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  • Cooperativas de crédito reforçam impacto sustentável rumo à COP 30

    Cooperativas de crédito reforçam impacto sustentável rumo à COP 30

    O Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) realizou, em 19 de agosto, na sede do Sicredi em Belém (PA), um encontro preparatório para a COP 30. O evento reuniu as cooperativas de crédito Sicredi Norte, Sicoob Cooesa e Cresol Amazônia, além da participação da Concaves (Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Materiais Recicláveis), que destacou sua atuação em economia circular.

    Sicredi amplia crédito verde e inclusão

    O presidente do Conselho de Administração da Sicredi Norte, Wilson Machado, abriu o evento com as boas-vindas, seguido pela apresentação conduzida por Pedro Lutz Ramos, superintendente de Tesouraria da instituição. Ele destacou que, em 2024, a Sicredi aplicou R$ 7,4 bilhões em projetos de energia limpa e agricultura de baixo carbono. Também destinou R$ 16 bilhões em crédito para mulheres empreendedoras e produtoras rurais.

    Na Amazônia, a cooperativa está presente em 271 municípios e é a única instituição financeira em 19 localidades. Apenas em energia solar, financiou R$ 324,5 milhões em projetos.

    Entre os exemplos, foi apresentada a trajetória de Sarah e Robson, produtores de cacau de Medicilândia (PA). Com apoio da Sicredi, eles investiram em estufas de secagem e expandiram a produção de chocolate. O trabalho rendeu um prêmio nacional e outro internacional, colocando o cacau da região entre os melhores do mundo.

     

    Pedro Lutz Ramos, superintendente de Tesouraria do Sicredi – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro Em Campo

    Na Amazônia, a cooperativa está presente em 271 municípios e é a única instituição financeira em 19 localidades. Apenas em energia solar, financiou R$ 324,5 milhões em projetos.

    Entre os exemplos, foi apresentada a trajetória de Sarah e Robson, produtores de cacau de Medicilândia (PA). Com apoio do Sicredi, eles investiram em estufas de secagem e expandiram a produção de chocolate. O trabalho rendeu um prêmio nacional e outro internacional, colocando o cacau da região entre os melhores do mundo.

    Sicoob alia cidadania, inovação e energia limpa

    A apresentação do Sicoob ficou a cargo de Lidiana Ferreira, do setor de Cooperativismo Financeiro e Investimento Social Privado. Ela apresentou três frentes de impacto:

    • Biblioteca comunitária no Marajó, inaugurada em junho de 2024, espaço de leitura e formação cultural;
    • Cooperativa mirim ribeirinha, criada em Portel (PA), a primeira do gênero no Brasil, com jovens organizados em torno do cultivo do açaí;
    • Usina fotovoltaica em Santa Bárbara do Pará, prevista para 2025, que garantirá energia limpa a toda a estrutura do Sicoob Cooesa.

    Segundo Lidiana, o sistema já concedeu R$ 3,2 milhões em crédito verde e desenvolve inventário de emissões de gases de efeito estufa, reforçando o compromisso socioambiental da cooperativa.

    Lidiana Ferreira, do setor de Cooperativismo Financeiro e Investimento Social Privado do Sicoob – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro Em Campo

    Cresol Amazônia promove inclusão e protagonismo

    O diretor de operações da Cresol nos estados de Rondônia e Amazonas, Douglas Barbosa, apresentou as ações da cooperativa. Ele destacou que a Cresol alcançou 100% dos municípios de Rondônia e avança em localidades do Amazonas, como Codajás e Anori, oferecendo crédito, orientação técnica e apoio ao empreendedorismo local.

    Douglas Barbosa, diretor de operações da Cresol nos estados de Rondônia e Amazonas – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro Em Campo

    A cooperativa mantém uma estratégia ESG baseada em dez eixos, como educação financeira, inovação e sucessão familiar. Já impactou 51 mil pessoas em ações educativas. Na Amazônia, mulheres ocupam 80% dos cargos de liderança e quase 70% do crédito liberado vai para jovens com até 29 anos.

    Concaves transforma resíduos em oportunidade

    A apresentação da Concaves foi feita por sua presidente e catadora de materiais recicláveis, Debora Baia, que destacou a transformação vivida pela categoria em Belém a partir do cooperativismo.

    Hoje, a cooperativa reúne 22 associados, com renda média de R$ 1.600, e já atendeu mais de 20 mil pessoas por meio da coleta seletiva.

    Debora Baia, presidente e catadora de materiais recicláveis da Concaves – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro Em Campo

    Entre as iniciativas, estão o “Reciclômetro Concaves”, que permite rastrear resíduos em tempo real, e a parceria com a Itaipu Binacional para implantação de quatro unidades de valorização de recicláveis na região.

