trajetória do extrativismo tradicional para a produção comercial organizada pode servir como modelo para outras espécies nativas com potencial econômico similar.

  • Sistemas sustentáveis na Amazônia e Cerrado podem dobrar lucros dos produtores

    Sistemas sustentáveis na Amazônia e Cerrado podem dobrar lucros dos produtores

    Um estudo pioneiro conduzido pela Embrapa em parceria com o Banco Mundial acaba de comprovar o que muitos especialistas já suspeitavam: os sistemas sustentáveis de produção não apenas preservam o meio ambiente, como também são significativamente mais lucrativos que os métodos tradicionais.

    A pesquisa analisou a viabilidade econômica dos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) na Amazônia e no Cerrado, revelando ganhos impressionantes em produtividade e rentabilidade.

    Os números apresentados no estudo são surpreendentes. No Cerrado, o sistema ILPF-C demonstrou ser 41 vezes mais lucrativo que a pecuária extensiva tradicional e 13 vezes mais rentável que a agricultura convencional. Para cada dólar investido, o retorno chegou a US$ 1,36, enquanto a pecuária extensiva gerou apenas dois centavos de lucro por dólar aplicado.

    “Os sistemas de ILPF são mais resilientes, reduzem os custos unitários de produção e promovem o uso mais eficiente dos recursos ambientais”, explica Júlio César dos Reis, pesquisador da Embrapa Cerrados e responsável pelo trabalho.

    SAFs: a alternativa perfeita para agricultura familiar

    Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) se mostraram especialmente adequados para a agricultura familiar, apresentando retornos de até US$ 9,20 para cada dólar investido. O estudo analisou quatro modelos diferentes em Rondônia e Pará, todos capazes de cobrir os custos de produção nos períodos avaliados.

    Arte: Wellington Cavalcanti/Embrapa

    Os SAFs com cultivos de maior valor agregado, como açaí e cacau, apresentaram os melhores resultados financeiros. Em Tomé-Açu (PA), um dos sistemas avaliados gerou lucro anual de mais de US$ 1.800 por hectare, demonstrando o potencial desses modelos para transformar a realidade dos pequenos produtores.

    Benefícios além do lucro

    Além dos ganhos financeiros, os sistemas sustentáveis oferecem múltiplos benefícios:

    • Segurança alimentar: Diversificação da produção reduz riscos
    • Conservação ambiental: Menor necessidade de abertura de novas áreas
    • Resiliência climática: Sistemas mais resistentes a variações climáticas
    • Geração de empregos: Maior demanda por mão de obra especializada

    “Se em um ano uma lavoura apresenta um preço ruim, há um segundo produto que pode ter um preço melhor. Isso aumenta a resiliência do produtor”, destaca Judson Valentim, pesquisador da Embrapa Acre.

    Apesar dos resultados positivos, apenas 7% da área ocupada pela agropecuária brasileira utiliza sistemas de ILPF. O estudo identificou diversas barreiras que impedem uma adoção mais ampla:

    Financeiras:

    • Políticas de crédito focadas em resultados anuais
    • Necessidade de períodos de carência mais longos para SAFs

    Técnicas:

    • Falta de assistência técnica especializada
    • Disponibilidade limitada de mão de obra qualificada

    Infraestrutura:

    • Ausência de infraestrutura em regiões distantes
    • Necessidade de investimentos em ferrovias e hidrovias

    Impacto nas políticas públicas

    Leonardo Bichara Rocha, economista agrícola sênior do Banco Mundial em Brasília, enfatiza a importância do estudo para orientar políticas públicas: “O trabalho traz evidências importantes para instrumentos financeiros que promovam o uso mais inclusivo, intensivo e ambientalmente sustentável da terra”.

    As informações coletadas servirão de subsídio para políticas do Banco Mundial e podem contribuir para a inclusão desses sistemas nas políticas nacionais de crédito, como o Plano Safra da Agricultura Familiar.

    O futuro da agricultura brasileira

    Com 60% do território nacional localizado na Amazônia, o potencial de expansão dos sistemas sustentáveis é imenso. No entanto, os pesquisadores alertam para a necessidade de mais estudos e dados sistematizados.

    “Conseguimos avaliar cinco sistemas que possuíam dados sistematizados, mas isso representa apenas uma pequena amostra da diversidade ambiental, social e econômica da Amazônia”, observa Valentim.

