Tag: milho

  • Guerra no Oriente Médio vai encarecer diesel, comida e insumos agrícolas no Brasil

    Guerra no Oriente Médio vai encarecer diesel, comida e insumos agrícolas no Brasil

    Na madrugada deste sábado, EUA e Israel deflagraram ataques aéreos simultâneos contra Teerã, Qom, Isfahan, Tabriz e Kermanshah. O Irã respondeu com mísseis em bases americanas no Golfo e em Tel Aviv. O conflito não é apenas uma crise diplomática. Para o Brasil, representa uma ameaça concreta à cadeia produtiva do agronegócio, ao preço do combustível e à estabilidade do câmbio.

    O canal mais imediato entre a guerra e o bolso do brasileiro passa pelo barril de petróleo. Com o Estreito de Ormuz, por onde circula entre 20% e 30% de todo o petróleo do mundo, sob ameaça, analistas projetam que o preço pode saltar dos atuais US$ 71 para uma faixa entre US$ 120 e US$ 150. Cenários extremos, que envolvem o fechamento total do estreito, chegam a projetar valores acima de US$ 300.

    O Brasil depende fortemente do transporte rodoviário para escoar a produção do campo. Qualquer alta no diesel chega ao produtor rural antes mesmo de chegar ao consumidor final, e chega rápido. A inflação que começa no frete termina na prateleira do supermercado.

    Há um ângulo positivo, mas limitado: a Petrobras e os exportadores brasileiros de petróleo bruto ganham com a alta do barril. O risco, porém, é a pressão política por reajuste nos preços domésticos da gasolina, o que retroalimenta o ciclo inflacionário.

    Agronegócio: dois golpes em sequência

    O setor que mais sente o choque é o agronegócio, e por dois caminhos distintos. O primeiro é a dependência de fertilizantes importados. O Brasil compra do exterior cerca de 80% dos insumos que usa no campo. E o Irã figura entre os principais fornecedores de ureia, essencial para as safras de soja e milho. Um bloqueio nas rotas marítimas ou sanções ao comércio iraniano encarece esses insumos, aumenta o custo de produção e, no médio prazo, pressiona os preços dos alimentos.

    O segundo golpe vem do lado das exportações. O Irã foi, em 2025, o segundo maior destino do agronegócio brasileiro em volume, com US$ 2,9 bilhões em compras. O milho sozinho respondeu por US$ 1,9 bilhão, quase 68% do total. E a soja contribuiu com outros 19,3%. Um conflito prolongado fecha esse mercado de maneira abrupta, sem substituto imediato no horizonte.

    Câmbio e juros: o impacto macroeconômico

    Crises geopolíticas globais favorecem o dólar em detrimento de moedas emergentes. O real tende a se desvalorizar, o que encarece as importações, entre elas, os fertilizantes. E obriga o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa na condução da política monetária.

    O cenário mais preocupante é aquele em que o conflito se prolong. Nesse caso, o Fed americano deve manter os juros na faixa entre 3,5% e 3,75% por mais tempo, reduzindo o fluxo de capital para países emergentes. O PIB brasileiro, que já enfrenta projeção de crescimento de apenas 1,8% em 2026, ficaria ainda mais pressionado.

    Há algum lado positivo?

    Sim, mas circunscrito. Uma mudança de regime no Irã poderia, no médio prazo, ampliar a oferta global de petróleo e derrubar os preços. O que favoreceria a competitividade do agronegócio brasileiro. Por ora, porém, a incerteza domina o cenário e os riscos superam as oportunidades.

    O impacto mais imediato e certo já chegou: o preço do petróleo sobe e o diesel encarece. O risco mais grave, ainda incerto, é a combinação entre a perda do mercado iraniano para milho e soja e o encarecimento dos fertilizantes. Tudo depende de quanto tempo o conflito durar e se o Estreito de Ormuz de fato fechar. O Brasil torce para que seja uma crise curta. O agronegócio, mais do que qualquer outro setor, sabe o que está em jogo.

  • Preço da soja avança com demanda externa e clima incerto

    Preço da soja avança com demanda externa e clima incerto

    Os preços internos da soja subiram na última semana no Brasil. Os pesquisadores do Cepea atribuem o avanço à forte demanda externa. Além disso, os prêmios de exportação mais atrativos elevaram o interesse internacional pela soja brasileira. Ao mesmo tempo, produtores adotaram postura cautelosa diante das incertezas climáticas.