    Cooperativismo como motor de desenvolvimento

    Segundo estudos da Fipe, municípios com presença de cooperativas de crédito registram 10% mais PIB per capita e 15% a mais em empregos formais. Os exemplos mostrados em Belém reforçam a visão de que o cooperativismo é capaz de gerar desenvolvimento econômico aliado à inclusão e sustentabilidade.

  • Fruto amazônico promete benefícios à saúde

    Fruto amazônico promete benefícios à saúde

    Nas encostas dos Andes, onde rios caem em cascatas rumo à Amazônia, cresce o buriti (Mauritia flexuosa L.), fruto da palmeira moriche.

    A fruta, típica da região amazônica, conhecida por seu alto valor nutricional e importância cultural. Trata-se de uma palmeira que pode atingir até 35 metros de altura, com frutos que crescem em cachos, cada um podendo conter centenas de exemplares, resultando numa produção média de cerca de 290 quilos por palmeira.

    Foto: ISPN/Divulgação

    Sua polpa tem coloração amarelada a alaranjada e é rica em vitaminas e minerais essenciais para a saúde. Destaca-se pela altíssima concentração de vitamina A — contendo 20 vezes mais que a cenoura —, além de vitamina C, cálcio, ferro e potássio. O buriti também é fonte natural dos ômegas 3, 6 e 9, importantes para a saúde cardiovascular, circulação, pele e equilíbrio do colesterol bom. Entre seus benefícios estão o fortalecimento do sistema imunológico, combate à fadiga, melhora da visão e cuidado dos rins e pulmões.

    Outras vantagens

    Além das vitaminas, o buriti contém fitoestrógenos que possuem propriedades anticancerígenas e podem contribuir para a redução dos sintomas da menopausa e doenças cardiovasculares, conforme estudos recentes. Suas propriedades antibióticas, analgésicas e anti-inflamatórias também são destacados na medicina popular.

    No Peru, a fruta é chamada de aguaje; na Colômbia e Venezuela, moriche. E os moradores preparam ela de forma tradicional: deixam-no de molho por dois dias, removem a casca e transformam a polpa alaranjada em aguajina, uma bebida cremosa e nutritiva.

    Vendedores locais, como Gianina Pujay, afirmam que a fruta fortalece ossos, pele e cabelo, especialmente para mulheres. Alguns acreditam que o aguaje possui compostos semelhantes ao estrogênio, recomendando moderação no consumo por homens – embora faltem estudos conclusivos.

    Rico em vitamina A, ômega-9 e antioxidantes, o buriti ganha espaço como superalimento. Sua polpa também vira sorvetes, doces e óleos cosméticos.

    Enquanto a ciência investiga seus efeitos, o fruto segue como símbolo da cultura andina – e uma delícia que atrai curiosos e amantes da gastronomia amazônica.

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  • Cientistas indicam onde e como reflorestar a Amazônia

    Cientistas indicam onde e como reflorestar a Amazônia

    Um estudo recente propõe soluções sustentáveis e baseadas na ciência para restaurar a floresta amazônica com espécies nativas.

    A pesquisa, publicada na revista científica Florestas, foi liderada por Lucieta Martorano, da Embrapa Amazônia Oriental (PA). O trabalho apresenta o zoneamento topoclimático, metodologia que identifica as áreas mais adequadas para o plantio de espécies florestais nativas.

    Mapeamento da Amazônia

    A equipe mapeou regiões da Amazônia e indicou doze espécies com alto valor ecológico e econômico, como o angelim-vermelho, ipê-amarelo, copaíba e mogno-brasileiro.

    O estudo cruzou mais de 7.600 registros georreferenciados com dados climáticos, geográficos e topográficos, coletados entre 1961 e 2022. O resultado foi uma série de mapas que mostram o grau de adequação ambiental — alto, médio ou baixo — para o manejo de cada espécie.

    A análise estatística não hierárquica permitiu gerar modelos aplicáveis a diversos biomas. A metodologia pode orientar políticas públicas, restauração florestal, bioeconomia e adaptação climática. “O zoneamento topoclimático transforma ciência em estratégia de uso sustentável do território”, afirma Martorano.

    Destaques do estudo

    Entre os destaques do estudo, o angelim-vermelho (Dinizia excelsa) apresentou até 81% de alta adequação em áreas antropizadas, mostrando forte potencial de restauração. Já o marupá (Simarouba amara), espécie de alta plasticidade, pode ser usado em locais menos favoráveis, com manejo adaptativo.

    Além de mapear onde plantar, o zoneamento subsidia políticas públicas voltadas ao Acordo de Paris. A ferramenta apoia compromissos como o reflorestamento em larga escala e a conservação da biodiversidade.