    O estudo representa um marco importante na colaboração entre Embrapa e Banco Mundial, assinada em 2024, e aponta para um futuro em que sustentabilidade e rentabilidade caminham juntas no agronegócio brasileiro.

    Os pesquisadores esperam que esta síntese estimule uma agenda de pesquisa mais ampla, levando à construção de um banco de dados robusto sobre sistemas sustentáveis no Brasil. O objetivo é fornecer bases sólidas para a implementação de políticas públicas de crédito rural, especialmente voltadas para a produção familiar na Amazônia.

    A mensagem é clara: o futuro da agricultura brasileira está nos sistemas sustentáveis, que oferecem a combinação perfeita entre prosperidade econômica e preservação ambiental.

  • Agricultores familiares podem receber R$ 28 mil por preservação ambiental na Amazônia

    Agricultores familiares podem receber R$ 28 mil por preservação ambiental na Amazônia

    Pequenos agricultores familiares da região amazônica têm a oportunidade de receber incentivos financeiros de até R$ 28 mil para manter suas propriedades preservadas através do projeto Floresta+ Amazônia. As inscrições para o segundo edital estão abertas e já contam com 100 produtores inscritos apenas em Mato Grosso.

    O programa conta com recursos de 96 milhões de dólares (aproximadamente R$ 480 milhões) e representa uma iniciativa conjunta do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com apoio do Fundo Verde para o Clima (GCF) e das Secretarias Estaduais de Agricultura Familiar e Meio Ambiente.

    O projeto Floresta+ Amazônia oferece pagamentos que variam entre R$ 1,5 mil e R$ 28 mil, dependendo do nível de regularização do Cadastro Ambiental Rural (CAR) da propriedade. O programa atende especificamente agricultores familiares com propriedades de até quatro módulos fiscais.

    Política de inclusão social e ambiental

    Além dos pequenos produtores rurais, o projeto também beneficia povos indígenas, ribeirinhos, extrativistas e quilombolas, funcionando como uma política de prevenção ao êxodo rural e valorização das comunidades tradicionais.

    “O Floresta+ Amazônia é um instrumento de justiça ambiental e social. Ao remunerar os pequenos produtores que conservam a floresta, o governo fortalece a agricultura familiar, garante a sustentabilidade e estimula que esses agricultores mantenham vivas as riquezas ambientais do nosso Estado”, explicou Andréa Fujioka, secretária de Estado de Agricultura Familiar de Mato Grosso.

    Como funciona o pagamento por serviços ambientais

    Segundo Patrícia Palermo, coordenadora local do Floresta+ Amazônia em Mato Grosso, o projeto representa um marco na política ambiental brasileira. “O produtor que conserva está prestando um serviço ambiental para o país, e por isso tem direito a receber. Esse incentivo fortalece o combate ao desmatamento e valoriza quem mantém a mata preservada”, destacou.

    Coordenadora local do Floresta + Amazônia em Mato Grosso, Patrícia Palermo. Foto: Divulgação

    A coordenadora explicou que os produtores recebem valores correspondentes à área conservada em suas propriedades, funcionando como reconhecimento pelo serviço prestado ao meio ambiente.

    Estados participantes do programa

    O projeto Floresta+ Amazônia abrange todos os estados da Amazônia Legal:

    • Acre
    • Amapá
    • Amazonas
    • Mato Grosso
    • Pará
    • Rondônia
    • Roraima
    • Tocantins
    • Maranhão

    Passo a passo para inscrição

    Para participar do programa, o agricultor familiar deve:

    • Acessar o site oficial do projeto Floresta+ Amazônia
    • Criar conta Gov.br (disponível em www.gov.br ou via aplicativo mobile)
    • Preencher três formulários com dados pessoais, informações da propriedade e conta bancária
    • Concordar com o termo de adesão ao projeto
    • Aguardar análise da equipe técnica, que entrará em contato posteriormente

    Apoio para regularização

    A Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) oferece suporte aos produtores durante o processo de inscrição, enquanto a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) auxilia na regularização do Cadastro Ambiental Rural.

    Agricultores que ainda não possuem o CAR regularizado podem buscar orientação na coordenação local do projeto, localizada na rua Edgard Prado Arze, s/n, 2° Andar, Centro Político Administrativo, em Cuiabá.