    No Sul, agricultores seguraram ofertas por causa da irregularidade das chuvas. Segundo colaboradores do Cepea, a estiagem reduziu a produtividade em áreas afetadas. Por outro lado, chuvas recentes favoreceram lavouras ainda em desenvolvimento. No Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, o clima melhorou as condições das plantas.

    De acordo com a Conab, a colheita alcançava 24,7% da área até 14 de fevereiro. No mesmo período de 2025, o índice era de 25,5%. Além disso, a média dos últimos cinco anos soma 27,1%.

    Milho mantém preços firmes no mercado interno

    Os preços do milho seguiram firmes, apesar das poucas negociações. O recesso de carnaval reduziu o volume de negócios no mercado interno. Ainda assim, pesquisadores do Cepea apontam sustentação nas cotações. Os produtores restringiram a oferta porque priorizam atividades no campo. Além disso, vendedores ativos no mercado spot mantiveram postura firme.

    Do lado comprador, muitos enfrentam preços elevados e entraves logísticos. A prioridade atual tem sido a entrega da soja, o que limita novas aquisições de milho.

    No campo, as atividades avançam de forma satisfatória na maior parte das regiões. Entretanto, algumas áreas do Sul ainda registram preocupação com a falta de chuvas. Em outras regiões, o clima favorece a colheita da safra de verão. Além disso, o cultivo da segunda safra evolui em boas condições.

    Nos portos, a liquidez no mercado spot permanece baixa. Mesmo assim, os embarques de fevereiro superam o ritmo observado há um ano. Esse desempenho reflete negociações antecipadas realizadas anteriormente.

  • Soja sobe com demanda aquecida no Brasil

    Soja sobe com demanda aquecida no Brasil

    A demanda por soja para entrega imediata aqueceu o mercado spot brasileiro. Com isso, os preços internos ganharam sustentação e os prêmios de exportação subiram. O movimento ocorreu principalmente para embarques de curto prazo, apontam pesquisas do Cepea.

    Ao mesmo tempo, produtores mantêm cautela nas vendas e acompanham irregularidades climáticas no País.
    Eles observam déficits hídricos no Sul e no Nordeste e evitam fechar novos negócios. No Sudeste, o excesso de chuvas interrompeu a colheita e reduziu a oferta da oleaginosa.

    Por outro lado, a valorização do Real frente ao dólar limitou altas mais intensas. Ou seja, esse cenário reduziu a competitividade da soja brasileira frente ao produto dos Estados Unidos. Além disso, a perspectiva de aumento na relação estoque/consumo conteve avanços adicionais.

    Apesar dos entraves climáticos, estimativas indicam produção recorde de soja no Brasil. A Conab projeta colheita de 177,98 milhões de toneladas. Já o USDA estima produção de 180 milhões de toneladas.

    Milho em alta com oferta limitada

    Os preços do milho seguem em alta em diversas praças acompanhadas pelo Cepea. Inicialmente, a valorização apareceu em regiões paulistas e depois se espalhou.  Os produtores retraíram as vendas porque priorizam os trabalhos de campo. Com isso, a oferta do cereal no mercado spot nacional ficou mais restrita.

    Ao mesmo tempo, compradores relatam dificuldades nas negociações. Eles enfrentam menor disponibilidade do grão e evitam pagar valores mais elevados. Ainda assim, estimativas apontam safras elevadas no Brasil e no mundo. No cenário interno, projeções indicam aumento dos estoques. Já no mercado global, os estoques devem atingir o menor nível desde a safra 2014/15.

  • Brasil projeta safra recorde de 353,4 milhões de toneladas de grãos em 2025/26

    Brasil projeta safra recorde de 353,4 milhões de toneladas de grãos em 2025/26

    O Brasil inicia a colheita das culturas de primeira safra projetando uma produção de 353,4 milhões de toneladas de grãos na temporada 2025/26. O volume representa um crescimento de 0,3% sobre o ciclo 2024/25 e mantém o país na rota de um novo recorde histórico, segundo o 5º Levantamento da Safra divulgado nesta quinta-feira (12) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    Os agricultores brasileiros expandiram a área plantada para 83,3 milhões de hectares, um avanço de 1,9% que corresponde a 1,5 milhão de hectares adicionais. A produtividade média nacional, no entanto, registra queda de 1,5%, passando de 4.310 quilos por hectare em 2024/25 para 4.244 quilos por hectare no ciclo atual.