    O estudo reforça a silvicultura com nativas como estratégia de combate às mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, promove geração de renda, recuperação ecológica e resiliência frente a desastres naturais.

    A abordagem tem forte relação com a Lei de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que remunera práticas conservacionistas. Com isso, a metodologia pode atrair recursos, fomentar a bioeconomia e incentivar projetos agroflorestais.

    Espécies certas, no lugar certo

    “O modelo ajuda a escolher as espécies certas, no lugar certo, com o manejo ideal”, explica Silvio Brienza Junior, da Embrapa Florestas (PR), coautor da pesquisa. Segundo ele, isso melhora a oferta de serviços ambientais, como regulação hídrica, térmica e sequestro de carbono. Brienza ressalta que o Brasil, ao definir com precisão onde reflorestar, cria condições para captar mais investimentos climáticos internacionais.

    A proximidade da Conferência do Clima da ONU (COP 30), marcada para novembro em Belém (PA), aumenta a relevância do estudo. O trabalho fortalece o papel da Amazônia como fonte de soluções climáticas baseadas na natureza.

    Zoneamento topoclimático

    O zoneamento topoclimático poderá direcionar recursos de restauração, orientar projetos com fundos verdes e contribuir para metas de carbono neutro. Os pesquisadores destacam que a metodologia pode ser ampliada para outras regiões e potencializada por tecnologias como sensoriamento remoto e inteligência artificial.

    O modelo também favorece espécies de alto valor ecológico e econômico. Isso permite um reflorestamento inteligente, que combina recuperação ambiental, inclusão social e geração de renda.

    Pagamento por Serviços Ambientais na Amazônia

    O PSA remunera produtores, comunidades e povos tradicionais por ações que preservam ou restauram ecossistemas.

    Entre os benefícios esperados estão:

    • incentivo à restauração ecológica orientada,
    • fortalecimento da bioeconomia florestal,
    • geração de renda com projetos de carbono,
    • conservação da água e da biodiversidade,
    • e resiliência climática em áreas degradadas.

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  • Conheça o tucumã, o tesouro nutricional da Amazônia

    Conheça o tucumã, o tesouro nutricional da Amazônia

    O tucumã vem ganhando reconhecimento nacional como um dos frutos mais nutritivos da Amazônia. Esta fruta exótica carrega uma concentração impressionante de vitaminas e minerais que prometem revolucionar a alimentação saudável brasileira.

    O tucumã é fruto da palmeira Astrocaryum vulgare, uma espécie nativa da Amazônia que se destaca pela resistência e adaptabilidade. A palmeira, conhecida regionalmente como tucumazeiro, alcança até 10 metros de altura e produz cachos com numerosos frutos de formato ovoide.

    A árvore começa a dar frutos por volta do seu sétimo ano, quando atinge entre 6 e 9 metros de altura. Esta característica faz dela uma cultura de longo prazo, mas com potencial econômico significativo para as comunidades locais.

    Características da fruta

    O fruto é redondo, composto de polpa alaranjada ou amarela de massa fibrosa, compacta e firme. Sua aparência externa varia entre tons de amarelo claro e escuro, enquanto a polpa interna apresenta textura oleosa e sabor característico.

    Tem sabor salgado e oleoso, de polpa laranja e fibrosa. Esta combinação única de sabores torna o tucumã uma experiência gastronômica singular na culinária amazônica.

    O tucumã se destaca como uma potência nutricional. A polpa tem três vezes mais vitamina A que a cenoura. A dose é tão alta que apenas um fruto satisfaz as necessidades diárias de adultos ou crianças.

    O perfil nutricional completo inclui:

    • Vitamina A: em concentração excepcional
    • Vitaminas B1 e C: presentes em quantidades significativas
    • Ômega-3: ácidos graxos essenciais para a saúde
    • Minerais: cálcio, potássio e magnésio
    • Proteínas: fonte vegetal de aminoácidos
    • Fibras: importantes para o sistema digestivo

    Benefícios para a saúde

    Fortalece o sistema imunológico, por ser rico em vitamina C, vitamina A e carotenoides, compostos que fortalecem as células de defesa e combatem os radicais livres.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    O óleo de tucumã extraído da polpa dos frutos é rico em ácidos graxos (gordura) insaturados, em carotenoides (betacaroteno) e apresenta atividades antioxidante, anti-inflamatória, anticarcinogênica e antihiperglicêmica.

    Os principais benefícios incluem:

    • Prevenção do envelhecimento precoce
    • Fortalecimento do sistema imunológico
    • Melhoria da saúde cardiovascular
    • Proteção contra o câncer
    • Fortalecimento de ossos e dentes

    Formas de consumo

    Em Manaus, a polpa da fruta é consumida in natura ou no recheio de tapiocas, sanduíche, comuns no café da manhã regional, e também em alguns pratos típicos da culinária local.