    Informações para contato

    • Telefone: (65) 9 9620-2894
    • E-mail: [email protected]
    • Site oficial: [Portal Floresta+ Amazônia]
  • JBS e outros frigoríficos enfrentam investigação por gado de desmatamento ilegal

    JBS e outros frigoríficos enfrentam investigação por gado de desmatamento ilegal

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) notificou 12 frigoríficos por participação em esquema de compra de gado proveniente de terras desmatadas ilegalmente na Amazônia. A JBS opera dois dos estabelecimentos investigados.

    O órgão ambiental revelou na quinta-feira (28) que os frigoríficos adquiriam gado de forma indireta. As empresas triangulavam as operações com fazendas “limpas” para esconder a origem ilegal dos animais.

    O Ibama já multou seis frigoríficos em R$ 4 milhões pela compra direta de 8.172 cabeças de gado de áreas embargadas. No total, as penalidades chegam a R$ 49 milhões.

    Durante a operação, o órgão apreendeu mais de 7.000 cabeças de gado em 2.100 hectares de fazendas com uso comercial bloqueado. Essas propriedades perderam a licença após desmatamento ilegal.

    Empresas contestam acusações

    A JBS informou que não teve acesso ao relatório de fiscalização do Ibama. A empresa considera o documento “necessário para apurar os fatos mencionados na autuação”.

    A Frigol, também citada na investigação, afirmou que o Ibama cometeu erro. A empresa nega ter comprado gado da fazenda apontada como fonte de desmatamento ilegal.

    A Mercurio conta com empresa terceirizada para monitorar a origem dos animais abatidos. Lincoln Bueno, presidente do conselho, explicou que a companhia bloqueia compras de propriedades com irregularidades ambientais e trabalhistas.

    Crime ambiental comprovado

    “Produzir, vender ou comprar gado dessas áreas embargadas constitui crime ambiental”, afirma o comunicado do Ibama. O órgão promete autuar todos os responsáveis identificados na operação.

    A investigação expõe práticas ilegais no setor frigorífico brasileiro. As empresas enfrentam crescente pressão internacional para comprovar a origem sustentável da carne exportada.

  • Volkswagen é condenada a pagar R$ 165 milhões por trabalho escravo em fazenda

    Volkswagen é condenada a pagar R$ 165 milhões por trabalho escravo em fazenda

    O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região condenou a Volkswagen a pagar R$ 165 milhões em indenizações. A decisão se baseia em evidências de trabalho análogo à escravidão na fazenda que a montadora mantinha no sul do Pará. As práticas criminosas ocorreram entre 1974 e 1986.

    A propriedade, conhecida como Fazenda Vale do Rio Cristalino, ficava localizada em Santana do Araguaia (PA). A área de 139 mil hectares pertencia a uma subsidiária da Volkswagen. Ali, trabalhadores enfrentavam condições desumanas de trabalho e vida.

    Investigação começou com denúncias do padre Ricardo Rezende

    O Ministério Público do Trabalho iniciou as investigações em 2019. O processo se baseou em documentos e testemunhos reunidos pelo padre Ricardo Rezende Figueira. O religioso coordena o Grupo de Pesquisa de Trabalho Escravo Contemporâneo da UFRJ.

    O padre fez as primeiras denúncias contra a montadora em 1983. Ele atuava como coordenador da Comissão Pastoral da Terra da CNBB na região. Durante décadas, Rezende Figueira coletou mais de 600 páginas de documentos sobre as condições de trabalho na fazenda.

    Foto: Reprodução Amazônia, propaganda e publicidade:
    o caso da fazenda da Volkswagen

    “Recebi a primeira denúncia contra a Volkswagen em 1982”, relembra o religioso. “Novas acusações surgiram no ano seguinte, quando três trabalhadores conseguiram escapar da fazenda e relataram as coisas horríveis que lá aconteciam.”

    Fazenda Vale do Rio Cristalino: cenário de crimes contra trabalhadores

    A Fazenda Vale do Rio Cristalino funcionava como um verdadeiro campo de concentração. Os documentos revelam práticas criminosas que incluíam:

    • Impedimento de saída por vigilância armada
    • Trabalho sem remuneração adequada
    • Criação de dívidas impagáveis para custear moradia e alimentação
    • Acomodações insalubres
    • Torturas e espancamentos sistemáticos
    • Estupros e assassinatos

    Os trabalhadores eram recrutados especificamente para derrubar a mata nativa. A Volkswagen promovia desmatamento irregular na propriedade sem autorizações ambientais. O objetivo era criar pastagens para gado.