    Soja lidera crescimento e estabelece novo marco produtivo

    A cultura da soja consolida sua posição como protagonista da safra brasileira. A Conab projeta uma colheita de 178 milhões de toneladas da oleaginosa, um incremento de 6,5 milhões de toneladas em relação ao ciclo passado e um novo recorde para a cultura.

    As condições climáticas favoráveis impulsionam o desenvolvimento das lavouras nas principais regiões produtoras. A colheita da soja já avança em 17,4% da área plantada, superando o mesmo período do ano anterior. Em Mato Grosso, maior estado produtor do grão, os agricultores já colheram 46,8% da área, e as produtividades alcançam os níveis estimados inicialmente.

    Milho prevê recuo na produção total, mas primeira safra cresce

    A produção total de milho deve atingir 138,4 milhões de toneladas, representando uma redução de 1,9% em relação ao ciclo anterior. Apesar da queda geral, a primeira safra do cereal apresenta desempenho positivo, com crescimento de 7,2% na área plantada, que chega a 4 milhões de hectares, e produção estimada em 26,7 milhões de toneladas — aumento de 7,1% sobre a safra anterior.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    Para a segunda safra, os produtores destinam 17,9 milhões de hectares. O plantio já atinge 21,6% da área estimada na primeira semana de fevereiro, com projeção de colheita de 109,3 milhões de toneladas.

    Arroz reduz área plantada, mas garante abastecimento interno

    Com a semeadura praticamente concluída, a área destinada ao arroz atinge 1,6 milhão de hectares, 11,6% inferior ao ciclo anterior. No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, as lavouras atravessam pleno desenvolvimento vegetativo. As chuvas recentes recuperaram os níveis dos mananciais, que enfrentavam redução hídrica nas regiões produtoras do estado.

    arroz
    Foto: Giovani Wrasse/Irga

    A Conab estima uma produção de 10,9 milhões de toneladas. Mesmo com a expectativa de queda, o volume garante o abastecimento do mercado interno.

    Feijão mantém estabilidade e Minas Gerais lidera primeira safra

    A produção de feijão deve se manter próxima a 3 milhões de toneladas, somando os três ciclos da leguminosa. A primeira safra registra redução de 11,4% na área plantada, totalizando 804,7 mil hectares, com expectativa de produção de 967,2 mil toneladas, 9% inferior à safra passada.

    Foto: Divulgacão/GovBA

    A região Sul, especialmente o Paraná, influencia a queda nos números. Em contrapartida, Minas Gerais prevê aumento de 9,5% na produção, chegando a 224,6 mil toneladas e assumindo a liderança como principal produtor de feijão no primeiro ciclo.

    Algodão reduz área plantada em 3,2%

    Os produtores de algodão destinam cerca de 2 milhões de hectares para o cultivo da fibra, redução de 3,2% em relação à safra anterior. A área cultivada deve resultar em uma produção de 3,8 milhões de toneladas de pluma. A Conab informa que os agricultores já semearam 88,1% da área total.

    Foto: divulgação – Embrapa/Fabiano José Perina

    Mercado de milho bate recordes em exportação e consumo interno

    A Conab consolida os dados da comercialização do milho da safra 2024/25. A produção recorde do ciclo passado impulsionou as exportações para 41,5 milhões de toneladas, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

    A ampla oferta interna e a maior demanda internacional pelo grão elevaram as vendas ao mercado externo. O consumo interno também atingiu novo recorde histórico, saltando de 84 milhões de toneladas na temporada 2023/24 para 90,5 milhões de toneladas na safra passada. O aumento da utilização do milho na produção de etanol explica o crescimento, consolidando a relevância do cereal no setor energético.

    Para a temporada 2025/26, a expectativa aponta novo incremento tanto nas exportações quanto no consumo interno, com estimativas de 46,5 milhões de toneladas e 94,5 milhões de toneladas, respectivamente. Mesmo com a elevação, os estoques de passagem do grão devem se manter em torno de 12 milhões de toneladas em janeiro de 2027.

  • Soluções japonesas elevam produtividade no campo

    Soluções japonesas elevam produtividade no campo

    A Ihara apresentou suas principais apostas em inovação, novos produtos e estratégias para ampliar a produtividade agrícola no Brasil durante a 38ª edição da Show Rural Coopavel, realizada de 9 a 13 de fevereiro, em Cascavel (PR). Em coletiva de imprensa no evento, o gerente distrital e comercial da empresa, Rafael Scapini, detalhou tendências de mercado, desafios do manejo e os próximos lançamentos previstos no portfólio da companhia.