    As principais formas de consumo incluem:

    • In natura: consumo direto da polpa
    • Recheio de tapiocas: tradicional no café da manhã
    • Sanduíches: combinação popular na região
    • Pratos típicos: integrado na culinária local
    • Óleo: extraído das sementes para uso culinário

    Importância regional e econômica

    Com crescimento em palmeiras, este fruto era visto, por muito tempo, como uma praga, principalmente por ser muito resistente e possuir longos espinhos que machucam o gado e danificam as máquinas.

    A percepção mudou drasticamente. Hoje, o tucumã representa uma oportunidade econômica significativa para comunidades amazônicas. A palmeira do tucumã (Astrocaryum vulgare) é considerada uma planta pioneira e invasora de pastos, mas também é encontrada em capoeiras e florestas.

    O tucumazeiro é resistente ao fogo, pois tem a capacidade de rebrotar após as queimadas. Esta característica torna a palmeira uma aliada na recuperação de áreas degradadas.

    A resistência natural da espécie a condições adversas, combinada com seu alto valor nutricional, posiciona o tucumã como uma cultura sustentável para o futuro da Amazônia.

    Aplicações industriais

    Além do consumo alimentar, o tucumã tem encontrado espaço na indústria cosmética. É rico em ácidos graxos essenciais, como o ácido oleico e o ácido palmítico, além de antioxidantes e vitaminas A e E.

    Como ele é rico em ômega 3, 6 e 9, comporta-se como um excelente hidratante sendo empregado em produtos cosméticos para a hidratação da pele, loções corporais e produtos capilares para cabelos danificados.

    O tucumã representa mais que uma fruta exótica. É um símbolo da riqueza nutricional amazônica e uma oportunidade de desenvolvimento sustentável para a região. Com seu perfil nutricional excepcional e versatilidade de uso, o tucumã está preparado para conquistar o mercado nacional e internacional.

    A valorização deste fruto amazônico contribui não apenas para a diversificação da dieta brasileira, mas também para a preservação da floresta e o desenvolvimento econômico das comunidades locais.

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  • Fóssil de tartaruga gigante é descoberto no Acre

    Fóssil de tartaruga gigante é descoberto no Acre

    Uma equipe de paleontólogos brasileiros fez uma descoberta extraordinária no coração da Amazônia: o fóssil de uma Stupendemys geographicus. Ela é considerada a maior tartaruga de água doce que já existiu no planeta. O achado ocorreu no Rio Acre, em Assis Brasil (AC), dentro da Terra Indígena Cabeceira do Rio Acre. E pode revolucionar o entendimento sobre a fauna pré-histórica da região.

    No dia 17 de junho, durante uma expedição na localidade de Boca dos Patos, pesquisadores da Universidade Federal do Acre (Ufac), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificaram uma carapaça fossilizada com 1,8 metro de largura e comprimento estimado em 2,4 metros – indicando que o animal media quase o tamanho de um carro pequeno.

    O fóssil foi encontrado em sedimentos do Mioceno Superior, período que se estendeu entre 10,8 e 5,3 milhões de anos atrás, e estima-se que a tartaruga viveu há cerca de 9 milhões de anos16.

    A importância científica

    A Stupendemys geographicus é uma espécie já conhecida da ciência, mas raramente encontrada em bom estado de preservação. Edson Guilherme, coordenador do Laboratório de Pesquisas Paleontológicas (LPP) da Ufac, explica que pesquisadores só haviam encontrado um exemplar completo antes, na Venezuela. “Agora, temos uma aqui no Acre, o que amplia nosso conhecimento sobre a distribuição geográfica desses animais”, afirmou.

    A Stupendemys era uma das maiores tartarugas de todos os tempos, superando até espécies marinhas como a Archelon. Os machos possuíam chifres ósseos no casco, usados em combates territoriais. Ela viveu em um ambiente pantanoso, coexistindo com jacaré-gigantes (Purussaurus) – um de seus predadores.

    O professor Carlos D’Apolito Júnior, um dos líderes da expedição, destacou que o fóssil está excepcionalmente bem preservado, o que permitirá estudos detalhados sobre a anatomia e o comportamento da espécie. “É um achado fundamental para entender a paleontologia da Amazônia e os ecossistemas do passado”, explicou.

    Desafios logísticos e próximos passos

    A retirada do fóssil exigiu esforços extras devido ao seu tamanho e peso. Primeiro, a equipe tentou transportar o material em uma caminhonete, mas precisou esperar um caminhão da Ufac para levá-lo até Rio Branco. Lá, ele passará por análises laboratoriais antes de ficar disponível para exposição ao público.