    Testemunhas relatam horror na “Fazenda Volkswagen”

    Três jovens trabalhadores conseguiram fugir da propriedade em 1983. Eles procuraram o padre Rezende Figueira e relataram as atrocidades presenciadas. Os homens permaneceram apenas um mês no local.

    “Logo na primeira noite já começaram a se apavorar”, conta o religioso. “Eles presenciaram fiscais armados espancando um ‘peão’ que tentou fugir. Outro trabalhador foi amarrado nu em uma árvore no meio da floresta e também sofreu agressões. A mulher dessa pessoa teria sido estuprada.”

    Os fugitivos também relataram assassinatos na fazenda. Os corpos das vítimas eram jogados no Rio Cristalino, dentro da propriedade. Aproximadamente 15 pessoas que trabalharam na fazenda prestaram depoimentos sobre as condições análogas à escravidão.

    Denúncias chegam ao Congresso e à imprensa internacional

    Em julho de 1983, o padre levou uma das testemunhas para Brasília. Ele convocou uma coletiva de imprensa e apresentou as denúncias publicamente. O caso teve pouca repercussão no Brasil, mas ganhou destaque internacional.

    A história chegou aos funcionários da Volkswagen em São Bernardo do Campo. A empresa então convidou Expedito Soares para visitar a fazenda. O ex-operário da fábrica do ABC era deputado estadual pelo PT na época.

    Soares aceitou o convite sob condições específicas. Dois parlamentares de outros partidos e sindicalistas o acompanharam na visita. O grupo chegou à propriedade junto com a direção da VW.

    Trabalhadores escondidos durante visita parlamentar

    Os parlamentares solicitaram a presença do padre Figueira durante a visita. Um carro da Volkswagen foi buscá-lo a cerca de 80 km de distância. No trajeto, encontraram um “gato” – empreiteiro responsável por “fiscalizar” os trabalhadores.

    “Eu não presenciei a cena, porém me contaram que esse ‘gato’ estava com um fugitivo amarrado na caçamba de uma picape”, relata o religioso.

    Quando chegaram à fazenda, não havia funcionários visíveis. Apenas um trabalhador aparentava estar doente. Ele disse ter sido impedido de sair por estar devendo dinheiro à administração.

    “Acredito que os trabalhadores foram escondidos dentro da mata”, explica o padre. “A fazenda tinha até clube e um hotel de luxo, tudo bancado com a ajuda de dinheiro público. Os ‘peões’ ficavam em casas de madeira.”

    Jornal documenta a visita e negativas da empresa

    O jornal “Estadão” acompanhou a visita parlamentar. A publicação lançou reportagem sobre o caso em julho de 1983. Na matéria, a Volkswagen negava novamente o envolvimento com trabalho escravo.

    O governo do Pará abriu inquérito policial na época. A investigação não resultou em condenações ou medidas efetivas. A impunidade prevaleceu durante décadas.

    O livro “A Escravidão na Amazônia” documenta esses casos.

    A obra foi lançada em dezembro passado pela Editora Mauad. Os autores são Ricardo Rezende Figueira, Adonia Antunes Prado e Rafael Franca Palmeira. O livro inclui relatos de aproximadamente 15 pessoas que trabalharam na “Fazenda Volkswagen”.

    Um capítulo sombrio da história amazônica

    A Companhia Vale do Rio Cristalino, conhecida também como Fazenda Volkswagen, localizada no sul do Pará, foi comprada em 1974 em um consórcio com o governo militar, que concedeu vultosos incentivos fiscais e empréstimos através da Sudam para incentivar a criação extensiva de gado bovino na Amazônia.

    Outras empresas também instalaram empreendimentos na Amazônia na mesma época. Muitas utilizaram práticas similares de exploração de trabalhadores.

    A fazenda possuía cerca de 139 mil hectares, quase o tamanho do município de São Paulo, e foi palco de uma das maiores operações de desmatamento da época.

    Anúncio da montadora nos anos 70. Reprodução.

    O projeto, alinhado à política da ditadura de “ocupar e desenvolver” a Amazônia, contou com dezenas de milhões de reais em recursos públicos atualizados e tinha como objetivo principal transformar a área em pasto para criação de gado. A Volkswagen, tradicionalmente conhecida pela fabricação de automóveis, aventurou-se nesse setor como forma de alavancar seus negócios — numa estratégia que envolvia abater parte dos impostos da indústria automobilística com os investimentos agropecuários.