    Inovação japonesa aplicada ao campo brasileiro

    Reconhecida como uma das principais plataformas de inovação agrícola do Japão no Brasil, a Ihara atua com acionistas majoritariamente ligados ao fornecimento de moléculas. Esse modelo permite que soluções desenvolvidas no maior polo de pesquisa agrícola do mundo cheguem ao campo brasileiro de forma direcionada às necessidades do produtor.

    Rafael Scapini, gerente distrital e comercial da Ihara – Foto: Pedro H, Lopes

    Além disso, a empresa mantém o foco em transformar tecnologia em resultado prático na lavoura. O objetivo, segundo Scapini, é garantir que a inovação chegue até o produto final, com impacto direto na produtividade e na rentabilidade.

    Crescimento do portfólio e novos lançamentos

    O avanço da Ihara no País ocorre de forma consistente. Em 2017, a empresa registrou seu maior crescimento histórico, com o lançamento de 15 produtos em um único ano. Já em 2025, o portfólio alcançou 79 produtos disponíveis, atendendo todas as culturas e segmentos do agronegócio.

    Atualmente, a companhia avalia e desenvolve 22 moléculas, com potencial para originar até 240 novos produtos. Além disso, quatro soluções — dois fungicidas e dois inseticidas — avançam para a fase final de desenvolvimento. “Tem muita coisa nova para vir por aí”, afirmou Scapini.

    Entre os produtos que devem chegar em breve ao agricultor estão o Fusão Fix, fungicida voltado à cultura da soja; o Alecto, inseticida com molécula inédita para o controle de lagartas; e o Olympo, mistura tripla para soja, com ação contra lagartas, percevejos e outras pragas.

    Recentemente, a Ihara também lançou o SEIV, fungicida desenvolvido com tecnologia própria para o controle da mancha-alvo. Segundo a empresa, o produto permite máximo controle da doença e pode elevar a produtividade em até quatro sacas por hectare.

    Custos de produção e busca por eficiência

    De acordo com Scapini, o produtor rural tem ampliado o investimento em tecnologia como resposta às margens cada vez mais apertadas. Atualmente, cerca de 20% dos recursos vão para fungicidas, 25% para inseticidas, 20% para herbicidas e 7% para tratamento de sementes, além de outros custos de manejo.

    No custo total de produção, os fertilizantes representam aproximadamente 25%, enquanto os defensivos somam 15% e as sementes ficam entre 7% e 8%. Para alcançar o ponto de equilíbrio, o produtor precisa colher cerca de 55 sacas de soja por hectare ao adotar um pacote tecnológico completo.

    Nesse contexto, o investimento em manejo adequado deixou de ser opção e passou a ser necessidade. “Novos patamares de produtividade exigem capricho e planejamento”, destacou o gerente.

    Manejo de plantas daninhas e resistência

    O manejo de plantas daninhas se consolidou como um dos maiores desafios da agricultura moderna. A resistência ao glifosato acelerou o uso de herbicidas pré-emergentes, especialmente no Sul do País. Espécies como caruru, buva e capim-pé-de-galinha ganharam espaço com as condições climáticas favoráveis.

    Diante desse cenário, o herbicida Yamato SC ganhou importância no manejo da resistência. O produto oferece maior período de controle, alta seletividade e segurança para o agricultor iniciar a lavoura no limpo.

    Enquanto isso, a evolução genética também transformou o campo. Se antes uma mesma genética atendia grandes regiões, hoje a escolha ocorre por propriedade. Assim, o produtor alia genética, seletividade e tecnologia para alcançar maior eficiência.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Doenças e controle de pragas

    Entre as doenças da soja, a ferrugem asiática segue como a principal preocupação. Dados da Aprosoja indicam que a doença pode comprometer até 90% da produção. Na última safra, o Brasil registrou mais de 240 focos, o maior número já observado.

    Para enfrentar esse desafio, a Ihara destaca os fungicidas Sugoy e Fusão. O Sugoy reúne uma mistura tripla com ação contra ferrugem, mancha-alvo, antracnose e outras doenças. Dessa forma, o produtor não precisa adicionar outros produtos ao manejo. Já o Fusão combina alta performance com baixo investimento, o que o torna indispensável na rotina do campo.