    A expedição faz parte do projeto “Novas Fronteiras no Registro Fossilífero da Amazônia Sul-Ocidental”, financiado por CNPq, FAPAC e FAPESP, com apoio de comunidades indígenas locais.

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  • Produtores de soja avançam sobre a Amazônia

    Produtores de soja avançam sobre a Amazônia

    Em meio ao verde intenso da Amazônia, onde antes havia floresta secundária em recuperação, agora se estendem fileiras intermináveis de soja. O cenário se repete em várias regiões do Pará, estado que se tornou a nova fronteira agrícola do Brasil. Apesar do Acordo da Soja da Amazônia, pacto firmado em 2006 para conter o desmatamento, produtores encontraram uma brecha perigosa na legislação: o acordo só protege florestas primárias, aquelas nunca antes derrubadas, deixando de fora as áreas em regeneração.

    Um relatório oficial recente mostra que a área de soja plantada em floresta primária quase triplicou desde 2018, alcançando 250 mil hectares. No entanto, pesquisas independentes revelam números muito mais alarmantes. Xiaopeng Song, professor da Universidade de Maryland, analisou dados de satélite e descobriu que cerca de 1,04 milhão de hectares de soja na Amazônia brasileira estão em terras desmatadas após 2008 – data limite estabelecida pelo acordo. A discrepância ocorre porque o monitoramento oficial ignora pequenos desmatamentos acumulados e focos em municípios com mais de 5 mil hectares de cultivo.

    Transformação

    Em Santarém, no oeste do Pará, a expansão da soja transformou radicalmente a paisagem. O terminal da Cargill, construído às margens do rio Amazonas, tornou-se um polo de atração para produtores que buscam reduzir custos de exportação. “Aqui temos condições de fazer até três safras por ano”, explica Edno Cortezia, presidente do sindicato rural local. Ele está referindo-se ao cultivo sucessivo de soja, milho e trigo na mesma área. Enquanto isso, comunidades próximas sofrem com os impactos. Raimundo Freitas, diretor de uma escola em Belterra, mostra registros de intoxicação por agrotóxicos em alunos e professores ocorridos no ano passado.

    A pressão para flexibilizar o acordo vem crescendo. No final de abril, um ministro do STF autorizou o estado do Mato Grosso a retirar incentivos fiscais de empresas signatárias do pacto. André Nassar É presidente da Abiove, s associação que reúne as principais traders de grãos. E já sinalizou que o setor busca “um meio termo” entre manter e extinguir o acordo. Enquanto isso, a China, destino de dois terços da soja brasileira, continua comprando o grão rotulado como “livre de desmatamento”, mesmo com as evidentes falhas no sistema de monitoramento.

    Cientistas alertam que a combinação de desmatamento e mudanças climáticas pode levar a Amazônia a um ponto de não retorno, quando começaria a se transformar irreversivelmente em savana. “O acordo evitou um desastre maior, mas está longe de ser suficiente”, afirma André Guimarães, do IPAM. Com a temporada de plantio se aproximando, a pergunta que fica é: até quando as brechas na legislação continuarão permitindo que a soja avance sobre o que resta da floresta?

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  • Camu-camu: a bebida que tem 37x mais vitamina C que a laranja

    Camu-camu: a bebida que tem 37x mais vitamina C que a laranja

    Se você acha que a laranja é imbatível quando o assunto é vitamina C… pode se surpreender! Uma frutinha amazônica, de nome curioso — camu-camu —, vem ganhando espaço nas prateleiras, nas redes sociais e nas conversas de quem busca uma vida mais saudável. E olha, não é exagero, viu?

    Direto da Amazônia: uma joia escondida no meio da floresta

    O camu-camu é nativo da região amazônica, especialmente encontrado nas margens dos rios do Brasil, Peru, Colômbia e Venezuela. Diferente de muitas frutas, ele cresce em áreas alagadas, com os pés — literalmente — dentro d’água. Essa peculiaridade faz dele um fruto típico de comunidades ribeirinhas, que há gerações conhecem e aproveitam seus benefícios.

    De aparência simples, ele lembra uma cerejinha, de cor avermelhada por fora e polpa bem clarinha por dentro. Apesar do sabor extremamente azedo (mas MUITO azedo mesmo!), o camu-camu se destaca por ser uma das maiores fontes naturais de vitamina C do planeta.

    É muita vitamina C, sim!

    Pra ter uma ideia, em 100 gramas da fruta amazônica tem cerca de 1790 mg de vitamina C. Isso mesmo, você não leu errado! É mais de 37 vezes o que a laranja oferece na mesma quantidade — segundo dados da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA). Dá pra entender agora por que essa frutinha ganhou status de superalimento.