    Intermediários conhecidos como “gatos” recrutaram trabalhadores, muitos deles menores de idade, em vários estados e os transportaram em caminhonetes e caminhões pau de arara até a fazenda. Lá, os empregadores impuseram jornadas exaustivas, ameaças, agressões físicas e dívidas forçadas, caracterizando tráfico de pessoas. Eles também obrigaram os trabalhadores a derrubar a mata para abrir espaço ao pasto, sem oferecer contrato formal ou garantir direitos básicos.

    Além das graves violações dos direitos humanos, o projeto também teve um impacto ambiental devastador, com a derrubada de vastas áreas de floresta nativa. A fazenda contava com infraestrutura ampla, incluindo escolas, hospital, pista de pouso, além de centenas de funcionários administrativos, o que contrastava com as condições degradantes dos trabalhadores braçais.

    Empresa vende propriedade e reconhece vínculo trabalhista

    A Volkswagen vendeu a Fazenda Vale do Rio Cristalino em 1986. No mesmo ano, a Justiça do Trabalho reconheceu o vínculo empregatício dos três trabalhadores que escaparam da propriedade.

    A montadora demorou décadas para assumir responsabilidades pelos crimes. Em setembro de 2020, a Volkswagen do Brasil assinou um TAC (Compromisso de Ajustamento de Conduta). O acordo envolveu o Ministério Público Federal, o Ministério Público de São Paulo e a Procuradoria do Trabalho.

    O TAC de 2020 destinou R$ 16,8 milhões à Associação dos Trabalhadores da Volkswagen. A maior parte beneficiou ex-funcionários que sofreram violações durante a ditadura militar. Os recursos também contemplaram sucessores legais das vítimas.

    O acordo totalizou R$ 36 milhões em iniciativas diversas. O objetivo era promover “o esclarecimento da verdade sobre as violações dos direitos humanos”, segundo a empresa. Os inquéritos sobre os abusos foram arquivados devido ao TAC.

    Volkswagen admite “capítulo negativo” da história brasileira

    “Lamentamos as violações que ocorreram no passado”, declarou Hiltrud Werner na época. Ela era membro do Conselho de Administração da Volkswagen AG por Integridade e Assuntos Jurídicos.

    “Para a Volkswagen AG, é importante lidar com responsabilidade com esse capítulo negativo da história do Brasil e promover a transparência”, acrescentou a executiva.

    A condenação atual de R$ 165 milhões representa um marco na responsabilização da empresa. O padre Figueira questiona por que a montadora demorou tanto para assumir os crimes na Amazônia.

    “A Volkswagen já admitiu uso de trabalhos forçados na Alemanha durante a Segunda Guerra”, lembra o religioso. “Também reconheceu desrespeito aos direitos humanos a funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo na ditadura. Por que não reconhecer o trabalho escravo na fazenda do Pará?”

  • Cooperativa de Tomé-Açu impulsiona agrofloresta sustentável

    Cooperativa de Tomé-Açu impulsiona agrofloresta sustentável

    O cooperativismo na Amazônia assume múltiplas faces e mostra que há caminhos possíveis para conciliar produção agrícola, inclusão social e preservação ambiental. Enquanto na comunidade de Anã, em Santarém, o turismo ecológico fortalece famílias ribeirinhas e protege o ecossistema; em Tomé-Açu, no nordeste do Pará, agricultores encontraram na agrofloresta a resposta para frear a degradação causada pela expansão da pecuária e da soja. Neste município, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (CAMTA) se tornou símbolo de inovação, tradição e desenvolvimento sustentável — um modelo replicável para toda a Amazônia.

    Quase um século de cooperação

    Fundada em 1929 por imigrantes japoneses, a cooperativa nasceu em meio ao desafio de adaptar cultivos tropicais ao clima e ao solo amazônicos. Com o tempo, consolidou-se como protagonista na difusão de técnicas agrícolas e na criação de alternativas sustentáveis para crises enfrentadas pela região. Hoje, reúne mais de 600 famílias cooperadas e alcança um faturamento anual superior a R$ 124 milhões.