    No controle de insetos, o Zeus se consolidou como referência no manejo de percevejos. Segundo dados apresentados, apenas um percevejo por metro quadrado pode gerar prejuízos superiores a R$ 11 mil em uma área de 100 hectares. “Não é promessa, é resultado de campo”, reforçou Scapini.

    Com foco em inovação contínua, tecnologia japonesa e soluções adaptadas à realidade brasileira, a Ihara projeta um novo ciclo de crescimento no País. A estratégia prioriza eficiência no manejo, controle preciso de pragas e doenças e aumento da rentabilidade. “É o detalhe que faz a diferença dentro do manejo produtivo”, concluiu o gerente.

  • O fim dos percevejos: nanotecnologia é aposta da ADAMA

    O fim dos percevejos: nanotecnologia é aposta da ADAMA

    O avanço dos percevejos nas lavouras de soja e milho segue como um dos principais desafios do produtor rural, com impacto direto na produtividade e no bolso. Atenta a esse cenário, a ADAMA apresentou ao mercado brasileiro o Galil nano, inseticida desenvolvido no Brasil que utiliza nanotecnologia para elevar o padrão de controle de percevejos e da cigarrinha-do-milho. O lançamento ocorreu durante o Show Rural Coopavel, uma das maiores feiras agrícolas do país, que acontece em Cascavel (PR) e marcou a estreia da plataforma de Nanotecnologia da companhia.

    Apontado como a grande estrela do estande da ADAMA, o Galil nano foi apresentado por Yvan Lopes, diretor de Marketing da empresa no Brasil, que destacou o impacto silencioso, porém severo, causado pelos percevejos. Segundo ele, os insetos se alimentam sugando a seiva da planta e ainda injetam toxinas por meio da saliva, comprometendo o desenvolvimento da lavoura. “É um inseto que tira, em pouco tempo, tudo aquilo que o agricultor construiu ao longo da safra, reduzindo o potencial produtivo por hectare”, afirmou.

    Os prejuízos são expressivos. No caso do percevejo-marrom (Euschistus heros), a presença de três insetos por metro pode resultar em perda de 1,5 saca por hectare, o equivalente a cerca de R$ 180/ha. Já o percevejo-barriga-verde (Diceraeus spp.), com a mesma infestação, pode causar danos ainda mais severos, chegando a aproximadamente 20 sacas por hectare, o que representa até R$ 1.200/ha. No milho, os danos podem ser ainda mais críticos, exigindo atenção redobrada no manejo.

    Yvan Lopes, diretor de Marketing da Adama no Brasil

    Tecnologia nano muda o padrão de controle

    O Galil nano atua de forma estratégica no controle de percevejos, explorando principalmente a contaminação tarsal, responsável por cerca de 80% da eficácia do produto, enquanto a ingestão representa 15% e o contato direto, 5%. Essa característica está diretamente ligada à nanotecnologia presente na formulação.

    “Para se ter ideia, uma partícula nano pode ser até mil vezes menor do que uma partícula de uma formulação convencional”, explica Raphael Malandrino, gerente de Inseticidas da ADAMA. Segundo ele, esse tamanho reduzido permite uma distribuição mais uniforme sobre a superfície da folha, garantindo maior exposição do inseto ao ingrediente ativo.

    “No manejo do percevejo, o maior desafio não é aplicar o produto; é garantir que ele esteja presente em toda a superfície da folha, exatamente onde o inseto caminha e entra em contato com o ativo”, destaca Malandrino. Com isso, a tecnologia nano aumenta a biodisponibilidade do ingrediente ativo, intensifica o contato tarsal e potencializa o efeito de choque, mesmo em cenários de difícil controle.

    Pesquisa brasileira por trás da inovação

    Desenvolvido integralmente no centro de Pesquisa e Desenvolvimento da ADAMA, em Londrina (PR), o Galil nano foi testado por várias safras, em diferentes regiões produtoras de soja e milho do País, sempre com resultados consistentes. A formulação também garante estabilidade e eficiência da aplicação em condições climáticas distintas, fator essencial para o dia a dia do produtor.

    Além do controle do percevejo-marrom e do percevejo-barriga-verde, o produto se consolida como uma ferramenta estratégica para áreas de produção de sementes, onde os danos causados por insetos sugadores exigem um manejo ainda mais rigoroso.