    Mas calma que não para por aí. Além disso, o camu-camu é uma fruta com 94% de água, ou seja, super hidratante, refrescante e praticamente sem calorias. Perfeita pra quem quer cuidar da saúde sem abrir mão do sabor.

    Uma bomba de colágeno natural

    Além de ser um verdadeiro fenômeno quando o assunto é vitamina C, o camu-camu tem outro superpoder: estimula a produção de colágeno no nosso corpo. Isso porque a vitamina C é essencial nesse processo. O resultado? Pele mais firme, cabelos e unhas mais fortes, além de músculos e articulações protegidos.

    E claro, não dá pra esquecer que o colágeno também atua na saúde dos ossos e na regeneração dos tecidos. Portanto, incluir um smoothie de fruta na rotina é como investir na beleza e na saúde, tudo de uma vez.

    Benefícios que vão muito além da estética

    Mas não pense que para por aí. Além do show de colágeno e vitamina C, o camu-camu é riquíssimo em minerais como potássio, cálcio e fósforo, que ajudam na manutenção da pressão arterial, na saúde dos ossos e no equilíbrio do organismo.

    Também entrega uma dose poderosa de antioxidantes, especialmente os polifenóis, que ajudam a combater o famoso estresse oxidativo — aquele responsável por acelerar o envelhecimento e aumentar o risco de doenças inflamatórias e cardíacas.

    Pra completar, ele ainda fornece aminoácidos importantes, como serina, valina e leucina, que são fundamentais pro metabolismo, pro funcionamento do sistema nervoso e pra recuperação muscular. E claro, vem acompanhado de vitaminas do complexo B e β-caroteno, que fazem bem pros olhos, pro cérebro e pra disposição.

    Resumindo? Só vantagem!

    ✔️ 37x mais vitamina C que a laranja
    ✔️ Estimula — e MUITO — a produção de colágeno (pele, cabelo, unhas e ossos agradecem!)
    ✔️ É super hidratante, com 94% de água
    ✔️ Combate inflamações e o envelhecimento precoce
    ✔️ Fortalece a imunidade e protege o coração
    ✔️ Tem baixo teor calórico, então cabe na rotina sem culpa
    ✔️ E ainda ajuda a gerar renda sustentável para comunidades ribeirinhas da Amazônia

    Se você tava procurando uma bebida saudável, diferente e cheia de benefícios, tá aí uma aposta certeira! O smoothie de camu-camu não só dá aquele up na imunidade e na disposição, como também cuida da pele, dos ossos e do coração. Tudo isso enquanto você se refresca com um sabor único — direto da nossa Amazônia pro seu copo.

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  • Conheça o bacuri: um tesouro amazônico

    Conheça o bacuri: um tesouro amazônico

    O bacuri (Platonia insignis) é uma das joias da biodiversidade brasileira, uma fruta que encanta pelo sabor único e pelos inúmeros benefícios à saúde. Nativa da região amazônica, especialmente do Pará, Maranhão e Piauí, essa fruta de polpa cremosa e sabor agridoce vai muito além da culinária – é um símbolo cultural, um aliado da medicina tradicional e um recurso econômico vital para comunidades locais.

    O bacuri é um superalimento rico em nutrientes essenciais, como:

    • Vitaminas (A, B1, B2, B3 e C) – fortalecem o sistema imunológico e a saúde da pele.
    • Minerais (potássio, fósforo, cálcio e ferro) – ajudam no controle da pressão arterial e na saúde óssea.
    • Fibras – melhoram a digestão, combatem a prisão de ventre e promovem saciedade.
    • Antioxidantes (flavonoides, betacaroteno e vitamina C) – combatem radicais livres, retardam o envelhecimento e previnem doenças crônicas.

    Além disso, o óleo de bacuri, extraído de suas sementes, é amplamente utilizado na indústria cosmética por suas propriedades anti-inflamatórias, cicatrizantes e hidratantes, sendo um ingrediente-chave em cremes, shampoos e sabonetes.

    A árvore que “nasce até dentro de casa”

    A árvore do bacuri, conhecida como bacurizeiro, é uma gigante da Amazônia, podendo atingir até 25 metros de altura e viver mais de 100 anos. Algumas curiosidades fascinantes sobre ela incluem:

    • Nome indígena: a palavra “bacuri” vem do tupi e significa “cai logo”, referindo-se ao fato de o fruto se desprender da árvore quando maduro.
    • Reprodução peculiar: o bacurizeiro se reproduz tanto por sementes quanto por brotamentos das raízes, o que faz com que surjam novas árvores até mesmo perto de residências – daí o ditado popular: “O bacurizeiro nasce até dentro de casa”.
    • Safra sazonal: os frutos amadurecem entre janeiro e junho, sendo colhidos principalmente no Norte do Brasil.