    Alberto Oppata, Presidente da CAMTA – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Seu parque agroindustrial permite beneficiamento e exportação de cacau, açaí, pimenta-do-reino, cupuaçu, maracujá e outras frutas tropicais. Os produtos chegam a mercados como da Europa, Ásia e América do Norte. Cada um leva consigo não apenas qualidade e rastreabilidade, mas também a marca de uma agricultura que respeita o meio ambiente e valoriza a diversidade cultural local.

    “Estamos celebrando também os 96 anos da imigração japonesa, que trouxe conhecimento agrícola e visão de comunidade para esta região”, recorda o presidente da cooperativa, Alberto Oppata. Para ele, o segredo da longevidade está na resiliência: depois da praga que dizimou a pimenta-do-reino nos anos 1960, os produtores aprenderam que diversificação e inovação eram o único caminho.

    Agrofloresta como alternativa de futuro

    O grande diferencial da cooperativa está na difusão dos Sistemas Agroflorestais (SAFs), em que culturas agrícolas se misturam com espécies nativas da floresta. Essa integração recupera áreas degradadas, melhora o microclima, protege a biodiversidade e garante renda contínua ao agricultor.

    Ernesto Suzuki, Cooperado CAMTA/ CEO Casa Suzuki – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Um exemplo emblemático é o SAF dendê, conduzido pelo cooperado Ernesto Suzuki. Desde 2008, em parceria com a Natura, a Embrapa e instituições de pesquisa, ele testa técnicas de cultivo sustentável da palmeira, combinada a espécies como cacau, açaí e andiroba. O resultado é produção sem queimadas, com adubação orgânica e baixo custo de manutenção. “Hoje, conseguimos produzir dendê, cacau, açaí e andiroba juntos, mantendo equilíbrio ecológico e garantindo receita desde o primeiro ano”, explica Suzuki.

    Além da produção agrícola, Suzuki criou a Casa Suzuki em 2023, espaço dedicado à valorização da biodiversidade. Lá, cacau é transformado em chocolates finos, pesquisas com cogumelos avançam em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e turistas vivenciam experiências únicas, como o banho de floresta.

    Histórias que preservam a memória e a floresta

    A diversidade também marca a trajetória da família Mineshita, que há mais de três décadas aposta no sistema consorciado como forma de enfrentar pragas e garantir renda estável. Em 20 hectares, sendo 15 cultivados, o engenheiro agrônomo Armando Tamotsu Mineshita produz cacau, açaí, cupuaçu, banana, pitaya, rambutan e mangostão.

    Armando Mineshita, agricultor e cooperado CAMTA – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    O modelo adotado cria um microclima que mantém a umidade, reduz o uso de adubos químicos e proporciona conforto até na hora da colheita. “Trabalhar no sol é difícil, mas aqui, pela manhã ou à tarde, a temperatura é sempre agradável”, comenta o agricultor. A produção atual chega a 10 toneladas de cacau, 7 de açaí e 7 de cupuaçu por ano.

    Para Mineshita, a grande lição é que a diversificação gera riqueza. “Aqui, aprendemos que é possível produzir em grande escala e, ao mesmo tempo, cuidar da floresta. A diversidade protege e fortalece a produção.”

    Inovação, inclusão e bioeconomia

    A Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu não é apenas uma associação de produtores. É também espaço de pesquisa, formação técnica e valorização social. A organização promove cursos de capacitação, mantém parcerias com universidades e empresas privadas e incentiva a participação feminina na gestão, com um comitê voltado para mulheres cooperadas.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Com esse trabalho, a cooperativa se tornou exemplo da bioeconomia amazônica, em que biodiversidade e conhecimento científico se transformam em geração de renda e oportunidades. Reconhecida nacional e internacionalmente, a experiência de Tomé-Açu é estudada por universidades e organismos multilaterais como modelo de agricultura tropical sustentável.

    Símbolo da Amazônia que dá certo

    As histórias de Oppata, Suzuki e Mineshita mostram que o futuro da Amazônia pode ser construído com base em tradição, ciência e cooperação. Mais que produzir alimentos, a cooperativa e seus associados criam uma narrativa de resistência e esperança: a de que é possível conciliar floresta em pé, qualidade de vida no campo e desenvolvimento econômico.

    Com quase um século de história, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu permanece como símbolo vivo de que a agricultura amazônica não precisa repetir o modelo predatório. Ao contrário: pode ser inspiração para o Brasil e para o mundo.