    Disponível comercialmente a partir da safra 2026/2027, o Galil nano sinaliza um novo momento da Adama em tecnologias de formulação. “A nanotecnologia muda o jogo ao entregar controle mais eficiente, seguro e alinhado às práticas de manejo integrado de pragas”, reforça Malandrino, em um cenário marcado pela escassez de novos ingredientes ativos no mercado.

  • Bayer mira eficiência e segurança contra plantas daninhas

    Bayer mira eficiência e segurança contra plantas daninhas

    Durante a 38ª Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), a Bayer apresentou ao produtor rural brasileiro novas soluções em proteção de cultivos, sementes, biotecnologia e agricultura digital. As novidades foram detalhadas em uma roda de conversa com a imprensa, reforçando como a inovação tem papel decisivo no enfrentamento dos desafios do campo, especialmente no controle de plantas daninhas e doenças que afetam a produtividade da soja e do milho.

    Com o tema “A inovação que transforma o campo e traz resultados”, o encontro reuniu Rodrigo Nuernberg, líder da Unidade de Negócios Centro-Sul para Proteção de Cultivos da Bayer Brasil; Celso Batistella, diretor de Experiência do Cliente; e o produtor rural Rodolfo Camargo Pinto Filho, da Fazenda Gralha Azul, na região de Cascavel.

    Logo no início do debate, uma constatação foi unânime: quando o assunto é dificuldade na lavoura, as plantas daninhas seguem como a principal preocupação do produtor. “Se você perguntar para dez agricultores quais são os maiores problemas hoje, os dez vão responder que as plantas daninhas são prioridade no manejo da cultura”, afirmou Nuernberg.

    Plantas daninhas e doenças exigem manejo preciso

    Na rotina do campo, o desafio vai além do controle pontual. Segundo o produtor Rodolfo Camargo Pinto Filho, o sucesso da lavoura depende de planejamento e de um manejo bem estruturado, feito no tempo certo. “Manejo é muito importante. É preciso se programar muito bem para não perder o ‘time’. Doenças como o mofo-branco, por exemplo, preocupam bastante”, relatou.

    De acordo com ele, algumas doenças deixam uma espécie de “herança” no solo, comprometendo não apenas uma safra, mas também as seguintes. “Se não houver um manejo robusto, o problema se estende por vários anos, o que impacta diretamente a rentabilidade da propriedade”, alertou o produtor.

    Entre as principais plantas daninhas citadas estão a buva e o caruru, que afetam tanto a soja quanto o milho. No caso do milho, o uso de herbicidas pré-emergentes e pós-emergentes contribui não apenas para aquela cultura, mas também para o equilíbrio do sistema produtivo nas safras seguintes.

    A evolução da soja muda o jogo no campo

    Outro ponto destacado durante a conversa foi a própria evolução da soja ao longo dos anos. Para Rodolfo, a busca por altas produtividades trouxe novos desafios. “Hoje, a soja é como um bebê. Para ser produtiva, ela acabou ficando um pouco mais frágil. Por isso, o manejo de plantas daninhas e de doenças precisa ser muito mais robusto”, explicou.

    Segundo o produtor, uma lavoura pressionada por mato ou doenças não responde bem aos estímulos produtivos. “Ela não vai entregar resultado se estiver morrendo ou doente. O desafio é produzir mais com menos, e isso só acontece com manejo bem feito”, completou.

    Inovação como aliada do produtor

    Para apoiar o agricultor nesse cenário cada vez mais complexo, a Bayer mantém investimentos globais de cerca de 2,6 bilhões de euros por ano em Pesquisa e Desenvolvimento. No Brasil, a companhia prevê o lançamento de mais de 20 novas formulações até 2030.

    “O Brasil é um país continental, com regiões muito diferentes entre si e, em muitos casos, até três safras por ano. Isso exige soluções específicas e proximidade com o produtor para entender a realidade de cada área”, destacou Nuernberg.

    Entre as novidades apresentadas no evento está o Xtendimax 2, uma evolução da tecnologia à base de dicamba, indicada para aplicação em pós-emergência nas culturas de soja e algodão. A nova geração reduz significativamente os riscos de volatilidade e deriva, aumentando a segurança no manejo de plantas daninhas de folhas largas, como buva e caruru. O produto estará disponível para a safra 2026/2027.