    O bacuri na vida das comunidades amazônicas

    Para os povos tradicionais da Amazônia, o bacuri vai muito além de uma simples fruta – é fonte de renda, alimento e medicina.

    Economia local: a coleta e venda do bacuri sustentam famílias inteiras, especialmente em feiras livres do Pará e Maranhão.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    Empoderamento feminino: muitas cooperativas de mulheres trabalham no processamento artesanal da fruta, produzindo doces, geleias e cosméticos, fortalecendo a economia regional.

    Uso medicinal: na medicina tradicional, o bacuri é usado para tratar dores de ouvido, inflamações na pele e até picadas de cobras e aranhas.

    Como consumir bacuri?

    A versatilidade do bacuri na culinária é impressionante. Confira algumas formas de incluí-lo na dieta:

    In natura: a polpa cremosa pode ser consumida diretamente da fruta.

    Sucos e smoothies: bata a polpa com água ou leite para uma bebida refrescante.

    Sobremesas: sorvetes, mousses, bolos e geleias são preparações tradicionais.

    Pratos salgados: molhos à base de bacuri combinam bem com peixes e carnes.

    Um futuro verde

    A produção sustentável do bacuri é essencial para a preservação da Amazônia. Empresas como a MAHTA e a feito brasil investem em sistemas agroflorestais que respeitam o ciclo natural da floresta, garantindo renda para comunidades locais e protegendo o meio ambiente.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    O bacuri é muito mais que uma fruta – é um símbolo da riqueza amazônica, um aliado da saúde e um motor econômico para comunidades tradicionais.

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  • Amazônia ganha centro para recuperação de áreas desmatadas e degradadas

    Amazônia ganha centro para recuperação de áreas desmatadas e degradadas

    A Amazônia Legal acaba de receber um centro inovador dedicado à recuperação de áreas desmatadas e degradadas. Coordenado pela Embrapa, o Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental da Amazônia (Capoeira) reúne mais de 100 pesquisadores de 33 instituições nacionais e internacionais, incluindo universidades, órgãos governamentais, ONGs, empresas privadas e comunidades locais.

    Com um investimento de R$ 14 milhões, o projeto foi aprovado pelo CNPq no âmbito do programa Pró-Amazônia, que visa fomentar pesquisas estratégicas para o desenvolvimento sustentável da região.

    O Capoeira terá um hub na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém, e atuará de forma virtual, integrando laboratórios e grupos de pesquisa em estudos socioeconômicos, ecológicos e bioculturais.

    Fragmentos de floresta em plantações de soja no município de Belterra.
    Foto Marizilda Cruppe/Divulgação

    Segundo Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa e coordenadora do centro, o objetivo vai além da produção científica: “Queremos articular uma transformação positiva na região, substituindo a cultura da destruição pela da restauração.”

    Amazônia em crise: desmatamento e degradação

    A Amazônia já perdeu 18% de sua cobertura original (846 mil km²), área equivalente a quase todo o estado de Mato Grosso, segundo dados do Inpe. Além disso, 370 mil km² (mais que o território da Alemanha) sofrem com degradação por incêndios, extração ilegal de madeira e fragmentação florestal.

    Esses distúrbios causam:

    • Emissões massivas de gases de efeito estufa
    • Perda de biodiversidade
    • Alterações no regime de chuvas
    • Aumento de conflitos socioambientais

    Estratégias de restauração em foco

    Os pesquisadores analisarão dados de mais de 100 áreas de estudo na Amazônia Legal, incluindo:

    • Florestas secundárias
    • Áreas degradadas
    • Sistemas Agroflorestais (SAFs)
    • Recuperação de sistemas aquáticos

    As técnicas avaliadas incluem:

    • Regeneração natural
    • Regeneração assistida (plantio de espécies nativas)
    • Plantio total (em áreas sem cobertura vegetal)

    Os SAFs são a estratégia mais estudada (37,88%), combinando produção agrícola e recuperação ambiental.

    Laboratórios vivos

    O projeto inclui “living labs” (laboratórios vivos) em três regiões estratégicas:

    • Santarém (PA) – Floresta Nacional do Tapajós e Resex Tapajós-Arapiuns
    • Mosaico do Gurupi (PA/MA) – Unidades de Conservação e Terras Indígenas
    • Nordeste Paraense – Municípios como Bragança, Paragominas e Tomé-Açu

    Esses espaços promoverão troca de conhecimentos entre cientistas e comunidades locais, fortalecendo ações de restauração biocultural.

    Restauração como solução para as mudanças climáticas

    O Brasil assumiu no Acordo de Paris o compromisso de recuperar 12 milhões de hectares até 2030, sendo 38% na Amazônia. A COP 30, que ocorrerá em Belém em 2025, deve ampliar o debate sobre o tema.