    Outro destaque é o Convintro Duo, herbicida pré-emergente que combina um ativo inédito no Brasil, o diflufenicam, com o metribuzim, ampliando o espectro de controle logo no início do ciclo das plantas daninhas.

    Tecnologia, dados e sustentabilidade

    Além da proteção de cultivos, a Bayer reforçou sua estratégia em agricultura digital, com ferramentas que auxiliam o produtor na tomada de decisão, escolha de sementes e manejo por talhão. Programas como o Bayer Valora Milho e a plataforma Climate FieldView têm ajudado agricultores a ganhar produtividade com uso mais eficiente de insumos.

    No campo da sustentabilidade, o PRO Carbono se consolida como a maior plataforma de agricultura regenerativa da América Latina, reunindo mais de 3 milhões de hectares e 3 mil produtores. Nas áreas participantes, a adoção de práticas regenerativas resultou em aumento médio de 11% na produtividade anual e redução significativa da pegada de carbono.

    Ao combinar inovação, planejamento e manejo integrado, a Bayer reforça sua proposta de estar ao lado do produtor rural brasileiro. Em um cenário de margens apertadas e desafios crescentes, acertar o manejo no tempo certo segue sendo decisivo para garantir produtividade hoje e sustentabilidade nas próximas safras.

  • Alta global de fertilizantes aperta o bolso do produtor rural brasileiro

    Alta global de fertilizantes aperta o bolso do produtor rural brasileiro

    A forte demanda internacional por fertilizantes mantém os preços em patamares elevados no início de 2026, pressionando o custo de produção no campo e reduzindo o poder de compra do agricultor brasileiro. Dados da consultoria StoneX mostram uma piora significativa nas relações de troca, obrigando os produtores a desembolsar mais sacas de grãos para adquirir a mesma quantidade de insumos.

    Atualmente, o agricultor precisa vender cerca de 36 sacas de milho para comprar uma tonelada de uréia. Um aumento de cinco sacas em relação a janeiro. No caso da soja, a situação se repete: são necessárias quase 29 sacas para adquirir uma tonelada de MAP, também cinco sacas a mais que no começo do ano.

    Fatores globais que sustentam os preços

    O analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, explica que o movimento reflete a valorização dos fertilizantes no mercado internacional. “Os principais países consumidores se preparam para a temporada de adubação da primavera no Hemisfério Norte. Este movimento sustenta os preços e impacta diretamente o Brasil”, destaca.

    Dois gigantes influenciam fortemente o mercado:

    • Estados Unidos: buscam garantir estoques para as aplicações da primavera, aumentando a demanda.
    • China: amplia suas compras internas e reduz o volume de exportações, restringindo a oferta global.

    Outro agente crucial é a Índia, que realiza grandes licitações de compra de ureia. “A expectativa de novas compras indianas reforçou a percepção de um mercado firme”, completa Pernías.

    Cautela e incerteza no mercado doméstico

    No Brasil, com o fim da janela de compra para a safrinha e um longo intervalo até a safra 2026/27 de soja, os produtores adotam postura cautelosa e tendem a adiar decisões, na esperança de condições mais favoráveis.

    No entanto, o analista da StoneX faz um alerta: não há garantias de melhora significativa no curto prazo. “A demanda norte-americana e chinesa pode perder força em algum momento, mas o apetite comprador do Brasil e da Índia tende a crescer ao longo do ano. Isso pode continuar sustentando os preços”, avalia Pernías.

    O cenário indica que os agricultores brasileiros continuarão enfrentando um ambiente de decisões complexas e custos elevados com fertilizantes. Pelo menos durante os primeiros meses de 2026.

  • Cigarrinha-do-milho ameaça início da segunda safra e pode reduzir colheita

    Cigarrinha-do-milho ameaça início da segunda safra e pode reduzir colheita

    A segunda safra de milho de 2026 começa sob alerta. Com o avanço da cigarrinha-do-milho nas principais regiões produtoras, agricultores intensificam o manejo fitossanitário para evitar novas perdas bilionárias na produtividade nacional.

    Foto: Fabrícia Torres.

    A definição da janela de plantio será decisiva para o desempenho do cereal neste ciclo. Embora haja previsão de chuvas na primeira quinzena de fevereiro no Centro-Oeste, o aumento da capacidade operacional dos produtores pode acelerar o ritmo da colheita da soja e garantir a semeadura do milho dentro do período ideal.