    “A restauração florestal é crucial para reduzir emissões e combater as mudanças climáticas”, afirma Joice Ferreira.

    Um levantamento da Aliança pela Restauração (2020) identificou 2.773 iniciativas de recuperação na Amazônia, cobrindo 113,5 mil hectares. A maioria (59%) são SAFs, seguidos por plantio de mudas (26%).

    “Laboratórios vivos” vão promover trocas de experiências e conhecimentos em três territórios amazônicos. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    Apesar de avanços em políticas como o Planaveg, os pesquisadores destacam a necessidade de esforços conjuntos entre governo e sociedade para ampliar a escala da restauração.

    O Capoeira surge como uma esperança para a Amazônia, integrando ciência, comunidades e políticas públicas em busca de um futuro sustentável. Com a COP 30 no horizonte, o centro pode se tornar um modelo global de recuperação ambiental.

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  • AgroTagMFE: ferramenta digital fortalece rastreabilidade da castanha-da-amazônia

    AgroTagMFE: ferramenta digital fortalece rastreabilidade da castanha-da-amazônia

    A Embrapa Meio Ambiente lançou o AgroTagMFE, um aplicativo gratuito e de código aberto que permite mapear, registrar e monitorar em tempo real práticas sustentáveis de manejo florestal, com foco na castanha-da-amazônia e outros produtos da sociobiodiversidade amazônica. A tecnologia integra o sistema AgroTag e oferece transparência para mercados nacionais e internacionais. Além de agregar valor à cadeia produtiva da castanha, um dos principais pilares da bioeconomia na região.

    Desenvolvido a partir do módulo MFE (Manejo Florestal e Extrativismo), o AgroTagMFE atende projetos como “Manejo Florestal Extrativismo: criando referências para o desenvolvimento territorial na Amazônia” e “NewCast – Novas Soluções Tecnológicas para a Cadeia da Castanha-da-Amazônia”. O aplicativo conta com formulários específicos para espécies como açaí, andiroba, babaçu, bacuri, pau-mulato, pracaxi e, especialmente, a castanha-da-amazônia. Assim, possibilitando a coleta detalhada de dados espaciais e temporais das áreas manejadas.

    Segundo a pesquisadora Luciana Spinelli, o sistema registra informações com fotos, desenhos, coordenadas geográficas e dados sobre as etapas de pré-coleta, coleta e pós-coleta. Esses dados são sincronizados em uma plataforma online com mapas interativos (WebGIS). Isso permite gerar relatórios, cruzar informações com imagens de satélite e realizar análises robustas sobre a sustentabilidade das áreas extrativistas e as boas práticas adotadas.

    A rastreabilidade da castanha-da-amazônia é fundamental para garantir acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Especialmente após o Brasil perder espaço para a Bolívia na exportação do produto, devido a normas da União Europeia sobre aflatoxinas. Enquanto a Bolívia se adaptou rapidamente, o Brasil viu sua produção com casca ser exportada e processada no país vizinho.

    Cadeia produtiva

    Patricia Costa, também da Embrapa, destaca que cerca de 60 mil famílias amazônicas, entre indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, dependem da castanha para sua subsistência. A cadeia produtiva envolve mais de 100 organizações comunitárias e 60 empresas. Sendo, portanto, uma importante alternativa de renda e um vetor de conservação ambiental, ao valorizar a floresta em pé, evitar o desmatamento e contribuir para a regulação climática e o sequestro de carbono.

    Além de organizar dados, o AgroTagMFE oferece provas consistentes sobre a origem e qualidade do produto, promovendo ética, sustentabilidade e comércio justo. O sistema digital evita perdas de informações durante a coleta, enviando os dados diretamente a um servidor online. Outra inovação é a incorporação da espectroscopia de reflectância para análise físico-química das amostras de castanha. Essa técnica reduz custos e resíduos laboratoriais e fortalece a comprovação da origem e sanidade do produto, essencial para recuperar mercados externos.

    O sistema está em constante aprimoramento, com previsão de novas funcionalidades, como áreas de trabalho independentes para grupos parceiros e ampliação da rede de usuários, fortalecendo a colaboração entre instituições, comunidades locais e pesquisadores. A rastreabilidade é um caminho irreversível para os produtos da sociobiodiversidade. E gera confiança no mercado e mais renda para as comunidades extrativistas.

    O AgroTagMFE insere-se no contexto do fortalecimento da bioeconomia na Amazônia, modelo de desenvolvimento que aposta no uso sustentável da biodiversidade como motor econômico e social. Com a castanha-da-amazônia como símbolo desse movimento, o Brasil busca recuperar seu protagonismo e transformar a floresta em uma aliada do progresso sustentável.

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