    A cigarrinha-do-milho, antes restrita a poucas áreas, se transformou em um dos maiores desafios da agricultura brasileira. Segundo estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o inseto causou prejuízos estimados em US$ 25,8 bilhões entre as safras 2020/21 e 2023/24. A infestação reduziu em média 22,7% da produção nacional de milho, o que representa 31,8 milhões de toneladas por ano. Quase 80% dos municípios analisados registraram perdas expressivas associadas à cigarrinha e às doenças transmitidas por ela.

    Em regiões vulneráveis, os danos podem ultrapassar 70% da colheita. Para conter o avanço, os agricultores aumentaram em cerca de 19% os investimentos em controle fitossanitário nas últimas safras, apostando em tecnologias e estratégias integradas.

    Especialistas reforçam manejo antecipado

    Para o engenheiro agrônomo Valdumiro Garcia, da IHARA, o impacto da cigarrinha vai além do campo. “O Brasil é o terceiro maior produtor de milho do mundo, e pragas como a cigarrinha afetam diretamente a competitividade do país. O manejo precisa começar cedo, com híbridos tolerantes, tratamento de sementes, monitoramento constante e aplicações de inseticidas no momento correto”, alerta.

    A segunda safra de milho ganhou relevância nos últimos anos, especialmente no Centro-Oeste, e hoje responde pela maior parte da produção brasileira. A StoneX projeta 106,3 milhões de toneladas para 2026, enquanto a Conab estima 110,5 milhões de toneladas. Em Mato Grosso, principal estado produtor, o Imea prevê 7,39 milhões de hectares plantados, um aumento de 1,83%, com produção estimada em 51,72 milhões de toneladas.

    Apesar das boas perspectivas, o resultado final depende das condições climáticas e do controle eficiente da cigarrinha durante todo o ciclo. O plantio, concentrado entre fevereiro e março, logo após a colheita da soja, exigirá atenção constante.

    Garcia reforça a importância do planejamento. “O produtor precisa antecipar o manejo, garantindo a disponibilidade dos defensivos no momento certo para proteger o potencial produtivo da lavoura. O uso de novas tecnologias, a gestão eficiente dos insumos e decisões rápidas farão diferença para conquistar rentabilidade nesta safra”, afirma.

  • Milho ganha força e preço reage no Brasil

    Milho ganha força e preço reage no Brasil

    Os preços do milho mostram reação em algumas regiões. Os produtores seguram as vendas e evitam novas quedas. Portanto, o movimento interrompe a baixa vista até janeiro. A colheita da soja reduz a oferta de fretes.
    Com isso, o custo logístico do milho diminui. Esse fator limita recuos mais intensos do cereal, segundo o Cepea.

    Os compradores adotam postura cautelosa no mercado interno. Muitos agentes aguardam maior oferta nas próximas semanas. Os trabalhos de campo avançam e ampliam a disponibilidade. Esse cenário pode pressionar valores mais adiante.

    Exportações fortes

    As exportações brasileiras seguem em ritmo firme. O país embarcou 4,24 milhões de toneladas em janeiro.
    O volume supera em 18% o registrado em 2025, os dados oficiais são da Secretaria de Comércio Exterior. Na temporada 2024/25, os embarques crescem com consistência.

    O total exportado atinge 41,62 milhões de toneladas. O resultado fica 8% acima do ciclo anterior.
    O desempenho externo ajuda a sustentar o mercado.

    Soja

    No mercado da soja, as cotações mostram estabilidade. Os preços iniciam fevereiro sem grandes oscilações. A demanda internacional dá suporte às negociações. O dólar valorizado também favorece a oleaginosa.
    A alta externa contribui para firmar o mercado. Entretanto, os prêmios de exportação recuam com força.
    Esse fator limita o repasse ao mercado doméstico.

    Em Chicago, a soja recebe impulso recente. O movimento ocorre após reunião entre Estados Unidos e China.
    Os países reafirmam compromisso de ampliar compras. O acordo anima os agentes e sustenta cotações.
    As exportações brasileiras começam 2026 aceleradas.

    O Brasil embarcou 1,87 milhão de toneladas em janeiro. O volume cresceu 75,5% sobre o mesmo mês anterior.
    A China respondeu por 57,2% das compras externas. O cenário confirmou a força da soja brasileira.

    O mercado acompanha a evolução da colheita nacional e os produtores e indústrias ajustam estratégias de venda. Os próximos meses definirão o rumo dos preços.